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24
MADE IN BRAZIL – Depilacao À BRASILEIRA no exterior

Agora que estou tendo uma vida mais ativa aqui na Alemanha, ou seja, convivendo todo santo dia com a cultura local de verdade e intensamente, ando ouvindo muito sobre a  opiniao dos alemaes e dos estrangeiros sobre nós, os brasileiros. No geral eles nos veem como um povo alegre, fácil de se socializar (até demais), escandaloso (disseram que somos os mais barulhentos do mundo, até mais do que os italianos, pode?) e que as mulheres brasileiras sao as que mais falam no mundo (sério? hahaha). Pois é, tive que ouvir essas coisas várias vezes e tô até acostumada agora.

Mas uma coisa que ouvi, me fez rir muito depois de conseguir, a muito custo, entender o que a minha colega estava dizendo. Um dia saímos na hora do intervalo e fomos no refeitório pra tomar um café, ou seja, uma coisa já de rotina. Chegando lá, cada uma de nós pegou um café e sentamos juntas numa mesinha pra papear até a hora de voltar pra “tortura” (afinal aula em alemao nao é, acreditem, meu passatempo predileto). Éramos seis mulheres de diversos países: Brasil, Equador, Albânia, China, Cazaquistao e Egito. Elas tinham me perguntado alguma coisa sobre o Brasil e conversa vai, conversa vem, eis que comeca um diálogo bem interessante entre eu e a mulher do Cazaquistao.

Ela me perguntou toda cerimoniosa: “Posso te fazer uma pergunta um pouco intíma?” e eu respondi sem pensar: “Lógico!”. Entao ela me perguntou o que queria saber, mas usando “meias palavras” e eu nao conseguia entender o que ela queria dizer, eu só tinha entendido que era alguma coisa do Brasil que se fazia no exterior e que tinha a ver com “a perseguida”. Mas ficamos, sem brincadeira, 5 minutos brincando de adivinhacao (eu e as outras meninas) pra tentar descobrir sobre o que a mulher estava falando. Eis que em algum momento a equatoriana comeca a entender e pergunta pra ela: “Você está falando sobre alguma coisa relacionada à mulher e sobre usar biquini?”. E ai, apesar da pergunta também estranha e indireta, ela disse: “SIIIIMMM!”. Foi quando eu juntei “Brasil-Biquini-Perseguida” e cheguei à conclusao de que ela estava falando de …. DEPILACAO! Affff…

Tá, o que ela queria saber? Ela queria saber se era verdade que a mulher brasileira depila TUDO. Eu me matei de rir com a pergunta, pois foi ali que percebi como todo mundo generaliza tudo. Expliquei pra ela que, existem sim mulheres no Brasil que depilam TUDO, mas nao sei se sao a maioria. Disse que acho que  a maioria que depila, depila e deixa um “bigode estilo Hitler”. Bom, nem preciso dizer que elas se mataram de rir com isso, né!? (((-:

E no fim de todo esse caos comunicativo, ela me explicou que tanto no país dela, quanto no país de várias conhecidas existe uma forma de depilar super famosa que chama “Depilacao à Brasileira” (Brazilian Wax) e ai todas as meninas concordaram e disseram que tem mesmo em tudo quanto é país já. Se eu já sabia? Meio que sim, pois uma outra colega minha aqui também já tinha me perguntado sobre nossa forma de depilar, mas eu nao sabia que a coisa ERA TAO FAMOSA.

E a coisa tá tao famosa que anda até criando confusao mundo à fora. Acabei de ler um caso na internet, contando sobre brasileiras donas de salões de depilação em Nova Jersey, nos Estados Unidos, que declararam “guerra” ao governo local. Isso porque o Estado de Nova Jersey proibiu a depilação genital completa, a tal depilação “à brasileira”. Segundo uma delas, o problema é que a comunidade tupiniquim acaba sendo prejudicada por algumas norte-americanas que se aventuram a fazer a depilação à brasileira e acabaram prejudicando algumas clientes. Eu hein.

Pois é, sempre que conhecer uma estrangeira e ela ficar te fitando e te medindo, pode acreditar: ela está tentando imaginar se a sua também é peladinha. ((((-:



mai
22
EXPATRIADOS – Sentimento de nao "pertencer"

Já fazem alguns meses que estou para escrever sobre isso, mas hoje acordei com uma tristezinha chata que virou um rio de lágrimas, ou seja, se transbordou, já passou da hora de dividir o que estou sentindo.

Nessa situacao de estar vivendo fora do nosso país, conhecemos vários perfis de pessoas. Aqui na Alemanha já conheci gente dos mais diversos países, das mais diversas origens, das mais diversas culturas e com as mais diversas histórias de vida. Por sermos estrangeiros dentro da Alemanha, sempre acabamos ficando próximos, pois sentimos que um entende o outro e, logo, sempre discutimos sobre a situacao de estar vivendo numa cultura diferente da nossa.

Tomando como base esse grupo de aprox. 100 pessoas estrangeiras (inclusive brasileiros) que conheci até agora, subdividiria este em algumas categorias: estrangeiros que se sentem melhor aqui do que no país de origem; estrangeiros que nao veem a hora de voltar para seu povo e sua cultura; estrangeiros que nem gostam tanto assim do novo país, mas ainda sim conseguem viver bem; estrangeiros que gostam de qualquer lugar no mundo mais do que o próprio país e que o que mais fazem é criticar o país de origem e exaltar o país onde vivem atualmente; estrangeiros que odeiam “ter” que ficar fora do próprio país e como forma de “desabafo” gastam todos os seus dias xingando a cultura local do país onde está “aprisionado”; estrangeiros que amam o país de origem, mas que procuram aguentar a barra de morar fora por estarem buscando crescimento pessoal, através da oportunidade de terem contato com diversas culturas mundiais; estrangeiros que nao pensam em nada, a nao ser em ter status e ai nao importa onde moram ou de onde venham, o que importa é poder “ter” algo a mais para mostrar como vantagem em relacao ao que outras pessoas tem.

Isso pra tentar mostrar que as pessoas estao aqui por diferentes motivos e muitas querem ir embora também por diferentes motivos. Quem está certo? Quem está errado? NINGUÉM ESTÁ CERTO E NINGUÉM ESTÁ ERRADO. Sao apenas pontos de vista diferentes. Sao apenas histórias de vida diferentes. Sao apenas NECESSIDADES diferentes.

Em qual grupo eu me encontro? Pois é, é por isso que ando refletindo muito, pois fico procurando entender o que tanto me incomoda e que me faz querer voltar para o Brasil. Todo mundo que conheco me pergunta isso, principalmente os alemaes. Essa semana 5 alemaes me perguntaram se eu queria voltar para o Brasil e quando eu respondi que é LÓGICO que sim, eles me perguntaram com surpresa: “Mas POR QUÊ?????”. O que respondi? Ora porque, porque eu AMO meu país, amo as pessoas que lá conheci, amo nossa cultura, amo nossa alegria, nossa garra e, acima de tudo, amo ser brasileira. Tenho orgulho de verdade! Mas eu nao disse o principal motivo: quero voltar porque lá eu sinto que eu “pertenço” e eu, Maira, tenho essa necessidade, a necessidade de pertencer, de sentir que faço parte e que faço diferença. Aqui eu sou e sempre serei estrangeira e hoje acordei cansada de ser estrangeira. De tempos em tempos canso. Depois sigo em frente e tento abstrair pra sobreviver, mas esse sentimento sempre volta.

Quando você acha que acabou, aparece mais alguém te lembrando que você nao é daqui, te perguntando sobre sua cultura, comparando seu país com o dele e vice-versa. No comeco é interessante, mas com o tempo e com as inúmeras vezes que isso acontece, irrita. Eu nao aguento mais explicar sempre todas as mesmas histórias, nao aguento mais ouvir sempre as mesmas perguntas, nao aguento mais ter que lidar sempre com a mesma arrogância européia. Cansa. Cansa saber que nao importa o que você diga ou o que você faca, eles jamais irao te entender, pois eles nao nasceram na mesma cultura que você e vice-versa. Você pode sim e deve simplesmente aceitar que as coisas sao como sao e ponto, pois entender mesmo, só quem ali nasceu ou desde crianca ali viveu. Nao tem outro jeito. Você nao entende, porque você nao pertence. Mas é preciso aprender a aceitar.

Pelo menos é isso que tento todos os dias, tento ouvir o que eles dizem e filtrar. Sim, a gente tem muito que aprender com as outras culturas, mas eles TAMBÉM tem muito o que aprender com a gente, podem ter certeza. E nao importa pra qual país se vá, os problemas sao sempre parecidos. As dificuldades, as tristezas, as alegrias, sao muito, muito parecidas mesmo. Isso porque o problema nao está no que te agrada ou nao na cultura local, mas sim no fato de que você “nao pertence” àquele lugar, àquela cultura. É isso. Simplesmente isso.

Agora, se você mora em outro país e nao sente isso, “go ahead”! Bom pra você, mas nem por isso você é melhor que ninguém. A única diferenca entre você e as pessoas que querem voltar “pra casa” é que vocês tem NECESSIDADES diferentes. Só isso, portanto respeite.

Querer pertencer nao é pecado, é ser humano e é a esse grupo que pertenço: o grupo de estrangeiros que sente a necessidade de pertencer.



mai
16
FESTA – Frühlingsfest 2009 em Stuttgart

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Dia 11 de abril comecou a “Festa da Primavera” aqui em Stuttgart e terminou dia 03 de maio. Eu e o Rô já fomos duas vezes e sempre foi maravilhoso. É uma festa super famosa por aqui, no estilo da Oktoberfest em Munique, mas em pequena escala. Qual é “a boa” nessa festa? Beber e cair. Nao preciso nem dizer que se a Alemanha fosse sempre assim, eu morava aqui fácil, fácil, né!? (((-:

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Dessa vez fui com uns amigos, mas sem o Rô, que já tinha planejado ir esquiar com os colegas da empresa dele lááá na Áustria. E é SÓ POR ISSO que nao posso dizer que foi PERFEITO, pois realmente faltou ele. Tchu-ru-ru-ru. (((-:

Além da festa em si já ser motivo de alegria, eu tinha um outro motivo que nao pude esconder: ser torcedora do Corinthians!!! Vi alguns indivíduos me olhando torto, mas nem liguei, pois tenho certeza que eram Sao Paulinos. Tadinhos. (((-: Em compensacao, arrumei pra minha cabeca com um italiano que reconheceu o símbolo e “colou” em mim. Affff… Logo que chegamos na mesa, ele veio perguntando que time era e ai quando falei o nome ele disse: “Ah! Selecao!”. Pensei: “Que cara mais esclarecido”. Mas depois disso ele voltou na mesa umas 2 vezes só pra brindar comigo, pode!? Ai pensei: “Que cara esclarecido mais chato!”. Só sei que ele deve ter percebido pelas minhas caras que eu nao estava curtindo aquele vai-e-vem e ai foi. Ainda bem. O cara era italiano, mas parecia o Maradona. Sai pra lá jacaré! (((-: Maaaas ainda bem que ainda existem italianos loucos, mas indispensáveis na bagunca, como o que está na foto abaixo. Esse é pinéuzinho! (((-:

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O mais legal, pra mim, foi que pela primeira vez eu consegui entender muitas coisas que eles cantavam, gritavam ou falavam em alemao. Além disso, tivemos MUITA sorte com nossos vizinhos de mesa, pois eles eram muito show e, o melhor, alemaes da regiao mesmo. É LÓGICO que dei meu cartao pra dois deles, pois “networking” é tudo, minha gente! Na verdade, acabei dando meu cartao, pois quando falamos que éramos do Brasil eles ficaram todos empolgados e um deles já tem até viagem planejada pra lá. Ai é lógico que me ofereci pra dar dicas e tudo mais que eles precisarem. Agora é só torcer pra eles nao serem assaltados. (((-:

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A única coisa ruim, foram nossos colegas da mesa de trás. Um bando de moleques que encheram a cara e acharam que eram o Super-Homem, pois mesmo caindo de bêbados, continuaram insistindo em ficar dancando em cima da cadeira. É lógico que cairam em cima da gente várias vezes e eu até bati boca com um dos folgadoes que decidiu apoiar um dos pés no nosso banco. Delícia saber falar alemao nessas horas! Soltei vários: “Achtung!” (Atencao!) e outros tantos “Vorsicht!” (Cuidado!). Eu lavo a alma nessas horas. (((-:

Uma outra situacao merece destaque. Quando chegamos tinha um cara sentado SOZINHO numa mesa pra 10 e quando perguntamos se tinha lugar livre, ele disse que nao, que estava esperando uma galera. Mas no mesmo momento, os nossos amigos que estavam na ponta da mesa, disseram que podíamos sentar na mesa onde eles estavam. Bom, ignoramos o bonitao e sentamos na mesa que era grudada na dele, mesmo contra a vontade dele. Depois chegou uma fulaninha amiga dele e mais tarde chegaram vários amigos deles que tiveram que se expremer, porque naquela altura do campeonato já “tava tudo dominado”. Quando a banda comecou a tocar, a galera foi a loucura e nós, impulsionados pela massa, nao esperamos muito e subimos nas cadeiras pra entrar na danca. A tal fulaninha comecou a dancar, como se estivesse num clube de striptease. Nao, vocês nao tem nocao do nível da danca da garota. E, é lógico, que a gente comecou a fazer palhacada imitando ela e zuando com a cara dela, porque estava DE-MAIS. E quem imitou ela melhor foi um dos nossos amigos. Ele parecia um verdadeiro “go-go-boy”. (((-:

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De repente, a “perva” puxou papo com um dos nossos amigos e contou pra ele que morou 10 meses em Sao Paulo. Que????? Pois é. Na hora que ficamos sabendo, a gente nao sabia se ria ou se chorava, pois já supomos que ela tinha entendido tudo que falamos e essa situacao é o Ó. Mas, sem crise, gracas a Deus ela é sexy, mas é lenta e nao entendeu nada. (((-:

Só sei que rimos muito. O banco que eu estava entao parecia que estava sendo assolado por terremotos de 5 graus na Escala Richter. Sério! É que duas das nossas novas amigas, sao amigas de “peso”, entende? E ai quando as bichinhas resolviam pular, era uma coisa. Mas foi bom, deu uma certa emocao, pois tínhamos que dancar, cantar, fotografar, beber, balancar e nao cair. (((-:

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E o melhor da festa é o servico de “Bafômetro Delivery”. Sempre tem várias pessoas vestidas de policial, circulando na festa com um bafômetro na mao. Se você quiser saber se o nível de álcool no seu sangue (ou o nível de sangue no seu álcool) ainda está dentro do limite pra que você possa dirigir é só chamar uma destas pessoas, pagar acho que 1 euro e dar uma baforado no bichinho. Segundo minha colega fofa, o limite é de 0,5% e um dos amigos dela atingiu até a hora que fomos embora 1,6%. Tava bem, bem calibrado. (((-: Mas eles tinham ido de trem, entao, sem problemas.

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Bom, nem preciso dizer que essa festa foi só um “aquecimento” para a Oktoberfest que desse ano nao passa! AMEIIII turma! Munique aqui vamos nós… seguuuuuuuuuuuuuuura! (((-:

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