nov
26
Jundiaí (SP) – Fazenda Nossa Sra. da Conceição

Pra quem ainda não se situou, eu e minha família voltamos da Alemanha (Stuttgart) em junho deste ano e estamos morando no interior de SP, mais precisamente na cidade deliciosa de Jundiaí.

Estou apaixonada pela cidade e desde que chegamos estamos aos poucos descobrindo-a. Uma das descobertas mais deliciosas aconteceu graças à duas amigas que moram em “Sampa City” e já conheciam o que o interior tem “de bão”. Me convidaram para conhecer a “Fazenda Nossa Sra. da Conceição” que fica em Jundiaí, pertiiiiiinho de casa.

Esse dia foi muito especial, tanto pela visita deliciosa dessas duas super amigas, como pelo fato de ser a primeira vez que eu iria SOZINHA sair com amigas pra ficar fora a tarde TODA! Isso mesmo! Sem o Rafinha que ficou com o super-papai. Dia inesquecível: 19/09/2011. D

A despedida... snif...

O reencontro... ele(s) ainda me ama! hehehe

Agora voltando pra fazenda. A Fazenda Nossa Senhora da Conceição é um espaço delicioso pra passar o dia. Lá história, passado, lazer, natureza e culinária se misturam de forma harmoniosa, trazendo momentos tranquilos e ao mesmo tempo, dependendo da cia, divertidos. Nós 3 nos divertimos muito, tanto que o guia que nos levou pra conhecer o Museu do Café ganhou o dia com a gente de tanto que riu das palhaçadas. Na verdade, parecíamos crianças felizes e perguntadoras. Coitado do moço! Cada pergunta esquisita. D

Segue um trechinho retirado do site sobre sua história: “a fazenda tem sua história iniciada em 1810 quando ali se cultivava a cana-de-açúcar. Na década de 1860, período em que o café dominava as lavouras na província de São Paulo, a fazenda passou a ser muito conhecida. A produção de café na região foi a responsável direta pela construção da primeira ferrovia paulista – The São Paulo Railway Company – que ligava Jundiaí ao porto de Santos, entre 1856 e 1860. Em 1882 chegaram os primeiros imigrantes Italianos na fazenda. Motivados pelo clima da região, trouxeram consigo a cultura das vinhas.”

É um lugar repleto de natureza. Tem um lago cheio de patos esfomeados. Acho que os visitantes devem dar comida pra eles, porque é só ver a gente que vem pra cima. Sai pato!

O casarão é lindo, mas é uma pena que não tem nada pra ver lá dentro. Na verdade é que lá ainda moram os descentes do barão que morava por lá. Vida ruim desses descendentes, viu!? Morar numa fazenda dessas é o meu sonho! Maaas enquanto ainda é um sonho, permaneço fazendo poses esquisitas nas fazendas alheias. D

Lá tem um restaurante que também é um sonho… um sonho bem gordo. Sabe aquelas comidas de fazenda? Aqueles doces de fazenda? Aquelas cachaças de fazenda? Aquele clima gastronómico fazendal? Pois é, é exatamente TUDO isso que encontramos lá. Então se for almoçar por lá, prepare-se pra ficar HORAS. Aliás, neste dia nossa programação inicial era, inclusive, tomar café da manhã por lá, mas como as pessoinhas se atrasaram acabamos ficando só com o almoço mesmo. Enfim, comemos bem e falamos sem parar. E, no final, ainda encontramos um garçon chileno (era isso?) figuraça que queria ver a máquina da Gi e ai, de quebra, ganhamos uma sessão fotográfica dentro do restaurante. Parecíamos as celebridades da roça! D

Outro acervo interessante está no “Museu do Café”. Tem até uma mesa mostrando como acontecia a degustação para qualificar o café na época. Segundo o guia não mudou muito, ou seja, é colocar na boca, degustar e cuspir. Nheca! Fora o desperdício, né!? D

Uma das atrações da fazenda são duas senzalas, uma dos escravos que trabalhavam no cultivo de café e outra dos escravos que trabalhavam na casa. A mais impressionante foi a dos que trabalhavam dentro da casa. É tipo um buraco com chão de terra e uma altura máxima de, sei lá, 70cm. Os escravos entravam agachados e deviam permanecer lá ou deitados ou de joelhos. Na verdade, acho que eles preferiam continuar trabalhando do que ir dormir naquelas condições.

Um artefato super interessante que a gente viu por lá foi essa “máquina de múltiplos ferros” pra passar roupa. O guia explicou que colocava-se carvão no interior desse negócio e ai usava o primeiro ferro até a temperatura não ser mais a ideal pra passar e ai colocava-se este de volta no lugar pra aquecer de novo e pegava-se o próximo e assim ia. Imagina só as escravas passando aqueles vestidos cheios de “flu-flu” das madames da época. Afff… viva aos tecidos “auto-passáveis” do século XXI!!!

Mas acho que o mais apaixonante nesta fazenda (assim como nas fazendas antigas em geral) é justamente traços da sua história como a arquitetura consumida pelo tempo e as raízes de suas árvores e de sua história fortalecidas.

Uma fazenda repleta de histórias que com certeza deixaram saudades para muitos. Uma fazenda que agora faz parte também da nossa história, da história linda de uma amizade deliciosa que faz parte das nossas raízes. Amo vocês meninas! Agora só falta provarmos juntas o café da manhã e treinarmos mais a “pose manequim”. D



jun
7
FESTA – De volta ao Brasil!

“Auf Wiedersehen Deutschland!” (Até a próxima vez Alemanha!)

Agora é pra valer, só não sei até quando. -D

Chegamos dia 28/05/2011 (sábado) e no domingo já fomos para nossa moradia temporária em Jundiaí (interior de SP). Voltamos com tudo, inclusive com filho!!! Pois é, o mundo mudou muito desde a nossa vinda pra cá. Quando viemos o “mundo era dos 2″ e agora, olha que fantástico, “o mundo é dos 3″!!! Uhúúú!!! Nós vamos dominar o mundo!!! -D

Estamos voltando com muitas bagagens pra poder caber tuuudo que adquirimos na Alemanha, menos o Rafinha (rs). Nelas estamos levando todas as sensações que vivemos, as experiências, as memórias, as saudades, as imagens, os sabores, as cores, os cheiros, as formas, os sons, os momentos inesquecíveis e únicos que vivemos durante nosso tempo por lá. Mas, sem dúvida, na maior bagagem levamos o sentimento de superação, de tarefa cumprida, de vitória. Sim, estamos voltando com o sentimento de termos ultrapassado a linha de chegada. -D

Se estamos felizes!? MUITOOOOOO!!! Mas também estamos sentindo uma certa confusão sobre nossos sentimentos. Hein!? Pois é. Estamos felizes por estarmos voltando para nosso país que, apesar de tudo o que há de ruim, AMAMOS muito e por isso sempre desejamos esse retorno. Principalmente porque estaremos, enfim, mais próximos dos nossos familiares e amigos. Mas, por outro lado, estamos um pouco tristes, pois aqui também fizemos amigos que deixaremos. A parte boa é que uma boa parte deles a gente vai poder aproveitar no Brasil, já que o povo resolveu voltar em peso. Oba! Mas, além disso, também acabamos nos adaptando e nos acostumando com algumas coisas que, admito, irão fazer falta. O bom é que sabemos que tudo aquilo que está nos impulsionando pra voltar irá compensar as coisas boas que deixamos lá. Afinal vivemos a maior parte das nossas vidas sem elas e sempre fomos muito felizes, certo!? -D

Eu, particularmente, só tenho um receio neste momento. Tenho receio de estar criando falsas expectativas no que diz respeito à familiares e amigos. É uma das coisas que mais me move para voltar, mas tenho medo de ao chegar perceber que ficou uma “lacuna” entre a gente. Principalmente em relação aos amigos. Tenho receio desse tempo fora ter nos afastado, de termos mudado tanto a ponto de não nos sentirmos mais assim tão próximos. Tenho receio de muitos se afastarem por colocarem a gente em um “pedestal” só porque moramos na europa durante alguns anos. Por isso, gostaria de mais uma vez dizer que mudamos sim, mas nossa essência, que é aquilo que nos aproximou algum dia, continua a mesma. Nossos valores continuam os mesmos e continuamos cultivando a simplicidade e humildade como base para nossa vida. Ter morado na europa foi uma ótima experiência, principalmente porque através desta experiência colocamos nossos “pezinhos” no chão e perdemos (se é que algum dia tivemos) aquele maravilhamento que quase todos brasileiros tem quando pensam em europa. Chique? Chique pra mim hoje é poder andar descalça na terra batida, é poder estar perto da família e dos amigos, é poder tomar água de coco geladinha direto do coco, é poder almoçar no domingo com a família fazendo barulho, é estar com amigos bebendo num bar sem conseguir terminar um único tópico por vez (isso quando, de fato, existe algum tópico…rs), é poder fazer guerrinha de mangueira, tomar banho de cachoeira, comer miojo cru no acampamento, apanhar manga do pé e arrancar uma linha da roupa para tirar os fiapos do meio dos dentes. Ser chique, pra mim e para minha família é ser simples.

Enfim, são apenas receios. Medo da frustração. Mas sei que faz parte e hoje sei que só ficarão aqueles amigos que ainda tem alguma “missão” a cumprir junto com a gente. Os outros serão sempre lembrados como bons amigos de outras fases, que participaram de outras “missões” e que foram importantes naquele período. É nisso que acredito hoje. Amigos não deixam de ser amigos jamais, eles simplesmente se fazem presentes em períodos e momentos específicos e, devem sempre ser lembrados com carinho e gratidão.

Em compensação não tenho receio quanto à nossa readaptação, mesmo tendo consciência de que sentiremos falta de algumas coisas, como já escrevi anteriormente. Sim, além de algumas pessoas que conhecemos aqui e que se tornaram muito especiais pra gente, também sentiremos falta de outras coisas como segurança, infra-estrutura, civilidade, organização, cerveja boa (apesar de “quente” rs), festas típicas tipo Oktoberfest, Biergartens, Cafeterias, estrangeiros pra todos os lados (o que nos fazia menos sozinhos…rs), dos parques, das videiras à 10min. de casa caminhando, de dizer que sou brasileira cheia de orgulho e simpatia (rs), dos preços (de quase TUDO), da qualidade dos produtos, do IKEA (uma loja gigaaaaante para comprar TUDO para casa), do Pilum (meu restaurante predileto com o meu garçom predileto…rs), do meu obstetra que é um fofo, do pediatra do Rafa que é um fofo e um gato (rs), das janelas e jardins decorados durante as festividades, da forma objetiva com que os alemães se comunicam e resolvem os problemas, das tortas, das saladas, das invenções alemães que facilitam nosso dia-a-dia, do Kebap (mesmo que já tenha em SP, duvido que é melhor e mais barato do que o daqui…rs), das estações do ano tão bem definidas, das folhas amareladas no outono, dos botões abrindo na primavera, da sensação da neve fazendo cócegas no nariz da gente, da posição geográfica que favoreceu e muito nossas viagens e por ai vai.

Pois é, estando aqui ou lá sempre iremos sentir falta de algo. O que estamos fazendo é escolhendo aquilo que é mais importante pra gente e, hoje, o mais importante para nós é estarmos perto dos nossos familiares e amigos em uma terra onde a gente sinta que “pertence”. Sabemos de todas dificuldades, afinal moramos mais de 25 anos de nossas vidas no Brasil e ambos já moraram na cidade mais caótica que é SP, então não estamos voltando com ilusões e nem falsas expectativas quanto ao que vamos encontrar no quesito “ordem e progresso”. Sabemos que ordem definitivamente não existe e progresso, bem este existe, mas sabemos que ele é leeeento.

Mas os problemas, definitivamente, não nos interessam, afinal não estamos voltando impulsionados pelo que há de pior, mas sim pelo que há de melhor no nosso país. Se tem? Opa! E se tem! O Brasil é calor, é amor, é alegria, é música, é folia, é natureza, é diversidade, é tolerância, é plural, é ritmo, é movimento, é dança, é tropical, é humano. O Brasil é nossa casa que sempre nos recebe de braços abertos para um abraço quente e apertado. E é isso que queremos: ser abraçados calorosamente pelo nosso país e seu povo. E esperamos contar com vocês pra isso. -D

É isso. Estamos voltando felizes, realizados e gratos à Deus por ter nos dado a oportunidade de viver esta fase das nossas vidas de forma tão intensa e feliz. O saldo é POSITIVO e isso é o mais importante. Não foi, pra mim, uma escolha fácil ter ido pra Alemanha. Não foi um processo fácil nos adaptar (principalmente pra mim). Mas conseguimos! Fizemos amigos (inclusive muitos alemães extremamente especiais), enriqueci meu currículo para aquilo que quero profissionalmente, o Rô adquiriu mais experiência internacional na área dele, amadurecemos muito, ampliamos nossos horizontes, revisamos alguns pontos de vista, mudamos nossos referenciais, fizemos o que mais amamos que é viajar muito, festejamos muito, bebemos muito, namoramos muito, tivemos o maior presente das nossas vidas aqui (o Rafinha!), VIVEMOS muito e é isso que vai ficar na nossa memória de Alemanha. Enfim, como diria o Robertão: “Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi”. -D

No momento temos tanta coisa pra resolver que nem dá tempo de relatar tudo como eu gostaria, mas em breve vou escrever um post sobre as primeiras impressões, sejam elas boas ou ruins. Além disso, pretendo em breve voltar a escrever mais no blog e sei que assunto não vai faltar. Pois é, parece que minha inspiração está voltando. É verdade! Estamos vivendo tantas situações estressantes ao mesmo tempo, mas pelo simples fato de estar aqui com “meus homens” me sinto TÃO FELIZ! Aaaaahhh!!! -D

Pra completar só falta encontrarmos um cantinho nosso e reencontrar todos nossos familiares e amigos com muuuita calma. Pois é. Essa é a parte boa de não estarmos por aqui de férias: temos tempo! -D



fev
6
ENSINO ALTERNATIVO ALEMAO – O sistema “Waldorf” (Rudolf Steiner)

EXTRA! EXTRA! Estou quase mudando de opiniao, ou seja, estou quase desistindo de colocar meus filhos na Waldorf. Nao por que agora penso que é um sistema “ruim”, mas porque comecei a ficar com medo de arriscar e depois me sentir culpada, caso meu filho venha a ter traumas ou dificuldades gerados a partir desta minha decisao. Quer saber o que me levou a pensar assim? Entao leia as novas infos que recebi em verde na primeira parte do post. Algum argumento a favor que me faca voltar a opiniao antiga? -D

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“Nosso maior objetivo é desenvolver seres humanos livres, aptos para estabelecer, por si mesmos, metas e direcoes para suas vidas” (Maria Steiner)

Há muito tempo que queria escrever sobre este tema por aqui, mas parece que era mesmo pra ser agora. Por quê? Porque agora que sou quase mae, já estou pensando em qual escola colocar nosso pimpolho. Sei que pode ser muito cedo pra pensar nisso, mas quem me conhece sabe que a cabeca aqui ferve sem limites. Mas no fim alguns de vocês (ou muitos) devem estar se perguntando: “Mas o que é o sistema Waldorf de ensino?”. Vamos lá. Vou ser breve, pois existem fontes oficiais que com certeza vao ajudá-los a entender este sistema melhor e a formarem suas próprias opinioes. Sim, porque se estou trazendo este tema aqui nao é só porque acho extremamente interessante, mas principalmente porque é um tema que gera muitas discussoes entre pessoas que acreditam que esse sistema de ensino é super positivo e outras que acreditam que é um sistema com valores bonitos, porém pouco funcionais para o nosso mundo “cruel”. Eu, sinceramente, gostaria, apesar de todas as críticas que existem, que meus filhos estudassem em uma escola baseada neste sistema e esse post é mais uma forma de colher opinioes e experiências diversas para poder ter cada vez mais certeza de que é uma boa escolha ou que, talvez, nao. -D

O sistema Waldorf é um sistema de ensino que foi introduzido na Alemanha a partir de 1919 (por coincidência - ou nao – na cidade onde moro, Stuttgart) por um austríaco chamado Rudolf Steiner e que hoje está presente e crescente no mundo todo (inclusive no Brasil). É um sistema baseado na antroposofia. Esta, por sua vez, do grego “conhecimento do ser humano”, pode ser caracterizada como um método de conhecimento da natureza do ser humano e do universo, que amplia o conhecimento obtido pelo método científico convencional, bem como a sua aplicação em praticamente todas as áreas da vida humana.

Bom, pelo parágrafo acima já dá pra perceber que é algo bem complexo de “compreender racionalmente”, ou seja, é bem coisa de filósofo mesmo, entao pra gostar tem mesmo que ser meio “filósofo”. Agora a “filósofa” aqui vai brevemente citar o que já ouvi falar sobre as escolas que utilizam este método de ensino. Pra quem tiver “fome de saber” e já quiser informacoes completas, entre no site oficial no Brasil e entenda como funciona.

Tudo o que vou escrever aqui sao coisas que ouvi de quem estudou em escolas que seguem este modelo ou que fizeram o curso para serem professores de uma escola Waldorf, ou seja, tudo baseado em experiências reais. Aliás, se você que está lendo este post, estudou ou conhece alguém que estudou/estuda em uma Waldorf, seria super interessante se pudesse contribuir aqui deixando um comentário falando sobre a experiência ou sobre alguma coisa que deixei de citar ou, até mesmo, sobre alguma informacao que eu possa ter colocado de forma equivocada. Sua opiniao também será sempre bem-vinda, lembrando que opinioes expressas com agressividade/falta de respeito nao serao publicadas.

Bom, entao pra comecar, vou falar sobre alguns pontos que percebi que sao os que geram mais críticas por parte das pessoas que nao acreditam neste sistema (que sao muitos) e depois falo das coisas que, acredito, sustentam a funcionalidade deste.

PONTOS QUE PODEM SER VISTOS COMO NEGATIVOS:

(depois leiam este texto que descreve uma pesquisa feita sobre os “Sete mitos da insercao social do ex-aluno Waldorf”)

- O fato de não se exigir ou cultivar um pensar abstrato, intelectual, muito cedo é uma das características marcantes da pedagogia Waldorf em relação a outros métodos de ensino. Assim, não é recomendado que as crianças aprendam a ler antes de entrar na 1a série. Segundo esta pedagogia, antes deste período, o mais importante é deixar a crianca ser crianca, é deixar a crianca brincar e se descobrir sem racionalizar a vida. Segundo os críticos, esta forma de aprendizado pode ser considerada lenta e a crianca pode ficar “atrasada” e ter deficiência para acompanhar o desenvolvimento de criancas da mesma idade que frequentam escolas tradicionais. Nao acredito nisso, mas também nao tenho argumentos concretos pra convencer ninguém do contrário. É só um ponto de visto baseado no que acredito e, sinceramente, nao acredito que o fato da crianca comecar a fazer contas e a escrever apenas a partir do 7° ano vai fazer desta menos capaz de se desenvolver do que coleguinhas que comecaram a fazer isso antes. O mais importante estará sendo sempre desenvolvido: a capacidade de raciocinar, de falar e de se aceitar como é, desenvolvendo suas habilidades motoras e “humanas” (sentimentos).

- Nao existe um sistema de reprovacao e de notas como no ensino convencional. As “notas” sao simbolizadas por cores (ou estrelinhas) ao invés de números, ou seja, existem, mas sua representacao visual é diferenciada. Segundo os críticos, isso diminui a competência competitiva da crianca, ou seja, ela terá dificuldades de viver no mundo competitivo atual. Dizem que o mundo é cruel, logo a crianca tem que estar preparada para isso. Minha opiniao é que se o mundo é cruel, é porque o sistema gerou essa crueldade, entao está na hora do sistema criar algo que a combata, ou seja, um pouco de docura e humanismo nao faria mal nenhum. Enfim, percebi que aqui entram valores muito pessoais na discussao. Eu, por exemplo, prefiro um filho sensível que sofra um pouco para se adaptar ao mundo competitivo do que um filho extremamente competitivo que muitas vezes se torna insensível e sem limites para conseguir o que busca. Nao espero que ninguém concorde comigo, mas é assim que eu penso sobre este ponto. Eu mesma, que nao estudei em uma Waldorf, cresci acreditando que o mundo era cor-de-rosa e que todas as pessoas eram boas. Só fui comecar a reconhecer “crueldade” quando já estava com aprox. 23 anos de idade. É sério! Hoje estou bem mais esperta e seleciono muito melhor quem está ao meu redor, mas mesmo assim ainda acredito na bondade do ser humano e procuro sempre competir comigo mesma e nao com os outros. Complexo. Um dia explico essa minha teoria (rs).

- Nas aulas de esporte/educacao física os alunos nao jogam/aprendem a jogar futebol. Nao acho isso nenhuma desvantagem no que diz respeito ao sistema de ensino, ou seja, nao vejo isso como argumento contra válido. Se quer que seu filho jogue bem futebol, coloque ele pra jogar com primos, amiguinhos fora da escola, escolinha de futebol e pronto. Aliás, conheco alguns amigos que nao gostam de futebol, embora tenham estudado em colégios onde existiam inclusive campeonatos. Segundo uma amiga que estudou na Waldorf, eles acreditam que o futebol é um esporte muito agressivo e por isso nao está inserido no programa da escola. Com isso já nao concordo, ou seja, que o futebol é um esporte mais agressivo que o handball ou que o basketball podem ser. Mas nao deixaria de colocar meu filho em uma Waldorf baseada nesse argumento.

- O amor que os professores Waldorf devem desenvolver pelos seus alunos, e o conhecimento profundo que eles adquirem de cada aluno são outras características fundamentais da pedagogia. Por exemplo, idealmente durante os 8 anos do ensino fundamental cada classe tem um único professor que dá todas as matérias principais, isto é, fora artes, artesanato, educação física e línguas estrangeiras (em geral duas, nos 12 anos de escolaridade). No ensino médio há um professor que, durante os 4 anos, assume o papel de tutor da classe. Segundo os críticos, isso é ruim para o desenvolvimento da crianca, principalmente se o professor nao for com a cara da crianca e a “perseguir” durante os 8 anos. Também criticam o fato de ser impossível um único professor ser apto a lecionar todas as matérias durante o ensino fundamental. Eu já vejo de outra forma. Os professores Waldorf sao profissionais que estudam para serem especificamente “professores Waldorf”, ou seja, tem uma formacao toda baseada neste sistema de ensino, logo estao totalmente preparados para lidar com todo e qualquer tipo de crianca, sem discriminá-las. Pelo menos essa é a filosofia deste sistema de ensino e se alguém decide lecionar em tal escola é porque deve estar “alinhado” com tal filosofia. Sobre ser impossível um único professor estar apto a lecionar todas matérias do ensino fundamental, ainda estou em dúvida sobre ser um ponto fraco do sistema Waldorf. Teria que saber que tipo de diploma é exigido e qual o tipo de treinamento é dado para tais professores, ou seja, preciso conversar com minha amiga que fez o curso para ser professora lá e depois volto aqui. -D

- Nessas escolas sao ministradas aulas de corte, costura, pintura e etc. A crítica é que as notas para estas “matérias” tem o mesmo peso que as notas para as matérias tradicionais (matemática, português, história e etc). Minha primeira reacao foi achar isso errado, mas depois refletindo um pouco “fora do quadrado” penso que faz sentido. Sim, porque pintar também é uma habilidade, assim como fazer contas. Sim, porque nem todo mundo é bom com números, assim como nem todo mundo é bom em pintura. Entao porque dar pesos diferentes se no fim estamos falando de habilidades que nem todos tem, mas que os que tem poderao utilizá-la na sua profissao no futuro? Há os que dizem: “mas matemática todo mundo precisa, pintura nao”. Será mesmo que todo mundo precisa ser bom em matemática? Será que é justo dizer que o cara que é bom de matemática é melhor do que o cara que é bom em pintura? Por que que todo mundo tem que ser bom em matemática? Se eu nao sou, sou burra por um acaso?

- Alguns críticos acreditam que os alunos de uma Waldorf tem menos chances de passar nos melhores vestibulares ou até mesmo de conseguir bons empregos na sua vida adulta. Estudos como o estudo já citado no início deste tópico comprovam que isso é apenas mais um mito e que a realidade é bem diferente. Lógico que alguns alunos, dependendo do curso e/ou universidade que querem estudar, acabam tendo que fazer cursinho pré-vestibular, mas também nao acho isso nenhum demérito. Por outro lado, li no site oficial da Waldorf que nos EUA as grandes universidades dao preferência para alunos que tenham estudado em escolas do sistema Waldorf, pois sabem que os alunos tem uma capacidade positivamente diferenciada. Quem quiser pode chegar esta info clicando aqui. Está em um dos últimos parágrafos.

INFORMACOES RECEBIDAS POR EMAIL/TELEFONE APÓS PUBLICACAO DO TEXTO POR PESSOAS QUE TIVERAM EXPERIÊNCIAS COM O SISTEMA WALDORF:

- Neste item vou descrever tudo que uma amiga me relatou hoje por telefone sobre a experiência pessoal dela em uma Waldorf. Já tínhamos conversado sobre o sistema, mas a única coisa ruim que ela havia relatado era que o sistema realmente cria pessoas extremamente sensíveis que sofrem muito no mundo “real”. Mas desta vez ela me contou coisas que me deixaram realmente com uma pulguinha atrás da orelha. Ela me contou que ela sofreu muito preconceito por ser “atrasada” em relacao à seus amiguinhos que estudavam em escolas convencionais. Disse que em um curso de catecismo morreu de vergonha, pois era a única que nao sabia ler nem escrever, pois, como relatei aqui, criancas na Waldorf só comecam a aprender a ler e a escrever a partir dos 7 anos de idade. Ela contou também que nos primeiros anos sua professora (uma alema que tinha se mudado para o Brasil) a obrigava a escrever com a mao direita, apesar de saber que ela era canhota, pois dizia que aquilo era importante para ela desenvolver o raciocínio do lado “correto”. Disse que gracas à Deus nao teve que ficar com essa mesma professora nos 8 anos previstos, pois esta foi substituída por uma outra que foi ótima para a turma. Contou que esta outra professora a ajudou a se desenvolver na área de conhecimentos gerais, mas fora do programa normal da escola e que isso foi pura sorte mesmo. Contou que alguns alunos que tem mais sede de aprender eram tratados com preconceito, pois eles nao tinham paciência para aprender na velocidade imposta pelo sistema Waldorf, que é relativamente lenta para os padroes do ensino tradicional. Disse que o sistema é ótimo para trabalhar o “ser humano” e suas aptidoes artísticas, mas que nao prepara realmente as pessoas para a vida no mundo real. Ela contou que até hoje sofre muito por ser tao sensível. Diz que sofre mais do que o normal quando vê pessoas fazendo maldade ou notícias ruins em geral. Sente que sua capacidade de raciocínio é eficiente, porém lenta. Disse que nao vai colocar seus filhos em uma Waldorf, pois nao quer que eles tenham os mesmos problemas que ela teve, mesmo tendo amigos que estudaram com ela que nao tiveram problemas e que hoje estao super bem e que continuam acreditando no sistema Waldorf. Por isso ela reforcou que é um tema muito complexo, pois é extremamente pessoal e cada caso é um caso. Disse que tem sim muita coisa boa, mas que é preciso ponderar se vale a pena arriscar. Bom, essas infos me deixaram bem inclinada à desistir da idéia, pois sao informacoes baseadas na prática e recebidas por alguém que cursou todo ensino fundamental em uma Waldorf. Além disso, é uma pessoa que eu respeito muito e que sempre é muito ponderada quando dá suas opinioes, além de respeitar muito outros pontos de vista.

- Uma outra amiga me enviou um email dizendo o seguinte: “Putz Maira…o seu texto é ótimo, mas a polêmica é enorme. Eu adoraria se tivesse uma escola Waldorf aqui do lado de casa, mas ao mesmo tempo, jamais estaria pronta EU, para acompanhar o tudo de “bom” que eles são e aí, o que acontece é que seu filho começa a ficar sendo o “estranho da escola”, sabe? Numa escola normal, se ele é “estranhinho” não é tao ruim, porque tem outros TAO OU MAIS ESTRANHOS. Em teoria acho eles otimos e conheco pessoas da minha geraçao, ou quase, que tem formacao waldofiana que sao seres especiais, criativos, abertos, mas não são exatamente ADAPTADOS ao nosso mundo.”

- Uma info que eu já tinha, mas que tinha esquecido de citar é que aqui na Alemanha o preconceito é muito grande com pessoas que cursaram uma Waldorf. As pessoas consideram essas criancas mais “fracas”, pois estudaram em um sistema que nao exige que a crianca tire boas notas pra passar de ano. Aliás, dizem que muitos pais que tem filhos com dificuldade de aprender realmente acabam colocando seus filhos em uma Waldorf, pois sabem que ali eles nao serao reprovados e que a velocidade de ensino dará mais chance para que eles aprendam na velocidade deles. Sendo assim, estes sao considerados menos capazes do que seus coleguinhas que estudaram em escolas com ensino tradicional.

*****RESUMINDO: o sistema perfeito seria mesmo uma mistura entre o sistema Waldorf e o sistema tradicional. Existe? Se alguém souber de alguma escola no Brasil ou na Alemanha que tenha algo parecido com isso nao deixe de nos informar, tá!? *****

PONTOS QUE VEJO COMO POSITIVOS SEM CONTRA-ARGUMENTO:

- Como na frase citada logo no início do post, esse sistema é um sistema de ensino que coloca as necessidades individuais de cada indivíduo acima das necessidades ou premissas da sociedade.

- A crianca ou adolescente é acompanhada como indivíduo no seu desenvolvimento, ou seja, os professores buscam desde o início identificar o que cada indivíduo tem de aptidao e focam no desenvolvimento desta individualmente. Isso mesmo, nao exigem que todos alunos tenham as mesmas aptidoes ou que se desenvolvam na mesma velocidade. Compreendem que cada indivíduo tem sua “estrela” e seu próprio tempo.

- Assim como nas escolas alemas em geral, nesta escola existem muitas “cerimônias” para comemorar tudo que vocês possam imaginar. Sim, eles adoram celebrar ciclos, festividades, acontecimentos marcantes na vida da crianca e etc. O mais fofo é justamente a celebracao do primeiro dia de aula da crianca. A escola fornece todo o material, inclusive uma mochila de couro igual para todos alunos. Esta é entregue aos pais e a escola pede que eles pintem algo do lado de fora da mochila que tenha a ver com o filho deles, ou seja, pedem que os pais personalizem a mochilinha de seus filhos. As criancas chegam todas orgulhosas na escola mostrando “sua” mochilinha e a arte que seus pais fizeram especialmente para elas. Elas também recebem uma coroa de flores e um “canudo” cheio de “agrados” que seus pais preparam para elas e entregam também no primeiro dia.

- Todas as criancas aprendem a tocar pelo menos um instrumento musical.

- As criancas nao aprendem através de livros didáticos “tradicionais”. Elas recebem um caderno em branco e durante as aulas anotam todo o conhecimento que é passado através dos professores. Depois, os professores pegam caderno por caderno e checam se o que a crianca entendeu está correto ou se falta alguma informacao importante. Após esta “correcao/verificacao”, a crianca recebe seu caderno de volta e é através dele que ela vai se preparar para as provas. Eles entendem que existem formas distintas com que cada crianca absorve uma informacao concreta, nao acreditando que existe apenas uma “verdade” ou “ponto de vista” absoluto. Acreditam que a compreensao dos fatos está muito relacionada às referencias individuais dos alunos e a forma como cada um enxerga o mundo ao seu redor, baseados em seus valores pessoais. Se você dá um livro com “verdades prontas” para uma crianca/adolescente você reprime nela a capacidade de ter suas próprias opinioes sobre os fatos, fazendo-a acreditar em tudo aquilo que todo mundo acredita e ela acaba apenas se preocupando em absorver “aquelas verdades” para ter uma nota boa e passar na prova. Valores e capacidade de raciocínio deixam de ser trabalhados nesse sistema tradicional de ensino.

Provavelmente eu esqueci alguma coisa importante, mas tudo que eu for aprendendo sobre este sistema (inclusive através dos seus comentários aqui), vou adicionando aos poucos e publicando.

É um sistema bem diferente do sistema tradicional que conhecemos e é natural que muita gente seja contra, afinal é um sistema difícil de compreender racionalmente, sendo muito baseado em filosofia e psicologia. Eu, sendo uma pessoa menos racional e mais emocional por natureza, me identifiquei muito com tal sistema e conheco pessoas que formaram-se através deste que sao simplesmente seres humanos fantásticos e profissionais super bem-colocados no mercado onde atuam. A única coisa que vejo que faz da vida deles um pouco mais difícil é que realmente sao mais sensíveis do que a média e sofrem muito mais com a “crueldade” no mundo. Mas pra ensinar a lidar com isso a vida se encarrega e nao exclusivamente a escola. Aliás, ironicamente, para aqueles que foram “criados” neste sistema Waldorf, aconselho uma temporada no país onde este nasceu: Alemanha. Você chega aqui um “gatinho”, mas volta um “leao”. Duvida? Entao vem! -D

Entao é isso. Se quiser, deixe aqui seu comentário com opinioes, perguntas, críticas e/ou sugestoes. Eu nao vou “contra-argumentar”, pois já deixei minhas opinioes no post, mas tudo que escreverem vai sim me ajudar e também à todos àqueles que tem interesse nesse sistema, a compreenderem este melhor através de óticas diferenciadas. Diga lá! 

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