jul
23
Alemanha – Allgäu Alpes (Trekking)

Sem dúvida tá no “Top 5″!

Um trekking maravilhoso e exigente nos Alpes na região da baviera (extremo Sul da Alemanha – divisa com Áustria), conhecida como Allgäu.

Paisagens ímpares com direito até a cachoeiras por todo trajeto, travessia na neve (em ângulos que te obrigam a ir escorregando ladeira a baixo), pirambeiras que desafiam qualquer mochileiro, montanhas pontiagudas e ainda parcialmente cobertas por gelo e flores minúsculas e graciosas que tornam a paisagem muito mais colorida.  

Se você mora na Alemanha ou proximidades ou se mora bem longe, mas dispensaria qualquer museu/igreja/castelo europeu pra fazer um trekking nas alturas, não pode deixar de visitar a região do Allgäu. Até essa viagem nada na Alemanha tinha me surpreendido tanto positivamente quanto essa trilha. Simplesmente porque AMO natureza e sentia falta de algo mais selvagem por aqui. Mas SIIIIIM eles tem o que oferecer nessa área também! Acredite!

Foi uma experiência extremamente enriquecedora, pois além do trekking maravilhoso, também tivemos a oportunidade de conviver 3 dias com mais 8 alemães jovens. Pessoas bem bacanas aliás. Lógico que não foi divertido como seria com brasileiros, mas rolou. Pessoas tranquilas, sem crises e bem dispostas a ajudar você e se integrar. Foi interessante observar que ganhamos uns pontinhos após esses dias com o grupo, pois quando nos conhecemos na sexta-feira todos nos deram a mão e quando nos despedimos no domingo nos deram dois beijinhos cada um e até, pasmem, nos abraçaram!!! Nunca pensei que um trekking com alemães rendesse tanto… (((-:

Maaaas voltando ao trekking tenho que dizer que não é algo pra amadores. Saímos de Stuttgart sexta-feira aproximadamente meio-dia e percorremos 200km de carro até Oberstdorf, o ponto de partida da trilha que duraria 2 dias. Partimos de Oberstdorf e percorremos ainda na sexta-feira uma subida pra quebrar o peão por aprox. 2 horas e meia até alcancar a primeira cabana (Kemptner Hütte- 1869) situada a 1846 metros de altitude, onde pernoitamos de sexta pra sábado.

Chegando na cabana tem um lugar logo na entrada onde todos mochileiros deixam suas botas e sticks (cajado moderno). Achei bem interessante e fiquei imaginando isso no Brasil. Você teria coragem de deixar sua bota de trekking carissíma a noite toda num lugar onde todos tem acesso???? É nessas situacoes que entendo porque não somos um país de primeiro mundo. (((-:

A cabana era muito fofa e aconchegante, faltando apenas um detalhe: água quente. A água estava congelante, ou seja, nada de banho. Para alemães isso é normal, mas para nós, naquela situação, um banho quente era tudo que precisávamos após subir subir e subir por quase 3 horas. Foi nesse momento, ao perceber que nao seria possível tomar aqueeeeele banho que entendemos a necessidade que os alemaes tem de comprar toalhinha de mao. Já está na nossa lista de compras para o próximo trekking. (((-:

Antes de chegar nessa cabana, imaginei que era tipo albergue, ou seja, com beliches. Mas nao. Você dorme lado a lado com as pessoas num leito onde cabem vários mochileiros. Por sorte dormi encostada na parede e do lado do Rodrigo, mas imagina dormir lado a lado com estranhos e acordar com o bafo deles na sua cara. Afff…. Saudades do beliche.

Acordamos e quando olhamos pela janelinha da cabana o céu estava incrivelmente azul e o Sol nos abençoando mais uma vez. Inacreditável, pois durante a noite choveu tanto que pensei que o teto não ia aguentar. Amém. Saímos bem cedinho e partimos para o próximo destino a 2048 metros de altitude, a cabana “Waltenberger Haus”. Caminhamos aproximadamente 4 horas, sendo que apenas alguns de nós usou uma hora para subir até o pico mais alto do trekking, o Bockkarkopf (2608m).

Chegando no cume aconteceu algo que é preciso registrar. Quando alguém no Brasil alcança o pico de uma montanha costuma-se vibrar, gritar (“só o cume interessa!!!”), todos se abraçam, pulam, se beijam ou até mesmo “se atracam”, mas estamos na Alemanha e chegamos ao pico com alemães. Chegando no pico eles me deram a mão de maneira bem fria e solene e disseram: “xxxxxx” (….). Fiquei olhando pra cada um que me dava a mão com cara de paisagem e no fim perguntei o que era “aquilo” e ai o Rodrigo me explicou que eles estavam comemorando. Diferenças. Enfim. Ainda bem que existem, caso contrário eu perderia a oportunidade de escrever esse parágrafo. (((-:

A pior parte da trilha pra mim, acreditem, veio após o pico mais alto que alcançamos no trajeto. Era hora de descer. Eu disse DESCER de verdade, numa inclinação de quase 90 graus (exageraaada..) com direito a neve e pedrinhas soltas por todo o trajeto da descida. Os alemães mais espertos e mais familiarizados com neve vestiram algo na região do quadril e foram de “skibunda” ladeira à baixo. Nós brasileiros sem a menor afinidade com neve decidimos ir descendo pelas pedrinhas quando fosse possível, mas, sinceramente, preferia o “skibunda”.

Sai surfando e caindo nas pedrinhas, fora que em um dos trechos rolou um boliche entre eu e o Rodrigo. Eu era a bola e ele o pino. (((-: Adivinha quem se deu mal nessa? O pino!!! Tadinho. Ficou todo machucado, pois eu escorreguei no primeiro trecho de neve e ele estava na minha frente tentando se equilibrar até chegar nas pedrinhas. Saímos os dois escorregando sem freio até as pedras e ele detonou o joelho tadinho! Eu, pra variar, levantei me matando de rir e continuei… caindo até o final! (((-:

Depois de cai, levanta, cai e cai chegamos na cabana (Waltenberger Haus – 1875) a 2048m de altitude. A paisagem daquele lugar faz a gente esquecer qualquer tombo! Uma cabana no meio do tudo, cercada de montanhas e natureza. Um lugar onde todos as coisas necessárias chegam ou de helicóptero ou chegam através de mochileiros que percorrem um longo e difícil caminho carregando aprox. 30kg em suas mochilas. Algo inacreditável quando você conhece a trilha.

A cabana não oferece muito conforto, o que é compreensível considerando o quanto é difícil manter um lugar como esse, totalmente distante e com um caminho só acessível por mochileiros ou pelos ares. Bom, que ficamos sem tomar banho pelo segundo dia consecutivo acredito que não é nenhuma novidade, mas que dormimos um colado no outro por falta de espaço, isso sim é algo que não vamos esquecer nunca, até porque não dormimos. O espaço era tão limitado que dava agonia, mas tenho certeza que alguns espertinhos dormiram “muito bem, obrigado”.

Na cabana avistamos os primeiros animais “selvagens” da viagem. Mas segundo o Rodrigo eles sao criados pelo dono da cabana e pagos pra aparecer todos os dias umas 19 horas para serem fotografados. (((-:

 

Após tirarmos fotos dos chifrudos, ficamos com a galera até a hora de dormir. É bem engracado observar a diferenca entre alemaes e brasileiros que viajam em turma. Os alemaes se sentam na mesa todos juntos, pedem algo pra beber, pegam um livro ou uma revista e ficam ali, sentados juntos como se fossem conversar, lendo sozinhos. Os brasileiros ficam falando besteira, rindo, bebendo pra daná ou até mesmo filosofando sobre o fim do mundo juntos. Ah… e brasileiros jogam, normalmente, truco enquanto os alemaes jovens jogam Super Trumfo de carros ou UNO. Sei que eu e o Rodrigo ficamos lá esperando pintar uma conversa interessante, mas no fim avistamos nossa salvacao: um violao. Sendo assim sentamos em outra mesa e ficamos tocando e cantando MPB sozinhos.

Após uma noite nao dormida, voltamos. Foi uma descida de quase 3 horas com várias travessias em cachoeiras gigantes e com muita água, pois só chove por aqui nesse “bendito” verao europeu. Tinha umas pirambeiras que se neguinha escorregasse já era.

E no meio de tanta travessia de cachoeiras, neve e agregados decidimos adquirir um par de “sticks” pra fazer esses trekkings. No Brasil sempre encontrávamos um cajado no meio do caminho pra ajudar nessas horas, mas aqui nao se encontra cajado dando sopa e até por isso acho que eles decidiram industrializar a bagacinha. Agora entendemos e vamos aderir. Mas SÓ para trilhas em montanhas, pois acho a maior marmota do mundo esse tal de “Nordic Walking”. Sabem o que é isso? É uma modalidade de caminhada, onde se usa sticks para exercitar os bracos durante a caminhada. Um dia discorro sobre o assunto.

Nesse momento fui descoberta aderindo ao movimento. Afff… Ainda bem que nao tenho o menor problema em mudar de opiniao. (((-:

Ups… já ia esquecendo a melhor parte: a vista do banheiro. Já se imaginou “naquele momento” com essa paisagem!?!??! Só Deus mesmo!!!

E pra fechar, ai vai duas fotinhos da gente pra nossas famílias verem que estamos fortinhos e saudáveis!

Mais fotos? Aqui !!!!



jul
16
Sem trabalho e com dinheiro

Sonho? Definitivamente não era o meu.

Estou vivendo essa situação. Não tenho trabalho, mas tenho dinheiro pra ir às compras, fazer cursos e viajar. Não, não tenho uma árvore de dinheiro e nem tampouco ganho dinheiro sorrindo (senão estaria rica!). Meu marido trabalha (e muito) pra nos manter e eu me esforço o máximo para fazer valer a pena pra ele e, lógico, pra mim.

Muitos olham essa situação como um paraíso, mas todos nós sabemos que o paraíso não existe, certo? Seria, caso eu tivesse desejado sempre ficar em casa e levar uma vida de dedicação total a casa e a família. E essa não sou eu. Não tenho ABSOLUTAMENTE nada contra mulheres que tem essa decisão. Hoje até as admiro, pois não acho que seja uma tarefa fácil. Mas pra mim está sendo bem difícil lidar com a falta de um emprego.

Ao mesmo tempo me sinto uma estúpida por não aceitar essa situacão “temporária” e aproveitar meu tempo livre para fazer algo POR MIM. Estou fazendo, mas posso e devo fazer muito mais. Pela primeira vez vejo claramente como é difícil TRABALHAR POR VOCÊ e PRA VOCÊ. Fazemos isso a vida toda pelos outros e quando Deus nos dá a oportunidade de ouro… simplesmente não sabemos o que fazer com ela e acabamos por desperdiçá-la. Isso é ser HUMANO.

Quando estava trabalhando sonhava com o dia em que eu teria a oportunidade de fazer as coisas que eu realmente gosto de fazer por MIM. Ela chegou, mas eu estou reclamando por não ter um trabalho pra poder fazer algo pela SOCIEDADE. E, acreditem, vocês não fariam melhor. Todos me dizem: “Ahhhh se eu tivesse essa oportunidade que você está tendo eu ia me acabar de tanto aproveitar meu tempo livre!”. Utopia. O sonho muitas vezes só é doce enquanto é sonho. Quando ele se torna real você vive tanto a parte boa quanto a parte ruim. Isso é REALIDADE.

Enfim, estou escrevendo sobre essa avalanche de sentimentos somente hoje, pois hoje estou enterrando uma semana dura e triste. Estou enterrando todos pensamentos negativos e auto-destrutivos que tive. Estou enterrando essa necessidade humana de ser somente útil para os outros. Acabou.

Re-Começar. Começo aqui uma nova fase, onde EU sou importante o suficiente pra erguer a cabeça e me satisfazer por ter por onde e pra onde caminhar. Livre. Começo aqui a agradecer (muito mais) todos os dias pela oportunidade e começo aqui a alcançar meus 3.0 com maturidade e atitude. Acreditem: nunca foi tão difícil continuar.

Dias mais difíceis virão e está aqui, nesse momento, a minha chance de ser melhor. E é isso que estou fazendo agora.

Agradeça pelo o que têm, pois se for esperar algo “perfeito” acontecer vai terminar frustrado e infeliz. A perfeiçao não existe no mundo onde vivemos. Ela é o início de um novo caminho que não pertence a quem precisa de ar para viver. É por isso que a buscamos. É o que nos impulsiona até o nosso último suspiro.

A vida não é perfeita e nunca será, mas pode e deve ser vivida com plenitude e alegria. Por isso comece agora, pois ela é longa o suficiente pra te surpreender até o fim.



jul
13
Samba pra europeu dançar…

… e pra me fazer chorar….

http://www.youtube.com/watch?v=IWKhbR33bww

Duas semanas atrás teve uma festa internacional aqui no nosso bairro em Stuttgart (Alemanha). Decidimos ir porque poderia ser interessante poder nos sentir em casa no meio de vários estrangeiros que provavelmente estariam lá. Mas ficou claro pra nós que o que faltou foi brasileiro no pedaço, pois até pra apresentar o NOSSO SAMBA tinha um grupo de dançarinas alemãs, vestidas de dançarinas de can can, dançando uma musica prima gêmea da macarena, cantada em espanhol e ainda acreditando e dizendo que estavam dançando SAMBA. Conseguem imaginar a aberração???? Entendem agora porque o mundo todo ainda acha que falamos espanhol e dançamos mambo????

Maaaaas chegando em casa descobri que a coisa é pior do que imaginava. Descobri esse clip da dita música (em português – aleluia!) e, mais, descobri que essa música está entre as 20 músicas das paradas européias. Mas tem (ufa!) uma boa notícia: apesar de ter sido produzido com brasileiros e no Brasil, a idéia foi de um DJ americano. Ufa! Agora pelo menos consigo dormir mais tranquila.

E querem saber do pior? O pior é que tem muito europeu (desinformado) por ai achando que tá arrasando no samba e prontos pra ir pra “Apoteose”. Bom, pelo menos pensar nisso faz-me rir. (((-:

Lamentável.

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