Reflexões

Brasil – O primeiro reencontro (o "depois")

Intenso, verdadeiro e rápido. É assim que posso resumir esse período em que estive no Brasil. Senti pela primeira vez a intensidade real das coisas e vi pela primeira vez a dimensão e confusão que tem São Paulo. Mas também é a primeira vez que vi como São Paulo é maravilhosa.

Quando vivemos na rotina com algo ou alguém é difícil de realmente “percebê-los”, por isso, após 1 ano, digo que senti de verdade tudo ao meu redor no nosso país e na minha vida com as pessoas dai. Senti que a intensidade das coisas tomou uma dimensão que eu nunca tinha visto ou sentido. Me senti um nordestino ou alguém de qualquer cidade pequena chegando em Sampa. Tudo se tornou cinco vezes maior, mais barulhento e muito mais caótico. Mas o mais belo…ahhhh o mais belo se tornou espetacular! Me apaixonei por São Paulo e pelos seus cidadãos.

Não que eu queira morar novamente na capital. “No way!”. Mas foi uma experiência que me fez ver o quanto São Paulo é grandiosa, acolhedora, pluralista, contrastante e intensa. Impossível não admirar um povo que arruma tempo pra beber junto depois de ter trabalhado o dia inteiro e depois ter ido pra faculdade ou para a pós-graduação. Esse é o perfil dos meus amigos e familiares. Esse era o meu perfil até pouco tempo atrás. Essa é a cara de São Paulo.

Passeando de transporte público e de carro me dei conta do caos que São Paulo está vivendo dia-após-dia. Mas também senti orgulho de ver pessoas buscando serem algo melhor ou até mesmo melhorar a cidade. Vi iniciativas principalmente no metrô para reeducar o cidadão. Sim, são iniciativas imperfeitas, mas nada no mundo nasceu perfeito, tudo teve que passar de bruto a lapidado. Nosso sistema não é diferente. Uma das falhas é pedir para esperar todos descerem antes de embarcar, sendo que o “delta T” relacionado à abertura/fechamento das portas não consegue dar tempo para o embarque. Eu mesma fui dar uma de européia e quase tive que pegar o próximo trem. Ou seja não é possível pedir educação sem primeiro dar condiçoes para que as pessoas possam ser realmente educadas. Primeiro infra-estrutura, depois aula de bons costumes. Assim funciona.

Mas saindo da selva de pedras e partindo para algo menos “concreto” digo que todo meu medo de antes de partir para essa experiência se transformou em alegria exacerbada. Não trago praticamente nenhuma recordação ruim que me faça pensar em não retornar definitivamente ao Brasil após alguns anos por aqui. Ao contrário. Esse retorno me fez ter certeza de que nem o tempo pode me separar das pessoas que amo e muito menos pode me fazer “menos brasileira”, ou melhor, “menos Maira”. Mudei, mas pra melhor. Amadureci, mas não endureci.

Família e amigos. Únicos e sempre únicos. Tive momentos maravilhosos com muitos, mas infelizmente não consegui rever todos e muito menos conversar com cada um como eu gostaria. Percebi que muitos mudaram, uns para melhor e outros para algo que não me parece tão bom assim. Não que eu seja perfeita. Quem me dera. Mas é fácil depois de algum tempo saber o que é um “bom caminho” (até porque só comecei a trilhar esse ai com 23 anos). Vi muita gente que continua mentindo pra si mesma, com a ilusão de fazer dar certo a partir do falso. É falso porque não vem do coração, mas sim da razão. Aquela que equilibra, mas que também limita. A razão foi feita para ser perdida por vezes, deixando entrar assim os sonhos e devaneios. São esses que nos levam à verdade, pois nos mostram além do que é palpável ou previsível. É preciso voar para alcançar as nuvens.

São pensamentos como esse acima que queria poder ter declarado a alguns. Mas o tempo. Sempre o tempo. São Paulo não para nem para ouvir conselhos.

Aliás o tempo também ganhou outra dimensão nessa viagem. Percebi que consegui aproveitar meu tempo de forma muito mais produtiva do que antigamente. Não desperdicei um minuto sequer nem com preguiça e muito menos com brigas. Fugi de uma e fugiria de quantas outras aparecessem. Por quê!? Porque enquanto não dizem pra gente “Ei, você tem apenas mais 2 dias com essas pessoas e depois quiçá só no ano que vem…” a gente não entende o valor daquele momento e é ai que entram os conflitos pequenos e desnecessários. Mas quando o tempo está o tempo todo ocupando o seu tempo, ai sim, você decide por um abraço, por lágrimas solitárias ou por silêncio. Nunca por discussões (ou…quase nunca).

Mas a falta de tempo, ou melhor, o tempo escasso também pode ser positivo. Isso te obriga a fazer escolhas, a priorizar ações e, com isso, percebe coisas que até então não faziam diferença. Acaba percebendo que tem menos amigos de verdade do que acreditava ter e, ao mesmo tempo, descobre novos amigos para os quais nunca deu muita atenção e que estão sempre ali, torcendo por você silenciosamente. Percebe que existem mais pessoas interessadas em diversão do que em aprofundar a amizade e aprende a respeitar isso. Mas também percebe que alguns amigos antigos ficaram no passado. Não há mais afinidades. Não há mais verdade. É hora de guardá-los no baú das boas recordações, mas sem esquecer onde estão as chaves, pois um dia a vida pode fazer vocês se reencontrarem novamente.

Hora de ir embora. Na hora de vir embora o conflito. Alegria e tristeza. Alegria por estar prestes a voltar para o “amor das minhas vidas” e para o ”nosso cantinho”. Alegria porque percebi que o melhor lugar do mundo é qualquer lugar onde eu possa estar com o Rodrigo. Tristeza por saber que não viria por mais um ano meus amigos e familiares do Brasil.

Estava na Avenida Paulista. Chorei. Essa avenida sempre foi minha predileta. Sempre foi pra lá que eu ia quando queria sair do meu mundo e entrar no mundo dos outros. Quando eu queria refletir, era lá que eu costumava ir. Andava do metrô Paraíso até o Consolação. Sempre ficava fascinada com a diversidade e com os contrastes que habitam a Paulista. Era gente de todo lugar. Gente do mundo todo e de todos estilos. Mas mais importante que toda a diferença, era a igualdade. A igualdade entre os brasileiros que andam na Paulista e eu. O fator comum “ser brasileiro” me aproximava daquelas pessoas, não importando a marca de suas roupas ou seu grau de escolaridade. E de repente eu me vi ali. Me vi “fazendo parte” de novo. Me vi no meio do povo de onde vem toda minha identidade e meus valores. Algo que só verei de novo no próximo ano. Chorei.

Chegando no aeroporto de Cumbica chorei. De novo. Mas ai foi porque a fila pra passar no raio-x estava bem “a la paulistana” e nessa situação não tem como não chorar…. de raiva! )))-:

Chegando no avião que foi de Paris para Stuttgart sofri. Sofri porque percebi que estava indo para a Alemanha antes mesmo de chegar lá. Por quê!? Porque foi em poucos lugares do mundo que senti o “fuá” que senti dentro do avião. Só podia ter alemão no pedaço e daqueles que usam a mesma camisa 5 vezes por semana sem desodorante. Dá-lhe catinga! Sem dúvidas. Eu estava no voo certo. (((-:

Falando em Alemanha preciso confessar algo. Na verdade preciso pedir desculpas. Sempre disse e repeti que não gosto de morar na Alemanha e no caminho de volta não consegui dormir pensando nessas declarações. Discordo de mim. Sim, sou louca a ponto de discordar de mim mesma. A Alemanha não é o problema, mas meu “status” aqui sim. “Status” no sentido de ocupação. Acredito, como disse para alguns, que a partir do momento em que eu enfim descobrir meu caminho por aqui, a Alemanha se mostrará para mim diferente do que é até então. Sim. O povo alemão, no geral, é realmente difícil de lidar. É uma cultura avessa à nossa. Mas talvez eu encontre outra Alemanha a partir do momento em que eu realmente entrar no sistema deles através de trabalho ou estudo. Acredito que podemos sempre aprender. E isso é o mais importante. Além do que as palavras e pensamentos tem um poder indescritível de transformação. Por isso, anotem ai: EU AMO A ALEMANHA!!!! (quem sabe assim o jogo vira…hehehehe)

Pra finalizar. Ser “turista-cidadã” no Brasil foi uma experiência MA-RA-VI-LHO-SA!!! Estou guardando as melhores recordações, os melhores aromas, os melhores sabores, os melhores abraços e gargalhadas inesquecíveis.

Vocês, amigos e família, são responsáveis por eu ter sempre força e coragem pra seguir em frente. Muitos dizem me admirar e eu digo algo que o Jair um dia me disse: a gente só admira em alguém algo que nós também temos. Sigam a sua estrela, mas só se for na mesma constelação da minha, pois quero vocês sempre anos luz pertinho de mim!!!!

E é pra sentí-los aqui quando a saudade bater forte que tenho esses registros de alegria que vocês podem visualizar aqui !!!

Saudades!!!

 

 

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Nenhum Comentário para "Brasil – O primeiro reencontro (o "depois")"

  1. Rosana/ Richard disse:

    AMIGA, SEM PALAVRAS, PORQUE CADA VEZ QUE LEIO SUAS MENSAGENS FICO SORRINDO E CHORANDO AO MESMO TEMPO, SORRINDO, PORQUE, VOCÊ SABE NÉ SEU ALTO ASTRAL, SUA SINCERIDADE E SEU HUMOR, NÃO TEM QUE NÃO DE RISADAS, E AO MESMO TEMPO SUAS PALAVRAS , SEUS RELATOS, TOCAM NOSSOS CORAÇÕES,E ISSO FAZ COM QUE PARAMOS PRA PENSAR, REFLETIR E MUDARMOS, PARA MELHOR, , FAZ MUITO BEM PRA TODOS NÓS…..PRONTO…OH AI OH, JA TOU CHORANDO…….ACHO QUE VOCÊ PRECISOU IR PRA BEM LONGE PARA DAR UM CORRETIVO EM TODOS NÓS.. E PELO MENOS TENTAR NÃO ERRAR , APRENDER PERDOAR, ETC…ETC…, AGORA AMIGA PERDÃO PELOS MEUS ERROS DE PORTUGUÊS…KKKKK
    HEHEHEH ATÉ QUE ENFIM FAÇO PARTE DE SUAS FOTINHOSS, A ALEMANHA IRÁ ME CONHECER….KKKK
    JÁ ESTAMOS COM SAUDADES, E PROMETO QUE QUANDO VOLTAR TEREI MAS TEMPO PARA VOCÊS (RODRIGO TAMBÉM)
    MUITOS E MUITOS BEIJOS DE SEUS AMIGOS
    ROSANA E RICHARD

  2. Lu disse:

    Muito lindas as fotos de Fernando de Noronha :)
    Sua visita foi intensa pelo jeito, viu o medo era a toa, vc teve outras visões e isso sempre acresce na nossa mente.
    Você deve ter visto o quanto SP tá caótica, todo dia na tv dá alguma coisa, essa semana foi o transtorno do trem e todos os dias os congestionamentos, fora o bendito caso Isabella, nossa, ta punk, e não é só lá, pode ter certeza…
    Mas aproveite as bikes na Alemanha, a relativa tranquilidade, e outras mil qualidades que tem aí, apesar que vc deve sentir falta de muitas coisas daqui com certeza …mas como eu sempre digo : é a vida…hehe
    beijos

  3. Ivia disse:

    Oi Máh!
    Que peninha… Não ti ve a oportunidade de te ver na sua visita a nossa “terrinha”.
    Estou com saudade da prima louca da família, faz o favor de não ficar mais UM ANO longe viu!

    Se cuida linda, estou com saudades!
    Sucesso!!!

    Um dia eu vou ai te visitar! (risos)

    Beijinhos!

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