Refletindo

Penso, logo penso e penso muito. É tanto pensamento, tantas análises, tantas reflexões que é preciso transbordar e eu transbordo em palavras. Esse é aquele espaço onde você poderá encontrar respostas, novos questionamentos, similaridades ou simplesmente algo que te diga nas entrelinhas: você merece ser feliz!

A vida é uma viagem…


… é isso que está aqui “vuvuzelando” na minha cachola desde sexta, quando tomei mais uma decisão importante sobre minha vida atual. Tá, é uma frase feita, ou melhor, é a segunda frase mais típica de quem tá meio chapado. A primeira? A primeira é: “Toca Rauuuuul!” D

Mas hoje, com quase 35 anos (abafa…rs), casada, mãe de um picorrucho, tendo mudado de casa recentemente pela – sei lá – 11a vez, de Estado 2 vezes, de país 1 vez, depois de ter conhecido quase 30 países, depois de ter me apaixonado por – sei lá mesmo – umas 150 vezes, depois de amar também várias vezes (calma: amei menos do que me apaixonei…rs), depois de ter encontrado o meu grande amor (meu marido, of course), depois de passar a adolescência querendo ser tudo, mas sem ter certeza de nada, depois de “cair” na área de Química e me apaixonar por ela, depois de ter me formado como técnica e depois como Enga Química, depois de ter decidido e desistido de ser psicóloga, depois de ter aprendido a tocar 49 músicas no violão com toda – ironicamente – destreza e charme de uma canhota, depois de estudar e cantar vários anos em um coral inesquecível, depois de viver a fase roqueira de roupas rasgadas, depois de viver a fase de hippie apaixonada sempre por Janis Joplin e Raul Seixas, depois de – acreditem – virar dançarina amadora de axé dançando em vários palcos e mesas por ai, depois de aprender todas piadas e peripécias de bar, depois de colar em todas provas de geografia (irônico, não?) e história, depois de estudar anos culinária/costura/artes/pintura/bordado com um monte de meninas que – na época – odiavam tudo aquilo (hoje agradeço!), depois de bater e apanhar muito (tá, sempre fui folgada…), depois de superar minha frustração em não poder jogar basquete profissionalmente (por que será? rs), depois de trabalhar quase 10 anos na área química e descobrir que amo química mas que minha criatividade e energia não cabem em um tubo de ensaio, depois de fazer coleção de papel de carta, depois de competir em campeonato de truco, depois de vender meu walkman tão desejado para poder ir ao show do Bon Jovi, depois de virar “mestra” em Reike e aplicar gratuitamente em pessoas que precisavam daquela energia e que ao mesmo tempo me davam energia, depois de ir à vários shows abarrotados da Joven Pan e achar o máximo ficar naquela muvuca, depois de cortar minha calça jeans e minha blusa em uma fila em um Sol escaldante com uma tesoura que parecia cachimbo da paz rodando de mão e mão, depois de andar de camelo no deserto egípcio, depois de dançar com romenos, depois de prestar serviços solidários aos finais-de-semana em uma unidade de ajuda aos pobres e mendigos e me sentir a pessoa mais útil do planeta (voltava pra casa tão feliz e completa…), depois de apanhar dos meus irmãos, depois de abraçar árvores, depois de ter praticado yoga, depois de ter praticado boxe, depois de ter dormido com mais 10 pessoas em uma barraca para 5, depois de ter feito coisas “proibidas” por ai (quebrar regras costumava ser minha especialidade), depois de ter ido até o trabalho do meu marido na Alemanha de pijama pra pegar a chave de casa (tinha me trancado do lado de fora), depois de ter conhecido sei lá quantas pessoas neste mundo, depois de ter bebido álcool com groselha, depois de ter comido bolo de terra, depois de ter colecionado tatu bolinha em caixinha de fósforo, depois de ter feito xixi nas calças publicamente aos – sei lá – 7/8 anos enquanto dançava em uma roda cantando na aula de inglês, depois de ter sido supensa por ter comido os aperitivos da aula de culinária que eram para um coquetel dos chefões da ex-Antarctica, depois de ter quebrado o nariz na testa de um menino enquanto brincávamos de menino-pega-menina, depois de ter virado algumas noites em claro e visto sorrindo o Sol nascer mesmo sabendo que ia apanhar quando chegasse em casa, depois de ter feito permanente ainda no primário e ouvir meu “amor de infância” perguntar se eu tinha brigado com o pente e pensado que ali minha vida tinha acabado (rs), depois de chorar por mais de 5h só pra tentar chamar a atenção, depois de viver várias sessões de “comer pizza-na mão-na calçada-em roda de violão-tomando coca-cola” com “a galera do bairro”, depois de gritar pela janela pedindo para a vizinha chamar a polícia pra prender minha mãe enquanto ela me batia e eu dizia que ela queria me matar (rs), depois de tingir somente a franja de loiro, depois de raspar a sombrancelha, depois de cortar o cabelo no estilo “Chitãozinho&Chororó”, depois de cair muitas vezes andando de skate e carrinho de rolemã na rua, depois de ser a gatinha da matinê em São Caetano do Sul (a mina que conhecia todos promotores e conseguia entrar VIP…afff…), depois de fazer coisas “impublicáveis”, depois de cabular aula às quartas-feiras e ir pro cinema no Shopping pra pagar mais barato, depois de abraçar o Sidney Magal, depois de ter saído como destaque em um dos carros alegóricos da Escola de Samba “Unidos de Vila Gerti” de São Caetano do Sul, depois de passar anos apaixonada por Big Mac (aff…), depois de andar pela Av. Paulista inteira sem rumo só observando as pessoas e pensando sobre fatos comportamentais, depois de nesta mesma avenida ficar seguindo estrangeiros para ouví-los falando uma língua estranha e achando aquilo o máximo (ao mesmo tempo que ficava irritada por não saber inglês na época para me comunicar com eles), depois de ter dado curso de “Strip Tease” para senhoras da quinta idade, depois de fazer de tudo para pegar catapora da minha irmã e não ver minha mãe paparicando somente ela, depois de ter sido manicure e “lavadora de cabeças” nas horas vagas no salão da minha mãe, depois de ter cantado “Se chove lá fora…” no karaokê várias vezes, depois de ter vendido lingerie/trufa/bijouterias, depois de ter perdido uma das minhas melhores amigas de infância com câncer, depois de ter presenciado o nascimento dos filhos e filhas de muitos amigos e amigas, depois de ter achado o máximo salvar arquivo em disquete, depois de ter visto muitas amigas casando e descasando, depois de ter pedido ao meu irmão mais velho pra me empurrar de cima do beliche pra poder quebrar o braço e usar gesso (não quebrei, mas consegui usar goteira e fazer a alegria da galera…rs), depois de ter ajudado e ser ajudada a levantar depois de tantos tropeços que damos, depois de ter ficado mais de 15 horas em trabalho de parto sem nenhum anestésico pra – no final – a pessoinha resolver que queria sair pelo atalho (olha a faca! rs), depois de neste mesmo dia ter me tornado mãe e ter sentido naquele momento o amor mais puro e intenso da minha vida, depois de ter fugido de casa sem sucesso (minha mãe sempre me achava), depois de detonar no Atari jogando e batendo até ganhar dos meninos da rua e do meu irmão, depois de ter roubado balinhas & cia de macumbas, depois de ter gasto todo meu primeiro salário de estágio no Shopping comprando roupas das marcas que eu tanto sonhava em ter e que hoje não dizem mais nada pra mim (traumatizei depois de tanta dívida…rs), depois de ter feito Curso de Angiologia na minha fase esotérica, depois de ter quase me afogado várias vezes no rio, depois de ter vivenciado aos 8 anos a separação (felizmente) dos meus pais, depois de ter escrito várias cartas ao presidente da república achando que podia mudar o mundo, depois de ter vibrado muito quando passei da fase de neblina do Enduro, depois de ter mandado carta para o Bozo sem nunca ter obtido nenhuma resposta, depois de nunca ter ganho em nenhuma rifa ou loteria, depois de não ter passado no vestibular para para Técnico em Processamento de Dados, depois de ter feito um ano de terapia pra tentar entender porque eu tinha tanto medo de ser rejeitada ou não amada e por isso sempre afastar àqueles que realmente me amavam (traumas de infância hoje parcialmente “curados”…), depois de não ter sido aceita para ser noelete porque era baixinha e acima do peso (nem como duende me deram a chance!), depois de ter aparecido na Globo com cara de séria no laboratório fazendo análise dos combustíveis adulterados de SP, depois de ter pixado várias carteiras na escola com “liquid paper” com o nome do meu bando “Máphia” (imagina o nível das revoltadas…rs), depois de ter conseguido ser aprovada e entrar em uma MBA na Alemanha ministrado em alemão e inglês, depois de ter criado um blog de forma descompromissada e vê-lo crescer e se tornar um ponto de apoio e informação para pessoas que eu jamais imaginaria conhecer (e hoje saber que quando me ausento dele minha vida não é a mesma…), depois de ter matado muitas formiguinhas inocentes, depois de ter me dedicado à um projeto solidário para editar e publicar um livro com fotos do Brasil e ver o projeto acabar descobrindo que o que move as pessoas – a maioria delas – é dinheiro ou a chance de se auto-promover (lamentável…), depois de ter concluído um MBA em Marketing Internacional na Alemanha com louvor, depois de ter tido a certeza absoluta da minha falta de habilidade com esportes na neve, depois de ter aprendido a falar alemão em 1 ano, depois de ter puxado o cabelo da minha “inimiga mortal” do primário, depois de ter aprendido a dar muito valor à algumas pessoas somente quando ficamos longe, depois de ter feito um estágio na Alemanha que eu AMEI na área de Pesquisa de Mercado/Inteligência de Mercado (saudades…),  depois de ter ficado meses sem falar com a minha mãe logo depois que sai de casa pra valer (não sei como aguentei…), depois de ter acreditado que beber cerveja na Alemanha era a mesma coisa que beber cerveja no Brasil (imagina meu primeiro porre por lá!), depois de perceber que minhas melhores amigas na Alemanha eram 2 muçulmanas, 2 francesas e 1 brasileira (e no começo eu achava que falar o mesmo idioma era fundamental para fazer uma amizade verdadeira…forget it!), depois de sonhar em voltar ao Brasil porque achava que só aqui poderia ser plenamente feliz, depois de dormir na calçada, depois de ensinar minha gata à subir o muro e vê-la fugir com seu conhecimento (e ingratidão…afff…), depois de voltar ao Brasil e descobrir que não sou mais a mesma – que minhas raízes parecem enfraquecidas e que sinto falta da Alemanha nem que seja por alguns instantes quase todos os dias, depois de sobreviver à dor que uma mãe sente ao ver seu filho sentindo dor sem saber dizer o que dói, depois de ter algumas brigas conjugais em momentos delicados onde a gente pensa em separação e que no final você olha para aquela pessoa e sente uma dor infinita ao pensar em estar longe dela em viver sem ela (não dá!), depois de ter caído na área de turismo e  entender definitivamente que amar viajar e criar roteiros não está diretamente relacionado com o prazer de vender viagens (fica a dica!), depois de ter passado semanas refletindo sobre a importância de se estar feliz para continuar feliz, depois de mais uma vez decidir ajustar as velas e seguir em uma “não tão nova” direção, depois de ler este post e perceber que escrevi mais linhas do que eu imaginava sobre os “highlights” da minha “pequena” existência e perceber que eles não refletem nem 1/100 de tudo que já vivenciei.

Bem, depois de tudo isso, só tenho uma conclusão: a vida é mesmo uma viagem e eu uma viajante incansável arrumando as “malas” (agora mais cheias do que da última vez…) mais uma vez  pra me buscar em um “novo lugar”.

Bon voyage Maira! D

7 Comentários para "A vida é uma viagem…"

  1. Angela Oliveira disse:
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    Ufa, cansei!! rsrsrs…
    Boa viagem Maira, que Deus continue abençõando o caminho vcs, e que este novo lugar traga muitas descobertas e felicidades!

    bjs

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      Olá Angela, obrigada pelo carinho e que Deus te ouça! Só de ler sua mensagem já fico mais otimista, afinal é bom saber que temos torcida à favor, né!? Bjks e tudo maravilhoso pra você também!

  2. Renata disse:
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    Terminei!!! Ebaaa!!! Vai pra onde mulher?? Adoro suas histórias!! Saudades de ti!!

    Beijosss

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      Aahaha Renata… ficou sem ar? Todo mundo que me fala que leu, diz que achou que ia morrer sem ar… hahaha… é meu “jeitinho” de desabafar… D // Dessa vez a mudança é “simples”: mudança de emprego! Voltando ao plano A: Marketing! Deseje-me sucesso, tá!? Não acredito muito em sorte…hehehe… Bjks!

  3. Juana Palacios disse:
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    Querida Maira, li atenciosamente, e é isso,quando as pessoas exploram a inteligencia além dos limites, quando vivem e conhecem além do permitido, sempre estão se desencontrando, porque não encontram nada perfeito, a busca é incansável, ninguém entende, a sabedoria está além dos limites do que somos como seres humanos, por isso apenas resta é ter fé em Deus, espiritualmente concentrar essa energia intensa que há dentro de si, deixar fluir e amar, amar intensamente tudo que está ao teu redor, teu filho, teu marido, tua família, amigos… como é o caso de assistir mendigos, de praticar Reiki gratuitamente,é doar-se pela gratidão à vida, ao teu povo, adorei ler teu relato, que Deus continue orientado o teu caminho, e sempre sejas essa menina maravilhosa, felicidades!

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      Juanitaaaa no fim sua mãe foi embora e nem conseguimos ir te visitar. Foi uma fase tensa, mas passou e você, me conhecendo tão bem, soube descrever exatamente o que aconteceu. É difícil entender o quanto mudamos, quando ampliamos nosso espectro de conhecimento, quando convivemos com outras culturas, quando conhecemos outras lógicas. Agora eu entendo. Talvez se tivesse vivido um processo “linear” não teria a oportunidade de perceber o que mudou. Hoje eu sei exatamente o que mudou e, finalmente, aceito essa mudança e, finalmente, sei o que quero. Bom, na verdade, eu quero várias coisas, mas uma delas eu já sei. D Saudades!

  4. Pit disse:
    iOS 6.1.2

    Eitalaiá… Prepotencia achar que conhecia 1% de você.. Parabéns pelo post…. Depois de “dormir” acordada ate o outro dia tentado se embriagar sem conseguir com vinho ‘doce’ em Bertioga com colegas da Facu, ai correr descalcos para a praia… Pra ver o nascer de um novo dia….. Hehehe!!! Saudades…

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