nov
20
TRABALHAR NA ALEMANHA – Questionário sobre condicoes de trabalho

Essa semana, chegando na minha mesa do trabalho tinha um papel. Quando li, na hora lembrei do meu primeiro emprego que durou uns 8 anos. Por quê? Vou explicar.

Era um questionário super completo fazendo perguntas sobre as nossas condicoes de trabalho. Lógico que nao precisava botar o seu na reta, ops, o seu nome. Perguntas do tipo:

- Sua cadeira é confortável?

- Você tem pelo menos dois intervalos por dia para fazer pausa (+ o horario do almoco)?

- Você tem que fazer horas extras? Quantas vezes por semana? Quantas horas a mais? Se sente adequadamente remunerado por isso?

- É bem tratado pelos seus colegas e superiores? Sente que é valorizado como profissional? Seus superiores lhe dao oportunidade de dar feedbacks?

- A temperatura do ambiente de trabalho é agradável?

- Você é obrigado a executar tarefas que nao estao descritas no seu contrato de trabalho? Sente que isso atrapalha seu desenvolvimento profissional?

Bom, quando comecei a ler, comecei a rir. Fiquei imaginando um questionário desse no Brasil. Esses alemaes tao bem pra caramba e mal sabem eles. Ou vocês acham que eles responderam que estao no paraíso? Fala sério, viu!? E eu enquanto trabalhava no Brasil, fazia muito mais do que minha obrigacao todos os dias e ainda achava bom, pelo simples fato de ter um emprego e também pelo fato maravilhoso de ter conhecido alguns dos meus melhores amigos justamente ali, na labuta. Quer coisa melhor do que trabalhar com quem a gente ama e, surpresa, isso inclui a minha cheficha. -D

Enfim, quando vi o questionário achei uma iniciativa legal e justa (coisa de país desenvolvido mesmo), mas quando tento humildemente comparar as condicoes dos trabalhadores alemaes com nossos desbravadores brasileiros, tenho que achar graca e sentir orgulho pela nossa forca e, muitas vezes, resignacao. Me lembrei que por mais que nao me sentisse bem remunerada por tudo o que fazia ou até mesmo valorizada, me sentia feliz por estar ali. Voltava quase todos os dias sorrindo pra casa e cheia de novidades sobre tudo que estava acontecendo no mundo e na vida dos meus amigos. Aqui as condicoes de trabalho sao ótimas, mas como o povo “só trabalha” me faltam novidades quando volto pra casa. Só tenho assuntos do trabalho e acho isso um saco. Sinto falta dos conhecimentos inúteis adquiridos no meus outros empregos no Brasil. Podia nao me ajudar a ser promovida, mas pelo menos fazia mais amigos. -D

Tá ai eu deveria ter escrito que nao estou satisfeita, pois após 3 meses ainda nao fiz nenhum amigo ali. Como será que eles iriam resolver o meu problema? -D

Mas que seja bom enquanto dure. Sem muitos motivos pra sorrir (embora esteja feliz pela oportunidade tao almejada), sem novos amigos (apenas colegas de trabalho), mas bem remunerada (pra quem nao recebia nada há quase 4 anos) e com tempo flexível pra acabar de escrever a minha tese de mestrado e para resolver os assuntos relacionados à minha gravidez e futura maternidade. Perfeito para o meu momento atual, mas acredito que nao resistiria a longo prazo. Como diria meu guru virtual: “Seriedade demais faz mal à saúde”. -D

PS: as jocas das figuras nao ficam mais como antigamente, com o texto logo do lado…saco…alguém me ajuda? Diz q siiiiimmm!



nov
9
RETRATOS MENTAIS – Grandes conquistas, difíceis escolhas

“O destino nunca foi uma questão de chance e sim uma questão de escolha.” (Elio Gonçalves)

2.54am. Mais uma noite, uma madrugada e uma manha entre o sim e o nao. Mais um dia de escolhas, ou melhor, mais um dia defendendo minhas escolhas, minhas certezas.

Sempre relato (e gosto de fazer isso) minhas conquistas neste blog. Nao porque quero dizer que sou mais abencoada ou mais capaz do que quem está “me lendo”, mas porque gosto de provocar. Gosto de acender aquela faísca de desejo pela mudanca. Gosto de dar um empurraozinho para que todos deixem de pressionar seu botao “stand by”.

Mas, às vezes me pergunto, por que estao todos tao parados? Por que às vezes nao vejo movimento na vida de algumas pessoas? Por que nao vejo sofrimento e nem tao pouco euforia? Talvez seja porque estas pessoas preferem nao fazer escolhas, mesmo sabendo que tomar essa decisao já é uma escolha. Mas nao fazendo “grandes escolhas”, pelo menos nao se corre (teoricamente) grandes riscos. Nao se ganha, mas também na se perde. Preferem viver assim.

Eu? Bem eu já sou o oposto. Faco escolhas a todo tempo. Me posiciono sempre. Por isso sofro, mas também me realizo. Todas minhas grandes conquistas sempre foram banhadas de lágrimas e sorrisos. Nao alcancei nada sem ter que chorar pelas coisas das quais abri mao. E passava o caminho todo (aliás, ainda passo) me perguntando se valeu a pena, até o dia em que a conquista se concretiza.

Nem todas minhas escolhas foram aplaudidas, ao contrário, muitas foram absurdamente criticadas. Assim como nem todas minhas conquistas foram aplaudidas e nem tampouco valorizadas. Para alguns isso é um problema, pra mim isso foi um problema, nao é mais.

As escolhas sao minhas e só eu sei das coisas que tive que abrir mao até aqui para transformá-las efetivamente em conquistas. Só eu. Principalmente porque eu nao sou de dividir tristezas e nem tampouco insegurancas, resolvo-as sozinha. É meu jeito e talvez seja por isso que tenho tanto orgulho por tudo que conquisto, pois em nenhum momento ponho nas costas do outro a responsabilidade por uma possível falha. Nao procuro culpados quando estou insegura com uma escolha, procuro apoio.

Estou, pra variar, em uma fase de escolhas difíceis. Já fiz minhas escolhas, mas a diferenca e a dificuldade agora é que minhas escolhas nao dizem mais só respeito à mim, elas involvem marido e filho. Enquanto envolvia só o marido era mais simples, pois geralmente nos últimos quase 4 anos, ele era “nossa” prioridade. Quando viemos para a Alemanha, o foco principal era o desenvolvimento profissional dele e o preenchimentos dos desejos dele. Quando escolhi acompanhá-lo, transformei todos os desejos dele em meus desejos. O coloquei, humildemente, na frente de tudo que eu tinha naquele momento. Esqueci, conscientemente, de todos meus medos em relacao à viver na Alemanha. Chegando aqui, chorei por muito tempo escondida e outras vezes nao dava pra esconder. Ainda choro. Me re-criei para que pudesse aproveitar plenamente a oportunidade, mesmo a vendo muitas vezes como um castigo ou uma prova de fogo. Escolhi, perdi, ganhei.

Sim, fiz minhas escolhas e isso implica em dizer que escolhi o que perder e o que ganhar. O problema é que no momento da escolha nao se sabe o que está em jogo e muito menos o resultado do jogo. Escolher é sempre um jogo de risco. E hoje meu risco é triplicado, pois escolho por mim, pelo meu marido e pelo meu filho. A diferenca é que hoje, depois de perder muita coisa que me faz falta sim, estou neste momento mais inclinada a colocar “a nossa família” à frente de tudo. Estou escolhendo assumir riscos maiores (triplicados), baseados na minha intuicao que seja feminina ou materna ou humana. Estou escolhendo nao só por mim, e é ai que mora a grande diferenca e o grande desafio. Hoje meu maior desafio está sendo fazer as escolhas que devem ser feitas e arcar com as consequência imprevisíveis para “nós”. Estou decidindo por uma família feliz. Estou decidindo por uma família em paz, mesmo que para ter essa paz lá na frente, seja preciso “chacoalhar” valores e viver discórdias no dia de hoje.

Poucas pessoas, sejam elas maes ou mulheres, irao me entender. Aliás, nao cobro isso de ninguém. Como entender as escolhas de alguém, se nao somos nós que vivemos tudo que esse alguém viveu a ponto de fazer tais escolhas? Como nos sentir no direito de criticar este alguém? Nao, nao espero compreensao e nem tampouco apoio. Até por isso nao peco que ninguém decida por mim, nao peco que ninguém intervenha por mim, nao peco que ninguém se responsabilize por mim. Eu escolho. Eu perco. Eu ganho. Eu arrisco.

De tudo isso, só espero que as pessoas entendam que NENHUMA das minhas conquistas foi plena e sem feridas. E é por isso que dou tanto valor à elas. É por isso que agradeco à Deus por ter me feito de “pedra e água”, sendo dura e teimosa quando é preciso e fluida para tomar novas formas e me adaptar quando é o melhor a ser feito. Lembram do post sobre a “mulher massinha”? Pois é, mulher “pedra e água” é minha outra forma de sobreviver em momentos onde ser massinha nao me basta.

Pra cada conquista alcancada, deixei um pedaco de mim. Algumas vezes nao fez muita diferenca, outras vezes me deixou um vazio. Tive problemas sérios de auto-confianca, de auto-estima, de inferioridade. Mas hoje, hoje estou muito mais forte e auto-confiante. Conquistei isso, justamente por ter assumido minhas escolhas. Por outro lado, perdi coisas irrecuperáveis, mas que tento ver como coisas que nao preciso mais. É minha forma de amenizar o vazio que elas deixaram, por que existe uma escolha que faco TODOS OS DIAS: ser feliz, apesar de nao ter tudo que gostaria, agradecendo por tudo que conquistei e que dinheiro nenhum consegueria comprar ou substituir.

Nao faco contas pra ser feliz.

4.33am. Hora de escolher entre tentar dormir para poder conseguir trabalhar durante o dia ou ficar aqui filosofando sobre as consequências e dificuldades intrínsicas às nossas escolhas. Vou tentar dormir, porque filosofar, definitivamente, nao resolve meus dilemas.



nov
4
OPINIAO BRASIL – Sobre eleições, nordestinos e afins

Diante de tudo que aconteceu nas últimas eleicoes no Brasil, ou melhor, diante de todas cortinas que foram escancaradas, mostrando um palco repleto de racismo, conservadorismo, individualismo, egoísmo e intolerância, segue um texto ponderado, bem argumentado e definitivamente esclarecedor. Um texto para quem gosta de fatos e da verdade. Um texto para quem vive em um Brasil real. Enfim, um texto para refletir e quem sabe se transformar.

Autor: Ricardo Moraleida (http://www.ricardomoraleida.com/)

“Sobre eleicoes, nordestinos e afins”

Este texto foi escrito para uma amiga querida, que eu não vejo há tempos. Eleitora da Marina no primeiro turno e de Serra no segundo, fez alguns comentários irritados sobre os nordestinos hoje, ao que eu respondi perguntando se ela acreditava mesmo que a crítica era justa e indicando o eterno artigo da Maria Rita Kehl. Infelizmente ela me disse que não queria continuar a discussão, então não tive como responder à sua crítica e ao seu desapontamento por eu usar um discurso de “intelectual de esquerda” e a “mentalidade de encher os pobres de benefícios”.

Aqui vai, amiga, espero que você me entenda melhor depois disso:

É muito ruim ver gente que eu gosto muito entrando nessa onda de desqualificar o voto dos pobres, dos nordestinos, dos beneficiados por programas sociais que efetivamente melhoraram as condições de vida deles. É muito triste você achar que o nosso voto deveria valer mais que o deles porque nós estudamos, tivemos acesso ao conforto e à vida digna. Me desculpe a comparação, mas propor separar o nordeste à força é mais ou menos como propor criar uma nova Angola lá, pelo bem de criar uma nova Suíça aqui, é realmente isso que você quer? É esse o conceito de justiça social que você defende?

Eu fiz campanha, nesses últimos meses, com convicção de qual era o futuro que eu quero pro meu país. E vou continuar fazendo política de agora em diante, no meu papel intransferível de cobrar do novo governo tudo que ele prometeu, com todos os problemas que ele tem e que ele com certeza terá. Não foram os nordestinos que elegeram a Dilma. Fui eu, foram 60% dos habitantes do Rio de Janeiro, foram 45% dos habitantes de São Paulo, foram os meus amigos da classe média, foram os novos universitários do país inteiro, 55 milhões de pessoas. Aliás, se o Nordeste inteiro não tivesse votado, ainda assim Dilma teria 1,8 milhões de votos a mais.

Mas eu gosto muito de você, e gostaria muito, muito, de pensar que os seus últimos comentários foram só a força emotiva de o seu candidato não ter ganhado, gostaria muito de saber que você não pensa exatamente assim. E gostaria muito que você me acompanhasse na fiscalização séria e respeitosa ao governo que foi democraticamente eleito.

Não sou intelectual, nem mesmo um acadêmico. Sou um micro-empresário, um cara que preza o capitalismo e a possibilidade de trabalhar duro e melhorar de vida que ele me dá. Sou um cara extremamente grato à minha família por ter me dado todas as condições pra que eu pudesse estudar, trabalhar e viver por meus próprios esforços. E sou um cara correto, que pago os meus impostos em dia e registro minhas notas fiscais com a mesma diligência que leio as notícias e cobro soluções dos candidatos eleitos. Que faço campanha com a mesma militância que, ao perceber que minha escolha nessas eleições foi errada, irei às urnas em 4 anos exigir a mudança necessária, ou, se o improvável apocalipse acontecer, irei às ruas exigir a deposição da mandatária.

Mas nós somos privilegiados. Somos as frutos de uma sociedade extremamente desigual que se valeu e ainda se vale dos seus oprimidos para garantir os nossos privilégios. A prova máxima do nosso privilégio é que tem muita gente que trabalha tão duro quanto nós, e mais duro ainda, e ainda assim não consegue nosso padrão de vida. É esse o problema que a política atual tenta solucionar.

Eu e você não precisamos do governo simplesmente porque  a carga tributária pode continuar subindo e ainda assim vamos conseguir manter o nosso padrão de vida – ou vamos tranquilamente tirar nossos vistos e nos mandar pra um país desenvolvido qualquer. Os mais pobres não, e enquanto nós não tivermos uma sociedade igualitária, o governo não pode deixar que o capitalismo de mercado seja livre pra engolir a quem bem entender – nem depois, os EUA estão sofrendo as consequências disso até hoje. Mas fique feliz, BH e algumas outras capitais caminham para atingir esse ano o nível de emprego pleno, ou menos de 6% de desemprego – estamos no caminho certo.

Eu acho que você é uma pessoa bem informada, você sabe os valores pagos pelos programas que você chama de assistencialistas e as condições que são colocadas pra que as pessoas se tornem beneficiadas tão bem quanto sabe o valor da bolsa da Capes que recebeu durante o seu mestrado em uma Universidade Pública de conceito 7, paga com impostos de pobres e ricos desigualmente. Você sabe que é impossível uma família viver só de Bolsa-família ou de Pronasci assim como sabe como é difícil para nós viver só de bolsa. Você sabe que 4,8% da nossa população ainda vive com menos de 2 dólares por dia – e que eles eram 12% até 2003 e ainda são 9,6 milhões de pessoas. E eu não acredito que você quer competir ‘em igualdade de condições’ com alguém cuja renda é de R$ 306 por mês.

Eu sei que você enxerga que para eles, o teto do bolsa-família representa 65% a mais na renda mensal – e ainda não é suficiente para chegar ao salário mínimo. Eu espero que você imagine o tanto que é preciso ser pobre pra isso. Eu sei que você, como uma boa admiradora de coxinhas, sabe que eles precisam estudar e trabalhar, mas que a fome que eles sentem todos os dias e a preocupação em não deixar suas mães, filhos e netos comerem papelão ou aceitarem trabalho análogo à escravidão não é exatamente uma boa companheira de jornada.

É verdade, os programas assistenciais do governo dificultam a vida da classe média. Não é mais possível contratar uma empregada por menos do que um salário mínimo, e fica mais difícil a cada aumento anual acima da inflação. Não é mais possível pagar menos do que R$ 30 por dia pra uma diarista – nas regiões mais ricas, não é mais possível pagar menos de R$ 80! No meu apartamento no Rio, pago R$ 105 por um dia de faxina*. E fico feliz que as filhas da minha faxineira não vão precisar limpar a casa de ninguém pra viver, fico feliz que elas conheçam hoje o computador que eu conheci em 1997. Elas até poderão escolher viver como diaristas um dia, mas que seja por um salário que lhes garanta uma vida digna.

Fico feliz que os meus filhos tenham que competir com os filhos da minha faxineira, porque isso vai exigir deles que não fiquem sentados sobre os privilégios que eu herdei e eles herdarão de mim, espero ser capaz de passar para eles a hombridade necessária pra que reconheçam que o dinheiro que nós temos é igual ao que os outros têm, e muitas vezes vem muito mais facilmente para nós do que para eles.

Mas se pra isso for necessário que esses pobres TAMBÉM “mamem nas tetas do governo” por algum tempo, so be it – nós, os 10% mais ricos do país, já fazemos isso há muito tempo com o nosso sistema tributário injusto, com nossas bolsas de estudos no exterior, com os descontos no Imposto de Renda porque escolhemos pagar por escolas particulares e com a sonegação recorde, pura e simples.

Enquanto isso, cidades inteiras estão saindo da miséria porque o governo resolveu que era preciso partir o bolo pra que ele crescesse, resolveu entender que a lógica perversa da exclusão precisava ser resolvida de imediato, e resolveu que pra isso bastaria injetar uma parte do que eu pago de impostos na economia deles, resolveu que não ia cobrar dos lavradores do inteiror pra instalar os postes de luz que eu não paguei pra ter na cidade, resolveu que não ia dar vale-quentinha porque pobre tem que comer mas também tem que vestir, tem que ter lazer, tem que ter transporte e tem que ter a dignidade que só o controle sobre o próprio dinheiro nos dá.

Apoiar essa política não é ser intelectual, mas é ser de esquerda. E ser de esquerda é, antes de qualquer coisa, ser partidário da igualdade social.

Ao invés de me indignar com os beneficiários dos R$22 a R$200 mensais que alimentam, vestem e compram materiais escolares para famílias inteiras, com os beneficiários do microcrédito da Caixa, que montam as empresas que vão competir com a minha, prefiro direcionar o meu rancor à parcela dos 10 milhões de concurseiros de classe média e ricos, ávidos por uma boquinha nessas mesmas tetas, caçando vagas com salários de R$ 2 a R$ 15 mil com o objetivo único de garantir os próprios privilégios pagos, estes sim, com a riqueza que eu gero com o meu negócio honesto.

Vivemos num país capitalista, mas isso não significa que precisamos viver num capitalismo individualista, egoísta, em que cada um protege o seu e fecha os vidros com insulfilm pra não ver a miséria na rua. Morar em cidades grandes, como diz o Alex, nos dá uma carcaça grossa e insensível. É por isso que precisamos nos esforçar pra lutar por uma realidade diferente. É o que o Brasil está fazendo em escalas jamais vistas, dando a oportunidade de os seus cidadãos terem o mínimo necessário de dignidade para viver.

Foi por isso que eu e mais 55 milhões de brasileiros – somente 18,3 milhões no Nordeste – elegemos ontem a nossa 1ª presidenta.

* Eu pagava R$100 para a faxineira. Até o dia que ela me contou que se pegasse o trem chegaria 1h mais rápido no trabalho e 1h mais rápido em casa. Com R$ 5 reais ela ganhou duas horas úteis a mais no dia – o dinheiro é consumido igual, ela continua ganhando o mesmo, mas o que você daria para ter mais 2 horas por dia?

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