Berlim

Alemanha – Berlim

Aleluia! Até que enfim conheci Berlim! Por que a euforia? Explico. Antes de vir para a Alemanha era o único lugar daqui que me chamava a atenção, mas demorei quase dois anos pra viajar apenas 600km até lá e entender porque essa vontade de conhecer Berlim. Simples: ela é livre.

É ex-pressão. É rebeldia. É criatividade. É liberdade de agir e atitude para conseguir. É assim que defino Berlim. É um dos poucos lugares do mundo que reúne o novo e o velho, o comunista e o capitalista, o direito do esquerdo. Com poucos passos você vive dois períodos, duas histórias, duas ideologias. É fantástico. É Berlim. É aqui que QUASE todos seus conceitos sobre Alemanha podem mudar. Os meus mudaram.

Berlim tem personalidade e é isso que fez eu me apaixonar por lá. É uma cidade grande como Sao Paulo, arborejada como Belo Horizonte e com pessoas desestressadas como em qualquer cidade pequena. Ela é desordenada, como tudo que é natural e livre. Mas não, não foi um lugar que me inspirou fotos por sua beleza. Não que não tenha o seu valor, lógico. Pra quem gosta de museu, castelos e coisas do tipo é um prato cheio. Eu, sinceramente, não aguento mais ver castelo e museu na minha frente! (((-: . Minhas fotos foram inspiradas pelo ímpar, ou seja, pelos grafites e pichações que, quando “bem feitos”, AMO!

Aliás, nunca vi um lugar tão pichado, até mesmo em lugares onde eu jamais poderia imaginar! Os grafites e pichações fazem de Berlim uma exposição de arte livre ao ar livre e, assim como ela mesma, sem limites.

Olha só quem nós encontramos no meio dos grafites de Berlim…

Além disso, não posso deixar de citar os semáforos do que era a Alemanha Oriental. Os bonequinhos são tão fofos e felizes! (((-:

Andando nas proximidades do albergue onde ficamos, encontramos um terreno invadido por uma comunidade de punks.

Sempre vi e ouvi falar de punks, mas nunca pensei encontrar em algum lugar uma comunidade que habita algo semelhante às nossas favelas, com uma diferença: quem mora nessas “favelas”, mora por escolha e não por necessidade. Coisa de rebeldes jovens, pois eu mesma nunca vi um punk velho. (((-:

Na frente da favelinha eles fixaram uma faixa…

… onde está escrito algo, que “pode” ser traduzido da seguinte forma: “A fronteira não separa mais os povos, mas sim quem está em cima de quem está embaixo.” De onde se “pode” entender que o muro não existe mais, mas a diferença entre ocidente e oriente continua, sendo baseada no poder político e econômico. Bom, pelo menos é isso que sempre ouço tanto na mídia quanto de outros alemães. Triste, mas o muro era apenas a representação fisica de algo que continua na pratica. Menos. Mas continua. Pra se entender esse processo podemos comparar com o próprio Brasil. Não temos muros, mas a diferença de oportunidades e poder de decisão nacional é nítida entre os eixos norte e sul. Reflita.

Esses punks INVADIRAM o terreno onde habitam e não me parece que eles tem medo de serem “descobertos”. Aliás, por causa de algumas situaçoes que vi, penso que polícia é o que menos existe em Berlim. Até comercializacão de droga no metrô assistimos em plena luz do dia. Fora as pichaçoes que estão por todos os lados e até no trilho do trem. (((-: Os caras são bons e pelo jeito não tem nem medo da morte!

Bom, verdade seja dita, na verdade existem muitos policiais, mas só os vi acompanhando passeatas a favor da legalização da maconha e outra na noite anterior, onde vários patinadores pediam mais vias para eles. Fala sério, o dia que a gente fizer passeatas desse tipo no Brasil é sinal de que realmente não precisamos de mais nada. Afff…

Mas a passeata da maconha (“hanf” em alemão) foi bem legal. Até tirei umas fotinhos dos malucos. O mais engraçado é que eles estavam justificando a legalização da maconha baseados na melhora do clima mundial. Até que eles não são tão drogados assim, vai!? (((-: Ow… eles tem até jornal da maconha na net!!! São super corporativos!

Vamos agora falar sobre a parte turística. Interessante e necessária. (((-:

Conhecemos quase todos os pontos turísticos em um dia de dura caminhada. Também usamos muito o transporte público pra dar uma folga para os nossos pezinhos. Tiramos fotos por costume, mas sem muita vontade, pois realmente não ficamos muito impressionados. Além disso, senti um pouco de .. sei lá.. tristeza ao ver que coisas tristes se tornam coisas lucráveis. Ver homens vestidos de soldados para ganhar dinheiro tirando fotos com turistas, ver gente vendendo e outras comprando ”souvenirs” como máscara de gás, visto pra passar do lado ocidental para oriental e vice-versa, etc. É triste. É um capitalismo insensível e frio.

Bom, pra conhecer os principais pontos turísticos é só descer na Alexanderplatz e ir andando me direção à Coluna da Vitória. E lógico, só não deixe de tirar fotos no Portão de Brandenburgo pra poder comprovar que esteve em Berlim! (((-: Mas se estiver viajando só você e um parceiro(a), procure um japonês pra tirar foto de vocês, pois no geral são os melhores pra fazer isso! Outros turistas de outras nacionalidades já tiraram cada foto nossa que peloamordedeus!!!!

Eis aqui os lugares que conhecemos no primeiro dia ou, pelo menos, passamos do lado: Pariser Platz (lindo), Alexanderplatz, Unter den Linden, Deutsche Staatsoper, Bebelplatz, Humbolt Universität, Neue Wache, Deustsches Historisches Museum (só a fachada…hehehe), Coluna da Vitória, Memorial aos Judeus Mortos na Europa, Postdamer Platz, Brandenburger Tor (imperdível), Reichstag, Fernsehturm, Kaiser-Wilhelm-Gedächtniskircheöl (a igreja sem o cucuruco), Rotes Rathaus e a marmota do “Charlie Checkpoint”. Vai ai algumas fotinhos, só pra ilustrar.

No segundo dia decidimos viver um dia de lembranças. Fomos visitar um campo de concentração que fica bem afastado das atrações “pop” de Berlim, o “Campo de Concentração, Memorial e Museu de Sachsenhausen”. A visitação foi gratuita, uma vez que ninguém merece pagar pra ficar triste, mas se quiser uma visita guiada paga uns 3 euros pra pegar uma maquininha que fica falando no seu ouvido, ou seja, não esqueça o cotonete. (((-: Chegando na entrada, sua revolta já é instigada através do portão de entrada do campo de concentração: “Arbeit macht frei.” (O trabalho liberta.). Não. Não tenho nada a dizer sobre essa frase, pois não consigo conceber que quem teve essa idéia foi um ser humano.

Não dá. Como se pode citar liberdade num lugar onde representa justamente a privação do tipo de liberdade mais essencial ao homem: a liberdade de viver segundo seus valores e origens. Não dá. Definitivamente.

Foi triste e ainda é triste e por mais que a gente tente imaginar o que foi, não dá. Tirei algumas fotos, mas o sentimento e os pensamentos não são passíveis de “registro”. Todas as pessoas que estavam ali não sorriam, mal falavam. Todos pareciam sentir a tristeza que ainda lá habita.

(Neutrale Zone – Es wird ohne Anruf sofort scharf geschossen = Zona Neutra - quem se aproximar dessa área será atingido por muitos tiros imediatamente sem aviso)

Foi estranho. Fiquei triste. Entristeci não só pelos judeus ou pelos opositores à Hitler, os quais foram vítimas nesse processo. Fiquei triste por nós. Por seres humanos que são capazes de fazer atrocidades como esta e tantas outras das quais mal temos registro e, até por isso, até as esquecemos tantas vezes.

Voltando do campo de concentração fomos para a exposição ao ar livre “Topografia do Terror”. É uma exposição sobre como foram arquitetados e realizados os planos de Hitler e seus seguidores em ordem cronológica com direito a muitas fotos e até, em alguns casos, áudio. Localizada embaixo de um dos trechos do muro de berlim (mantido no estado original), onde funcionava o escritório central da Gestapo e da SS. Imperdível e de graça!

Eu estava lendo um dos painéis e de repente tive a impressão de estar realmente vivendo tudo aquilo, pois ouvia bem no fundo alguém com o timbre de Hitler fazendo tipo um comício. Arrepiei e juro que achei que estava pirando. Mas quando me virei, vi que existia no “andar de cima” alguns painéis com áudio, de onde se podia reproduzir gravaçoes da época. Ufa… Voltei a leitura com alívio. (((-:

É horrível. Tem fotos que te prendem, pois você fica hipnotizado com a expressão de pessoas que estavam ajoelhadas frente à uma cova coletiva com uma arma na cabeça, prestes a serem executadas. É como se elas te olhassem e pedissem ajuda, enquanto seu executor sorri.

Mas tenho que admitir: é admirável que os alemães tenham se preocupado tanto em registrar tudo isso e publicar. Admiro porque eles assumem sua própria história e muitos a sua parcela de culpa ou por terem sido simpáticos aos ideais nazistas ou até mesmo por terem sido omissos. Por toda parte existem memórias e registros. Por toda parte existem homenagens àqueles que foram injustiçados. Sei que isso não devolve a vida dos que foram exterminados, mas ao menos mostra que a nova Alemanha é bem diferente. É injusto quando estrangeiros mal informados taxam os alemães de nazistas. São muitas vezes frios e reservados, mas nazistas não. Aliás, se bobear, tem mais nazista morando no Brasil do que na Alemanha. Então, cuidado! (((-: É verdade. Muitos nazistas fugiram para o Brasil e Argentina quando começaram a ser julgados. Como sempre se diz: “o perigo mora ao lado”.

Rumo ao Muro de Berlim. Esse eu não perderia por nada! Na região central existem alguns pedaços representativos com fotos da época ao lado. Quando vi o muro continuei como antes, afinal me parecia (e é) apenas concreto. Nada mais, nada menos. Mas quando comecei a ler sobre o que aconteceu e quando (principalmente) vi as fotos das pessoas correndo com algumas mudas de roupas para o lado ocidental, após a derrubada, fiquei completamente arrepiada e sensibilizada. A partir daí aquele concreto passou a ser pra mim puro sentimento. Sentimento de desespero. Sentimento de compaixão. Em uma das fotos tinha uma mulher, cujo olhar não vou esquecer jamais. Um olhar de esperança. Um olhar que só se pode ter quando se tem horizonte, quando não se tem muros à sua frente.

Infelizmente não consegui derrubar nem uma casquinha do muro, mas juro que não foi por falta de tentativa. Queria muito derrubar o que sobrou, mas os caras usaram cimento dos bons, viu!? (((-:

Dizem que a vida noturna de Berlim é fantástica. Deve ser. Infelizmente só tivemos duas noites em Berlim, mas sem dúvida podemos concordar com isso. Tem balada pra todos os gostos, idades e bolsos. É só procurar.

Na primeira noite pensamos em comer num restaurante que serve comida brasileira, mas quando chegamos no lugar só encontramos, pra minha alegria, comida japonesa. Pois é, não raro restaurantes brasileiros aqui inauguram e arruinam bem rapidinho. Vai entender. Só sei que enchemos a pança e depois fomos pra “balada” embaixo dos trilhos do trem. Quer lugar melhor pra comemorar 30 anos fazendo tudo tremer!?!?! (((-: 

Fomos no bar chamado “Deponie n.3” O lugar é bem estilizado e localizado embaixo dos trilhos do trem, o que, aliás, é muito comum em Berlim. A decoração é feita com vários objetos antigos, principalmente com placas que eram utilizadas para fazer propaganda tipo “outdoor” antigamente. Pirei! Bom, segundo a indicação que peguei era pra ter música ao vivo na sexta e no sábado, mas tô esperando até hoje… (((-:

Na segunda e última noite realizamos nosso sonho (que aliás está no meu estômago até agora): comer churrasco numa churrascaria brasileira na Alemanha!!!!! Cara. Mas pra quem está longe de casa, vá! De primeira mesmo. Mas, sinceramente, comi demais. Eu normalmente não como muita carne vermelha, mas o cheiro e tudo mais estava tão bom que não pude resistir. Me empanturrei. Teve show de capoeira e, lógico, de mulheres gostosas dançando samba com penacho na cabeça e de biquini. Básico. Mas, dentro do possível, estavam bem comportadas. (((-:

Pra fechar… ganhei aqueeeeele abraço de urso!!! (tá…admito… eu roubei…hehehe)

Berlim. Lugar pra ir uma vez e voltar quantas puder! Lugar para eruditos e alternativos. Vá e comprove!!!

Mas se quiser mais alguns incentivos, veja mais fotinhos aqui!!!

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8 Comentários para "Alemanha – Berlim"

  1. Pat Gouvêa disse:

    Cunhada, que legal essa viagem – nos dois sentidos da palavra.

    Eu choro toda vez que vejo fotos e cenas de campos de concentração… Quase morri quando fui ao museu do Holocausto em Paris. Fotos, cartas, roupas… Se entrar em um campo de concentração não sei minha reação! Dói só de imaginar o que seres humanos fizeram com outros! E cá entre nós: ainda tá cheio disso no mundo.

    Um beijo enorme!

  2. Marcio Engelmann disse:

    Parabéns, pelo aniversário de 30 anos.
    Parabéns pelo passeio bem merecido e pela escolha.
    Se tivesse mais uma noite em Berlin lhe recomendaria um restaurante
    o Dunkelrestaurante-Berlin, o estraordinário é que os serviços são
    prestados por deficientes visuais. FELOMENÁL.

    Grande beijo

    Marcio Engelmann

  3. Juana disse:

    Que lindo! Estou aqui chorando lembrando as veces que estive por lá, também adoréi a cidade, estive quatro veces, como não podia fazer nascer o meu filho lá, comprei o enxoval dele ali, e ainda o guardo como uma grande lembrança de Berlin! Beijos, beijos que Deus os acompanhe sempre!

  4. Gabi disse:

    Belas fotos, ótima comemoração…pena eu estar longe de você.

    Mas o abraço do urso substituiu o meu… que é bem menorzinho! rsrsrs

    E tem punk velho sim! Eu mesma conheço um monte! Mas o punk mesmo o real punk é o inglês, mas pelo que vi os alemães não ficam atrás..rsrsrs

    Beijos!!! Saudades. sempre.

  5. Patricia disse:

    Ola…achei seu Blog procurando referências de Berlin…estive la em todos esses lugares e entendo bem o q vc descreve…realmente Berlin é um lugar incrível..amei tanto que estou voltando em fevereiro..

    Bjs e divirta-se!!!

  6. guilherme roquini disse:

    olaaaaaa, meu estava com algumas duvidas sobre berlin, mesmo depois de ter comprado a passagem, mas olhando suas fotos me deu um aninmo novo, gostaria de um contato seu ja vou no mes que vem , com minha esposa e um casal de amigos.

  7. lucas disse:

    Ola,

    Estou indo para berlim no inicio de novembro, parabens pelo seu guia vou me basear nisso ai. So queria saber como faco para ir ao centro de concentracao? e longe do centro?

    abs

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