Cultura

ENSINO ALTERNATIVO ALEMAO – O sistema “Waldorf” (Rudolf Steiner)

EXTRA! EXTRA! Meu filho vai agora já com 3 anos e meio entrar em uma escola Waldorf aqui em Jundiaí (SP), a Jardim Angelim! Pois é, só depois dele ficar esse tempo em uma escola não-waldorf e eu ter tempo para estudar mais e conhecer melhor esse método, é que consegui decidir. E, lógico, TODOS comentários que esse post gerou foram riquissímos para a decisão também. Obrigada à todos pela contribuição! Pretendo relatar sobre a experiência no meu blog de mãe, o www.maeequempira.com . Vai lá me visitar! :D Gratidão! 

************************************************************************************************************

“Nosso maior objetivo é desenvolver seres humanos livres, aptos para estabelecer, por si mesmos, metas e direcoes para suas vidas” (Maria Steiner)

Há muito tempo que queria escrever sobre este tema por aqui, mas parece que era mesmo pra ser agora. Por quê? Porque agora que sou quase mae, já estou pensando em qual escola colocar nosso pimpolho. Sei que pode ser muito cedo pra pensar nisso, mas quem me conhece sabe que a cabeca aqui ferve sem limites. Mas no fim alguns de vocês (ou muitos) devem estar se perguntando: “Mas o que é o sistema Waldorf de ensino?”. Vamos lá. Vou ser breve, pois existem fontes oficiais que com certeza vao ajudá-los a entender este sistema melhor e a formarem suas próprias opinioes. Sim, porque se estou trazendo este tema aqui nao é só porque acho extremamente interessante, mas principalmente porque é um tema que gera muitas discussoes entre pessoas que acreditam que esse sistema de ensino é super positivo e outras que acreditam que é um sistema com valores bonitos, porém pouco funcionais para o nosso mundo “cruel”. Eu, sinceramente, gostaria, apesar de todas as críticas que existem, que meus filhos estudassem em uma escola baseada neste sistema e esse post é mais uma forma de colher opinioes e experiências diversas para poder ter cada vez mais certeza de que é uma boa escolha ou que, talvez, nao. :-D

O sistema Waldorf é um sistema de ensino que foi introduzido na Alemanha a partir de 1919 (por coincidência - ou nao – na cidade onde moro, Stuttgart) por um austríaco chamado Rudolf Steiner e que hoje está presente e crescente no mundo todo (inclusive no Brasil). É um sistema baseado na antroposofia. Esta, por sua vez, do grego “conhecimento do ser humano”, pode ser caracterizada como um método de conhecimento da natureza do ser humano e do universo, que amplia o conhecimento obtido pelo método científico convencional, bem como a sua aplicação em praticamente todas as áreas da vida humana.

Bom, pelo parágrafo acima já dá pra perceber que é algo bem complexo de “compreender racionalmente”, ou seja, é bem coisa de filósofo mesmo, entao pra gostar tem mesmo que ser meio “filósofo”. Agora a “filósofa” aqui vai brevemente citar o que já ouvi falar sobre as escolas que utilizam este método de ensino. Pra quem tiver “fome de saber” e já quiser informacoes completas, entre no site oficial no Brasil e entenda como funciona.

Tudo o que vou escrever aqui sao coisas que ouvi de quem estudou em escolas que seguem este modelo ou que fizeram o curso para serem professores de uma escola Waldorf, ou seja, tudo baseado em experiências reais. Aliás, se você que está lendo este post, estudou ou conhece alguém que estudou/estuda em uma Waldorf, seria super interessante se pudesse contribuir aqui deixando um comentário falando sobre a experiência ou sobre alguma coisa que deixei de citar ou, até mesmo, sobre alguma informacao que eu possa ter colocado de forma equivocada. Sua opiniao também será sempre bem-vinda, lembrando que opinioes expressas com agressividade/falta de respeito nao serao publicadas.

Bom, entao pra comecar, vou falar sobre alguns pontos que percebi que sao os que geram mais críticas por parte das pessoas que nao acreditam neste sistema (que sao muitos) e depois falo das coisas que, acredito, sustentam a funcionalidade deste.

PONTOS QUE PODEM SER VISTOS COMO NEGATIVOS:

(depois leiam este texto que descreve uma pesquisa feita sobre os “Sete mitos da insercao social do ex-aluno Waldorf”)

- O fato de não se exigir ou cultivar um pensar abstrato, intelectual, muito cedo é uma das características marcantes da pedagogia Waldorf em relação a outros métodos de ensino. Assim, não é recomendado que as crianças aprendam a ler antes de entrar na 1a série. Segundo esta pedagogia, antes deste período, o mais importante é deixar a crianca ser crianca, é deixar a crianca brincar e se descobrir sem racionalizar a vida. Segundo os críticos, esta forma de aprendizado pode ser considerada lenta e a crianca pode ficar “atrasada” e ter deficiência para acompanhar o desenvolvimento de criancas da mesma idade que frequentam escolas tradicionais. Nao acredito nisso, mas também nao tenho argumentos concretos pra convencer ninguém do contrário. É só um ponto de visto baseado no que acredito e, sinceramente, nao acredito que o fato da crianca comecar a fazer contas e a escrever apenas a partir do 7° ano vai fazer desta menos capaz de se desenvolver do que coleguinhas que comecaram a fazer isso antes. O mais importante estará sendo sempre desenvolvido: a capacidade de raciocinar, de falar e de se aceitar como é, desenvolvendo suas habilidades motoras e “humanas” (sentimentos).

- Nao existe um sistema de reprovacao e de notas como no ensino convencional. As “notas” sao simbolizadas por cores (ou estrelinhas) ao invés de números, ou seja, existem, mas sua representacao visual é diferenciada. Segundo os críticos, isso diminui a competência competitiva da crianca, ou seja, ela terá dificuldades de viver no mundo competitivo atual. Dizem que o mundo é cruel, logo a crianca tem que estar preparada para isso. Minha opiniao é que se o mundo é cruel, é porque o sistema gerou essa crueldade, entao está na hora do sistema criar algo que a combata, ou seja, um pouco de docura e humanismo nao faria mal nenhum. Enfim, percebi que aqui entram valores muito pessoais na discussao. Eu, por exemplo, prefiro um filho sensível que sofra um pouco para se adaptar ao mundo competitivo do que um filho extremamente competitivo que muitas vezes se torna insensível e sem limites para conseguir o que busca. Nao espero que ninguém concorde comigo, mas é assim que eu penso sobre este ponto. Eu mesma, que nao estudei em uma Waldorf, cresci acreditando que o mundo era cor-de-rosa e que todas as pessoas eram boas. Só fui comecar a reconhecer “crueldade” quando já estava com aprox. 23 anos de idade. É sério! Hoje estou bem mais esperta e seleciono muito melhor quem está ao meu redor, mas mesmo assim ainda acredito na bondade do ser humano e procuro sempre competir comigo mesma e nao com os outros. Complexo. Um dia explico essa minha teoria (rs).

- Nas aulas de esporte/educacao física os alunos nao jogam/aprendem a jogar futebol. Nao acho isso nenhuma desvantagem no que diz respeito ao sistema de ensino, ou seja, nao vejo isso como argumento contra válido. Se quer que seu filho jogue bem futebol, coloque ele pra jogar com primos, amiguinhos fora da escola, escolinha de futebol e pronto. Aliás, conheco alguns amigos que nao gostam de futebol, embora tenham estudado em colégios onde existiam inclusive campeonatos. Segundo uma amiga que estudou na Waldorf, eles acreditam que o futebol é um esporte muito agressivo e por isso nao está inserido no programa da escola. Com isso já nao concordo, ou seja, que o futebol é um esporte mais agressivo que o handball ou que o basketball podem ser. Mas nao deixaria de colocar meu filho em uma Waldorf baseada nesse argumento.

- O amor que os professores Waldorf devem desenvolver pelos seus alunos, e o conhecimento profundo que eles adquirem de cada aluno são outras características fundamentais da pedagogia. Por exemplo, idealmente durante os 8 anos do ensino fundamental cada classe tem um único professor que dá todas as matérias principais, isto é, fora artes, artesanato, educação física e línguas estrangeiras (em geral duas, nos 12 anos de escolaridade). No ensino médio há um professor que, durante os 4 anos, assume o papel de tutor da classe. Segundo os críticos, isso é ruim para o desenvolvimento da crianca, principalmente se o professor nao for com a cara da crianca e a “perseguir” durante os 8 anos. Também criticam o fato de ser impossível um único professor ser apto a lecionar todas as matérias durante o ensino fundamental. Eu já vejo de outra forma. Os professores Waldorf sao profissionais que estudam para serem especificamente “professores Waldorf”, ou seja, tem uma formacao toda baseada neste sistema de ensino, logo estao totalmente preparados para lidar com todo e qualquer tipo de crianca, sem discriminá-las. Pelo menos essa é a filosofia deste sistema de ensino e se alguém decide lecionar em tal escola é porque deve estar “alinhado” com tal filosofia. Sobre ser impossível um único professor estar apto a lecionar todas matérias do ensino fundamental, ainda estou em dúvida sobre ser um ponto fraco do sistema Waldorf. Teria que saber que tipo de diploma é exigido e qual o tipo de treinamento é dado para tais professores, ou seja, preciso conversar com minha amiga que fez o curso para ser professora lá e depois volto aqui. :-D

- Nessas escolas sao ministradas aulas de corte, costura, pintura e etc. A crítica é que as notas para estas “matérias” tem o mesmo peso que as notas para as matérias tradicionais (matemática, português, história e etc). Minha primeira reacao foi achar isso errado, mas depois refletindo um pouco “fora do quadrado” penso que faz sentido. Sim, porque pintar também é uma habilidade, assim como fazer contas. Sim, porque nem todo mundo é bom com números, assim como nem todo mundo é bom em pintura. Entao porque dar pesos diferentes se no fim estamos falando de habilidades que nem todos tem, mas que os que tem poderao utilizá-la na sua profissao no futuro? Há os que dizem: “mas matemática todo mundo precisa, pintura nao”. Será mesmo que todo mundo precisa ser bom em matemática? Será que é justo dizer que o cara que é bom de matemática é melhor do que o cara que é bom em pintura? Por que que todo mundo tem que ser bom em matemática? Se eu nao sou, sou burra por um acaso?

- Alguns críticos acreditam que os alunos de uma Waldorf tem menos chances de passar nos melhores vestibulares ou até mesmo de conseguir bons empregos na sua vida adulta. Estudos como o estudo já citado no início deste tópico comprovam que isso é apenas mais um mito e que a realidade é bem diferente. Lógico que alguns alunos, dependendo do curso e/ou universidade que querem estudar, acabam tendo que fazer cursinho pré-vestibular, mas também nao acho isso nenhum demérito. Por outro lado, li no site oficial da Waldorf que nos EUA as grandes universidades dao preferência para alunos que tenham estudado em escolas do sistema Waldorf, pois sabem que os alunos tem uma capacidade positivamente diferenciada. Quem quiser pode chegar esta info clicando aqui. Está em um dos últimos parágrafos.

INFORMACOES RECEBIDAS POR EMAIL/TELEFONE APÓS PUBLICACAO DO TEXTO POR PESSOAS QUE TIVERAM EXPERIÊNCIAS COM O SISTEMA WALDORF:

- Neste item vou descrever tudo que uma amiga me relatou hoje por telefone sobre a experiência pessoal dela em uma Waldorf. Já tínhamos conversado sobre o sistema, mas a única coisa ruim que ela havia relatado era que o sistema realmente cria pessoas extremamente sensíveis que sofrem muito no mundo “real”. Mas desta vez ela me contou coisas que me deixaram realmente com uma pulguinha atrás da orelha. Ela me contou que ela sofreu muito preconceito por ser “atrasada” em relacao à seus amiguinhos que estudavam em escolas convencionais. Disse que em um curso de catecismo morreu de vergonha, pois era a única que nao sabia ler nem escrever, pois, como relatei aqui, criancas na Waldorf só comecam a aprender a ler e a escrever a partir dos 7 anos de idade. Ela contou também que nos primeiros anos sua professora (uma alema que tinha se mudado para o Brasil) a obrigava a escrever com a mao direita, apesar de saber que ela era canhota, pois dizia que aquilo era importante para ela desenvolver o raciocínio do lado “correto”. Disse que gracas à Deus nao teve que ficar com essa mesma professora nos 8 anos previstos, pois esta foi substituída por uma outra que foi ótima para a turma. Contou que esta outra professora a ajudou a se desenvolver na área de conhecimentos gerais, mas fora do programa normal da escola e que isso foi pura sorte mesmo. Contou que alguns alunos que tem mais sede de aprender eram tratados com preconceito, pois eles nao tinham paciência para aprender na velocidade imposta pelo sistema Waldorf, que é relativamente lenta para os padroes do ensino tradicional. Disse que o sistema é ótimo para trabalhar o “ser humano” e suas aptidoes artísticas, mas que nao prepara realmente as pessoas para a vida no mundo real. Ela contou que até hoje sofre muito por ser tao sensível. Diz que sofre mais do que o normal quando vê pessoas fazendo maldade ou notícias ruins em geral. Sente que sua capacidade de raciocínio é eficiente, porém lenta. Disse que nao vai colocar seus filhos em uma Waldorf, pois nao quer que eles tenham os mesmos problemas que ela teve, mesmo tendo amigos que estudaram com ela que nao tiveram problemas e que hoje estao super bem e que continuam acreditando no sistema Waldorf. Por isso ela reforcou que é um tema muito complexo, pois é extremamente pessoal e cada caso é um caso. Disse que tem sim muita coisa boa, mas que é preciso ponderar se vale a pena arriscar. Bom, essas infos me deixaram bem inclinada à desistir da idéia, pois sao informacoes baseadas na prática e recebidas por alguém que cursou todo ensino fundamental em uma Waldorf. Além disso, é uma pessoa que eu respeito muito e que sempre é muito ponderada quando dá suas opinioes, além de respeitar muito outros pontos de vista.

- Uma outra amiga me enviou um email dizendo o seguinte: “Putz Maira…o seu texto é ótimo, mas a polêmica é enorme. Eu adoraria se tivesse uma escola Waldorf aqui do lado de casa, mas ao mesmo tempo, jamais estaria pronta EU, para acompanhar o tudo de “bom” que eles são e aí, o que acontece é que seu filho começa a ficar sendo o “estranho da escola”, sabe? Numa escola normal, se ele é “estranhinho” não é tao ruim, porque tem outros TAO OU MAIS ESTRANHOS. Em teoria acho eles otimos e conheco pessoas da minha geraçao, ou quase, que tem formacao waldofiana que sao seres especiais, criativos, abertos, mas não são exatamente ADAPTADOS ao nosso mundo.”

- Uma info que eu já tinha, mas que tinha esquecido de citar é que aqui na Alemanha o preconceito é muito grande com pessoas que cursaram uma Waldorf. As pessoas consideram essas criancas mais “fracas”, pois estudaram em um sistema que nao exige que a crianca tire boas notas pra passar de ano. Aliás, dizem que muitos pais que tem filhos com dificuldade de aprender realmente acabam colocando seus filhos em uma Waldorf, pois sabem que ali eles nao serao reprovados e que a velocidade de ensino dará mais chance para que eles aprendam na velocidade deles. Sendo assim, estes sao considerados menos capazes do que seus coleguinhas que estudaram em escolas com ensino tradicional.

*****RESUMINDO: o sistema perfeito seria mesmo uma mistura entre o sistema Waldorf e o sistema tradicional. Existe? Se alguém souber de alguma escola no Brasil ou na Alemanha que tenha algo parecido com isso nao deixe de nos informar, tá!? *****

PONTOS QUE VEJO COMO POSITIVOS SEM CONTRA-ARGUMENTO:

- Como na frase citada logo no início do post, esse sistema é um sistema de ensino que coloca as necessidades individuais de cada indivíduo acima das necessidades ou premissas da sociedade.

- A crianca ou adolescente é acompanhada como indivíduo no seu desenvolvimento, ou seja, os professores buscam desde o início identificar o que cada indivíduo tem de aptidao e focam no desenvolvimento desta individualmente. Isso mesmo, nao exigem que todos alunos tenham as mesmas aptidoes ou que se desenvolvam na mesma velocidade. Compreendem que cada indivíduo tem sua “estrela” e seu próprio tempo.

- Assim como nas escolas alemas em geral, nesta escola existem muitas “cerimônias” para comemorar tudo que vocês possam imaginar. Sim, eles adoram celebrar ciclos, festividades, acontecimentos marcantes na vida da crianca e etc. O mais fofo é justamente a celebracao do primeiro dia de aula da crianca. A escola fornece todo o material, inclusive uma mochila de couro igual para todos alunos. Esta é entregue aos pais e a escola pede que eles pintem algo do lado de fora da mochila que tenha a ver com o filho deles, ou seja, pedem que os pais personalizem a mochilinha de seus filhos. As criancas chegam todas orgulhosas na escola mostrando “sua” mochilinha e a arte que seus pais fizeram especialmente para elas. Elas também recebem uma coroa de flores e um “canudo” cheio de “agrados” que seus pais preparam para elas e entregam também no primeiro dia.

- Todas as criancas aprendem a tocar pelo menos um instrumento musical.

- As criancas nao aprendem através de livros didáticos “tradicionais”. Elas recebem um caderno em branco e durante as aulas anotam todo o conhecimento que é passado através dos professores. Depois, os professores pegam caderno por caderno e checam se o que a crianca entendeu está correto ou se falta alguma informacao importante. Após esta “correcao/verificacao”, a crianca recebe seu caderno de volta e é através dele que ela vai se preparar para as provas. Eles entendem que existem formas distintas com que cada crianca absorve uma informacao concreta, nao acreditando que existe apenas uma “verdade” ou “ponto de vista” absoluto. Acreditam que a compreensao dos fatos está muito relacionada às referencias individuais dos alunos e a forma como cada um enxerga o mundo ao seu redor, baseados em seus valores pessoais. Se você dá um livro com “verdades prontas” para uma crianca/adolescente você reprime nela a capacidade de ter suas próprias opinioes sobre os fatos, fazendo-a acreditar em tudo aquilo que todo mundo acredita e ela acaba apenas se preocupando em absorver “aquelas verdades” para ter uma nota boa e passar na prova. Valores e capacidade de raciocínio deixam de ser trabalhados nesse sistema tradicional de ensino.

Provavelmente eu esqueci alguma coisa importante, mas tudo que eu for aprendendo sobre este sistema (inclusive através dos seus comentários aqui), vou adicionando aos poucos e publicando.

É um sistema bem diferente do sistema tradicional que conhecemos e é natural que muita gente seja contra, afinal é um sistema difícil de compreender racionalmente, sendo muito baseado em filosofia e psicologia. Eu, sendo uma pessoa menos racional e mais emocional por natureza, me identifiquei muito com tal sistema e conheco pessoas que formaram-se através deste que sao simplesmente seres humanos fantásticos e profissionais super bem-colocados no mercado onde atuam. A única coisa que vejo que faz da vida deles um pouco mais difícil é que realmente sao mais sensíveis do que a média e sofrem muito mais com a “crueldade” no mundo. Mas pra ensinar a lidar com isso a vida se encarrega e nao exclusivamente a escola. Aliás, ironicamente, para aqueles que foram “criados” neste sistema Waldorf, aconselho uma temporada no país onde este nasceu: Alemanha. Você chega aqui um “gatinho”, mas volta um “leao”. Duvida? Entao vem! :-D

Entao é isso. Se quiser, deixe aqui seu comentário com opinioes, perguntas, críticas e/ou sugestoes. Eu nao vou “contra-argumentar”, pois já deixei minhas opinioes no post, mas tudo que escreverem vai sim me ajudar e também à todos àqueles que tem interesse nesse sistema, a compreenderem este melhor através de óticas diferenciadas. Diga lá!

[pinit count="vertical"]

95 Comentários para "ENSINO ALTERNATIVO ALEMAO – O sistema “Waldorf” (Rudolf Steiner)"

  1. Bruna disse:

    Estudei dês de pequena e me formei na Waldorf,e sem dúvida foi uma das melhores escolhas que minha mãe fez para minha vida!

  2. Iris disse:

    Não recomendo. Estudei lá por 10 anos e tenho traumas até hoje.

    • tais de nadai disse:

      por que iris o que aconteceu? estou pensando em matricular meu filho…ele é dislexico. se puder me ajudar…tais ,obrigada

    • Iris disse:

      Bullying. Tanto dos alunos quanto da professora (o que era bem pior). Eu até poderia crer que foi azar meu mas ouvi diversas histórias semelhantes vindas de outras salas e outras escolas Waldorf. Por exemplo: em duas séries abaixo da minha, 4 alunas saíram no meio do ano devido ao bullying praticado pela professora. Outra colega minha me revelou que o professor dela de outra escola Waldorf “alertou” a minha professora sobre esta aluna antes de ela se mudar para minha escola (ela era uma aluna normal). E assim, a minha professora continuou a perseguição praticada por um professor anterior. Eu sofri bullying também por ser oriental e quando me queixei para a professora na primeira série do fundamental ela disse simplesmente “não liga” ao invés de chamar o bully para conversar. Simples assim. Hoje em dia não tenho nenhum contato de quem estudou lá. Não fiz bons amigos mas o pior foi a professora que era extremamente abusiva e me humilhava na frente dos outros alunos como por exemplo (em chamada oral de matemática): “Mas isso é fácil, como você não sabe a resposta?” Sim… e depois ela recomendou à minha mãe me colocar no Kumon para suprir sua incompetência. Mas o pior foi o comentário “Nossa, está frio hoje. Mas isso não é um problema para você, né? Já que você tem bastante gordura.” (isso direcionado para meu colega que estava um pouco acima do peso). Entre tantas outras histórias… Particularmente, tudo isso aconteceu na Escola Waldorf Rudolf Steiner de São Paulo. Não sei se em outras escolas o ambiente de ensino é melhor mas posso afirmar, por experiência própria, que o ambiente não é tão mais saudável do que outras escolas quanto dizem. Podia dizer que o meu caso é particular mas já que ouvi muitas histórias semelhantes notei um certo padrão… mas, quem sabe possa ter algum professor(a) bom ainda. Não vou negar que o aprendizado é mais… “livre de pressão” também (até demais, na minha opinião). Mas talvez seu filho goste, talvez ele tenha sorte mas pesquise mais escolas antes… eu recomendo. Ah sim, me esqueci de falar que só no meu período lá pensei em suicídio. Mesmo mudando para uma escola fortíssima depois (Vértice) nunca mais pensei nisso porque os professores de lá não ficavam se intrometendo na minha vida pessoal. O choque da mudança foi bem grande também mas eu só estava tentando “tampar o buraco” de tudo (e era muito) o que eu não sabia.

    • Iris disse:

      Ah me esqueci de mencionar também uma grande contradição da minha infância: enquanto que na Escola Waldorf o ambiente era bem… isolado do mundo exterior (tanto literal quanto metafórico) eu era cobrada como uma criança de uma escola tradicional. Fazia inúmeros cursos extracurriculares tais como Kumon, piano, violino, chinês, inglês… aprendi muito, não vou negar mas estava vivendo dois mundos paralelos e contraditórios. Isso foi horrível para mim principalmente quando outras crianças da comunidade taiwanesa (super tradicional, por sinal) me vinham com comentários como “Nossa, decimal? Você está aprendendo isso só agora?” Isso vindo de uma menina dois anos mais nova que eu. Ao passo que meus colegas da Steiner podiam ter a tarde toda livre para brincar, serem felizes, serem crianças. Toda esta contradição, o fato de sempre me sentir burra e atrasada, o bullying e a minha sensibilidade só auxiliaram para que minha insegurança se tornasse cada vez mais forte. Mesmo pedindo para mudar de escola (para pelo menos me sentir semelhante às outras crianças da comunidade, para pelo menos viver uma só realidade) minha mãe me deixou na Waldorf por mais um bom tempo para “completar o ciclo”. Mesmo com as outras crianças me chamando de “nerd” ou me enviando comida de cachorro (neste caso a professora não fez nada também, na verdade ainda me intimou! Creio que o aluno que fez isso comigo deve ter distorcido tudo falando que eu que comecei e etc). Bom, meu ponto aqui é: pense, reflita muito, mas muito mesmo. Veja qual é a realidade à qual seu filho mais se adequa. Uma alternativa ou tradicional? E mesmo que ele mude de uma Waldorf para uma tradicional… Quão grande será o choque? Quão grande será o trauma do mundo real? (que pode até ser menos hostil). Mas sobretudo… pergunte, dialogue, fale com seu filho, o que ele está sentindo. Ouça-o. Crianças tem opinião também. Ouvi-las, independente do método de ensino escolhido creio que seja o melhor guia (quando chegarem em uma idade em que possam se expressar, é claro). Enquanto isso creio que observar seu comportamento, suas reações, seja um bom método também.

  3. Alê Andradas disse:

    Fiz a mudança do meu filho na segundo ano ele saiu da tradicional e passei para Waldorf,procura não ser radical,não existe nada perfeito mas eu procurava um local para formar crianças em seres seguros e criativos,percebo que diplomas e diplomas muitas vezes não leva o ser humano a sucesso profissional ou pessoal,o que nos leva é a criatividade e lá tudo isso tem sido trabalhado em meu filho.Somos uma verdadeira comunidade Waldorf,tenho dentro de São Paulo uma vida como de cidade pequena onde contamos um com os outros,os Pais se tornam muito prestativos as crianças se tornam unidas…Claro que que radicalismo em tudo prejudica,estamos aprendendo muito como Pais,o nosso contato com a escola e muito presente e as crianças são mais atenciosas,carinhosas e menos competitivas não fazendo delas seres fracos,são capazes mas sem guerra interior.Tenha oportunidade vá em palestras e tire suas próprias opiniões…eu sofri muito com outros métodos não era o que eu queria para a vida dos meus filhos. abraços e boa sorte!

  4. Héri Anaí disse:

    Uma coisa é fato, pessoas que se formaram a partir do sistema de Waldorf, são críticas, criativas e por tal motivo “sensíveis”. Mas o Sistema Capitalista não prioriza a educação, apenas estão interessados no dinheiro e em formar pessoas alienadas,ignorantes,burras… Essa formação se dá atraves do sistema formal :) . E é claro que pessoas educadas pelo sistema de Waldorf vão sofrer na nossa sociedade capitalista!!! Óbvio!!. Mas vc prefere educar seus filhos para que ocupem cargos na sociedade em que vivemos? Ignorantes consumistas? Ou uma pessoa que vai contra o sistema e consegue encontrar a felicidade na sua liberdade, criatividade?…. só lamento por vivermos nessa bosta de “Sistema Capitalista”!

  5. Marília disse:

    Minha filha de 3 anos estuda desde o ano passado em uma escola antroposofica , é bem parecida com o sistema waldorf e tem muitos seguimentos iguais , mas tem diferenças como a crianca nao fica com a mesma professora no fundamental sempre existe troca, e minha irmã está no 3 ano , estou com a mesma duvida, pois a minha irmã ainda nao tem a leitura perfeitinha, ela tem muitas dificuldades, e os professores falam que cada um ao seu tempo,ela faz reforço na escola pra melhorar e tal, mas me preocupo pois ela ja está com 8 anos completo e se ela realmente tiver uma dificuldade maior pra ler? Vou ver isso quando??? Quando ela ja estiver mais velha??? E ai? Será que vai estar atrasada neste dia? E se for tarde?
    Entao eu acho q é um ótimo sistema , mas para a crianca até 5 anos , depois eu acho q complica .

  6. Renata Cruz disse:

    Bom dia Maira, como você também sou mae e , sem duvida, buscamos sempre o melhor para os nossos filhos. Sou mae de três crianças e as três estudam em escola Waldorf. A minha filha mais velha iniciou seus estudos aos 3 anos,num colégio tradicional e eu como “boa mae”coloquei-a em inglês, ballet, natação e outras atividades extras, desde cedo, acreditando que estava no caminho correto. Passado 2 anos eu percebia um cansaco, uma falta de interesse nas atividades que estavam sendo propostas e um certo mal humor. Foi quando fui apresentada a pedagogia Waldorf, a qual desconhecia ate entao.
    A principio, confesso, que estava na defensiva quanto as propostas da pedagogia, aos métodos de ensino, afinal, foram anos ouvindo que quanto mais competitividade melhor, quanto mais cedo aprender melhor, enfim, esses clichês que as maes estão cansadas de ouvir.
    Na entrevista com a coordenadora da escola descobri um outro mundo, todo o metido, tinha uma fundamentação, muitas coisas que eles não aconselhavam, tinham um porque e eu concordava com aquele ponto de vista. Como voce mesmo, menciona no seu texto, hoje as pessoas acabam não dando valor aos seus sentimentos para alcançar determinadas metas, acabam passando por cima de qualquer coisa que esteja a sua frente e eu não acho que isto esteja certo. Quando falamos em pessoas bem sucedidas, automaticamente, ligamos a uma conta bancaria cheia, o que nem sempre é verdade!! Quantas pessoas bem sucedidas profissionalmente voce conhece, que muitas vezes saem de casa sem ver os filho e quando chegam eles já estão dormindo?!?!? Se uma pessoa está feliz assim, ótimo!!! Mas sinceramente eu não gostaria que meus filhos adotassem esse padrão!! E por isso, mesmo sabendo de todas as falhas que existem na pedagogia Waldorf, assim como em qualquer outro método que se eleja, eu fiz essa opcao por realmente acreditar que podemos formar seres humanos melhores!!!
    E muitas vezes, como voce e outras maes, também, sinto duvida se estou no caminho certo, se fiz a escolha, mas para isso, acho que infelizmente não teremos a resposta tao logo, até que eles sejam adultos e saibam o que realmente os faz feliz!!!
    Os meus dois filhos menores, também estudam no colégio e toda vez que vou busca-los tenho certeza que lá eles estão felizes!!!
    Portanto, meu depoimento é só para dizer, que como todas as escolha que fazemos na vida, existem os efeitos negativos e positivos, porem, eles serão sempre relativos, como nos ensina Rudolf Steiner a respeitar o individuo.

  7. Luiza disse:

    Olá Maira,

    Achei sua postagem interessante como um modo de ver a escola waldorf e seus efeitos sobre as crianças, comportamentos e modos de ver o mundo. Entendo os pontos levantados sobre vantagens e desvantagens do ensino e como uma ex-aluna waldorf gostaria de compará-los com a minha própria experiência.
    Fui aluna waldorf durante 10 anos aproximadamente, desde o jardim de infância até o oitavo ano. Depois mudei para um colégio comum voltado para o vestibular.
    A princípio gostaria de falar sobre os dois comentários anteriores ao meu. Acredito que ambos são verdade para mim, a experiência em um colégio waldorf abriu meus olhos para uma série de questões que são ignoradas em colégios comuns, como a experiência de estudar e fazer arte, seja através do desenho, como de trabalhos manuais. Mas por outro lado também foi uma espécie de trauma para mim, não por me sentir atrasada em relação aos outros alunos, mas pelo modo em que os alunos se relacionam entre si, com os outros e com a cidade em que vivem, ou aparentemente vivem.
    De forma um pouco mais clara:
    Durante os vários anos em que estudei nesta escola Waldorf em São Paulo tive experiências que nenhum dos meus colegas do ensino médio teve, as viagens de classe, os trabalhos manuais, a jardinagem, as aulas de desenho e música, dentre muitas outras atividades e assuntos que são tão importantes quantos as matérias comuns. Esse contato me proporcionou outro olhar sobre a realidade, como qualquer outro aluno aprendi a escrever apenas no 1 ano, o que não me tornou mais, lenta, na verdade, por muito tempo acreditei que este era o tempo comum de se aprender. Nunca tive muita pressa, minha vida rodava em torno de brincar com os amiguinho no pátio, pintar e correr ao invés de estudar e ver televisão etc… Acredito que essa vivência na infância é essencial, porém não sei como ocorreria nos dias de hoje em que a tecnologia se vê tão intrínseca ao lar, e crianças pequenas têm celulares e vídeo games.
    Quando sai da waldorf e entrei no colegial senti um pouco de despreparo, pois todos sabiam matemática do segundo grau, química nuclear e física teórica (minhas aulas até então sobre estes assuntos eram práticas e exploravam mais o conceito do que medida). Porém em menos de um ano havia me adaptado e era, inclusive, uma das melhores da sala.
    Neste momento reparei em algumas coisas sobre a waldorf que nunca havia percebido antes de entrar no colegial. A waldorf era quase como uma fortaleza que separa seu aluno do mundo externo, não digo por que as pessoas são mais sensíveis lá, mas elas desconhecem a própria cidade em que vivem. Dentre meus colegas de sala pouquíssimos haviam pegado um ônibus ou metrô (mesmo tendo 15 anos), muitos desconheciam o sistema de eleições do Brasil ou entendiam o que é favela. A waldorf fechava-se tanto em torno de si mesma que muitas crianças não viam as diferenças sociais estabelecidas no mundo. Por outro lado parecia que dentro dos muros o bullying era mais intenso do que fora, havia um aluno que tinha bolsa para estudar (afinal a mensalidade não era pouca), a partir de certo momento outros alunos descobriram e ele foi cruelmente taxado por não se equivaler financeiramente aos outros.
    Uma anedota, um amigo meu, educador em museus recebeu certa vez uma escola waldorf, como o ambiente no qual ocorreria as atividades era pequena e tinha poucas cadeiras ele imaginou que todos se sentariam no chão como iguais, pelo contrário, o que ocorreu foi uma disputas pelas cadeiras, na qual o mais rápido levava vantagem. E, para a sua maior surpresa, a professora não se posicionou sobre isso, e permitiu que esse tipo de ação ocorresse entre alunos.
    Então, por mais que a escola estimulasse a arte e a antroposofia, ela parecia negar a coletividade, amizade e vivenciar da cidade, que era a realidade do mundo de fora. Mas sinceramente não posso afirmar se isso é algo do sistema waldorf ou foi um caso específico.
    Hoje, sou aluna de arquitetura e urbanismo e posso dizer que dentre meus amigos da waldorf a maioria buscou cursos de graduação mais ligados ao campo das artes e ciências humanas, enquanto os do colegial se voltaram para cursos tradicionais como medicina direito e engenharia. Acho este um ponto positivo muito importante.
    Mas também é preciso dizer que muitos deles fazem faculdade fora do Brasil, ou não frequentam faculdade, pois podem tirar tempo livre para viajar pelo mundo (e mesmo assim nunca pisar em transporte público, independente do país). Parece que uma realidade ainda não os atingiu.
    Acho que este comentário está demasiado longo, e um tanto quanto pessoal e não conclusivo, são mais pontos que eu gostaria de levantar sobre o ensino waldorf que VAI muito ALÉM da velocidade do ensinamento e do estímulo das artes.

    Obrigada,
    Luiza.

  8. Luiza disse:

    PS: Esqueci de dizer que, na waldorf, quase não se vê pessoas de origem negra, asiática, indígena, etc.

    • Iris disse:

      Ah sim, na minha época eu era uma das poucas orientais na escola (pelo que contei tinham 5, comigo). Sofri preconceito por isso e minhas “amigas” falavam que o que eu comia era nojento… foram muito tristes meus anos lá…

  9. Evelyn disse:

    Muito bom seu post!! E com informações muito valiosas pra quem está começando a conhecer o sistema. Acredito que também há sofrimento no ensino tradicional, principalmente na parte de sentimentos e valores que são ignorados pelos professores. Mas a grande maioria da população sofre nesse sistema, sendo esse sofrimento relevado.. Um novo sistema é algo a se pensar. Beijos

  10. Amanda disse:

    Encontrei seu post porque estou a procura de uma educação alternativa, faço ensino médio em um colégio tradicional Jesuíta, chamado São Luís.
    Até o início deste ano, não imaginava que existisse outra forma de educação, soube por um professor, que percebeu o quanto andava sufocada com todo esse método e ainda ando, é muito triste ver que meus colegas só se importam com o vestibular e nada mais, estudar é decorar, sua nota fala o quanto você sabe… Mas pra mim, se estudo, estudo para mim, para o meu conhecimento e gostaria muito de ter mais tempo para estudar as coisas que eu gosto, porém não consigo, tenho que decorar milhões de fórmulas e várias outras coisas que não velarei pra minha vida… É duro, é árduo, me deixa triste perceber que o mundo funciona assim, mas eu adoraria que minha tivesse essa sensibilidade. Mas não é este o caso. Cabe a mim então, pensar no que quero para o meu filho e sem dúvidas alguma coloquei no ensino que cresci… Não por achar difícil de acompanhar e sim por achar simplesmente deshumano. Parabéns pelo texto!!! Me fez refletir mais sobre tudo que sinto…

  11. Ana disse:

    Com certeza cada caso é um caso, existem pessoas que terão traumas do sistema tradicional de ensino e pessoas que terão traumas do sistema Waldorf, o que vale é o pai e a mãe ouvirem seus filhos e tentarem seguir o que melhor se encaixa a eles. Eu estudei 3 anos no Arquidiocesano de São Paulo, me formei lá e tenho traumas horriveis, é uma escola quase que militar em seu sistema de ensino, exige que o aluno seja um verdadeiro gênio em todas as matérias, os colegas e até os professores tiram sarro dos alunos que tem dificuldade em determinadas matérias, teve épocas em que eu chorava todos os dias ao acordar e ter que ir para a escola, eu matava aula na rua, para não ir a escola, e no entanto é uma escola elitista, enorme, com um estrutura fisica completa, qualquer um se deslumbra ao entrar no Arquidiocesano, mas pra mim foi horrivel, eu odiava cada dia que tinha que pisar ali! E o que eu levei de lá? NADA! Não guardei nada do que aprendi ali, nem ao menos amigos, apenas traumas! Hoje minha filha tem 6 anos e está começando a seu alfabetizada e penso sim em colocar ela em uma escola Waldorf pois ela tem uma personalidade sensivel, e acredita que ela vá se encaixar em uma escola Waldorf, até pq escolas tradicionais cobram que as crianças sejam todas iguais, feito rebanhos de animais e não é isso que quero para minha filha.Agora, quanto a escola Waldorf não preparar a criança para o mundo real, isso cabe aos pais educarem os filhos para o mundo real e não a nenhum escola.

    • Andreia disse:

      Ana, estava lendo os comentários e pensando no que escrever sobre algumas inquietações que eles me trouxeram. Aí você tocou num ponto que acredito ser fundamental na escolha de qualque forma de educação para nossos filhos. Não é só a proposta pedagógica de uma ou outra escola que define como as pessoas se posicionarão no mundo. Há de se observar a relação familiar também! Se alguma criança ou jovem não se sente feliz ao ponto de pensar em suicídio, eu me pergunto: isso é culpa da escola ou de uma interlocução falha dos pais para com a criança? Qualquer ambiente pode gerar frustrações a depender das expectativas e do grau de envolvimento das famílias também! Se existem aqueles que não conheceram o mundo (como se nunca ter andando de onibus significasse não conhecer) foi por terem lhe tirado essa oportunidade. Isso é realidade não somente para os alunos waldorf, mas para quase todos os jovens da elite brasileira! Falar que por isso não se interessam pelo social… Acho que seria exagero. Podem não se interessar por fazer parte de uma classe específica, mais aí é outra história… Aqui em Fortaleza conheço alguns egressos da pedagógia e realmente não os identifico como seres fora da realidade, muito pelo contrário.

  12. Alejandro Cuevas disse:

    Olá, eu estudei a vida toda numa escola Waldorf, aqui no Brasil. Não só recomendo como garanto que meus filhos vindouros já têm sua vaga garantida.
    A maior parte das críticas à pedagogia é fruto da incompreensão dos valores Waldorf. Algumas pessoas se frustram pois esperavam que a escola Waldorf fosse um meio alternativo para um mesmo fim: vestibular e qualificação profissional.
    Não sei se eu fui satisfatoriamente claro… o que intento dizer é que a educação convencional prega como as finalidades últimas da educação da criança prepará-la para passar no vestibular e, consequentemente, “ser alguém na vida”.
    Esta não é a prioridade Waldorf. Nossa prioridade, enquanto sectários, é despertar a contemplação e consequente compreensão do mundo. Para o Waldorf, ser alguém na vida não é ter um emprego invejável. É conhecer-se, e ao universo.

    • Alejandro Cuevas disse:

      A propósito, quanto ao “preparo” do professor de classe, na nossa pedagogia não é necessário que seja diplomado na área em que leciona, afinal, sua função não é passar conhecimento pronto. Conhecimento pronto temos nos livros. A função do professor é causar espanto. É incitar no aluno o prazer da descoberta até que ele sorria, exultante pela existência.

  13. gisele alves disse:

    Adorei seu post!! Eu optei por colocar meu filho em uma escola Waldorf, acredito que ele esta super bem e feliz com a minha escolha.
    Entendo que o mundo nao e um “mar de rosas”, tem muita coisa ruim e cruel por ai! Mas se prepararmos nossos filhos para um mundo ruim, acabamos reforçando o que esta ai. Eu quero um mundo melhor, quero criar um ser humano melhor, que possa acrescentar algo de bom durante a sua passagem aqui na terra!
    Grande abraco

  14. airuska disse:

    Acho no mínimo ingênuo, opinar separando escolas waldorf e escolas não waldorf. Isso dá grande vantagem a tudo que não é waldorf pois todas estas outras são uma miscelânia de linhas pedagógicas onde numa visão parcial funcionam muito bem para ingressar as pessoas no mercado produtivo e econômico para que possam reproduzir aquilo que o mercado precisa. Se a preocupação de um pai é essa. Ele deve procurar uma escola tradicional. Mas se a preocupação é criar filhos autonômos, a pedagogia waldorf (não tenho dúvidas) é a melhor para o ser humano conquistar isso. Mas escolas waldorf são formadas por pessoas e não por um conceito, assim como qualquer outra escola. Portanto, o ideal é procurar uma BOA escola waldorf. Essas situações de bullying poderiam ter acontecido em qualquer outra escola não waldorf. Indicações de cursos externos como KUMON por exemplo não são indicados por professores waldorf que realmente usam como base a antroposofia.É um contrasenso. E quanto ao conceito de que esse modelo ocidental, do consumo, da insensibilização do individuo que tá aí há 200 anos é o mundo real é uma ilusão. As pessoas não querem sofrer como se isso não fizesse parte da vida. A sensibilidade só pode ser desenvolvida para os dois âmbitos: do sofrimento e da felicidade. Quem não tem sensibilidade para sofrer, não terá para ser feliz de verdade. Isso é a vida, isso é real.

    P.S.: minha filha estuda em uma boa escola waldorf, filhos de amigos também e faço curso de formação em pedagogia waldorf.

  15. Pessoal! Os comentários estão ótimos! Preciso atualizar o post, mas vou esperar um pouquinho. Decidi agora que meu filho tem 3 anos e meio mudá-lo para uma escola Waldorf. Vou ver se consigo vaga pra ele em janeiro/15. Se conseguir, volto aqui pra escrever sobre a experiência REAL! :D Beijos e obrigada mesmo pelas percepções de todos! Maira.

    • Alana Figueiredo disse:

      Maira, pelo amor de Deus, hahahaha o que te ajudou a decidir isso????

      Preciso tomar essa decisão, e estou muito perdida.. meu filho tem 2 anos e 8 meses.

      Ele esta atualmente numa escola tradicional, gosto muito de la. Porem depois que conheci a pedagogia Waldorf me encantei. Se puder me ajudar respondendo meu email te agradeço imensamente.

  16. Bruno disse:

    Começo compartilhando um artigo, pretendo voltar com mais tempo em breve!
    http://www.ime.usp.br/~vwsetzer/tirar-de-waldorf.html

    Abraços!

    • Polly disse:

      Tenho três filhos em uma escola Waldorf, mas também tenho muitas dúvidas se os mantenho ali, devido a todas essas questão já ponderadas por vocês. Tenho feito pesquisas na internet a respeito. No entanto, gostaria de deixar registradas algumas situações vivenciadas:

      1- Negativa: Há quatro anos que meu filho estuda na escola já vi muitos equívocos por parte de profissionais: pregam um ensino,mas na prática a realidade é outra. Talvez seja apenas nessa unidade em que meus filhos estão matriculados. São carinhosos, mas não vejo muita organização.

      Obs: E essa idéia de ter que formar uma associação de pais para resolver todas as questões relacionadas à escola, tanto pedagógica quanto adminsitrativamente, não me agrada.

      2- Positiva: Um dia vi um fato entre os alunos que me emocionei: Um adolescente caiu no chão e ao invés de os demais rirem dele, correram em sua direção para ajudá-lo a levantar. Não acredito que isso seja um cenário comum em escolas tradicionais.

      Não sei se é lugar comum, mas essa pedagogia é indicada, pricipalmente, para as pessoas com necessidades especiais. Fico impressionada como crianças com deficiência física, autistas entre outras deficiências são respeitadas nessas escolas e estudam junto com as demais, tranquilamente. As crianças sem necessidades especias as acolhem e as tratam por igual. Não há preconceito quanto a isso. É muito interessante. Fico muito emocionada.

      Espero ter colaborado.

  17. Julia disse:

    Foi bom conhecer opiniões diversas. Minha filha tem 10 anos, estuda em uma escola tradicional, está bem adaptada e é excelente aluna. Porém temos preocupação com o excesso de para casa, não sobra tempo pra brincar, as colegas de sala falam muito palavrão, conversam muito durante as aulas, as professoras tem que se virar para dar tanto conteúdo. Não vejo uma busca pelo querer conhecimento. Além de tudo, são extremamente materialistas, gostam de marcas e muito competitivas.
    Meu marido e eu estamos super indecisos se colocamos no ensino waldorf. É uma decisão muito difícil e tenho que tomá-la agora.

  18. Daniela disse:

    Em janeiro/15, com 5 meses e 1/2, voltarei a trabalhar e irei colocar meu bebê no berçário. Durante minhas buscas pelo Ipiranga para achar o “berçário ideal” descobri a Caliandra (Waldorf).

    Eu não conhecia absolutamente nada sobre este sistema.
    Apos conhecer o berçário e a metodologia de ensino, fiquei com vontade de matricular meu bebê pelos seguintes pontos: não há televisão no berçário, senti uma paz bastante grande, como são poucas crianças o berçário não eh barulhento e não há poluição auditiva, a comida eh orgânica. Esses pontos me fazem querer colocar meu bebe la.

    Porém, todos os demais pontos não me trazem segurança para mantê-lo por muito tempo. Pensei em deixar ele por 1 ano, sendo assim, quando ele tiver 1 ano e 1/2 eu o colocaria em um colégio convencional.

    Alguém, experiente no assunto, pode me dizer se haveria algum trauma para ele?

  19. Rosângela Santos disse:

    Só sei que minha filha de 9 anos é muito muito feliz estudando numa escola Waldorf….

  20. Minhas filhas começaram a estudar no Waldorf aqui em Piracicaba, esse ano.
    A maior estudou 3 anos em escola convencional e teoricamente ela iria para o 4º ano.Mas como a pedagogia Waldorf é diferenciada, decidimos que ela faria o 3º ano novamente. Claro que tudo foi muito conversado e estudado, para que pudéssemos (meu esposo e eu) tomar essa decisão. Confesso que fiquei com um pé atrás, porque tinha a mente “de mercado”: estudar para passar num vestibular e fazer universidade. Só que tenho como exemplo minha própria vida. Terminei o colegial aos 17 e entrei em faculdade na sequencia, sempre fui aquela chamada CDF. Hoje, onze anos depois de formada, não vi diferença alguma com meu esposo que está fazendo faculdade agora. Aliás, ele está muito mais consciente do que aprenderá e como esse aprendizado será usado-passou na USP. É bem sucedido, não em dinheiro exatamente, mas tem a própria empresa que lucra e nos dá o sustento. E sabe que ele repetiu o ensino fundamewntal em dois anos?? Então, vimos que o propósito não é nossa filha simplesmente terminar logo o colégio efazer uma faculdade, mas compreender que é uma integrante do mundo e que pode fazer o que quiser, respeitando seu próprio tempo e o que gosta. Ela é super inteligente, mas ao mesmo tempo dispersa e está sempre com a mente e o corpo cansados, já que fez tanta coisa em tão pouco tempo. Ballet, idiomas, escola período integral… ela continuará a fazer o ballet, porque é o que gosta. Mas sem dúvida a metodologia Waldorf a centrará muito mais e poderá decidir as coisas com segurança.
    E nossa menor, foi ainda para o Jardim. Ela é elétrica, precisa mesmo de uma pausa, pois sempre esteve em escola, no período integral, desde os 5 meses de vida!!! Será uma adaptação diferente para as duas, pois a maior aprendeu a ler e escrever bem cedo, e a menor, é semi-alfabetizada. Porém, acredito que terão sucesso!!!

    • Radha disse:

      Seu comentário ajudou-me tomar a decisão que precisava. Colocarei minha pequena de 2 anos na Waldorf! Quanto a maior, de 11 anos, não sei, pois a mesma rejeita a ideia. Já se acostumou ao ensino tradicional. Eu a vejo exatamente como você descreveu a sua filha mais velha:sufocada. Uma pena. Obrigada pelo relato.

  21. Sol disse:

    sou professora de artes, e dentro das aulas de pintura,trabalho uma história.Uso uma mesma história para varias idades.Sendo com atividades diferentes..
    Mas estou com duvidas se está correto não encontrei nada dizendo sobre isso.Alguem poderia me orientar melhor porfavor.

  22. Paulo Chum disse:

    Acompanhei de forma bastante próxima a experiência de minha sobrinha no ensino infantil de uma escola Waldorf e realmente não gostei nem um pouco.

    Primeiro o que vejo de positivo é o incentivo à sensibilidade, alguma forma um pouco mais alternativa de ver a vida e a participação da comunidade no universo escolar.

    Porém, a primeira coisa a destacar é que nem ela, tampouco qualquer um dos seus colegas ingressou na escola Waldorf no ensino fundamental. Embora os pais elogiem muito a escola infantil, até hoje nem um deles conseguiu expressar com um minimo de razoabilidade o porque da debandada para escolas tradicionais.

    Eu sei que é forte o que vou dizer, mas na cerimônia de encerramento do ensino infantil, eu acompanhei o discurso de um representante de algum tipo de federação das escolas Waldorf (desculpem mas não sei exatamente como funciona a organização) e tanto quanto outros parentes que estavam acompanhando esta cerimônia ficamos absolutamente chocados com o que ouvimos. O discurso todo se baseava na premissa “nós encontramos a verdade… os demais não conseguem ver a verdade por não terem atingido nosso grau de compreensão do mundo”. Isso é chocante, quase fascista. Essa visão messiânica de si mesmo, manifestada no discurso é muito perigosa, pois faz com que nos acreditemos superiores aos demais.

    Outra coisa que não pode deixar de ser levada em consideração, ao menos por quem busca um ensino laico ou mais fundamentado na ciência é que a pedagogia waldorf, como desdobramento pedagogico da antroposofia, possui natureza profundamente mística, e, ao menos para mim, esta é uma barreira insuperável quando falamos de pedagogia e educação e este foi o motivo mais importante pelo qual minha filha não ingressou nessa escola waldorf, embora sua prima ali estivesse.

    E, por fim, também acompanhei a angústia da minha sobrinha que permanentemente se comparava a minha filha cuja idade é próxima. Minha filha já escrevia e lia ao final do ensino infantil (sem que tenhamos feito qualquer tipo de pressão nesse sentido) enquanto minha sobrinha foi quase que violentamente reprimida por querer escrever o nome em seus desenhos. Assim, ao contrário de estimular a individualidade dela, a escola reprimiu esta vontade de escrever, não respeitando sua individualidade, o que me parece é profundamente contraditório com as teses que fundamentam esta pedagogia. O que me parece mais questionável, nesse caso, é a visão de que conhecimento (escrita e leitura obviamente são fontes de conhecimento) podem ser tidos como inadequados. O conhecimento nunca é inadequado e tolher o interesse de uma criança que manifesta vontade de conhecer algo é muito equivocado no meu ponto de vista.

    Eu sei que minha visão não é muito favorável, mas espero ter contribuido para quem busca aqui alguma informação direta sobre a pedagogia Waldorf.

  23. Luiz disse:

    Olá Maira

    Li todos os comentários do seu site.
    Eu e minha esposa estamos avaliando se vamos colocar nossos dois filhos em uma esc0la Waldorf.
    Como foi a sua experiencia em 2015 com a escola?
    Poderia compartilhar a sua experiencia agora que já teve a oportunidade de vivenciá-la?

    Abs.

  24. Maira mara disse:

    Ola maira gostaria de saber se a esperiencia waldorf foi boa

  25. Regina disse:

    Muito bom os comentários . Principalmente dos alunos que estudaram em escola Waldorf . Gostaria de acrescentar uma experiência de nossa família . Os pais são importante e podem participar somente no que a escola decide e permite . Tentamos discutir a questão de Bullyng na escola e fomos tratados como inimigos e lixos humanos . Então , acredito sim na pedagogia Waldorf , entretanto ela é aplicada por pessoas que nem sempre estão preparadas para uma verdadeira gestão coletiva , como prega a pedagogia. Só um alerta para nos pais ficarmos atentos . Acho que os benefícios são maiores que os malefícios , mas precisamos ficar de vigília para nao nos tornarmos massa de manobra manipulável .

Deixe seu Comentário





* Campos de preenchimento obrigatório