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REFLETINDO – A inveja me acompanha

Se tem uma coisa que nao mudou desde que me conheco por gente é a quantidade de pessoa invejosa que aparece na minha vida, seja do Brasil ou do estrangeiro. Isso me irrita e, pior, muitas delas sao pessoas que simplesmente adoro e sei que também gostam de mim, mas POR DEUS como minha felicidade e alegria exacerbada incomodam. Sao pessoas que, quando percebem que você está em evidência, comecam a tentar te ridicularizar na frente de todos ou ficam buscando incansavelmente um ponto fraco pra te deixar sem graca ou pra te tirar do teu centro.

No comeco eu sempre procuro manter mais “a pose”, mas existe um limite e quando esse chega, chegam também as verdades e ai eu abro a boca mesmo. ODEIO ter que fazer isso, pois ODEIO conviver com pessoas que nao sabem se divertir rindo das mesmas coisas, elas se divertem rindo um da cara do outro o TEMPO TODO e, muitas vezes, rindo da ridicularizacao do outro. Sim, quem me conhece sabe que já tive essa fase e acredito que muitos temos, mas preulaquepartiu, nós temos que amadurecer e entender que esse tipo de comportamente é infantil, agressivo e desagradável. Lógico que rir do outro é normal, mas acredito que é preciso bom senso para medir a agressividade da brincadeira e até mesmo para perceber se isso é a única coisa que te diverte, pois se for, acorde antes que termine sozinho.

E o pior é que essas pessoas tem reacoes quando me veem muito feliz que demonstram claramente esse incômodo e eu procuro sempre nao deixar com que essas reacoes me criem bloqueios, pois é isso que essas pessoas buscam e é isso, leiam bem,  que EU NAO VOU DAR.

Sou exagerada (com E maiúsculo). Sou escandalosa (daquele tipo que todo mundo manda diminuir os decibéis). Sou “boca-dura” (desculpa mae, mas ainda nao consegui mudar muito isso…hahaha). Sou sincera (cada dia mais, sorry). Sou palhaca. Sou intensa (e como!). Sou “senhora de opiniao” sim (tenho opiniao formada sobre quase tudo e nao me intimido em dizer, mesmo que vá contrariar a tudo e a todos). Sou reservada (sim, percebam que hoje em dia falo e escrevo muito, mas exponho minha vida íntima cada dia menos, pois aprendi que quem fala e mostra muito além do necessário, pouco faz e tem e, na maioria das vezes, está com problema de auto-afirmacao, algo que eu já resolvi na minha vida – hoje procuro falar muito quando quero ajudar alguém, mas sobre mim e sobre o que estou sentindo pouco se ouve).

Sou tudo isso sem precisar beber (ao contrário do que muita gente AME pensar e dizer) ou me drogar, pois quem me conhece sabe que sóbria sou MUITO MELHOR, afinal quando bebo muito falo mole e logo durmo nem que seja em pé.

Enfim, te incomodo? Entao sinto em lhe dizer, mas o problema está com você e nao comigo. ((((-:



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MADE IN GERMANY – Cortador de maçã com estilo

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Desde que cheguei na Alemanha, sempre adorei ficar fucando nos supermercados e lojinhas de 1,99 EUROS pra achar aquelas coisas que ninguém, definitivamente, precisa. ADORO! Mas adoro ver, saber que existe e rir da capacidade criativa dos caras que desenvolvem essas coisas e rir muito mais só de imaginar o perfil dos compradores potenciais.

Mas, tem algumas coisas que, apesar de nao necessárias, se fazem tal naqueles momentos de insanidade mental. Uma dessas coisas foi esse cortador de maca abaixo. É fofo e super prático! Sei, sei que tem cortador assim também no Brasil, mas nao achei nenhum que já viesse com propósito tao explícito. (((-:

Eu nao amo maca, mas como aqui maca é uma das únicas frutas que é boa o ano todo e também demora mais para estragar, sempre compramos. Mas dá uma preguiiiiiiiiica de comer e ter que ficar segurando o miolo até acabar, que elas acabam sempre estragando. Maaaaaaas meus problemas acabaram gracas à essa “magavilha”!

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A única coisa que me preocupa quando compro coisas assim é o processo evolutivo da humanidade, pois se continuarmos inventando coisas que fazem a vida mais fácil, diminuindo a necessidade de fazermos forca ou esforco físico, sinto que vamos logo logo voltar a andar de quatro. (((-:



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TEMPO – Um texto por mais um ano

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Dia 01 de agosto de 1978 nasce essa criatura que vos escreve, ou seja, completei há alguns dias 31 anos de muita vida. Se mudou muito coisa do último ano pra cá? Mudou e mudou MUITO. Só quem se propoe a viver intensamente, sabe do que um ano é capaz, ou melhor, sabe o valor de cada minuto e o potencial que cada segundo tem de mudar sua vida.

Sim, continuo com um espírito jovem, guerreiro e brincalhao, mas mudei e amadureci muito naquilo que nao se vê de fora. Somente as pessoas que se propoem a olhar além daquilo que veem é que percebem o quanto mudei e essas, infelizmente, sao poucas. A maioria das pessoas (principalmente hoje em dia) tem pressa e a pressa nos leva a viver na superfície. Poucos se preocupam em discutir coisas mais profundamente ou em conhecer pessoas além do necessário. É triste, mas é a nossa atualidade. Eu poderia chegar aos 31 desanimada com tanta superficialidade e com tanto desperdício, mas nao, me sinto pronta pra ajudar a mudar isso. Como? Simplesmente dividindo o que penso como alguém que já viveu muita coisa e que sabe do que está falando.

Hoje em dia nao sou mais alguém que imagina que isso é isso e aquilo é aquilo. Hoje em dia sou uma mulher que brinca de ser crianca, mas que é uma mulher. Sou alguém que sempre buscou cultivar momentos e pessoas e que hoje se vê preparada para ajudar a mudar efetivamente coisas maiores. Venho nesses 31 anos adquirindo ferramentas para trabalhar em novos projetos de vida e para adquirir muitas delas tive que me machucar, mas consegui e hoje posso usá-las para tentar evitar com que outros se machuquem.

Nunca me senti tao segura do que quero e do que nao quero pra mim. Nunca me senti tao preparada para viver tudo que é essencial e deixar o superficial para àqueles que amam justificar sua pressa, baseando-se num tempo que, na verdade, nao existe, mas que nós criamos. Aliás, cada dia mais percebo quantas amarras a humanidade cria todos os dias, fazendo da vida algo difícil e engessado, quando deveria ser algo simples e móvel. Criamos o tempo, para justificar o porquê nao fizemos tudo que poderíamos e deveríamos ter feito. Mas o tempo é, como tudo, relativo e é nesse fato que nossa desculpa de falta de tempo perde sentido.

Cansei do supérfulo, cansei do superficial, cansei do vazio. A cada ano só aumenta mais minha vontade de buscar o que preenche, o que completa, o que enriquece e o que me apetece. Nao, nao cansei de gente, cansei de gente que aparece grande, mas que dentro é vazia. Cansei de experiências que oferecem tudo que eu, definitivamente, nao preciso. Cansei de perder tempo com aquilo que merece pouco ou nenhum segundo de atencao. Cansei de olhar a vida apenas com os olhos e com as maos, decidi seguir apenas energias. Cansei de coisas que cansam, buscarei apenas o que alimenta. Enfim, aqui comeca um novo ciclo. E, pra iniciar esse novo ciclo, segue um texto que vi no blog da Sandra de Rubem Alves. Um texto que traduz exatamente o que sinto nesse momento.

O  tempo e as jabuticabas – Rubem Alves

‘Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora (essa parte eu pulo..hehehe). Sinto-me como aquela menina que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ela chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço. Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte. Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não quero que me convidem para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milênio. Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos. Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos. Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de ‘confrontação’, onde ‘tiramos fatos a limpo’. Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral. Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: ‘as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos’. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa… Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado do que é justo. Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo.’ O essencial faz a vida valer a pena.

*** E aqui mais uma „canja“ do trabalho dele:

“O que é que se encontra no início? O jardim ou o jardineiro? É o jardineiro. Havendo um jardineiro, mais cedo ou mais tarde um jardim aparecerá. Mas, havendo um jardim sem jardineiro, mais cedo ou mais tarde ele desaparecerá. O que é um jardineiro? Uma pessoa cujo pensamento está cheio de jardins. O que faz um jardim são os pensamentos do jardineiro. O que faz um povo são os pensamentos daqueles que o compõem.” Rubem Alves, 2002

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