Estágio

CULTURA ALEMA – Workshop criativo só com alemaes em 2 dias

Meu estágio continua até o final de janeiro de 2011, mas depois que contei sobre a certeza do nosso retorno para o Brasil e sobre minha gravidez vou ficar muito mais dedicada à tese do MBA e menos envolvida com os projetos da empresa.

Sinceramente, achei ótimo. A tese já tá me dando dor-de-cabeca suficiente e ela é tao importante pra eles agora quanto os projetos novos onde tinham me envolvido.

Mas, mesmo nao sendo mais uma “potencial futura funcionária” da empresa aqui na Alemanha, eles continuam investindo em mim e me dando muita atencao como sempre. Uma prova disso foi o convite para participar de um Workshop esta semana com o pessoal da área de vendas do Aftersales.

Foram dois dias inteiros, à aprox. 100km de distância de Stuttgart, em um mosteiro com uma pernoite em um hotel e com 10 alemaes.

O Workshop foi super interessante e fiquei super feliz em ter sido convidada. Era o que eles chamam de “Ideenworkshop”, ou seja, um Workshop para que as pessoas deem idéias sobre um determinado assunto dentro da empresa ou setor. Como ali estávamos longe do estress do dia-a-dia, o clima estava ótimo entre as pessoas e eu me senti super bem. Antes de ir, estava preocupada, pois sei como os alemaes sao e pensei que me sentiria deslocada e tal, mas nao foi assim. Ao contrário, lá tive a chance de me aproximar mais das pessoas, principalmente daquelas que tinha pouco contato.

Trabalhar com alemaes tem algumas vantagens. Entao antes de falar sobre o que eu nao gosto, vou falar sobre algumas coisas que adoro neles. Sim, elas existem! :-D

Primeiro adoro a objetividade. Eles conseguem seguir uma linha de raciocínio muito otimizada e isso faz a gente economizar muito tempo e esforcos. Segundo a forma sistemática/organizada de trabalho também me encanta. Nao é sempre assim, ou seja, eles também se perdem de vez em quando, mas, no geral, costumam trabalhar sim de uma forma super sistemática que também pode ser uma boa. Em grupo, as atividades parecem se dividir automaticamente, sem que ninguém precise dizer o que cada um deve fazer. Se percebem uma lideranca natural que vem de alguém do grupo, aceitam com mais naturalidade. Nao sinto muito problema com vaidade ou coisa do tipo. As discussoes, por mais calorosas que parecam (e sao!), dificilmente sao levadas para o lado pessoal. Se discute sobre aquele ponto e ponto. Ninguém encara aquilo como um “desentendimento”, mas sim como uma necessidade pontual. Aliás, falando em pontualidade é preciso dizer que a coisa nao é tao perfeita, mas muito melhor do que no Brasil ou com brasileiros. Sim, eles sao, em geral, pontuais, mas nao é nenhum extremo e é muito comum chegarem atrasados mais de meia hora em uma reuniao.

Agora vamos aos espinhos. :-D

Apesar da atmosfera agradável entre os participantes, ser estrangeiro em tal situacao nao é muito fácil, pois sao colocados muitos tópicos em discussao em grupos e por causa da língua é bem difícil se fazer entender sempre do que jeito que gostaria.  Primeiro porque nao é sua língua materna, segundo porque você nem sempre domina todos assuntos e terceiro porque os alemaes geralmente nao tem muita capacidade de ouvir as pessoas (ou simplesmente nao querem mesmo). Por mais que o cara seja legal, a tolerância deles pra te compreender, em geral, é mínima.

No primeiro dia fizemos um exercício relativamente simples, logo nao tive tantos problemas e foi tudo perfeito mesmo. Mas, já no segundo dia comecei a ficar cansada e nao via a hora de acabar. O exercício exigiu mais de mim, exigiu que eu argumentasse mais sobre minhas sugestoes para o grupo e muitas vezes nao consegui ser compreendida. Aliás, na maioria delas sentia que eles simplesmente nao me ouviam (ou fingiam que nao me ouviam). Mas eu sou pentelha por natureza e continuava falando até obter pelo menos uma resposta. Se eles nao concordavam eu perguntava porque e nao me dava por vencida até que me eu percebesse que eu tinha sido, pelo menos, compreendida corretamente. Cansa, mas eu sempre insisto. Eles tem que aprender a trabalhar com estrangeiros e pra isso eles precisam entender que paciência é um item obrigatório nessas horas. Sim, poderia falar em inglês, mas pra mim isso é assumir minha incapacidade de falar alemao e nao foi pra isso que fiz tudo que fiz até aqui. Nao mesmo. Eu me virei pra aprender a língua deles, entao eles também tem que virar pra me entender. É!

Além disso, o que me cansou e me cansa ainda nos alemaes em geral é o quanto eles reclamam de tudo (e de todos) e o pessimismo deles. É triste e irritante depois de um certo “limite”. 

Fui de carro com dois que gastaram a ida e a volta pra simplesmente reclamar, xingar, criticar e etc. Nao ouvi em momento nenhum eles falando de alguma coisa boa ou de alguém que é legal ou competente no que faz. Nadica. O motorista, logo que saímos de uma visita à fábrica de uma empresa próxima ao mosteiro, comecou a falar um monte da fábrica. Disse que as máquinas estavam mal distribuídas, que aquilo era coisa de gente que nao pensa, que nao fazia sentido e etc. E ai, pra piorar, vira pra mim (justo pra mim!) e diz: “Nao é, Frau Engelmann?”. Respirei e simplesmente respondi: “Olha, sinceramente eu nao posso criticar, pois eu nao conheco o processo para se produzir tal produto. Acredito que se as coisas estao do jeito que estao, deve existir um motivo”. Ele arregalou os olhos todo assustado e sem jeito e continuou tentando me convencer que os caras eram uns manés. Ai eu fechei: “Desculpe, mas nao posso criticá-los. O que posso dizer é que achei a fábrica super bem organizada, limpa e foi muito gentil da parte deles dedicarem meio dia para nos dar atencao e todas informacoes possíveis. Eles nao tinham obrigacao nenhuma”. O cara nao me respondeu, ficou com cara de bunda, virou as costas e foi pra outra rodinha procurar alguém pra concordar com ele. Posso com isso?

O pessimismo. Ele existe sempre por aqui, mas vou contar só uma historinha pra ilustrar. Durante o exercício estávamos registrando nossas idéias e itens complementares à estas, todos em uma planilha excel. De repente o computador apagou sozinho. Os alemaes ficaram em estado de choque e comecaram todos a pronunciar um mantra bem típico por aqui: “Perdemos tudo! O computador pifou pra sempre! Vamos ter que refazer tudo! Nao vai dar tempo! Nao vamos conseguir lembrar de todos itens! Vai dar tudo errado!”. Pois é. E eu falava: “Gente, o Office salva automático. Precimos ser otimistas, poxa! Pode ser que perdemos algumas linhas, mas nada muito sério.”. E todos ali, estáticos, reclamando. O mais engracado é que ninguém nem ousava ligar novamente o computador. Ai me cansei de esperar e eu mesma apertei o botao. Todos arregalaram os olhos e continuaram com o mantra. E eu continuei pedindo otimismo e dizendo que ia dar tudo certo. E daí? E daí que eu ganhei!!!! Perdemos apenas duas linhas do trabalho!!! Ai só dava a louca aqui batendo palma de alegria, enquanto os alemaes agiam como se preferissem que tivesse dado tudo errado. :-D

É, por isso às vezes é difícil lidar com eles. Pelo menos pra mim. Como já disse, meu time é muito bacana comigo e sempre me ajudam quando preciso, mas ter que conviver 2 dias com esse povo já é demais, mesmo que seja em um mosteiro. :-D

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2 Comentários para "CULTURA ALEMA – Workshop criativo só com alemaes em 2 dias"

  1. Jozela disse:

    Oi Maira,
    eu estava lendo o post anteior mas não consegui abrir a opção p comentários..resolvi comentar por aqui mesmo. Faz algum tempo que acompanho teu blog, me sinto super envolvida quando tu fala das tuas aventuras na Alemanhã, fiquei torcendo pelo teu estágio e agora para minha surpresa você está grávida(eu andava meio off line…meio desatualizada). Bom todo esse papo, pra te dizer que mesmo não te conhecendo fiquei feliz com a noticia da sua gravidez e tambem em saber que vocês voltarão para o Brasil.
    Parabéns pelo blog, e pelo baby que tá vindo!!!
    abraço,

    Jozela

  2. Mary disse:

    pontos para a brasileira de novo; :lol:

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