fev
6
ENSINO ALTERNATIVO ALEMAO – O sistema “Waldorf” (Rudolf Steiner)

EXTRA! EXTRA! Estou quase mudando de opiniao, ou seja, estou quase desistindo de colocar meus filhos na Waldorf. Nao por que agora penso que é um sistema “ruim”, mas porque comecei a ficar com medo de arriscar e depois me sentir culpada, caso meu filho venha a ter traumas ou dificuldades gerados a partir desta minha decisao. Quer saber o que me levou a pensar assim? Entao leia as novas infos que recebi em verde na primeira parte do post. Algum argumento a favor que me faca voltar a opiniao antiga? -D

************************************************************************************************************

“Nosso maior objetivo é desenvolver seres humanos livres, aptos para estabelecer, por si mesmos, metas e direcoes para suas vidas” (Maria Steiner)

Há muito tempo que queria escrever sobre este tema por aqui, mas parece que era mesmo pra ser agora. Por quê? Porque agora que sou quase mae, já estou pensando em qual escola colocar nosso pimpolho. Sei que pode ser muito cedo pra pensar nisso, mas quem me conhece sabe que a cabeca aqui ferve sem limites. Mas no fim alguns de vocês (ou muitos) devem estar se perguntando: “Mas o que é o sistema Waldorf de ensino?”. Vamos lá. Vou ser breve, pois existem fontes oficiais que com certeza vao ajudá-los a entender este sistema melhor e a formarem suas próprias opinioes. Sim, porque se estou trazendo este tema aqui nao é só porque acho extremamente interessante, mas principalmente porque é um tema que gera muitas discussoes entre pessoas que acreditam que esse sistema de ensino é super positivo e outras que acreditam que é um sistema com valores bonitos, porém pouco funcionais para o nosso mundo “cruel”. Eu, sinceramente, gostaria, apesar de todas as críticas que existem, que meus filhos estudassem em uma escola baseada neste sistema e esse post é mais uma forma de colher opinioes e experiências diversas para poder ter cada vez mais certeza de que é uma boa escolha ou que, talvez, nao. -D

O sistema Waldorf é um sistema de ensino que foi introduzido na Alemanha a partir de 1919 (por coincidência - ou nao – na cidade onde moro, Stuttgart) por um austríaco chamado Rudolf Steiner e que hoje está presente e crescente no mundo todo (inclusive no Brasil). É um sistema baseado na antroposofia. Esta, por sua vez, do grego “conhecimento do ser humano”, pode ser caracterizada como um método de conhecimento da natureza do ser humano e do universo, que amplia o conhecimento obtido pelo método científico convencional, bem como a sua aplicação em praticamente todas as áreas da vida humana.

Bom, pelo parágrafo acima já dá pra perceber que é algo bem complexo de “compreender racionalmente”, ou seja, é bem coisa de filósofo mesmo, entao pra gostar tem mesmo que ser meio “filósofo”. Agora a “filósofa” aqui vai brevemente citar o que já ouvi falar sobre as escolas que utilizam este método de ensino. Pra quem tiver “fome de saber” e já quiser informacoes completas, entre no site oficial no Brasil e entenda como funciona.

Tudo o que vou escrever aqui sao coisas que ouvi de quem estudou em escolas que seguem este modelo ou que fizeram o curso para serem professores de uma escola Waldorf, ou seja, tudo baseado em experiências reais. Aliás, se você que está lendo este post, estudou ou conhece alguém que estudou/estuda em uma Waldorf, seria super interessante se pudesse contribuir aqui deixando um comentário falando sobre a experiência ou sobre alguma coisa que deixei de citar ou, até mesmo, sobre alguma informacao que eu possa ter colocado de forma equivocada. Sua opiniao também será sempre bem-vinda, lembrando que opinioes expressas com agressividade/falta de respeito nao serao publicadas.

Bom, entao pra comecar, vou falar sobre alguns pontos que percebi que sao os que geram mais críticas por parte das pessoas que nao acreditam neste sistema (que sao muitos) e depois falo das coisas que, acredito, sustentam a funcionalidade deste.

PONTOS QUE PODEM SER VISTOS COMO NEGATIVOS:

(depois leiam este texto que descreve uma pesquisa feita sobre os “Sete mitos da insercao social do ex-aluno Waldorf”)

- O fato de não se exigir ou cultivar um pensar abstrato, intelectual, muito cedo é uma das características marcantes da pedagogia Waldorf em relação a outros métodos de ensino. Assim, não é recomendado que as crianças aprendam a ler antes de entrar na 1a série. Segundo esta pedagogia, antes deste período, o mais importante é deixar a crianca ser crianca, é deixar a crianca brincar e se descobrir sem racionalizar a vida. Segundo os críticos, esta forma de aprendizado pode ser considerada lenta e a crianca pode ficar “atrasada” e ter deficiência para acompanhar o desenvolvimento de criancas da mesma idade que frequentam escolas tradicionais. Nao acredito nisso, mas também nao tenho argumentos concretos pra convencer ninguém do contrário. É só um ponto de visto baseado no que acredito e, sinceramente, nao acredito que o fato da crianca comecar a fazer contas e a escrever apenas a partir do 7° ano vai fazer desta menos capaz de se desenvolver do que coleguinhas que comecaram a fazer isso antes. O mais importante estará sendo sempre desenvolvido: a capacidade de raciocinar, de falar e de se aceitar como é, desenvolvendo suas habilidades motoras e “humanas” (sentimentos).

- Nao existe um sistema de reprovacao e de notas como no ensino convencional. As “notas” sao simbolizadas por cores (ou estrelinhas) ao invés de números, ou seja, existem, mas sua representacao visual é diferenciada. Segundo os críticos, isso diminui a competência competitiva da crianca, ou seja, ela terá dificuldades de viver no mundo competitivo atual. Dizem que o mundo é cruel, logo a crianca tem que estar preparada para isso. Minha opiniao é que se o mundo é cruel, é porque o sistema gerou essa crueldade, entao está na hora do sistema criar algo que a combata, ou seja, um pouco de docura e humanismo nao faria mal nenhum. Enfim, percebi que aqui entram valores muito pessoais na discussao. Eu, por exemplo, prefiro um filho sensível que sofra um pouco para se adaptar ao mundo competitivo do que um filho extremamente competitivo que muitas vezes se torna insensível e sem limites para conseguir o que busca. Nao espero que ninguém concorde comigo, mas é assim que eu penso sobre este ponto. Eu mesma, que nao estudei em uma Waldorf, cresci acreditando que o mundo era cor-de-rosa e que todas as pessoas eram boas. Só fui comecar a reconhecer “crueldade” quando já estava com aprox. 23 anos de idade. É sério! Hoje estou bem mais esperta e seleciono muito melhor quem está ao meu redor, mas mesmo assim ainda acredito na bondade do ser humano e procuro sempre competir comigo mesma e nao com os outros. Complexo. Um dia explico essa minha teoria (rs).

- Nas aulas de esporte/educacao física os alunos nao jogam/aprendem a jogar futebol. Nao acho isso nenhuma desvantagem no que diz respeito ao sistema de ensino, ou seja, nao vejo isso como argumento contra válido. Se quer que seu filho jogue bem futebol, coloque ele pra jogar com primos, amiguinhos fora da escola, escolinha de futebol e pronto. Aliás, conheco alguns amigos que nao gostam de futebol, embora tenham estudado em colégios onde existiam inclusive campeonatos. Segundo uma amiga que estudou na Waldorf, eles acreditam que o futebol é um esporte muito agressivo e por isso nao está inserido no programa da escola. Com isso já nao concordo, ou seja, que o futebol é um esporte mais agressivo que o handball ou que o basketball podem ser. Mas nao deixaria de colocar meu filho em uma Waldorf baseada nesse argumento.

- O amor que os professores Waldorf devem desenvolver pelos seus alunos, e o conhecimento profundo que eles adquirem de cada aluno são outras características fundamentais da pedagogia. Por exemplo, idealmente durante os 8 anos do ensino fundamental cada classe tem um único professor que dá todas as matérias principais, isto é, fora artes, artesanato, educação física e línguas estrangeiras (em geral duas, nos 12 anos de escolaridade). No ensino médio há um professor que, durante os 4 anos, assume o papel de tutor da classe. Segundo os críticos, isso é ruim para o desenvolvimento da crianca, principalmente se o professor nao for com a cara da crianca e a “perseguir” durante os 8 anos. Também criticam o fato de ser impossível um único professor ser apto a lecionar todas as matérias durante o ensino fundamental. Eu já vejo de outra forma. Os professores Waldorf sao profissionais que estudam para serem especificamente “professores Waldorf”, ou seja, tem uma formacao toda baseada neste sistema de ensino, logo estao totalmente preparados para lidar com todo e qualquer tipo de crianca, sem discriminá-las. Pelo menos essa é a filosofia deste sistema de ensino e se alguém decide lecionar em tal escola é porque deve estar “alinhado” com tal filosofia. Sobre ser impossível um único professor estar apto a lecionar todas matérias do ensino fundamental, ainda estou em dúvida sobre ser um ponto fraco do sistema Waldorf. Teria que saber que tipo de diploma é exigido e qual o tipo de treinamento é dado para tais professores, ou seja, preciso conversar com minha amiga que fez o curso para ser professora lá e depois volto aqui. -D

- Nessas escolas sao ministradas aulas de corte, costura, pintura e etc. A crítica é que as notas para estas “matérias” tem o mesmo peso que as notas para as matérias tradicionais (matemática, português, história e etc). Minha primeira reacao foi achar isso errado, mas depois refletindo um pouco “fora do quadrado” penso que faz sentido. Sim, porque pintar também é uma habilidade, assim como fazer contas. Sim, porque nem todo mundo é bom com números, assim como nem todo mundo é bom em pintura. Entao porque dar pesos diferentes se no fim estamos falando de habilidades que nem todos tem, mas que os que tem poderao utilizá-la na sua profissao no futuro? Há os que dizem: “mas matemática todo mundo precisa, pintura nao”. Será mesmo que todo mundo precisa ser bom em matemática? Será que é justo dizer que o cara que é bom de matemática é melhor do que o cara que é bom em pintura? Por que que todo mundo tem que ser bom em matemática? Se eu nao sou, sou burra por um acaso?

- Alguns críticos acreditam que os alunos de uma Waldorf tem menos chances de passar nos melhores vestibulares ou até mesmo de conseguir bons empregos na sua vida adulta. Estudos como o estudo já citado no início deste tópico comprovam que isso é apenas mais um mito e que a realidade é bem diferente. Lógico que alguns alunos, dependendo do curso e/ou universidade que querem estudar, acabam tendo que fazer cursinho pré-vestibular, mas também nao acho isso nenhum demérito. Por outro lado, li no site oficial da Waldorf que nos EUA as grandes universidades dao preferência para alunos que tenham estudado em escolas do sistema Waldorf, pois sabem que os alunos tem uma capacidade positivamente diferenciada. Quem quiser pode chegar esta info clicando aqui. Está em um dos últimos parágrafos.

INFORMACOES RECEBIDAS POR EMAIL/TELEFONE APÓS PUBLICACAO DO TEXTO POR PESSOAS QUE TIVERAM EXPERIÊNCIAS COM O SISTEMA WALDORF:

- Neste item vou descrever tudo que uma amiga me relatou hoje por telefone sobre a experiência pessoal dela em uma Waldorf. Já tínhamos conversado sobre o sistema, mas a única coisa ruim que ela havia relatado era que o sistema realmente cria pessoas extremamente sensíveis que sofrem muito no mundo “real”. Mas desta vez ela me contou coisas que me deixaram realmente com uma pulguinha atrás da orelha. Ela me contou que ela sofreu muito preconceito por ser “atrasada” em relacao à seus amiguinhos que estudavam em escolas convencionais. Disse que em um curso de catecismo morreu de vergonha, pois era a única que nao sabia ler nem escrever, pois, como relatei aqui, criancas na Waldorf só comecam a aprender a ler e a escrever a partir dos 7 anos de idade. Ela contou também que nos primeiros anos sua professora (uma alema que tinha se mudado para o Brasil) a obrigava a escrever com a mao direita, apesar de saber que ela era canhota, pois dizia que aquilo era importante para ela desenvolver o raciocínio do lado “correto”. Disse que gracas à Deus nao teve que ficar com essa mesma professora nos 8 anos previstos, pois esta foi substituída por uma outra que foi ótima para a turma. Contou que esta outra professora a ajudou a se desenvolver na área de conhecimentos gerais, mas fora do programa normal da escola e que isso foi pura sorte mesmo. Contou que alguns alunos que tem mais sede de aprender eram tratados com preconceito, pois eles nao tinham paciência para aprender na velocidade imposta pelo sistema Waldorf, que é relativamente lenta para os padroes do ensino tradicional. Disse que o sistema é ótimo para trabalhar o “ser humano” e suas aptidoes artísticas, mas que nao prepara realmente as pessoas para a vida no mundo real. Ela contou que até hoje sofre muito por ser tao sensível. Diz que sofre mais do que o normal quando vê pessoas fazendo maldade ou notícias ruins em geral. Sente que sua capacidade de raciocínio é eficiente, porém lenta. Disse que nao vai colocar seus filhos em uma Waldorf, pois nao quer que eles tenham os mesmos problemas que ela teve, mesmo tendo amigos que estudaram com ela que nao tiveram problemas e que hoje estao super bem e que continuam acreditando no sistema Waldorf. Por isso ela reforcou que é um tema muito complexo, pois é extremamente pessoal e cada caso é um caso. Disse que tem sim muita coisa boa, mas que é preciso ponderar se vale a pena arriscar. Bom, essas infos me deixaram bem inclinada à desistir da idéia, pois sao informacoes baseadas na prática e recebidas por alguém que cursou todo ensino fundamental em uma Waldorf. Além disso, é uma pessoa que eu respeito muito e que sempre é muito ponderada quando dá suas opinioes, além de respeitar muito outros pontos de vista.

- Uma outra amiga me enviou um email dizendo o seguinte: “Putz Maira…o seu texto é ótimo, mas a polêmica é enorme. Eu adoraria se tivesse uma escola Waldorf aqui do lado de casa, mas ao mesmo tempo, jamais estaria pronta EU, para acompanhar o tudo de “bom” que eles são e aí, o que acontece é que seu filho começa a ficar sendo o “estranho da escola”, sabe? Numa escola normal, se ele é “estranhinho” não é tao ruim, porque tem outros TAO OU MAIS ESTRANHOS. Em teoria acho eles otimos e conheco pessoas da minha geraçao, ou quase, que tem formacao waldofiana que sao seres especiais, criativos, abertos, mas não são exatamente ADAPTADOS ao nosso mundo.”

- Uma info que eu já tinha, mas que tinha esquecido de citar é que aqui na Alemanha o preconceito é muito grande com pessoas que cursaram uma Waldorf. As pessoas consideram essas criancas mais “fracas”, pois estudaram em um sistema que nao exige que a crianca tire boas notas pra passar de ano. Aliás, dizem que muitos pais que tem filhos com dificuldade de aprender realmente acabam colocando seus filhos em uma Waldorf, pois sabem que ali eles nao serao reprovados e que a velocidade de ensino dará mais chance para que eles aprendam na velocidade deles. Sendo assim, estes sao considerados menos capazes do que seus coleguinhas que estudaram em escolas com ensino tradicional.

*****RESUMINDO: o sistema perfeito seria mesmo uma mistura entre o sistema Waldorf e o sistema tradicional. Existe? Se alguém souber de alguma escola no Brasil ou na Alemanha que tenha algo parecido com isso nao deixe de nos informar, tá!? *****

PONTOS QUE VEJO COMO POSITIVOS SEM CONTRA-ARGUMENTO:

- Como na frase citada logo no início do post, esse sistema é um sistema de ensino que coloca as necessidades individuais de cada indivíduo acima das necessidades ou premissas da sociedade.

- A crianca ou adolescente é acompanhada como indivíduo no seu desenvolvimento, ou seja, os professores buscam desde o início identificar o que cada indivíduo tem de aptidao e focam no desenvolvimento desta individualmente. Isso mesmo, nao exigem que todos alunos tenham as mesmas aptidoes ou que se desenvolvam na mesma velocidade. Compreendem que cada indivíduo tem sua “estrela” e seu próprio tempo.

- Assim como nas escolas alemas em geral, nesta escola existem muitas “cerimônias” para comemorar tudo que vocês possam imaginar. Sim, eles adoram celebrar ciclos, festividades, acontecimentos marcantes na vida da crianca e etc. O mais fofo é justamente a celebracao do primeiro dia de aula da crianca. A escola fornece todo o material, inclusive uma mochila de couro igual para todos alunos. Esta é entregue aos pais e a escola pede que eles pintem algo do lado de fora da mochila que tenha a ver com o filho deles, ou seja, pedem que os pais personalizem a mochilinha de seus filhos. As criancas chegam todas orgulhosas na escola mostrando “sua” mochilinha e a arte que seus pais fizeram especialmente para elas. Elas também recebem uma coroa de flores e um “canudo” cheio de “agrados” que seus pais preparam para elas e entregam também no primeiro dia.

- Todas as criancas aprendem a tocar pelo menos um instrumento musical.

- As criancas nao aprendem através de livros didáticos “tradicionais”. Elas recebem um caderno em branco e durante as aulas anotam todo o conhecimento que é passado através dos professores. Depois, os professores pegam caderno por caderno e checam se o que a crianca entendeu está correto ou se falta alguma informacao importante. Após esta “correcao/verificacao”, a crianca recebe seu caderno de volta e é através dele que ela vai se preparar para as provas. Eles entendem que existem formas distintas com que cada crianca absorve uma informacao concreta, nao acreditando que existe apenas uma “verdade” ou “ponto de vista” absoluto. Acreditam que a compreensao dos fatos está muito relacionada às referencias individuais dos alunos e a forma como cada um enxerga o mundo ao seu redor, baseados em seus valores pessoais. Se você dá um livro com “verdades prontas” para uma crianca/adolescente você reprime nela a capacidade de ter suas próprias opinioes sobre os fatos, fazendo-a acreditar em tudo aquilo que todo mundo acredita e ela acaba apenas se preocupando em absorver “aquelas verdades” para ter uma nota boa e passar na prova. Valores e capacidade de raciocínio deixam de ser trabalhados nesse sistema tradicional de ensino.

Provavelmente eu esqueci alguma coisa importante, mas tudo que eu for aprendendo sobre este sistema (inclusive através dos seus comentários aqui), vou adicionando aos poucos e publicando.

É um sistema bem diferente do sistema tradicional que conhecemos e é natural que muita gente seja contra, afinal é um sistema difícil de compreender racionalmente, sendo muito baseado em filosofia e psicologia. Eu, sendo uma pessoa menos racional e mais emocional por natureza, me identifiquei muito com tal sistema e conheco pessoas que formaram-se através deste que sao simplesmente seres humanos fantásticos e profissionais super bem-colocados no mercado onde atuam. A única coisa que vejo que faz da vida deles um pouco mais difícil é que realmente sao mais sensíveis do que a média e sofrem muito mais com a “crueldade” no mundo. Mas pra ensinar a lidar com isso a vida se encarrega e nao exclusivamente a escola. Aliás, ironicamente, para aqueles que foram “criados” neste sistema Waldorf, aconselho uma temporada no país onde este nasceu: Alemanha. Você chega aqui um “gatinho”, mas volta um “leao”. Duvida? Entao vem! -D

Entao é isso. Se quiser, deixe aqui seu comentário com opinioes, perguntas, críticas e/ou sugestoes. Eu nao vou “contra-argumentar”, pois já deixei minhas opinioes no post, mas tudo que escreverem vai sim me ajudar e também à todos àqueles que tem interesse nesse sistema, a compreenderem este melhor através de óticas diferenciadas. Diga lá! 



jan
25
Culinária brasileira na Alemanha – Parte 1: Produtos e ingredientes

Revisoes do post: 1a Edicao: 18/8/2008; 2a Edicao: 25/1/2011 (itens revisados em azul)

 *********************************************************************************************************

Comeco aqui um série que vai ajudar (espero) à todos(as) brasileiros(as) que moram na Alemanha a preparar comidas, salgadinhos, docinhos e caipirinha. Lógico que, de quebra, também pode ajudar quem mora no Brasil e isso é mais um motivo pra eu iniciar essa série de posts. -D

Nao sou muito de comer, mas, pasmem, adoro cozinhar e, principalmente, adoro receitas que desafiam minha paciência e que me obrigam a ser também flexível e criativa, pois MUITAS vezes, por mais que se siga receitas, dá errado. E é nessas horas que é preciso conhecer a funcao de cada ingrediente e ai sim é possível salvar QUASE todas receitas. (((-:

Na Alemanha (e talvez em muitos outros países) a barreira é maior ainda, pois nossas culinárias típicas sao diferentes e eles simplesmente nao usam muitos dos ingredientes que usamos. Ai o negócio é ou substituir por algo “próximo” ou comecar a vasculhar lojinhas de produtos asiáticos, árabes, portugueses, espanhóis e africanos. Dificilmente nao vai encontrar uma “saída” para realizar seu desejo gastronômico. -D

Antes de falar onde encontrar os ingredientes, seguem alguns enderecos úteis na regiao de Stuttgart e redondezas:

1) Loja Portuguesa: http://www.prendes.de/ (Guaraná Antarctica, feijao, peixe fresco) e “Madeira Joaquim Portugiesiche Weine und andere Spezialitäten” na Hohenheimer Str. 42, 70184, Stuttgart, Tel.(0)711 4704495. Essa loja fica em frente a estacao de U-Bahn Dobelstrasse (nessa tem mais produtos do Brasil, como goiabada, polvilho doce e caldo Knorr).

2) Acougue mais barato (Waiblingen): http://www.kuebler-online.de/ (Picanha)

3) Mercadinho Turco: Bad Cannstatt, no túnel que sai do lado da Kaufhof pra ir pro outro lado (Carré). É uma lojinha bem pequena (requeijao)

Nessa primeira parte vou apenas passar onde encontrar uma lista de produtos tipicos brasileiros e também o nome em alemao de alguns que você poderá encontrar em qualquer supermercado. Vamos lá:

1 – Queijo catupiry: esse nao existe mesmo, mas existe uma receita para faze-lo a partir de outros queijos: 2 potes de queijo Philadelphia Cream Cheeese(sem sabor ou tempero) e 1 queijo Munster suave (Münsterkäse mild) de 500g. // Em fogo baixo,derreta os dois queijos juntos,misturando até ficar bem uniforme.Retire do fogo e coloque em potes (preferência vidro)deixe esfriar sem tampar. Quando estiver frio tampe os vidros e guarde na geladeira.

2 – Banha (de porco): em qualquer supermercado na geladeira, normalmente em potes, tem com e sem cebolas ou torresmos. Nome alemao: SCHMALZ.

3 - Gordura vegetal: em qualquer supermercado no dpto onde tem margarina e sao vendidas em barra. Nome alemao: Fritierfett marcas Palmin (feita de côco) ou Biskin (vegetal).

4 – Farinha de rosca: em qualquer supermercado. Nome alemao: PANIERMEHL.

5 – Farinha de milho: em qualquer supermercado. Nome alemao: MAISMEHL.

6 – Maizena: em qualquer supermercado no dpto de farinhas e arroz. Nome alemao: MONDAMIN ou voce pode comprar como KARTOFFELMEHL.

7 – Polvilho: lojas portuguesas ou asiáticas. 

8 – Farinha de tapioca: lojas africanas. Nome alemao: TAPIOC MEHL.

9 – Leite Condensado: em qualquer supermercado. Nome alemao: MILCH MÄDCHEN (Nestlê).

10 – Cachaca Pitu: em qualquer supermercado, mas é mais cara do que uísque aqui!

11 – Creme de Leite (sem soro): em qualquer supermercado. Nome alemao: SCHMAND (também é conhecido pelo nome MASCARPANE). Opcional tem o “Creme Fraichê”.

12 – Creme de Leite (com soro): em qualquer supermercado. Nome alemao: SCHLAGSCHNE (é bem molengo).

13 – Mandioca: lojas africanas. Nome alemao: CASSAWA.

14 – Salsinha: em qualquer supermercado. Nome alemao: PETERSILIE.

15 – Cebolinha: em qualquer supermercado. Nome alemao: SCHITTLAUCH.

16 - Guaraná Antarctica: lojas portuguesas. Nome alemao: nao tem.

17 – Forminhas para docinhos: loja de dpto grande como a Kaufhof. Nome alemao: PRALINENFÖRMCHEN.

18 – Trigo para Kibe: loja de produtos árabes. Nome alemao: BULGUR (Fein).

18 – Hortela: só encontrei como tempero desidratado em loja de produtos árabes também. Nome alemao: MINTZ.

20 - Fermento para bolo: em qualquer supermercado. Quando você compra vem vários pacotinhos individuais, sendo que a quantidade desses pacotinhos é suficiente para até 500g de farinha de trigo. Nome alemao: BACKPULVER.

21 - Fermento para paes e massas: informacoes idem ao fermento para bolo. Nome alemao: TROCKENBACKHEFE.

22 – Miojo: em qualquer supermercado. Nome alemao: INSTANT NUDEL SNACK.

23 – Caldo Knorr (galinha): em qualquer supermercado. Nome alemao: FETTE BRÜHE. Obs.: esse na verdade nao é igual ao nosso, mas dá pra substituir. Igual ao nosso tem na loja Portuguesa. -D

24 – Achocolatado (sem acucar): em qualquer supermercado. Nome alemao: KAKAU.

25 – Leite de coco: lojas africanas (tem em alguns supermercados normais também). Nome alemao: KOKOSMILCH.

26 – Feijao marrom e preto: em lojas portuguesas. Nome alemao: BONHEN.

27- Requeijao: lojas de produtos turcos

28-Picanha: Tafelspitzen

29-Couve: igual a brasileira nao existe, mas pode substituir por Kohlrabi-, Blumenkohlblätter ou Wirsingkohl. Já vi também algo parecido em mercados turcos, mas na época nao conferi se era mesmo.

É isso ai! Assim que alguém for me perguntando e assim que eu for sentindo falta de alguma coisa, vou incluindo nessa lista, ok!? Mas acredito que o mais essencial está ai! -D



jan
19
MBA na Alemanha – Tese de Mestrado entregue!

Texto escrito ontem (18/01/11) às 9 horas no campus da Universidade de Reutlingen, Alemanha

******************************************************************************************************************

“Caminhante, são teus rastros
o caminho, e nada mais;
caminhante, não há caminho,
faz-se caminho ao andar.
Ao andar faz-se o caminho,
e ao olhar-se para trás
vê-se a senda que jamais
se há de voltar a pisar.
Caminhante, não há caminho,
somente sulcos no mar.”

(Antonio Machado)

Estou anestesiada. Completamente anestesiada. Sentada na “Mensa” (Refeitório) da Uni, rodeada de estudantes, tomando o café com leite que só nao é mais saboroso que o da minha avó materna e pensando: “Acabou. Eu consegui”. Isso mesmo! Consegui entregar a versao final da minha tese de mestrado e solicitar oficialmente meu diploma. Eu estava tao acelerada que meu orientador pediu para que eu sentasse. Ele parecia interessado em conversar mais comigo sobre a tese e também sobre a empresa com a qual escrevi a tese, mas eu só pensava em ir embora. Foi muito estranho. Eu estava tao cansada que nao via a hora de sair dali, pra talvez poder digerir o que estava acontecendo. Depois de conversar um pouco, fomos juntos até a secretaria solicitar meu diploma e ficamos lá mais um pouco conversando com a secretária que é um amor. Mas eu continuava com pressa e eles se divertindo com a minha situacao, pois o nascimento do Rafa está previsto para dia 23/2 e minha festa de formatura é dia 18/2. Disse pra eles que já comprei os tickets e que agora é só torcer para o Rafa segurar as pontas. Pois é, ai tive que ouvir que eles já tinham percebido que brasileiro, em geral, é muito otimista, mas que eu já entro na categoria dos super-otimistas. -D

Bom, mas falando nos sentimentos, vocês devem estar estranhando que nao estou, como de costume, escrevendo “gritando”, né!? Tipo: “Conseguiiiiii!!!!”. Pois é, também estou achando estranho, mas no momento só consigo pensar lentamente. Parece que, de repente, estou me permitindo assumir meu esgotamento mental. Aliás, deve ser isso mesmo, pois só de escrever a última frase comecei a chorar. Pois é, “mestres” também choram. -D

Enfim, após 2 anos fecho mais este ciclo na minha vida, na Alemanha. Mais uma vez me superei. Mais uma vez acreditei em mim e segui em frente, apesar de todos os muros que surgiram dentro e fora de mim. Nunca acreditei que seria fácil (e, acreditem, nao foi mesmo), mas minha intuicao sempre me disse que seria possível e que valeria a pena.

A minha maior conquista, ao contrário do que muitos pensam, nao foi adquirir um título de mestre em MBA na área de Marketing Internacional. Minha maior conquista foi ter superado as dificuldades que iam surgindo no meio do caminho. A minha maior conquista foi nao ter desistido. A minha maior conquista foi ter conseguido chegar ao fim, mesmo me sentindo muitas vezes “inferior”, pois foi assim que me senti muitas vezes, principalmente quando era preciso formar grupos de trabalho e os estrangeiros eram sempre os últimos a serem escolhidos, sendo que alguns tinham, inclusive, que “implorar” para serem aceitos. Mas com muita persistência, paciência, orgulho e humildade, consegui. Com isso eu RE-conquistei uma coisa fundamental que havia “perdido” quando cheguei na Alemanha: minha auto-estima. Hoje, após quase quatro anos aqui, voltei a realmente acreditar em mim e, principalmente, voltei a ter orgulho de TUDO que conquistei até hoje na minha vida. Aliás, nao só reconquistei tudo que havia “perdido”, como me tornei mais forte e mais auto-confiante. Esse auto-conhecimento e a orgulho pela superacao foram minhas maiores conquistas e nao o título acadêmico.

Pois é, como disse no comeco deste post, ainda estou anestesiada. Estou me sentindo leve, mas ao mesmo tempo “sem rumo”. Toda vez que termino algum ciclo me sinto assim por alguns dias. É só o tempo de encontrar um novo desafio que me mova. E, desta vez, o próximo desafio é gigante e vai me acompanhar (se Deus quiser) por muito tempo: meu próximo grande desafio é, sem dúvida, a maternidade. Aliás, agora sim vou poder me dedicar à este acontecimento, pois até entao estava muito mais envolvida com a tese. Nao porque ela é mais importante que o Rafa. De jeito nenhum! Mas porque eu sabia que se nao a terminasse logo, nao poderia me dedicar à ele como gostaria. Eu sabia que precisava terminar este ciclo para poder viver a maternidade da forma mais plena absoluta. E o Rafinha, mesmo sem saber e mesmo sem ter nascido, foi crucial para que eu conseguisse chegar até aqui. A gravidez até agora foi perfeita! E toda vez que eu perdia o pique, pensava que queria estar livre disso tudo quando o Rafa chegasse. Foi isso que mais me moveu até aqui. Antes eu dizia que escrever uma tese de mestrado grávida nao tinha sido um bom planejamento, mas agora eu digo o contrário: foi a melhor coisa que me aconteceu. -D

É isso. Acabou! Finito! Agora só falta pegar o canudo e correr pros bracos daquela pessoa que foi fundamental para que eu chegasse até aqui: meu amor, meu amigo, o pai do meu filho, meu marido. Ele sabe que sem ele tudo seria mais difícil e menos divertido. AMO!

E, nao posso deixar de agradecer à todos vocês que estiveram esse tempo todo me apoiando, acreditando em mim, me mandando mensagens super carinhosas e sempre me levantando quando eu mais precisei. Isso, pra mim, foi extremamente importante, pois quem me conhece sabe, muito mais do que qualquer coisa no mundo eu preciso de vocês, eu preciso de PESSOAS, eu preciso dividir. Obrigada por existirem!!!! E, lembrem-se: a partir da metade de 2011 quero voltar ao mercado de trabalho, entao aguardem meu CV tá!? -D

Agora me dá licenca que eu tenho muitas lembrancinhas de maternidade pra fazer e um quartinho pra enfeitar. -D

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...





Categorias