jul
24
França – Paris

Paris… Paris… uma cidade que apresenta um contraste entre a sua superfície e sua profundidade.

Paris é sim bonita, mas há parisienses que digam que Roma (Italia) deveria ser muito mais aplaudida do que Paris. Eu mesma já daria a Praga (República Tcheca) o título de nobreza, pois lá realmente fiquei boquiaberta. Enfim, é bonita, mas nada muito fora do comum como é expressado constantemente pelos turistas.

Paris tem uma história de glamour e talvez por isso seja tão buscada. Foi palco de também de grandes conflitos e foi, mais tarde, projetada para ser a cidade mais moderna daquela época. Até por isso tem uma distribuição arquitetônica singular, isso é inegável. Pra mim Paris não é a “Cidade da Luz”, mas sim a “Cidade da Ostentação”. A começar pelos preços cobrados na capital francesa. Um roubo! Não. Não há o que justifique os preços que são praticados em Paris, mas muita gente paga e até por isso essa prática não muda.

De tudo que vimos o que mais me impressionou pela sua beleza foi, sem surpresas, a Torre Eifel, principalmente à noite. Fiquei maravilhada com a imagem. Infelizmente não foi possível tirar muitas fotos bonitas pela manhã, pois tinham centenas de turistas que poluem frequentemente a imagem. Mas à noite, foi maravilhoso, pois só assim eles não apareceram na foto. (-:

Passeamos também na Avenida Champs Elisees. Não que eu tivesse a pretensão de comprar algo, mas não poderia perder a oportunidade de ver um monte de gente que vende o carro pra comprar uma bolsa original da Luis Viton andando com cara de Rainha Elizabete. Me matei de rir! Sai andando igualzinha a Gisele Bünchen, apesar de estar vestida como alguém que vai pra praia. Bom, pelo menos assim chamei a atenção.

Passamos pelo Arco do Triumfo. Realmente imponente.

Passeamos ao redor do Museu do Louvre. Sim, só passeamos, não entramos. Aliás, não entramos em museu nenhum. Primeiro por causa das filas e segundo porque não sou muito chegada em museu mesmo e, por último, porque meu sorriso é muito mais bonito do que o sorriso da Monalisa, ou seja, não pagaria por isso. ((-:

Por último passamos na Catedral de Notre Dame que é realmente fantástica! Principalmente os detalhes…

Mas querem saber qual foi a melhor parte da viagem!? Passear utilizando o transporte público francês, principalmente trens. Foi só desta forma que realmente conhecemos Paris no seu todo. Foi só assim que entendemos Paris como uma cidade de contrastes entre o que nos é apresentado no circuito turístico e o que nos é revelado quando alcançamos sua periferia. 

Entrando nas estações de trens, já percebe que o sonho acabou. As estações são muito sujas (inclusive, com sorte, encontra uns ratinhos por lá) e os trens não tinham sistema de ar condicionado. Imagine. Fomos no verão. Quase morremos de calor dentro dos trens, mas por sorte tinha uns leques de papel que a galera deixava em alguns bancos para o próximo sofredor poder se refrescar. Mas, aplausos, o transporte ferroviário, apesar da parte ruim, é abrangente, ou seja, suas linhas alcançam praticamente qualquer lugar que você queira ir dentro de Paris.

O mais impressionante foi não ter visto praticamente nenhum africano vestido com trajes típicos na ruas e encontrar vááários dentro dos vagões! AMEI !!! Acho simplesmente maravilhoso como eles se vestem com aquelas cores alegres, turbantes e “camisolões”.

Através do vidro dos trens também pudemos ver a “periferia” parisiense que não transmite mais glamour e riqueza, mas o contrário. Foi uma experiência que me mostrou mais uma vez como os passeios turísticos não nos mostram a verdade por inteiro. Por isso procuramos sempre sair da rota tradicional, pois só assim conseguimos conhecer esses lugares de verdade. Tudo bem, o custo disso é que muitas vezes o encanto se desfaz, mas prefiro viver na realidade.

Ficamos hospedados na região de La Defense e, por uma feliz coincidência, tenha sido por isso que conhecemos esse lugar também na periferia de Paris. La Defense é a região do negócios e das sedes das grandes empresas européias.  Caracterizada pela arquitetura contemporânea de suas  imensas torres,  pelo enorme jardim que vai liga-las entre si e  pelas 60 obras de arte espalhadas pela esplanada central. Vale a pena conferir!

Foi minha primeira viagem por aqui e, por isso, não tirei muitas fotos como deveria pra registrar o desconhecido. Sendo assim, espero poder voltar a Paris para poder conhecer melhor, principalmente fora da rota turística. Vou pegar umas dicas de umas amigas francesas e volto com elas pra vocês! Espero que dê tempo pra isso… (((-:

Veja mais fotos aqui!



jul
15
Eu ouvi: Iraque na visao de uma civil iraquiana

 

Quando me perguntam o que de mais importante me aconteceu no âmbito “nova cultura” morando aqui na Alemanha, estranhamente respondo: “ter conhecido uma iraquiana”.

Logo na primeira aula do curso de alemao, quando olhei na sala e vi aquela moca com lenco na cabeca, ignorantemente pensei: “Socorro! Será que ela é uma daquelas muculmanas que tem relacoes perigosas com terroristas e está infiltrada na Alemanha…???” Exagero! Pensei quaaaase isso! hehehe…

Mas, hoje, já fazem quase 4 meses que convivemos diariamente e, por isso, posso afirmar que me considero mais um dos seres humanos manipulados pela mídia, pois acreditei que esse povo era louco e malvado.

Antes de conhece-la eu “pintava” uma imagem, onde a mulher iraquiana era submissa, alguém que nao te olhava diretamente nos olhos, uma pessoa triste e amargurada, uma pessoa com medo, sem senso de humor, incapaz de rir das piadas sacanas dos brasileiros, e etc. E hoje, concluo que eu é que era louca!!!

Conheci nessa minha colega um estereotipo que vai contra tudo que eu pensava e contra tudo que eu via na TV. Ela é simplesmente MA-RA-VI-LHO-SA! Extremamente simpática, atenciosa, amiga, engracada pra daná, fala besteiras como nós, faz amizade muito fácil, fala muito, ama música e danca, é extremamente vaidosa, independente, enfim, um ser humano inacreditável.

Em todas as aulas ela nos faz uma revelacao surpreendente sobre seu povo, sua cultura e seus sentimentos. Ela diz que nao gostava de Saddam, mas que podia viver quando ele estava no poder. Hoje ela passa todos dias agoniada, pois toda sua família vive em Bagdá. Ela veio para cá por nao ver futuro ficando por lá, nao podia mais ir trabalhar se quisesse aumentar sua chance de sobreviver. Sim ela trabalhava!!! As mulheres iraquianas em Bagdá (ao contrario das Iranianas) trabalham, estudam, saem à noite, namoram e só usam o lenco para esconder o cabelo se quiserem. Ela comecou a usar o lenco apenas com 24 anos de idade, ou seja, quando ela quis, nunca foi imposto. É logico que algumas famílias impoem, mas até ai sao fatos isolados e nao se pode dizer que a cultura dita a obrigatoriedade.

Foi difícil para ela conseguir o visto de permanencia temporaria na Alemanha e, pra piorar, seus familiares nao podem vir visitá-la. Diariamente ela enfrenta preconceitos por usar o lenco, por ser muculmana e por ser iraquiana. Nao que ela seja unica aqui, ao contrario, aqui em Stuttgart existem muitos árabes que sao muculmanos e muitas mulheres que usam a “burca”. Mas, enfim, a cabeca do ser humano às vezes é menor que uma ervilha.

Existem dias que ela desperta minha ira com suas revelacoes sobre a vida atual no Iraque. Uma vez contou que soldados americanos invadiram sua casa em Bagdá, quebraram tudo, bateram no seu irmao e, no fim, pediram desculpas! Sim, desculpas. Disseram que estavam procurando bombas e armas, uma acao necessária. Outro fato que pouco se houve na mídia é a situacao dos recursos básicos no Iraque, eles tem, por sorte, de 2 a 3 dias na semana com energia elétrica, a água a ser bebida está frequentemente misturada com esgoto, as criancas deixaram de frequentar escolas, muitas criancas estao sofrendo com desnutricao, mulheres tem medo de andarem sozinhas nas ruas, faltam medicamentos e, principalmente, faltam médicos. A maioria dos médicos iraquianos estao se mudando para outros países, sendo assim, muitos corpos ficam à deriva sendo consumidos pelo tempo. Também existe hoje lá o “Estado de Sítio”, ou seja, de 19hs até 8hs do outro dia nao é permitido sair de casa para nada, isso mesmo, para nada. Se sair? Morre! Ninguém te pergunta, simplesmente atira.

A mídia diz que as tropas americanas ainda estao lá por causa do medo de uma guerra civil. Quem acredita nisso? De verdade? Minha colega é filha de um xiita com uma curda, e toda sua família é uma mistura de xiitas, sunitas e curdos. Segundo ela, nao existe esse separatismo divulgado com tanta frequencia. Isso é uma desculpa dada para justificar o que nao é justificável. O governo atual, diz ela, é um fantoche, assim como foi o governo de Saddam Hussein. Ou nao se lembram que o EUA apoiou o Iraque (governado por Saddam) contra o Ira??? Porque será que Saddam mandou executar vários curdos na fronteira Ira-Iraque, usando armamento pesado e armas químicas fornecidos pelos EUA??? Quer dizer que, enquanto ele matava a mando dos EUA era pra defender seu país, mas quando decide fazer por conta própria chama-se “genocídio”??? Outra coisa importante a saber (e que, lógico, poucos jornais dizem) a maioria dos ataques que estao acontecendo nao sao de responsabilidade iraquiana, mas sim, pasmen, dos países vizinhos (como Ira) que desejam executar soldados americanos e criar turbulencias internas. As fronteiras do Iraque estao desprotegidas, proporcionando um ótimo momento para as insurgências estrangeiras dentro do território iraquiano. Um cenário assustador para nós e muito, muito perigoso para os EUA…. acreditem!

Toda vez que leio notícias do Iraque fico agoniada, penso na minha colega e na sua família. Recentemente ocorreu um atentado num mercado em Bagdá, onde morreram aprox. 150 pessoas. Neste mesmo dia, um Sábado, ocorreram vários outros ataques no comércio. Quando li fiquei super preocupada, pois sao muitas mortes e a probabilidade de alguém da família dela estar no meio era grande. Minha agonia nao era em vao, pois sua prima, uma jovem de menos de 30 anos, recém-casada foi fazer compras para a casa nova em um Shopping, de repente uma bomba explodiu neste. Ela teve suas duas maos amputadas e seu rosto praticamente desfigurado. Ainda está em observacao na UTI, talvez nao sobreviva.

Isso é real no Iraque! Existem civis morrendo e, com eles, seus sonhos, suas conquistas e, principalmente, seu direito de estar vivo. A questao vai muito além das manchetes repetidas diariamente: EUA, tropas americanas:sair ou nao sair, Bin Laden, nora de Bin Laden, carros-bomba, mortes, etc.

Ontem assisti um filme sobre o Japao na segunda guerra mundial, e, quando chegou no fim percebi que algo dentro de mim está completamente mudado, pois as guerras deixaram de ser ficcao na minha vida. Eu sempre assistia a estes filmes e os enxergava como ficcao, nunca compreendi de verdade o que significa o processo de guerra, mas hoje penso e vivo a guerra diariamente! Nao consigo mais ler uma noticia e simplesmente pensar:”Esse conflito nunca vai acabar”. Eu vou além, penso que existe alguém que senta ao meu lado todos os dias que é vítima disso! Eu estou todos os dias neste conflito. Nao consigo mais ser apenas expectadora! Nao consigo mais aceitar calada o que estao fazendo da vida dessa gente. Quando comeco a falar desse conflito, tremo, tremo de raiva! Entendo o que minha colega vive, entendo através de suas narrativas o que seu povo pensa e vive, entendo seus conflitos e respeito seu direito de buscar uma solucao internamente. Eu, como Brasileira, nao gostaria que um “estrangeiro” dissesse pra mim o que é melhor para o meu povo! Meu povo conhece a própria história e a própria capacidade de mudá-la! É isso que pensa minha colega iraquiana e, é nisso que concordo com ela.

O papel de intervir nesse conflito é da ONU e nao dos Estados Unidos ou Inglaterra! É uma vergonha mundial a ONU nao ter dado um basta à esta situacao. As forcas de paz sao necessárias? Entao mande forcas de paz de países neutros! O EUA já está na história desse povo há muito tempo, foram aliados na guerra contra o Ira. Os interesses, podem ter certeza, nao sao humanitários! Ate uma crianca de 10 anos sabe disso, meu Deus!!!!

Li hoje uma entrevista com Kenneth Pollack extremamente interessante. Lá ele levanta uma questao muito pertinente. Se esse mesmo conflito estivesse ocorrendo na África, será que algum país se importaria em mandar tropas de paz para lá???? É claro que nao, afinal existe um conflito que vem matando muitos africanos e eles estao sozinhos. Por que? Porque eles nao tem petróleo ou qualquer recurso mineral valioso, só por isso…

Para encerrar, uma frase dessa minha colega: No Iraque as pessoas nao pensam no futuro, nao pensam em formar familia ou em conseguir um bom emprego. Quando eu morava lá, ao deitar pensava:”Humm… bem, hoje ainda estou viva e, talvez, com sorte, amanha eu também esteja, mas, talvez eu ainda sobreviva mais uma semana, quem sabe…”. O pensamento do povo iraquiano hoje é assim, só se tem a morte como futuro, talvez amanha, depois de amanha, etc.  Todos os dias espero um SMS da minha família, me informando sobre mais um vizinho ou um familiar morto. Nao temos mais sonhos, nao temos mais expectativas, como certeza temos somente o assassinato gradativo de nosso povo e de nossa história.

Para saber mais opinioes e percepcoes sobre o conflito clique nos links abaixo:

Sérgio Kalili

Raifa Zangana

Leia entrevista que Pollack concedeu à Folha em Washington

Eleicoes no Iraque

Entrevista a Mahmud Ahmadineyad, Presidente da República do Irão

Tribunal Mundial sobre o Iraque – AP (Almada)



jul
15
Stuttgart – Uma "montanha" de histórias

O nome dela é “Birkenkopf”, uma montanha de histórias. Possui 511 metros de altura, sendo que 40 metros (1,5 mil metros cúbicos) sao formados por escombros da destruicao parcial de Stuttgart na Segunda Guerra Mundial.

Entre 1953 e 1957 a montanha aumentou em torno de 40 metros. Resultado de 53 ataques aéreos à Stuttgart e destruicao de 45% de toda cidade.

No topo é possível ver muitos destrocos de importantes construcoes daquele período. Chega a dar arrepios!

Uma frase inscrita numa placa sobreposta aos escombros traduz o que essa montanha de destruicao significa para todos que assistiram ao massacre: Dieser Berg nach dem Zweiten Weltkrieg aufgetürmt aus den Trümmern der Stadt steht den Opfern zum Gedächtnis den Lebenden zur Mahnung.” (Nesta montanha que depois da Segunda Guerra Mundial amontoa os escombros da cidade, fica a memória das vítimas para a advertência dos vivos.)

No pico é possível observar uma parte da cidade agora reconstruída. Talvez o mais interessante em visitar esta montanha histórica é poder estar sobre o triste passado, observando o presente e, talvez, poder acreditar na menor possibilidade deste tipo de massacre ocorrer no futuro deste país!

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