dez
8
Parabéns AVENIDA PAULISTA!!!

Av. Paulista em ritmo de Natal - Foto tirada ontem

Sim! Hoje a Av. Paulista (SP) completa 120 anos! Pra mim é o lugar mais “paulistano” que existe em Sampa e merece ser lembrado com muito carinho.

Sempre fui apaixonada por essa avenida. Adoro percorrer toda sua extensão, acompanhando os engravatados, as mulheres elegantes (tá, nem todas…rs), as línguas estrangeiras, as diversas “tribos”, a mescla de cores e estilos (adorava ficar sentada na escadaria da Casper Líbero/Gazeta observando a galera passando), os prédios com arquiteturas variadas, os protestos, as festividades, as passeatas, os ensaios fotográficos, os helicópteros chegando e saindo das dezenas de helipontos (tem mais do que pontos de ônibus, acredita!?).

Essa avenida faz parte da história da cidade, uma história de riqueza que começou com as plantações de café. Nela concentravam-se os barões do café nos seus casarões majestosos. Infelizmente poucos foram mantidos, mas a história não se faz apenas de prédios, certo!? A história está ali, encravada em cada metro quadrado, no espírito paulistano que existe na avenida, no progresso, na riqueza, na cultura e na diversidade cultural (e até mesmo social) que ainda encontramos por lá todos os dias.

Ela representa não só as coisas boas da cidade paulistana, afinal quem nunca viu os mendigos espalhados e esquecidos em suas calçadas. Pois é, a desigualdade social e indiferença também fazem parte da história e, infelizmente, permanecem ali.

É por isso que amo essa avenida, porque ela representa muito bem a realidade paulistana, com seus “plus” e os seus “minus”. Ela é completa. É verdadeira. É o retrato falado de uma cidade habitada, acima de tudo, por pessoas que transformam 24hs em 48, 72hs. Muitas trabalham duro durante o dia, estudam à noite, estudam de sábado e ainda arrumam tempo pra ser mãe, pai, esposa, marido, tempo pra ir pra “balada”, pro “churras”, tempo pro “happy hour”, tempo pra sentar e conversar com pessoas queridas ou com desconhecidos simpáticos no “busão”, no metrô, no trem e até mesmo (por quê não!?) no trânsito. Não são os brasileiros mais calorosos não, mas pra quem deixa os preconceitos de lado e tenta uma aproximação pode encontrar amigos pra vida toda. Eu já encontrei os meus! D

É isso! Viva à Paulista! Viva aos paulistanos! Viva!



dez
3
Recalibrando minhas lentes paulistanas…

Desde que voltei da Alemanha não cheguei a escrever sobre minhas sensações, sentimentos e cia. Não foi por falta de inspiração, podem ter certeza. Aliás, acho que é o excesso que me atrapalha. Excesso de idéias, excesso de insights, excesso de momentos, excesso de tarefas e excesso de devaneios.

Mas hoje, voltando de Sampa e conversando com o Rô sobre o que eu sentia/percebia/via toda vez que visito esta cidade percebi que chegou a hora de escrever sobre minhas lentes paulistanas. Lentes de quem nasceu e cresceu nesta cidade tão confusa que horas desperta amor e horas desperta ira. Enquanto eu não sabia o que era morar em outro lugar, São Paulo era pra mim um lugar perfeito pra se morar. Sim, era perfeito para uma menina solteira, bagunceira, que adorava badalar, que ama dançar, ficar de papo pro ar com amigos no boteco, que podia assistir até 22 vezes a mesma peça de teatro no teatro do SESI na Paulista (AMO Teatro!), que amava percorrer a pé essa mesma avenida encantada quando ouvia estrangeiros conversando e não conseguia entender patavinas, que adorava conhecer bares e restaurantes originalmente exóticos, que ama a diversidade de fenotipos, que ama a mistura cultural presente em cada esquina desta cidade. A minha São Paulo era perfeita sim! Vivi, durante 28 anos, momentos mágicos nesta cidade.

Hoje, após 4 anos morando na Alemanha e agora morando em Jundiaí, minha Sampa já não é mais tão perfeita. Não, não foi a cidade que mudou, fui eu. Logo que voltei, já me dei conta de que eu não pertencia mais àquela cidade. Primeiro foi o choque com o gigantismo. Passando de carro na marginal eu me sentia uma formiga sendo observada por olhos de concreto que vinham de todos os lados e alturas em minha direção. Aquele aglomerado de prédios, juro, me assustou. Cheguei a questionar a existência deles ali quando ainda morava em São Paulo, pois não me lembrava deles. Sei lá, é como se eu nunca tivesse visto aquele lugar. A cegueira típica daqueles que tem poucas (ou apenas uma) referências.

No trânsito tive a impressão de estar naquelas pistas de “Carrinho Bate-Bate”. Pois é, tudo nessa vida depende do seu referencial. Eu, apesar de não ter dirigido na Alemanha, estava acostumada com o trânsito e motoristas de lá, mesmo estando na posição de “Zequinha”. Os alemães, apesar de serem pessoas/motoristas muito intolerantes e impacientes, são extremamente civilizados e dirigem de forma coletiva. Aqui senti os motoristas muito agressivos, vaidosos e individualistas. Para muitos moradores de São Paulo o carro é uma forma de mostrar e praticar poder. De repente o funcionário se transforma em presidente, é ele quem está na direção, é ele quem manda. De uma hora pra outra parece que todo mundo ali tem um “Bat-Móvel”. Triste.

Mas sabemos que existem lugares em São Paulo capazes de nos fazer esquecer daquilo que nos afasta dessa gigante única. São Paulo tem bairros deliciosamente escondidos e arborizados. São interiores metropolitanos, onde ainda se respira um ar não tão nocivo quanto àquele que encontramos na maior parte desta cidade. Isso não é exagero! Basta observar a diferença do céu aqui no interior do céu de Sampa assim que entramos na nuvem cinza pela Rodovia Bandeirantes. Assusta. Existem ilhas de paz no meio do caos paulistano, mas para viver na metrópole é preciso “navegar” de uma ilha para outra e é ai que essas ilhas deixam de ser tão sedutoras pra mim.

São Paulo é um tapa na cara dos brasileiros. É um choque de realidade, principalmente quando o assunto é desigualdade social. É uma cidade que nos apresenta o tempo todo esse problema social que diz respeito à todos nós. Ela não te dá escolha de ver ou não ver. É tudo escancarado. Sim, São Paulo é sem-vergonha. Talvez por isso muitos poetas afirmem que é uma cidade que inspira. Ela inspira porque não se camufla. Ela é o que a gente vê. E são tantos contrastes que é impossível não se inspirar.

Enfim, apesar de ter recalibrado minhas lentes paulistanas e, por isso, estar enxergando as coisas de forma tão diferente, ainda amo esta cidade! A diferença é que hoje temos uma “relação” mais sincera e verdadeira. Uma relação como a daqueles casais que decidem morar em casas separadas pra manter a relação “acesa”. É uma relação complexa, pois ao mesmo tempo que São Paulo hoje me assusta, às vezes preciso justamente daquilo que mais me incomoda. Amo o caos de São Paulo, preciso daquela atmosfera congestionada de energia e partículados, admiro toda gente que trabalha duro pra fazer nosso país melhor pra todo mundo, invejo àqueles que moram perto da Avenida Paulista que é minha grande e absoluta paixão em Sampa, respeito àqueles que trabalham duro ganhando pouco e ainda passam o dia sorrindo e agradecendo à Deus pelo o que possuem e pela benção de poderem morar e viver em São Paulo. São Paulo é de todos. Daqueles que a querem todos os dias e daqueles que só precisam dela (principalmente dos seus restaurantes de comida japonesa…rs) de vez em quando. D



nov
21
BRASIL SEM MÁSCARA – Preconceitos

Estou triste com a onda de preconceitos que vem, até que enfim, aparecendo no Brasil. Sim, pois sempre nos entitulamos como uma nacao que aceita todos os tipos de pessoas, mas ao mesmo tempo sempre soubemos que isso é hipocrisia. Todos sabemos que na verdade o que existia no Brasil era um preconceito “abafado”, “mascarado”. Agora isso acabou.

As últimas eleicoes foram ótimas pra tirar a máscara de muita gente, mostrando à todos nós como o preconceito contra nordestinos está latente na nossa sociedade (e nao venham me dizer que isso só acontece em Sao Paulo, porque isso também nao é verdade). Também nos mostrou abertamente uma sociedade vergonhosamente conservadora e hipócrita, diante das discussoes referentes à aborto e cia. E agora, como se nao bastasse, surgem mais acoes violentas contra homossexuais. Fora as agressoes diárias (tanto físicas como morais) sofridas também por descendentes afro-brasileiros e pobres que vivem na nossa sociedade.

Estou triste porque sou contra todos estes preconceitos. Estou triste porque nossa imagem de “pátria mae” nao é verdadeira. Estou triste porque ainda existem seres humanos que acreditam ser superiores à outros seres da mesma espécia, quando na verdade sao muito, muito pequenos.

Por outro lado, estou feliz. Estou feliz porque percebo que o Brasil no qual acredito nao está mais ficando calado. Estou feliz porque a máscara está enfim caindo e com isso pelo menos sabemos onde está o mal, logo fica mais fácil combatê-lo. Antes nao sabíamos. Os preconceitos na nossa sociedade estavam camuflados, o que dificultava qualquer confronto direto, mas agora nao. Agora nós sabemos que eles existem sim e sabemos da necessidade de combatê-los. Ninguém mais quer aceitar isso. Nenhum nordestino, negro ou homossexual quer sentir medo ou vergonha de ser o que sao, pois eles nao devem ter vergonha. Eles devem sim se unir e pedir aquilo que nossa constituicao, logo nossa sociedade, os deve: IGUALDADE E LIBERDADE.

Hoje estou longe do Brasil, mas juro que quando voltar estarei presente sempre que puder em protestos a favor destes direitos, pois eu, apesar de nao fazer parte destes grupos, sou um ser humano como eles e sei que nao tenho mais direitos que eles justamente por isso. Se o direito deles está sendo ferido, os meus, como cidada, também.

Infelizmente fiquei sabendo só agora sobre um protesto que vai acontecer hoje ai no Brasil contra os atos descriminatórios contra os homossexuais, mas se você está por ai, vale a pena participar e ajudar a fazer um Brasil melhor para todos nós. Para mais infos sobre o protesto clique aqui!

É isso pessoal. Eu tinha que escrever sobre isso, pois quando vejo coisas desse tipo acontecendo no país que amo e sabendo que pessoas que amo fazem parte destes grupos, preciso fazer alguma coisa. Mesmo que só virtualmente. )-:

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