LÍNGUA ALEMA – Alguns motivos para não aprender alemão
É um título provocativo, mas juro que nao é piada e nem minha opiniao pessoal. Apesar que em momentos de desmotivacao eu realmente me pergunto: “Por quê? Por quê alemao? Por que nao francês? Italiano? Espanhol? Por quê meu Deus!?”
Quem aprende alemao na marra, sabe do que estou falando. É, porque existe uma grande diferenca entre aquelas pessoas que sempre sonharam em falar alemao e aquelas que, de uma hora pra outra, percebem que nao existe opcao. E, lógico, o aprendizado é muito mais difícil e traumático para o segundo grupo. Ou nao. Tudo depende da sua motivacao, dos professores que encontra pela frente, do grupo que conhece durante o aprendizado e do apoio externo que recebe. Fora que ser otimista e paciente nessa hora é tudo também.
Enfim, mas esse post é para falar do ponto de vista interessantissímo e muito comédia de um americano que mora na Alemanha. Fiquei conhecendo o figura através da revista “Deutsch Perfekt” que eu simplesmente amo! Essa revista é para estrangeiros que estao aprendendo alemao. Ela é fantástica, pois traz matérias curtas sobre coisas relacionadas à Alemanha e aos estrangeiros que vivem aqui. Eu sempre aprendo expressoes novas de uma forma super suave e sem perceber, simplesmente porque as matérias me fascinam. E é nesta revista que encontro pérolas como a entrevista com John Madison, uma americano que decidiu escrever um livro descrevendo por que nao vale a pena aprender a língua alema. Vou transcrever abaixo algumas passagens hilárias já em português pra vocês entenderem como o cara sabe do que está falando.
“Viver na Alemanha é legal e eu posso indicar isso para todo mundo. Aprender a falar alemao, por outro lado, é aterrorizador e deveria ser evitado a qualquer preco.
Motivos para nao aprender alemao:
1) Nao é possível aprender a língua alema se você nao comecar desde bebê. Se você tentar aprender mais tarde vai perceber que seu cérebro nao tem mais capacidade para aprender tantos detalhes sem sentido, como por ex. as diferentes palavras para falar um simples e claro “the” em inglês. Dá uma olhada a diferenca entre os genêros no alemao e no inglês que vai logo entender do que estou falando.
Em alemao:
Nominativ der die das die (Plural)
Genitiv des der des der
Dativ dem der dem den
Akkusativ den die das die
Em inglês:
Nominativ the the the the (Plural)
Genitiv the the the the
Dativ the the the the
Akkusativ the the the the
Agora fala sério: quem gostaria de verdade de aprender uma língua que tem 16 formas diferentes para falar “the”? E isso nao é tudo: existem também 16 formas de se dizer “a” (em inglês só existe “a” e “an”) e, como se nao bastasse, existem 32 formas diferentes de declinar um adjetivo (em inglês nao existe nenhuma)!
O plural também nao é nada simples de usar. Os verbos entao é preciso saber conjugá-los para cada pessoa. Os tempos verbais sao uma emocao à parte. Apesar que é preciso falar de um que é o queridinho dos alemaes: o conjuntivo. Eles gostam tanto desta forma verbal que ter uma só nao foi suficiente, entao o estrangeiro tem que aprender duas. E acredite, por mais que você estude, nao vai adiantar, pois nao vai conseguir aprender, entao é melhor nem tentar.
2) Nao importa quanto um americano estude e pratique a língua alema, pois um alemao sempre irá falar muito melhor inglês do que um americano falará alemao. Considerando isso, deixamos os alemaes livres deste trabalho, pois eles vao ter que aprender o inglês de qualquer jeito para poderem se comunicar com o mundo. Aliás, muitos britânicos já comprovaram que alguém que fale inglês consegue viver na Alemanha sem o menor problema e a menor necessidade de aprender alemao (eu mesma conheco alguns casos).
3) No local de trabalho um americano que nao consiga se expressar muito bem em alemao pode usar isso como vantagem na Alemanha, afinal na Alemanha se alguém nao fala inglês é tido como um profissional desqualificado. Agora se algum estrangeiro fala inglês fluente e tem dificuldades com o alemao, ai o problema nao é tao grave. Se um americano em uma reuniao diz que nao fala muito bem alemao, a reuniao será preferencialmente realizada em inglês e isso faz com que seja uma reuniao muito mais rápida e efetiva, já que o inglês é muito mais objetivo, precisando de menos palavras pra dizer a mesma coisa que um alemao demoraria uma eternidade. Mas os alemaes gostam tanto de discussao que mesmo assim vao usar todo o tempo do mundo na discussao. Aliás, nestas situacoes eles costumam discutir, pois ficam tao entretidos pensando no que vao dizer em inglês que nao conseguem se concentrar no que os outros estao dizendo e ai comecam a discutir até mesmo quando dividem da mesma opiniao. Nesse caso, você americano/inglês, relaxa e aproveita.
4) Um americano nao irá jamais aprender a pronunciar corretamente um “ö” ou um “ü”.
5) Os alemaes vao mudar as regras da escrita em alemao logo que você realmente tiver aprendido alguma coisa (isso aconteceu há pouco tempo atrás). Até o momento em que você compreender a diferenca entre “das” e “dass”, nao vai existir nenhum “dass” mais. Entao pra quê aprender tudo?
6) O grupo pop alemao Tokio Hotel traz as versoes de suas músicas em inglês, logo ninguém precisa se preocupar em aprender alemao até mesmo por causa de uma banda alema.”
Bom, se precisava de algum incentivo para nao aprender alemao, trabalho feito.
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R&R Análise – O poder das redes de TV: Brasil vs. Alemanha
Nao, você nao errou de Blog. É que o “Retratos & Relatos” cobre viagens, vida na Alemanha e tudo que, direta ou indiretamente, esteja inserido nestes tópicos.
É minha primeira vez acompanhando uma Copa do Mundo fora de casa, ou seja, fora do meu amado Brasil. Poderia ficar chorando por isso, mas nao, prefiro aproveitar que estou do “outro lado” e analisar como a nossa sociedade e nossa mídia se comportam. E, é claro, nao posso deixar de comparar como vejo algumas coisas por aqui (Alemanha) com as coisas que vejo no Brasil. É esse senso crítico que nos faz entender nossa própria cultura, desde que seja utilizado de maneira saudável e, quando possível, imparcial.
A expressao utilizada no título do post “Poder das redes TV” poderia ser mais explícito, mas como minha intencao é generalizar, nao preciso citar nomes, certo?
Fico impressionada como algumas emissoras no Brasil simplesmente chegam a comandar (pelo menos tentam) mais do que o presidente. Elas se envolvem em todas esferas da sociedade, usando recursos audio-visuais poderosissímos para literalmente “entrar na mente das pessoas”. Quando morava no Brasil, nao me dava conta disso, mas morando fora fica tudo muito claro. Pelo menos aqui na Alemanha nao me sinto manipulada pelos canais de TV e olha que hoje entendo praticamente 95% de tudo que é dito (mas só quando quero…rs). Sinto que a TV aqui ou te informa ou te entretem, fora que você tem muito mais opcoes de canais. Sim, todo cidadao aqui (salvo algumas excecoes) tem que pagar uma taxa para receber o sinal (se nao pagar também recebe o sinal, mas isso é ilegal e você pode se dar mal), mas todos tem o mesmo direito de ver diversos canais sobre temas variados e até mesmo línguas variadas (sinais de outros países). No Brasil, a classe de renda inferior nao pode pagar TV a cabo, logo só tem acesso à poucos canais e acaba sempre absorvendo apenas informacoes submetidas pela emissora “Rainha” e é ai que esta ganha o poder.
Essa ou aquela emissora de TV ter poder de manipular ou “informar como quer” uma populacao, na minha opiniao, nao é culpa desta e nem da populacao em si. O que percebi ou a conclusao das minhas reflexoes por aqui é que o que nossa TV transmite é reflexo da demanda do nosso povo, ou seja, se um povo gosta de ver baixaria ou detalhes da vida pessoal de pessoas famosas, é isso que a TV vai mostrar. Uma boa fracao do povo brasileiro nao gosta de ter informacao de conteúdo, gosta mesmo é de futilidades. Brasileiro, em geral, gosta de futebol, festa, de gente famosa, de novelas, de culinária, de baixaria, de pornografia e bobeira pra se distrair. É triste, mas é como vejo.
Esses dias mesmo estava tentando explicar para um Croata porque novela no Brasil é tao importante. Ele simplesmente nao entendia a fascinacao dos brasileiros por novela e eu hoje consigo entender que nao é nem um pouco fácil para um estrangeiro compreender isso. Sorte que posso falar do assunto com propriedade, afinal sempre fui noveleira de carteirinha, mas só pra me distrair mesmo e ficar alguns minutos do dia sem ter que pensar (rs). Disse pra ele que as novelas no Brasil, em geral, sao a melhor ferramenta para educar o povo de renda inferior, pois eles nao fazem questao nenhuma de ver o jornal (que só transmite desgraca), mas a novela é imperdível. Os novelistas percebendo isso, utilizam destas para conscientizar e educar. Além disso, trazem temas polêmicos e acabam pressionando a sociedade à promover acoes antes inimagináveis no país (fiquei super feliz com novas estruturas para cadeirantes que encontrei em Sampa na minha última visita). Por outro lado, as emissoras utilizam das novelas para “manipular” a sociedade. Quer um exemplo? Pense em qual religiao é a mais veiculada no contexto das novelas da maior emissora de TV do Brasil. E mais, as novelas no Brasil sao um balcao de ofertas, repletas de merchan que quando você menos espera faz efeito, pois você associa às marcas àquele personagem querido exatamente como eles esperam que você faca.
Mas as novelas ainda sao o de menos, o pior mesmo sao as entrevistas ou matérias manipuladas. Eles te dao a informacao do jeito que eles querem e nao do jeito que ela deveria ser. Uma vez uma gerente do laboratório onde eu trabalhava deu uma entrevista e quando foi para o ar ficamos assustadas como o conteúdo mudou depois que eles fizeram um cortinho aqui e outro ali. Ligamos para reclamar, mas até ai a entrevista já tinha ido pro ar e nao podíamos fazer muito contra as consequências daquele ato irresponsável da emissora “Rainha”.
Mas enfim, como acabar com essa supremacia televisiva no Brasil? Deixando de assistar a “emissora má”? Nao. Isso nao é solucao, isso é apenas mais uma acao de curto efeito que nao muda nada em uma sociedade. O que é preciso fazer, é querer informacao de verdade. É exigir dos canais mais respeito aos limites que nao lhe dizem respeito, assim como o técnico Dunga está fazendo. É exigir conteúdo. É exigir respeito à nossa capacidade de pensar. É distribuir informacao gratuita para aqueles que tem menos acesso à coisas interessantes. Mostrar um outro mundo para àquelas pessoas que deixam de comer, mas nao deixam de ter uma TV em casa que empaca em apenas um ou dois canais. Exigir do governo mais canais públicos de qualidade. Exigir programas de mais qualidade. Deixar de assistir algo por falta de opcao, pois isso nao é desculpa. Internet tá ai justamente pra nos dar mais opcoes online.
Na verdade, com certeza a melhor solucao é investimento em cultura e educacao, mas isso é o óbvio e o óbvio parece ser invisível aos olhos dos nossos políticos. O que nao estranho, pois um povo com mais conhecimento, escolhe melhor seus representantes e isso esvaziaria muitas cadeiras de político no Brasil.
É isso. Nao precisa desligar sua TV para trazer a mudanca, basta exigir mudancas e trazer mudancas com atitudes eficazes e duradouras. É preciso mudar nossa cultura e isso nao se faz entre um “ON” e um “OFF”.
CULTURA ALEMA – “Frühlingsfest” 2010 (de Dirndl!)
Em maio fomos prestigir a festa tipicamente alema “Frühlingsfest”. É o mesmo estilo da “Oktoberfest” que todo mundo já deve ter ouvido falar, mas que acontece na primavera (Frühling) e aqui em Stuttgart. Nao é taaaaao grande quanto a “Oktoberfest” em Munique, mas apesar de ser tipo a filha cacula da “Oktoberfest” dá pra fazer uma bagunca, principalmente se levar com você bagunceiros de plantao.
Já estive lá várias vezes e vocês podem ler sobre essas outras vezes com mais detalhes sobre a festa nos posts relacionados que aparecem no final deste post aqui. Sempre foi super divertido, mas dessa vez teve um “tchan” que fez dela a vez mais especial: a mulherada foi à carater, ou seja, fomos devidamente vestidas com trajes típicos desta festa que nasceu na Bavária. O traje das mulheres é aquele vestidinho fofo chamado “Dirndl”. Bom, se nao conseguir reproduzir o som desta palavra relaxa, pois acredite, também demorei muito pra conseguir.
Comprei o meu “Dirndl” no eBay por €60, novinho e sem precisar participar de leilao. Super prático, funcional e lindooooo!!!! Fora o precinho camarada!!!! Sim, o bichinho normalmente custa caro, tipo o dobro do que paguei é praticamente padrao nas lojas. Já vi por €90, mas que nao era tao bonitinho. Minhas amigas compraram na loja e pagaram mais caro, mas tenho que dizer que o delas tem mais detalhes e tal. Entao tudo depende de quanto quer e pode pagar, porque valer a pena vale. “Dirndl” é muuuuito “roots”!!!
E nao sei porque, mas de “Dirndl” você desperta a alema que existe em você na hora da festa e acaba acreditando que adquiriu super poderes do tipo: “Posso beber 10 Maß que nao caio!” ou ”Carregar 6 Maß apoiando no peito nao é nada pra mim!” ou ainda “Posso beber 10 Maß, pular em cima do banco, dar pirueta e ainda sim nada me derruba do banco!”. Bitte, nao se iluda, o “Dirndl” só te faz mais sexy e irresistível, o que, cá pra nós, nao tem nada a ver com alema.
Aliás, o “Dirndl” tem um truque pra avisar se você é “amarrada” ou se tá “facinha”. Todo segredo está no laço do aventalzinho. Se amarrar o laço do lado direito é porque é um mulher “direita e bem comprometida”, mas se amarrar do lado esquerdo tá “facinha, facinha”. O legal é que você pode inclusive punir seu marido utilizando esta poderosa ferramenta.
Ah! Dessa vez, também observamos outras coisas interessantes nesta festa. A mais interessante de todas foi descobrir uma funcionalidade adicional dos baldes que eles posicionam na ponta das mesas, principalmente daquelas ocupadas por jovens alcólatras. Quem adivinha?
A nossa turma era a mais animada, até porque nao tinha muita concorrência. Sim, com medo de nao pegar lugar pra todos, decidimos ir no domingo, pois era o único dia que ainda dava pra reservar mesa. Só que domingo, vai por mim, é uma “buesta”. Sim! Dá pra reservar pela internet e domingo é o único dia que eles nao exigem consumacao mínima por pessoa para a reserva da mesa. Bom, a sorte é que a turma tava louca mesmo, pois se a gente dependesse de fatores externos pra nos animar, a gente tinha saído frustrado. Isso prova que as cias certas é que definem o placar do jogo e nao o estado do campo! Tô no clima de copa do mundo…
O bom da festa estar “miada” de gente, é que você com pouco já se torna celebridade. Viramos a atracao do dia! Ganhamos fans (mas há quem diga que elas estavam querendo é “faturar” a gente…afff) e nossa foto saiu até no portal oficial do evento no Facebook! “A gente somos internacional, mané!” A mulherada estava completamente indócil! :-D
Pois é, e terminando a festa, eu e o Rô tínhamos que zoar o barraco e pra provar que apesar de curtir a festa alema, nosso estômago na Alemanha ainda pertence à Turquia. Dá-lhe Kebab!!!!
COPA DO MUNDO 2010 – Trazendo recordacoes
Hoje sai da “mini-depressao” e entrei no ritmo da copa. Sei lá, hoje de manha comecei a ver alguns vídeos no Youtube e de repente quando vi estava completamente no clima. Rindo e chorando sozinha! Pois é, doidinha…
Mas o fato é que essa energia toda me trouxe algumas recordacoes deliciosas das copas que acompanhei no Brasil. Sao lembrancas únicas que trago no meu coracao e que pelo jeito estarao sempre presentes.
Vou citar algumas que lembro com mais clareza, só nao sei em qual copa foi. Uma delas foi em uma copa onde pintamos calcadas e alguns muros de terrenos sem dono no bairro Ipiranga, onde morava. A galera do bairro unida pra enfeitar tudo e dividir aquele momento. Era uma bagunca só e muito antes da bola comecar a rolar no campo. Lembro que quase ninguém trancava os portoes da casa, pois parecia que todo mundo morava na casa de todo mundo. Era um entra e sai delicioso de pessoas o tempo todo. Era contagem regressiva e desespero pra terminar os desenhos antes do primeiro jogo do Brasil, pois sabíamos que depois do primeiro nunca mais veríamos a rua livre de novo pra poder pintar. Quando chegava o dia do jogo, alguns vizinhos se juntavam e na hora do gol a gente saia sem freio pra rua e ia abracando toda vizinhanca. A parte ruim, era quando tinha contra-ataque logo após o gol e a gente perdia o lance porque ainda estava comemorando. No final, quando o Brasil vencia, as ruas ficavam cheias e o coracao mais ainda.
Outra situacao ótima foi no trabalho. Lembro que teve uma copa, acho que de 2002 (Coréia/Japao) quando o Brasil foi pentacampeao, que os horários dos jogos eram péssimos pra gente no Brasil e muitas vezes as empresas nao liberaram os funcionários pra assistir os jogos. Sim, ficamos presos no trabalho, pois alguns jogos foram durante a semana e umas 2 ou 4 hs da tarde, nao lembro direito. Só que no laboratório onde eu trabalhava minha chefe sabia que ninguém ia fazer mais nada, ou seja, sabia que íamos dar um jeito de ver ou ouvir o jogo e nadica de trabalho. Pois ela decidiu trazer uns quitutes e uma TV nos dias dos jogos. Me lembro perfeitamente da TV em cima da bancada do laboratório e da comelância por lá mesmo. Acho que rolou até um bombril na antena. Cena típica dos bons e velhos tempos. Nao lembro se um dia a TV deixou de funcionar ou o que, mas sei que fui parar no prédio da galera da fundicao pra assistir o jogo na TV que eles tinham. Cheguei no galpao e só tinha homem. Fiquei no fundao com meu amigo do laboratório bem quietinha, mas na hora que saiu o gol dei um berro e toda aquela “ómaiada” olhou pra trás com cara de “Ueba!”. Caraca, nao sabia onde me enfiar, entao dei meia-volta e fui! Pois é, micos da copa do mundo.
Nossa, sao tantas lembrancas. E o bom é esse tipo de coisa que ninguém rouba da gente, afinal é nossa história. E melhor ainda é ter esse blog pra registrar, pois daqui umas 10 copas sei nao se vou lembrar dessas coisas, viu!?
Enfim, lembrando de tudo isso e lembrando que o Brasil praticamente para em dia de jogo da selecao, pergunto: Alguém sabe como os alemaes comemoram entre eles? Alguém sabe se as empresas liberam os trabalhadores para assistir jogos que acontecem no horário de trabalho? Apenas curiosidade, pois até agora só vi as comemoracoes em massa em Berlim, Colônia e Düsseldorf. Mas queria saber das comemoracoes mais entre amigos mesmo.
E você: a copa do mundo também te traz lembrancas? Se quiser divida com a gente!
COPA DO MUNDO 2010 – “Clima” de Copa do Mundo na Alemanha

Acho que estou com depressao pós-MBA e depressao Copa-do-Mundo-Fora-de-Casa também.
Pós-MBA ou pós qualquer período de intensa ocupacao é um choque na vida de qualquer pessoa normal e comigo nao está sendo nada diferente. Primeiro a euforia, afinal nao tenho mais que viajar todo dia pra Reutlingen e estudar todo santo dia. Mas agora tô com aquele sentimento de “Na und?” (tipo: “E daí?”). Esperando telefonemas para estágio, resolvendo todas pendências dos meus projetos pessoais, fazendo festa, passeando sem destino, reencontrando amigos, respondendo emails do século passado. Enfim, o que é o sonho de muitos, é meu pesadelo, pois PRECISO ter obrigacoes e PRECISO ter atividades fora de casa e com outras pessoas. Pois é, essa experiência é quase como ter que parar de beber. Surto total. :-D
Agora a depressao Copa-do-Mundo-Fora-de-Casa tá “braba” mesmo, viu!? Quem me conhece sabe que sou VIDRADA em futebol, inclusive sou um dos 1000 técnicos que existem em cada cidade do Brasil (rs). Fico louca, eufórica, pensava nisso o dia todo, acompanhava todos resultados e, quando dava, assistia todos jogos, sabia tuuuuudo da tabela, contava os dias para os jogos da selecao. Mas aqui na Alemanha a única coisa que estava me motivando era poder fazer uma bagunca no centro de Stuttgart e aproveitar para festejar junto com outros estrangeiros, mas meus planos foram por água abaixo. Pois é, em 2006 o Rô participou da bagunca e sempre me disse que foi uma experiência fantástica e com isso me deixou totalmente “pilhada”, mas esse ano a prefeitura de Stuttgart decidiu nao colocar o telao lá no centro, pois da última vez tiveram muitos conflitos, tá porrada mesmo. Nao acho que justifique, mas está decidido e eu tenho que viver com essa frustracao.
Pra piorar, o “clima” por aqui está, pra variar, gelado. Nao estou falando da temperatura, afinal o Sol está raiando e a temperatura subindo, mas a galera continua em “stand by”. Cara, ontem a Alemanha deu uma goleada na Austrália (até eu furava aquela defesa…afff…), mas pergunta como foi a comemoracao por aqui? Pois eu digo: ou os caras já estavam dormindo na hora do jogo ou as janelas aqui sao realmente à prova de som. Nao ouvi praticamente nada. Nenhuma “vuvuzela”. Nenhum buzinada. Nenhum grito. Nada!
A sorte é que temos uma turma boa de brasileiros & simpatizantes que vao se juntar para torcer, revezando as casas e rezando para nao serem despejados. Mas até o final da copa quero ir em Tübingen, pois lá eles estao com uma área com teloes para transmitir os jogos e quem sabe ali nao tenho a chance de realizar meu desejo e saber o que é uma Copa do Mundo no meio de várias nacionalidades. AMOOOOO!!!!
Enfim, queria estar no Brasil, pois duvido que eu sinta aqui o que sentia estando lá. Aliás, quando estava lá há umas 3 semanas atrás, o clima já estava fervendo e quando sai de lá, sai com o coracao partido, pois nao tem nada pior pra mim do que estar longe de casa no carnaval e na copa do mundo. Ai que saudades da terrinha!
PS: acabo de ler que em Berlim e em Colônia o clima estava fantástico!!!! Resumindo, o problema pode nao ser a Alemanha, mas sim Stuttgart. Que sorte a minha, viu!?
MBA na Alemanha – Etapa “Aulas” concluída!
Siiiiimmmm!!!! Pode acreditar: acabaram minhas aulas do MBA gracas à Deus!!!
Quinta-feira passada (10/06) foi meu último dia de aula no MBA. Nao, isso nao significa que acabou o curso, mas quase. Agora “só” tenho que escrever e defender minha tese de mestrado até novembro/dezembro deste ano. Sendo assim, minha formatura seré finalmente em Fevereiro/2011 com direito à toda pompa.
Quinta-feira pra mim foi um dia mágico, daqueles que a gente gostaria de jamais esquecer, pois foi um marco absolutamente fantástico ter conseguido passar em todas as matérias. Nos dois primeiros semestres (75% em alemao) minhas notas foram um show de horror, mas no terceiro (100% em inglês) lavei minha alma e, modéstia parte, dei até show.
Estava completamente eufórica. Alguns disseram que naquele dia a “Maira” que eles conheceram há quase 1 ano e meio atrás estava de volta. Sim, porque no meio do caminho eu mesma estava me achando um porre. Quem passa por isso sabe do que estou falando. É tudo tao intensivo que você deixa de reservar energia para as coisas boas que estao no meio do processo todo, pois só consegue pensar que tem que preparar uma apresentacao sobre algo que nao tem a menor idéia em 72 horas e isso sufoca qualquer pensamento otimista que queira alimentar.
Pra piorar nos trabalhos em grupo você nao está fazendo trabalho com robôs, mas sim com humanos. Resumindo, a parte mais difícil de tudo isso nao é a parte relacionada a fazer o trabalho, mas sim a parte relacionada aos seres humanos que estao decidindo junto com você. Nao sao só pessoas diferentes, sao pessoas com culturas diferentes, sao pessoas com uma língua materna diferente da sua e vocês tem que se entender em uma língua que nenhuma das partes domina 100%. É complicado, pois sao gerados muitos conflitos por causa de erros de interpretacao e você nao consegue encontrar as palavras certas, pois elas simplesmente nao existem no seu vocabulário.
Esse período de aulas no MBA foi extremamente intensivo e tenso, mas tenho que dizer: VALEU A PENA!!! Quem me conhece sabe que sou meio masoquista mesmo e adoro sofrer para aprender, logo entendem o que digo. Fazer um curso no exterior, mesmo nao sendo um MBA, é sempre um desafio gratificante, pois a teoria que você aprende é apenas uma parcela insignificante de tudo isso. O mais importante é a experiência em um contexto internacional e pessoal.
Estudo em grupos internacionais é desafiador, logo apaixonante. Nessa experiência você entende de uma vez por todas que os seres humanos sao totalmente influenciados pelo meio onde seus valores foram criados. Mas, por outro lado, você entende que ter nascido nesse ou naquele continente/país nao faz de você melhor e nem pior, isso sim depende 100% de você. Você exorcisa seu sentimento de inferioridade por nao ter nascido na Europa ou na América do Norte, pois entende que eles decididamente nao sao melhores que você, mas provavelmente tiveram mais oportunidades. Isso, a palavra-chave aqui é: OPORTUNIDADES. Entao se tiver a chance de ir para o exterior se desenvolver, nao perca a sua.
Nem tudo é como desejamos, logo apesar de ter sido uma experiência fantástica até este ponto, tive momentos extremamente difíceis. Costumo contar sobre eles nao para me fazer de vítima, pois foi minha escolha, logo nao sou vítima de nada. Conto para alertar também sobre este lado. No comeco sofri uma transformacao muito forte, pois me sentia rejeitada o tempo todo, me sentia sendo humilhada, me sentia sendo colocada como alguém que nao poderia agregar muito em um grupo. Chorei muito, pois nunca tinha vivenciado aquilo na minha vida no Brasil, mas se tem uma coisa que me faz mais forte é ser desafiada a provar o contrário. Foram talvez estes sentimentos que mais me impulsionaram, pois eu nao aceitava ser vista como alguém que era incapaz. Fiz o impossível e provei o contrário, mas ai alguns CDFs nao gostaram da brincadeira, ou seja, nao gostaram de me ver apresentando resultados melhores que os deles e perdi alguns “colegas”. Sim, comecei a incomodar, pois jamais aceitei estar “por baixo”, jamais aceitei ser tratada com inferioridade e jamais desisti de fazer melhor, mesmo tendo bem menos ferramentas do que eles pra isso (a língua alema, por ex.).
Cheguei aqui mantendo minha cabeca erguida e transformando todas minhas fraquezas em motivos para ser melhor. Melhorei meus conhecimentos teóricos, mas me superei melhorando meu auto-conhecimento. Encontrei grandes amigos, inclusive alemaes, descobrindo assim que a barreira da língua nao é uma barreira para se fazer amizades verdadeiras. Para estas é preciso muito mais do que falar a mesma língua, é preciso existir química, empatia e uma preocupacao mútua e verdadeira um com o outro.
Nao me sinto uma heroína por ter chegado aqui, sou apenas um ser humano tentando se superar diariamente e nao aceitando condicoes que nao me deem um sentimento de estar plenamente feliz. Cheguei até aqui porque nao desisti de mim e porque sou inquieta. Continuo buscando conhecimento todos os dias e a cada dia sinto que tenho mais para aprender e viver.
Ter chegado até aqui foi apenas mais uma conquista, que deve sim ser celebrada. Mas cada conquista pra mim é um novo comeco, ou seja, é hora de seguir em frente com algo maior e a busca comeca agora.
E, finalmente, nenhuma conquista é possível ou faz sentido se a realizamos sem apoio daqueles que nos querem bem, entao MUITO OBRIGADA À TODOS que diretamente ou indiretamente me ajudaram a seguir em frente, principalmente nos momentos mais difíceis! Obrigada galera!
RAPIDINHAS – Se faltava incentivo pra voltar, nao falta mais
Tô aqui atoladinha de coisas pra ler para amanha e mais um monte de coisas secundárias e importantes pra fazer, mas precisei fazer esse “pit stop” pra dividir algo bem rapidinho.
Hoje comecou minha 3a matéria do 3o semestre do MBA e como essa matéria também é cheia de “blablabla”, o professor decidiu pedir pra gente se apresentar, dizendo quem somos, de onde viemos, quais sao nossos objetivos aqui e quais sao nossos planos para o futuro. Aliás, diga-se de passagem, essas apresentacoes estao comecando a ficar muito complexas, pois lembro que na 1a aula do curso de alemao, bastava dizer seu nome e de onde era e ficava todo mundo feliz. (-:
Enfim, quando chegou minha vez falei: “Meu nome é Maira (a aula é em inglês e, de forma curiosa, quando a aula é em inglês eles nao querem nem saber do seu sobrenome e quando é em alemao eles nao querem nem saber do seu nome…aff…tô ficando “cafusa”), sou brasileira (com muito orgulho e muito amor! rs), me formei em Enga Química e trabalhei quase 10 anos na área química (papo de velho, sei…rs) e estou fazendo esse MBA, pois decidi mudar a direcao da minha carreira para a área de Marketing. Sendo assim, pretendo somar algumas experiências nessa nova área e quando voltar para o Brasil pretendo ter meu próprio negócio (seja lá o que eu inventar…rs).
Pois mal terminei a última frase sobre voltar para o Brasil e o professor emendou rapidamente: “Se eu fosse você eu voltaria o mais rápido possível, pois a economia brasileira está explodindo e o momento é agora!”
Eu já estava voltando de qualquer jeito, imagina agora sabendo que o cara praticamente arrumou as malas pra mim. (-:
Vai Brasiiiiiilllll !!!! ((((-:
PS: esse post nao tem anti-spam, mas tem um sistema altamente preciso “anti-pessimismo”.
MBA NA ALEMANHA – Como conquistar sua vaga
Primeiro, cada caso é um caso. Esse post é apenas uma forma de dividir com vocês a minha experiência até ser aceita para fazer um MBA na Alemanha. Sei que dependendo da Universidade muita coisa pode mudar, dependendo do perfil de cada candidato, dependendo da área e etc. Entao espero que o que eu registrar aqui sirva como guia, mas nao como regra, ok!? Mas se você também já fez ou está fazendo um MBA aqui na Alemanha e tem outra história ou algo diferente aconteceu, divida com a gente!
Outra coisa que quero resssaltar antes de entrar nos detalhes “técnicos” do processo como um todo é que o que irá definir a conquista de uma vaga seja ela onde for é você se preparar muito bem, acreditar em você mesmo e ser honesto com você mesmo sempre. Parece meio esotérico, mas é a pura verdade. O sucesso nao fruto de sorte, é fruto de esforco e de saber reconhecer e alcancar oportunidades de forma consciente e decisiva. Além disso, muitas grandes conquistas acontecem depois de termos que lidar com grandes frustracoes, ou seja, pode acontecer de você nao conseguir a vaga que quer, mas isso nao quer dizer que você nao pode conseguir outras vagas em outras Unis ou até mesmo em outras áreas. Analise seu perfil antes de se decidir por um curso, pois muitas vezes nao somos honestos nas nossas escolhas e acabamos tendo que lidar frequentemente com frustracoes, simplesmente porque estamos no caminho errado. Comigo nao foi diferente, acreditem. Quando vim pra Alemanha, vim decidida a mudar de área, mas chegando aqui fiquei desesperada de ter que ficar em casa e no desespero decidi tentar uma vaga de mestrado na minha área (Enga Química). Fiz todo processo, mas sabia lá no fundo que nao estava preparada e que também nao era aquilo que eu queria. A resposta nao podia ser outra, ou seja, nao fui aceita. Sofri muito por um ou dois dias, pois aquilo feriu meu orgulho. Por outro lado, me senti aliviada de nao ter passado, pois nao queria aquilo. Mas foi só porque superei a frustracao e aprendi a entedê-la como um sinal para mudar a rota, que ajustei as velas e segui com paciência para o meu caminho de verdade.
MEU PERFIL: primeiro acho importante que vocês conhecam um pouco meu perfil antes de entrar no MBA. Pois é, linda (rs); 30 anos (agora tenho 31 e faco 32 em agosto); cheia de vida e tempo livre; casada; sem filhos; com visto de acompanhante (meu marido é brasileiro e tem contrato de trabalho na Alemanha); sem trabalho, mas a partir do momento que consegui entrar no MBA também adquiri autorizacao para trabalhar, mas optei por focar nos estudos primeiro; estudei apenas um ano e meio de alemao no IFA de forma absurdamente intensiva (antes disso nao sabia nada da língua alema) e consegui ter um resultado bom na prova de proficiência em alemao (TestDaf); já tinha estudado muito inglês no Brasil, mas nao falava bem quando vim pra cá e ai logo que terminei o curso de alemao no IFA decidi fazer um curso intensivo em Malta (ex-colônia da Inglaterra) e com isso meu inglês se revelou e hoje falo fluentemente (embora nao perfeitamente, mas isso é apenas um mero detalhe…rs); sou formada em Enga Química no Brasil e trabalhei anoooos na área de química até vir pra cá e decidir estudar Marketing.
Isso é para vocês terem uma idéia do meu perfil como base de comparacao e até mesmo como forma de motivar vocês, uma vez que eu nao era uma “super” em nada quando decidi me inscrever no MBA que já estou terminando agora e estou já na reta final sem ter repetido nenhuma matéria e me saindo, dentro do possível, bem. (-:
PERFIL DO CURSO DE MBA QUE ESTOU CURSANDO: é um MBA com especializacao em Marketing Internacional e fica na cidade de Reutlingen (ESB Business School). É pago, mas existe a possibilidade de conseguir bolsa através do DAAD. Ele é 75% em alemao e 25% em inglês. O grupo é internacional, ou seja, a escola é obrigada a dar prioridade para estrangeiros para metade das vagas disponíveis. A duracao do período de aulas é de 3 semestres, sendo que temos aulas praticamente todos os dias, exceto sexta-feira. Nos primeiros dois semestres temos 3 semanas de aulas para cada matéria e no final de cada ciclo de 3 semanas temos um prova escrita na sexta-feira (em algumas matérias também temos que fazer apresentacoes valendo metade da nota). O terceiro semestre é um pouco diferente, pois temos que escolher apenas 5 matérias de 7 oferecidas e cada uma dura apenas 2 semanas e é tudo em inglês. No final de cada ciclo de duas semanas temos, geralmente, que entregar um relatório e fazer uma apresentacao sobre um tema pré-estabelecido. Um quarto semestre é possível, pois precisamos entregar uma tese de mestrado e geralmente os alunos acabam deixando pra fazer isso após terminar as matérias. A única desvantagem é que para fazer um quarto semestre, é preciso pagar uma taxa para continuar vinculado à Uni (hoje € 500). O estágio em uma empresa é facultativo, mas indicado. Para saber mais sobre esse curso, acesse o site que está no final do post. // Este MBA nao é um curso muito acadêmico, logo eles nao exigem que você tenha tirado as melhores notas durante a sua vida estudantil (minhas média tanto no segundo grau, quanto no terceiro estavam em torno de 7), já os mestrados mais acadêmicos escolhem sempre os alunos com as melhores notas.
ETAPAS ATÉ A ENTRADA EM UM MBA:
1) LÍNGUA – Decidir em que língua quer estudar
* 100% em inglês: se decidir por um curso em inglês, provavelmente você terá que apresentar um certificado tipo Toefl de proficiência em inglês com um pontuacao pré-definida por eles (já vi que varia de Uni pra Uni); só quem nasceu em países onde se fala inglês é que nao é obrigado a apresentar tais certificados
* 100% em alemao: nesse caso você poderia optar por apresentar ou o TestDaf ou o DSH. As notas que serao exigidas também variam de Uni pra Uni, mas em geral para o TestDaf eles pedem todas notas 4 e pro DSH acho que é 70%. Além disso, eles também aceitam um teste que é feito no Instituto Goethe, o “Zentrale Oberstufenprüfung”
* 75% em alemao e 25% em inglês: esse é o caso do MBA que faco. Tive que apresentar o TestDaf, mas apesar de ter uma das notas da prova abaixo de 4 (um 3 em redacao) eles aceitaram sem problemas. Já minha proficiência em inglês tive que comprovar em uma entrevista de 30 minutos e em uma prova escrita também de aprox. 30 minutos.
2) CURSO – Para escolher o curso ajuda muito usar o site do DAAD. Lá eles tem tudo que você precisa saber sobre estudar aqui na Alemanha. Você consegue utilizando um sistema de filtro, achar o curso que está procurando e se informar sobre este.
3) SE INFORMANDO SOBRE PRÉ-REQUISITOS E PRAZOS – A partir do momento que identificou o curso, verifique se você preenche todos os pré-requisitos para entrar neste antes de perder tempo com etapas posteriores (para MBA muitos pedem experiência profissional anterior de pelo menos 2 anos e alguns nao aceitam alunos que já tenham cursado administracao de empresas). Se observar que tem tudo o que eles pedem, entao se informe sobre os prazos para envio da documentacao
4) DOCUMENTOS A SEREM ENVIADOS (Bewerbungsunterlagen) - Tomando meu caso como exemplo, os documentos solicitados e enviados pelo correio para a Universidade foram os seguintes:
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* Uma cópia autenticada dos diplomas e históricos escolares do segundo e terceiro grau originais E uma cópia autenticada dos mesmo em alemao (eine beglaubigte Kopie der Hochschulzugangsberechtigung bzw. des Schulabschlusszeugnisses und eine beglaubigte Kopie des Zeugnisses über den Abschluss des Erststudiums). Algumas universidades pedem obrigatoriamente que estrangeiros facam uma conversao de notas para o sistema alemao. Para fazer isso basta entrar em contato com o Instituto para Estudantes Internacionais (ASK) e solicitar essa conversao. Você terá que enviar suas notas para eles pelo correio e eles te enviarao a conversao também pelo correio sem cobrar nada por isso. O link do ASK está no final deste post.
* Seu CV (Lebenslauf) com foto e em formato tabelado (é um padrao alemao para CV na Alemanha)
* Uma carta de motivacao (Anschreiben) que pode fazer toda a diferenca!
Além disso, tive que preencher um “Questionário” (Fragebogen) e enviá-lo junto com meu CV em pdf para um email informado por eles.
Na hora de enviar os documentos é preciso fazer tudo com capricho e cuidado. Aqui na Alemanha eles vendem uma pastinha própria para envio de “Candidaturas”, chamada “Bewerbungsmappe”. Ela vem com 3 lugares diferentes, sendo que um é pra colocar a “Carta de Motivacao”, o outro é pra colocar o CV e outro para colocar todos certificados e diplomas. Eu usei uma destas e comprei um envelope tipo de papelao, já pensando no que poderia acontecer de pior quando enviasse pelo correio. Todo cuidado é pouco nestas horas. (-:
5) PRIMEIRA RESPOSTA DA UNI (13/01/08) - Aproximadamente um mês depois que enviei todos meus documentos via correio para a Universidade, assim como o email com o tal questionário e meu CV, recebi um email da Universidade. Lembro que na hora que recebi o email fiquei até com medo de ler de tanta ansiedade. Mas era só um email me solicitando meu CV, o tal “Fragenbogen” e meus certificados por email para que eles fizessem uma pré-selecao para a próxima etapa, a entrevista. Entre o dia deste email e a possível data da entrevista restavam apenas 15 dias e foi ai que comecie a roer as unhas.
6) CONVITE PARA A ENTREVISTA (16/01/08) – Três dias depois que enviei meus documentos por email, recebi o convite oficial para a entrevista. Detalhe que a entrevista já seria no dia 22/01, ou seja, eu só tinha mais 6 dias pra me preparar.
7) ME PREPARANDO PARA A ENTREVISTA (Vorstellungespräch) – Uma entrevista na sua língua materna já dá aquele frio na barriga, certo? Agora imagina uma entrevista em duas línguas que nao sao suas línguas maternas? É, beeem complicado. Passei uma semana treinando para algo que eu nem sabia como seria. Pesquisei muito na internet dicas de entrevista para entrar em um MBA, principalmente para me familiar com as palavras em alemao e em inglês utilizadas neste contexto. Achei várias dicas e várias possíveis questoes que poderiam vir e quais poderiam ser as melhores respostas e etc. Um blablabla danado, mas que ajuda quando a gente está inseguro. Fiz uma selecao das questoes que eu achava fortemente que seriam colocadas pelos entrevistadores (sim, eram 2), considerando meu currículo, meu perfil, minha história, minhas origens e por ai vai. Peguei estas questoes e escrevi minhas possíveis respostas tanto em inglês, quanto em alemao. Depois dei uma treinada sozinha, principalmente para me acostumar com o vocabulário e depois peguei meu marido pra me entrevistar. Quatro dias antes da entrevista ele chegava do trabalho, a gente tomava café juntos e partia pra entrevista. Sim, foram quatro dias e por noite treinávamos umas 2-3 vezes. Me ajudou a ficar mais segura e a ganhar mais auto-confianca, por mais que eu soubesse que viriam muitas perguntas nao esperadas.
8 ) RECONHECENDO O TERRITÓRIO – Um dia antes da entrevista, fui eu e meu marido até o local. Queríamos evitar surpresas no dia da entrevista e por isso preferimos ir antes pra conhecer bem a regiao e saber exatamente em qual prédio eu deveria ir e etc. Indico isso fortemente, principalmente pra quem for utilizar transporte público. Faca o planejamento sempre considerando chegar, no mínimo, 1 hora antes.
9) DIA DA ENTREVISTA – Lógico que fui gatinha, mas uma gatinha bem conservadora, ou seja, sem decotes ou cores fortes. Aliás, eu geralmente faco isso até mesmo em dias que tenho que fazer apresentacoes para um público repleto de homens. Prefiro usar uma roupa discreta para que eles foquem na minha inteligência, pois é nela que está meu valor. Cheguei aproximadamente 40 minutos antes no local, porém numa “nervosia” absurda, afinal eu queria muito aquela vaga. Fiquei na frente da sala onde seria a reuniao, aguardando até que alguém me chamasse. Uma mulher muito simpática veio ao meu encontro e perguntou: “Frau Engelmann?”, eu disse “Ja” e entao ela me convidou para entrar na sala, sendo que logo depois me extendeu a mao para me cumprimentar. Na porta estava o outro entrevistador já posicionado para me recepcionar também já com a mao extendida. Eu, para quebrar o gelo, já fui entrando dizendo que estava muito frio lá fora e ai o entrevistador falou que devia estar frio mesmo para alguém que vinha do Brasil e blablabla. Ele era italiano e ela alema mesmo. Ele um professor com o qual tive aula de “Relacoes Interculturais” e ela a coordenadora do curso. Muitas das perguntas estavam de acordo com minhas expectativas, outras nem tanto, mas no geral hoje posso dizer que estava sim bem preparada. Foi bem complicado lidar com as mudancas bruscas de inglês para alemao, mas acho que porque tinha treinado isso também, me sai bem. Tiveram assuntos variados e o italiano me irritou um pouco com seu senso de humor exagerado quando falava sobre o Brasil e tudo mais. Mas mantive a calma e respondi tudo de forma séria quando achava que tinha que impor respeito, independe da minha vaga depender da avaliacao dele também. Já a coordenadora foi sensacional e inclusive pediu para ele parar com as brincadeiras desagradáveis. Hoje, nao sei por que, tenho a impressao de que tudo aquilo foi feito de caso pensado, pra me testar mesmo. Pra ver como eu lido com situacoes desconcertantes e até mesmo irritantes. O italiano também testou minha capacidade de defender meu ponto de vista, me questionando sobre a situacao econômica do Brasil frente à crise econômica. Eu disse que a situacao estava melhor do que na Alemanha, o que todo mundo sabia. Ai ele ironicamente me perguntou: “Você quer dizer que o Brasil está melhor que a Alemanha?”. Foi entao que eu disse: “Nao. Estou dizendo que o Brasil está sendo menos influenciado pela crise econômica atual do que a Alemanha, uma vez que nao somos tao dependentes de relacoes econômicas internacionais como vocês.” E, na minha cabeca rolava um: “Chuuuuupa!” (((-: Depois de meia hora de entrevista, já estávamos nos aproximando do final, foi entao que me fizeram uma última e, eu diria, decisiva pergunta: “Por que você acha que nós devemos te escolher para preencher um vaga neste MBA?”. Essa é uma pergunta típica e sua resposta pode definir o jogo, entao esteja SEMPRE preparado para ser autêntico. O que eu respondi? Eu disse com a maior tranquilidade: “Simplesmente porque eu quero muito esta vaga e se nao me aceitarem para este semestre vao ter que me entrevistar outras vezes, pois vou continuar me inscrevendo até conseguir.” A expressao deles diante da minha resposta foi interessante, ficaram com cara de “Nao é que ela disse isso mesmo?” (rs). Por fim, me agradeceram e me perguntaram se eu tinha mais alguma dúvida. Eu tinha e eu estava tao descrente de ter conseguido a vaga depois daquela entrevista que mais parecia uma tortura do italiano pra cima de mim que sem a menor vergonha, disse: “Sim, eu gostaria de saber sinceramente quais sao as minhas reais chances de conseguir uma vaga nesse MBA”. Foi entao que os dois deram um sorrisinho maroto um para o outro e me pediram para sair e aguardar uns 5 minutinhos para eles preencherem minha avaliacao, podendo assim me dizer quais seriam minhas chances. Sai da sala pensando: “Maira, tu é louca e impaciente!”. Depois de uns 3 minutos me chamaram, me sentei e a coordenadora disse: “Nós achamos que você tem alguns pontos fracos, mas que nao sao tao críticos e podem ser melhorados durante o curso. E a média da sua avaliacao após essa entrevista está acima da média geral que temos até o momento, entao já podemos dizer que você foi aceita” (Sie haben die Zulassung). Na época eu nao estava muito certa se “Zulassung” era realmente “Aceitacao” e apesar da quase certeza, fiquei feliz, mas ainda duvidava um pouco que aquilo poderia ser verdade. Depois da entrevista e da ótima notícia me encaminharam para outro professor que iria me aplicar a prova escrita de inglês. Eles me explicaram que aquilo era só para preencher o protocolo mesmo, que o resultado da minha prova nao influenciaria a decisao deles em relacao à minha vaga no curso. Fiz a prova em aprox. 30 minutos, entreguei e fui embora. O Rô ficou me esperando no carro esse tempo todo tadinho. Entrei já perguntando se “Zulassung” era mesmo aceitacao e ele disse que sim. Nos abracamos e chorei muito de tanta alegria por aquela conquista, mas só comemorei de verdade quando recebi todos documentos (inclusive meu número de matrícula) pelo correio. (((-:
É isso. Vaga conquistada e meus desafios estavam apenas comecando. Em breve vou escrever sobre os primeiros passos após a conquista da vaga e dicas de sobrevivência (rs). Aguardem!
Alguns links úteis para todo esse processo:
- Conversao de notas para o sistema alemao: http://www.htwg-konstanz.de/Institute-for-International-St.296.0.html
- Busca de cursos e auxílio para quem estudar na Alemanha: http://rio.daad.de/ (em português, mas nao tao completo)/ http://www.daad.de/en/index.html (em inglês e alemao, bem completo)
- Teste de Proficiência em Alemao TestDaf: http://www.testdaf.de/index.php
- Teste de Proficiência em Alemao DSH: http://www.dsh-termin.de/
- Teste de Proficiência em Alemao ZOP Goethe: http://www.goethe.de/Ins/de/prf/zop/deindex.htm
- Dicas para fazer CV e “Carta de Apresentacao” na Alemanha (em alemao): http://www.bewerbung-tipps.com/ , http://www.planet-beruf.de/Bewerbungstraining.9.0.html , http://www.bewerbung.de/,
- Site ESB Business of School: http://www.esb-reutlingen.de/en/studiengaenge/master/mba-international-management-full-time.html
MUDANDO DE PAÍS – Mulheres de Massinha
Esse post é uma homenagem à todas mulheres que conheci aqui na Alemanha e em outros países fora do Brasil que decidiram sair de “casa” para enfrentar de tudo em outras terras.
Sim, mulheres como eu e talvez como você que está lendo esse post agora. Desde que cheguei na Alemanha (Jesus! Isso fez 3 anos dia 25 de marco!), conheci muitas mulheres brasileiras e estrangeiras que largaram tudo no seu país de origem para vir pra cá muitas vezes só com uma certeza: queriam ser felizes. A maioria tinha uma vida até que boa no Brasil, ou seja, nao decidiram vir pra Alemanha pra “melhorar de vida”. Muitas dizem que vieram buscando “qualidade de vida” no sentido social mesmo, mas nao que eram infelizes. Outras vieram por amor de verdade e outras por outros motivos, mas nunca por desespero.
Sim, existem outras histórias, protagonizadas por outros tipos de mulheres, mas este tipo de mulheres eu ainda nao conheci (apesar de já ter visto muitas) por aqui e também nao evitei. Elas simplesmente estao em uma sintonia beeeem diferente da minha e se passa perto da minha antena dá curto, entendeu? (((-:
Nao, esse post nao contempla essa segunda categoria (talvez um dia eu escreva um post sobre estas só pra sacudir o blog com um tema picante e conflitante…rs). Esse post é especial e exclusivo para aquelas mulheres que sonham em ser felizes sem ter que abrir mao dos próprios valores e sem ter que vender à alma a quem quer que seja. Sao mulheres fortes, mas NAO SAO DE PEDRA, SAO DE MASSINHA.
Sim, sao de MASSINHA. Isso pra nao dizer que sao “filés de alcatra” (rs). Sao mulheres que se moldam, adaptando-se às circunstâncias. A cada dia ganham uma curva nova ou perdem outras, sempre buscando a melhor aerodinâmica pra enfrentar o dia-a-dia numa cultura avessa à nossa (ou quem sabe talvez até mesmo complementar). Exatamente como aquelas massinhas que brincamos quando somos criancas. Essas mulheres sao feitas de um material flexível, mas nao mole. Se adaptam, mas independente da forma que tomam, a composicao continua inalterada, seus valores continuam intactos e preservados dentro da sua essência indestrutível e incorruptível.
Sim, esse post é para lembrá-las de que nao sao e nao tem que ser de pedra. Quem acha que é de pedra, nao pode ser alguém sabio. Ser de pedra é ser rígido, é ser inflexível, é ser frio, é imóvel, é passivo. Nao, se você é uma dessas mulheres fantásticas que a cada dia aprende algo novo, que a cada dia se descobre de novo, que a cada dia se permite fazer e ser algo diferente ee ainda se diverte no meio de tudo isso, você é, sem dúvida, de MASSINHA. Aquela mulher que todo o dia leva uns apertos da vida, chora, ora, reclama, xinga, mas que no final consegue ter sabedoria pra entender que aquele “aperto” até que foi gostoso (rs) e entende que precisava dele pra passar para a próxima etapa. Entende que a vida te molda pra que você se encaixe perfeitamente a cada nova situacao, afinal novos cenários exigem novos figurinos (aposto que gostaram dessa parte…rs).
Morando aqui na Alemanha e, principalmente, através deste blog, tenho tinho contato frequente e pessoalmente com essas “Sras. Massinhas”. Sim, é impressionante como existem tantas brasileiras e estrangeiras incríveis que superam muitas vezes completamente sozinhas dificuldades simultâneas e extremas por aqui. Mas o mais triste é perceber que pouco se fala ou se escreve sobre elas. Sim, nós mulheres brasileiras temos MUITOS motivos pra termos orgulho de dizermos onde quer que seja que somos brasileiras, pois muitas de nós estamos “fazendo bonito” aqui nas “Zoropa”. Mas infelizmente qualidades e estereotipos sao duas coisas que nao parecem combinar. Infelizmente.
Digo isso, pois eu também sou uma dessas mulheres de massinha. Continuo me moldando diariamente, continuo deixando alguns pequenos pedacos espalhados por ai, também continuo resistindo à novas e inevitáveis curvas, continuo mantendo minha flexibilidade e maciez me regando com lágrimas (e cerveja..rs), continuo me “auto-apertando” quando a vida tá ocupada demais pra fazer isso por mim e continuo me divertindo muito no final dessa brincadeira toda (rs).
Ser de massinha nao é ser volúvel, é ser flexível. Ser de massinha nao é vergonhoso, é admirável. E é por isso que eu me admiro e admiro à todas vocês que me fizeram e me fazem enxergar o quanto somos poderosas e o quanto tomar uns apertoes de vez em quando é bom pra ajudar no encaixe. (((-:
Parabéns mulherada e obrigada simplesmente por existerem e resistirem!
VIDA NA ALEMANHA – Sair de Repente pra Kagar
Apertado? É só sair de “Repente” pra “Kagar”. Pois é, é isso que dá brasileiros vivendo na Alemanha. Olha o que o cara foi observar. (((-:
E sim. Repente e Kagar são dois lugares de verdade que ficam em Rheinsberg, na Alemanha. Se tiver curiosidade google neles!
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Estou sumida, abarrotada de coisas da Uni pra fazer, mas ainda viva e preparando um post gigaaaaaaaaaante sobre a viagem para a Turquia. Quem esperar verá! Seguuuura! (((-:



















