Reflexões

Alemanha – Um ano…um ciclo…outra visão…

 

Um ano se passou desde que minha vida girou 360°. Me casei, me formei, me demiti e me despedi. Tudo isso há um ano atrás no mesmo momento, por uma mesma meta, por um mesmo desafio.

Após um mês escrevi sobre as primeiras impressões e agora, 11 meses depois, escrevo sobre as experiências realmente vividas e o significado de cada uma delas. Dizem que não se pode dizer que conhece um lugar se não passar nele as quatro estações do ano. Por isso, talvez eu já possa dizer que conheço a Alemanha ou, ao menos, uma parte dela.

Sempre digo e repito que todos os povos tem seu lado bom e ruim, assim como cada indivíduo. Também sempre quis acreditar que eu encontraria algo muito bom aqui que mudasse completamente as impressões ruins que alguns estrangeiros me passaram no começo. Ilusão…. o povo alemão é, em geral, realmente difícil de lidar. Mas ressalto desde já, que me refiro em boa parte desse post a alguns idosos (que são maioria esmagadora no país), pois os jovens alemães são, em geral, bem diferentes.  

O povo alemão é talvez um dos povos mais difíceis que existe… Escrevo isso, pois fiquei um ano convivendo não só com alemães, como também com gente do mundo inteiro e, percebi que todos reclamam das mesmas coisas em relação aos alemães e que a relação que tenho com todos é bem mais simples do que com estes. Como entender por exemplo pessoas que ao invés de dizeram “COM LICENÇA” pra passar hurram no seu ouvido “ATENÇÃO”, dando a entender que, na verdade, é você que está no lugar errado e, só por isso, elas não sentem obrigação nenhuma de serem gentis e pedir licença. Esses são alguns dos alemães…

É muito mais fácil entrar no mundo de outros estrangeiros do que no mundo de um alemão. Eles dificultam o máximo sua integração, mantendo-se sempre fechados nos seus grupos. Como estrangeiro tem que ser muito persistente ou sortudo para integrar um grupo de alemães. Acho que eles fazem esse jogo justamente pra ver até onde você é capaz de ir por algo que almeja, pois eles te põem à prova o tempo todo, seja de paciência ou de desempenho em qualquer âmbito.

Regras. Possuem uma característica forte de organização e sistematização, ou seja, não basta estar “em ordem” tem que ser possível repetir exatamente “esta ordem”. Uma vez uma professora do curso nos disse que, se um dia alguém chegar em uma rua e apagar a faixa que delimita duas pistas, os alemães que passarem ali não conseguirão seguir em frente por não terem mais uma regra a se cumprir. Eles precisam de regras, por isso as criam para tudo e até mesmo para coisas que nunca vão precisar usá-las.

Senso de humor. O senso de humor também é algo que falta por aqui. Geralmente eles não entendem nossas piadas ou “brincadeiras” com intuito de distração, levam quase sempre a sério e te dão respostas ásperas realmente, como se tivessem se sentido ofendidos. E quando contam algo engraçado geralmente só os alemães riem também. Quando assisto programas teoricamente de comédia por aqui, dá vontade de chorar de tantas supostas piadas que agridem meu bom humor. Essa diferença entre o que é engraçado para um alemão e o que é engraçado para um brasileiro é algo que pode se complicar vivendo aqui depois de algum tempo. Agora, quando vem algum brasileiro passear por aqui, percebo que por vezes demoro muito mais para perceber que se trata de uma piada do que antes. Eu sempre fui muito piadista (até demais…confesso…), mas me vejo numa situação nova agora, pois a falta de contato com brasileiros me tornou diria até um pouco “ingênua”. Mas espero que eu me cure ao menos temporariamente desta enfermidade nesse um mês e meio que ficarei no Brasil, caso contrário sinto que vou perder a piada e os amigos…kkkk

TV. A programação de TV é (salvo exceções) horripilante! Quase todos filmes eu já assisti no Brasil quando tinha 13 anos! Tem muito Talk Show e muito, muito, mas muito mesmo programa que é filmado nos zoológicos da Alemanha mostrando leãozinhos sendo tratados como cachorros dóceis e amáveis. Maaaas tem algo que é bom e que, por isso, é preciso dizer: os documentários que passam bem à noitinha. Extremamente bem produzidos e apresentados. Tem um outro programa também que adoraria que alguma emissora de TV do Brasil copiasse… é um programa que apresenta alemães que se mudaram para outros países, mostrando como acontece esse processo e todas as dificuldades e vantagens que fazem parte dessa decisão. Somado à experiência e percepções pessoais destas pessoas é mostrado também a cultura e atrações deste novo “lar”, enfim… um programa com conteúdo de verdade. Já na  área de ficção temos as novelas alemães que são um insulto às nossas. Ruim demais mesmo! Todas acontecem com um único núcleo onde todos se conhecem… uma comédia entediante ou um drama que faz realmente chorar. Tem outro tipo de programa que também acho ótimo: programas para discutir assuntos da sociedade, mas trazendo para isso especialistas e formadores de opinião de direita e de esquerda. AdorO!!!! Eles acontecem periodicamente e trazem sempre assuntos importantes na pauta. Acho super importante, pois através desse tipo de programa o espectador aprende muito e vê sempre os dois lados da moeda, podendo SOZINHO decidir de que lado esta. Resumindo… o povo é incentivado a refletir e não simplesmente a aceitar informaçães “vomitadas” como verdade.

Tolerância Zero. O sociedade alemã é baseada no princípio da “tolerância zero”. Frequentar o comércio por aqui é a primeira prova disso. Eu, por sorte, encontro muitos alemães gentis no comércio, mas já tive contato com situações de extrema grosseria por parte de um alemão com outra pessoa, quer ela seja alemã ou não. Eles são por vezes diretos demais e severos também. No trânsito não toleram qualquer demora ou erro. Se você estiver distraído e não ver o farol aberto, após 2 segundos eles tacam a mão na buzina. No mercado não é melhor. Eles costumam fazer compras uma vez por semana ou quicá todo dia (talvez porque a geladeira aqui é minúscula), ao contrário de nós, brasileiros, que fazemos a big compra do mês (e temos uma big geladeira). Então imagina o que acontece quando um brasileiro faz aqueeeeela compra e o sr. ou sra. Fritz estão atrás deste na fila… Eles começam a bufar desesperadamente por não poder te xingar! kkkk…. Imagino que devem fazer terapia por isso, pois não há REGRA que diga que é proibido fazer apenas uma grande compra por mês. Azar deles e sorte nossa!

Atividade. Quer ver um alemão feliz? Vá a um clube deles, os chamados “Verein”. É outra Alemanha o que se vê quando você integra uma aula de ginástica ou qualquer coisa relacionada à esporte. Eles dão gargalhadas!!! Inacreditável!!! Eu, que não sou boba, me matriculei em um desde fevereiro e estou impressionada… Me fez bem ver esse lado. Dá um pouco de esperança de que com o tempo e com a “invasão” dos estrangeiros aqui eles se tornem mais felizes ou, ao menos, mais espontâneos. Eles tem um amor pelo esporte e atividades relacionadas à movimento que é pra se aplaudir. Tem muitos idosos acima dos 50 anos que deixam a gente no chinelo. Andam muito, tanto a pé quanto de bicicleta desde a infância até, se bobear, bater as botas. É realmente assustador o pique dos velhinhos por aqui, o que é perfeitamente justificável pela qualidade de vida que eles tem.

Qualidade de vida. A prova de que o ser humano estará sempre insatisfeito, por mais que lhe seja dado está estampada na vida dos alemães. Reclamam sempre e por tudo mesmo tendo tudo que tem. O governo alemão tem muitos programas sociais que propiciam uma qualidade de vida espetacular para todos que vivem aqui, principalmente para os próprios alemães. O desconto em folha de pagamento relacionado à impostos é superior ao desconto aplicado no Brasil, mas a grande diferença é que aqui se vê retorno. O dinheiro que se recebe como  auxílio por aqui é na verdade um presente de mãe e até por isso a fonte está secando. Um desempregado recebia até pouco tempo um bom dinheiro pra se manter durante um período indeterminado, fazendo com que muitos decidissem ficar em casa ao invés de trabalhar pra ganhar menos do que ganhavam como desempregados. Hoje o governo mudou as regras, mas mesmo assim ganham muito bem até, no máximo, um ano e depois o governo oferece QUALQUER emprego e o sujeito tem que aceitar, caso contrário perde a boquinha. Os aposentados então vivem no paraíso antes mesmo de ir pro céu. Não é a toa que para qualquer lugar que você viaje sempre tem um grupo de aposentados alemães integrando um grupo de excursão. Até a igreja entra na folha de pagamentos! Sério! Mas ai é opcional. Eles te perguntam de qual religião você é: católica ou protestante e se gostaria de contribuir para o padre/pastor comprar uma Ferrari nova. (((-:  O sistema de saúde funciona e não te deixa na mão, principalmente porque você não pode morar na Alemanha se não tiver ao menos um plano básico de saúde. Agora, sinceramente, acho nossos médicos bem melhores. Pra quem quer ser mãe também tem agora, devido à crise relacionada a baixissíma taxa de natalidade, muitos benefícios pra nenhuma mãe botar defeito. Um deles é que a mulher aqui pode ficar em casa até a criaturinha completar 3 anos de idade e tem como garantia sua vaga na empresa após essa “licença maternidade prolongada”.

Conceitos. Uma coisa muito interessante que aprendi aqui é que é uma banana pra você, não necessariamente é uma banana pra outra pessoa que cresceu em outra cultura. Tem dois exemplos que aprendi e que me marcaram. O primeiro diz respeito ao que é ser pobre. Para nós brasileiros ser pobre é ganhar pouco, mas mesmo assim ter um teto e algo pra comer e até quem sabe ter um fusquinha pra passear. Abaixo disso é o que chamamos de miserável. Já na Alemanha, onde não existe miséria nem na realidade e muito menos no dicionário, ser pobre é comparado justamente ao nosso miserável. Outro conceito interessante é o de analfabeto. Pra eles analfabeto é alguém que aprendeu a ler e a escrever, mas que com a falta de uso ao longo de anos se esqueceu. Bom, ainda bem que no nosso dicionário isso se chama esquecido, pois ao contrário estaríamos numa colocação muito pior no ranking de países com maior número de analfabetos. Afff…

Juventude. Os alemães jovens já são bem diferentes. Eles não tem como fugir do novo processo de integração com estrangeiros e, principalmente, com turcos e muçulmanos. Lógico que também existem jovens que não aceitam isso, mas acredito que seja a minoria. Diariamente vejo cenas lindas de muçulmanos, alemães e negros numa roda rindo juntos. É delicioso ver isso! No carnaval quase tirei uma foto, mas fiquei meio receosa. Era uma alemãzinha pintando um colega negro para desfilar naquele momento na rua. Achei a cena massa demais! Era o retrato da possível integração efetiva… Mas aqui também tem, pra variar, muito jovem problemático, talvez por serem criados a vida inteira com mil toneladas de obrigações e deveres. Surgem então os punks, os neonazistas e outros grupos que pretendem quebrar todas as regras da sociedade alemã. Somados à esses jovens problemáticos alemães, vem outro grupo: os descendentes estrangeiros nascidos na Alemanha, mas sem direito à naturalidade alemã. Muitos são turcos e, por serem “diferentes”, foram sempre marginalizados dentro desta sociedade. O resultado é que como qualquer “marginal” estão trazendo sérios problemas para a Alemanha devido ao seu comportamento muitas vezes agressivo e desrespeitoso.

Ponto pra eles. Apesar de todos as características difíceis desse povo, tenho que admitir que eles são positivamente imbatíveis em algumas coisas. Primeiro é a sinceridade e honestidade. É um povo decididamente CORRETO. Talvez por se darem muito bem, no geral, com regras agem sempre de uma maneira muito correta seja com dinheiro ou com pessoas. É invejável e curioso, pois eles não costumam mentir pra te agradar. Isso significa que se um dia um alemão te disser que você é amigo dele, pode ter certeza: você é MESMO amigo dele e ele sempre fará o que for possível por você. Outra coisa que coloca os alemães na frente é que aqui é o país onde você encontra todos apetrechos que considera inúteis até o dia em que decide comprar um. Inventam de tudo pra facilitar a sua vida e poupar as suas costas e seu tempo. São coisas como por exemplo uma escovinha de pia que gruda na parede, nos ajudando a economizar espaço livre na pia e não ter que comprar um suporte. Não é tudo que vocês sempre sonharam!? Mas a coisa mais impressionante mesmo é a infra-estrutura e a forma como esta foi e é atingida por aqui. Usam de tecnologias de máquinas para facilitar tudo e não sobrecarregar o peão. É tudo feito de forma organizada e limpa. Tudo bem que às vezes sinto que exageram um pouco, pois não podem ver um desnível na calçada que quebram tudo pra fazer uma novinha. Sério! Tem gente que diz que alemão é que nem tatu: adora fazer um buraco! (((-:  

Cultura. A Alemanha exala cultura, tanto pela sua história tão importante dentro do contexto mundial, quanto pelo seu acervo de escritores, intelectuais, pintores e compositores inegualáveis. Para quem ama literatura o lugar é a Europa, inclusive a Alemanha. Se compra livros ótimos por preço de batata nos inúmeros sebos de livros e feirinhas culturais que acontecem de sempre em sempre por aqui. Até mesmo nas livrarias é possível comprar livros maravilhosos por preços mais maravilhosos ainda. Pechincha mesmo! Aqui só não é culto quem não quer, pois a cultura bate à sua porta e nem te cobra muito por isso. Até mendigo aqui  canta as óperas de Wagner. (((-:

Segurança. Sobre essa acho que nem preciso dizer, né!? Já comentei num outro post que seria a ÚNICA coisa que me faria decidir ficar por aqui de tão maravilhoso que é poder ir e vir sem medo de não voltar… Maaaaaas andei ouvindo por ai que a coisa já não está mais tão “cor-de-rosa” assim, logo podem ficar despreocupados porque parece que esse fator que me faria ficar está perdendo credibilidade… (((-:

Amor pelo Sol. Eu que sempre amei o Sol, aqui estou ganhando motivos pra amar ainda mais, pois aqui ele é coisa rara minha gente… Uma tristeza só! Agora me arrependo dos dias ensolarados que eu ficava dormindo de dia pra aproveitar a balada a noite. Aqui eles aproveitam cada raio de Sol como se fosse o último. É só sair um solzinho que as praças ficam lotadas de gente deitada na grama jogando papo fora, fazendo piquiniqui ou simplesmente fazendo um top-less básico e muitas vezes assustador… (((-:

Viajar. O alemão é o povo que mais viaja no mundo e eu que não ia perder essa boquinha também. Viajar quando se mora na Alemanha é relativamente fácil e barato, principalmente quando seu marido ganha em euro e não mais em real. (((-:  As distâncias entre diferentes países é algo assustador para um brasileiro, acostumado com as mesmas distâncias entre cidades do Brasil e, mais, acostumado a falar português mesmo depois de percorrer 3 mil kilômetros. Aqui a oferta de albergues da juventude (ou velhitude) é gigantesca e a qualidade destes é bem superior à dos albergues brasucas. Tem vezes que vale mais a pena ficar num albergue do que num hotel por aqui. Outra coisa impressionante também é a oferta de casas que você pode alugar para passar uma temporada nas montanhas. Sai até mais barato do que o albergue e você se sente realmente “em casa” de tão bem equipadas que são. Tem também um sistema de “caronas” que funciona por aqui. É super curioso. Suponha que você tenha que ir pra Munique amanhã e more em Stuttgart. Você entra no site e procura “alguém” que você não conhece que também sairá de Stuttgart em direção à Munique e depois entra em contato com este desconhecido e divide todos custos da viagem com ele. Consegue imaginar algo assim no Brasil !?!!??! Nem eu.

Interculturalidade. Melhor do que ter a oportunidade de conhecer uma cultura diferente da nossa é conhecer várias! E eu tive essa sorte… Através do curso de alemão que conclui após um ano de labuta diária, conheci diferentes pessoas que vieram de diferentes países e, logo, cultura. Algo sem adjetivos pra definir! Durante o curso sempre discutíamos sobre diversos temas que integram nossa vida, desde comida até guerras e valores. Através destas discussões conheci um pouco de cada um daqueles países através da visão de um de seus cidadões. Após essa experiência consigo entender que todos seres humanos, independente de onde vem, são iguais. Sofremos pelas mesmas coisas, sentimos saudades, amamos, tememos, sorrimos e oramos por um mundo melhor… não importando qual sua língua materna ou qual seu prato predileto… somos todos humanos… somos todos mortais… Isso foi o mais importante que aprendi convivendo com esses seres humanos, e é isso que me fez olhar para cada um  com igualdade e descobrir assim grandes amizades. Outra situação de interculturalidade é muito frequente por aqui: muitas línguas diferentes da alemã sendo faladas em qualquer lugar que você esteja na Alemanha. E não e só por causa do turismo internacional não! A Alemanha recebeu no “recente” pós-guerra muita mão-de-obra estrangeira (principalmente turcos e italianos) e depois continuou recebendo gente de várias partes do mundo, seja pra trabalhar (gregos, por ex.), seja como asilo de guerra/conflitos (região dos Balcãs e Iraque, por ex.). Lembro que quando cheguei tinha a impressão de que todos me observavam por eu ser “diferente”, mas com o tempo fui percebendo que era mais fácil alguém loiro de olhos azuis chamar a atenção por aqui do que eu. Comecei a observar que em qualquer lugar que eu fosse ouvia, por exemplo, 3 ou 4 línguas diferentes do alemão e que aquelas pessoas pareciam morar aqui. Com o tempo fiquei sabendo que realmente tem muito estrangeiro e descendente de estrangeiro morando na Alemanha e que os alemães ainda tem muita dificuldade (entenda: preconceito) pra lidar com isso. A partir daí, pra azar da alemãozada, me senti em casa… (((-: 

Transformação. Quando alguém decide deixar seu país, seu trabalho, seus amigos e família DEVE ser para buscar algo melhor! Melhor aqui não é DINHEIRO necessariamente, mas sim algo que dentro dos valores dessa pessoa pode ser melhorado. Abdicar de tanta coisa importante não é fácil, todos sabemos, pois o tempo todo temos que fazer escolhas, através das quais sempre abrimos mão de algo de valor naquele momento. Acredito que foi esse pensamento que me fez decidir por este difícil caminho: o objetivo de ser melhor! Quando vim não sabia verdadeiramente como, mas sempre soube que em qualquer desafio a possibilidade de ganho é infinitamente maior do que a de perda, dependendo de como nós decidimos viver esse desafio. Hoje tenho certeza que foi a melhor decisão da minha vida. A possibilidade de viver em um país culturalmente tão distinto de nossa pátria é algo assustador e ao mesmo tempo apaixonante! É como ser criança novamente… tudo no começo é curioso, tudo é novo e misterioso: vc tem que aprender a se comunicar novamente, tem que entender como as pessoas aqui vivem e aceitar algumas diferenças de forma neutra, tem que acostumar seu estomago com o novo cardápio, tem que aceitar os olhares curiosos sobre você, afinal você é diferente para eles assim como eles são pra você e tem, antes de tudo, que entender que não é seu povo e por isso não pode esperar que aconteçam coisas que são óbvias pra você.

Aprendizado. Mais importante do que o que o dia-a-dia nos oferece por aqui é saber como lidar com tudo isso. Pois bem, se um dia alguém for viver uma situação parecida com a minha e me pedir um conselho, direi: “Olhe pra frente…”. Essa frase pra mim resume tudo! Quando uma pessoa deixa tanta coisa importante pra trás é porque ela acredita que através daquela escolha algo melhor virá, mas esse “algo” não estará no meio do caminho, estará sempre mais adiante e para chegar lá é preciso agarrar a vontade de chegar no seu destino e seguir em frente. Não permita-se, quando possível, pensar no que é agora ou no que tinha, pense no que pode alcançar e se concentre no que deve fazer para isso. Só! Todos estrangeiros que conheci aqui que vieram pra cá SÓ por causa do conjuge e não traçaram nenhum plano para si mesmos, falharam…. Falharam porque não estabeleceram metas pessoais, sem as quais não somos ninguém! Olhe para o horizonte e não para o chão onde pisa, pois o chão dá sensação de segurança nos convidando a permanecer naquele ponto…

Vivo como uma libélula…. vivo o dia de hoje como se fosse o último… e quando acordo a cada dia vejo que a “Maira” de ontem já não existe mais…

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Nenhum Comentário para "Alemanha – Um ano…um ciclo…outra visão…"

  1. Fernando Generoso disse:

    Oi maira parabens pelo aprendizado vc emociona quem le seus texto.
    Mas sua vida giro 180 graus,se girasse 360 graus vc ficaria no mesmo lugar.

  2. Maira disse:

    kkkkkkkkkkkk…. tu até que tá ficando sabido, minino!!!! kkkkkkkk… pior que é verdade… aff… isso que dá parar de estudar…kkkk….

  3. Carla Susana Guadanini disse:

    Olá Maira .

    As suas dicas sobre os alemães foi de grande ajuda ! Valeuuuu !!!
    Nossa , eu cometi tatas gafes com meu namorado ! KKKKKK
    Depois de ler seu bloguinho dei boas gargalhadas . É , vivendo e aprendendo !
    Ainda bem que o CHRIS me entende !
    Obrigada e um abraço.

  4. mari disse:

    Ei Maíra, gostei d suas dicas e avaliacoes
    MARINIEN@HOTMAIL.COM
    Um abraco
    Mari

  5. Vivian disse:

    Ola Maria,
    Adorei o seu blog, é otimo pra quem esta por passar pela mesma situacao que vc, meu marido é de Sttutgart, mas atualmente vivemos na Colombia, somos meio nomades, eu ja fui a Alemanha algumas vezes e sinceramente, acho que se vivesse em Sttutgart morreria de tedio, eu fui ai no inverno e verao, o inverno é de matar, parece que todo mundo ta preso dentro de casa e a cidade morreu… enfim, em fevereiro do proximo ano nos nos mudaremos para Muenchen… a cidade é maior, tem mais gente etc etc… mas ainda é Alemanha, ne? E de pensar, penso em nao pensar… por que o frio na barriga me consome…
    Queria o seu contato, pois assim poderiamos nos conhecer, eu e meu marido tambem fazemos muito trekking, ha 10 dias chegamos da Suica, fomos fazer trekking em Zermatt!!
    Parabens de novo e boa sorte!!!
    Abracos, vivian

  6. Rejane Lima disse:

    Olha vc falou tudo que vejo nos meus 1 an e meio aqui na alemanha. atualmente precisamos decidir se ficamos e lutamos pela cidadania alema,ou seja fazemos da alemanha nosso pouso definitivo ou se vamos embora. temos duas opcoes: Brasil, onde podemos estar muito bem financeiramente,mas inseguros com a violencia ou Canada que nos espera de bracos abertos com emprego e muito apoio ao extrangeiro.
    Sinceramente e uma decisao dificilima. Meus filhos( 7 e 3 anos) amam viver aqui,mas eu temo a discriminacao, temo me entediar e temo nunca me sentir em casa. O que gosto daqui: a natureza, cidades pequenas.o que odeio: o idioma, o jeito dos alemaes. Estou em busca nem blogs de uma ajuda para a minha decisao.Pode me ajudar dando sua propria opniao sobre os beneficios unicos de se viver na alemanha e da dicas d eoutros blogs que fala do assunto? Quem sou? Sou casada,37 anos,2 filhos,advogada no Brasil, meu marido e engenheiro,trabalha com energia eolica,tem 38 anos.obrigada e parabens pelo seu blog.a mei
    Rejane

  7. Maria do Carmo disse:

    Obrigada Maira!
    Sem saber vc deve estar ajudando a muitas pessoas, que como eu estao um pouco perdidas por aqui. Acredito que a partir de agora, eu de mais valor as pequenas coisas que tenho vivido aqui.
    “Uma crianca antes de andar tem que engatinhar.”
    Maria – Berlin

  8. Maira disse:

    Maria… obrigada vc! Sao esses comentários como o seu que me mostram o qto vale a pena continuar a relatar minhas experiências para outros que podem estar precisando de uma “luz” ou até mesmo de um “empurrao” pra ir avante! Boa sorte e precisando é soh gritar, ok!? (((-:

  9. Colin Radford disse:

    I am looking to contact the photographer or photo agency where you found the dragonfly (libelula) image with the boy at sunset, above.

    I would appreciate if you can pass on any contact details.

    Thanks in advance!

  10. Simone Dealtry disse:

    Olá Maíra!!!!

    Antes de tudo queria dizer que penso e vivo como voce: como uma libélula!!!! é um símbolo para mim, tanto que tenho tatuado no meu corpo: símbolo de viver o dia de hoje como se fosse o último!!!!
    E é exatamente que ando sofrendo com algumas dúvidas… Já morei na Alemanha, em Braunschweig (norte alemão) por seis meses….e o mau humor e a rabugisse dos alemães foi algo que me incomodou muito, muito mesmo. Conheci alguns bons alemaes, e no fundo gosto deles, pois ao menos são pessoas que apesar de grossas em algumas palavras, são SEMPRE sinceras e honestas. E é engraçado isso…realmene, alemãe não sabe viver sem regra. Ele simplesmente fica paralisado ou perde o controle. Um bom exemplo é em relação às bebidas…não tem regra para isso lá..certo? Pois bem…é assuatdor o número de jovens cada vez mais novos bebados no meio darua, o alcoolismo é alto lá….e é muito comum encontrar garrfas vazias no meio da rua em qualquer dia da semana. Perdem o controle. Sendo assim, vivendo somente com regras, como ter espontaniedade??? Difícil.,..e eles não a tem.
    Ando pensando muito…pois sei como será lá…e irei voltar agora em janeiro para ficar tres anos!!!! Ai meu Deus…que medo…medo de ser infeliz esse período…e pior: medo de me contaminar com esse mal humor e rabugisse!!! aiaiaaiai….
    entretanto, tem uma frase sua que tá mudando o foco desse pensamento, e tenho certeza que me fará ficar bem lá esses tres anos: “Olhe pra frente…”. !!!!! Sim!!! Quando esses incomodos baterem eu vou me lemnrar profundamente disso…e pensar que o doutorado que farei lá mudará completamente minha carreira para melhor futuramente!!! E pronto! Muito obrigada!!!!
    Ah, outra coisa engraçada…como o sol faz falta…o dia que fazia sol eu parava tudo..e ia direto para rua…desesperada…e ainda dizia a todos: “Vamos aproveitar o sol de hoje…nunca sabemos o dia de amanha, pode estar chovendo e cinza de novo!!!!!!!!!”rsrsrsrs
    Beijo grande

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