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NORUEGA – Entre Fiordes e Vikings

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Enfim Noruega. Essa é uma viagem que já estava em nossos planos desde que chegamos, mas, sempre que comentávamos que iríamos fazer essa viagem, muitas pessoas estranhavam a escolha. Pois é, a Noruega nao é um destino muito comum, talvez porque nao esteja na rota dos destinos turísticos mais populares da Europa, ou talvez até pelos custos envolvidos que sao, provavelmente, maiores que em qualquer outro país Europeu, ou seria do mundo??? Mas, para aqueles que pensam assim, digo que basta ser criativo e “descolado” pra fazer dessa viagem inesquecível, algo possível e acessível ($$$$). Quer saber como? Entao viaje com a gente. Sem tempo? Sem paciência? Entao role a página e escolha os trechos que quer ler e ver. Só quer ver fotos? Entao clique aqui e aguce sua curiosidade. Simples assim. (((-:

* POR QUE NORUEGA? *

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A Noruega é um país que oferece paisagens ímpares e uma história bastante particular. É um país rico em história, terra dos Vikings, tem a melhor qualidade de vida que vocês possam imaginar, ar limpo, pessoas REALMENTE loiras e muitos ruivos com olhos azuis deslumbrantes e encantadores, paisagens impossíveis de serem captadas devidamente por qualquer aparato fotográfico, país dos maiores e mais lindos fiordes do mundo, um país onde até ser preso proporciona um pequeno momento de alegria (já viram os(as) policiais de lá?), paraíso dos pratos feitos com frutos do mar (ah se nao fosse o preço…), um país com uma infra-estrutura de camping de tirar o chapéu, glaciares gigantes e lindos, país onde todo cuidado é pouco nas estradas com possíveis pedestres “inusitados” como vacas, cabras e, até mesmo, alces e trolls.

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Mas, sem dúvida, o melhor de tudo é que a Noruega é talvez um dos poucos países europeus que ainda traz  aos visitantes que se aventuram mais ao norte, uma pitada de vida ainda selvagem em pleno velho continente. Simplesmente PERFEITA!!!!

* PRA QUEM TEM FOME DE INFORMACAO *

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A Noruega é um país europeu situado na Península Escandinava. É uma monarquia constitucional com democracia parlamentar. O país é limitado a norte pelo Mar de Barents (já no círculo polar ártico), a leste pela Rússia, Finlândia e Suécia, a sul pelo estreito de Skagerrak, que o separa da Dinamarca, e a oeste pelo Mar do Norte e pelo Mar da Noruega. Tem uma área de aproximadamente 330.000 km2 (um pouco menor que o estado de Goiás) e uma populaçao de apenas 5 milhoes de habitantes, que se concentra na parte sul do país – também, com aquela friaca no norte, até eu… (((-: .  Oslo é a capital e cidade mais populosa do país (500.000 habitantes). Outras cidades importantes são Bergen, Trondheim e Stavanger.

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Tem um litoral peculiar e completamente recortado por fiordes, fazendo com o que o país tenha uma extensao costeira de mais de 25.000 km , mesmo sendo a distância em linha reta entre o norte e o sul do país de aproximadamente “apenas” 1.700km. Como referência, basta dizer que a extensao costeira da Noruega é quase 2,5 vezes maior que a do Brasil, mesmo que sua extensao territorial seja beeeeeeeem menor.

 

 

 

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Aproximadamente 1/3 do seu território está localizado acima do círculo polar ártico, entao nao é de se assustar que a menor temperatura já registrada foi de -51.4 °C em Karasjok. A maior temnperatura, por sua vez, foi de “escaldantes”  35.6 °C, em Nesbyen.

O país é dotado de ricos recursos naturais – petróleo, energia hidroelétrica, peixes, florestas, e minerais - e depende da sua produção e dos preços internacionais. O petróleo e o gás já somaram 35% das exportações. Somente a Arábia Saudita e a Rússia exportam mais petróleo do que a Noruega.

A Noruega liderou o Índice Global da Paz em 2007, possui o segundo maior PIB nominal per capita (atrás apenas de Luxemburgo), apresenta o mais alto Índice de Desenvolvimento Humano (empatada com a Islândia) e tem a qualidade de vida mais elevada do mundo. Na segunda metade do século XX, com o desenvolvimento da indústria do petróleo, a Noruega emergeu-se como um dos países mais desenvolvidos do mundo, fortaleceu sua moeda e desenvolveu políticas de bem estar social e sócio-democratas. A população norueguesa rejeitou duas vezes o convite de adesão à União Européia, ou seja, mais um motivo pra dar uma passadinha lá, afinal está cada vez mais difícil arrumar moedas diferentes se tratando de europa.

É impossível pensar em Noruega e nao lembrar dos povos Vikings.  A Era Viking foi um período importante para a formação da cultura norueguesa e mitologia nórdica. Nessa época, os noruegueses conquistam a Groenlândia e a Islândia, fundam cidades na Grã-Bretanha e Irlanda (entre elas a capital, Dublin), e navegam até a costa canadense, sendo os primeiros europeus a pisarem na América. Pois é, essa história de que Cristóvao Colombo descobriu, ou melhor, invadiu a américa é mais uma das muitas mentiras que a gente aprende na escola. Pois é, viajando e re-aprendendo. (((-:

O norueguês (norsk) é uma língua germânica falada por aproximadamente 5 milhões de pessoas. A Noruega possui duas línguas escritas oficiais, o Bokmål (Dano-Norueguês) e o Nynorsk (Novo Norueguês). Em algumas áreas do país, o Samisk (Sami) é também uma língua oficial. O alfabeto norueguês moderno consta de 26 letras latinas padrão com mais três adicionais: æ, ø, å. Resumindo, se você fala alemao (ou já tem conhecimento intermediário), nem vai estranhar tanto as placas por lá. JURO que conseguimos “chutar” muita coisa nos baseando no alemao e, ufa, deu certo! (((-:

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* PASSEIOS E ATRACOES *

Como sabíamos que o interior da Noruega reserva aos viajantes caminhos e paisagens incríveis, resolvemos alugar um carro e sair por lá. Tínhamos uma idéia básica de alguns pontos que queríamos visitar, mas o planejamento foi sendo feito a medida que os quilômetros iam aumentando. Enfim, juntamos os ingredientes e partimos: carro, mapa, guia de campings, barraca e, é claro, nosso espírito sempre aventureiro e “descolado” (((-: .

OSLO - É a capital da Noruega e também a mais antiga capital da Escandinávia ( inclui-se na regiao dita Escandinávia a Noruega, a Suécia – que formam a península Escandinava – e, devido aos laços históricos e lingüísticos com aqueles países, também a Dinamarca). Oslo é também a cidade onde é entregue o Prêmio Nobel da Paz. Em 2006 foi eleita pela BBC como a cidade mais cara do mundo. Ainda bem que a gente tinha outros lugares pra conhecer…  (((-:

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Oslo é também a cidade dos parques, sendo que o mais visitado é o Vigeland Park, um verdadeiro museu ao ar livre com 32 hectares de superfície, onde se encontram mais de 150 grupos de esculturas em bronze, ferro e granito inteiramente criadas, a partir de 1924, pelo famoso artista Gustav Vigeland. São figuras humanas em todas as idades e de inspiração erótica que formam um hino à vida; no centro do parque ergue-se um monolito de dezessete metros de altura onde se misturam 121 figuras sem formas muito definidas. Com essa descricao toda pomposa, tenho que confessar: nao fomos lá (UMA PENA, mas nao deu tempo mesmo), nao fui eu que escrevi essa descricao e muito menos fui eu que tirei essa foto. (((-: (aliás, digita no google o nome do parque e bota em imagens pra ver cada escultura MARAVILHOSA que tem lá – se for a Oslo, é um lugar que realmente valer a pena conhecer).

É uma cidade que nao apresenta nada muito diferente de outras cidades da europa central, sendo possível percorrê-la em um dia, sem ter peso na consciência depois. Mas, caso você goste de museus e artes, ai vale a pena gastar mais um dia talvez. Nós usamos nossas 4 horas lá para andar pelo centro, conhecer o burgo, ir até o porto e só nos extendemos um pouco mais pra ir visitar o Museu dos Vikings, um pouco afastado do centro. Aliás, os Vikings merecem um item todinho só sobre eles.

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Escultura em frente ao porto num dia feio

Rô sendo atacado por um Viking mirim

Rô sendo atacado por um Viking mirim

Enfim, o mais interessante em Oslo foi, sem dúvida, ver um barco Viking de verdade. Além disso? Bem, além disso, tenho que ressaltar aqui duas experiências profundamente culturais: uma foi ver o Rô mostrando publicamente como é que se faz para tirar um tatu do buraco e a outra foi ver uns camelôs ilegais fugindo da polícia, igualzinho no centro de SP. Adoro me sentir em casa! (((-:

Com vocês: o mineiro tirando o tatu do buraco

Com vocês: o mineiro tirando o tatu do buraco

VIKINGS - Como eu já disse um pouco antes, vale MUITO a pena dedicar um tempinho só pra falar sobre os Vikings. O Museu dos Vikings (Vikingskipshuset) está localizado em Oslo, na península Bygday. O museu foi construído próximo ao local onde foram encontrados três navios Viking originais. Esses navios provém do séc. IX e, segundo estudiosos, estes serviram como “navio de enterro”, uma prática comum na cultura Viking.

Os Vikings navegavam em barcos rápidos chamados drakkars (dragão) por terem uma cabeça do mítico animal esculpida na frente. A velocidade desses barcos facilitava ataques surpresas e fugas quando necessário. Eram belos e compridos barcos a vela e a remo esculpidos na madeira. Os Vikings foram os primeiros na europa do norte a construí-los com velas. Com isto ganhavam enorme vantagem sobre as embarcações de outras nações, movidas a remos. E navegando cada vez mais distante, tomaram grande parte da Suécia e da Escócia, a ilha de Man, as ilhas Hébridas, a Islândia, a Groenlândia e outros territórios russos, suecos e finlandeses e construíram um respeitável povoado na região do fiorde de Oslo. Acabaram por unificar a Noruega, reinando sobre ela durante anos. E, acreditem, indo lá é possível reconhecer vários descendentes. Sério! Eu nao tive coragem de tirar foto, mas encontramos algumas pessoas que só podem ter sangue Viking. (((-:

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A religião dos vikings costumava ter cultos a ancestrais, além da veneração a deuses, e transmitia idéias diferentes quanto a questões da vida e do mundo. Eles acreditavam que o mundo era dividido em “andares” e todos estavam unidos a uma enorme árvore. Esta religião não era baseada na luta entre o bem e o mal, mas entre a ordem e o caos, sendo que nenhum deus era tido como completamente bom nem mal. Só para citar, como resultado da mitologia nórdica, conhece-se hoje as “runas” para adivinhacao do futuro. Eu mesma já deixei amigos lerem as runas pra mim, mas faz tanto tempo que eu até tinha esquecido delas e nem fazia idéia de que tinham alguma relacao com os Vikings. (((-:

Os vikings valorizavam a morte e até a festejavam. Há casos de enterros de navios, onde foram colocados rainha e princesa, junto a pertences e animais sacrificados, como, cães, cavalos e bois. Em outra câmara, foi encontrada uma mulher bem vestida, sendo esta rica e uma mal vestida retorcida, estudos confirmaram que esta era escrava e havia sido posta viva nesta câmara. No caso da morte de homens, era costume a sua mulher favorita ser enterrada viva junto a ele (ah, mais eu nao ia mesmo, afinal como diz meu marido é SÓ até que a morte nos separe…rs). O uso de barcos como túmulo mostra poder e prestígio do morto e também simboliza a jornada pós-morte e tem ligação com a adoração a Njord (Deus do mar).

Agora vem a parte que eu AMO, ou seja, acabar com os mitos. Pois é, muitos dizem (de sacanagem) que os vikings usavam elmos com chifres, pois receavam, pelas suas crenças, de que o céu pudesse vir a cair em suas cabeças. Apesar desta conhecida imagem a respeito deles – que na realidade era uma crença celta e não nórdica – eles jamais utilizaram tais elmos. Essas características não passam de uma invenção artística das óperas do século XIX, que reforçavam as nacionalidades, no Romantismo, e que visavam resgatar a imagem dos vikings como bárbaros cruéis, pois sua aparência era incerta. Os capacetes que os vikings verdadeiramente utilizavam eram cônicos e sem chifres. Não existe qualquer tipo de evidência científica de que os escandinavos da Era Viking tenham utilizado capacetes córneos, portanto acaba aqui essa piada de mal gosto com esses grandes guerreiros. Isso mesmo, se tu é corno, nao tem mais o direito de ser chamado de desbravador (apesar que dependendo do tipinho da mulher que tu pegou, até pode ser, vai…hehehe).

BERGEN - Bergen é a segunda maior cidade da Noruega, situada na costa oeste. É um ponto de partida muito conhecido para quem quer explorar os fiordes em barcos ou navios e, além disso, é famosa por causa de um conjunto especial de casinhas de madeira, o lugar chamado Bryggen.

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Bryggen era, o que pode se chamar, porta de entrada na cidade de outros tempos, sendo o que resta do antigo cais. Uma grande área foi reconstruída após um incêndio que reduziu a cidade a cinzas em 1702. Hoje, tudo o que resta da estrutura original de Bryggen é um quarteirão recuperado, considerado Patrimônio Mundial da UNESCO, uma espécie de museu vivo ao ar livre, exibindo parte da história cultural da região.

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Além disso, a cidadezinha oferece um passeio agradável, quando nao chove. Pois é, Bergen situa-se numa região onde chove cerca de 300 dias por ano e a uma latitude onde os dias de inverso são extremamente “curtos” (e frios!). Por isso, a escolha da época do ano é um fator determinante no planejamento da viagem. Assim, Maio e Agosto são os meses com melhores condições climáticas, com dias de Sol e temperaturas agradáveis. Junho e Julho são meses de dias “longos” e relativamente quentes, mas chuvosos. O resto do ano é, regra geral, frio, chuvoso, e com poucas horas de luz. Mas nós demos uma sorte totalmente inesperada, pegando um dia lindo lá, depois de percorrer vários quilómetros debaixo de chuva.

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Segundo um folheto sobre a cidade, o mercado de peixes é considerado uma das “maiores atrações turísticas” de Bergen, e parece não haver grupo de turistas que não pare um instante nas suas bancas. Embora não haja mais peixe e marisco do que seria de se esperar num mercado com aquele nome, é um lugar interessante e vale a visita.

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Se tiver tempo e vontade, dizem que vale a pena pegar o funicular do monte Floyen. O monte Floyen é outro dos emblemáticos cartoes postais da cidade.

ALESUND - Essa cidade nem estava nos nossos planos, mas um dia (durante a fase do planejamento) topei com uma foto de lá e fiquei apaixonada. Alesund é, talvez, a cidade que mais reflete o modo de vida estreitamente ligado ao mar e bem característico da Noruega, afinal, foi da pesca que esta cidade surgiu, se desenvolveu e se consolidou como o maior exportador de pescado e derivados de toda a Noruega. É de Alesund que vem o famoso bacalhau norueguês.

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Além disso, chegando lá é que nos demos conta de que foi o ponto mais ao norte em que estivemos e registramos esse momento lindo. Nao é romântico? Bom, passado o momento “Roberto Carlos & MaIra Rita”, descobrimos depois que, na verdade, o ponto mais ao norte que chegamos foi Andalsnes, logo na sequência. Mas, nao podíamos deixar de registrar o marco “62° NORD”.

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Saindo da cartografia e voltando à Alesund, decidimos “dar uma passadinha” por lá e valeu muito a pena, pois lá se conhece também uma Noruega, arquitetônicamente falando, muito diferente do que tínhamos visto durante o nosso percurso. Em janeiro de 1904 a cidade sofreu um incêndio causado por raios, que acabou com quase todas as casinhas de madeira do centro da cidade (foram aprox. 900) em apenas 12 horas de incêndio, restando apenas 230. A reconstrucao foi muito rápida, pois em 1907 já estava tudo de pé de novo. Porém, tratando-se de Noruega, a reconstruçao representou um novo e revolucionário estilo. Como a reconstrucao foi feita por arquitetos jovens, esses trouxeram junto o estilo “Art Nouveau” para as novas casas e isso fez dessa cidade mais especial e encantadora ainda.

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Já cheguei a ler que Alesund é considerada a “Veneza da Noruega”, mas, apesar de ter achado a cidade encantadora, nao acho que a comparacao seja válida, e olha que eu nem precisei ir à Veneza pra dizer isso.

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A melhor forma de conhecer a cidade é, lógico, percorrendo suas ruas. As casas tem detalhes lindos, que fazem aquela cidade única e absurdamente fotogênica. Mas, se quer tirar a foto clássica, pegue uma trilha/caminho que eles chamam e indicam por “Aksla”, que é de onde vai poder tirar uma foto como a que está no início desse trecho do post.

TROLLSTIGEN - Trollstigen é o trecho de uma estrada “cenográfica” de montanha em Raumana, ligando Valdall (no alto da montanha) com Åndalsness (na costa). A traducao do nome seria “A escadaria dos Trolls” . Mas o que sao os “Trolls”? Isso eu respondo no próximo item. Agora é hora de falar sobre essa estrada IMPRESSIONANTE, daquelas que quando você acaba de subir, olha pra baixo e desabafa: “PQP!!!”. Li que é considerada a 8a estrada mais perigosa DO MUNDO. Será? Nao sei, só sei que dá um meeeeeeeedo.

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É uma estrada que mal passam dois carros em vias opostas, mas a mao dupla, pasmem, existe. Além do mais, pasmem novamente, lá também circulam ônibus! É uma atração turística devido ao seu declive íngreme de 9% e onze curvas (em forma de grampo), cada uma com um nome pregado em algum ponto da curva (se estiver sozinho nao procure, senao vou me sentir culpada em dar essa info…). A estrada, embora tenha sido alargada nos últimos tempos, é estreita e cheia de curvas fechadas, veículos com mais de 12,4 metros de comprimento são proibidos de transitar por ela (ufa!). Em seu topo pode-se estacionar os carros e caminhar por uns 15 minutos até chegar em um ponto para ver todas as suas curvas e a bela cachoeira de Stigfossem, com sua queda de 320 m pela montanha.

Se for arriscar, só precisa verificar se a estrada estára aberta na época em que for pra lá, pois ela, por motivos óbvios, gélidos e escorregadios, está aberta para circulaçao somente entre meados de maio e outubro.

TROLLS - Eu nao sabia o que era enquanto estava lá, mas já conhecia sem saber. Aposto que você também conhece, nao!? 

O Troll é o esquerda, tá? (((-:

O Troll é o esquerda, tá? (((-:

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Lembrou ou nao lembrou? Bom, eu nem pretendia falar muito sobre os monstrengos, mas acabei achando um site com uma descriçao deles e a explicacao do relacionamento entre eles e a Noruega, que me obriga a falar mais sobre eles. Segue um trecho que explica um pouco por quê me apaixonei por esse país: “Os trolls sao criaturas do folclore escandinavio. Troll pode significar qualquer ser estranho (aposto que deve ter pensado em alguns amigos…eu também…hahaha), incluindo, porém nao limitando, os gigantes nórdicos (Jotun). Em nenhum outro país da Escandinávia os trolls formam parte tao importante da cultura e tradicao narrativa como na Noruega. Em uma europa super-populosa, a Noruega segue sendo o reino da natureza. Na profundidade de seus bosques, o silêncio permanece desde mil anos atrás. Ali dentro, a vida moderna nao conseguiu penetrar. Seu silêncio deixa bastante desconfortável o homem moderno, que vive contando sua vida em horas e minutos. Já o bosque, canta seu hino eterno. Uma árvore pode cair e perecer quando derrubada pelo vento, mas logo surgirao novos brotos e novas árvores. A repeticao é inevitável, as estacoes vao e vem, verao e inverno, primavera e outono. A eternidade prevalece.” No Senhor dos Anéis aparece uma nova raça de Trolls chamada “Olog-hai”, que a diferencia dos antigos por serem capazes de moverem-se embaixo do Sol. No mundo de Harry Potter, os Trolls sao monstros gigantes que matam tudo o que encontram.

Os Trolls estao tao presentes na cultura local que é até perigoso você atropelar um, portanto se vir a placa abaixo fique atento, pois vai que aparece um monstrengo na tua frente.

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FIORDES – Os fiordes sao “estreitos” braços de mar que se prolongam continente adentro. A formaçao geológica do oeste da Noruega é tal que os fiordes daquela regiao sao os mais extensos, escarpados e possivelmente mais belos do mundo. O fiorde mais extenso, Sognefjord, tem mais de 200km de comprimento continente adentro, e os paredoes que o acompanha chegam a mais de 1000m de altitude! O cenário é impressionante e se torna mais dramático a medida que o fiordes vao se ramificando e formando braços cada vez mais estreitos e com paredoes igualmente altos.

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No ano passado, a Revista do Viajante National Geographic selecionou os fiordes noruegueses como os ganhadores entre as 115 melhores atrações turísticas naturais no mundo. Turistas vêm admirar estes fiordes desde que o primeiro barco turístico chegou em 1869, e hoje eles são um dos destinos na Noruega que atraem o maior número de visitantes.

GEIRANGERFJORD E ARREDORES – Um dos fiordes mais visitados da Noruega é o Geirangerfjord. A pequena vila de Geiranger, que no inverno tem menos de 1000 habitantes, fica bem mais cheia no verao, quando os navios de cruzeiro aportam em suas águas despejando aquele monte de turistas, principalmente aposentados europeus.

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A regiao de Geiranger também oferece opçoes de trilhas e passeios, como a montanha Dalsnibba, que é um mirante natural da regiao (fica a uns 25 km da vila). O pico oferece uma visao privilegiada do vale e de outras montanhas e seus glaciares.

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Por estar localizada a 1476m acima do nível do mar, é bem provável que ainda haja neve no lugar, mesmo durante o alto verao. O caminho está aberto de Junho a Outubro.

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Apesar de sua conexao direta com o mar (mesmo nível do mar), os fiordes sao alimentados por águas de rios e, muitas vezes, por águas de degelo. Isso faz com que a água tenha uma coloraçao impressionante que varia entre azul claro e verde esmeralda.

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TÚNEIS – Os túneis marcam forte presença no mapa rodoviário da Noruega, especialmente na parte oeste do país, mais montanhosa. Nao era pra menos, com aquele monte de montanhas, vales e precipícios, só mesmo furando as montanhas para se chegar aonde quer. Durante todo o trajeto da viagem, nao é exagero mencionar que andamos mais de 120km dentro de túneis (diferentes). Pois é, você se sente um verdadeiro tatú. (((-:

O Laerdalstunnel é, com seus 24,5 km de extensao, o mais extenso túnel rodoviário DO MUNDO. Esse túnel reserva para os viajantes uma surpresa interessante. Possui no seu interior 3 saguoes que tem uma iluminaçao muito louca. Dá a impressao que você está entrando no fundo do mar.

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STAVKIRKE - Entre 1100 e 1300, foram construídas cerca de 1.000 igrejas de madeira na Noruega. Hoje em dia, existem apenas 28. Embora os arqueólogos tenham encontrado provas de que igrejas de madeira foram construídas um pouco por todo o norte da Europa, apenas no sul da Noruega elas foram preservadas e, por isso, vale a visita.

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Nós passamos ao lado de uma sem saber e, quando já tínhamos desistido de encontrar outra, encontramos. Estávamos passando de carro por uma estrada, quando de repente eu li em uma placa “Stavkirke”. Demos meia-volta e fomos lá conferir. O nome da igreja que visitamos é Ringebu Stavkirke e está localizada no pitoresco vale do rio Gudbrandsdalslagen na regiao de Ringebu. A igreja foi construída no século 13, depois foi ampliada e modificada por um arquiteto. Aliás, praticamente todas já sofreram alguma reforma, afinal pode ser de madeira ou do que for, um dia a casa (seja ela de Deus ou de quem for) cai.

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CACHOEIRAS – Com aquele tanto de montanhas, lagos e rios, é claro que iria haver um monte de cachoeiras, e das grandes. De acordo com uns panfletos que pegamos, 9 das 20 maiores quedas d’água do mundo estao localizadas na Noruega. Eu nao duvido. Durante a viagem, vimos tantas cahoeiras descendo daqueles paredoes enormes que, no final do precurso, elas nem chamavam mais a atençao  :-)))

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GLACIARES e PARQUE NACIONAL JOSTEDALSBREE – Glaciares sao enormes massas de gelo, geralmente com alguns milhares de anos de idade, que se acumulam em certos lugares. O maior glaciar da Europa está localizado no parque nacional Jostedalsbree. Esse montao de gelo se extende no planalto do parque por cerca de 60km de comprimento, e tem uma espessura de até 500m!

Uma das paisagens mais impressionantes do lugar fica nos limites do planalto, onde o glaciar “escoa” para dentro dos vales formando as chamadas “línguas”. Existem mais de 20 delas nos contornos do parque nacional. Nao dá pra descrever. Parece uma cachoeira muito gigante que se congelou e com uma cor azulada alucinante.

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Olha eu ali embaixo! Um ponto verde bem insignificante...(((-:

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Pudemos ver que os glaciares estao nitidamente e tristemente em processo de derretimento. Dizem que está diminuindo a cada ano. Pois é, como diria meu cunhadinho: “A água do mundo está acabando”. Aparentemente, os glaciares também.

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ANDALSNES – Andalsnes é uma cidadezinha pitoresca (mais uma) que fica na beira do fiorde Isfjorde. Foi o ponto mais ao norte da nossa viagem, e também o ponto mais ao norte em que estivemos até hoje. A cidade fica na latitude 62,5 graus Norte, isso signifia que a gente estava muuuuuuuuuuuuito longe da linha do equador, e a apenas uns 450 km do circulo polar ártico (em linha reta). Pra se ter uma idéia da latitude, basta dizer que a mesma latitude no hemisfério sul (62,5 Sul) passa pela pontinha da península Antártica, e tem um monte de pinguins que moram lá. Heim? Tá bom, pega o mapa lá vai… -) ))

 

Uma curiosidade nessas regioes é que, durante o verao, as noites NAO ficam totalmente escuras. O Sol estava se pondo por volta das 22:30h e raiava lá pelas 04:00h (e olha que nem estávamos no auge do verao). Entre o entardecer e o amanhecer o céu ficava meio na penumbra, ou seja, nem precisamos usar nossa lanterna no camping. Pois é, no verao nem dá pra fazer coisa escondida direito (((-: . Em compensaçao, no inverno acontece o oposto, e o dia nao deve ter mais que 4 ou 5 horas de luz. Curuzes!

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Trilha Nesaksla – a regiao de Andalsnes oferece várias opçoes de trilhas, entre elas a trilha que vai até o mirante Nesaksla. O lugar oferece uma vista privilegiada do fiorde e do vale também. A trilha tem apenas uns 2 km, mas é uma pirambeira só, e leva aproximadamente 2 horas pra subir e 1,5h pra descer. Depois de 2 horas morro acima, seu esforço é bem recompensado. Vai na fé!

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CAMPING – A estrutura de campings na Noruega é simplesmente fantástica, e esta prática parece ser bem difundida por lá.  Todas as cidades, vilas e lugares turísticos tem um camping. A maioria dos campings tem também cabanas para alugar. Podem ser apenas dormitórios com beliches, ou até chalezinhos com alguma estrutura de cozinha e banheiros.

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Os livros / guias de camping sao bastante organizados e completos, sempre com um mapinha e fotos do lugar. Aliás, acampar na Noruega é mais um estilo de viagem do que uma alternativa econômica de hospedagem. Basta ver pelos carroes que você vêm em todos os campings. Tá, mas no nosso caso juntamos o estilo com a economia. (((-:

Outra vantagem de acampar aqui é a proximidade com a natureza em lugares lindos e cinematográficos, pagando muito pouco por isso.

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Mas, nem tudo na vida e no camping é perfeito. A parte ruim fica por conta do banho. Geralmente os chuveiros e os banheiros sao ótimos, nenhum problema quanto à isso. O único problema é o que acontece quando você vai tomar banho. Pelo jeito em todos os campings lá é preciso pagar à parte pra tomar banho. Nos boxes existe uma caixinha onde você coloca moedas de acordo com o tempo que você quer ficar embaixo do chuveiro. Pagamos em média 10 coroas norueguesas por 5 minutos de banho. Tá, é uma iniciativa legal e bem prática para o camping, afinal assim economizamos água e nao ficamos atrasando a vida dos outros que também querem tomar banho, MAS nao existe (ou existe?) coisa pior do que um banho quentinho ser interrompido quando você menos espera e, pior, ter que tomar banho desesperada olhando para o cronômetro da maquininha. Desculpem, mas nao posso deixar de comparar essa situacao com um infeliz coito interrompido. Tirando isso, nenhum outro trauma. (((-:

O CAMINHO É O DESTINO – Pode-se dizer, sem exageros, que os trajetos pelo interior da Noruega já valem a viagem até lá. Fiordes, vales, paredoes, cachoeiras, picos nevados, lagos,  glaciares, rios estao bem ao lado das estradas. Cercas sao raras, e a baixa densidade demográfica contribui para dar ares mais selvagens a toda aquela paisagem. É impressionte como, às vezes, demora pra você ver uma casinha perdida no meio da paisagem. Fantástico!

Uma das cenas impressionantes que aparecem no caminho é a Trollveggen (paredao de Troll). É o maior paredao vertical da Europa. Do vale até o pico sao 1800m e em um determinado local a parede tem 1000m de altura em um deslocamento horizontal de menos de 50m.

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Os fiordes também fazem parte da rota, afinal você é obrigado a pegar balsas para atravessá-los em alguns pontos, dependendo para onde você vai. Ou seja, você paga o ferry e, de brinde, faz um pequeno cruzeiro (((-: . Alguns trajetos sao tao lindos que viraram até passeio turístico, como a balsa entre Geiranger e Hellestyl, que percorre todo o comprimento do Geirangerfjord (aprox 1:10h de travessia).

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E aqui mais algumas fotinhos dos caminhos. 

DSCN1620 Passe da estrada Trollstigen, entre Andalsnes e Geiranger.
Estrada entre Stranda e Alesund. Estrada entre Stranda e Alesund.
Estrada entre Forde e Stryn

Cabras passeando entre Skei e Fjaerland.

 

Estrada para Briksdal (Parque Nacional Jostedalsbreen)

Estrada para Briksdal (Parque Nacional Jostedalsbreen)

 ALCES - Os Alces vivem ainda em liberdade em vastos territórios do Norte da Europa, Rússia e China, também no Centro Norte e Norte dos Estados Unidos, Canadá e Alasca. Sao animais, segundo a literatura, até dóceis, mas o principal perigo que os alces representam para o homem é na estrada, onde podem provocar graves acidentes, sobretudo na primavera quando os animais aproveitam o sal lançado no pavimento como compensação nutricional.

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Fomos pra Noruega com o desejo de topar com um alce, afinal, só indo muito ao norte para isso acontecer e nao queríamos perder a oportunidade. Mas o fato é que você até vê placas alertando sobre o risco de travessia de alces na pista, mas duvido que alguém veja um alce mesmo. Sei nao. Ficamos com a impressao de que aquelas placas sao só pra turista ver e tirar foto, ou seja, nós é que nao íamos perder a oportunidade, certo? Mas nao é que quando decidimos dar uma “turistaiada”, me surge um alce do meio dos arbustos! (((-:

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PAPAI NOEL - Tínhamos chegado à algumas horas na Noruega, quando algo que iria mudar a minha vida aconteceu. Sim, eu vi o Papai Noel. Ou vocês nao sabiam que ele mora ao lado da Noruega, na Lapônia? Pois é, inclusive o escritório dele fica lá, mas quando lá tá muito frio, ele vai pro Rio de Janeiro na regiao de Penedo. Tô falando! Mas, sério, o que me chocou nao foi simplesmente ver o bom velhinho (aliás, quando eu era crianca juro que vi também). O que me chocou foi ver o bom velhinho passeando com seu carro velho em Oslo, fumando CACHIMBO! Pois é, o Natal perdeu o sentido pra mim. Ainda se fosse mariajuana, mas cachimbo. )))-: 

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CASAS TÍPICAS - As casas típicas norueguesas sao encontradas com mais frequência, quanto mais ao norte se vai. Sao lindas de morrer, pois lembram casinha de boneca. Como se nao bastasse, cada uma traz um detalhe diferente, seja na decoracao (principalmente na parte interna das janelas) ou no acabamento das portas. Algumas casas são cobertas de uma espécie de terra/musgo para isolar do frio, e ali cresce até grama. Os  Noruegueses costumavam colocar as cabras no teto para pastar/aparar a grama, mas dessa vez nao vimos nenhuma cabra no telhado. O estilo mais utilizado nas casas Norueguesas é o “laft”, onde as paredes são erguidas com troncos empilhados horizontais de madeira. O isolamento total é obtido com ripas coloridas entre os troncos, ou uma pasta elaborada (nas casas mais simples). A casa, pelo menos antigamente, permanecia inabitada por um ano aproximadamente para que os troncos se assentassem uns nos outros, o que fazia com que as casas perdessem alguns centímetros de altura.

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Além das casas fofas em si, nao pude deixar de notar as caixas de correio. Elas sao colocadas um pouco afastadas da casa, sempre ao lado da estrada/rodovia/rua, facilitando assim o acesso dos correios. É que as casas nao ficam, geralmente, na beira das estradas. Algumas sao normais (feinhas mesmo), mas a maioria é linda, geralmente de madeira e com pinturas delicadas pra enfeitar. Ficam protegidas por uma “casinha” de madeira, que muitas vezes imita o telhado com graminha das casas norueguesas. Eu fiquei fascinada com essas caixinhas, mas vou poupar vocês de terem que ver TODAS as fotos de TODAS as casinhas de correio que tirei. (((-:

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 * TRECHOS PERCORRIDOS POR DIA *

Fomos de aviao até uma cidade próxima à Oslo (capital) e alugamos um carro para a viagem, que resistiu bravamente até o final da trip. A relacao custo x benefício foi ótima, pois viajar na Noruega já é caro, mas se for optar por viajar de trem ou ônibus em longas distâncias, você vai acabar deixando as calcas lá. Percorremos 2100 km em 7 dias de viagem. Tivemos a oportunidade de viajar do centro-sul do país até um trecho inicial do norte-noroeste e vivenciar assim diferentes faces desse país MARAVILHOSO e, acreditem, grandioso em todos os sentidos da palavra. Abaixo, os trechos percorridos e, caso alguém tenha interesse em ficar em camping, seguem os nomes dos campings que ficamos:

Dia 1: Stuttgart até Frankfurt Hahn e de lá voo para Noruega (Aeroporto Oslo Torp Sandefjord). Do aeroporto norueguês até Oslo (distância de 120 km) —> Pernoite Camping Ekeberg.

Dia 2: Oslo – Borgund – Voss - Bergen (distância 520km) —> Pernoite Camping Bratland.

Dia 3: Bergen - Hoyange – Sandane (distância 280km) —> Pernoite Camping Gloppen.

Dia 4: Sandane – Stryn - Geiranger (distância 230km) —> Pernoite Camping Geirangerfjorden.

Dia 5: Geiranger - Alesund - Andalsnes (distância 270km) —> Pernoite Camping Mjelva.

Dia 6: Andalsnes – Trollstigen - Moelv (distância 380km) —> Pernoite Camping Steinvik.

Dia 7: Moelv - Oslo - Aeroporto Oslo Torp Sandefjord (distância 320km). Voo para Frankfurt Hahn).

* DICAS *

- Cuidado com a carteira! Sim, você pode ser “roubado” toda vez que tiver que pagar algo, entao controle-se. Só pra ter uma idéia (e um surto) de custos:

Café expresso - 3 €
Pão, em supermercado 1 € a unidade
Cerveja num café ou bar – 7 €
Cerveja no supermercado - 3 €
BigMac Menu – 9 €
Acesso à internet – 6 € / hora
Hotel simples: 100 € por casal
Almoço / janta simples: 30 – 40€ por casal.
Camping: 15-25 € por casal   (finalmente alguma coisa mais em conta  -) )))
Gasolina: 1,5 € por litro

- Esteja preparado para viver vários climas em um dia, ou seja, vá sempre prevenido para casos de calor, frio, chuva e muito de tudo isso.

- Se estiver de carro, ande sempre com os faróis ligados. Isso é lei.

- Se quiser comprar bebidas alcoolicas fique atento com o dia e a hora da compra, pois, em mercados e lojas, eles só vendem até as 8 da noite e aos domingo nem sonhando (apesar de parte do comércio funcionar nesse dia). Pois é, se quiser beber uma cervejinha vai ter que comprar no bar (a pagar bem caro…). E se beber NAO DIRIJA MESMO, pois acredito que as leis lá sao beeeeem severas e o motivo é claro, basta andar lá um pouco de carro e vai entender sobre o que estou falando.

- Quando avistar placas que indicam a possibilidade de bichos na pista, leve a sério, pois bater numa vaca ou numa cabra nao deve ser nada agradável e muito menos sairá barato.

- Tenha sempre moedas, pois muita coisa lá se compra em máquinas que só aceitam moeda.

- SEMPRE leve blusa “corta-vento”, pois nos lugares mais altos sempre bate um ventinho gelado.

- Voos da Ryanair costumam ser os mais baratos. Apesar de operar apenas em aeroportos pequenos, vale MUITO a pena. Além disso, eles tem até rifa e venda de cigarros a bordo, ou seja, você se sente literalmente em um trem regional no Brasil. (((-:

- Procurando o camping ideal? Entre no site www.nafcamp.no e seja feliz!

* COISAS QUE NAO CUSTA NADA CITAR*

- Sol da meia-noite: o Sol da meia-noite é um fenômeno que ocorre perto dos pólos, quando o Sol não se põe durante pelo menos 24 horas. Isso acontece porque a inclinação do eixo da Terra em relação ao plano de sua órbita faz com que o Sol incida quase perpendicularmente sobre os pólos, em posições que se alternam de seis em seis meses. A passagem para o dia ou para a noite polar acontece nos equinócios – quando a duração das horas de sol é igual em toda a Terra. A quantidade de tempo em que o Sol permance 24 horas acima da linha do horizonte depende da latitute. Quanto mais perto dos Círculos Polares, mais longas serão as horas de luz no verão. Ao norte do Círculo Polar Ártico (e ao sul do Antártico) a duração do fenômeno vai aumentando.

Aurora Boreal – se tiver sorte, você poderá ver o fenômeno natural conhecido como Aurora Boreal ou, usando o nome científico, Aurora Borealis. Um jogo de luzes espetacular, ondulando de um lado para o outro no céu à noite. Infelizmente, esse prazer nem sempre é garantido, pois depende de certas condições meteorológicas entre os meses de novembro e fevereiro. Para aumentar as suas chances, você precisa ir para o norte do Círculo Ártico, embora também seja possível ver a Aurora Boreal de vez em quando no sul da Noruega.

- A-HA: lembra dessa banda? Sim, os caras sao noruegueses e super queridinhos por lá. Sao super empenhados em todas causas relacionadas à protecao da natureza e processos políticos em geral. Uma das causas defendidas por eles, foi a isencao de taxas para carros elétricos na Noruega. A empresa responsável pela fabricacao dos carros elétricos na Noruega, ganhou o apoio do grupo no Marketing do produto e de quebra a popularidade deles acabou ajudando a tornar os carros elétricos 100% isentos de pagamento de taxas na Noruega.

- Aquavit: a Aquavit é a cachaça escandinava

- Inglês: nao é exagero dizer que aparentemente todo mundo fala inglês na Noruega. É impressionante como absolutamente todas as pessoas com quem conversamos falavam um bom inglês. Seja na loja, lanchonete do vilarejo, posto de gasolina, no mercadinho perdido, enfim, todo mundo fala. Também, nao é pra menos, nao dá pra esperar o resto do mundo aprender a falar norueguês né?  -) ))

- Artista: na pintura seu expoente maior é Edvard Munch (1863-1944), um dos pioneiros do expressionismo, que com sua técnica arrojada e com um colorido muito especial pintou a angústia e a solidão que podem assolar o homem, mas também a alegria e o amor, a vida e a morte. Abaixo pode-se ver uma reprodução de O grito, sua obra-prima expressionista, de 1893, uma imagem densa e dramática da angústia moderna.

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jul
26
TREKKING – Schwäbische Alb/Himmelreich (Alemanha)

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Um dia de verao de verdade nao está sendo fácil acontecer por aqui, por isso nao perdemos tempo no nosso primeiro dia SUPER-verao desse ano, ou seja, fomos bater perna.

A Lú e o Léo convidaram a gente pra fazer um trekking delicioso e tranquilo em uma regiao cheia de montanhas e muita natureza que fica “logo ali”. Entramos na trilha às 11 da matina e chegamos ao final às 17 horas, ou seja, tempo suficiente pra satisfazer nossa necessidade de aproveitar o dia. A regiao que fomos tem lugares super pitorescos e vale muito a pena dar uma passadinha lá, sempre que o Sol aparecer e sempre que sentir falta de muita natureza. O nome é “Schwäbische Alb” (Alpe Suábio). Se quiser saber mais sobre essa regiao, clique aqui (em inglês, mas tem em alemao também) e se perca por lá. (((-:

Fizemos uma trilha que vai sentido a um dos picos que se chama “Himmelreich”, mas nao me peca pra descrever a trilha ou explicar como chegar lá, pois quem me conhece sabe que o magnetismo da minha bússola é invertido (eu deveria ser estudada por físicos…hahaha). O negócio é fucar na internet ou comprar um livrinho de “Wanderung/Bergwanderung” bem baratinho por aqui e se aventurar, pois vale MUITO à pena visitar essa e outras regioes “montanhosas” da regiao (prestou atencao nas aspas, né!? rs). Mas você pode, é lógico, chegar à todos esses paraísos perdidos se fizer amizade com alemaes que gostam de fazer caminhadas, só nao garanto que ele vai acertar a direcao com tanta seguranca quanto é de se esperar, mas que ele chega, ele chega. Até nós chegamos com nosso guia alemao perdidinho. (((-:

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Pois é, “nosso alemao” nao estava muuuuito certo pra onde estava nos levando, mas no fim chegamos longe. Sim, chegamos no “Caminho de Santiago de Compostela” que leva à esta cidade na Espanha. É verdade! É um caminho que os alemaes meio que “criaram” pra chegar até lá, mas é lógico que nao é o caminho original, enfim, coisa de alemao. (((-:

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Outra coisa beeeeem de alemao é essa guaritinha escondida no meio das florestas por aqui. Sim, sao nessas guaritinhas que alemaes decidem o destino dos pobres animalzinhos na calada da noite. Mas, apesar do meu drama, a realidade é prática e nao dramática. A caça na Alemanha é permitida dentro de várias regras (afinal é na Alemanha) e foi estabelecida para acabar com um sério problema na cadeia alimentar no mundo animal por aqui (pois é, ninguém está comendo ninguém…hahaha). Mas isso é uma loooonga história que eu vou contar em outro post, pois é interessante e vale a pena explicar direitinho. Por hoje só é importante dizer que realizei um desejo antigo por aqui, ou seja, entrar na guaritinha e brincar de “el caçadora”. Se eu peguei alguma coisa? Lógico! Peguei um gatão. (((-:

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Andamos, andamos e quando já era quase 13 horas decidimos fazer um pit-stop pra rangar nossos lanchinhos e abastecer nossos motores com, lógico, álcool. Paramos em um restaurante super fofo, pegamos nosso sanduba, pedimos umas “radlers” pra variar e pra refrescar e sentamos no Biergarten do restaurante para desfrutar nossa parada. Papo vai, papo vem e de repente percebemos que mais uma vez estávamos fora da faixa etária aparente do local. Sim, acho que pegamos a trilha que leva à algum asilo. É impressionante, mas pra todos lugares que vamos por aqui só encontramos gente idosa. Afemaria! Sinto que já entramos pra terceira idade e só esquecemos de fazer a carteirinha. (((-:

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Maaaaaaaas com véio ou sem véio, o que importa mesmo é que o Sol na cara hoje estava, como diz meu dignissímo marido, “o verdadeiro prazer”. Olha a leoa feliz!!! (((-:

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Com tanto Sol, minha bateria ficou mais do que cheia, ou seja, eu realmente me senti com 15 anos. Cada parada, um flash!

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Aqui estou eu tentando fazer, como antigamente, uma estrela. Pois é, antigamente eu era uma estrela jovem e hoje senti realmente minha evolucao para estrela cadente. Enfim, 3.1 aqui vou eu…caindo! (((-:

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Como se nao bastasse o Sol e a alegria, olha esse céu!!!!!!!!!!!!! Do jeitinho que amo: azulzinho cheio de nuvenzinha “algodao-doce”. ((((-:

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Parada para fotografar é sempre um momento que dá fome nos esfomeados e com a gente nao foi diferente. Foi só o Léo sentar que já foi lembrando do sanduba que tinha sobrado depois do nosso “almoco”. Mas ele nao contava com a armadilha que a Lú preparou no sanduba pra ele nao roubar o dela. Olha a cara do alemao! A guria é ninja, tá pensando o que. ((((-:

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Depois do reabastecimento do alemao, bora pegar a trilha de volta. A coisa mais linda, cheia de paisagens bucólicas e borboletas sempre seguindo a gente. LINDAS! E todas borboletas, moscas, abelhas e cia ilimitada estavam brigando por essas florzinhas abaixo. Agora até eu fiquei com vontade de provar as bichinhas. (((-:

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Andamos, andamos, andamos sem saber onde estamos. Sim, ninguém tinha muita certeza pra onde estávamos indo e assim seguimos, sem rumo e sem GPS. De repente chegamos em uma vilinha perdida no meio do nada e LINDA! Essa foi a parte da trilha que eu mais pirei, pois me deu uma saudaaaaaaaaaade do Brasil.

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Um cheirinhoo delicioso de estrume, de grama cortada, de vaca, um riachinho, criancas brincando e correndo pra lá e pra cá, trator e, impressionante VACAS! Siiiiiiiiiiim! Encontramos o lugar onde eles “plantam” vaca aqui na regiao. Sim, porque você raramente verá uma vaca pastando por aqui, logo desenvolvemos a teoria de que eles realmente devem ”plantar” vaca. (((-:

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E o mais impressionante é que até os bezerrinhos alemaes já demonstram fortes características físicas resultantes da invasao dos estrangeiros no país, ou vocês acham que bezerro alemao tinha cabelo assim sarará???? ((((-:

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Enfim, um dia PERFEITO que eu realmente merecia no último domingo dos meus 30 aninhos. (((-:



out
28
África – Quênia

Savana, vida selvagem, linha do equador, tambores, cores, sabores, música, dança, tribos, simpatia, extrema desigualdade social, corrupção, festa, pessoas famintas, vontade de aprender, sobrevivência, desemprego, desnutrição, falta de higiene, riqueza cultural, belas artes, moeda fraca, trabalho árduo, negociação, banho frio, esperança e resignação. São esses fatores e adjetivos que traduzem o que vimos e vivemos no Quênia em 17 dias.

Essa realidade é a mesma para a maioria dos 53 países africanos, mas ainda existem países como Nigéria (país mais populoso da África - riqueza em petróleo) e África do Sul (maior concentração de mineirais do mundo – descendentes de europeus ricos e africanos puros pobres – palco do regime do Apartheid e de Nelson Mandela) onde é possível ver um quadro menos desolador.

Mas porque escolhemos o Quênia? Na verdade, a dúvida estava entre Quênia e Tanzânia, pois ambos tem ótimas possibilidades para prática de safáris e montanhismo e, se houvesse tempo, ainda daria pra curtir umas praias. Além disso, esses dois países são representativos da África essencialmente negra e, com isso, teríamos a oportunidade de vivenciar o cotidiano e as riquezas desse povo. Os dois destinos são os melhores no continente para fazer um Safari realmente selvagem e, além disso, são os possuidores das duas maiores montanhas vulcânicas do continente africano: Monte Kilimanjaro na Tanzânia (5.895m de altitude) e Monte Quênia no Quênia (5.199m de altitude). Mas, pesquisando, vimos que o roteiro da viagem no Quênia seria menos complicado e, ainda por cima, os preços na Tanzânia são um bocado mais caros.

Por isso escolhemos o Quênia, mas é por muito mais que não vamos esquecê-lo jamais. Ao longo do post (ou podem chamar de “ensaio para um livro”) vocês irão perceber que trata-se de uma viagem muito mais cultural e espiritual do que de uma viagem apenas geográfica (apesar das paisagens fantásticas e únicas). Foi uma viagem que mexeu com nossos valores e com nossas interpretações pessoais sobre nós e sobre nossa sociedade em geral. Nos lembramos incansavelmente do Brasil, pois, infelizmente, ainda apresentamos, principalmente no eixo norte do nosso país, muitas similaridades com a pobreza e o modo de vida do continente africano. 

Foi uma viagem mágica. Uma viagem capaz de me fazer sentir falta e dar valor para coisas triviais como o cheiro do café coando, cereal com mel e, principalmente, de um banho quente diário. Coisas que temos no dia-a-dia e, até mesmo por isso, nunca pensamos no quanto elas são importantes pra nós, pois temos. Mas só precisamos de menos de 20 dias pra entender o quanto elas são importantes, pois lá não tivemos praticamente acesso a elas. Infelizmente essa é a natureza do ser humano e não apenas uma frase solta: “Só damos valor àquilo que (mesmo que temporariamente) perdemos.”

É um post diferente, pois não encontrei, principalmente no início, muitos motivos pra fazer piada. Espero que ao lerem entendam que às vezes o humor “não cabe”. Mas, é lógico, que encontrei algumas brechas pra quebrar “a tristeza”, pois o povo africano merece nosso sorriso. É um povo que sofre cantando como se estivesse rezando. É um povo que nunca olha somente pra frente, pois pode ser que ao lado tenha alguém precisando de ajuda. É um povo que sorri deliciosamente de forma compulsiva e escandalosa (alguma semelhança comigo?). É um povo que briga, que chora, mas que perdoa. É sanguíneo, é HUMANO. É por tudo isso que amo a África, pois como brasileiros devemos agradecer muito à essa gente que introduziu na nossa terra tantas melodias, sabores, esperança e alegria.  

Amo a África como amo meus pais, ou seja, amo mas não moraria lá, assim como não gostaria de morar novamente com meus pais apesar de amá-los muito. (((-:

Esse post está dividido em vários tópicos a saber: geografia e afins, história, língua, estrutura turística, ser branco no mundo negro, povo, religião, culinária, transporte, trânsito, higiene local, pobreza, safaris, trekking – montanhismo Monte Quênia, passeios, seja voluntário, curiosidades, dicas e cuidados. O link para as fotos relacionadas aparece ao ao lado de cada título nos tópicos, sendo assim o post pode ser lido e “sentido” em vários dias. Considerando que eu poderia escrever um livro de verdade sobre essa viagem, acreditem: o post é um resumo bem apertado de tudo que foi vivido. Não tenha pressa pra ler tudo, pois cada tópico vale uma reflexão pessoal sobre o que você possui e sobre o que você é e acredita. (((-:

Maaaasss como sou uma pessoa flexível, clique aqui  para acessar de uma só vez as 238 fotos que selecionei a partir das 1500 que tiramos.

Antes de, enfim, começar, segue um poema chamado “Presença Africana” de Alda Lara, nascida em Angola, em “Poemas”. Ele resume exatamente o que sinto hoje sobre a África. Li, revivi e chorei através dele, pela primeira vez, sobre a África e para a África. 

“E apesar de tudo, ainda sou a mesma!
Livre e esguia, filha eterna de quanta rebeldia me sagrou.
Mãe-África! Mãe forte da floresta e do deserto, ainda sou,
a irmã-mulher de tudo o que em ti vibra puro e incerto!…
A dos coqueiros, de cabeleiras verdes e corpos arrojados sobre o azul…
A do dendém nascendo dos abraços das palmeiras…
A do sol bom, mordendo o chão das Ingombotas…
A das acácias rubras salpicando de sangue as avenidas, longas e floridas…
 

Sim! ainda sou a mesma.
- A do amor transbordando pelos carregadores do cais suados e confusos,
pelos bairros imundos e dormentes (Rua 11…Rua 11…)
pelos negros meninos de barriga inchada e olhos fundos…
Sem dores nem alegrias, de tronco nu e musculoso, a raça escreve a prumo,
a força destes dias…
E eu revendo ainda e sempre, nela, aquela
longa historia inconsequente…
Terra! Minha, eternamente…
Terra das acácias, dos dongos, dos cólios baloiçando, mansamente… mansamente!…

Terra! Ainda sou a mesma!
Ainda sou a que num canto novo, pura e livre,
me levanto, ao aceno do teu Povo!…”

GEOGRAFIA E AFINS

Quênia (em swahili e inglês Kenya) está situado na África oriental, tendo fronteiras a leste com a Somália, a norte com a Etiópia e o Sudão, a oeste com Uganda, a sudoeste com a Tanzânia e a sudeste é banhado pelo Oceano Índico. Sua capital é Nairobi e sua moeda é o Shilling Queniano. (Wikipédia)

HISTÓRIA

O Quênia conquistou sua independência recentemente em 1963, se libertando do domínio Britânico. São APENAS 45 anos de independência e esse fator deve ser levado em consideração antes de se julgar a situação atual desse país. Para os brasileiros é relativamente fácil explicá-la. Imaginem todos os problemas e consequências negativas do processo de colonização que nós ainda enfrentamos após quase 200 anos de independência, mas num nível muito superior e dramático. Essa é a situação do Quênia atualmente, com alguns agravantes que nós não temos: conflitos tribais e 2,2 milhões de pessoas com aids.

Conflitos tribais fazem parte da história do Quênia, e foram inclusive “patrocinados” pelo império Britânio durante seu dominio. Quando os ingleses “devolveram” o poder aos quenianos, já era de se esperar que esses conflitos iriam acontecer. O último conflito entre as tribos quenianas ocorreu no começo desse ano (2008), devido às eleições presidenciais no país. Foi o conflito mais sangrento e grave de toda a história desse país, o que nos fez pesquisar e pensar muito antes de decidir seguir em frente nessa viagem. Em todas eleições esses conflitos se repetem, pois os quenianos ainda não se identificam exatamente pelo país onde vivem, mas sim pelas suas origens tribais. Não apoiam um presidente por ele ser queniano, mas sim por ele ser pertencente a mesma tribo que o eleitor. Se uma das tribos mais fortes percebe que o seu “candidato tribal” poderá perder, ou que os resultados podem ser fraudados, começam os conflitos armados.

LÍNGUA

Segundo alguns quenianos com que conversamos, existem atualmente 42 tribos diferentes no Quênia (alguns livros citam 70), sendo que cada uma tem a sua própria língua. Eles se comunicam entre si geralmente em inglês ou em swahili.

A primeira língua oficial no Quênia é o swahili e a segunda é o inglês. Ai você pensa: “Iupi! Como eu sei falar inglês vou me dar bem!”. Engana-se. Praticamente todos falam inglês, mas, até aí, dizer que é possível entendê-los já é outra coisa. (((-: No dia-a-dia eles se comunicam em swahili. Muitos programas de TV são em swahili, e revistas e jornais também. Sendo assim, o inglês só é utilizado quando eles tem que se comunicar com turistas ou com africanos que não falam swahili (o que é raro). Lembra da expressão: “se não usa, enferruja”? Pois é, o inglês da maioria é bem enferrujado e o acento também dificulta a compreensão até mesmo dos caras mais fluentes. Mas, como eles mesmos dizem incansavelmente: “HAKUNA MATATA” (sem problemas). Peça pra que repita quantas vezes forem necessárias e no final todo mundo se entende. (((-:

ESTRUTURA TURISTÍCA

Viajamos (ou pelo menos tentamos) de forma independente, mas viajar nesse estilo “mochileiro” tem seu preço psicológico que não é baixo. Passamos por algumas dificuldades para conseguir organizar os passeios, principalmente entre cidades distantes. Fomos enrolados (ou pelo menos quase) por praticamente todos operadores de turismo, taxistas e comerciantes.

Aparentemente, mentir no Quênia é cultural para as pessoas que querem vender algo e, se você não entender isso, vai ter um infarto. Todos são simpáticos e cativantes e é ai que mora o perigo. Cuidado. Não se engane. Lembre-se que ele só está sendo simpático porque você é um consumidor potencial e, pode ter certeza, se não comprar o que ele está te oferecendo, aquele sorriso desaparece rapidamente.

A estrutura para o turismo é suficiente, mas falha. O que isso significa? Significa que existem sim muitos hotéis, muitas agências de turismo e muitos guias e carregadores, mas, em compensação, toda essa estrutura opera como cartéis e NAO EXISTE um posto de informações turísticas que seja neutro. Todas as agências que possuem escritório colocam uma placa na faixada dizendo que são “posto de informação turística” e na parte inferior do cartaz, com letras menores, escrevem o nome da empresa. É uma armadilha.

Outra “armadilha” é armada para os turistas pelos taxistas e atendentes dos hotéis. Quase todos tem uma ligação comissionada com agentes de turismo e dão um jeito de te empurrar pra esse. Lembre-se: você está literalmente na selva e se sentirá sendo caçado a todo instante. Não vacile. Não confie. Se cair na armadilha, seja equilibrado o suficiente para ver se vale a pena morder a isca ou não e não hesite em abandonar o cativeiro se sentir que é uma furada. TODOS hotéis que ficamos nos aprontaram dessas, mas o pior foi em Nakuru, onde o agente, que foi chamado pela recepcionista, foi nos apresentar seus passeios no nosso quarto! Absurdo. Mas, pra eles, normal.

Resumindo, você tem duas escolhas claras de turismo no Quênia:

- INDEPENDENTE: economia com estress e a oportunidade de viver quase integralmente a cultura local (se tiver problemas cardíacos pule essa opção);

- PACOTE FECHADO: paga uma fortuna, mas volta achando tudo um paraíso e ainda economiza por não ter que ir ao médico porque sua pressão está alta devido ao estress.

A escolha é sua, mas, acredite, quando eu falo do problema cardíaco é sério. (((-:

SER BRANCO NO MUNDO NEGRO

Chegada em Nairobi. Éramos 2 dos, no máximo, 15 brancos que encontramos em toda a viagem andando sem guias no meio do povo local. Fomos observados e, muitas vezes, encarados. Pela primeira vez senti o que é ser “estranho” ou “diferente” (na verdade, foi a segunda, pois a primeira foi quando entrei “por engano” no meio da torcida organizada do Palmeiras no Pacaembú – detalhe: sou corinthiana e estava completamente uniformizada). E foi assim que nos sentimos em quase todos lugares que fomos: diferentes. Lógico que estou me referindo à superfície, pois sei que somos, acima de tudo, seres humanos e é ai que nossas diferenças se anulam.

Mas é estranho ser “estranho” e isso eu não posso deixar de dizer. É estranho ver que todos à sua volta te olham, te analisam, cochicham com o cara do lado te fitando e, algumas vezes, te olham com olhar de provocação e imponência, como se te dissessem: “O que você está fazendo aqui? Volte para seu país.”

Mas o engraçado é observar que com as crianças é diferente. Elas olham pra você com olhar curioso, mas neutro. Outras sorriem e fazem graça querendo chamar sua atenção. Outras ainda aproveitam a janela aberta do veículo onde você está e te pedem um doce.

Analisando essa diferença só posso concluir aquilo que todos nós sabemos: a sociedade e as dificuldades que se vive rotineiramente tem o poder de eliminar a ternura e a pureza que um dia todos nós tivemos e isso é igual para todos: brancos, negros, amarelos ou vermelhos. O pré-conceito é fruto da sociedade e não da alma.

Ser minoria foi e é a melhor forma de despertar nossa compaixão, pois se não fizermos isso é impossível conviver com o fato de ser “diferente”. É preciso entender o porquê as pessoas agem como agem e pra isso é preciso olhar para aquelas pessoas e sentir o que elas sentem quando vivem o mesmo que você está vivendo naquele momento. Nesse caso é só você pensar na exclusão social brasileira, da qual participam, na sua grande maioria, descendentes de africanos. Por que nos olhariam com doçura e coleguismo? Pense também quem ganha mais com a miséria africana. Negros? Não. Brancos. Lembrando que apenas uma pequena elite africana também lucra com isso.

POVO ( mais fotos aqui )

O povo queniano é um povo dividido em diversas tribos. Normalmente quando você conhece um queniano ele irá se apresentar e logo irá te dizer de qual tribo ele vem. Nós tivemos contato com esse costume em Nakuru, onde conhecemos uma garçonete super simpática que primeiro nos disse que se chamava Maureen e, logo em seguida, sem que perguntássemos, nos falou que sua tribo é a Kixii. E é ai que você percebe que as raízes desse povo são segregadas e talvez seja por isso que o país ainda enfrenta tantos problemas. O Quênia, apesar da independência, ainda não é o que podemos chamar de nação. Não tem unidade e foi provavelmente por isso que os colonizadores europeus tiveram tanto sucesso na colonização não só do Quênia, mas como em outros 50 dos 53 países existentes nesse continente (só Etiópia e a Libéria não foram colonizadas). Os europeus utilizaram das diferenças étnicas das regiões para criarem conflitos internos, facilitando assim sua penetração e o domínio das regiões. Exatamente como aconteceu no Brasil. Os colonizadores se “amigavam” com uma ou várias tribos mais “fortes” e eram essas que capturavam pessoas de tribos adversárias e as comercializavam como “coisas”. Sendo possível dizer, a partir dessa análise, que nenhuma colônia no contexto mundial é ou foi tão vítima quanto parece ser.

Uma das tribos quenianas de costumes mais marcantes e persistentes é a tribo dos “Maasai Mara”, embora não seja a mais influente no âmbito político. É uma tribo que vem brigando para manter seus costumes e tradições, mesmo sendo obrigada cada dia mais a abandonar muitos destes. É comum encontrar pessoas dessa tribo em toda extensão do território queniano e em uma parte do território da Tanzânia, pois eles tem uma natureza semi-nômade e são uma das poucas tribos com trânsito livre entre os dois países. Andam pra lá e pra cá vendendo seus artesanatos e bijouterias típicas feitas por eles. Além disso, os homens andam com seus rebanhos de bois e carneiros procurando campos para que eles se alimentem, pois, dependendo da região, muitas áreas ficam secas e improdutivas.

Vivem em casas feitas de barro e esterco de boi, construídas pelas mulheres da tribo. Aliás, pelo que entendi, são as mulheres que fazem praticamente tudo para e pela tribo. Essas casas são baixinhas, sendo difícil imaginar pessoas altas como eles vivendo lá dentro. Existem, no máximo, dois “cômodos”: a cozinha, com um buraco no chão que serve de “fogão”, e o “quarto” sem colchão, sendo colocada apenas a pele de um animal como forro sobre o barro sólido.

Vivem de forma considerada por nós precária. Enquanto estivemos lá, senti uma tristeza profunda, mesmo sabendo que deveria estar feliz pela oportunidade de vivenciar aquilo. Meu problema é que não me contento com a superfície, ou seja, quando vivo algo procuro a verdade da situação e tento “sentir” o que as pessoas à minha volta estão sentindo. E o que vi foi muita miséria e injustiça. Vi um povo sem lugar que se rendeu ao mercado de turismo pra tentar sobreviver, sem saber que é isso que irá acabar com sua essência. Muitos integrantes da tribo já “mudaram de lado”, encantados pela possibilidade de ter dinheiro. Muitos trabalham atualmente como seguranças nas cidades e são facilmente reconhecidos, pois quase todos integrantes dessa tribo possuem um enorme buraco na parte inferior da orelha. Uma marca eterna obtida em um dos rituais de demonstração de força e bravura, tanto pelos homens, quanto pelas mulheres.

Quando cheguei fiquei encantada com as crianças brincando e sorrindo, mas a partir do momento que o encanto passou pude enxergar moscas cobrindo o rosto de uma menininha linda e graciosa que fez pose pra tirar foto. Logo após, ela veio ao meu encontro pra ver a foto e, de repente, me vi rodeada por quase uma dezena de crianças encantadas com minha “super máquina” que mostrava a eles como eles são. Acredito que muitos ali nunca tinham se visto, pois não vi espelhos e nem acredito que eles se preocupem com isso.

Eles apresentaram danças típicas. Uma para os homens e outra para as mulheres. O Rô não quis dançar, mas não perdeu a oportunidade de pegar na lança dos Maasai. (((-:

Para produzir fogo eles ainda usam do atrito entre madeiras. Vimos o cara “fazendo” o fogo e eu me senti no filme “Odisséia 2001″. Sim! Me senti um primata descobrindo como se faz fogo, pois eu sempre ouvi dizer, mas nunca tinha visto ao vivo. (((-: Tá bom, admito: sou caipira.

RELIGIAO

A religião no Quênia é composta por 35% de protestantes, 30% de católicos, 30% de muçulmanos e 5% de animistas.

Os muçulmanos se concentram principalmente na região costeira do país, mas esse fato não vai te livrar de acordar antes das 5 da manhã com as mesquitas presentes em todas as cidades. Juro que não tenho nada contra muçulmanos, mas durante essa viagem eu cheguei a pensar seriamente em ir até a mesquita e quebrar o transmissor de som. Afff… Só por Alá mesmo!

A religião mais curiosa é praticada por algumas tribos, como por exemplo, pelos Maasai. A religião é chamada “Animismo Monoteísta”. É uma manifestação religiosa na qual se atribui a todos os elementos do cosmos (Sol, Lua, estrelas), a todos os elementos da natureza (rio, oceano, montanha, floresta, rocha), a todos os seres vivos (animais, árvores, plantas) e a todos os fenômenos naturais (chuva, vento, dia, noite) um princípio vital e pessoal, chamado de “ânima”, que na visão cosmocêntrica significa energia, na antropocêntrica significa espírito e na teocêntrica alma.

Os praticantes dessa religião ainda empregam a circuncisão masculina e a mutilação genital feminina. No caso dos homens, consiste de uma operação cirúrgica para remover o prepúcio, prega cutânea que recobre a glande do pênis. Segundo seus defensores reduz o risco do homem ser contagiado pelo HIV e também reduz o prazer e a possibilidade de masturbação. Já a Mutilação Genital Feminina (sigla MGF) é uma prática realizada em vários países principalmente da África, e da Ásia, que consiste na amputação do clitóris da mulher de modo que esta não possa sentir prazer durante o ato sexual. São práticas desprezíveis e, até mesmo por isso, muitas entidades internacionais vem lutando para torná-las ilegais, mas por serem praticadas voluntariamente fica difícil de vetá-las. (Wikipédia)

CULINÁRIA

Logo na primeira noite já pude sentir que estava no paraíso culinário. Chegamos no albergue cansados e com fome e, por sorte, tinha um restaurante no albergue esperando por nós. Quando comi senti o cheiro do Brasil. (((-: Agradeci a Deus pela influência africana na nossa culinária. Foi a melhor comida que comi desde que voltei do Brasil. Acreditem.

Eles, assim como nós, comem muuuuita carne vermelha e todas que provamos estavam macias como nunca. Uma das diferenças (facilmente resolvida) é que eles não costumam colocar sal nas coisas. Bem estranho. Mas é só pedir sal e o seu problema estará solucionado.

Outra diferença é que muitos costumam comer com a mão, principalmente quando estão em casa e isso segue todo um ritual. Primeiro passa alguém com uma jarra de água e um balde para que cada um lave suas mãos. Depois as pessoas comem com as mãos e, após o término, a pessoa passa de novo com a jarra e o balde para que as pessoas limpem as mãos. Só vimos essa situação em dois restaurantes na cidade de Nanyuki (base para subir no Monte Quênia pela rota Sirimon), pois acredito que é menos frequente as pessoas comerem com as mãos nos restaurantes. E, como é raro, decidi quebrar o protocolo. (((-:

Essa “massa” que estou comendo é o chamado “Ugali”. Uma massa de mandioca sem gosto nenhum. Serve apenas como fonte de carboidrato que substitui o arroz nas refeições. É uma forma de ficar bem alimentado, gastando menos.

O Quênia possui um dos cafés mais famosos do mundo, assim como a Etiópia, mas apesar disso só conseguimos tomar dessa delícia em casas de café em Nairobi. Nos outros lugares só nos serviam um sachê de café solúvel produzido pela Nestlé. Estranho, mas não muito diferente do que acontecia com o café produzido no Brasil. Os melhores grãos do café brasileiro foram por muito tempo destinados à exportação, mas lembro de ler que o governo atual está adotando medidas para acabar com essa prática de países do tipo “mamãe quero ser colônia”.

O café da manhã queniano tem uma forte influência da Inglaterra, ou seja, eles também tem o costume de comer ovo frito, salsicha e bacon nessa refeição. Uma bomba! E somado à isso eles ainda comem caldo de mocotó (eu odiei). Entendeu porque que eles ganham tantas maratonas mundiais? (((-:

Não vimos açúcar refinado em lugar nenhum. A maioria usa açúcar cristal e também chegamos a utilizar açúcar mascavo. Falando sinceramente, até prefiro, pois sei que tanto um quanto o outro são mais saudáveis, uma vez que não passam por processos químicos como o refinado.

Quenianos são famosos também por, assim como seus colonizadores ingleses, tomarem chá com leite. Uma mistura aparentemente estranha, mas que tem um gosto peculiar e até mesmo agradável. Tomamos muito durante nossos dias gélidos no Monte Quênia. (((-:

Eles também tem muitos pratos exóticos parecidos com pratos típicos do nordeste brasileiro como, por exemplo, intestino de bode ou sopa de rabo de boi. Urgh!

TRANSPORTE ( mais fotos aqui )

Caos. Tumulto. Desconhecimento de leis de trânsito. Irresponsabilidade. Loucura. Corrupção. Isso resume (eu acho) tudo que eu poderia falar nesse tópico. Mas, apesar disso tudo, trabalhar com transporte no Quênia é um dos meios mais comuns de se ganhar um dinheirinho quando não se tem outra possibilidade.

Em Nairobi o meio de transporte mais utilizado são as minivans chamadas na língua local de “matatu”. A frota desses carros deve representar 85-90% da frota de carros do Quênia. Pode parecer um trocadilho besta, mas “mata-tu” é uma ótima designação para esse meio de transporte local. Podemos dizer que andar de matatu foi a experiência mais aventureira que já vivemos até hoje. Um sentimento que Safari nenhum é capaz de te proporcionar. Pois é, o que é aventura pra gente é rotina pra eles.

Pra quem morava em São Paulo pelos idos de 2001-2002 é relativamente fácil de imaginar o que são esses matatus e o risco que eles oferecem para seus passageiros. Lembram do sistema de perueiros clandestinos em São Paulo, principalmente os da Zona Leste? É isso piorado umas 20 vezes! Não existe tabela de horários para a saída. A lei é: encheu, saiu. E eles saem acelerando pra conseguir fazer o máximo de viagens possíveis por dia, custe o que custar, inclusive a vida deles e de todos que estiverem com eles. O que são 14 lugares, viram facilmente 20 durante o caminho, não importando se você pagou por 1 ou por 1/5 do assento. Mas se esse fato é o que te incomoda, eles tem a solução: o super “Matatu Shuttle”! Essa é uma modalidade de matatu que enche, sai e só pára para descarregar a galera e, para tornar sua viagem ainda mais confortável eles também tem uma TV, através da qual você irá ver clips musicais a viagem inteira e, como consequência, você vai querer quebrar essa TV após 30 minutos ouvindo música num volume ensurdecedor. Ai eu me pergunto o que é pior: viajar esmagado ou ficar surdo. (((-:

Devido ao alto índice de acidentes, o governo atual tem elevado o policiamento nas estradas. Vocês acreditam que está funcionando? Não. Não funciona, pois o sistema queniano é absurdamente corrupto e seus policiais não são exceção à regra. E nós conhecemos muito bem essa realidade. Eu vi, infelizmente, essa corrupção em uma blitz, onde o matatu onde estávamos foi parado. Todos vêem, todos sabem, mas ninguém está preocupado em mudar as “regras do jogo”. É um país que só tem uma lei: a lei da selva, onde o mais importante é sobreviver e não importa como.

E, como se não bastasse, o estress de ficar esperando o matatu sair, ainda tivemos que aguentar dezenas de vendedores ambulantes enfiando seus baldes cheios de produtos dentro da van para comprarmos. Eles vendem de tudo: óculos, jornais, doces, salsicha, vinagrete numa colher (com a qual se despeja o “conteúdo” comprado na sua mão), ovo cozido, suco retirado de um balde com um caneco e etc. Os pontos finais de matatu são a visão do inferno. Imundos e caóticos. Som alto, todas pessoas falando e gritando. É nessas horas que agradeço por ter sido iniciada em Yoga, pois em todos esses momentos eu lembrava das aulas de respiração e meditação e começava a praticar antes que ficasse “fora de si”. Acreditem: eu poderia ter matado um em alguns momentos.

Já nas cidades menores, onde o matatu também está presente, encontra-se muitos “tuk-tuks”. Se ouvir o som que eles fazem, vai entender o nome desses veículos engraçados. Antes de aparecerem os matatus, esse era o meio de transporte mais comum também em Nairobi.

Já em vilas distantes, é preciso registrar aqui cenas que vimos nesses lugares no quesito transporte. Vimos, principalmente no caminho para Namanga, muitas pessoas entaladas em pequenas carretas. É porque não existe nenhum outro meio de transporte para essas. Dá a impressão de que deve sair apenas um caminhão por dia e, por isso, eles se expremem o máximo possível para que todos tenham a oportunidade de ir para onde desejam.

Os quenianos, assim como os brasileiros, encontram nas dificuldades diárias oportunidades de fazer dinheiro. Uma prova disso são os “taxi-bikes” ou, como chamados na língua local “boda-boda”. Uma forma desconfortável, mas barata de transportar pessoas em curtas distâncias e ainda ganhar um trocado.

Em Nairobi também tem muito taxi, cujos preços são razoáveis. É um meio de transporte muito útil, principalmente após as 18 horas, quando andar por Nairobi pode ser bem perigoso principalmente para turistas branquelos desinformados.

Uma forma de viajar longas distâncias são os ônibus interregionais. Em comparação com os matatus, são melhores porque são maiores e não porque são mais seguros. Uma batida em um matatu é muito pior, pois ele é menor, mas um motorista de  ônibus é tão maluco quanto um motorista de matatu. Mas é preciso explicar que existe “o” ônibus e “O” ônibus, ou seja, dependendo do ônibus você não terá nem conforto e muito menos segurança. Digo isso, pois vimos muitos ônibus em estado precário e absurdamente empanturrados de pessoas dentro e fora deles. Isso mesmo. Junto com bagagens no teto, existiam passageiros. Essa aventura dispensamos.

Usamos “O” ônibus para ir de Nairobi para Nakuru. O pior da viagem foi antes dela começar. Como não sabíamos direito onde pegar o ônibus, apareceu um cara querendo empurrar pra gente uma viagem num ônibus qualquer e ficou nos pressionando e nos perseguindo para irmos com ele. Fiquei, de verdade, com medo e chegou a me dar desespero porque por mais que mandássemos o cara embora, ele não ia. No fim, o cara sumiu e nós pegamos nosso ônibus. Quando entramos, quase vomitamos, pois o cheiro de “eu não sei o que é banho há anos” estava insuportável e todas as janelas estavam fechadas. Quando começou a andar, abrimos as janelas e a coisa ficou menos pior. De repente comecei a perceber que o ônibus estava fazendo um movimento lateral estranho e, infelizmente, perguntei pro Rô o que podia ser aquilo. Nada, apenas a possibilidade de eixo empenado. Lógico que nem quis saber das possíveis consequências. Durante o caminho o ônibus foi parando pra pegar mais gente, inclusive um vendedor ambulante, vendendo ameixas igual tinha na casa da minha avó em Ribeirão Pires. Saudades. Enfim, chegamos são e salvos ao destino final. Amém.

TRÂNSITO

Hein? Trânsito? Sinceramente não acho que essa seja a melhor definição a ser dada para o que acontece no Quênia, porque lá não se transita… se empurra, se esbarra. Não existem regras e muito menos semáforos que funcionem. O fato de estar verde ou vermelho não muda absolutamente nada, nem para os carros e muito menos para os pedestres. Quer atravessar? Vá. Não espere que ninguém pare porque o sinal está vermelho. Olhe para todos os lados, sinal da cruz e siga em frente. AH! E, pra piorar, o sistema aqui é como na Inglaterra, ou seja, tudo invertido, começando pelo lado do motorista e piorando no sentido que os carros vem e vão.

Tem quem seja louco o suficiente para alugar carro por essas bandas, mas eu, sinceramente, não aconselho. Apesar que, pensando bem, não sei o que pode ser pior: bater em um matatu ou estar em um matatu que bateu. (((-:

HIGIENE LOCAL

O conceito ocidental de higiene parece ser completamente desconhecido tanto pelas tribos, quanto por boa parte dos cidadãos quenianos e, por isso, todo cuidado é pouco.

Não beba água de torneira em hipótese nenhuma, mesmo que veja um deles fazendo isso. Eles já criaram resistência, nós não. Inclusive pra escovar os dentes é melhor que se use água mineral comprada, pois se estiver com uma cárie a coisa pode se complicar, pois é um orifício que pode ser infectado.

Existem poucos restaurantes “confiáveis” fora da cidade de Nairóbi, mas existem. Procure com cautela, observe o local e já irá sentir se dá pra confiar ou não. Nós comemos algumas vezes em restaurantes ”pra turista”, mas na maioria das vezes comemos em restaurantes pra locais e não tivemos, aparentemente, problema nenhum com isso. Mas evitamos comer coisas cruas, frias ou fritas.

Os banheiros são, no geral, utilizáveis. Mas é lógico que você não irá sentar na privada, certo? E tenha sempre papel com você, pois serão RARAS as vezes que encontrará papel disponível. A descarga também não funcionará muitas vezes e isso não tem o menor problema. Pode dormir tranquilo, pois ninguém vai deixar de usar esse banheiro por causa disso. (((-: Isso mesmo. É normal. Lembre-se que já estará no lucro se tiver privada. (((-:

Apesar de termos visto tanta sujeira, tanto lixo espalhado pelas ruas (principalmente fora de Nairobi), não vimos muitas baratas. Aliás, eu não vi nenhuma, mas o Rô disse que viu uma pequenininha em um dos hotéis que ficamos. Já rato não só vimos, como dividimos quarto com um deles. Tão bunitinho! (((-: Foi no refúgio no Monte Quênia a 3300m de altitude. Ratinho valente! Morar nessa friaca não é fácil pra um bichinho que não tem quase pelos. Tá bom, só estou fazendo piada hoje, mas no dia quase surtei. Não dei nenhum piti, pois sou uma lady, mas não sosseguei enquanto o Rodrigo não deu um jeito de botá-lo educadamente pra fora. No fim ele foi caçado pelo rabo e jogado pra fora, mas durante a noite fez tanto frio que fiquei com peso na consciência, afinal ele morava ali primeiro. (((-:

Banho é luxo. Banho quente é quase uma ilusão. Banho de gato é rotina. (((-: Pois é, para essa viagem compramos as famosas “handtuch” (toalha de mão) dos alemães, pois imaginávamos o que nos esperava. Banho de chuveiro no Quênia parece ser um luxo destinado à classe média, alta e aos turistas abastados. Só. E olhe lá. Até nós, como turistas, quase tivemos que tomar banho de caneca em um dos hotéis que pernoitamos em Namanga (cidade base para Safari no Parque Nacional Amboseli). No banheiro tinham dois baldes e cada um tinha uma canequinha de plástico pendurada. Pela manhã, quando estávamos saindo do quarto (sem banho) pra ir embora, o cara do hotel estava indo na direção do quarto com o balde cheio de água quente. Ufa! Foi por pouco. (((-: Mas pior mesmo foi no acampamento do Maasai Mara, onde tivemos que tomar banho frio. Já no Monte Quênia nem preciso falar que banho só nos nossos sonhos e orações. (((-: Dá-lhe toalhinha de alemão e lencinhos umidecidos fragância camomila! (((-:

A maior tradução de falta higiene são as feirinhas populares que presenciamos principalmente em Nakuru (cidade base para o Parque Nacional Nakuru). Geralmente os produtos são colocados sobre um plástico ou papelao no chão e as bananas num carrinho de carregar cimento. Enfim, uma foto como a foto do início do tópico pode substituir qualquer tentativa de descrição.

POBREZA

Infelizmente o Quênia (junto com muitos outros países africanos) é um dos países mais pobres do mundo, onde a desigualdade social é absurda e alarmante. Além disso, o índice de desnutrição é explícito, pois é comum ver pessoas extremamente magras em todos os lugares. Mas o mais impressionante é ver que muitas dessas pessoas possuem, apesar da subnutrição, força para caminhar até mesmo quilômetros carregando peso.

Só vimos padrões médios de qualidade de vida nos estabelecimentos turísticos e em uma região de Nairóbi, afastada apenas alguns quilômetros do centro. Vimos vários condomínios de luxo fechados e prédios da classe média. E, enquanto isso na extensa periferia, o povo vive, com sorte, em casas de lata sem janela.

Fora da área nobre só vimos pobreza extrema e falta de oportunidade. Durante todo o dia se vê muita gente nas ruas, principalmente homens, o que nos remete à idéia de falta de empregos para tanta gente. Todos os dias as ruas estão lotadas de gente encostada. Simplesmente batendo papo pra hora passar ou tentando vender qualquer coisa a qualquer preço.

Outra situação curiosa e comum é o tráfego intenso de pessoas nos acostamentos das rodovias. Alguns vendendo mato, outros frutas como banana, outras batatas e outros apenas caminhando com destino ou sem destino. Não sei.

Só sei que uma das cenas mais chocantes que vi nesses acostamentos foi um mundaréu de gente se expremendo pra pegar água potável em uma bomba aparentemente pública de água. Pensei comigo: “água????”. Meu Deus quando eu podia me imaginar passando num lugar onde as pessoas mal tem acesso a ÁGUA???? E eu, estando lá como turista, tinha água quando eu queria. Sem dificuldades. Sem desespero. Sem ter que percorrer quilômetros carregando num carrinho vários galões a serem preenchidos e transportados mais alguns quilômetros de volta. Pensei no Brasil. Pensei no nosso nordeste. Não consigo aceitar e muito menos entender. Não consigo.

Além dos desempregados e dos desesperados, vê-se muitas crianças sempre uniformizadas vindo e voltando das escolas a pé e carregando um galãozinho de plástico, no qual levam água para a escola, uma vez que muitas escolas não tem água.

Além disso, elas devem andar muitos quilômetros diariamente, pois muitas escolas são distantes. O curioso é que as crianças quenianas não são obrigadas por lei a ir pra escola (diferente do Brasil), mas, segundo um queniano que conhecemos, fazem questão de ir, por mais que tenham que enfrentar quilômetros de andanças e sede pra isso. São curiosas e tem um brilho no olhar encantador. Nos transmitem paz e esperança.

Um dia observamos algumas meninas voltando da escola sem sapato, mas também observamos que elas carregavam os sapatos nas mãos. Me perguntei naquele momento qual o motivo delas tirarem o sapato. Será que era mais confortável ficar descalça ou será que elas ainda valorizam uma das coisas mais gostosas do mundo que é pisar na terra? Não sei o que as motiva, mas sei que me deu uma saudade de pisar descalça na terra de novo. Vou ter que esperar dezembro pra pisar não só na terra, mas como na minha terra. (((-:

Nesse mesmo dia vi uma cena marcante. Vi um menininho caminhando na beira de uma estrada de terra puxando pela cordinha um carrinho feito por ele. Era um carrinho feito com um galãozinho deitado, no qual ele colocou quatro rodas feitas de madeira. Tive um sentimento puro, mas também um pouco triste. Não por ele, mas por mim e por todas as crianças que choram ou choraram porque não tem ou não tinham o carro da barbie. Mexeu comigo. Mexeu com meus valores e tenho certeza que me ensinou muito sobre como criar meus filhos. Pelo menos vou tentar criá-los com simplicidade, mesmo sabendo que hoje em dia é muito difícil conseguir isso. Quero um dia mostrar essa foto pra eles e provar que é o simples que nos faz feliz de verdade. O que para nossas crianças é imprescindível, para as crianças pobres é inatingível e, talvez, indiferente.

Observando diariamente tanta pobreza é impossível não parar para refletir sobre o que é ser pobre. Às vezes penso que o que é pobreza para os países mais desenvolvidos, é normal para países como Quênia. Acreditem: eles são felizes. Pra mim é triste, pois ali não tive acesso a quase nada do que tenho e tive durante minha vida toda, mas me pergunto: “Será que se eu nunca tivesse tido o que tive até hoje sentiria falta? Será que faria diferença pra mim, sendo que eu nem saberia que existe?”. Acho que não. Acho que só ficamos alarmados porque nossos valores são outros. Acredito que só se sente falta daquilo que se conhece. Teve um momento onde estávamos no meio de um lugar horrível, sujo, com pessoas maltrapilhas e muito muito lixo espalhado pelas ruas, mas todas pessoas ali (exceto nós) estavam rindo, conversando, convivendo pacificamente. Então pensei: “quem tem que ter dó de quem? nós deles, somente por que eles desconhecem o nosso padrão de conforto e bem-estar ou eles de nós porque não sabemos mais dar valor à coisas que o dinheiro não pode comprar?”. Após esse pensamento senti um mal-estar estranho. Me senti arrogante por ter pena de quem não tem o que eu tenho, como se eu tivesse a certeza suprema de que o meu é melhor. Será que é? Não sei.

Um dia pegamos um matatu para voltar para Nanyuki na beira da estrada, ou seja, ele já estava lotado e nós tivemos que nos espremer entre as pessoas que já estavam lá. Fui pro fundão e “sentei” (na verdade me espremi) entre uma senhora e uma jovem. Mas o que era pra ser uma viagem terrível, por causa da falta de conforto, foi uma das melhores lembranças que vou ter da viagem toda. A senhora ao meu lado começou a puxar conversa comigo perguntando de onde eu era e, quando eu disse que era do Brasil, ela ficou toda curiosa (como todos) e começamos a conversar. Seu nome é Jane. Eu perguntei pra ela se ela pegava aquele transporte, naquela situação todos os dias e ela me disse que sim sorrindo, sem reclamar de nada. Me contou que o cobrador era um guia renomeado e só trabalhava ali pra ganhar mais uns trocados. Depois perguntei se ela tinha emprego, pois percebemos que a maioria das pessoas de lá são desempregadas e ela me disse que não, não tinha um emprego e que conseguir um emprego no Quênia é extremamente difícil, mas que é preciso seguir em frente. Foi então que eu disse pra ela o quanto eu admiro pessoas como ela, que mesmo com tantas dificuldades, conseguem ser felizes e otimistas, pois nós que temos mais oportunidades vivemos reclamando e custamos a encontrar tempo para sorrir sem sermos remunerados por isso. Falei que fico impressionada em ver que, apesar de tudo, muitos quenianos são sempre simpáticos e prestativos e ela me disse: “Você sabe, nós temos que nos ajudar porque somos todos, antes de mais nada, seres humanos e, se não nos ajudarmos, não sobrevivemos. Isso é o mais importante”.

E eu me pergunto: “Uma mulher com essa sabedoria pode ser chamada de pobre?”. Acho que não.

SAFARIS

Safari é uma palavra originária do Swahili que significa expedição. Relacionada à idéia de Safari, também existe a expressão em inglês “Game-Drive”, o que dá nome a um safari feito em veículo 4×4.

Ficam no Quênia alguns dos melhores safaris africanos, principalmente no Parque Nacional Maasai Mara e no Parque Nacional Amboseli. Nesses safaris não é permitido sair dos carros e muito menos se aproximar a ponto de tocar nos animais, a não ser que você queira perder alguns dedinhos. (((-:

O ambiente é REALMENTE selvagem, ou seja, nenhum bicho lá é alimentado por pessoal contratado e não existem grades cercando os parques. Isso implica em afirmar que você poderá cruzar com esses bichos em qualquer lugar do Quênia. Nós mesmos vimos girafas, gazelas, babuínos, antílopes, avestruzes, búfalos e zebras pra todo lado enquanto passávamos pelas estradas.

Para entrar nos parques é necessário estar com um carro 4×4 e com um guia, além de pagar as devidas e absurdas taxas. Você pode ir com um grupo ou alugar um carro e contratar um guia. A escolha é sua, mas eu ainda acredito que a melhor opção é procurar um grupo, pois assim os custos são menores e você ainda aumenta a possibilidade de conhecer pessoas interessantes. Além disso, as agências são bem “hermanas” e os carros dessas se comunicam o tempo todo através de PX para informar onde estão os bichanos e onde o bicho está, literalmente, pegando. (((-:

* Parque Nacional Maasai Mara ( mais fotos aqui )

Decidimos ir para esse parque (que é o melhor, mas não o maior, no Quênia) em cima da hora, pois ele nem estava no nosso plano inicial. Foi a melhor decisão de última hora que tomamos nesse viagem. O lugar é FANTÁSTICO e vimos tantos animais que chegou um determinado momento onde olhávamos para as zebras, gazelas, búfalos e os gnus (um bicho estranho que parece um cruzamento de égua com boi) como se fossem apenas dóceis cachorrinhos. (((-:

Esse parque é famoso, principalmente, porque é entre ele e o Parque Serengueti (Tanzânia) que ocorre a grande migração anual de vários animais, principalmente gnús (wildebeest) e zebras. Em julho de cada ano, estes animais desengonçados migram para o vasto norte das planícies do Serengueti buscando pasto fresco e voltando ao sul em outubro (vimos um monte!!!).

A grande migração é uma dos eventos naturais mais impressionantes, envolvendo uma imensidão de herbívoros: algo em torno de 1.300.000 gnus, 360.000 gazelas-de-thomson e 191.000 zebras. Estes numerosos migrantes são seguidos ao longo de sua rota anual por um bloco de predadores famintos, particularmente leões e hienas.

Outros antílopes numerosos podem ser encontrados, incluindo as gazelas-de-thomson e de-grant, a impala, o topi e o búbalu. Grandes manadas de zebras são também encontrados por toda a reserva.

As planícies são também os lares da girafa-masai assim como da girafa comum. Adicionalmente, mais de 450 espécies de pássaros foram identificados no parque, incluindo, abutre, cegonha, secretário, calau, grua-coroada, avestruz, águia-de-crista-longa e falcão-pigmeu. (Wikipédia)

Chegamos no acampamento e depois já fomos aproveitar o final da tarde para visitar o parque. Ficamos alucinados em ver todos aqueles animais convivendo em harmonia juntinhos num lugar com paisagens alucinantes. E, nesse dia, pegando o final do entardecer, a cor da relva seca só fez aumentar a nossa compulsão fotográfica. (((-:
Na hora de dormir foi um parto, pois eu estava ouvindo “coisas” e só consegui dormir depois que as “coisas” ficaram quietas. No outro dia descobri que as “coisas” eram hienas. Afff… odeio hienas! São escandalosas e preguiçosas, pois só comem o que já tá morto. Bom, pelo menos esse é um motivo para eu não temê-las. (((-:

No segundo dia, ficamos o dia inteiro no “game”. Vimos 4 dos famosos “big-five”: elefante, leopardo, leão e búfalo. Faltou apenas o rinoceronte que, apesar de ainda existirem algumas dezenas dos pretos, são vistos raramente nesse parque. Os “big-five” são utilizados como chamariz pelas agências de turismo, mas na verdade essa definição não diz nada de concreto sobre os bichos que formam esse grupo. Essa definição foi dada em tempos remotos, pois alguns caçadores consideravam esses os bichos selvagens mais perigosos para se caçar. Mas, olhando pro elefante, é impossível acreditar que ele seja perigoso, não é!? (((-: Mas ele pode ser sim. Os guias aconselham uma distância de 50m do bichão e, depois que li num jornal local que duas pessoas foram mortas por elefantes, decidi levar essa informação a sério. (((-:

Pra fechar o dia fomos fazer um pic-nic e depois seguimos para o Rio Mara, a fim de visitar os hipopótamos e seus companheiros crocodilos. Nesse passeio pudemos (enfim) sair do carro e andar um pouco no meio do mato, mas acompanhados por um cara do exército bem armado para casos de emergência. Para a alegria do Rodrigo vimos um monte de hipopótamos. Alguma semelhança nas fotos abaixo??? (((-:

Acredito que os hipopótamos são inofensivos pra nós, pois são herbívoros, mas os crocodilos são perversos e comem os animais descuidados que se atrevem a atravessar pelo rio (aliás, tem até uma ponte que eles poderiam atravessar, mas acho que são meio desinformados mesmo…). Uma prova do perigo é a quantidade de ossadas na beira do rio. Bobeia pra tu vê! (((-:

Fiquei encantada com um filhote de hipopótamo que estava sozinho na beira do lago, mas ao mesmo tempo ficamos apreensivos, pois o militar disse que, estando ali, ele seria normalmente devorado pelo seu crocodilo. Deu vontade de ir lá e tirar ele, mas nem eu e nem ninguém tem o direito de mudar os destinos na selva. Paciência.

O hipopótamo é um mamífero enorme que tem uma capacidade incrível de ficar durante muito tempo submerso na água. O mais gracioso nele é quando ele mexe suas pequenas e desproporcionais orelhas que nem um helicóptero. E o mais nojento (que eu nunca tinha visto) é quando ele defeca na água. Urgh!!!! Ele vai liberando o troço e rodando o rabo pra dispersar os resíduos na água. É nojento!!!!! Urhggggg!!!! Depois de ver isso achei ele menos bonitinho. (((-:

No último dia acordamos (aliás madrugamos) às 6 da matina e fomos para a última e mais excitante etapa do game: a caçada. Na verdade, fomos meio desanimados, pois já tínhamos visto tanto bicho que não acreditávamos que iríamos ver nada diferente. Engano absurdo! Esse “game” matutino é feito pelas agências para tentar a sorte de assistir de camarote o “café-da-manhã” dos reis: os leões.

Quando perguntamos pro guia o que iríamos ver de diferente para justificar acordar tão cedo, ele disse: “Na Selva tudo é imprevisível. Se deixe surpreender.” Hummm… Mentiiiiiiiiiira… Ele sabia muito bem o que nos esperava, caso tivéssemos sorte. Mas não posso negar: ser surpreendida foi muito melhor e excitante! (((-:

Todos os carros seguiam a mesma rota: a rota dos leões e leoas. Quem identificava um grupo se movimentando, avisava através do rádio os outros e todos seguiam com a esperança de que o “bicho pegasse”. Num primeiro momento começamos a seguir uma leoa que se direcionou para um grupo de zebras. A leoa andava calmamente, quando de repente passou um avestruz macho que parecia ter ido avisar o bando de zebras sobre o perigo. Isso prova que leão não deve gostar de comer avestruz. (((-: As zebras ficaram tensas, mas não correram. Acho que elas ficaram em estado de choque. Mas eis que a leoa passa ignorando aquele grupo e segue sem destino.

Desistimos dela e, avisados pelo rádio, fomos de encontro à um grupo de 3 leões aparentemente famintos. Sim! Eles estavam famintos e decididos a atacar um grupo suculento de búfalos. Todos os carros presentes no parque estavam ali e formaram um círculo para ver o espetáculo da vida selvagem. Os leões se posicionaram e sentaram como se nada estivesse prestes a acontecer. Cínicos. Ficaram por quase uma hora paralisados, observando a manada de búfalos se dispersar rapidamente. Mas a natureza é fantástica! Existia um grupo gigante de búfalos, mas apenas meia dúzia ficou ao alcance de seus predadores. Os demais se afastaram. Os que sobraram estavam prestes a se sacrificar pelo grupo ou lutar por ele. Foi lindo ter essa certeza. Leões estáticos, búfalos estáticos. Olhares.

De repente, pro delírio da galera (só de contar já sou tomada pela excitação do momento) os búfalos começam, ao invés de fugir, ir em direção aos seus predadores. Meu Deus! Como entender isso???? Todos estavam esperando o contrário, ou seja, que o leão atacasse. Mas não. O búfalo, segundo o guia, é um animal extremamente valente e que pode sim vencer um conflito com leões. Maaaaas não foi dessa vez. Os leões identificaram o mais novo e fraco e o atacaram impiedosamente.

O primeiro abocanhou a jugular do pobre búfalo, o outro pulou nas costas e o outro pegou a pata traseira. Mesmo assim o búfalo ainda resistiu por alguns instantes de pé, mas logo caiu e se rendeu ao seu destino natural: ser caçado.

Achei LINDO! Foi estranho sentir isso, pois a maioria das pessoas deve ficar com dó do búfalo, mas eu não. Vi tudo aquilo como um processo justo e harmonioso. É a cadeia alimentar funcionando como ela deve funcionar. Tinha uma menina (chaaaaaaaaaaata) americana no nosso grupo que começou a chorar desconsoladamente e eu pensei: “Será que ela chora todos os dias quando assiste aos noticiários americanos e quando vê quantas mortes não naturais estão ocorrendo por causa do governo do seu país?” Sei que ela, diretamente, não tem culpa, mas chega a ser engraçado uma situação dessas sabendo que ela votou e vai votar de novo no Sr. Bush. Antes ver animais se matando (o que é natural), do que ver homens agindo como animais e fazendo o mesmo (o que é brutal).

Pra fechar voltamos com um apetite de leão para o acampamento e tomamos um super “breakfast” ao ar livre com direito à algo parecido com nossa rabanada no sabor banana. Huuuummmm! Delícia! A rabanada, pois salsicha, ovo e bacon logo de manhã me deram até calafrio. Afff…

* Parque Nacional Nakuru ( mais fotos aqui )

Esse parque é famoso mundialmente principalmente por possuir o “Lago Nakuru”, onde ocorre uma das maiores concentrações de flamingos no planeta. Além disso, é possível ver um dos “big-five” mais difíceis de se encontrar por estar em linha de extinção: o rinoceronte branco.

Quando chegamos na beira do lago ficamos maravilhados com aquela mancha rosa sem fim. Centenas, milhares de flamingos pousados na beirada do lago quietinhos, como se estivessem posando para as dezenas de máquinas fotográficas ali presentes. Achamos que o número de flamingos ali era absurdo, mas o guia nos disse que estava vazio. Ele disse que, na época de migração, o lago é praticamente todo tomado por eles e aí sim é absurdo! Esse lago é um lago de água salgada, mas não me pergunte como essa água salgada foi parar lá. Não tenho a menor idéia, mas acho interessante observar isso. Quando chega lá, já sente o cheiro da maresia. (((-:

Depois de centenas de fotos de flamingos eu só queria saber de uma coisa: de ver os rinocerontes brancos. E chegou a vez deles. Eram muitos!!! Bom, acho que pra ficar branco mesmo ele teria que tomar um banho de água sanitária, mas tá bom… Parecia um sonho. Tá, na verdade um pesadelo, pois eles são bem feinhos e esquisitos. Mas são raros e futuramente inexistentes e é por isso que todos ficam excitados em vê-los, pois pode ser que nossos filhos ou netos não tenham essa chance. )))-:

E, pra encantar ainda mais, surgiram dezenas de pelicanos, formando uma mistura natural incrível na beira daquele lago. INESQUECÍVEL. INDESCRITÍVEL. VIDA.

Mas onde existe vida, existe morte. É um processo necessário e natural. E é por isso que as hienas e os abutres existem em lugares como esse: pra fazer a fila andar. (((-:

* Parque Nacional Amboseli

Queríamos chegar. Pagamos pra chegar. Mas não chegamos. Acontece.

Só queríamos ir nesse parque ver um dos lados do Monte Kilimanjaro que fica na borda entre Tanzânia e Quênia. Mas não vimos. Não vimos porque não conseguimos chegar no parque e, também, se tivéssemos chegado não iríamos ver, pois nesse dia existiam mais nuvens no céu do que flamingos no Lago Nakuru.

Por que não chegamos? Fomos engambelados pelo agente de turismo e pelo guia. Quem quiser saber os detalhes, é só perguntar, ok!? Infelizmente é um episódio que não merece ganhar espaço aqui.

TREKKING – MONTANHISMO – MONTE QUÊNIA (MOUNT KENYA) ( mais fotos aqui )

O Monte Quênia, com uma altitude de 5199m, é a segunda maior montanha do continente africano, perdendo apenas para o Monte Kilimanjaro na Tanzânia. Com os seus cumes vestidos de glaciares e encostas arborizadas, o Monte Quênia oferece um dos mais impressionantes panoramas da África, tendo sido inscrito pela UNESCO, em 1997, na lista dos locais que são Património da Humanidade. O Parque Nacional, estabelecido em 1949, foi reconhecido como Reserva da Biosfera em 1978 e, em conjunto com a Floresta Nacional, ocupam uma área protegida de 142 mil hectares. (Wikipédia)

Nos preparamos e planejamos subir pela Rota Sirimon até o segundo refúgio a 4200m de altitude. Chegamos, inclusive, a pensar em fazer o ataque a um dos picos, o Ponto Lenana (4895m), mas minha saúde dessa vez não cooperou com nossos planos. )))-:

Pensamos em fazer a trilha em 3 dias, ficando apenas duas noites na montanha, mas, um dia antes de partir para a trilha, fiquei muito gripada e, conforme íamos subindo a montanha, pior eu ia ficando. No primeiro dia subimos 9km a partir do “Sirimon Gate” (2.600m) até o primeiro refúgio (3300m). Detalhe que subimos carregando todas nossas coisas, pois não contratamos um carregador, mas apenas um guia, que é obrigatório.

Quando chegamos no refúgio meu nariz estava completamente entupido e isso é gravissímo em altas altitudes, pois a partir de aproximadamente 3.000m é comum que muitas pessoas comecem a sofrer do que eles chamam de “mal da montanha”, pois o ar é muito rarefeito e isso traz, para quem não está “aclimatado”, consequências ruins e até mesmo trágicas. O Rodrigo pensou em desistir de continuar porque eu estava realmente ruim, mas eu (a loka) insisti pra irmos um pouco além e valeu a pena. (((-:

Ao contrário da maioria esmagadora dos turistas europeus e americanos, nós só contratamos o guia e mais nada. Nós cozinhamos pra nós utilizando um fogão de altitude que o guia nos emprestou (só pagamos o querosene) e comemos no pinico do guia com duas colheres. Tá bom, é mentira. Não é um pinico (espero), mas que parece, parece. (((-:

Nessa primeira noite achei que ia morrer. Sério. O refúgio que ficamos não tem aquecimento nenhum, ou seja, a temperatura interna era praticamente a mesma temperatura que estava do lado de fora. Meu nariz estava completamente entupido e, por causa do ar gelado e falta de ar, minha garganta ficava o tempo toda seca, quase obstruída. Passei horas levantando pra tomar água com medo da minha garganta fechar. O Rodrigo, por minha causa, também não dormiu nada. Acredito que foi a pior noite de sono da minha vida, pois naquele lugar o acesso às coisas é muito difícil e, se algo acontece, pode ser fatal.

Acordamos e decidimos ficar mais um dia naquele refúgio pra ver se eu melhorava e ai sim poderíamos seguir para o refúgio Shipton (4.200m). Mas, como sou inquieta e teimosa, insisti com o Rodrigo pra fazermos um trekking no sentido do próximo refúgio. Não existia a possibilidade de ir até esse e voltar, pois só o percurso de ida leva 8 horas. Pegamos uma das rotas possíveis e fomos até a metade, o que levou aproximadamente 4 horas de ida e umas 2 de volta. Uma paisagem e uma flora indescritívies e, ainda por cima, tivemos o prazer de ver os picos nevados do Monte Quênia com seus glaciares, aparecendo após as nuvens o abandonarem. Fantástico. Único.

Dormi bem melhor nessa noite, mas não melhorei e decidimos não subir mais pro próximo refúgio. Mas, pra aproveitar a viagem, decidimos subir de novo na direção do refúgio Shipton, mas dessa vez por outra rota. E foi nessa rota que o Rodrigo foi possuído por um espírito japonês e começou a tirar fotos descontroladamente! (((-:

Mas não tinha como ser diferente. A paisagem que vimos não existe. Só pode ser miragem e foto nenhuma consegue mostrar o que é de verdade. Acreditem.

Chegamos nesse dia na nossa altitude máxima de 4.100m, o que já é uma senhora de uma altitude, considerando que o pico mais alto do Brasil tem “apenas” 3.014m (Pico da Neblina).

Nessa noite o Rodrigo viu os guias e carregadores fumando maconha e ai pensei (mente fértil): “Se um dos caras que é contra a legalização da maconha visse quanto peso (dos outros) esses caras carregam numa montanha, o consumo de maconha não só seria liberado, como também seria recomendado por todos médicos e cientistas.” (((-:

Voltamos, almoçamos, empacotamos as coisas e voltamos com um sentimento misto de alegria e de tristeza. De tristeza por não termos chegado exatamente onde queríamos, mas felizes por termos a oportunidade de ter visto tanta beleza de forma responsável (graças ao Rodrigo), podendo voltar agora pra contar. (((-:

PASSEIOS

* Lago Naivasha ( mais fotos aqui )

Esse passeio nem estava nos planos, mas como íamos ficar meio dia de bobeira decidimos ir nesse lago com o grupo do safari. Nada de especial, só pra tapar buraco mesmo. (((-:

Mas até rolou umas fotinhos bacanas. Passamos de barco do lado de um monte de hipopótamos e vimos uma águia (ave que AMO) pegando um peixinho com suas garras. Se olha a foto bem atentamente, vai ver o peixinho. Assim espero! (((-:

* Nairóbi ( mais fotos aqui )

Nairóbi é a capital do Quênia, onde está concentrada a burguesia e classe média desse país. É uma cidade que muda de cara em apenas alguns quarteirões. Você está no meio de um lugar horrível, imundo e pobre, mas de repente anda um pouquinho e já começa a achar que está na Avenida Paulista. Juro.

É, assim como qualquer grande cidade do Brasil, um palco de contrastes sociais. A diferença é que se vê muita pobreza e quase nenhuma riqueza. A diferença que existe entre as classes sociais é muito mais intensa do que no Brasil e isso você percebe logo que chega lá.

No centro existem algumas áreas mais frequentadas por turistas que tem 2 seguranças em cada esquina, mas, saindo dessa região, ou seja, indo para as regiões centrais do povão,, não existem mais praticamente seguranças nas ruas, somente nos bancos e olhe lá.

Não há muito o que se fazer em Nairobi, mas para comprar lembrancinhas reserve um último final de semana para ir numa feirinha livre que fica no pátio do Conselho Nacional de Nairobi. Nós reservamos nosso último dia, um domingo para fazer isso e nos divertimos até. Sim, porque NADA tem preço nesses comércios populares do Quênia e você se esgota pra negociar um bom preço. O que é um bom preço? Ninguém sabe, mas não se sinta mal de começar negociando por um terço do primeiro preço que o comerciante te dar. Até um quinto não ofende ninguém. (((-: Eu sou péssima pra isso, pois sei que o que eles estão cobrando não significa absolutamente nada pra gente e fico me sentindo mal de choramingar por desconto, mas o Rodrigo é um gênio nessa arte. No Brasil eu consigo sem remorsos, mas na África meu coração não permite. (((-: Mulher. Fazer o quê.

Só sei que nesse dia ficamos famosos na feirinha, pois éramos quase os únicos turistas da área e começamos a nos divertir negociando. Todas os vendedores das banquinhas vizinhas começaram a nos pressionar pra ir ver seus produtos. A mulher com quem negociamos primeiro era uma senhora muito fofa que no final da negociação apertou minha mão e ficou segurando e rindo como se o que tínhamos acabado de fazer fosse apenas uma brincadeira divertida entre amigos. Foi cansativo, mas delicioso negociar com ela.

Outro momento especial em Nairobi foi nossa primeira e única “balada” queniana. O Hotel onde ficamos em Nairobi tinha uma localização ótima, ficando de frente para um “shopping” onde tínhamos tudo que precisávamos, inclusive música típica africana ao vivo. (((-: Estávamos no mercado comprando água quando começamos a ouvir um som vindo do andar de cima. Mais alguns segundos e sacamos que se tratava de música ao vivo. Sem pensar duas vezes fomos pagar pra ver. Era um bar com música ao vivo e com uma super promoção para o consumo de cerveja, ou seja, o famoso “peça duas e leve três”. Demorô! (((-:

Ficamos lá por algumas horas e só fomos embora porque estava realmente tarde. Foi delicioso, pois era um lugar frequentado somente por locais e quando a banda tocava uma música na língua deles era delicioso ver como as pessoas cantavam e dançavam com sentimento. Nesse momento pensei como nós, brasileiros, somos privilegiados por termos tantos cantores e cantoras nacionais que cantam e encantam na nossa língua mãe. Pensei em como é importante para um povo cantar na sua própria língua para se sentir realmente tocado por cada frase. É tão diferente. É tão rico. Arrepiei.

* Linha do Equador (Nanyuki)

A linha do equador é uma linha imaginária que divide a terra em dois hemisférios: o norte e o sul. No Brasil ela passa em Macapá (Amapá) e na África ela passa em 7 países diferentes, inclusive no Quênia. Nas regiões por onde essa linha imaginária passa é possível observar que, quando dá meio-dia, o Sol se encontra exatamente acima de nossas cabeças, o que não acontece nos outros lugares. É doido! Mas mais doido ainda é quem compra os certificados que são vendidos lá, atestando que você esteve na linha do equador. Aff.

Um efeito curioso que é observado de forma diferente estando ao sul ou ao norte da linha do equador, é o ”Efeito Coriolis”. O efeito existe, mas é quase certeza de que não é possível observar sua diferença a apenas 50m de distância do equador. Através desse efeito, é possível observar a diferença do sentido de rotação da água em um recipiente. Em outras palavras, quando você dá descarga no hemisfério sul, o redemoinho gira pra um lado, enquanto a mesma descarga dada no hemisfério norte gera um redemoinho que gira no sentido oposto. E é essa demonstração que é “vendida” aos turistas que visitam a linha do equador (bom, ao invés de descarga eles usam um jarro d’água e um funil…). Há quem diga que quem faz isso é um bando de charlatões, mas há quem diga que não. Depois de ler muito, decidi registrar sem afirmar ou negar nada. Deixo isso para os especialistas de plantão. (((-:

* Mau Mau Cave (Nanyuki) ( mais fotos aqui )

Voltamos do Monte Quênia quebrados, pois no último dia percorremos 20km de trilha e nossas perninhas despertaram no outro dia doendo um bucadinho. (((-: Sendo assim, decidimos fazer um passeio “light” nas redondezas da cidade de Nanyuki. Fomos até a Caverna do Mau Mau, local onde foi arquitetado o plano para promover a independência do Quênia, que durou aproximadamente 10 anos.

É um trajeto de 6km, mas tranquilo, plano e normal. Uma caverna normal, estrada de terra normal e paisagem normal. Mas, caso queira um dia sem muitos esforcos, é um passeio bacana. Mas contrate guia, pois tem muita bifurcação durante o caminho e muitos animais selvagens costumam dar uma passadinha por lá. Só por precaução. Maaaas se conhecer alguém do povo local que possa te levar, melhor ainda. Já economiza essa. (((-:

SEJA VOLUNTÁRIO

No único passeio que fizemos em grupo, conhecemos quatro jovens que estão sendo voluntários no Quênia. Cada um vem de um lugar: dois são irlandeses, uma é da Bósnia e a outra é uma americana chaaaaaata.

É uma maneira interessante (mas não barata) de ajudar países como o Quênia e também uma forma rica de vivenciar uma realidade difícil, mas enriquecedora e transformadora de valores pessoais.

Segundo eles, você tem que arcar com todas as despesas de passagens aéreas e locomoçao, e o seu trabalho não é muito bem definido. Você chega lá e faz o que puder ou o que tiver pra fazer. Eles estavam alocados próximos à uma vila aparentemente muito pobre. As meninas iam trabalhar na escola com as crianças e o moço provavelmente ia trabalhar construindo casas ou coisa assim. Quando os encontramos, só a americana já estava trabalhando, os demais iam começar somente após o passeio.

Não é fácil. Disso você pode ter certeza desde já. Mas acredito que vale a pena se você tem dinheiro. (((-:

Essa viagem me despertou (mais uma vez) a vontade de fazer isso, mas pelos nossos. Isso porque sei que, ao contrário dos europeus em geral, nós temos muita pobreza e miséria no nosso próprio país. Quero poder um dia contribuir principalmente na educação das crianças que habitam lugares assim, pois acredito que esse é o melhor investimento que alguém pode fazer e o maior presente que alguém pode receber.

Pra quem tiver interesse e quiser saber mais é só acessar os sites (em inglês) abaixo:

www.vso.org.uk

www.volunteerabroad.com

CURIOSIDADES

- “HAKUNA MATATA!”. Vocês se lembram da música do filme “O Rei Leão”? Pois é, quando ouvi essa expressão logo lembrei da música e descobri agora que ela usa somente essa expressão em Swahili e o resto da música fala em inglês sobre o quão bela é essa expressão, pois ela representa uma filosofia de uma vida sem problemas. Traduz exatamente a forma como os quenianos sobre-vivem. Nada para eles parece ser um problema, por mais que pra gente seja o fim do mundo. (((-:

- O pai do Barack Obama (se Deus quiser futuro presidente dos Estados Unidos) é Queniano e isso faz de Obama praticamente um herói para o povo desse País. Encontramos vários estabelecimentos vendendo a foto dele enquadrada.

- A forma de alimentação das girafas é o desrame. Elas adoram se alimentar das folhas de árvores repletas de espinhos. Com focinho estreito, lábio superior grosso e flexível, ajudado por sua língua comprida e preênsil com até 45 centímetros, permitem-lhes chegar às folhas mais nutritivas, não se machucando com os espinhos das árvores. Mas, antes de pesquisar sobre isso, estávamos achando que ela comia os espinhos, pois foi isso que o guia “desinformado” nos explicou. Disse que era possível, pois a língua da girafa é super grossa e, sendo assim, não era perfurada. Por isso, atenção: GUIAS TAMBÉM MENTEM (e muito).

- a tampa da garrafa de vidro da coca-cola de lá é amarela e pode vir premiada, por isso fique esperto, pois os garçons geralmente abrem pra você e levam a tampinha. Pega ele! (((-:

- você sabia que existe “galinha das montanhas”???? É até mais bonitinha… (((-: Na panela deve ficar melhor ainda! (((-:

- o avestruz não pode ser desprezado, pois é a maior ave do planeta e com um ovo de avestruz é possível fazer um delicioso omelete suficiente para até 25 pessoas. Acho que cada ovo de avestruz botado, corresponde a dor de um parto humano. Imagina! (((-:

- meninos e meninas frequentam escolas separadas e todos usam uniforme.

- semelhante ao que ocorre no nordeste brasileiro, o único animal utilizado para puxar carroça ou carregar algo no Quênia é o burro. O que aliás me faz refletir sobre a injustiça de usar o nome desse animal de forma pejorativa. Tem que ser muito forte e resitente para sobreviver em lugares tão secos e inférteis. Ser burro deveria ser elogio, não acham? 

- você dificilmente verá uma mulher com criança de colo utilizando carrinho de bebê, pois é costume elas prenderem o bebê ao corpo com um pano amarrado. Aliás, essa prática virou moda em alguns países europeus. Eu acho o máximo, mas ao mesmo tempo fico pensando se a forma como as crianças ficam não prejudica na formação das perninhas, isto é, se quando crescerem não vão ficar com aquelas pernas tipo “alicate”. Será!?

- muitos lugares pertos de vilas são protegidos contra elefantes. São colocados fios entre os postes de distribuição de energia elétrica que podem dar um choquinho “chega pra lá” nos bichinhos. Os elesfantes são lindos, mas quando acessam as plantações causam um prejuízo inestimável.

- já viram macaco de saco azul???? Urgh! Pois é, eles existem e parecem não se incomodar com esse órgão medonho. (((-:

- já que o assunto é macaco, olha esse aqui! O danado aproveitou a janela do carro aberta e roubou o almoço do moço. Olha a cara de sapeca! Sério! A expressão deles quando estão fazendo arte é exatamente de quem sabe o que está fazendo. E ainda há quem diga que bicho não pensa! Afff… Vai acreditando… Subestimar um macaco, pode lhe custar seu almoço! (((-:

- em todos os hotéis que ficamos hospedados existiam pendurados sobre as camas os famosos mosquiteiros. Parece ser um movimento do governo para reduzir casos de doenças transmitidas por insetos. Em pensar que eu sempre relacionei essas redes sobre a cama com cama de princesa. (((-: Sonho meu.

- todo estabelecimento tem a foto do presidente atual e isso é lei. Além disso, paree que cada novo presidente coloca sua carinha nas moedas. É ou não é o cúmulo da vaidade e do desperdício num país tão miserável! )))-:

- chegando no Quênia descobri exatamente porque muitos de nós temos cabelos mais permeáveis que o povo africano (excluindo aqui os descendentes afro-brasileiros). Por quê!? Porque o meu cabelo nunca ficou tão oleoso em tão pouco tempo como no Quênia. Deus é perfeito. Acreditem. TUDO tem um por quê. (((-:

- o Quênia também tem ”galinhas da angola”, mas com duas diferenças: ela tem o papo azul que nem o saco do macaquinho, e também deve ser mais forte que a galinha da angola que vive no Brasil, pois ela não fica resmungando sem parar que tá fraca. (((-:

- estranhamente sempre que pedimos banana nos restaurantes ou bares eles nos serviam no prato, acompanhada de faca e garfo e ainda cortavam as pontas. Vai entender. 

- uma das cervejas locais mais consumidas é a “Tusker”, que tem um elefante no rótulo. O sabor nos lembra muito as cervejas brasileiras, mas a história do nome da cerveja é bem peculiar. “Tusker” era o nome do elefante que matou um dos criadores da cerveja! Uma homenagem bem curiosa, não acham!?

- foi a primeira vez que vimos ovo albino, ou seja, um ovo com a gema branca. (((-:

- vocês sabiam que a girafa é o animal que possui o maior coração do reino animal. Dá pra imaginar quando você olha pro tamanho do pescoço da bicha. Haja pressão pra mandar sangue pro cérebro, que fica láááá em cima!

- todas as vezes que presenciamos alguém limpando algum lugar era utilizando aquelas vassouras de bruxa, mas com um cabo de apenas uns 50cm. Mas, pior que isso foi observar que, aparentemente, nunca usam rodo, mas sim pegam um balde com água e um pano e, sem ajoelhar ou sequer flexionar os joelhos, passam o pano no chão com as mãos. Haja costas! Depois de 5 minutos nessa posição eu juro que não conseguiria mais levantar. (((-: Trintão, né.

- o que você vai perceber estando principalmente em Nairobi é o número absurdo de indianos circulando em carrões por lá. Os indianos foram convocados há algum tempo atrás para ajudar na construção da linha de trem para Uganda, mas, após finalizada a obra, o governo queniano incentivou essas famílias a continuarem no Quênia na área comercial. Hoje existem talvez centenas de estabelecimentos cujo dono é um indiano. No centro de Nairóbi ficamos perplexos com uma avenida onde, dentro de todas as lojas, tinha um indiano comandando. Bom pra eles, ruim para o povo local.

- foi revoltante ir ao mercado e perceber que quase todos produtos industrializados são importados da europa. Produtos básicos como sabonete e pasta de dente, por exemplo, são produzidos na Alemanha. É triste, pois o governo poderia investir em criar ao menos indústrias para os produtos básicos e que geram menos subprodutos poluentes. Isso geraria riqueza interna e trabalho, além de orgulho nacional. É possível, mas talvez por questões políticas não seja viável. Como sempre. 

- além dos produtos importados, também vimos mão de obra importada. Adivinha de onde???? China. Lógico. No caminho para Namanga atravessamos uma rodovia que está em obras e, no canteiro de obras, observamos chineses aparentemente gerenciando a obra. Além disso, quando estávamos no aeroporto de Nairobi para ir embora, chegou um voo cheio de chineses operários. Isso, pra variar, me revoltou, pois num país com tanto desemprego deveria ser proibido a contratação de mão-de-obra nao especializada do exterior. Nessas horas, apesar de me prejudicar, aprovo o sistema alemão que dá sempre prioridade para alemães.

DICAS E CUIDADOS

- a primeira e mais importante dica é: SEMPRE DIGA QUE É BRASILEIRO! Isso vai te render vários descontos e tratamento VIP. Quenianos adoram o Brasil, pois são vidrados em futebol e veem que nossos jogadores são, na sua maioria, descendentes de africanos. Querendo ou não, isso nos faz mais próximos e é por isso que eles nos tratam com carinho na maioria das vezes. Aproveite e diga que também conhece alguns maratonistas quenianos que já venceram maratonas no Brasil. Vai ver que ser brasileiro pode sim ser lucrativo! (((-:

- NUNCA contrate passeios com agentes que te perseguem nas ruas. Selecione uma agência e vá até o escritório dos caras.

- Ande atento com suas coisas e procure sair sempre com uma roupa discreta. Apesar de que se você for branco, será notado de qualquer jeito. Quem mandou ser branco, ué! (((-: Um dia isso ia se tornar uma desvantagem, certo!? (((-:

- Não esqueça de levar seu cartão de crédito para possíveis emergências.

- Tome todas vacinas apropriadas que puder, principalmente aquela contra febre amarela. Para entrar no Quênia ela não é obrigatória se você partir de regiões não tropicias, mas extremamente recomendável em todos os casos.

- Tenha sempre papel higiênico ou coisa que o valha com você e, se puder, não esqueça os lencinhos umidecidos pra fazer o serviço completo. (((-:

- compre, se achar, protetores pra colocar na privada pra sentar. É o máximo!!!! (((-: Foi o que me salvou na hora do aperto. (((-:

- Protetor solar e chapéu são itens indispensáveis. Óculos de Sol é bom, mas se tiver chapéu ou boné com abas já basta.

- Se for subir em regiões de altas altitudes não esqueça todos apetrechos contra frio congelante e alguns medicamentos básicos são sempre bem-vindos em qualquer situação. Além de tomar MUITA água.

FONTES DE INFORMACAO

- East Africa (Lonely Planet): um livro ótimo para te ajudar a planejar a viagem. Mas atenção: cheque algumas informaçoes como preços e números de telefones, pois nos deparamos com vários dados desatualizados. 

- Kenya Wildlife Service (tabela de preços para entrar nos parques nacionais):  http://www.kws.org/tariffs-2006.html

- Site australiano atualizado periodicamente sobre segurança nos países de destino turístico:   http://www.smartraveller.gov.au/

- Site oficial de turismo no Quênia: http://www.magicalkenya.com/

- Apoio a brasileiros no exterior: http://gestao.abe.serpro.gov.br/

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