nov
30
Polônia – Cracóvia e Auschwitz

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A polônia é um país europeu que figura entre os de maior extensão territorial do continente, porém é menor que o estado de Goiás. Possui fronteiras no Mar Báltico (N), com a província Rússia de Kaliningrado e Lituânia (N), com Belarus e Ucrânia (L), com República Tcheca e Eslováquia (S) e Alemanha (O). Uma localização hoje vantajosa por causa do turismo, mas que no passado trouxe muita tristeza e destruição por causa da localização geograficamente estratégica durante as guerras mundiais. Sua capital é Varsóvia e sua moeda o Zloty (zl).

Já foi domínio de países como a Suécia, a Rússia, a Prússia, a Áustria e a Alemanha. Hoje é um país independente e que apresenta uma economia crescente, principalmente após entrar para o bloco da União Européia em 2004. Sua moeda continua a mesma, mas colecionadores devem ir logo, pois o euro chega na Polônia definitivamente em 2011.

Nasceram nesse país o nosso querido e inesquecível João Paulo II, na cidade de Wadowice, e o astrônomo Nicolau Copérnico, nascido em Torún.

E é nesse país que se sente com intensidade o que foi o Holocausto. É aqui, na Polônia onde o homem atuou com o máximo de crueldade que poderia sobre a vida de pessoas inocentes. MAS é também nesse país que existe a cidade de Cracóvia. Uma cidade considerada uma das mais belas da europa. Uma cidade que é viva, que é intacta, pois foi poupada em boa parte durante a guerra. E foi assim que conhecemos a Polônia. Conhecemos a sua beleza e a sua vivacidade com uma juventude que toma as suas ruas, mas também conhecemos seu passado triste e inesquecível de dor, de morte, de tristeza e de injustiças baseadas em estúpidas diferenças raciais.

Mas, mais difícil do que compreender o seu passado, é compreender a sua língua, o polonês. (((-: É verdade! Lembram do post sobre a língua na eslováquia? Pois é, tudo aquilo que disse lá se aplica aqui também, até porque são da mesma família de línguas eslavas. Às vezes me pergunto como é que eles se entendem! (((-:

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E, como se não bastasse ser uma língua incompreensível, é uma língua que pode te levar a “supor” que isso é aquilo e essa suposição pode gerar sérios conflitos existenciais e culturais. Olha isso ai embaixo!

Juro que se não tivesse escrito em inglês logo abaixo eu NUNCA ia adivinhar que “DROGA” em polonês quer dizer “ESTRADA/CAMINHO”! Agora imagina a minha cara quando li a frase “DROGA DO WATYKANU” no país do papa mais amado do mundo??? Afff…

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Andar sem destino e de forma independente tem suas vantagens, pois você se depara com coisas únicas e surpreendentes. Por exemplo, se você é uma daquelas mulheres que viaja e não consegue deixar de ir fazer suas unhas, uma boa notícia: parece que o termo em polonês é o mesmo que em português… bom, isso se nao for mais um falso cognato. 

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Aliás, falando em alegria de ler algo na nossa língua materna, olha o que encontramos nas nossas “perdanças”. Um restaurante brasileirissímo! Mas, desta vez, resistimos à tentação de comer uma bela feijoada para garimpar lugares mais alternativos, mas a cara estava ótima.

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O Sukiennice (Cloth Hall) é um mercado que foi construído nos séculos 13 e 14 em estilo gótico e reformado como renascentista depois de um incêndio no século 16. Hoje é um concentrado de banquinhas que vendem souvenirs, mas que tem uma atmosfera de “camelô europeu”, manja!? Ótimo para comprar tudo em um só lugar!

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A Bazylika Mariacka (Basílica de Santa Maria) é uma construção que representa a discórdia. Olha o tamanho das torres! Vê se tem base! Pois é, a basílica foi construída por dois irmãos e cada um foi responsável pelo projeto de uma torre. Já imaginam, né? O projetista da torre cotoca ficou com inveja e matou seu irmao, o projetista da torre pomposa. Maaaas, depois se arrependeu e “se auto-suicidou-se a si próprio”!!! (assim como eu acabo de fazer com o português..hehehe) Babado, né!? Mas, pra tentar apagar essa lenda, criaram outra mais bunitinha e que, hoje, dá ibope. A cada hora soa um toque de trompete (ou seria uma gravação de um cara soprando a trompa?) vindo das torres gêmeas, pois diz a outra lenda que, uma certa vez, os invasores tártaros estavam se aproximando para invadir a cidade e o trompeteiro de plantão deu um toque de “corram” com a trompeta e o sinal foi interrompido bruscamente quando ele foi atingido pelo inimigo, caindo morto e ficando apenas com a trompeta na mão. Sem graça, mas todos ficam na frente das torres esperando a trompeta soar. Enfim, turismo.

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Não é só o trompete da igreja que faz sucesso por aqui. Aliás, é o que menos faz quando comparado com os pombos fominhas. Se você é daqueles que reclama da quantidade de pombos no Brasil, acorde! Na Polônia eles fazem dinheiro e fotos maravilhosas! Olha a dessa menininha ai embaixo. Tem como achar ruim ver centenas de pombos juntinhos? (((-: Pois é, tem um senhor na praça central de Cracóvia que tem uma banquinha onde ele vende comidinha para os pombos num saquinho. Então é lógico que a quantidade de pombos nesse local específico é ABSURDA!!! São praticamente pombos adestrados e eu acredito que tem alguma substância na comida que ele vende. Por quê!? Porque observamos outras pessoas dando pão, por exemplo, para os pombinhos e eles não davam a mínima e iam voando pra banca do velho.

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Esse “pórtico” se chama Brama Florianska (Portal Florianska) e faz parte da fortaleza medieval Barbakan, que protegia a cidade no passado.

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O que eu mais gostei em Cracóvia foi justamente do que poucos querem ver: casas caindo aos pedaços. ADORO! Penso na seguinte sequência: “europa – coisa velha – buraco – faltando pedaço”. Acompanhou a lógica? Tem tudo a ver essa parede com a história de um país como a Polônia! ADOREI!

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Outra identidade dos polacos é a Vodka e nem os monumentos escapam de beber “umazinha”. (((-: Olha a cara do leão, meu Deus! Tá bom, a do Rodrigo tá muito mais cômica! (((-:

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Bem que eu desconfiava desse leão! Olha o que achamos ali pertinho… Pois é, após uma noite de sábado em Cracóvia você pode até fazer uma coleção de garrafas de Vodka que encontrar nas ruas! (((-: Pena que todas vazias. )))-:

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Na praça central tem uma cabeça-sem-homem que é o maior sucesso! Não tenho a menor idéia de quem fez a escultura e muito menos o que ela representa, mas isso posso imaginar: homem com nada na cabeça. (((-:

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Estávamos nós andando e eu tirando fotos compulsivamente quando de repente eu fiquei totalmente alucinada com uma descoberta: a mulher do algodão doce. Eu NUNCA tinha visto algodão doce pra vender aqui na europa (mas agora tem até aqui em Stuttgart) e me senti, de verdade, uma criança. Não. Eu não gosto de comer algodão doce, mas quando vejo me remete à minha infância e ai lembro do cara que passava na rua vendendo e que as crianças saiam pra comprar e aí … bom, aí eu fico feliz, ué!

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Falando em voltar a ser criança, olha isso! Fala que não dá vontade de voltar a ser criança com uma cena dessas? Eu fiquei lá esperando sair outra bola e outra e outra e, vendo a expressão das criancinhas, vi o quanto é bom ser pequeno de vez em quando. Tá bom… ser MUITO pequeno, ok!? É que tem coisas que ficam numa dimensão tão impressionante e tão encantadora. É tudo tão grandioso e tão mágico. Ai quando você vira adulto você olha pra essa bolha, mas você já sabe como ela feita e parece que ela se torna menor com isso. A mágica some como a bolha: rápido e sem deixar vestígios. Mas eu continuo me encantando e isso prova que eu realmente não cresci tanto assim. (((-:

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Já percebi que é uma prática super comum na europa vender pães em cestinhas na rua, nos parques ou em qualquer lugar público e ao ar livre. Acho uma graça e geralmente são uma delícia (apesar de frios no inverno)!

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O castelo que visitamos, chamado Wawel Castle, tem um monte de lendas (como todos), mas uma que rende muitos euros e muitas fotos é a lenda de um dragão que morava no castelo. Esse até cospe fogo! De verdade! Mas ele só cuspia quando eu me distraia e ai nem rolou aqueeela foto.

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Após conhecer as paradas turistícas mais “top” fomos para uma que, apesar de turística, não é a mais queridinha dos turistas. Estou falando do bairro Kazimierz, ou como é conhecido: o gueto judaico de Cracóvia. Por cerca de 500 anos moraram nesse bairro a maior parte da população judaica da cidade de Cracóvia, mas hoje vivem apenas 200 judeus. E é também nesse bairro onde foi filmado o filme “A lista de Schindler”, mas a fábrica de Schindler não está aberta à visitação, pois hoje é uma fábrica de eletrônicos.

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Na foto abaixo está uma das partes que sobraram do muro que foi construído para isolar esse bairro do resto da cidade. O muro foi construído pelos nazistas e o formato nos remete à construção de um túmulo ao lado do outro. Através dessa construção, os nazistas simplesmente traduzem suas intenções: transformar aquele bairro em um cemitério judeu.

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Para explorar esse bairro é preciso esquecer mapas e seguir sem rumo e sem preconceitos. Chegando lá encontramos esse café judeu. Achei o máximo ver a placa e o cardápio escritos em hebraico.

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Mas esse é um café bem conservador e “normal”. Andando mais e mais e nos enfiando nas vielas do Kazimierz chegamos no pub “Alquimia”. Fomos lá no final da tarde e tomei um chocolate quente divino. Não, NUNCA tomei algo tão cremoso, gostoso e enfeitiçado. A decoração do lugar me lembrou muito os pubs irlandeses. Muitos objetos antigos, móveis de madeira, luz de velas e um relógio que te impossibilita flertar perguntando as horas pra alguém. (((-: (apesar que essa desvantagem o celular já trouxe).

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Ficamos lá e logo o Rô descobriu um porão onde rola show à noite e É LÓGICO que fomos! O lugar é sinixtro. É um porão super pequeno, onde tivemos que esperar até conseguir um lugar pra sentar. Mas mais sinixtro do que o porão do pub foi o som da banda que tocou nesse dia. Qual estilo? TODOS! Sei lá. Eu chamaria de “estilo livre”, pois eram vários instrumentos que tocavam o que queriam e do jeito que queriam. No começo, eu quase tive um treco, pois a falta de compasso e a “des-melodia” começou a mexer com meus “equilibrados” nervos. Mas quando chegou na última música eu percebi que de tanto desencontro é sempre possível encontrar alguma coisa. Eles encontraram uma melodia maravilhosa e pudemos aquietar nossos nervos e aproveitar aquele som mágico e único! Sem esquecer de comentar da única mulher da banda, pois é uma baixista de peso! Detonou! (no bom sentido, claro)

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Bom, após um longo dia de caminhada, pubs e shows decidimos matar o que estava nos matando: a fome. Já tínhamos jantado, mas sabe quando fica faltando alguma coisa? Isso mesmo: gula. Vimos uma fila na frente de uma banquinha que tinha um buraco por onde só dava pra ver a barriga do cara que trabalhava lá dentro. Pensamos: “Hummm… o que será isso? Dever ser bom, afinal ficar na fila nessa friaca tem que ser por algo que vale a pena.” De repente vimos um cara saindo da fila com um pão gigante recheado com algo suculento que parecia ter cebola. Só sei que vimos o cardápio e estava TUDO em polonês. Apuros. Começamos a prestar atenção no que a galera pedia e esperava pra ver o que vinha. Mas todos pediam a mesma coisa e essa coisa não era o que queríamos. No fim, encontramos um item que falava algo como “cebulka”. Bingo! Cebulka SÓ PODE SER CEBOLA! Pedimos e ficamos esperando e rezando. Todos na fila pareciam locais e nos observavam sem parar. Quando chegou… ufa! ACERTAMOS EM CHEIO! Veio exatamente o que queríamos! Saímos rindo e eu pulando que nem uma doida. Até parecia criança ganhando presente no Natal! Todos ficaram nos olhando e, provavelmente, pensando: “De onde vem esses ETs?”.” Mas tenho certeza que pediram o mesmo que o nosso só de inveja da nossa alegria. Nada como ser sabido. (((-: 

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Detalhe: É UMA DELÍCIA!!!!! Chama-se, eu suponho (kkkk), “ZAPIEKANKI”. Se for à Cracóvia não deixe de provar! Muuuuuuito melhor que hot-dog e que o bretzel ou Bratwurst (pao com linguiça) dos alemães!!! Mas muuuuuuito melhor mesmo!

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No outro dia fomos de ônibus para Oswiecim a 75km de Cracóvia. Essa cidade passou a ser conhecida como “Auschwitz” após a implantação dos campos de concentração nazistas, mas seus moradores e os polacos em geral se referem à ela pelo seu nome original: “Oswiecim”. E eu concordo com essa postura. Auschwitz é, graças à Deus, uma página virada na história da Polônia e da humanidade.

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Esse campo de concentração foi criado em 1940 e sua existência durou “apenas” 5 anos. Foi destinado, a princípio, aos prisioneiros políticos polacos, mas com o tempo se transformou em um campo de concentração internacional, recebendo checos, jugoslavos, franceses, austríacos, alemães, prisioneiros de guerra soviéticos e ciganos. Foi um campo criado pelos alemães após incorporar essa cidade ao chamado “Terceiro Reich”, sendo que foi após essa “invasão” que os alemães “mudaram” o nome da cidade para “Auschwitz”.

Chegando lá nos deparamos, como no campo próximo à Berlim, com essa entrada. A frase “Arbeit macht frei” era o lema dos nazistas e significa dizer que o trabalho liberta. Mentira. O trabalho, nesse caso, só trouxe morte.

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O campo de Auschwitz abriga um grande museu nos prédios alojavam prisioneiros, que mostra um lado diferente do que vimos em Berlim. Em Berlim os judeus são tratados e retratados como vítimas. Já nesse museu da Polônia eles contam várias coisas sobre a resistência polonesa e judaica, além é claro da perseguiçao racista empreendida pelos nazistas. Retrata a investida de várias frentes polonesas contra o regime nazista, que tentaram conter o avanço alemao. Um ponto de vista interessante que não tivemos contato nas exposições na Alemanha. Fala também sobre o dia-a-dia dos prisioneiros e as rotinas dos campos de concentraçao, que se transformaram em campos de extermínio.

Para se ter uma extensão do horror dos campos de concentraçao deve-se visitar o outro campo chamado “Birkenau” (ou Auschwitz II). Fica a apenas 2,5km do campo de Auschwitz, e há transporte gratuito entre um campo e outro. Nesse campo é possível ter contato com galpoes intactos onde os prisioneiros, na maioria judeus, eram amontoados, as ruínas de quatro crematórios, câmaras de gás e piras de incineração, cais da estação onde tinham lugar as separações criteriosas dos recém-chegados, lago cheio de cinzas humanas e o “Pavilhão da Morte”. O número de mortos nesses campos é estimado por historiadores em 1,5 milhões de pessas, mas esse número pode ser bem maior. Essa constatação se deve ao fato de que muitos prisioneiros chegavam e já eram enviados para as câmaras de gás sem serem registrados, principalmente mulheres e crianças.

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Esse era o trilho da morte. Era através dele que chegavam os trens com milhares de judeus enganados. Muitos chegavam mortos, pois viajam até 10 dias sem se alimentar. Alguns eram atraídos para essa viagem através de promessas falsas de emprego no leste europeu. Os nazistas fechavam as portas dos trens e só as abriam novamente no inferno (após até 2400km de distância de sua origem).

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Esse era um dos abrigos, onde os prisioneiros defecavam coletivamente. E essa é só uma amostra das condições sub-humanas em que “sobreviveram” os prisioneiros nesses campos nazistas.

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Conhecer o local onde foram mortas mais de 1,5 milhão de pessoas é triste, deprimente e revoltante. Mas, fomos preparados para algo mais chocante e sentimos que não foi tanto assim. Não que sejamos insensíveis, mas já tivemos contato com um campo de concentração próximo à Berlim, o qual (talvez por ter sido o primeiro) nos deixou muito mais chocados e deprimidos. Além disso, a Alemanha tem um arquivo de fotos e vídeos infinitamente maior do que a Polônia (o que é compreensível) e são justamente essas imagens que fazem com que os visitantes sintam um pouco do sofrimento daquelas pessoas. O museu de Auschwitz tem muitas fotos também, mas poucas são tão chocantes quanto as de Berlim.

Mas, de qualquer forma, independente da intensidade do que vimos ou sentimos desta vez, visitar um campo de concentração nazista é sempre um momento que merece nossas reflexões e nosso silêncio pelas vítimas desse período de massacres e de milhares de vidas interrompidas.

Uma história triste, mas que deve ser lembrada. Talvez assim ela não aconteça de novo. Talvez.

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Após um dia de reflexões, é chegada a hora de ir embora. Mais uma despedida. Mais momentos e sentimentos. Um novo horizonte se cria à nossa frente.  

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Entrando no trem acima nos sentimos na classe executiva. Todos passageiros ficam em cabines, ou seja, até mesmo aqueles que compram bilhete para a classe econômica. Um luxo!

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É … nem tanto. Olha o nível do carrinho do cara que passava vendendo drinks e snacks. Era um carrinho de supermercado! No mínimo, se tratando de europa, original. (((-:

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Enfim, conhecemos essa face da Polônia, mas ela tem muito mais a oferecer, e pra todos os gostos. É um lugar interessante de se conhecer, mas eu não classificaria como imprescindível para quem quer fazer um “tour” pela Europa.

Mais fotos aqui !



nov
9
Heimatsehnsucht – Saudades da pátria

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“Heimatsehnsucht” ou “Heimatweh” foi uma das primeiras palavras em alemão que aprendi, pois era o que eu mais dizia quando me perguntavam em alemão sobre meus sentimentos aqui.

Essa palavra literalmente significa “saudades da pátria” ou “saudades de casa”, mas emocionalmente ela significa muito mais do que se pode traduzir.

Ontem passamos a tarde toda com um grupo de alemães mais velhos e minha amiga japonesa (casada com um alemao). Foi uma tarde agradável, afinal estávamos ali para aprender a fazer a legítima comida japonesa. Todas as 9 pessoas que ali estavam já moraram um dia em outro país e todas falaram um pouco sobre essa experiência, tentando, de alguma forma, me incentivar. Mas, de fato, só uma coisa ficou clara pra mim: não importa para qual país você se mude, os problemas e as conquistas são essencialmente as mesmas.

Conheço muitas pessoas que se mudaram para outros países e que dividem das mesmas opiniões sobre  a experiência. Digo isso, pois quando cheguei na Alemanha eu achava que o problema era a Alemanha, mas não é. E também não é um problema, é apenas uma experiência difícil para alguns, cujas raízes são muito presas à terra natal. Isso mesmo. Essa é a minha desvantagem nessa situação específica: ser brasileira demais. E quer saber? Me sinto cada dia mais brasileira. Sim, sou teimosa. (((-:

Mas também existem outros fatores a serem considerados. Penso que a minha situação também dificulta o “desapego”, pois não estou aqui para algo concreto que me possibilite uma certa integração com a cultura ou que me ocupe a mente durante, no mínimo, 8 horas por dia. Desde que cheguei estou fazendo meu caminho dia após dia. Um caminho difícil, pois não vim com vínculo estudantil e muito menos permissão de trabalho. Na verdade estou tentando incansavelmente penetrar na cultura deles por outros meios, mas é uma tarefa que me tira as forças periodicamente. Ontem foi um dos dias que sai daquela reunião germânica sem forças. Só queria ir pra casa, só queria ir pro Brasil.

Sai de lá cansada, pois preciso me esforçar muito para entender tudo que falam e também preciso me esforçar em dobro para me mostrar interessada em conversas que são muitas vezes chatas. Mas a pior parte é o esforço que preciso fazer para me conter, para não ofender, para não “chutar o pau da barraca”. Sim, porque às vezes é o que tenho vontade de fazer. Existem muitos integrantes de países desenvolvidos que são preconceituosos com países em desenvolvimento. Fazem declarações sem perceber que são declarações preconceituosas e que podem nos agredir com tais. Mas “isso” são eles. É cultural. É imbecil, mas é cultural. Não há muito o que fazer, mas eu sou sincera e também não se tem muito a fazer contra isso. (((-: Hoje em dia estou mais controlada, ou seja, filtro o que dizer e quando vale a pena ser dito. Mas dói. Dói quando eu bato de frente com as barreiras culturais e não posso gritar de dor. Aliás, posso. Mas é ignorância minha se eu fizer isso, pois eles não vão mudar só pra me agradar. Eles cresceram numa cultura que diz que os negros são preguiçosos e que quem nasce em países com riquezas naturais não precisa ser inteligente e nem se esforçar pra ser, afinal Deus deu tudo de mão bejada.

É exatamente em momentos como este que entendo o conceito de fronteiras. A tecnologia pode reduzir distâncias entre fronteiras geográficas, mas nada é capaz de aproximar fronteiras sociais e culturais. Nada. Elas existem e só quem se propõe a sair do seu “meio” é que sente que elas existem. E, pra isso, não é preciso sair do país não. Basta sair do seu estado de origem e onde viveu toda a sua infância e adolescência. Você chega e logo percebe que ali não é o ”seu lugar”.

Todos os dias sinto isso. Todos os dia penso nisso. Todos os dias luto contra esse sentimento. Todos os dias me digo: “aqui não e seu lugar, mas é o lugar onde você precisa ficar por enquanto”. E ai sigo em frente. E sei que é possível fazer de qualquer lugar sua casa, mas é preciso não ter nenhuma pré-disposição e, mais, é preciso ter uma certa afinidade com o povo e cultura local. É ai que eu me ferrei, pois a única ligação que tenho com a Alemanha é o sobrenome! (((-:

“Heimatsehnsucht”… significa sentir falta de coisas simples que só se tem quando está no seu país e com sua gente. Nada substitui esses momentos.

Sinto falta da cerveja com os amigos, sinto falta de brincar com minha sobrinha (com a qual mal tive contato desde que nasceu), sinto falta de poder consolar minha irmã mais nova (pois fiquei sabendo que o RBD se separou), sinto falta de poder abraçar minha irmã mais velha pelo seu novo emprego, sinto falta de comemorar com minha mãe suas novas conquistas, sinto falta de brincar com a Fubeca (nosso labrador), sinto falta de comer a esfiha da minha vó paterna, sinto falta de ver meu pai roncando enquanto “assisti” o Jornal Nacional, sinto falta do café-com-leite que só existe na casa dos meus avós maternos, etc. Isso é pra mim hoje sentir “saudades de casa”.

Sim, eu sei de todas as vantagens que essa experiência nos traz e vai nos trazer no futuro. Sei e agradeço todos os dias pela oportunidade. Sei que para grandes conquistas, grandes desafios e grandes perdas são necessários. Sei que poder viajar é uma benção, pois é só atravessando fronteiras que se percebe como o mundo é gigante e perfeito. Sei que conhecer pessoas de culturas diferentes é mágico, pois quebra todos seus pré-conceitos e fantasias criadas pela ignorância e arrogância da sociedade.

Mas o que EU SEI MESMO é que a melhor viagem que existe é aquela que nos leva pra casa. Aquela que me leva para o Brasil. Aquela que me leva pra minha pátria amada. Aquela que me leva pra vocês.

Saudades.



nov
3
TestDaf – Teste de Proficiência na língua alemã

(O caminho é o objetivo)

Fiz. Passei, mas isso não foi suficiente. (((-:

Fiz esse teste pela primeira vez, após quase um ano e meio morando na Alemanha, no dia 23 de setembro desse ano e hoje tomei conhecimento do resultado obtido. Um resultado bom e satisfatório, mas, ainda sim, insuficiente para ingressar no mestrado que quero.

Explico. Esse teste está para a língua alemã, assim como o Toefl está para a língua inglesa americana. É um teste solicitado pelas universidades alemãs para que elas tenham uma idéia do nível de conhecimento da língua alemã dos alunos candidatos. Nessa prova são testadas quatro habilidades específicas na língua de uma forma intensiva e, eu diria, até desumana (quase 4 horas de prova em um único dia). As habilidades são as seguintes: conversação (prova dividida em 7 partes – 30min.); compreensão auditiva (prova dividida em 3 partes – 40min.); compreensão de texto (prova dividida em 3 partes – 60min.) e redação (60min. – mínimo 270 palavras - interpretação de gráfico).

Para cada habilidade é dada uma nota que vai de “abaixo de 3″ (unter 3) até 5. Se você tirar abaixo de 3 significa que você não está apto na habilidade relacionada, se tirar 3 sua habilidade é satisfatória, se tirar 4 sua habilidade é tida como boa e se tirar 5 em todas habilidades é praticamente um alemão, faltando apenas começar a usar papete com meia. (((-:

Eu tirei em quase tudo 4, obtendo apenas um 3 na redação (que pra mim é um notão!). Com esse resultado eu, pessoalmente, estou mais do que satisfeita e orgulhosa do meu desempenho numa primeira tentativa, mas no mestrado que vou me inscrever em janeiro eles pedem notas que estejam entre 4 e 5. Resumindo, terei que fazer TUDO de novo para tentar alcançar esse pré-requisito.

Fazer não é o problema. O problema é que para cada tentativa são 150 euros que se vão e isso me dá uma raaaaaiva. (((-:

Não concordo com o sistema e muito menos com a forma de aplicação da prova. Quase 4 horas de prova é muito tempo, o que te prejudica muitas vezes devido ao cansaço e não por falta de habilidade. E ter que fazer tudo de novo, sendo que eu só não tirei a nota necessária em uma habilidade é um absurdo desnecessário.

E, como se não bastassem esses pontos negativos, tem um outro fator que é o pior: o prazo de entrega do resultado. Fiz a prova dia 23 de setembro e recebi o resultado hoje (3 de novembro), mas o prazo para me inscrever para a próxima tentativa acabou muito antes de eu saber se eu precisaria fazer novamente ou não. Eu já me inscrevi para a próxima prova que é dia 13 de novembro, mas se CASO eu tivesse alcançado meu objetivo no dia 23 de setembro, eu teria pago 150 euros sem a menor necessidade.

Mas, apesar de tudo de ruim que existe no processo como um todo, estou HOJE feliz com o resultado e espero que dia 13 de novembro eu consigo alcançar, no mínimo, nota 4 em todas as habilidades, inclusive na redaçao. E se eu não conseguir? Bom, se eu não conseguir dessa vez vou esperar a resposta do mestrado e, se eles disserem que o único pré-requisito que falta é o TestDaf com notas entre 4 e 5, então eu farei novamente quantas vezes forem necessárias. Mas, caso eles me digam que existem outros pré-requisitos que eu não preencho, ai jogo a toalha e espero até a hora de, enfim, voltar pra casa com o sentimento de ter feito e alcançado o melhor que me foi permitido.

No mais só tenho que agradecer àqueles, especialmente e eternamente ao meu marido maravilhoso, que depositaram em mim confiança, acreditando que eu conseguiria alcançar esse objetivo básico para quem se propoe a morar na Alemanha. Foi um ano e meio de horas e muitos euros investidos, mas valeu a pena e é esse sentimento que importa!

Obrigada e continuem na torcida, pois vou sempre precisar! (((-:

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