Refletindo

Penso, logo penso e penso muito. É tanto pensamento, tantas análises, tantas reflexões que é preciso transbordar e eu transbordo em palavras. Esse é aquele espaço onde você poderá encontrar respostas, novos questionamentos, similaridades ou simplesmente algo que te diga nas entrelinhas: você merece ser feliz!

Os ricos na contra-mão da globalização

É isso mesmo, vou falar aqui sobre o que todo mundo tá cansado de ouvir: CRISE FINANCEIRA MUNDIAL e sobre o movimento PROTECIONISTA iniciado nos últimos dias pelas grandes potências mundiais.

Já li muito sobre essa crise em algumas línguas, sob vários aspectos e em diversas fontes. E daí? Daí que conclui que ela é uma consequência necessária e, se nós começarmos (ironicamente) a olhar para nosso próprio umbigo, ela será sim passageira.

Você nem entendeu ainda o que é essa crise mundial e por que ela está acontecendo? Bem, pode ter certeza, você não é o único. Mas se quiser entender agora, clique aqui e sinta-se informado.

Uma das coisas interessantes que li, foi uma análise feita por um especialista em economia na Alemanha (esqueci o nome e a fonte..aff..), onde ele explica didaticamente o que é o processo de globalização e como a crise atual e suas consequências se inserem nesse contexto. Ele explica da seguinte forma:

“Imagine o planeta Terra como sendo um único corpo humano. Quando você sofre qualquer pequeno acidente, um corte no dedão por ex., o seu corpo envia uma mensagem que “sai” do dedão e vai até o seu cérebro e ai você sente dor e algumas vezes grita ou chora (ou morde a fronha). Ou seja, a coisa aconteceu no seu dedão (lááá longe…), mas as consequências atingiram seu cérebro e seus olhos/sua boca. Isso significa dizer que no corpo está tudo interligado, ou seja, nenhuma ação acontece isolada, todas ações criam impulsos que atingem em maior ou menor intensidade outros membros/sentidos do corpo humano. Esse é um exemplo perfeito para explicar como funciona a chamada “globalização”. TUDO está interligado, mas os efeitos sob um ou outro país vão depender do nível de importância de cada país no sistema capitalista global. Quanto mais ligado o país estiver ao “membro” afetado/beneficiado, maiores serão as consequências positivas/negativas de tudo que acontecer nesse país.”

E é por isso que as consequências na Alemanha, por ex., estão sendo, nesse momento, mais drásticas do que no Brasil. O Brasil, apesar de ter muitas e crescentes relações econômicas com os EUA, não é muito “dependente” do que ocorre lá. O Brasil tem atualmente uma economia doméstica muito sólida e forte, fazendo dele um país menos vulnerável às crises no exterior. Podemos dizer dentro dessa analogia (planeta Terra=corpo humano), que os EUA são o cérebro (alimentado substancialmente por batata-frita e hamburguer), a europa o coração (batendo forte graças aos carboidratos originários da batata) e o Brasil, talvez, o pâncreas (sei lá..algo do tipo… fígado que não pode ser depois de tanta caipirinha).

A crise aqui na Alemanha está beeeem mais séria, mas melhor do que nos outros países mais ricos, pois os alemães não tem essa cultura americana de realizar compras a crédito (aqui praticamente inexiste também a possibilidade de parcelamento) e também não são muito chegados em investimentos na bolsa de valores, pois são culturalmente mais conservadores no que diz respeito também a dinheiro (o governo praticamente implora para a população investir mais). As pessoas não pararam de comprar, mas o comércio deu uma esfriada significativa e a tendência aponta para uma piora. O que se vê são muitas lojas cheias, mas poucas sacolas saindo destas lojas. As pessoas estão apenas esperando as grandes promoções.

Aliás, é o que mais se vê atualmente: promoções. Outro dia passei cedinho na rua central de Stuttgart e encontrei em uma loja as famosas “Schnäpchen-Jägerinnen” (caçadoras de pechinchas). Eu também faço parte desse “time”, mas dessa vez eu só estava de passagem e fiquei impressionada com a quantidade de velhinhas desesperadas pra agarrar um cabide! Sério! Fiquei até com medo de tomar uma cabidada. (((-: Mas outro dia assumi o meu lado de caçadora de pechinchas e comprei um sobretudo TUDO que custava €100,00 por “apenas”  €50,00! Isso mesmo: metade do preço e com todos os botões! (((-:

O governo está soltando várias medidas contra a crise, os chamados “Rettungspaketen”, mas estes não estão agradando muito (já os partidos de esquerda agradam cada vez mais) e também não estão diminuindo, pelo menos imediatamente, o buraco. Além disso, estão sendo criadas várias indisposições entre países do bloco “União Européia”, pois todos pedem que a Alemanha ajude aos países menos “poderosos”, mas a nossa amiga Angela Merkel (1a Ministra alemã) deixou claro que a prioridade é salvar a Alemanha e depois vem o bloco. E ela tem mesmo que “olhar pra dentro”, principalmente para a indústria automobilística: a maior “vítima” da crise atual. O “bom” é que aqui na Alemanha as leis favorecem e muito a tomada de ações mais razoáveis, como por ex., redução de jornada de trabalho e férias coletivas ao invés de demissões em massa. Muitas empresas aqui vão dar uma semana de férias coletivas em fevereiro ou/e em agosto e muitas também irão reduzir a jornada de trabalho para 3 ou 4 dias por semana. É ruim, mas é bom. Enfim.

Maaaas voltando à afirmativa de Angela Merkel, essa me transmite uma pitada bem servida de movimento anti-globalização. E essa minha desconfiança se confirmou nos últimos dias após o lançamento de dois pacotes com forte apelação protecionista: o de Barack Obama e o do presidente “catador” Nicolas Sarkozy. Lembrando que coisas do tipo vem sendo feitas já a muito tempo, descaracterizando um sistema capitalista e introduzindo um sistema neoliberal.

“Somente para se ter uma idéia, no ano de 2002 o presidente Bush sobretaxou a importação do aço. Tal fato, segundo estudo publicado pelo jornal Washington Post, gerou o desemprego de 200 mil americanos, trabalhadores de empresas usuárias de chapas de aço que foram obrigadas a pagar mais caro pelo produto nacional (Revista Veja, 24-09-03). A lógica protecionista é, às vezes, mais perversa e mais eficaz do que o desejo político, isto porque corresponde aos anseios de fortes setores da economia na produção de efeitos a curto prazo, mas traz prejuízos para a coletividade a longo prazo.” (Fonte no final do post)

E a partir de todos esses acontecimentos me pergunto: “Será que o mundo foi longe demais com essas redes econômicas interligadas? Será que não é hora de “olhar pra dentro”?”. Penso que devemos sim pensar no sistema como um todo e nos unir em prol da evolução e da saúde de nosso planeta, mas penso que devemos ser mais reservados em relação à nossa economia. A nossa economia deve ser mais independente, para ser menos vulnerável, mais forte. O nosso mercado consumidor deve ser mais importante e prioritário. A nossa educação interna deve ser mais importante do que o envio de ajuda humanitária para países pobres ou coisa parecida, afinal algumas coisas que acontecem no nosso nordeste não se diferem muito do que acontece nos países pobres da África. Enquanto ajudamos esses povos para, acima de tudo, termos visibilidade política mundial, nossas crianças morrem de fome e de problemas de saúde dentro do nosso próprio país ou até mesmo na esquina de nossas casas. É aquela velha teoria, de que se cada um fizesse a sua parte, a ordem seria estabelecida no todo.

Acho que o recado intrínsico dessa crise é: “Está na hora de parar!”. Sim, é irônico. A solução que vejo é desacelerar. É ir mais devagar, com mais atenção e com mais compaixão. Deus, seja lá o que ele for ou venha ele de onde vier, não quer o mundo que está surgindo. A globalização celestial é baseada em diminuir a distância entre as pessoas, é baseada em avanços na paz mundial, é baseada no amor ao próximo. A globalização capitalista diminui a distância financeira entre as economias mundiais, promove o desenvolvimento e implementação de novas tecnologias, mas também instiga o sistema a substituir homens por máquinas e afasta muitas pessoas por causa da desigualdade social que esse sistema cria, principalmente, em países menos desenvolvidos e menos prontos “estruturalmente” para tanta informação e para tão “curta” distância.

O Brasil estava, apesar de tudo, no caminho certo, mas eu digo: EU TENHO MEDO. Eu tenho medo, pois o Brasil está na mira dos investidores internacionais mais do que nunca, mas também está na mira dos “predadores” internacionais. Chegou o momento do Brasil parar de reclamar à OMC sobre essas atitudes protecionistas dos países mais ricos e começar a agir para acelerar a nossa economia interna, começando pela redução da taxa Selic de juros.

E também é o momento do Brasil se proteger, pois é MUITO rico em recursos naturais e é esse o prato da vez! Tenho medo que nosso governo (ingênuo e sonhador) se encante com a chance de aumentar a sua visibilidade através de exportações e esqueça de impor limites, pensando no mercado interno e na qualidade de vida de seu povo. Tenho medo da ganância que essa visibilidade pode criar. Tenho medo de sermos cegados pelo capitalismo selvagem, que nos devora, mas que também nos alimenta.

Relação complicada. Crise sem fim. Medo. Mas UMA certeza: É HORA DE DESACELERAR!

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Fontes interessantes para leitura e reflexão:

- Colapso do sistema capitalista

- Texto sobre a era do Neoliberalismo  

- Texto sobre o Neoprotecionismo

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3 Comentários para "Os ricos na contra-mão da globalização"

  1. bafuscreide disse:

    eu quero saber as consequencias negativas da globalização claramente falando sobre cada uma.:(

    • Maira disse:

      Olá Geovanna,
      desculpe, mas para saber mais seria melhor vc mesma pesquisar em fontes de pesquisa mais específica, pois eu, como vc, sou leiga e tenho opinioes próprias sobre isso q nao deveriam ser utilizadas como fonte oficial de pesquisa, por nao serem taaaaaaaaaaao fundamentadas. Existem fontes infinitas na net. Boa sorte!Bjs!

  2. Alice disse:

    Tem lido de tudo sobre a crise pois estou fazendo um trabalho, estou adorando conhecer um pouco mais sobre esse assunto e agora sim percebo q saber sobre a crise é essencial não só pra mim mas pra td mundo. E de tudo q li até agora esse foi o texto q melhor me explicou a tão complicada crise mundial.

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