Aprendendo alemao na Alemanha

Maira on maio 26th, 2008

Moro atualmente em Stuttgart (Alemanha). Ficarei aqui mais alguns anos, o que, óbvio, me obriga a aprender alemão para que eu consiga sobreviver e aproveitar essa oportunidade de uma forma saudável e produtiva. A decisão de vir pra cá foi fácil, mas é só quando se está aqui que se conhece a realidade. E a primeira barreira, porém não a mais difícil de romper, é a língua. Qual é a mais difícil!?!?!? Venha e sinta. Não gosto de estragar surpresas… (((-:

Mas o que importa é o mais importante: aprender a se comunicar através da língua local. Foi com essa meta que estudei um ano em uma escola chamada IFA (www.ifa.de). Tinha aula todos os dias, 4 horas por dia. É um curso de um ano, subdividido em 5 módulos de aproximadamente 2 meses cada um, com “descanso” de duas semanas em média entre cada estágio. Ao final de cada módulo são aplicadas provas oficiais que te aprovarão ou não. Nessas provas são testadas todas as competências exigidas na proficiência de uma língua: escrita, fala, compreensão oral, compreensão auditiva e gramática. Além disso é obrigatória a apresentação oral (palestra) nos últimos 4 módulos.

Sinto que para aprender alemão é necessário muito mais estudo e envolvimento com a língua do que no caso do inglês (embora integrem uma mesma família: línguas anglo-saxônicas). 

A gramática deles é muito diferente, a forma de se expressar apresenta particularidades que não entram na nossa cabeça. Existem inúmeros verbos e palavras que eu sei o que significam, mas não consigo utilizá-las quando falo ou escrevo, mesmo que elas apareçam no meu pensamento.  Simplesmente não sei como lidar com elas ainda, pois aprendi durante 29 anos a raciocinar de uma forma completamente diferente e não é fácil absorver algo tão distinto. Mas ao mesmo tempo a língua alemã apresenta facilidades em comparação com o inglês e até mesmo com o português.  

Em alemão, diferente do inglês, quase sempre se lê exatamente como se escreve, você só precisa aprender a pronunciar como eles determinadas sílabas, mas depois não tem mais segredo. Outra coisa interessante e ótima na língua alemã, é a flexibilidade que existe em relação à transformação de nomes em verbos ou em adjetivos ou vice-versa. Pra quase todo verbo eles tem um nome e adjetivo derivado que se pode usar mudando um pouco os sufixos. No português também temos alguns, mas são poucos quando comparamos com o alemão.

No alemão também é muito fácil interpretar um texto, onde você só conhece 30% das palavras, pois eles dão quase sempre nomes auto-explicativos para tudo. Por exemplo: “Fremdsprache” –> “fremd”=algo estranho, que não se conhece / “sprache”=língua. Embora eu possa não saber o que significa “Fremdsprache”, eu posso supor algo dividindo essa palavra em duas ou,  as vezes, várias palavras. Nesse exemplo o que pode ser “Fremdsprache”? Uma língua desconhecida, ou seja, uma língua estrangeira.

Voltando à parte sofrida da coisa, tenho que dizer que aprender alemão para quem tem o português como língua materna é, sem discussão, extremamente difícil. A gramática é muito distinta e complicada. As expressões podem ser iguais, mas eles utilizam verbos diferentes dos nossos pra dizer a mesma coisa. Por exemplo: “trazer preocupação” para nós e para eles”fazer preocupação”; “dar atenção” para nós e para eles “fazer atenção”. Esse tipo de coisa dá um nó na cabeça do peão no começo, mas com o tempo você não traduz mais nada, simplesmente aceita aquilo como correto e pronto. Se não fizer isso no aprendizado de qualquer língua fica doido, pois quase sempre não é possível traduzir.

Quer saber algo pior do que as diferentes expressões!? São as diferentes posições que o verbo DEVE ocupar sempre. Tem um tipo de sentença onde, através do uso de uma conjunção maledeta, o verbo (ou “os”) vão todos para o final da frase. Exemplificar para apavorar, vamos lá:

PROBLEMA 1:  Um verbo obrigatoriamente na segunda posição da frase e o resto obrigatoriamente na última posição da frase. No alemão o raciocínio é diferente do nosso, pois nós pensamos (logo falamos) uma açã atrás da outra. Já os alemães, pra nosso azar, não. Eles colocam sempre um verbo na segunda posição da frase e os outros, independente do tamanho da sentença, no final. Isso tem seu lado bom, pois somos obrigados a prestar atenção na sentença até o final… No português ou inglês já sabemos e já temos resposta pra muita coisa logo que o indivíduo começa a se pronunciar. Aqui a coisa é beeeeem diferente… Acho que é uma língua de carentes! Te obrigam a ouvir tudo até o final bem quietinho.. hehehehe

PROBLEMA 2: Verbos no final da sentença. Dependendo da conjunção que se usa, TODOS os verbos tem que ir pro final da frase. Por exemplo: você não diz “Embora eu saiba que eu não vou conseguir fazer isso”, mas sim “Embora eu saiba que eu isso não conseguir fazer vou.“ Imagina o drama ter que fazer essas sentenças com a verbaiada tudo no final…. afff… Me sinto uma indía falando!

Mas o alemão também facilita muito a vida da gente em alguns casos. Olha essas palavrinhas que “magavilha”!!!

* irgendwo, irgendwann, irgendwohin, irgendwas, etc: (respectivamente) em qualquer lugar, a qualquer hora, para qualquer lugar, qualquer coisa, etc.

* egal: por mim tanto faz

* daher, dadurch, inzwischen, dazwischen, daneben, darüber, etc: (respectivamente) por isso, através disso, dentro disso, entre isso, ao lado disso, sobre isso. Aqui a partícula “da” significa em geral “isso/disso” e, por exemplo, “durch” significa “através”, logo “dadurch = através disso”. Perfeito não!!!??!?!

Além do curso que fiz, existem outras opções por aqui de cursos mais baratos. Dá uma olhada nesse link. É uma lista bem completa.

http://www.viver-na-alemanha.de/index.php?option=com_content&task=view&id=13&Itemid=93

Sites pra quem quer ou precisa estudar alemao:

http://rio.pauker.at/p.php/DE/PT  (dicionário português-alemão)

http://dict.leo.org/ende?lang=de&lp=ende (dicionário inglês-alemão)

http://conjd.cactus2000.de/ (site para ver a conjugação de verbos em alemão)

http://www.dw-world.de/dw/0,2142,265,00.html (jornal online que tem página em português também)

http://www.nthuleen.com/index.html (material didático online)

Bom, informação agora não falta. É só arregaçar as mangas, comprar pó de guaraná e mandar ver nos estudos! Ah… não se desespere se no começo tiver a certeza de que não irá conseguir, é normal. No começo chorei mais ou menos um mês com essa certeza e hoje, humildemente, estou, dentro do possível, mandando bem! É só entender que a compreensão só vem com o tempo e com a prática. Não tem outro jeito! Assista TV, leia sobre assuntos e em fontes diferentes, escreva muito e se comunique esquecendo que tem dificuldade. Desprendimento, humildade e cara-de-pau. É disso que você precisa ter logo de cara, o resto vem depois.

Viel Spaß !!!! Ich drücke euch die Daumen!!!

Liebe Grüße, Má.

 

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Comunicação com o vizinho alemão

Maira on maio 26th, 2008

Foi com imensa surpresa e euforia que nós encontramos o bilhete acima fixado no pará-brisa do nosso carro dias atrás.

Vocês devem achar loucura, né!? Mas é porque não tem vizinhos alemães. E olha que os nossos são bem mais simpáticos que muitos por ai. Mas receber uma carta escrita a próprio punho e sermos chamados de “liebe Nachbarn” (queridos vizinhos) foi como uma carta de boas-vindas! Pena que é uma carta dizendo que eles iriam se mudar na sexta passada Logo foi nosso primeiro e último contato. Mas, como eu sempre digo, antes tarde do que mais tarde.

Ah… e também desconsideramos o fato de terem nos escrito somente porque precisavam que desocupássemos a vaga onde estava nosso carro, para que o caminhão de mudança estacionasse lá. Isso é apenas um detalhe insignificante. Temos certeza que eles queriam mesmo era nos deixar uma lembrança como sinal de arrependimento por não ter nem ao menos nos cumprimentado até então… (((-:

Sinto que estamos evoluindo. Já recebemos uma carta, quem sabe logo logo não nos chamam pra comer um salsichão. (Urgh!)

Intenso, verdadeiro e rápido. É assim que posso resumir esse período em que estive no Brasil. Senti pela primeira vez a intensidade real das coisas e vi pela primeira vez a dimensão e confusão que tem São Paulo. Mas também é a primeira vez que vi como São Paulo é maravilhosa.

Quando vivemos na rotina com algo ou alguém é difícil de realmente “percebê-los”, por isso, após 1 ano, digo que senti de verdade tudo ao meu redor no nosso país e na minha vida com as pessoas dai. Senti que a intensidade das coisas tomou uma dimensão que eu nunca tinha visto ou sentido. Me senti um nordestino ou alguém de qualquer cidade pequena chegando em Sampa. Tudo se tornou cinco vezes maior, mais barulhento e muito mais caótico. Mas o mais belo…ahhhh o mais belo se tornou espetacular! Me apaixonei por São Paulo e pelos seus cidadãos.

Não que eu queira morar novamente na capital. “No way!”. Mas foi uma experiência que me fez ver o quanto São Paulo é grandiosa, acolhedora, pluralista, contrastante e intensa. Impossível não admirar um povo que arruma tempo pra beber junto depois de ter trabalhado o dia inteiro e depois ter ido pra faculdade ou para a pós-graduação. Esse é o perfil dos meus amigos e familiares. Esse era o meu perfil até pouco tempo atrás. Essa é a cara de São Paulo.

Passeando de transporte público e de carro me dei conta do caos que São Paulo está vivendo dia-após-dia. Mas também senti orgulho de ver pessoas buscando serem algo melhor ou até mesmo melhorar a cidade. Vi iniciativas principalmente no metrô para reeducar o cidadão. Sim, são iniciativas imperfeitas, mas nada no mundo nasceu perfeito, tudo teve que passar de bruto a lapidado. Nosso sistema não é diferente. Uma das falhas é pedir para esperar todos descerem antes de embarcar, sendo que o “delta T” relacionado à abertura/fechamento das portas não consegue dar tempo para o embarque. Eu mesma fui dar uma de européia e quase tive que pegar o próximo trem. Ou seja não é possível pedir educação sem primeiro dar condiçoes para que as pessoas possam ser realmente educadas. Primeiro infra-estrutura, depois aula de bons costumes. Assim funciona.

Mas saindo da selva de pedras e partindo para algo menos “concreto” digo que todo meu medo de antes de partir para essa experiência se transformou em alegria exacerbada. Não trago praticamente nenhuma recordação ruim que me faça pensar em não retornar definitivamente ao Brasil após alguns anos por aqui. Ao contrário. Esse retorno me fez ter certeza de que nem o tempo pode me separar das pessoas que amo e muito menos pode me fazer “menos brasileira”, ou melhor, “menos Maira”. Mudei, mas pra melhor. Amadureci, mas não endureci.

Família e amigos. Únicos e sempre únicos. Tive momentos maravilhosos com muitos, mas infelizmente não consegui rever todos e muito menos conversar com cada um como eu gostaria. Percebi que muitos mudaram, uns para melhor e outros para algo que não me parece tão bom assim. Não que eu seja perfeita. Quem me dera. Mas é fácil depois de algum tempo saber o que é um “bom caminho” (até porque só comecei a trilhar esse ai com 23 anos). Vi muita gente que continua mentindo pra si mesma, com a ilusão de fazer dar certo a partir do falso. É falso porque não vem do coração, mas sim da razão. Aquela que equilibra, mas que também limita. A razão foi feita para ser perdida por vezes, deixando entrar assim os sonhos e devaneios. São esses que nos levam à verdade, pois nos mostram além do que é palpável ou previsível. É preciso voar para alcançar as nuvens.

São pensamentos como esse acima que queria poder ter declarado a alguns. Mas o tempo. Sempre o tempo. São Paulo não para nem para ouvir conselhos.

Aliás o tempo também ganhou outra dimensão nessa viagem. Percebi que consegui aproveitar meu tempo de forma muito mais produtiva do que antigamente. Não desperdicei um minuto sequer nem com preguiça e muito menos com brigas. Fugi de uma e fugiria de quantas outras aparecessem. Por quê!? Porque enquanto não dizem pra gente “Ei, você tem apenas mais 2 dias com essas pessoas e depois quiçá só no ano que vem…” a gente não entende o valor daquele momento e é ai que entram os conflitos pequenos e desnecessários. Mas quando o tempo está o tempo todo ocupando o seu tempo, ai sim, você decide por um abraço, por lágrimas solitárias ou por silêncio. Nunca por discussões (ou…quase nunca).

Mas a falta de tempo, ou melhor, o tempo escasso também pode ser positivo. Isso te obriga a fazer escolhas, a priorizar ações e, com isso, percebe coisas que até então não faziam diferença. Acaba percebendo que tem menos amigos de verdade do que acreditava ter e, ao mesmo tempo, descobre novos amigos para os quais nunca deu muita atenção e que estão sempre ali, torcendo por você silenciosamente. Percebe que existem mais pessoas interessadas em diversão do que em aprofundar a amizade e aprende a respeitar isso. Mas também percebe que alguns amigos antigos ficaram no passado. Não há mais afinidades. Não há mais verdade. É hora de guardá-los no baú das boas recordações, mas sem esquecer onde estão as chaves, pois um dia a vida pode fazer vocês se reencontrarem novamente.

Hora de ir embora. Na hora de vir embora o conflito. Alegria e tristeza. Alegria por estar prestes a voltar para o “amor das minhas vidas” e para o ”nosso cantinho”. Alegria porque percebi que o melhor lugar do mundo é qualquer lugar onde eu possa estar com o Rodrigo. Tristeza por saber que não viria por mais um ano meus amigos e familiares do Brasil.

Estava na Avenida Paulista. Chorei. Essa avenida sempre foi minha predileta. Sempre foi pra lá que eu ia quando queria sair do meu mundo e entrar no mundo dos outros. Quando eu queria refletir, era lá que eu costumava ir. Andava do metrô Paraíso até o Consolação. Sempre ficava fascinada com a diversidade e com os contrastes que habitam a Paulista. Era gente de todo lugar. Gente do mundo todo e de todos estilos. Mas mais importante que toda a diferença, era a igualdade. A igualdade entre os brasileiros que andam na Paulista e eu. O fator comum “ser brasileiro” me aproximava daquelas pessoas, não importando a marca de suas roupas ou seu grau de escolaridade. E de repente eu me vi ali. Me vi “fazendo parte” de novo. Me vi no meio do povo de onde vem toda minha identidade e meus valores. Algo que só verei de novo no próximo ano. Chorei.

Chegando no aeroporto de Cumbica chorei. De novo. Mas ai foi porque a fila pra passar no raio-x estava bem “a la paulistana” e nessa situação não tem como não chorar…. de raiva! )))-:

Chegando no avião que foi de Paris para Stuttgart sofri. Sofri porque percebi que estava indo para a Alemanha antes mesmo de chegar lá. Por quê!? Porque foi em poucos lugares do mundo que senti o “fuá” que senti dentro do avião. Só podia ter alemão no pedaço e daqueles que usam a mesma camisa 5 vezes por semana sem desodorante. Dá-lhe catinga! Sem dúvidas. Eu estava no voo certo. (((-:

Falando em Alemanha preciso confessar algo. Na verdade preciso pedir desculpas. Sempre disse e repeti que não gosto de morar na Alemanha e no caminho de volta não consegui dormir pensando nessas declarações. Discordo de mim. Sim, sou louca a ponto de discordar de mim mesma. A Alemanha não é o problema, mas meu “status” aqui sim. “Status” no sentido de ocupação. Acredito, como disse para alguns, que a partir do momento em que eu enfim descobrir meu caminho por aqui, a Alemanha se mostrará para mim diferente do que é até então. Sim. O povo alemão, no geral, é realmente difícil de lidar. É uma cultura avessa à nossa. Mas talvez eu encontre outra Alemanha a partir do momento em que eu realmente entrar no sistema deles através de trabalho ou estudo. Acredito que podemos sempre aprender. E isso é o mais importante. Além do que as palavras e pensamentos tem um poder indescritível de transformação. Por isso, anotem ai: EU AMO A ALEMANHA!!!! (quem sabe assim o jogo vira…hehehehe)

Pra finalizar. Ser “turista-cidadã” no Brasil foi uma experiência MA-RA-VI-LHO-SA!!! Estou guardando as melhores recordações, os melhores aromas, os melhores sabores, os melhores abraços e gargalhadas inesquecíveis.

Vocês, amigos e família, são responsáveis por eu ter sempre força e coragem pra seguir em frente. Muitos dizem me admirar e eu digo algo que o Jair um dia me disse: a gente só admira em alguém algo que nós também temos. Sigam a sua estrela, mas só se for na mesma constelação da minha, pois quero vocês sempre anos luz pertinho de mim!!!!

E é pra sentí-los aqui quando a saudade bater forte que tenho esses registros de alegria que vocês podem visualizar aqui !!!

Saudades!!!

 

 

“Meu Deus! Meu Deus! Meu Deus! Que lugar é esse!?!?!?!?!?!?!?”. Foi isso que eu disse repetidamente ao avistar do avião esse paraíso de poucos. Senti que estava delirando, pois quando eu vi a cor daquelas águas ao redor da ilha não conseguia acreditar que realmente as fotos que eu havia visto não tinham passado pelo tratamento de um photoshop sem vergonha. É de verdade!!!!! E nós, seres abençoados, estávamos ali… prestes a pisar naquele solo e água abençoados por todos os santos.

Fernando de Noronha é um arquipélago brasileiro pertencente ao Estado de Pernambuco, formado por 21 ilhas e ilhotas, ocupando uma área de 26 km². Pequeno de extensão, mas com belezas e riquezas não mensuráveis. É uma “ilha-vulcão”, cuja rocha vulcânica está localizada a 4.000 metros de profundidade no Oceano Atlântico.

Quando se fala de Noronha é preciso separar o que é e o que significa Noronha para um turista e para um nativo ou morador fixo. Por esta razão vou dividir meu relato nessas duas óticas e espero que todos que forem visitar o arquipélago se preocupem em olhar além do mar esverdeado, pois infelizmente Noronha só é um sonho de turista. Para nativos e moradores ele é real e passível de críticas.

1) NORONHA DE TURISTA PARA TURISTA

Milhagens completas. Reconhecimento de território via internet. Hospedagem selecionada e reservada. Mochilão pronto. É hora de embarcar sem expectativas do que virá, apenas com a certeza de que viajar é preciso e ser pego de surpresa pela vida é muito mais gostoso.

Voamos de VARIG e a tripulação já garantiu a boa energia da viagem que estava só começando. O comandante falava com os passageiros como um amigo numa mesa de buteco. Delicioso. Juro que nunca vi uma equipe tão simpática e atenciosa com todos. Chegando na ilha tivemos uma situação inusitada logo de cara. Por ser baixa temporada o avião estava vazio (ueba!) e até por isso os comissários estavam se sentindo em casa com os poucos passageiros. Um deles sentou na poltrona da frente na janela para ver o arquipélago lá do alto e tirar fotos. Os outros dois ficaram grudados na minha poltrona esperando a primeira aparição do paraíso. Um deles já tinha ficado uma semana há muito tempo na ilha e se transformou no meu guia aéreo de Noronha. O outro que nunca tinha ido me perguntou em que pousada ficaríamos e anotou o nome num papel, pois eu disse que foi a mais barata que encontrei na ilha após muita pesquisa. Enfim, já no avião senti que aquela viagem deixaria lembranças ímpares na nossa vida e, pra variar, meu sexto sentido não me enganou. Foi única.

Depois de um voo e aterrisagem perfeitos vem o balde de água fria, conhecido em Noronha como “Taxa de Preservação Ambiental”. Pode-se pagar essa taxa antes de chegar na ilha pela internet, o que, aliás, aconselho muito. Caso contrário vão te entregar no avião ou no aeroporto uma ficha que deverá ser preenchida manualmente. Um saquinho, por isso prefira fazer antes online. Atualmente paga-se por pessoa e por dia R$ 34,48 para permanecer na ilha, ou seja, nós que dormimos 6 noites pagamos a módica quantia de R$ 413,76. Isso é sim um roubo! Imagina quantas pessoas visitam essa ilha por dia e multiplica isso por essa quantia. Juro que tenho dó do meio ambiente que ultimamente vem sendo usado pra acobertar práticas desonestas e mais uma vez ZERO DE TRANSPARÊNCIA! Não, não me incomodo de pagar nada que seja justo, mas pra não me sentir roubada pediria ao nosso governo e à todos órgãos que nos cobram taxas o mínimo de transparência. Dizer pra mim que é uma taxa pra ajudar na preservação e auxílio à ilha é, no mínimo, me chamar de ignorante. Bom, continuo a descer a lenha no próximo tópico, pois esse tópico é o tópico romântico do relato… (((-:

Fomos como viajantes independentes, ou seja, sem pacote de viagens. Uma escolha inteligente e, na medida do possível, econômica. Chegando no aeroporto vão te entregar um monte de panfletos e cartões de gente que presta o serviço na ilha e, além disso, provavelmente alguém “ligado” a pousada que você irá ficar te buscará “gratuitamente” no aeroporto para te levar até a pousada. O cara vai tentar durante todo o trajeto te vender os passeios “dele” e vão sempre dizer que dos outros é mais caro. Fora que pode ser que ele diga que só te leva no aeroporto na sua partida se fizer algum passeio com ele. Sem comentários. Não se precipite, pesquise primeiro com nativos e se informe também sobre as “roubadas”.

Antes de ir só precisamos mesmo fechar a pousada. Demorei uma semana pra encontrar algo menos caro, pois em média, na baixa temporada, sai 170 reais por casal. Descolei uma por 130 com café da manhã (www.pousadasolardotrinta.com) e fechamos sem hesitar. Ainda sim acho caro, mas por sorte era uma das poucas pousadas que pertence ainda a nativos e isso foi primordial. Seus donos se chamam Audenice (chamada de Nice ou Bói) e Carlos. Ela é uma serena noronhense e ele um pernambucano com a visão mais aguçada de oportunidades que eu já conheci. Duas pessoas incríveis com uma história de vida absurdamente apaixonante. São pessoas vividas, que sonham, que planejam e que veem oportunidade em tudo. Nos sentimos em casa de verdade nessa pousada, ou seja, não espere um atendimento e infra-estrutura de um empreendimento turístico. É super simples, mas tem o mais importante: ar condicionado, frutas do quintal deles no café da manhã, alegria e pessoas de bem. Imagina ser recebido com um suco de graviola e com a própria graviola, colhida no quintal fresquinha… ai que saudade! Ahhhh e tem também a tapioca do Carlos que é inesquecível e que ele serve com o maior prazer.

Para se conhecer a ilha é preciso, no mínimo, 4 dias. Para aprender com a ilha, no mínimo, 7 dias. Para ter vontade de ir embora da ilha, talvez só uma encarnação seja suficiente. Acreditem: chorei na hora de partir. Não sei se de tristeza de deixar aquela energia tão maravilhosa que encontramos, principalmente na “nossa casa temporária” ou por causa da impotência que senti em não poder fazer nada pelos nativos que estão sendo injustiçados dentro da própria terra. Enfim, essa última frase é assunto para o próximo tópico do relato. (suspiro)

Tem um passeio que será o primeiro que irão te oferecer: o “Ilha Tur”. Se for ficar apenas 2 ou 3 dias, ok. Mas se for ficar 4 dias ou mais esse passeio se torna COMPLETAMENTE DISPENSÁVEL, ou seja, economizará 70 reais por pessoa e não perderá NADA. Acredite. É um passeio que dura o dia inteiro com um grupo grande. Eles levam esse grupo aos lugares que são acessíveis de carro e ficam um pouco em cada lugar só pra que o turista tenha uma idéia mesmo de qual passeio ele vai querer repetir depois sozinho ou com a agência.

Pra conhecer a ilha você precisa de alguns itens básicos: havaianas (mershan total), repelente pra caramba (tem muita muriçoca que apesar de pequena faz um estraaaago), muito protetor solar que deve ser passado de 4 em 4 horas religiosamente (não, não estou exagerando… mesmo em dia de tempo fechado torrei), um tênis se for se aventurar nas trilhas mais longas (é possível fazer até descalço, mas com tênis fica bem mais fácil percorrer em cima de pedras e na lama), dinheiro vivo sempre (pra tudo tem que pagar e nada é barato), remédios básicos (antiinflamatório, contra dor, contra gripe, contra dor de cabeça, contra diarréia, laxante, contra asia e má digestão, termômetro, band-aid, anti-séptico e etc), coisas de necessidade básica e muita, mas muuuuuita disposição.

Na ilha TUDO é mais caro do que no continente por uma questão lógica: a logística de transporte e os impostos contemplados nesta. Fora isso, que é compreensível na medida do possível, tem também as brasileirissímas sobretaxas que não deveriam existir, mas que estão sempre presentes e nunca transparentes. Então prepare-se para se sentir na europa quando for pagar qualquer coisa na ilha! Mas existem formas de fazer tudo ficar mais em conta. Primeiro compre ”belisquetes” no continente: barra de cereais, biscoitos doces e salgados, balas, chocolate, salgadinho, todinho e etc. Na ilha compre galões de 10 litros de água potável e divida em garrafas menores pra levar nas trilhas e afins. Vale muito mais a pena do que ir comprando de litro em litro. PEÇA DESCONTO EM TUDO!!!! Pesquise sempre e muito os preços dos serviços. Sempre tem mais barato e geralmente encontrará isso com nativos que não são ligados à “cooperativas”, ou seja, que trabalham por conta. São poucos, mas existem.

Para se locomover: pé, ônibus, carona, taxi-bug, bug, bicicleta, moto e cavalo. São as opções que a ilha oferece. Nós só usamos as 4 primeiras, ou seja, não quisemos gastar dinheiro com aluguéis. O ônibus que circula na ilha está custando agora R$ 3,10 (uma fortuna!). O aluguel do bug em baixa temporada varia de 70 a 100 reais a diária, fora o combustível (um roubo!). Na alta temporada dizem que o melhor é alugar antes de ir pra ilha, pois quando chega lá não tem quase nada pra alugar e o pouco que tem chega a custar até 300 reais por dia (um estupro!). Quando estiver em mais de duas pessoas vale muito a pena pegar um “Taxi-Bug”, porque dividindo tudo fica melhor! Mas atenção após 23 horas de todos os dias e no domingo o valor do táxi é beeeeem mais salgado.

Andar a pé exige muuuuuita disposição e sola de sandália. O calor é insuportável até agora na outono, imagina na época de primavera e verão…. Nós andamos muito porque estamos acostumados com muita caminhada e trilhas, mas pra quem não é muito chegado não arrisque. Faça tudo no seu ritmo pra poder aproveitar o máximo sem problemas.

Conhecemos quase tudo na ilha que é alcançável a pé e de barco e, no período de 7 dias até repetimos os passeios que achamos mais maravilhosos como, por exemplo, os mirantes na Trilha dos Golfinhos da Baia do Sancho e da Baia dos Porcos (fotos respectivas).

Todas essas maravilhas vocês podem conhecer sozinhos, ou seja, sem guia. São trilhas simples que fizemos usando apenas roupa de banho e havaianas, fora a mochilinha com as necessidade básicas de uma caminhada.  No final desse item tem o link para conseguir a “Tábua das Marés”, pois muitos passeios dependem do fato de ter maré alta ou baixa.

Além disso, é possível logo pela manhã (umas 6 horas) avistar golfinhos na Baia dos Golfinhos, logo no início da trilha. Geralmente tem uma pessoa do IBAMA nesse mirante que disponibiliza “gratuitamente” binóculos para os turistas conseguirem observar os golfinhos mais de perto.

Já para chegar na Baia do Sancho é só descer duas escadas que estão cravejadas em fendas de uma rocha, mas se for uma pessoa obesa a coisa complica, pois a segunda escada fica numa fenda bem estreita. Mas se você é obeso ou obesa, não se preocupe. É possível chegar na baia com barco também. É mais grana, mas se a vontade de conhecer a baia for grande… paciência, né!?

A Baia dos Porcos é linda!!! Tinha uma trilha a partir do Sancho, mas estava em péssimo estado. Agora é possível chegar nela pela Praia da Cacimba do Padre através de uma trilha super tranquila. Tem uma piscina natural em uma das rochas que é um espetáculo a parte. Parece um aquário!!!! É proibido entrar na piscina, mas chegar perto acho que pode. Bom, pelo menos nós chegamos e ninguém apitou lá de cima. Pois é, a ilha parece um “Big-Brother”. Tem fiscal pra todo lado com o apito na boca, pronto pra proibir qualquer passo em falso na ilha. Quando você menos imagina, dá-lhe apito!

Na ilha só existem duas trilhas, nas quais a contratação de guia é obrigatória: Caieiras-Atalaia e Capim-Açú. Só fizemos a primeira que leva aproximadamente 3 horas de caminhada, apesar de ter apenas 2,5km. É uma trilha MA-RA-VI-LHO-SA!!! Vale a pena pagar, mas cuidado, pesquise os preços do guias nativos. A maioria cobra 40 reais por pessoa, mas conseguimos por 30. Considerando que éramos um casal, economizamos 20 reais o que equivale a quase 7 águas-de-coco. (((-:  (pra quem mora na Alemanha isso vale ouro minha gente!!!!).

A trilha do Capim-Açú é beeeeem mais demorada, umas 8 horas ida e volta e custa 70 por pessoa. Tínhamos fechado um pacote com as duas trilhas que ficaria para o casal 120 reais. Uma pechincha, minha gente! Normalmente sairia no mínimo 200 reais!!! Por isso digo: pesquise e pechinche.

Mas mesmo com esse precinho camarada decidimos não fazer em cima da hora, pois não queríamos gastar um dia inteiro numa trilha que nos daria apenas alguns minutos de suspiros encantados e muitos minutos de pés atolados na lamaceira da trilha. Pois é, agora é época de chuva em Noronha. A trilha que fizemos do Caieiras-Atalaia estava muito ruim por causa da lama em boa parte do trajeto. Enfiamos, literalmente, o pé na lama, maaaasss por uma boa causa, podem ter certeza!

A Piscina do Atalaia é uma maneira fácil de conhecer o mundo subaquático numa profundidade máxima de 1 metro. O único problema é ter que enfrentar fila e ter um tempo limitado pra explorar a piscina, mas que vale a pena, vale! Você vê muitos peixes e muitas outras formas de vida marinha numa água hiper transparente e com temperatura extremamente agradável.

Nessa piscina só podem entrar por dia 100 pessoas, sendo 4 grupos de 25, que permanecem apenas por 20 a 30 minutos. É só pra dar o gostinho mesmo… O horário de abertura da piscina só ocorre em maré baixa e é publicado todas as noites da semana no jornal local da ilha “TV Golfinho” umas 19:30hs. Dizem que na alta temporada o ideal é chegar no local umas 2 horas antes pra conseguir entrar. Ninguém merece… Pegar fila no paraíso tá mais pra coisa de purgatório! (((-:  Eu e o Rô fomos no dia que fizemos a trilha Caieiras-Atalaia. Uma ótima escolha, pois a trilha termina na piscina do Atalaia e o fiscal nos encaixou já no próximo grupo que ia entrar. Nada de fila e nada de muita espera… só alegria! E ficamos mais tempo que o grupo todo, pois logo que saiu um ele nos chamou e o outro grupo ainda demorou uns 10 minutos pra descer. Ou seja tivemos uma piscina natural particular por 10 minutos!!!! Dá-lhe privilégio!!!

A Baia do Sueste também é maravilhosa! O único problema é que sempre tem um mundaréu de gente lá, pois a galera que fica esperando pra ir no Atalaia espera nessa baia até que os grupos sejam chamados. Infelizmente o Sueste representa um lugar onde as práticas abusivas estão presentes até que me provem o contrário. Fomos lá sem a intenção de pagar pra mergulhar na baia, mas nos deparamos com um grupo que aparenta estar realizando um monopólio da área de recifes sem autorização do IBAMA e cobrando para que as pessoas mergulhem lá. Existem bóias que delimitam uma determinada área da baia e existe uma placa do IBAMA que diz ser proibido mergulhar apenas do lado esquerdo da baia. Mas a melhor região de mergulho fica do lado direito que, segundo a placa, é permitido mergulhar. Nada diz o contrário. Mas existem “pessoas” que dizem ser do IBAMA que cobram 70 reais para que as pessoas mergulhem nessa margem “não proibida oficialmente”. E se eles identificam você que não pagou indo pra essa área apitam mandando voltar. Portanto: tomem cuidado! Tem muita gente aproveitando que quase tudo é proibido pelo IBAMA pra ganhar dinheiro de forma desonesta usando o nome deste. Sonhe de olhos abertos na ilha…

Imperdível é o passeio de barco no Mar de Dentro. Nesse pagamos caro, mas não teve jeito. Decidimos somente no último dia e em cima da hora, ou seja, quase não tinha mais lugar nos barcos mais baratos ou não conseguimos entrar em contato. No fim a dona da pousada indicou um ótimo: TROVÃO DOS MARES (Marlene). Custou 85 reais por pessoa com direito à almoço no barco, mergulho no Sancho e Plana-Sub. Esse Plana-Sub é uma idéia interessante. É o que eles chamam também de “mergulho à reboque”, ou seja, te entregam uma prancha de acrílico com uma corda e a ponta dessa corda é amarrada no barco. Quem pratica só precisa colocar máscara e snorkel e confiar que a corda não vai soltar do barco. (((-:  O Rô fez e adorou! Foi puxado durante aproximandamente meia hora. Nesse mergulho é possível ver o fundo do mar durante um bom tempo sem o menor esforço. Perfeito, não!?

Mas o show do passeio mesmo foi outro: os golfinhos rotadores! Tivemos MUITA sorte, pois já faziam dois dias que ninguém via golfinhos na ilha nos passeios de barco e NÓS VIMOS MUITOOOOOOSSSS!!!! Um casal explicou que são apenas os machos que ficam seguindo o barco, justamente para distrair os turistas para que eles não se aproximem das fêmeas que ficam mais afastadas. E olha que eles são machos eficientes!!! Deram um show!!! Fiquei eufórica, pois tinha uns 10 golfinhos seguindo o barco e fazendo graça. LINDOOOOOOOO!!!!! O clima entre as pessoas do barco também estava ótimo e a Marlene é uma figura ímpar que sabe melhorar o astral das pessoas. Um sonho sobre águas verdiiiiiiinhas e transparentes…

Não deixe de mergulhar na ilha. De preferência leve óculos, snorkel e pé de pato alugado ou comprado no continente. Sai muito mais em conta e se for tirar foto subaquática também. Resumindo tudo que puder levar ou alugar no continente é muuuuuito melhor. A gente deu sorte, pois um dos hóspedes que sempre vai à Noronha nos emprestou dois conjuntos de mergulho superficial! Que beleeeeeeeza! Em qualquer rasinho você já vê peixes maravilhosos, recifes, corais, moréias, ouriços, tartarugas marinhas verdes, aratus, etc. Mergulhamos no Sancho, Atalaia e Sueste e já valeu a pena! Na verdade eu respeito tanto o mar que não sou muito fã de entrar, mas acho que do contrário teria explorado mais, mas sem pagar… ((((-: 

Conheça a Praia do Leão e o Mirante do Caracas! MA-RA-VI-LHO-SO!!!! A praia do Leão no quesito “paisagem litorânea” foi a praia mais linda que achamos em Noronha.

Já a Ponta das Caracas tem uma formação rochosa no contorno que é deslumbrante, repleta de piscinas naturais inatingíveis. Uma paisagem 100% contemplativa e diferente. Só não contávamos com uma manada de bois fechando nosso caminho na Caracas. Algo inusitado, mas engraçado.

Aliás a fauna de Noronha é algo maravilhoso e curioso. Os bichos mais vistos são mocós, mabuias (espécie endêmica de lagartixa) e pássaros como os atobás e os mubembos. Uma história engraçada é a história da introdução dos lagartos chamados “teju” na ilha. As embarcações que chegavam nas ilhas em tempos remotos traziam muitos ratos e essa invasão começou a incomodar. Sendo assim decidiu-se introduzir o teju para que ele se alimenta-se dos ratos, eliminando esses definitivamente. Infelizmente parece que essa decisão veio de algum português, pois o teju tem hábitos diurnos, enquanto os ratos, noturnos. Resumindo: para o plano dar certo só faltou eles se encontrarem. ((((-:  No fim, só trouxeram mais um problema pra ilha: o excesso de tejus.

Introduziram também outra espécie que também está causando problemas sérios: os mocós. Esses são roedores que lembram marmotinhas e você vê aos montes quando fica observando as pedras. O problema é que se alimentam das raízes que ficam nas encostas, prejudicando assim o equilíbrio. Agora como vão eliminar os mocós… sei lá, só espero que não cometam o erro de introduzir outro predador não local.

E, pra fechar, está aberta a caça às garças. Pois é, essas “branquinhas graciosas” são um perigo para quem gosta de voar. Elas ficam concentradas justamente na região do aeorporto e costumam entrar na turbina dos aviões podendo causar sérios acidentes. Até hoje não há registro de nenhum acidente sério, mas conhecemos um pernambucano, cuja avião teve que fazer um pouso inesperado por causa de uma garça que entrou na turbina. Felizmente só a garça foi sapecada dessa vez… (((-:

Para saber mais sobre essa riquissíma fauna e muito mais sobre tudo na ilha vá nas palestras do IBAMA sobre seus projetos às 21 horas todos os dias. Dizem que são ótimas e também dizem que são gratuitas… ahhhh chicó! Pagando a taxa de preservação carérriiiiiima querem que eu acredite ainda em Papai Noel… hã! Sendo mais objetiva e realista, podem ir porque já está pago! E tem até tranfer que pega o pessoal na estrada, cujo valor também já está pago. Aproveitem!

Bom quem lê até aqui acha que eu nem respiro e nem como, né!? Vamos ao rango! Só almoçamos um dia e escolhemos o “Delícias da Ná”. Comidinha caseira bem gostosa que saiu uns 40 reais por casal. Jantar, jantamos 5 dias no restaurante Tom Marrom, gastando em média 50 reais o casal. Só saiu mais caro o dia que pedimos um peixe na folha de bananeira, saindo 70 reais o casal. Nesse restaurante começa entre 8:30 e 9:00 da noite todos dias (exceto quarta e sábado) MPB ao vivo, voz e violão com Márcio Moreno. Fantástico! O Rô que é músico ficou impressionado com os arranjos do cara e eu com o repertório riquissímo da NOSSA MÚSICA. Coisa que deve ser mostrada pros gringos! O pior é que enquanto ele não para de tocar eu não conseguia querer ir embora… Bom demais mesmoooooo!!!

Para os jovens ou para quem procura bagunça tem o Bar do Cachorro, onde rola o famoso e consagrado forró na sexta-feira. Não fomos e juro que não senti falta nenhuma. Mas pra quem for aviso: cuidado com drogas, prostituição e furtos. Infelizmente do pessoal do continente não entra só dinheiro na ilha… Em época de lua cheia rola lual também. É só se informar.

Para fechar todos os dias não perca o pôr-do-sol em qualquer praia, qualquer mirante ou em qualquer lugar da ilha! É mágico, não importa de onde (desde que seja do lado que o Sol se poe…hehehe) … O mais pop e, sem dúvida, maravilhoso acontece no Morro dois Irmãos. Muita gente vai assistir na praia da Cacimba do Padre, mas achei muito mais bonito na Praia do Boldró. Fica colada no Cacimba, mas dá um ângulo muito mais bacana. É de tirar o fôlego! Vai descobrir o fotógrafo que existe em você, pois a imagem inspira qualquer um! Vai por mim…

Pois é, o papo tá muito bom, só coisas maravilhosas a descrever e a mostrar, maaaasss até o paraíso tem seu preço nessa vida, meus caros. Custo da viagem aproximado desconsiderando o avião: R$ 150 por dia e por pessoa. Isso em baixa temporada e economizando muito minha gente! Em alta temporada? Melhor eu nem estimar, pra não desanimar… (((-:

Na hora de ir embora, não esqueça de pedir no aeroporto o FORMULÁRIO PARA SUGESTÕES E RECLAMAÇÕES. É sua oportunidade de contribuir para que as praticas ilegais e os preços abusivos na ilha sejam reduzidos definitivamente. É sua oportunidade de fazer de Noronha um paraíso de verdade e de todos os brasileiros!

Links úteis:

“Tábua da Marés” ( http://www.mar.mil.br/dhn/chm/tabuas/index.htm )

Taxa de Preservação Ambiental-TPA ( http://www.noronha.pe.gov.br/ctudo-taxa.asp )

Hospedagem Domiciliar ( http://www.noronha.pe.gov.br/ctudo-turismo-hospedagem.asp )

Palestras IBAMA ( http://www.noronha.pe.gov.br/ctudo-turismo-info-palestras.asp )

E… mais fotos aqui!!!!

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2) NORONHA DE NATIVOS POR UMA TURISTA

Os nativos são apaixonados por Noronha. Quando falam de “Noronha de Deus” seus olhos brilham de orgulho e amor. Mas quando falam de “Noronha dos homens”, vê-se tristeza e um sentimento de impotência. Se só tivéssemos conversado com pessoas de agências de passeios, jamais saberíamos do que machuca os nativos, pois eles visam lucro e é esse sentimento que está transformando o paraíso em um destino cada vez mais caro e elitizado. Estão transformando Noronha em algo que vai contra tudo o que este lugar é por essência: simples, com pessoas simples e puras.

Sei, sei que muitos vão ler isso aqui e pensar: “normal”. Provavelmente são pessoas que vão a lugares, mas que não conhecem esses lugares de verdade e nem estão preocupadas com isso. O importante é poder pagar e desfrutar do que o lugar e as pessoas oferecem, independente do que está acontecendo com quem nasceu e cresceu ali. Desculpem, eu não consigo ser assim.

Pessoas do continente com dinheiro ou “apadrinhados” estão ocupando a ilha e se apossando de terrenos e comércio ali em detrimento dos direitos de quem lá nasceu. Não são ouvidos pelas autoridades e são minoria nos cursos ministrados na ilha. Não porque não querem, mas porque não são “influentes”. São, na maioria, pessoas simples e de bem.

Como exemplos nítidos da exclusão dos nativos dentro da ilha estão por toda parte. Um dos indicadores desse processo é que praticamente todas pousadas situadas na beira da rodovia principal são de pessoas do continente. O Luciano Huck tem uma pousada, cuja diária por casal custa na BAIXA TEMPORADA R$ 1500,00, em área de preservação ambiental do IBAMA. Outro fato interessante foi descrito por uma nativa que conhecemos. Ela queria abrir um salão de cabelereira pra poder trabalhar e não recebeu permissão, mas a prefeitura trouxe uma mulher do continente pra trabalhar em um salão.

O marido de uma outra nativa, pernambucano, precisou casar com ela antes de receber autorização para morar na ilha, caso contrário teria que pagar uma multa. Isso é sistema de imigração dentro do Brasil para brasileiros! Entendo que se o governo liberar a entrada de qualquer um, haverá lotação da ilha e será um caos, mas acredito que deve ser estabelecido algum critério público de seleção de moradores. É necessário que seja feito um plano de manejo que diga claramente quais são as regras e qual o número máximo que a ilha pode comportar, na categoria morador e na categoria turista. E mais, os pernambucanos deveriam ser previligiados, afinal Noronha pertence à Pernambuco. Aposto que se um gringo quiser morar em Noronha será recebido com tapete vermelho. Aliás não me lembro da Ivete Sangalo e nem do Luciano Huck terem casado com ninguém da ilha para serem isentados da taxa de preservação ambiental (TPA). Isso é justo!?!?!?!?!?!?

As ruas próximas às pousadas “domiciliares” de luxo são bem cuidadas, mas as ruas onde ficam as pousadas ”domiciliares” simples estão um caos e já foi prometido há muito tempo alguma ação pelo governo, utilizando-se da arrecadação da TPA. Nada foi feito até então.

A ilha só tem 2 ônibus segundo um motorista. Teve um dia que um deles quebrou, logo sobrou apenas um ônibus para fazer a ida e a volta na ilha. Quem dependia de ônibus esse dia esperou tanto por ele quanto por justiça e transparência na ilha. O irmão de uma nativa que tinha que ir pra casa acabou dormindo na casa da irmã porque o ônibus não passou.

Quando se pesquisa os preços dos passeios, percebe-se nitidamente a formação de um cartel dentro da ilha. Isso é um ato contrário à democracia, pois o turista se vê obrigado a pagar um preço injusto, por não haver concorrência limpa dentro da ilha. Os que cobram menos são tratados como traidores e muitas vezes “queimados” na ilha. Resumindo: seja injusto, mas garanta os amigos! Lamentável.

Os preços cobrados na ilha e a inexistência de ofertas para um público menos provido de meios financeiros é uma agressão ao povo brasileiro. Estrangeiros acabam conhecendo nosso país melhor do que nós mesmos que aqui nascemos e que aqui pagamos anualmente um montante de impostos absurdo! Noronha é o retrato da falta de ação governamental para acabar com a desigualdade e estratificação social. Se o Luciano Huck pode construir um palácio em área de preservação ambiental, porque não se pode reservar uma área para a construção de um camping!?!?!?!? Se alguém disser que é porque campista é maloqueiro e não tem bons modos vou dar um piti!!!! Cansei de ver na minha vida toda gente de carro importado jogando lixo na rua! Em Noronha mesmo vimos uma madame acendendo seu cigarro e jogando os fósforos na praia! Enfim, conheço muita gente rica e mau educada e muita gente pobre que tem boas maneiras. Tô cansada de gente preconceituosa e arrogante! Todos somos cidadãos de direito e DEVEMOS exigí-los!!!

(respiro)

Sei…sei que através desse Blog talvez eu não atinja as autoridades sobre tudo que foi descrito acima, mas já me dou por satisfeita se atingir cidadãos como eu. Pessoas que querem justiça e transparência. Turistas que reconhecem seu papel em divulgar não somente as belezas, mas também os problemas encontrados em cada destino escolhido. Ser turista é mais do que ser alguém que sai de férias para relaxar, você pode usar dessa situação para ser um vigia e consequentemente porta-voz de um povo.  Pense nisso e faça, de verdade, a sua parte.

A minha está feita.