Allgäu

Alemanha – Allgäu Alpes (Trekking)

Sem dúvida tá no “Top 5″!

Um trekking maravilhoso e exigente nos Alpes na região da baviera (extremo Sul da Alemanha – divisa com Áustria), conhecida como Allgäu.

Paisagens ímpares com direito até a cachoeiras por todo trajeto, travessia na neve (em ângulos que te obrigam a ir escorregando ladeira a baixo), pirambeiras que desafiam qualquer mochileiro, montanhas pontiagudas e ainda parcialmente cobertas por gelo e flores minúsculas e graciosas que tornam a paisagem muito mais colorida.  

Se você mora na Alemanha ou proximidades ou se mora bem longe, mas dispensaria qualquer museu/igreja/castelo europeu pra fazer um trekking nas alturas, não pode deixar de visitar a região do Allgäu. Até essa viagem nada na Alemanha tinha me surpreendido tanto positivamente quanto essa trilha. Simplesmente porque AMO natureza e sentia falta de algo mais selvagem por aqui. Mas SIIIIIM eles tem o que oferecer nessa área também! Acredite!

Foi uma experiência extremamente enriquecedora, pois além do trekking maravilhoso, também tivemos a oportunidade de conviver 3 dias com mais 8 alemães jovens. Pessoas bem bacanas aliás. Lógico que não foi divertido como seria com brasileiros, mas rolou. Pessoas tranquilas, sem crises e bem dispostas a ajudar você e se integrar. Foi interessante observar que ganhamos uns pontinhos após esses dias com o grupo, pois quando nos conhecemos na sexta-feira todos nos deram a mão e quando nos despedimos no domingo nos deram dois beijinhos cada um e até, pasmem, nos abraçaram!!! Nunca pensei que um trekking com alemães rendesse tanto… (((-:

Maaaas voltando ao trekking tenho que dizer que não é algo pra amadores. Saímos de Stuttgart sexta-feira aproximadamente meio-dia e percorremos 200km de carro até Oberstdorf, o ponto de partida da trilha que duraria 2 dias. Partimos de Oberstdorf e percorremos ainda na sexta-feira uma subida pra quebrar o peão por aprox. 2 horas e meia até alcancar a primeira cabana (Kemptner Hütte- 1869) situada a 1846 metros de altitude, onde pernoitamos de sexta pra sábado.

Chegando na cabana tem um lugar logo na entrada onde todos mochileiros deixam suas botas e sticks (cajado moderno). Achei bem interessante e fiquei imaginando isso no Brasil. Você teria coragem de deixar sua bota de trekking carissíma a noite toda num lugar onde todos tem acesso???? É nessas situacoes que entendo porque não somos um país de primeiro mundo. (((-:

A cabana era muito fofa e aconchegante, faltando apenas um detalhe: água quente. A água estava congelante, ou seja, nada de banho. Para alemães isso é normal, mas para nós, naquela situação, um banho quente era tudo que precisávamos após subir subir e subir por quase 3 horas. Foi nesse momento, ao perceber que nao seria possível tomar aqueeeeele banho que entendemos a necessidade que os alemaes tem de comprar toalhinha de mao. Já está na nossa lista de compras para o próximo trekking. (((-:

Antes de chegar nessa cabana, imaginei que era tipo albergue, ou seja, com beliches. Mas nao. Você dorme lado a lado com as pessoas num leito onde cabem vários mochileiros. Por sorte dormi encostada na parede e do lado do Rodrigo, mas imagina dormir lado a lado com estranhos e acordar com o bafo deles na sua cara. Afff…. Saudades do beliche.

Acordamos e quando olhamos pela janelinha da cabana o céu estava incrivelmente azul e o Sol nos abençoando mais uma vez. Inacreditável, pois durante a noite choveu tanto que pensei que o teto não ia aguentar. Amém. Saímos bem cedinho e partimos para o próximo destino a 2048 metros de altitude, a cabana “Waltenberger Haus”. Caminhamos aproximadamente 4 horas, sendo que apenas alguns de nós usou uma hora para subir até o pico mais alto do trekking, o Bockkarkopf (2608m).

Chegando no cume aconteceu algo que é preciso registrar. Quando alguém no Brasil alcança o pico de uma montanha costuma-se vibrar, gritar (“só o cume interessa!!!”), todos se abraçam, pulam, se beijam ou até mesmo “se atracam”, mas estamos na Alemanha e chegamos ao pico com alemães. Chegando no pico eles me deram a mão de maneira bem fria e solene e disseram: “xxxxxx” (….). Fiquei olhando pra cada um que me dava a mão com cara de paisagem e no fim perguntei o que era “aquilo” e ai o Rodrigo me explicou que eles estavam comemorando. Diferenças. Enfim. Ainda bem que existem, caso contrário eu perderia a oportunidade de escrever esse parágrafo. (((-:

A pior parte da trilha pra mim, acreditem, veio após o pico mais alto que alcançamos no trajeto. Era hora de descer. Eu disse DESCER de verdade, numa inclinação de quase 90 graus (exageraaada..) com direito a neve e pedrinhas soltas por todo o trajeto da descida. Os alemães mais espertos e mais familiarizados com neve vestiram algo na região do quadril e foram de “skibunda” ladeira à baixo. Nós brasileiros sem a menor afinidade com neve decidimos ir descendo pelas pedrinhas quando fosse possível, mas, sinceramente, preferia o “skibunda”.

Sai surfando e caindo nas pedrinhas, fora que em um dos trechos rolou um boliche entre eu e o Rodrigo. Eu era a bola e ele o pino. (((-: Adivinha quem se deu mal nessa? O pino!!! Tadinho. Ficou todo machucado, pois eu escorreguei no primeiro trecho de neve e ele estava na minha frente tentando se equilibrar até chegar nas pedrinhas. Saímos os dois escorregando sem freio até as pedras e ele detonou o joelho tadinho! Eu, pra variar, levantei me matando de rir e continuei… caindo até o final! (((-:

Depois de cai, levanta, cai e cai chegamos na cabana (Waltenberger Haus – 1875) a 2048m de altitude. A paisagem daquele lugar faz a gente esquecer qualquer tombo! Uma cabana no meio do tudo, cercada de montanhas e natureza. Um lugar onde todos as coisas necessárias chegam ou de helicóptero ou chegam através de mochileiros que percorrem um longo e difícil caminho carregando aprox. 30kg em suas mochilas. Algo inacreditável quando você conhece a trilha.

A cabana não oferece muito conforto, o que é compreensível considerando o quanto é difícil manter um lugar como esse, totalmente distante e com um caminho só acessível por mochileiros ou pelos ares. Bom, que ficamos sem tomar banho pelo segundo dia consecutivo acredito que não é nenhuma novidade, mas que dormimos um colado no outro por falta de espaço, isso sim é algo que não vamos esquecer nunca, até porque não dormimos. O espaço era tão limitado que dava agonia, mas tenho certeza que alguns espertinhos dormiram “muito bem, obrigado”.

Na cabana avistamos os primeiros animais “selvagens” da viagem. Mas segundo o Rodrigo eles sao criados pelo dono da cabana e pagos pra aparecer todos os dias umas 19 horas para serem fotografados. (((-:

 

Após tirarmos fotos dos chifrudos, ficamos com a galera até a hora de dormir. É bem engracado observar a diferenca entre alemaes e brasileiros que viajam em turma. Os alemaes se sentam na mesa todos juntos, pedem algo pra beber, pegam um livro ou uma revista e ficam ali, sentados juntos como se fossem conversar, lendo sozinhos. Os brasileiros ficam falando besteira, rindo, bebendo pra daná ou até mesmo filosofando sobre o fim do mundo juntos. Ah… e brasileiros jogam, normalmente, truco enquanto os alemaes jovens jogam Super Trumfo de carros ou UNO. Sei que eu e o Rodrigo ficamos lá esperando pintar uma conversa interessante, mas no fim avistamos nossa salvacao: um violao. Sendo assim sentamos em outra mesa e ficamos tocando e cantando MPB sozinhos.

Após uma noite nao dormida, voltamos. Foi uma descida de quase 3 horas com várias travessias em cachoeiras gigantes e com muita água, pois só chove por aqui nesse “bendito” verao europeu. Tinha umas pirambeiras que se neguinha escorregasse já era.

E no meio de tanta travessia de cachoeiras, neve e agregados decidimos adquirir um par de “sticks” pra fazer esses trekkings. No Brasil sempre encontrávamos um cajado no meio do caminho pra ajudar nessas horas, mas aqui nao se encontra cajado dando sopa e até por isso acho que eles decidiram industrializar a bagacinha. Agora entendemos e vamos aderir. Mas SÓ para trilhas em montanhas, pois acho a maior marmota do mundo esse tal de “Nordic Walking”. Sabem o que é isso? É uma modalidade de caminhada, onde se usa sticks para exercitar os bracos durante a caminhada. Um dia discorro sobre o assunto.

Nesse momento fui descoberta aderindo ao movimento. Afff… Ainda bem que nao tenho o menor problema em mudar de opiniao. (((-:

Ups… já ia esquecendo a melhor parte: a vista do banheiro. Já se imaginou “naquele momento” com essa paisagem!?!??! Só Deus mesmo!!!

E pra fechar, ai vai duas fotinhos da gente pra nossas famílias verem que estamos fortinhos e saudáveis!

Mais fotos? Aqui !!!!

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12 Comentários para "Alemanha – Allgäu Alpes (Trekking)"

  1. nirleni disse:

    Gente que tdooooooooooooooo!!!
    Nossa amei…sua foto com os cajadinhos …lindo…me lembrei de seus comentarios a respeito…hahaha!!!(Nao sei pq?)rsrsrsr
    Mas ficou linda de cajado…afinal até estas coisas…combinam com vc..né nao?
    O rodriguinho muito fofinho…parece que nasceu pra isso.Que casal x.
    Bom saudades de montao..por aqui..
    Obs: achei linda as florzinha…é a eudeuwais nao é?(menina to escrevendo em alemao..errado mas tentando)
    Filha…saudades…dos dois..como sempre acabo chorando…mas feliz de ver vc feliz tbm…

  2. Tatiane disse:

    Amei!!!! Estar em meio à natureza é tudo de bom…..
    Por mim, só faria passeios assim…. é uma oportunidade para que por momentos ou dias esquecesse o mundo lá fora e se deleitasse com essas paisagens!
    Aproveitem muito as poucas oportunidades que temos na vida!!!

    Beijos….

  3. Juana disse:

    Mais uma vez obrigado Maira e Rodrigo por compartir os belos lugares, fotos, relatos, tudo, cada frase Maira eu vivo, me sinto lá, sinto o calor do Sol, as expressões das pessoas, escreves tão divinamente que vivo, entendes? Que delicia de paseio!!! Aproveitem muito, que Deus os continue iluminando! Beijos

  4. vera maria disse:

    Lindo maravilhoso divino e tudo o mais…..tantas coisas que não dá para escrever…….
    Infelizmente não consegui ver as últimas fotos…..parou na foto dos sticks….quero ver as outras…..
    bjs bjs bjs
    P.S. quando voltar me escreve, OK????!!!!

  5. Rosana/ Richard disse:

    AMIGA, QUE LUGAR MARAVILHOSO
    ESTOU FELIZ E ORGULHOSA POR TER UMA AMIGA ASSIM, TÃO CORAJOSA INTELIGENTE PRONTA PRA TUDO
    PORQUE DIGO ISSO, JAMAIS TERIA CORAGEM DE IR NAS ALTURAS E FAZER ESTAS AVENTURAS……RSRS…. QUE CAGONA QUE SOU…….
    MAS COM CERTEZA ADORARIA ESTAR LÁ EM CIMA NAQUELA CABANA COM VOCES DOIS AI
    BEIJOS ENORMES NO FUNDO DO CORAÇÃO DE VOCÊS.
    ROSANA E RICHARD

  6. Nelson Silva disse:

    Gostaria de o convidar a passar pelo site “Junqueira Antiga”, um espaço dedicado à divulgação de textos noticiosos que ajudam a traçar o retrato mediático de uma pequena freguesia de Vila do Conde, com auxílio de jornais já extintos. Fica em http://junqueiraantiga.wordpress.com/. Obrigado.

  7. Glau Glau disse:

    AMEI!!!!! LINDO LINDO!!!!
    Maira e Rodrigo os passeios que vcs fazem são d++++!!! Aproveitem ao máximo e nunca se esqueçam de contar e mostrar as fotos lindas pra gente.
    Saudades…
    Espero por vcs aqui no final do ano!!!

    bjuuu

  8. Paula disse:

    Oi
    adorei as fotos. Ano passado eu fiz um trekking para iniciantes an Austria no Ötztal. Apesar de quase morrer devido ao meu joelho podre adorei a experiência. Fora a paisagem e o silêncio lá em cima, claro.
    Bjs

  9. Maravilhosa disse:

    ADOREI! não sei se gostei mais da paisagem ou do jeitro que vc as descreve, de qualquer forma me senti um pouco aí nesse friozão.;
    Bela aventura!

    Ah, desculpa a intromissão, estava lendo blogs aleatoriamente e acabei aqui no seu.

  10. Alessandra disse:

    Maira, sem palavras pela descrição da sua viagem. Só posso dizer que AMEI. Que coragem, hein!
    Que bom que vc encontrou, ou ele encontrou, alguém que adora fazer estas viagens. Ficar em contato com a NATUREZA não tem preço….

    Um beijão grande
    E obrigada por compartilhar as suas experiências com a gente

    Te amo
    Alê

  11. Sonia disse:

    Olá Maira,

    será que este “canal” com vc está ativo? Se puder, me escreve. Gostaria de ter informações de onde ou como conseguiu este “pacote” pra fazer este trekking.

    abs

    Sonia

  12. aline disse:

    Maira, estou amando suas fotos e textos super bem feitos…
    Peço permissao para curtir essas histórias…
    Gostaria muito de viajar pelo mundo tbm e vendo suas experiÊncias perco o medo, e é legal porque você pode dar dicas legais de onde passou…
    Parabéns pelo formato, estrutura da página e textos…
    Abraço
    Aline

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