out
31
CULTURA "ALEMA" – Halloween

suesses-oder-saures

Passada a fase da choradeira, é hora de espantar os pensamentos negativos com muito terror adocicado. Isso mesmo, é hora de falar sobre o “Halloween” aqui na Alemanha.

A tradicao do “Halloween” vem na verdade da Irlanda e foi introduzida nos EUA beeeem depois pelos próprios irlandeses (leia mais sobre as origens aqui) e, a cada ano que passa, essa tradicao também fica mais forte aqui na Alemanha.

Hoje é o dia de “Halloween” e, assim como no ano passado, algumas criancas fantasiadas (4) bateram na nossa porta (foto abaixo apenas ilustrativa) perguntando com aqueles olhinhos bem sapecas: “Süßes oder Saures?” (Doces ou travessuras?). É lógico que como boas almas demos docinhos para as pestinhas, até porque as maes estavam logo atrás delas, pois elas eram realmente muito novinhas. Além disso, raramente a nossa campainha toca sem estarmos esperando por isso, ou seja, mais um motivo pra presentearmos as pestinhas e ficarmos felizes com essa visita “estranhamente” espontânea em plena “Deutschland”. Pois é, quem mora aqui sabe do que estou falando, né!? (((-:

Maaas esse costume de bater de porta em porta aqui na Alemanha nao é tao comum e, por isso, existem muitas festas em locais fechados para festejar tal data. Em Darmstadt existe uma que reúne (segundo fontes na net) até 20.000 pessoas no “Burg Frankenstein“. Sinixxxtro!

hw09_plan

O mais comum mesmo por aqui sao as decoracoes na frente das casas. Aliás, já falei que alemao AMA decorar a casa, ou seja, mais uma característica que eu tenho em comum com esse povo. AMO!!!! Pra terem uma idéia de como os moradores se empenham nessa festividade, os lucros gerados no comércio na época de Halloween só sao superados pelos lucros gerados no Natal. Assustador!

Mas e no Brasil? Bom, no Brasil eu acho que Halloween nao pegou, nao pega e nao vai pegar. Lembro quando era adolescente de ter ido em uma festa de Halloween em uma escola de inglês e só. Sei lá, acho que esse tipo de festa nao tem nada a ver com o Brasil e, sinceramente, nunca senti a menor falta de tal tradicao.

E ai “Süßes oder Saures”??? (((-:



out
29
SENTIMENTOS – Saudades do português

Agora sao 14:15 horas da tarde aqui na Alemanha e eu deveria ainda estar na Uni, mas, adivinhem, nao estou. Fui, aguentei a aula de Direito até onde pude e, após passar do meu limite, decidi vir embora sem peso na consciência, mas com uma dor intensa no coracao.

Por quê? Porque todos os dias tento suportar o fato de nao entender 100% do que é dito nas aulas do meu MBA. Sim, até agora consegui passar em todas matérias e isso, se depender da minha forca de vontade nata, nao vai mudar. Mas tem dias (como hoje) que eu lembro que sou humana e nao a mulher maravilha. Chega um momento após 5 horas ouvindo algo que você simplesmente nao compreende, que você simplesmente desiste. Sao horas sentada ali com cara de quem tá com diarréia; vendo todo mundo rir de algo que você nao faz a menor idéia do que é; vendo todo mundo procurando alguma informacao no material didático e que você também nao faz a menor idéia o que é que eles tanto procuram; vendo que no trabalho em grupo sua colega do lado simplesmente vira às costas para você (detalhe, você está no grupo dela), pois sabe que você precisa de no mínimo mais 15 minutos pra conseguir entender as palavras mais básicas pra ela, ou seja, com certeza você nao vai saber a resposta que o grupo precisa dar; sao horas onde você se pergunta a cada minuto: “O que é que eu ainda estou fazendo sentada aqui?”. Pois bem, hoje depois de 5 horas vivendo isso pela enésima vez, decidi espontaneamente levantar e ir embora. Segunda-feira vou passar pela mesma coisa, mas pelo menos vou ter 3 dias pra traduzir todas palavras que preciso traduzir para, pelo menos, entender porque estarei sentada lá de novo.

E quando esse sentimento fica como hoje à flor da pele (sim, porque existir ele existe todos os dias desde que comecei esse MBA), sinto falta dela: da língua portuguesa. Sinto falta de ouvir, de ler e de escrever em português mais intensamente. Sinto falta da musicalidade. Sinto falta de me expressar na minha língua materna. Sinto falta de ler e só ter que entender o conteúdo, nao os significados. Sinto falta até mesmo das minhas aulas de português com a Profa. Nancy e depois com a Profa. Marleide. Ai que saudades! Meu Deus que saudades de ser compreendida e compreender tudo todos os dias! (pelo menos no que diz respeito à língua…rs)

Sendo assim, como nao podia deixar de ser, decidi saber o que dizem os poetas sobre nossa língua portuguesa. Acreditem, quando li a análise do poema abaixo “Língua Portuguesa” de Olavo Bilac, chorei e, dá um desconto, ainda estou chorando (se tivesse lido só o poema, sem a análise, teria chorado por nao entender nem mesmo português…rs). Mas me pergunto: “Será que se eu nao estivesse vivendo esse “conflito” linguístico, eu choraria lendo um poema que fala sobre a língua portuguesa?”. Acho que nao. Por isso, mais uma vez, agradeco à Deus por me por em mais uma situacao transformadora e enriquecedora, mesmo que extremamente difícil e desgastante. Viver é ajustar nossas lentes constantemente, buscando sempre novos pontos de vista.

Nossa língua portuguesa é MARAVILHOSA. Acreditem! E nao é só porque eu sou brasileira nao, muitas pessoas de outras nacionalidades que me ouviram falando português, disseram que é delicioso ouvir a gente falando português. Ou seja, falem bem ou mal dos “invasores” portugueses, mas ninguém pode negar que esse legado foi um presente. Um presente que nós, brasileiros, otimizamos e embelezamos. (((-:

Saudades de você minha querida e insubstituível “Língua Portuguesa”!!!! )))-:

“LÍNGUA PORTUGUESA” Olavo Bilac (1865 – 1918)

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela…

Amote assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

Em que da voz materna ouvi: “meu filho!”
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

Análise do poema por Paula Perin dos Santos:

“No poema Língua Portuguesa, o autor parnasiano Olavo Bilac faz uma abordagem sobre o histórico da língua portuguesa, tema já tratado por Camões. Este poema inspirou outras abordagens, como o poema “Língua”, de Gilberto Mendonça e “Língua Portuguesa”, de Caetano Veloso.

Esta história é contada em catorze versos, distribuídos em dois quartetos e dois tercetos – um soneto – seguindo as normas clássicas da pontuação e da rima.

Partindo para uma análise semântica do texto literário, observa-se que o poeta, com a metáfora “Última flor do Lácio, inculta e bela”, refere-se ao fato de que a língua portuguesa ter sido a última língua neolatina formada a partir do latim vulgar – falado pelos soldados da região italiana do Lácio.

No segundo verso, há um paradoxo: “És a um tempo, esplendor e sepultura”. “Esplendor”, porque uma nova língua estava ascendendo, dando continuidade ao latim. “Sepultura” porque, a partir do momento em que a língua portuguesa vai sendo usada e se expandindo, o latim vai caindo em desuso, “morrendo”.

No terceiro e quarto verso, “Ouro nativo, que na ganga impura / A bruta mina entre os cascalhos vela”, o poeta exalta a língua que ainda não foi lapidada pela fala, em comparação às outras também formadas a partir do latim.

O poeta enfatiza a beleza da língua em suas diversas expressões: oratórias, canções de ninar, emoções, orações e louvores: “Amo-te assim, desconhecida e obscura,/ Tuba de alto clangor, lira singela”. Ao fazer uso da expressão “O teu aroma/ de virgens cegas e oceano largo”, o autor aponta a relação subjetiva entre o idioma novo, recém-criado, e o “cheiro agradável das virgens selvas”, caracterizando as florestas brasileiras ainda não exploradas pelo homem branco. Ele manifesta a maneira pela qual a língua foi trazida ao Brasil – através do oceano, numa longa viagem de caravela – quando encerra o segundo verso do terceto.

Ainda expressando o seu amor pelo idioma, agora através de um vocativo, “Amo-te, ó rude e doloroso idioma”, Olavo Bilac alude ao fato de que o idioma ainda precisava ser moldado e, impor essa língua a outros povos não era um tarefa fácil, pois implicou em destruir a cultura de outros povos.

No último terceto, para finalizar, quando o autor diz: “Em que da voz materna ouvi: “meu filho!/ E em que Camões chorou, no exílio amargo/ O gênio sem ventura e o amor sem brilho”, ele utiliza uma expressão fora da norma (“meu filho”) e refere-se a Camões, quem consolidou a língua portuguesa no seu célebre livro “Os Lusíadas”, uma epopéia que conta os feitos grandiosos dos portugueses durante as “grandes navegações”, produzida quando esteve exilado, aos 17 anos, nas colônias portuguesas da África e da Ásia. Desce exílio, nasceu “Os Lusíadas”, uma das oitavas epopéias do mundo.

Fonte: http://www.infoescola.com/literatura/analise-do-poema-lingua-portuguesa/

 



out
21
RESPIRANDO – Enforcada pelo tempo

Texto escrito hoje no trem como forma de retribuicao pelos emails preocupados dos(as) meus(as) queridos(as) leitores(as) e amigos(as) – Sim! Ainda respirando…

Banana enforcada

Tempo… quanto tempo faz que eu nao me questiono sobre o que é na verdade o tempo.

O tempo é uma referência que nós cabecudos criamos (entenda seres humanos) e no qual vivemos enforcados. Chamaria genericamente de suicídio inconsciente e coletivo.

Eu, por exemplo, estou nesse exato momento balancando minhas perninhas e ficando roxinha, sendo enforcada vagarosamente por ele: o tempo.

Roxa,  cansada, mal-humorada, de TPM, com frio pra cacete, indo pra uma aula chata pra cacete, mas ainda RESPIRANDO, decidi apenas deixar aqui alguns tópicos para os próximos posts, pois estao também, como eu, enforcados temporariamente pelo tempo:

1) Desfile com participacao de bloco brasileiro em Fellbach, sendo que eu dessa vez (mesmo enforcada) fiz questao de participar vestida de “Emília do Sítio do Pica-Pau Amarelo” e o Rô de “Bumba Meu Boi”. Hilário e imperdível! (((-:

2) Festa de boas-vindas aos calouros do MBA (entenda balada…ihihihi…)

3) 2. Semestre MBA: primeira e massacrante (mas deliciosa) matéria: “Strategic Management” (tipo “Administracao Estratégica”), segunda e entediante matéria: “Wirtschaftsrecht” (Direito). Comecei a segunda na segunda-feira, dia no qual entendi 30% de tudo que ouvi, ontem nao fui e hoje fiquei roxa, minhas glandulas lacrimais ficaram excitadas, respirei, continuei e no final do dia consegui, após 3 dias, discutir em grupo sobre o que estávamos falando. Viu, é só respirar e seguir em frente. (((-:

Assim que eu conseguir cortar a corda (da forca), relato pra vocês esses capítulos cheios de emocao, assim como a minha vida deve ser.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...





Categorias