Reflexões

Brasil – Segundo reencontro: retornar é crescer

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No post anterior escrevi, como da última vez, sobre os sentimentos antes de voltar a visitar meu país de coração. Foi bem diferente do post relativo a primeira visita, onde eu fui tomada por um medo incrível de tudo que iria encontrar e de tudo que não iria mais encontrar. Dessa vez sai daqui tranquila e sem nenhuma grande expectativa, nem boa e nem ruim.

Mas o post sobre o retorno será bem diferente do último retorno. Nem melhor, nem pior. Só diferente.

Pisar em solo brasileiro é sempre mágico pra mim. Me arrepia. Me emociona. Sempre. Ouvir nossa língua sendo falada com diversos sotaques é encantador! O Brasil se entende de norte a sul e isso, quando se mora na europa, é mágico de se ver. Um país com tal dimensão onde só existe uma língua oficial! E os sorrisos? E os abraços? E a senhora presenteando um caixa da padaria no Natal? É tanto calor humano, meu Deus! Saudades. É disso, acima de tudo, que sinto saudades.

Da primeira vez que estivemos no Brasil como “turistas” foi tudo muito mágico e cheio de alegria e euforia. Só vi coisas boas, baguncei muito e trouxe comigo um sentimento de euforia gostosa e inesquecível. Mas desta vez fui a fundo em tudo e vi muita coisa boa, mas também muita coisa ruim dentro e fora de mim. As coisas boas fora de mim são as mesmas que vi da outra vez e dentro de mim vi muita coisa boa, principalmente amadurecimento para lidar com pessoas e situações que antes eram um desafio pra mim. Não foi fácil, mas acho que tive sucesso dessa vez. ((-:

O período dessa vez era de férias e, por isso, não pudemos ver muita gente querida que estava viajando e também não pudemos ver pessoas que estavam até mesmo pertinho de nós, pois nós também nos deslocamos bastante. Sendo assim, fiquei muito mais tempo sozinha, andando pra lá e pra cá e observando tudo DE VERDADE à minha volta e, mais uma vez, dentro de mim. O que vi? Bem, vi que vou ter algumas dificuldades quando voltar. Dificuldades que até então eram folclore pra mim.

FORA DE MIM:

- O que mais me assustou foi que senti MUITO medo tanto em Sampa, quanto em Belo Horizonte. Medo do quê? Das pessoas à minha volta, principalmente quando estava no trânsito. Uma agonia desesperadora se instalava dentro de mim nesses momentos. Sério: DESESPERADORA. Era como se eu nunca tivesse vivido ali, mesmo sabendo que vivi – e bem – durante 28 anos naquela loucura. O que me consola, é que pessoas que já passaram por essa experiência dizem que quando voltarmos esse medo todo diminuirá com o tempo e com a rotina. Assim espero, pois não quero sentir “aquilo” de novo. Não quero.

- Da primeira vez que fomos como “turistas” ao Brasil só tínhamos conhecido lugares bonitos e abastados (exceto o Egito), mas dessa vez isso também foi diferente. Antes de ir para o Brasil, dessa vez, fomos ao Quênia (África) e à Romênia. Dois lugares onde vimos muitos problemas sociais e de infra-estrutura. Sem dúvida estou falando de países completamente diferentes, pois a Romênia é um país pobre para o padrão europeu e o Quênia é um país pobre de verdade, ou seja, para os padrões humanitários. Essas viagens nos trouxeram uma visão diferente quando olhamos para o Brasil agora. Em São Paulo vi muitas situações que me lembraram a Romênia (nada tão ruim) e muitas outras que me lembraram o Quênia (algo – agora - chocante pra mim). Percebi o quanto a gente fica “abestado” morando na Europa, pois quando eu fui ao Quênia e a Romênia olhei para essa “pobreza” e ficava impressionada, revoltada, indignada e assustada. Chegando ao Brasil, dessa vez, tive a mesma sensação. De repente eu enxerguei tanta coisa ruim que existe em São Paulo. De repente eu entendi que só quero voltar porque lá estão as pessoas que amo mais que tudo e não por causa do lugar. Só as pessoas me farão voltar. Agora eu tenho certeza disso e fico triste em perceber essa realidade.

DENTRO DE MIM:

Errei. Estou errando e errando muito. Como assim? Pois bem, eu NUNCA tive vergonha de voltar atrás e dessa vez não é diferente. Percebi que a minha “aversão” à cultura alemã só me trouxe atraso e falta de um real aproveitamento estando por aqui. Justo eu que odeio pré-conceitos. Odeio e estou sendo esse tempo todo uma dessas pessoas “pequenas” que se acham melhor ou mais capazes que as demais à sua volta, não importa aonde estejam. Da última vez já tinha me proposto a aceitar melhor as coisas, mas eu falhei. Sinto que na verdade eu só estava me escondendo de mim mesma, com vergonha de assumir que admiro SIM muita coisa nessa cultura e nas pessoas que aqui nasceram. LÓGICO, que tem MUITA coisa (assim como no Brasil) que ODEIO aqui e isso não vai mudar, mas isso NAO justifica eu me fechar e tirar a chance deles me mostrarem o que há de bom e eu de aceitar que isso também é bom pra mim.

Por isso, respondi dessa vez que não sei exatamente quando voltaremos, embora tenhamos uma previsão de voltar, no mínimo, no começo de 2010. Mas eu NAO QUERO MAIS fechar portas e janelas. Não quero mais dizer que “não aguento mais” e assim desperdiçar possibilidades, pois se eu permanecer nessa linha energética, elas não irão aparecer MESMO pra mim. EU NAO QUERO MAIS ser preconceituosa e pequena. Não quero. Cansei. Lutei contra meu destino e só eu perdi até agora. Não quero mais perder. Quero vencer e pra isso é preciso aceitar minha condição atual e permitir que ela se mostre favorável e enriquecedora. É isso. Retornar é crescer mesmo e de verdade.

Como me escreveu uma amiga peruana sobre uma frase de Che Guevara: “Nosso país nao é necessariamente onde nascemos, mas sim onde nos realizamos.”

Ou ainda como disse um amigo do Rodrigo: “Você não pode julgar um país pelo seu povo, mas sim pelas pessoas que ali nasceram e que VOCÊ CONHECE.” Se for assim, eu JAMAIS julgaria mal a Alemanha, pois, até agora, praticamente só conheci de verdade pessoas maravilhosas que vem nos ajudando e muito no processo de integração. Elas são diferentes de nós, mas são pessoas boas e é isso que deve contar.

É isso. Leiam o post do primeiro retorno, somem a este e terão uma visão positiva e negativa sobre o Brasil, ou, talvez fosse melhor dizer, sobre São Paulo (afinal não conheço o Brasil como um todo, principalmente o eixo norte). E terão também uma visão do meu encanto sobre Brasil e Alemanha e também o meu desencanto sobre os mesmos.

Isso porque TUDO tem um lado bom e um lado ruim e é disso que vem o equilíbrio de qualquer sistema. E o nosso equilíbrio só é alcançado quando alcançamos maturidade suficiente para enxergar as coisas como elas são e não como gostaríamos que elas fossem. É a partir dessa visão, que conseguimos, enfim, integrar o sistema e viver em harmonia conosco e com ele. É assim que penso HOJE e é a partir de agora que quero viver assim.

Sobre os momentos que passamos com nossos amigos e familiares, só tenho um milhão de coisas a dizer, mas principalmente: AMEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEIIIIIIIIIIIIIIIIII !!!!! São vocês que fazem cada viagem de volta valer a pena, de verdade! Se não fossem vocês eu talvez não quisesse tanto voltar (o que classifica vocês como culpados também…hehehe). Quando encontro com minha família e meus amigos eu me encontro comigo mesma e é ai que consigo resgatar tantas coisas boas e decidir eliminar outras um pouco ruins pra mim e pra vocês. Vocês são os maiores responsáveis pelo meu amadurecimento e pelo meu “não endurecimento”. E, aproveitando que o Che tá na conversa, ele mesmo resume isso: “Hay que endurecer-se pero sin perder la ternura jamas!”

Esse retorno está sendo intenso, mas profundo. Me sinto BEM diferente e não me perguntem como, pois às vezes acho que o ser humano ainda não definiu todos os sentimentos e eu me vejo em um momento onde os sentimentos não tem nome. São sentimentos tão intensos e verdadeiros que talvez não sejam mesmo passíveis de definições humanas, afinal chegam a ser divinos e não humanos.

Saudades de todos e desejo que todos um dia se encontrem onde quer que seja, pois não importa o lugar, mas sim as as pessoas e as oportunidades que ele te oferece e a sua capacidade de enxergá-las e aproveitá-las.

Sucesso hoje e sempre pra mim e pra vocês! (((-:  E… até a próxima!!!

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5 Comentários para "Brasil – Segundo reencontro: retornar é crescer"

  1. Gi Pulga disse:

    Simplesmente esse post está muito perto da perfeição. Amei…
    Beijos
    Gi

  2. Yara disse:

    É isso aí, nada como o velho e bom ditado: “Viver e aprender”. Por isso somos almas que a cada dia agregamos mais conhecimentos e verdades (nem sempre)….Sucesso na sua busca, continuemos assim, eu, vc e todos os amigos!!!!
    Um super bj :)

  3. Maira disse:

    Gi… brigadinha pelo elogio… se está perfeito ou quase perfeito nao sei, mas sei q nunca fui tao a fundo em mim mesma…afff… até doeu… heheheh… Bjs linda!

  4. Maira disse:

    Yara, pois é… nada como um tombo atrás do outro.. (((-: Mas Deus nos deu pernas e fé pra isso: junta as duas e levanta pra alcancar a vitória! E é isso q estou buscando.. SEMPRE! Ainda bem q tenho vc e o povinho do bem do meu lado, neh!? Tudo fica beeeem mais fácil e divertido! Saudades jah!!! Bjs!

  5. Sandra Santos disse:

    A parte mais linda, que também vale para mim, mas num outro contexto atual, é a seguinte: “Lutei contra meu destino e só eu perdi até agora. Não quero mais perder. Quero vencer e pra isso é preciso aceitar minha condição atual e permitir que ela se mostre favorável e enriquecedora. É isso. Retornar é crescer mesmo e de verdade”. Estou super feliz e orguhosa por vc. Feliz por vc aproveitar o momento presente e ter resolvido aproveitar ao máximo seu tempo aqui, abracando-o. :-) Quanto ao medo de dirigir, ainda quero escrever sobre isso no meu blog…
    Beijos, Sandra

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