O que faz a vida valer a pena…

Demorei muitos anos para viver uma situação de morte na família. Foi então que há aprox. 2 anos perdi uma de minhas avós, minha Vó “Landa”. Não foi uma morte repentina, nem tampouco inesperada. Ela já sofria há muito tempo com várias enfermidades e andava com muita dificuldade há muitos anos.

Quando recebi a notícia fiquei em desespero, sem chão, sem teto, sem respirar. Devido à distância e à rotina maluca que levamos não nos víamos mais com tanta frequência quanto eu gostaria, mas era minha vozinha. Fez parte de forma intensa da minha infância e da infância de meus irmãos. Era da “Dona Landa”, a mulher que mesmo enferma não largava seu paninho que deixava a casa sempre brilhando. Era a mulher que ficava toda vaidosa ao mostrar sua placa que recebeu da prefeitura de Ribeirão Pires pelos serviços prestados durante muitos anos como uma das merendeiras mais queridas de uma das escolas públicas da cidade.

Desde sua morte, há dois anos atrás, nunca mais eu tinha voltado à casa onde ela morava com minha mãe e meu avô. Então, neste último domingo, fomos até lá para visitar minha mãe e meu avô. Na hora que saímos da estrada e entramos no bairro, meu coração já começou a apertar. Lembrava que a última vez que fizemos aquele caminho foi no dia em que voltamos do velório com minha mãe e meu avô e com todo aquele sofrimento que uma despedida dessas carrega. Quando chegamos, fomos recepcionados pela minha mãe, o que sempre acontecia, já que minha avó estava quase sempre deitada quando chegávamos. Mas quando entrei, senti uma tristeza, uma saudade ao ver uma casa que não tinha mais a energia dela, uma energia sempre tão presente, já que era ali que ela passava 99% do seu tempo nos vários anos em que esteve doente.

Ao chegar na cozinha, a saudade apertou de vez! Olhei o relógio de parede e lembrei do dia que rimos muito juntos, pois o Rodrigo (meu marido) tinha colocado o relógio torto de propósito pra irritar a “velhinha” que tinha um toc absurdo. Olhei a cadeira onde ela sempre sentava pra tomar lanche com a gente e vi vazia. Olhei para a porta do quarto e estava fechado, pois meu avô – desde que ela se foi – passa a maior parte do seu tempo dormindo ali. E, de repente, fiquei ali com a minha mãe conversando e ao mesmo tempo sentindo falta da minha avó atormentando o meu avô para ele ir à padaria comprar pão fresco pra mim, porque ela sabia que eu adorava. Senti falta dela pedindo para ele fazer café e esquentar o leite, porque ela sabia que – pra mim – não existe café com leite mais saboroso do que aquele que eu tomava ao lado dela. Lembrei da casa onde eles moravam, quando éramos criança. Da casa que tremia toda vez que o trem passava logo atrás dela. Da casa onde, antes de dormirmos todos juntos na sala, ela aparecia com um prato fundo de feijão pra gente comer, porque tinha medo que a gente sentisse fome à noite. Da casa da goiabeira e de seus galhos que nos abraçavam, que abraçavam nossa infância vivida tão plenamente ali naquela casa de três comodos e banheiro do lado de fora. Simples, aconchegante, única.

Voltei reflexiva de lá. Com saudades. Pensando na busca das pessoas pelas coisas. Pensando que muitas pessoas passam a vida inteira se preocupando com o que possuem, com o que adquirem, com o que podem comprar, com o que podem acumular, com o presente que vão comprar. Pra quê? Minha avó sempre foi simples, não me lembro de UM BRINQUEDO que ela tenha me dado na minha vida. Mas NINGUÉM nesse mundo me deu a lembrança do sabor do café com leite que ela sempre tinha pra me oferecer na sua casinha! Ninguém.

Não importa o que você tem, importa o que você dá de você. Não importa o preço do que se dá, importa o sentimento que vem de você. As melhores coisas da vida não são coisas, são pessoas, são momentos. Perdi minha vozinha, mas vou lembrar dela toda vez que tomar um café com leite gostoso ou que me ouvir gritando pros meus filhos: “Coloca a blusa! Você vai ficar doente menino!” Saudades vó! E obrigada por me ensinar, mesmo que de outro plano! O amor e a infância que você me deu foram, sem dúvida, os seus melhores presentes pra mim! Pra sempre! <3

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Meia verdade. Meia amizade. Meia vida. Meio copo.

Se tem uma coisa que me incomoda e que de vez em quando – tipo hoje – me esgota é a superficialidade das coisas nos dias atuais. É a meia verdade. A meia amizade. A meia vida que as pessoas levam. A vida sem interjeição. Com muitas vírgulas, reticências e pontos finais.

As pessoas não se entregam. Esperam, esperam, esperam. Quando você está ali, doando seu tempo e todas suas exclamações de felicidade, simplesmente te retornam com reticências ou ponto final. Quando te retornam. Sim, a vida é um chat, meus caros e um chat que não pode ter aviso de recebimento. Sim, as pessoas não querem que você saiba que elas te ignoram. Triste.

E, nessas horas, sinto tanta falta das minhas amigas que eu mais amo. Todas longe. Muito ou pouco, mas longe. E, graças à Deus, umas 5 por perto. Mas o meu grande defeito é que pra mim é 8 ou 80. Estão longe e, por isso, não me contento. Queria elas aqui! Queria o abraço delas! Queria o brilho no olhar que elas tem! Mas eu poderia ligar mais, escrever mais emails, mandar uma carta. Não. Fico aqui, seguindo a onda do “esperando”.

De repente acordo um dia, como hoje, e me dou conta de que espero das pessoas erradas. Não, elas não são “pessoas erradas”. Mas não são as pessoas que preciso. Sim, são as mais fáceis de acessar e por isso a gente insiste em acreditar que teremos relações verdadeiras com elas. Mas não. Você sabe que não. Vê nos olhos delas que insistem em desconversar, em te enganar, em te desviar deles. Estou cansada, porque desde que mudei pra Alemanha estou sempre iniciando amizades. Sempre criando novos círculos e me afastando fisicamente dos antigos que agora estão longe. Então você se aproxima, sente as pessoas, se sente à vontade e ai chega a hora da verdade: a hora em que você percebe que está se esforçando pra estar com ela ou o inverso. De 10, talvez 2 tenham realmente algo a ver com você. Mas você, teimosa e otimista, insiste em acreditar que as 10 tem algo de bom e que vale a pena implorar pra fazer parte do “grupinho”. Mas não. Não vale. Você sabe!

Convida uma para ir à sua casa. Surgem aqueles compromissos do tipo “tenho que dar banho no meu cachorro” ou “tenho que secar o gelo”. Você finge que não entendeu as entrelinhas. Sim, finge. Finge porque quer acreditar que gostam de você. Quer “fazer parte” do “grupo”. Ah! O grupo! Se vai todo mundo, ai sim. Sim, porque no coletivo a gente se mascara. O coletivo ajuda quem não quer ser um indivíduo. No meio de todos ele é legal e querido. Sozinho? Talvez nem ele saiba quem é quando está sozinho.

Sinto, de verdade, saudades dos meus amigos alemães e outros estrangeiros. Com eles as relações foram conquistadas diariamente. Eles não te convidavam se não quisessem realmente que VOCÊ, como indivíduo, estivesse ali. Nunca esqueço da resposta de uma super amiga minha alemã, quando lhe enviei um email com um texto falando sobre amigos verdadeiros. Tipo, na minha cabeça, ela já era minha amiga. Já nos conhecíamos aqui do Brasil e sempre as convidamos para tudo, quando já estávamos na Alemanha. Pois bem, mandei o email para ela e para apenas algumas outras amigas, pelas quais tenho imenso carinho e ela me responde algo do tipo: “Querida Maira, fiquei muito feliz com seu email e em saber que JÁ me considera sua amiga. Quero muito UM DIA poder também lhe considerar uma grande amiga. Tenho certeza que esse dia chegará em breve! De qualquer forma, muito obrigada pelo carinho e pela oportunidade de nos conhecermos melhor. Um beijo, X”. Tomei, né? 😛 Maaaas, o mais engraçado é que, provavelmente, qualquer brasileira ficaria chocada e não ia mais querer falar com a pessoa. Eu? Fiquei TÃO FELIZ! Ela foi verdadeira! Sincera! Meu Deus, como eu sentia falta de alguém assim aqui no Brasil! Meu carinho por ela e minha vontade de tê-la como amiga só aumentou com isso. <3 E até hoje somos sim grandes amigas! Mesmo que só através de cartas e emails. 😉

É disso que sinto falta, meu Deus! De sinceridade! De profundidade nas relações! De olho no olho! De convites desprovidos de interesse! De eventos sem selfies! Sério! Meus melhores amigos são mega desconectados e sempre que me dou conta disso, me pergunto por quê eu não consigo me desconectar também, já que a maioria das pessoas não são como parecem ser nesse mundo virtual. Eu quero ser eu mesma sempre e talvez seja por isso que incomodo tanto algumas pessoas ao meu redor (mulheres em particular). Só pode ser! Não consigo não me expor. Não consigo não opinar. Não consigo não compartilhar coisas alinhadas com o que acredito. Não consigo não dividir conhecimento, momentos e experiências na rede. Fico triste com a superficialidade da maioria, mas encantada com a possibilidade do alcance e da transformação através das mídias sociais. É isso que ainda me prende nelas. Não as pessoas. Sério!

Hoje acordei cansada desse vazio. Cansada da falta de exclamação e do excesso de emoticons. Cansada de não conseguir desistir de compartilhar conteúdo, mesmo que as pessoas prefiram sua foto fazendo biquinho ou tutorial de como emagrecer em 10 segundos comendo capim.

Mas, ao mesmo tempo, acordei decidida. Decidida a voltar a blogar com mais frequência. Aqui pelo menos sei que as pessoas que aqui aparecem querem saber o que penso, mesmo sabendo que meus pensamentos sempre ocupam mais do que 2 parágrafos. 😉 Quem lê um texto desse até aqui, merece aplausos!

Estava com saudades desse espaço para conseguir desenvolver toda a narrativa. Sério! Não sei como fiquei tanto tempo longe desse meu vício que era blogar. Pronto, já me sinto mais leve. <3

 

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Biergarten Alemão em Itupeva (SP)! Prost!

Se tem uma coisa que eu MORRO de saudades da Alemanha são os Biergartens. Cara, não passava uma semana sem ir em algum, inclusive no inverno. 😀 E ai, pra felicidade da família, meu marido descobriu uma cervejaria que tem um “quê” de Biergarten super escondido em uma cidadezinha vizinha de Jundiaí, Itupeva, Interior de SP.

E que, por um acaso, é a cidade onde iremos morar em breve. Pois é, mais um motivo pra ficar feliz com a mudança. 😛

Lugar perfeito pra beber, descansar, conhecer gente bacana e ver a criançada brincar com novos coleguinhas. ADORO! 😀

Estou falando da cervejaria ROFER. Quando meu marido foi lá da primeira vez não tinha praticamente infra-estrutura pra ficar lá desfrutando. Era mais ir, provar os tipos de cerveja que eles tinham (são 3 tipos de Chopp e 1 de Cerveja), comprar e levar. Mas agora os caras criaram um espaço (pequeno) onde as pessoas podem sim ficar lá desfrutando e se embriagando, já que só tem cerveja por lá (e das boas!). Pra comer a única coisa que eu vi foi carambola diretamente do pé.

Ah lá tem umas capivaras também, mas não sei se ia curtir carne de capivara não. 😛

Pra quem aprecia cerveja de qualidade, daquelas beeeem encorpadas, vai pirar! Mas sugiro ir com tempo pra beber e depois ficar lá esperando o álcool sublimar ou ir de táxi mesmo, porque o negócio é forte, viu? 😀 Olha só a dupla já atacando! O pai a ponto de encher o caneco e a cria doida pra quebrar o barril. 😛

O que eles sugerem é que você compre queijo no caminho, o famoso e delicioso Queijo Itupeva. Mas também pode levar de casa, of course. Leva queijo, salame, pimenta biquinho e pão de alho. Farofeiro sofisticado, hein? Eu se fosse eles iria incluir esse tipo de opção lá mesmo pra vender, mas segundo uma moça com quem conversamos, não querem oferecer nada além da cerveja e chopp pra não perder o foco.

Não tem comida, mas pra compensar o lugar é lindo com muito espaço pra criançada correr e área gramada pra família toda ou amigos desfrutarem sentados ou deitados. Em dias de Sol escaldante então, é perfeito! O lugar tem muita sombra e isso, sem dúvida, faz toda diferença no calor que anda fazendo por aqui.

Para consumir no local tem as seguintes opções: 300mL custa R$6, 500mL custa R$8 e 1L custa R$10. Nem precisa dizer que super vale a pena pedir de 1L e dividir com a galera, né? Além disso eles vendem um vasilhame beeem legal que custa R$90 e que você pode pedir para encher, levar e toda vez que quiser voltar lá com ele e encher de novo.

Bom, acho que pelas fotos e pela minha euforia dá pra ter certeza de que o passeio vale MUITO a pena, né? Mas atenção: só abre de sexta (acho) das 10 às 15h e no sábado das 10h até as 17h. Pois é, infelizmente não abre no domingo. E outra coisa: LOTAAAA no sábado! Chegamos lá mais ou menos 14:30h e já não tinha mais lugar pra sentar nas cadeiras/mesas. Mas ainda tinha lugar no gramado, só que a moça falou pra gente que hoje estava beeem tranquilo. Acho que o pior horário deve ser até as 14h, então sugiro ir ou muito cedo, tipo 10 horas ou depois das 14h. Mas isso é apenas uma percepção. Vou lá mais vezes pra comprovar e atualizo aqui, mas se você for fala pra gente como foi, tá?

Quer saber qual o resultado de uma tarde nesse lugar maravilhoso? É esse aí embaixo: família feliz! 😀

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Inhotim é MARAVILHOSO e é do Brasil-il-il-il!

SURTANTE! É assim que defino Inhotim. Fica em Brumadinho, MG, pertim de “Belzonte”. Não é SÓ um museu de arte contemporânea, não é SÓ um jardim botânico com espécies do mundo todo, não é só um lugar com uma paisagem única e alucinante, não é só um instituto que mudou e vem mudando a vida dos moradores de Brumadinho em Minas Gerais. O Instituto Inhotim, seu acervo e atividades são tão diversos e ricos que não dá pra querer definir como isso ou aquilo. É um paraíso recheado de natureza e arte em uma combinação totalmente equilibrada. É, sem dúvida, um lugar que deixa a gente com aquele sentimento gostoso ao pensar baixinho: “É do Brasil! É nosso! ” 😀

Esse foi o único lugar do mundo que conseguiu me fazer ter mil sensações, menos o tédio. Um lugar perfeito pra iniciar um novo ciclo, já que ali é impossível não refletir a cada espaço percorrido, a cada galeria visitada, a cada fragância natural percebida, a cada obra observada, a cada móvel de madeira maciça que encontramos por toda trajetória dentro de sua paisagem.

Será que dá pra levar as crianças? DEVE! As menorzinhas até 2 anos não acho que seja “viável”, mas acima de 2 anos acho um passeio fantástico! O Rafa está com quase 3 e surtou em todas as atrações. Lógico que tem aquelas que são as queridinhas de toda criançada e dos adultos “não crescidos” também. 😀

O mais legal de levar as crianças é que elas te fazem ver tudo com outros olhos. Esse toco gigante de madeira, por exemplo. Quando vi de longe lembrei do monstro do lago Ness (Escócia) que fica ao lado do lago. O Rafa, no entanto, de longe viu e saiu correndo e gritando: “Cachorro! Cachorro!”. Sozinha eu JAMAIS teria visto um cachorro ai, mas depois que ele falou vi claramente o Snoopy. Meio torto, mas era ele sim! 😛

A infra-estrutura faz tudo parecer coisa de primeiro mundo mesmo! Banheiros por todos os lados, relativamente limpos no dia em que estivemos lá, restaurantes chiquerrérrimos pra quem tá podendo, lanchonete que serve um omelete divino e para se locomover tem aqueles carrinhos elétricos de golf que fazem caminhos fixos mostrados no mapa do instituto. Pra utilizar os carrinhos custa hoje R$20 por cabeça, mas crianças até 5 anos não pagam. Se vale a pena? É VITAL pra quem está com criança e quer ver tudo em um único dia. Vi alguns relatos que sempre dizem que você precisa de mais de um dia pra visitar o parque. Depende. Acho que usando os carrinhos dá pra ver tudo tranquilamente em um único dia com crianças, menos alguns filmes que demoram horas (mas com criança pequena, filme não rola mesmo). Acho que vale a pena visitar duas vezes sim, uma com criança e uma sem criança pra poder ficar mais “relaxada” e clicar mais e melhor. Mas para fazer tudo em apenas um dia, é preciso que esse dia seja quarta, quinta ou sexta-feira. Sim, porque de terça, por ex., a entrada é gratuita e ai o negócio ferve! Segundo algumas pessoas que conversamos, nesse dia tem fila pra tudo e ai, na boa, não dá pra curtir de verdade esse lugar incrível! Então já anote ai: terça-feira nem a pau! Pra quem quiser levar carrinho de bebê, é melhor sim, porque tem muito trecho que os carrinhos não passam e ai é “osso”. Nós fomos sem carrinho de bebê e ao final do dia não tínhamos mais braço e nem costas. 😀

As esculturas e móveis de madeira maciça são, além de um espetáculo à parte, uma ótima pedida para paradas estratégicas. Acho que deitamos em todas que encontramos pelo caminho. Olha o tamanho dessas toras! INCRÍVEL! Nem o Rafinha resistiu e se esbaldou. 😛

Para se informar sobre as galerias, os artistas e até mesmo as espécies de plantas e flores sempre vai ter uma plaquinha por perto. Eu não sou do tipo que fica lendo tudo, mas o Rafa adorou ficar suuuuper informado. Não, ele ainda não lê, mas adora uma plaquinha que só vendo. 😀

Uma das paisagens que mais chama a atenção é a dessas vigas de ferro velho fincadas no meio da natureza com algumas colinas ao fundo. De longe o que chama a atenção é o contraste das cores, da matéria, da paisagem natural com aquele ferro velho relativamente organizado ali no meio do “nada”. Já quando você chega perto das vigas, a paisagem fica realmente em segundo plano e a gente se encanta com o tamanho das vigas que “brotam” do chão e parecem querer alcançar o céu azul. Sim, é uma viagem!


Mas a maior viagem de Inhotim – pra mim – foram as salas da Cosmococa. Uma galeria que traz consigo todos os sentidos e que ao mesmo tempo te faz perdê-los em alguns instantes. Segundo um moço que estava dirigindo o carrinho, o nome vem da junção das palavras cosmos + coca (de cocaína). Quando ele explicou isso, a gente nem precisou questionar, já que o lugar realmente “dá um barato” louco! É alucinante! É uma galeria escura e cada sala mexe com alguns sentidos na escuridão ou na quase-escuridão. Em uma das salas fica uma piscina que dá pra entrar. Em outra você encontra redes penduradas em uma sala escura, onde pode deitar e curtir um show de imagens e de puro Rock n´Roll ao som de Jimi Hendrix. Alucina demais! Uma sala que registrei escondida, mas que não sai nada na foto foi uma sala com o chão todo irregular, coberto com uma lona dando aspecto de mar e cheio de bexigas pra deixar o Rafa doidão da silva. Maaas a sala queridinha das crianças e da gente também é a sala das espumas. A criançada já entra lá pulando, enquanto você observa alguns pais deitados querendo cochilar e outros já preferem aproveitar o jogo de luzes, sombras e mais rock n´roll pra brincar com os filhotes. <3

Algumas galerias são mais afastadas e geralmente só quem está com tempo ou com carrinho é que vai até elas. Uma deles é o “Pavilhão Sônico”, onde fotografei escondida o Rafinha – é proibido fotografar dentro das galerias. Quando ele entrou soltou um “uauuuu!” e depois só queria saber o que tinha no buraco, enquanto eu pensava em toda história da existência terrena e no seu futuro. E olha que eu estava sóbria! O pai? Esse só pensava que aquele lugar era perfeito pra construir uma casa dos sonhos. 😛 Neste pavilhão o artista perfurou um poço tubular com 202 metros de profundidade em uma das colinas do parque e inseriu seis microfones. Conectou-os então a aparelhos de amplificação sonora, que foram colocados, já na superfície, dentro de uma construção feita com aço de vidro. Dizem que quando rolam implosões nas minas da região o som é muito louco lá dentro!

Mas nem tudo em Inhotim é o que parece ser, tá? Essa água verdinha, por exemplo. Descobrimos lá que na verdade jogaram um pozinho de pirlimpimpim lá e teoricamente era pra resultar em um lago azul, mas por causa da mistura com minérios e tals ficou verdim verdim e lindo igual um lago com água de degelo. 😀

Depois que passar ao lado desse lago lindo, verde e cheio de carpas imensas, eis que surge mais uma obra que as crianças amam: o Penetrável Magic Square. O Rafa não queria sair dali de jeito nenhum! Também imagina um lugar cheio de paredes coloridas, com espaço para correr entra elas e até mesmo através delas e um chão repleto de pedrinhas naturalmente lapidadas. Simplesmente o paraíso pra pessoinha.

Ele amou tanto esse lugar que eu decidi que nossa “foto família” do passeio seria ali mesmo. Mas quem disse que ele queria parar para tirar foto? Ai saiu isso ai embaixo, mas valeu pela lembrança. 😛

Parada para fotos e ai é hora de continuar encontrando tesouros no meio daquele imenso jardim. Esse barco vira sua cabeça e seus conceitos de ponta cabeça. O cérebro parece ficar confuso. Na hora você pensa em inversão e a idéia do artista era essa mesma. “The Mahogany Pavillion” é uma espécie de protesto do artista. Ele usa um veleiro que é produzido na Escócia, mas com o mogno da América do Sul. Traz o veleiro de volta ao seu lugar de origem e o expõe invertido, transformando-o numa estrutura arquitetônica cuja forma faz referência a uma árvore, estágio anterior da madeira. Ele faz o repatriamento da madeira que nos foi “roubada” e ainda a transforma em obra de arte. Uma obra que não tem como esquecer.

Sai do barco, mas a natureza e as obras “perdidas” estão sempre ali, nos impressionando, nos encantando, nos fazendo refletir e outras vezes nos fazendo simplesmente admirar. Algumas não dá nem vontade de ler a plaquinha, pra acreditar que o que achamos que é, é e pronto. É a nossa visão da arte e ninguém poderá dizer que estamos certos ou errados. Cada um tem sua bagagem é ela que define como vemos as coisas. Isso é fato! Então, embora cada obra tenha sua história, aproveite cada obra para você mesmo fazer a história dela na sua vida. NINGUÉM poderá dizer o que é certo ou errado, nem mesmo o próprio criador desta.

Mas ai você continua caminhando e pega mais um carrinho que te leva pra um lugar, um lugar que te leva à uma curta trilha, uma trilha que te leva pra essa arquitetura intrigantemente espelhada exatamente no meio da mata aberta só pra ela: De Lama Lâmina, de Matthew Barney. Aberta para ela. Devastada. Ao entrar você encontra um trator gigante erguendo uma árvore branca de plástico também gigante. E, de repente, ao olhar em volta percebe aquela imagem e a sua própria imagem multiplicada em todos espelhos daquela estrutura. Eu, sem pensar duas vezes, quando vi a imagem do trator refletindo centenas de vezes, lado a lado, só pensei em uma coisa: devastação desenfreada. Mas o que era para ser dramático, se transforma em diversão quando você percebe que as imagens da sua família também são multiplicadas e começa a se divertir fazendo seu filho observar aquela “mágica”. E, pra ele não querer mais sair da galeria, descobre-se o ar saindo do chão e começa a brincadeira a la “Marilyn Monroe”. Ao invés do vestido, é a camiseta dele subindo que faz a visita se estender deliciosamente.

Depois mais trenzinho. Em um dos caminhos passamos por essa árvore suspensa. Ela está suspensa por hastes metálicas entre cinco plantas de verdade num descampado de terra vermelha. A idéia do artista Giuseppe Penone é que as copas das árvores reais em torno da artificial de bronze acabem engolindo a escultura e fundindo as formas naturais às pensadas pelo homem, numa espécie de arquitetura ao contrário. “Usei a árvore como matéria que se plasma no tempo”, diz o artista italiano. “É um material fluido.” Surreal!

E mais natureza, mais espécies raras de vegetação do mundo inteiro, mais espetáculo a cada curva, a cada suspiro…

Bem, nem toda arte nos traz sentimentos bons. Nessa galeria imensa – Pavilhão Tunga – eu senti um vazio, uma angústia estranha, uma curiosidade confusa. Não conseguia sair, apesar de me sentir incomodada, ao mesmo tempo que fascinada. Vi uma rampa e decidi descer sozinha. Chegando lá embaixo tinha uma sala escura, com uma projeção de um filme na parede frontal. Era um filme de um túnel sendo percorrido. Fiquei ali para “me observar”, saber onde aquele túnel me “levaria”. De repente fui invadida por uma angústia muito forte, a ponto de ver meu coração disparar. Acho que tive medo do túnel, tive medo de estar ali sozinha com ele, tive medo de onde ele poderia me levar. Eu não queria ir. Então subi a rampa angustiada e de repente tudo o que estava ali naquele pavilhão ficou “normal”, interessante e sempre intrigante. Foi sem dúvida um dos pavilhões que mais mexeu com meu “eu” medroso e só hoje fui ler mais sobre ele e o artista responsável. Agora toda minha angústia virou admiração. Não canso de ler sobre suas obras! Essa fonte é bem legal: http://goo.gl/OVs5KE.

Saindo de lá, pegamos mais uma vez o super trenzinho e seguimos já nos preparando para a despedida, já que o pequeno estava esgotado e nós também. No caminho de volta encontramos essa galeria com esse lago de uma azul hipnotizante, mas como estávamos cansados nem entramos. Já valeu a paisagem, a arquitetura e o azul!

Além do pouco que consegui registrar, ainda lembro de quatro outras “atrações” que achei sensacional. A primeira foi a obra de Cildo Meireles: “Desvio para o vermelho: Impregnação, Entorno, Desvio”. Na recepção do instituto achei “interessante” quando perguntei à moça que nos vendeu os ingressos, onde estavam as principais atrações interativas pensando no Rafa e ela ao falar desta sala disse que pra ele talvez não fosse interessante porque era tudo vermelho de menina. Como eu evolui muito nos últimos anos ignorei o comentário machista e sem sentido e o Rafa ADOROU o lugar! Pra ele, a cor não foi o chamariz, mas sim os 3 ambientes, as surpresas, as descobertas, os sentidos despertos. A primeira sala é cheia de apetrechos em diferentes tons de vermelho. A aglomeração me chamou a atenção, a cor não. O mais interessante foi quando visualizei uma garrafa pequena de onde “escoava” de forma estática um líquido vermelho como se fosse uma tinta e essa mancha escoava infinitamente até um ponto onde tudo se tornava escuro e a única coisa possível de se enxergar era uma pia branca de banheiro colocada de forma torta, com a torneira aberta, da qual saía um líquido vermelho. Ali a sensação foi de continuidade. Não sei explicar. E a mancha nos levando à total escuridão apenas com a luz sob a pia foi uma sensação muito louca. Sério! Muito louca mesmo! Rafinha pirou demais com a escuridão e as surpresas reveladas no percurso. Sério!

Uma que todo mundo fala é a obra onde você pode andar sobre cacos de vidro. Aconselho a segurar na mão da criançada, já que os cacos deslizam uns sobre os outros e numa dessa deslizada já sabe, né? A pequena pessoa cai com tudo em cima de um “mar de cacos”. Não acho que vai ser muito grave, afinal todos são “lapidados” no contorno, mas é melhor evitar. O ponto mais interessante nessa experiência é que essa é uma obra que muda o tempo todo, já que ao permitir aos visitantes que pisem nos cacos, o artista permite que as pessoas alterem sua obra. Gostei do conceito, mas a sensação não achei boa não. Prefiro pisar no piso mesmo. 😛

Outra galeria interessante foi a obra de Rivane Neuenschwander. Continente/Nuvem (2008) é uma obra cinética que ocupa totalmente o teto da casa mais antiga do instituto. Quando você entra, custa a perceber o que é que tem naquela casa e de repente percebe sutilmente um movimento sobre a sua cabeça. A obra consiste em pequenas bolas de isopor que se movem aleatoriamente sobre um forro transparente, ativadas por circuladores de ar. Esse estímulo cria formas abstratas monocromáticas que aludem ao mesmo tempo a mapas e ao movimento das nuvens no céu. O Rafa adorou ficar observando o movimento delas e tentando entender o que era aquilo e porque se movimentavam.

E uma terceira obra não registrada através de imagens, foi uma das mais sensacionais do ponto de vista acústico. A obra “The Murder of Crows” de George Bures Miller e Janet Cardiff te deixa em transe no meio de dezenas de caixas acústicas espalhadas de forma organizada pelo pavilhão acusticamente isolado. Imagina você no meio de uma orquestra, onde cada músico, cada instrumento é substituído INDIVIDUALMENTE por uma caixa acústica. É isso. Quando você está ali sentado no centro, ouve uma coisa só, uma orquestra. Quando se aproxima de cada caixa percebe que de cada uma sai um som diferente, único. Eu só não consegui ficar ali muito tempo porque os pernilongos estavam insanos, mas a visita e a exploração valem super a pena. 😀

E aqui acabou nosso primeiro passeio nesse lugar fantástico. Acabou o passeio e exatamente no caminho para o estacionamento acabou também a pilha duracell do Rafinha. Agora temos certeza que ele será um ótimo acompanhante em nossos passeios cult por ai. 😀

Não visite Inhotim, SINTA Inhotim! <3

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O gigante acordou! #verásqueumfilhoteunãofogealuta

Não, não estou falando do R&R, apesar que também caberia já que dei uma sumidinha. 😛 Estou falando do nosso país, do nosso BRASIL!

E isso eu não poderia deixar de registrar aqui nesse pedacinho de mim. O Retratos & Relatos nasceu quando eu deixei temporariamente minha pátria. Sai com o coração partido e voltei disposta a fazer parte das mudanças. Nesses dois anos após meu retorno sentia uma pulsação diferente. Sentia que as pessoas estavam chegando no limite, que o sistema estava chegando no limite. Acompanhei, lancei discussões nas mídias sociais das quais participo mais ativamente, expressei minhas opiniões mesmo sabendo que muitos discordariam, acreditei diariamente que um dia este momento iria chegar. E chegou! Não tem mais volta!

Vou copiar abaixo meus desabafos postados no meu Facebook durante este período, pra registrar mesmo, já que nós todos estamos fazendo parte dessa história e ela tem que ser registrada JÁ!

Comecei a postar um dia antes da grande virada impulsionada pela violência policial contra manifestantes em São Paulo. O que era “apenas” um protesto contra o aumento das passagens de ônibus, virou um protesto efeito dominó no Brasil inteiro a favor de todas as mudanças necessárias que até então não tinham sido pautadas. O tiro, literalmente, saiu pela culatra! Ações geram reações e dessa vez o governo foi pego de surpresa, assim como ocorreu em grandes guerras. Uma estratégia que aconteceu sem querer (será?), mas que está dando resultados e fazendo a história desse gigante ENFIM mudar! O gigante acordou!

Segunda, 17/06/2013: “Hoje acordei cansada e feliz por alguns mil motivos, mas o principal é o ORGULHO que estou sentindo de ser brasileira ao ver brasileiros do Brasil e do mundo PROTESTANDO pra valer! Para os críticos de plantão: não acredito que o motivo seja o valor da passagem em si, pois não acredito que revoltas pra valer aconteçam por UM motivo. O motivo é que o brasileiro começa ENFIM a brigar pelos seus direitos, custe o que custar. Que o brasileiro começa ENFIM a descobrir que a força está na união que nunca tivemos, nem regionalmente e muito menos mundialmente. Se fossemos historicamente unidos nunca teríamos sido colonizados como fomos. Já sobre a violência é uma pena, mas ontem fiquei refletindo sobre a necessidade de guerras para se conquistar a paz. Sobre a necessidade de na vida pessoal sermos mais duros para sermos respeitados, principalmente pelos ignorantes. Só bater panela ainda não funciona – ainda – no Brasil. Nossa democracia ainda é medieval, bem como seus métodos. Mas este é sim o caminho – na minha opinião. Alguns sairam feridos, mas tenho certeza de que se a violência não tivesse ocorrido, estaríamos todos ainda sentados e conformados. O que está movendo a massa não são os gritos pelo respeito, mas o sangue de quem está defendendo o direito de todos. O que nos move é a nossa compaixão por aqueles que estão lutando – de alguma forma – a nosso favor. Eu ENFIM estou sentindo um orgulho IMENSO de ser brasileira. Confesso que meu brasão andava escondido até então. Vai BRASIIILLLL!!!!”

Segunda, 17/06/2013: “Acompanhando as manifestações no Brasil pela Globo News e ARREPIADA!!! Agora, sério, que seja apenas um aquecimento para uma revolução focada e organizada periódica pra mudar pontualmente tudo que precisa ser mudado, principalmente na nossa legislação VERGONHOSA! Eu acredito! Simbora Brasil!!!!”

Segunda, 17/06/2013: “Sem dúvida uma foto que diz tudo sobre a luta pela democracia em um país que só a conhece há 30 anos. Linda foto, lindo momento, linda pacificidade! Parabéns Brasil!”

Terça, 18/06/2013: “Dormindo orgulhosa pelas manifestações. Espero acordar e ouvir falar em soluções. Além disso acho importante ver a continuidade nas ações, provando assim que somos capazes de buscar mudanças a longo prazo em um país que culturalmente sempre foi imediatista. Boa noite Brasil! Que amanhã seja realmente um novo dia e que venha a mobilização para impedir o PEC 37. Ai eu quero ver a unidade nacional!”

Terça, 18/06/2013: “Um povo revoltado com o governo, mas apaixonado pela sua pátria! Emoção pura e verdadeira de uma nação gigante e forte cantando seu hino com orgulho! Acredita Brasil!”

Terça, 18/06/2013 – NY Times falando sobre os protestos no Brasil: “Such broad protests are relatively uncommon in Brazil, with some Brazilian political analysts describing what appeared to be a political culture more accepting of longstanding high levels of inequality and substandard public services than citizens in some neighboring countries in South America. The dangerous news announced on the streets, the novelty that the state tried to crush under the hooves of the horses of São Paulo’s police, is that at last we are alive,” the writer Eliane Brum said in an essay about the protests. Brazil now seems to be pivoting toward a new phase of interaction between demonstrators and political leaders with its wave of protests, which crystallized this year in Porto Alegre. There, a group called the Free Fare Movement, which advocates lower public transportation fares, organized demonstrations against a hike in bus fares.”

Terça, 18/06/2013: “Cara, ontem às 23h quando passei na 23 de maio de carro, foi muuuuita emoção! Sei lá, eu sempre sonhei com isso e – sério – pra quem ama esse país não tem sentimento igual! Lá estava eu voltando pra casa e de repente os protestantes que ainda estavam em cima da ponte começaram a “chamar” os carros pra participar e de repente foi aquele buzinaço! A galera saindo dos carros pra aplaudir os manifestantes lá em cima, um conversando com o outro ali no trânsito completamente parado. Era ENFIM uma nação! Uma unidade que estava ali no meu campo de visão!!! Voltei pra casa sorrindo e chorando de emoção porque isso é história e eu estava presente! E se Deus quiser sábado também estarei e – melhor – no meio da multidão! Tenho certeza que isso é só o começo! Quem não pode, ainda vai poder participar de tantas outras, bem como nossos filhos, netos e quiçá bisnetos. O Brasil tá mudando porque a gente quer! E – sorry – foda-se a copa!”

Quarta, 19/06/2013: “Sobre os atos de vandalismo que aconteceram ontem em várias cidades do Brasil durante as manifestações: queremos uma polícia PACÍFICA e não PASSIVA.”

Quarta, 19/06/2013: “Conseguimos! É só o começo! Sabemos que a intenção é parar com as manifestações, só que não! Elas não vão parar porque agora não tem mais volta! A volta significaria o fim, a vergonha, a falta de vergonha na cara e o desrespeito que ninguém suporta mais. Vai Brasil que eu vou junto! ???”

Quarta, 19/06/2013: “Temos que celebrar, mas jamais nos calar! Conseguimos o que queríamos, mas não da forma que deveria ser. Por isso, a briga não acabou aqui!”

#ogiganteacordou #PasseLivre #MPL #Mobilizados #protestosp #VemPraRua #VemPraPaulista #VemNaPaz #ViolenciaNão

E sábado, dia 22/06/2013, estarei no protesto em São Paulo desta vez contra a PEC 37!!! Será mais uma vitória. Eu acredito! E você?

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IRLANDA: um amor antigo e eterno

Antes de sonhar em começar a viajar para o exterior, já sonhava com a Irlanda. Não sei explicar. Não lembro de onde venho esse amor, essa ligação, só sei que sempre amei a Irlanda e tudo que estivesse relacionado à ela. Devo ter visto aqueles campos verdes sem fim com florzinhas miúdas em algum lugar e aquilo me deu a sensação de liberdade que eu preciso pra viver. Devo ter relacionado a gaita após ouvir em algum momento alguma música irlandesa marcante. Não tenho certeza da origem desse sentimento, mas hoje eu sei que tudo o que eu esperava encontrar lá, encontrei. Na verdade, encontrei muito mais do que sonhava. E é isso me deixou ainda mais apaixonada e decidida a voltar com mais tempo. Deus permita. De verdade.

Não conheci Dublin, mas meu marido esteve lá com um amigo. Minha decisão de não ir foi baseada em conversas que tive com o Rô (que já conhecia) e outras pessoas que me conhecem e sabiam que a “minha Irlanda” não estaria em Dublin, mas sim no oeste da Irlanda. Um lugar que, como citado em uma revista Lonely Planet, “graças ao seu atraso econômico e suas paisagens rupestres é uma espécie de utopia rural livre de contaminações modernas, onde a língua oficial ainda é o gaélico nas zonas mais rurais e onde se vive segundo o estilo de vida que preconizavam os fundadores da República da Irlanda”. E, sim, era justamente este lugar que eu buscava e é pra lá que fomos e para onde voltaremos com a cria um dia. For sure!

Na nossa viagem partimos da Alemanha (onde morava na época – 2010) e chegamos no aeroporto de Kerry. Exploramos a região e seguimos para a Península de Dingle (FOFAAA!), depois fomos para o norte em direção aos Cliffs de Moher (SURREAL!) e dormimos em Doolin. Depois seguimos mais ao norte e ficamos em Galway, passando pelo Parque Nacional de Burren (ROOTS!). De Galway fomos um pouquinho mais ao norte para para a região MARAVILHOSA de Connemara (onde dizem que fica o lugar onde os protagonistas de PS I love You se encontraram pela primeira vez). Voltamos para o sul e ficamos em Killarney, onde exploramos um pouco a região. Então passeamos no Ring of Kerry que mesmo coberto de neblina deixa a gente com cara de “ó”.

Tudo isso fizemos de carro, que é, sem dúvida, a melhor forma de conhecer este país. Os lugares mais incríveis, mais escondidos, mais inesquecíveis estarão no caminho que percorrer de carro e poderá parar, contemplar, caminhar, respirar a Irlanda com tempo e carinho. Ela merece! Você merece! Com um GPS dá tudo certo e os irlandeses da região são sensacionais e sempre estarão ali para te oferecer ajuda e uma Guinness. Apesar que eu prefiro (e AMO!) a Kilkenny. 😛

Como já faz muito tempo que fomos e desde então eu não tive (de verdade) tempo para escrever um post como eu gostaria, vou deixar as imagens traduzirem qualquer narrativa. Aliás, pra ser sincera, pela primeira vez tudo que escrevo parece insuficiente para descrever o que vi, o que senti e o que vivi. Não vou dizer onde cada foto foi tirada, pois prefiro deixar a Irlanda surpreender vocês como fez conosco. Viajar é preciso, mas deixar-se surpreender também é. 😀

Irlanda é música. Irlanda é cerveja. Irlanda é humana. Irlanda é inspiração. Irlanda é dança. Irlanda é vaquinhas e ovelhinhas. Irlanda é onde praia, montanha, grama e animais se encontram em uma mesma paisagem.Irlanda é vida. Irlanda é o equilíbrio entre o homem e a natureza. Irlanda é acolhedora.  Irlanda foi o primeiro país fora de casa onde estivemos nós 3 juntos: eu, o Rô e o embrião do Rafinha (rs). Na Irlanda tudo é mais “slow motion”, pois segundo eles quando Deus fez o tempo, o fez de sobra, então eles usam este sem pressa. Irlanda é isso tudo: tudo de bom! Bem, pelo menos a “minha Irlanda” é. Cheers!

*** VEJA CADA BLOCO DE 15 FOTOS POR VEZ ***

– Para navegar nessa galeria é meio chatinho, mas vale a pena! A cada página 15 fotos são mostradas. Depois de visualizar um bloco, a página vai atualizar e te mandar lá pro começo do post de novo, mas ai é só descer até a galeria que lá estarão as próximas 15 fotos. Vou tentar melhorar isso depois, mas agora é o melhor que “tá tendo”. 😀 –

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Criatividade precisa de espaço para acontecer

Nas últimas semanas voltei a ter tempo “livre” para ser criativa. Voltei a ter “espaço livre” para ter idéias. Voltei a ficar feliz e mais tranquila. Voltei a me permitir ser inspirada. Voltei a perceber o mundo à minha volta de uma forma mais profunda, completa, complementar e colorida.

É muito estranho que tudo isso esteja acontecendo em um momento que, teoricamente, deveria ser mais um momento difícil na minha trajetória profissional. Afinal, acabo de pedir demissão do meu trabalho de consultora de viagens. Não foi uma decisão fácil, afinal o dinheiro é importante, a ocupação é vital e viver mais uma vez um período de incertezas e frustrações não é nada agradável. Mas, percebi que estava infeliz, mesmo que o trabalho estivesse relacionado com uma das minhas grandes paixões que é viajar. O fato é que consultor de viagem não viaja, planeja e vende viagens e isso, decididamente, não é pra mim. Foi um trabalho muito estressante e que ocupou praticamente 80% do meu tempo diário. Os outros 20% restantes eram para minha família, minha casa e alguns eventos sociais imperdíveis. O fato é que eu não tinha mais tempo para criar. Não tinha nem um minuto sequer para ser inspirada. O tempo que “sobrava” eu tentava descansar e só.

Agora, após ter pedido demissão e encerrado minhas atividades, estou explodindo de idéias novamente. Voltei a fazer planos pessoais, voltei a ter vida pessoal, voltei a sentar para conversar com as pessoas que gosto sem pressa, voltei a brincar efetivamente com o Rafa e a perceber sua evolução, voltei a perceber que meu marido fica cada dia mais lindo e insubstituível, voltei a me sentir linda e única, voltei a ligar para as pessoas e a programar festinhas. Voltei a ficar impossível! 😛

Então, de repente, percebendo tudo isso, me dei conta de que para sermos criativos precisamos ter espaço “livre” em nossas mentes e em nossas vidas. Todas as vezes em que eu estava trabalhando igual uma louca capitalista não tinha tempo para ser criativa, não tinha forças, não tinha inspiração. Gastava todos meus minutos produzindo algo para alguém em troca de algum dinheiro e “reconhecimento”, mas depois que gastava o dinheiro e depois que passava algum tempo do reconhecimento lá estava eu de novo esperando só isso. E pra que? Até quando? Poder criar algo de forma livre me dá um prazer impagável e ouvir elogios já me basta para continuar querendo criar coisas novas a todo tempo. Minhas criações tem um custo, claro, mas em compensação gasto bem menos com elas do que comprando coisas para preencher o vazio que a gente sente quando coloca nossa vida pessoal em segundo plano ou quando passamos a nossa vida trabalhando apenas por causa do dinheiro e reconhecimento da sociedade, deixando muitas vezes de procurar algum emprego que nos dê realmente prazer, afinal muitas vezes a remuneração poderá ser bem menor e nós “precisamos” de tudo, não é mesmo? O meio termo equilibrado hoje não é uma meta popular pelo jeito.

Quando comecei a pensar nessa necessidade de termos espaço para sermos criativos, fiz mentalmente um paralelo rápido com o que acontece com alguns sistemas quando seus limites são extrapolados ou quando estão quase cheios. Por exemplo, imagine uma tempestade em São Paulo (fácil,vai?). Tudo cheio, nada mais circula, nada mais passa, nada mais acontece. Nossa cabeça é assim também. É tão simples compreender isso, mas pelo fato de estarmos ultimamente sempre com a cabeça lotada, não percebemos isso. Não percebemos que qualquer solução começa com a liberação de espaço na nossa “HD”. Ou você conhece alguma máquina que gera espaço, conforme nossa necessidade sem termos que trocar nenhuma peça? Não, não existe e também não acho que trocar de cérebro seja viável nestes casos. 😀

Enfim, não sei se o que escrevi vai fazer algum sentido para alguém. Só sei que eu tô sentindo isso e pensei em dividir, afinal aqui tá tudo transbordando e o R&R sempre foi minha comporta que abro quando preciso “esvaziar”. 😀

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Leis estranhas no estrangeiro

Esta semana fui informada de uma lei em Roma que proíbe qualquer pessoa de comer ou beber nos lugares turísticos da cidade. Pois é, cachorro quente no Coliseu pode te custar até 500 euros! Melhor do que enfrentar os gladiadores, mas é bom evitar, certo?

Essa lei me fez refletir sobre esse tipo de lei e a origem de leis que nós, estrangeiros, julgamos estranhas, mas que, na verdade, são todas reflexos da sociedade, de sua cultura e seus valores. Os turistas deveriam sempre se informar melhor sobre essas leis, mais por respeito do que por precaução. Por exemplo, é muito óbvio que periguetes terão problemas em lugares de cultura muçulmana ou extremamente religiosos como Itália, por exemplo. Pois é, mulheres semi-nuas não são tão bem vistas na Itália mesmo eles tendo sangue latino e queeeente como o nosso.

Enfim, quando recebi essa notícia fui pesquisar para saber mais detalhes e tal para poder informar meus clientes. Mas como sou a “informada-empolgada” comecei a pesquisar sobre essas tais leis “estranhas” que a turistaiada deveria conhecer antes de viajar e achei várias pérolas e vários posts em sites internacionais sobre o assunto. Segue então minha seleção das leis mais estranhas e outras pertinentes que encontrei, que nem sempre são sem sentido:

1. No Alabama (EUA) existe uma seção inteira do código penal dedicada à descrever em que situações haverá punição para quem bater ou brigar com ursos. Então lembre-se: quando estiver no Alabama e se deparar com um urso, não o ofenda e nem tente agredí-lo, faça um carinho e reze para valer a pena seguir as leis locais.

2. Você que adora juntar moedas pra pagar seu maço de cigarro ou o pedágio, é bom ficar esperto no Canadá. Lá existe uma lei que limita a quantidade de moedas por transação: 25. Sim, se você der mais que 25 moedas de uma só vez para qualquer comerciante poderá ser multado por um valor bem superior e, por favor, não esqueça da lei quando for pagar a multa. 😀

3. Se um dia você, homem, for à Suécia e não resistir ao charme das prostitutas de lá, prepare-se por que poderá ser preso sem prazer. Na Suécia as prostitutas existem e não são proibidas de trabalhar, mas, o mais interessante é que os homens que contratam seus serviços podem sim ser penalizados e presos por até 6 meses. Essa lei pra mim não é estranha e sim extremamente inteligente. Pense comigo, se  um comércio não tem freguês, o que acontece? 😀

4. Você gosta dos pombos? Os venezianos não e quem alimentá-los pode ser multado sim. Pombos são verdadeiras “pragas” em algumas cidades italianas e por isso, em Veneza, é ilegal alimentá-los. A multa normalmente é de 50-60 euros, mas pode chegar à 600 euros! O crime não compensa mesmo. Aliás, eu nunca consegui entender o prazer de quem fica sentado na pracinha alimentando pombos. Enfim, em Veneza, prefira as gôndolas aos pombos.

5. Se for corajoso o suficiente para dirigir em Moscou (Rússia) não esqueça de um detalhe importante: lave o carro! Pois é, carros sujos andando nas ruas de Moscou são proibidos. Tomara que essa moda nunca pegue em Sampa. 😀

6. Nos países muçulmanos que levam a sério o Ramada não se meta a besta de fazer vontade na galera comendo ou bebendo algo que não seja água publicamente. É multa sem perdão! Nem Alá irá te salvar.

7. Uma das leis mais estranhas e tristes que já vi foi proibir a galera de se beijar nas estações de trem/metrô lá na Alemanha e fiquei sabendo que na França também. Pára tudo, né! Sim, pára com acento porque essa nova lingua portuguesa também deveria ser multada. Rá!

8. Em Eraclea, na Itália pertinho de Veneza é proibido construir Castelos de Areia! Hein? Que falta de infância do cara que fez essa lei, meu Deus!

9. Na Suíça após as 22h os sininhos das vaquinhas podem fazer barulho, mas você não se atreva a dar descarga. Pois é, agora imagine se estiver tendo uma noite de diarréia familiar. Que beleeeza! Seguiria a lei ou arriscaria desembolsar uns franquinhos suiços pra sair, literalmente, “da merda”?

10. Em alguns países da Europa o povo é bem chatinho em relação à “poluição sonora”. O exemplo acima deixa isso claro, porém a Suíça não é a única intolerante não. Em Capri, na Itália, um país suuuuper silencioso (afff…) você pode ser multado se estiver usando um chinelo que incomoda o seu vizinho com o barulho. Isso, acreditem, aconteceu com um casal que usava esses chinelos tipo Havaianas. Pura inveja do nosso produto exportação de luxo. 😀

11. Essa é ótima. Em alguns lugares da Ásia a fruta conhecida como “Durian” foi completamente banida dos lugares públicos por causa do cheiro que é super forte (e, provavelmente, nada agradável). Então é melhor evitar levar essa fruta para seu hotel. Não parece ter punição, mas com certeza você não terá amigos por lá se estiver segurando uma.

12. Na Alemanha se você for pego bêbado dirigindo uma bicicleta, você perde a carteira de MOTORISTA. Achou estranho? Eu acho que faz todo sentido.

13. Mulheres adoram salto alto, mas, por favor, não esqueçam o bom senso e a multa que podem tomar em Atenas se estiverem usando seu lindo salto alto nos monumentos como Acropoles. Foram proibidos por causa dos danos causados por eles à estes monumentos históricos. E eu me pergunto? O que uma mulher estaria fazendo de salto alto em um sítio arqueológico? Aff César! 😀

14. Em Amsterdam é proibido fazer sexo antes do anoitecer em alguns parques da cidade. Mas quando a noite cai ai a cobra pode sair da toca!  É sério! Mas muita calma nessas horas, porque se fizer muito barulho a polícia pode tirar os copuladores sem dó nem piedade. Então ai ui xiiiiuuu! 😀

E você sabe ou já foi vítima de alguma lei nos seus momentos turista? Conta ai vai!

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Faça diferente em Nova York: conheça nativos!

Minha viagem à Nova York foi inesquecível por vários motivos. Quando decidi ir à Nova York foi só pensando em comprar eletrônicos (os “i” da vida). Sério! Nunca sonhei em conhecer Nova York. Aliás, sempre dizia que a única coisa que me levaria aos Estados Unidos seriam as trilhas do Grand Canyon. Aaah como isso mudou desde que comecei a criar roteiros para meus clientes! E como me surpreendi com Nova York! Tanto que ainda não tinha conseguido sentar com tempo pra contar tudo que vivi na semana que fiquei por lá “sozinha” (e não vai ser neste post também).

Minha visita à Nova York foi um marco na minha vida, pois foi a primeira vez fiz uma viagem para fora do país para ficar SOZINHA e também foi a primeira vez que fiquei tanto tempo longe do meu filhote, agora com 1 ano e meio e do meu marido. Bom, sobre isso falarei em outro post.

Eu nunca fiz questão de viajar sozinha. Aliás, sempre achei que eu não ia curtir, pois sou o tipo da pessoa que não consegue ficar rodando por ai sem ter com quem dividir meus pensamentos, meus insights, minhas “viagens mentais”, minhas percepções, sem ouvir sobre as percepções/sentimentos de outras pessoas. Mas decidido: NY aqui vou eu! E foi um ótimo destino para viajar solo, já que inglês e caos de cidade grande não seriam problemas para a paulistana aqui.

Meu primeiro dia foi horrível. Cheguei e o dia estava cinza, com cara de chuva, depois com chuva e eu, bem eu estava me sentindo a pior mãe do mundo! Não parava de pensar no Rafa e achava que ia chover todos os dias só pra me castigar por ter “deixado” meu filho pra minha “auto-realização consumista”. Ser mãe nestas horas é $*#*! Quando chegou ao final do dia entrei no Skype pra conversar com “meus homens” e, adivinha? Chorei horrores e fiquei muito pior do que estava! Enfim, falei que ia escrever sobre isso em outro post, mas não tem jeito, me empolguei. 😀

Segundo dia. Quando dormi prometi pra mim mesma que era hora de mudar a energia pra que tudo melhorasse, afinal eu com meu sentimento de culpa estava fazendo tudo ficar cinza mesmo. Acordei e o dia estava LINDO. Fui tomar café no hostel e até o donuts duro que a tia ticana dava pra gente estava uma delícia! Sentei na área externa com a galerinha e de cara já conheci um português e duas norueguesas super bacanas. Ali já percebi que a coisa estava melhorando e já fui me sentindo “perdoada” pelo cosmos (rs). Meus novos colegas iam ficar um mês lá, então estavam de boa e já tinham conhecido os lugares que eu queria ir no dia, então fui “solo” fazer meu primeiro passeio “oficial” em Nova York.

No dia anterior (o dia do terror) já tinha “conhecido” a região do Empire State Building e do Flatiron e não tinha ficado nem um pouco empolgada com aquele monte de concreto, principalmente porque sem céu azul qualquer lugar urbano perde a graça. Decidi então ir pra região balada do East Village e Lower East Side. Fui toda feliz, saltitante e otimista.  Depois de ter explorado Chinatown e Little Italy estava também, por sorte, meio perdidinha. Pois é, perder-se às vezes é a deixa pra vida te surpreender. Estava eu cansada e feliz tentando entender pelo mapa como chegar ao Lower East Side, pois estava difícil de identificar onde começava esta parte da cidade. Então estava eu e o mapa, o mapa e eu e uma multidão de gente esperando para atravessar um avenida quando de repente vem uma voz láááá do alto que diz: “Are you lost?” (Está perdida?). Não, não era Deus, era um negão de 2 metros de altura por 1 de largura com um sorriso e olhos enormes e uma super vibe. Era o Arnold, meu “amigo” nova yorquino e guia por uma tarde. Arnold é músico, professor de guitarra/baixo e tem acho que 3-4 bandas de jazz. Um bohemio super de bem com a vida, com um sorriso enorme e um carisma incrível que encantava à todos durante nosso passeio por NY. Um anjo!

Mas então…eu perdida? Imagiiiina. Olhei pra ele (láááá no alto) e disse que não estava muito perdida, só precisava entender pra que lado era o tal do Lower East Side. Ele então me perguntou: “Qual rua?”. Então eu, humildemente respondi: “Tá, eu tô perdida. Help meeeeee!”. Então ele me perguntou se eu queria que ele me levasse lá. Por 2 segundos fiquei insegura, mas ele tinha um brilho nos olhos que me deram segurança dele ser uma pessoa do bem (isso não dá pra explicar, é assim). Perguntei se não ia atrapalhar e ele disse que ele estava “à toa” e não custava nada, que ia adorar me apresentar “sua cidade”. Cara, na hora eu achei que estava sonhando! Ia ser guiada por um local em Nova York! “Just amazing dude!”. Tá, na hora também pensei que talvez meu marido não curtisse muito quando eu contasse, mas também não me preocupei tanto assim, pois sei que ele me conhece e sabe que não teria porque desconfiar de nada. Bom, pelo menos foi acreditando nisso que me “entreguei à experiência” de ser guiada por um nativo e guarda-costas de 2 metros de altura. 😀

Fomos passeando meio sem rumo e o Arnold foi falando sobre cada bar legal, cada restaurante, enfim cada esquina tinha uma história que eu, adivinhem, já esqueci. Foi “too much information” pra uma tarde só! Algumas das coisas legais que ele me mostrou vou escrever depois em vários posts sobre essa viagem inesquecível. Andamos muito, paramos pra comer uma pizza de 1 dólar na Union Square, para assistir a galera jogando xadrez e depois de andar mais um pouco foi hora de ir para um “happy hour” às 17h, aproveitando os preços dos drinks que passam de 4 dólares para 8-12 dólares após as 20h. Pois é, só NY para me fazer tomar uma marguerita às 17h e ter a sensação de estar na balada, já que o bar estava lotado! Detalhe: isso não foi em um final-de-semana. Pois é: Welcome to NY! Cheers!

No outro dia foi o dia de conhecer mais um portuga e 3 brasileiras no hostel. Foram meus companheiros de NY até o último dia. Na noite em que decidimos ir pra “balada” foi a deixa pra eu conhecer mais dois nativos fofos! Saímos pra ir no BB King, mas chegando lá ficamos meio “sei lá” com a vibe do lugar. Estava meio caidinha e parecia ter gente de mais idade e tal. Não era a nossa. Comprei uma camisa pro meu marido lindo e saímos meio sem rumo. No fim eu falei pra galera que o quente eram os pubs do East Side. Sei que andamos, andamos e nada de decidir sobre a direção. Paramos em uma Starbucks pra acessar a net e pesquisar pra onde ir. Eu, já meio cansada de ficar sem rumo, decidi sair do Starbucks e procurar alguém na rua pra perguntar “qual era a boa” ali perto pra quem queria curtir música ao vivo de ótima qualidade por um preço bacana. Sai “a la loca” e encontrei um casal muuuuuito style. Não deu outra, parei os dois e perguntei se eram locais. ERAM!!! Na hora dei pulos de alegria e rezei pra eles não chamarem a polícia (rs). Perguntei e eles ficaram tentando lembrar o nome do lugar que disseram que era muito legal. Não conseguiam. Então entraram na net e começaram a pesquisar pra me dar o endereço. Desacreditei! De repente apareceu meu amigo portuga e aproveitei, claro, pra pedir uma foto com aquele casal SENSACIONAL!

Tive outros contatos inesquecíveis com locais que não registrei com fotos, mas o brilho nos olhos de todos eles é inesquecível. Um deles foi quando eu estava no meio da muvuca esperando pra pegar o ferry que passa “próximo” à Estátua da Liberdade. Eu já tinha pesquisado que o ferry era gratuito, mas, por via das dúvidas, decidi perguntar para uma senhora negra que estava na minha frente e ela foi super simpática. Disse que era gratuito e perguntou se era minha primeira vez e tal, o famoso “small talk” que eles adoram (eu gosto do “large talk”…hehehe). Ah! Citei que ela era negra, pois quando eu procurava algum nativo, apostava nos negros, já que os nova yorquinos brancos não são tão fáceis de reconhecer (na verdade, acho que não dá pra distinguí-los do monte de estrangeiro que tem lá) e os negros não são como os “negros” brasileiros, lá eles são realmente negros como os africanos (talvez um tom mais claro). Andando na rua também troquei “frases” com algumas pessoas e uma delas foi também uma negra que parou atrás de mim no farol e disse SUPER empolgada (adoro!): “Men, I just love your tatoo!”. Olhei pra trás, vi aquele sorriso enorme, agradeci e nos despedimos. E um outro contato que tive foi com um senhor que nos ajudou a achar a estação de metrô certa para ir para onde queríamos. O cara era tipo um “mendigo” que estava dentro da estação de metrô, oferecendo uns cartões para umas pessoas lá. Quando estávamos descendo a escada e vi o cara, já pensei: “Xiii, lá vem…”. Quando chegamos lá embaixo, começamos a conversar sobre aquela ser a direção certa ou não e o cara ficou olhando. Chegou perto e perguntou se precisávamos de ajuda. Eu, mais uma vez senti que o cara era do bem e disse que precisávamos ir “downtown” e não estávamos encontrando a estação certa. Ele então disse que a estação era do outro lado, foi subindo as escadas e nos chamou para seguí-lo. O pessoal ficou meio inseguro e eu tive tipo uns 5 segundos de insegurança, afinal já estava noite e estávamos seguindo um mendigo. No caminho puxei papo e ele disse que morava no Bronx (roooots) e a família em Boston. Perguntei se ele tinha nascido em Boston e ele me respondeu: “Não infelizmente nasci aqui em NY”. Perguntei o por quê do infelizmente, mas ele explicou de um jeito bem confuso dizendo que eu não iria entender, mas que não tinha orgulho de ser nova yorquino. Enfim, seja lá de onde ele for, nos levou até a estação certa (que não era tão perto de onde estávamos), agradecemos e senti que ele ficou super feliz de ter nos ajudado a troco de nada. Outro anjo.

E estes foram meus momentos com nativos que (também) fizeram dessa trip algo deliciosamente INESQUECÍVEL!  Estes momentos, mesmo que muito curtos, me mostraram que NY é muito mais do que uma apelação ao consumismo. Principalmente depois de conhecer um cara tão simples como o Arnold que me falou muito sobre NY, sobre quem vive ali, sobre a paixão que ele tem por esta cidade que ferve, sobre a multiculturalidade que ele ama e sobre o estilo de vida perfeito para quem curte a bohemia. É uma cidade que me surpreendeu e que eu voltaria sim, pois uma coisa eu digo, uma semana é MUITO POUCO, principalmente quando você tem a sorte de encontrar os nativos “certos”, aqueles que te fazem ver NY além do concreto, além do Central Park, além da Brodway. São estas pessoas que te fazem perceber que NY é muito mais interessante na base dos seus arranha-céus, com as pessoas e suas histórias nova yorkinas. Então vá (ironicamente) sem pressa e, “guess what?”: ENJOY NEW YORK CITY AS THE LOCALS DO!!!

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A democratização vs. banalização do viajar

Festa de aniversário de uma Romena, no meio de um monte de Romenos, na Romênia. São as pessoas que fazem a viagem!

Festa de aniversário de uma Romena, no meio de um monte de Romenos, na Romênia. São as pessoas que fazem a viagem!

“A lição dos viajantes de verdade não está nas imagens armazenadas em cartões postais, nas historinhas de percalços, (…). A grande viagem é sempre para dentro e não acaba nunca. Melhor que chegar (…) é a travessia”.

Muitas vezes, conversando sobre viajar com outros viajantes, chegamos no tópico abordado neste post. É um tópico delicado, pois é preciso ser ponderado para não achar que o fato de viajar hoje ser mais acessível, deva ser motivo para julgar quem viaja “certo” ou quem viaja “errado”.

Acho que todo mundo tem o direito de aproveitar a viagem do jeito que quiser, MAS acho uma pena observar o comportamento de alguns viajantes que veem uma viagem apenas como a oportunidade de ampliar portfólio, mas que perdem a oportunidade de fazer da viagem uma experiência de vida o que, de fato, é.

“O maior castigo é não poder voltar para casa.” – Falando aqui sobre a história de Caim e Abel, onde Abel (após matar Caim) foi “condenado” pelo pai a viajar para sempre.

Como muitas coisas hoje em dia, viajar se tornou democrático. Para viajar não é mais preciso passar uma vida inteira economizando ou “casar com homem rico ou diplomata”. Para viajar, basta se desapegar, pegar carona ou financiamento, arrumar as malas e bon voyage!

E, talvez por causa dessa facilidade de ir, voltar e ir de novo, muitas pessoas começam a viajar por viajar e só. Este perfil do “novo” viajante quer descansar, quer fugir, quer ir para algum lugar longe de sua realidade (que geralmente incomoda), quer poder contar para os amigos que já foi ali e aqui, querem poder dizer que o que fizeram ninguém fez, querem alimentar o ego, querem status. Esse perfil de viajante me deixa triste. De verdade.

“Os destinos mais convencionais e os alternativos só diferem na rota, no planejamento e, talvez, no meio de transporte, mas a sensação é a mesma: a felicidade está do lado de lá”

Aliás, fico imaginando como os conquistadores da época das grandes navegações ficariam tristes também em ver que muitas pessoas não entendem que viajar é muito mais do que uma conquista geográfica e/ou territorial. O homem que viaja tem a oportunidade de ampliar seus horizontes da forma mais completa que existe, tendo contato com o desconhecido, com o intrigante, com novos referenciais, novos valores. Tudo isso é muito mais importante do que o destino em si, muito mais importante do que os prédios, as praias, os restaurantes, os parques que irá visitar. O mais importante em todo e qualquer destino são as pessoas, suas histórias e os valores que sua sociedade transporta.

Não vejo nada de errado em usar a viagem como uma válvula de escape, mas também não vejo sentido em atravessar o oceano para buscar SÓ isso, a fuga. Acho isso mais triste e vazio do que qualquer vida pode estar. Eu nunca viajei pra fugir de nada, ao contrário, sempre viajo quando estou buscando algo, vou de encontro ao que quero ser, ao que quero ver. E, uma prova disso, são meus posts sobre minhas viagens. Quem me “lê”, percebe que meus relatos são 70% ser humano e 30% guia turístico. Pra mim em toda e qualquer viagem o mais importante sempre será o que ela me faz sentir e perceber, muito além de ver ou fotografar.

Viajar é uma benção, uma conquista, um presente. Então, queridos leitores e leitoras, toda vez que esse presente lhe for dado, desembrulhe devagar, com carinho, preste atenção em como o laço foi feito, observe a forma do pacote, sinta a textura do embrulho, sinta o cheiro, guarde as cores e, por fim, sempre agradeça.

Viajar é direito de todos e isso é delicioso. Agora viajar por viajar é banalizar. Por isso vale lembrar que melhor que um guia turístico, são as coisas não palpáveis ou mensuráveis da vida que a alma de um viajante leva e traz. Pense nisso e bon voyage! 😀

* Os trechos em laranja são de uma crônica do jornalista João Paulo (Revista Ragga) que meu cunhado me enviou de presente por email, sendo que você pode ler esta clicando aqui e indo para a página 80. Viaje nessa e, da próxima vez, viaje com a alma! *

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