Polônia

Euro Copa (UEFA Euro) 2012 – Polônia e Ucrânia

Apesar de não ser seguidora do campeonato europeu de futebol, decidi escrever sobre uma notícia que me fez admirar os europeus. Na verdade não é nenhuma novidade pra quem acompanha as notícias sobre este assunto, mas meu relato aqui é mais relacionado à uma reportagem que mexeu comigo do que com o campeonato e cia. Hoje assisti uma reportagem super interessante falando sobre a escolha dos países sede para a UEFA 2012: Polônia e Ucrânia. Chorei durante a reportagem e vou explicar por quê.

A escolha desses países está muito alinhada com a mobilização européia contra o racismo existente naquele continente. A escolha, principalmente da Polônia, é uma forma de lembrar à todos europeus do que o racismo é capaz de fazer com um povo e sua história. É uma forma de dizer: “não queremos mais movimentos por hegemonia, queremos aprender a viver em harmonia com todas as raças”.

E esse é um movimento muito forte na juventude européia, apesar da mídia sempre exaltar os jovens neonazistas. Sim, eles existem, mas são minoria. A maioria vem convivendo de forma mais harmoniosa com os estrangeiros e muitos, inclusive, adoram brasileiros. Morando na europa senti esse preconceito que eles tentam eliminar (por ser brasileira), mas jamais senti isso vindo dos jovens, das novas gerações. Conhecemos jovens alemães sensacionais e muitos, inclusive, tornaram-se grandes amigos. O brasileiro ou qualquer outro cidadão de qualquer outro país que ainda insiste em dizer que alemães são nazistas é um ignorante e, o mais triste, é o verdadeiro preconceituoso.

Um dos momentos desta reportagem mostra, de forma simbólica, o respeito e o arrependimento da sociedade alemã em relação ao que aconteceu no chamado Holocausto. Me emocionou ver a delegação da seleção alemã visitando o campo de concentração em Ausschwitz (Oswiecim) na Polônia, lembrando que na própria seleção alemã existem dois poloneses naturalizados alemães, os atacantes Miroslav Klose e Lukas Podolski.

Chorei muito durante a reportagem, principalmente quando foram mostradas algumas fotos que fazem parte do “acervo” do campo de concentração. Ausschwitz conta a versão do lado vitimado com detalhes, documentos, imagens, objetos e uma energia extremamente forte e única. Vendo as fotos mostradas na reportagem, lembrei de quando estive lá e, de repente, o que senti naquele dia voltou à tona, vendo os olhos daqueles que um dia foram torturados. Acredito que foi um dos lugares mais tristes que já visitei na minha vida, mas, ao mesmo tempo e ironicamente, foi um dos lugares que mais me fez dar valor às coisas simples que vivo no meu dia-a-dia. Foi ali, em Ausschwitz, que compreendi a importância e a necessidade do terceiro maior “bem” que podemos ter após vida e saúde: a liberdade.

Enfim, parabéns à Europa pela escolha e pela mudança. É esse tipo de atitude que esperamos de todas as nações, ricas ou pobres. O mundo está precisando de tolerância e o futebol pode sim ser um instrumento útil nesse caminho. O caminho do “fair play” humano.

Para ler sobre meu relato completo clique aqui e para assistir à reportagem do Globo Esporte aqui.

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2 Comentários para "Euro Copa (UEFA Euro) 2012 – Polônia e Ucrânia"

  1. Karen disse:

    Creio que assistimos a mesma reportagem, e, por toda ela, me lembrei de você e da força do post que publicou sobre sua visita a Ausschwitz, que me marcou muito. Foi realmente emocionante a ação da comitiva alemã em usar não só o esporte, que maravilhosamente sempre teve o poder de transgredir fronteiras e unir as bandeiras, mas também sua visibilidade a favor de uma mensagem: a guerra de etnias deve ficar no passado e seus monumentos estão aí para nos lembrarmos do seu poder de destruição.
    Mais uma vez, Maira, você foi muito sensível e pertinente ao postar sobre o assunto.

  2. Luis disse:

    A Polônia e a Ucrânia são considerados os países mais preconceituosos da Europa.

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