Nova York

Faça diferente em Nova York: conheça nativos!

Minha viagem à Nova York foi inesquecível por vários motivos. Quando decidi ir à Nova York foi só pensando em comprar eletrônicos (os “i” da vida). Sério! Nunca sonhei em conhecer Nova York. Aliás, sempre dizia que a única coisa que me levaria aos Estados Unidos seriam as trilhas do Grand Canyon. Aaah como isso mudou desde que comecei a criar roteiros para meus clientes! E como me surpreendi com Nova York! Tanto que ainda não tinha conseguido sentar com tempo pra contar tudo que vivi na semana que fiquei por lá “sozinha” (e não vai ser neste post também).

Minha visita à Nova York foi um marco na minha vida, pois foi a primeira vez fiz uma viagem para fora do país para ficar SOZINHA e também foi a primeira vez que fiquei tanto tempo longe do meu filhote, agora com 1 ano e meio e do meu marido. Bom, sobre isso falarei em outro post.

Eu nunca fiz questão de viajar sozinha. Aliás, sempre achei que eu não ia curtir, pois sou o tipo da pessoa que não consegue ficar rodando por ai sem ter com quem dividir meus pensamentos, meus insights, minhas “viagens mentais”, minhas percepções, sem ouvir sobre as percepções/sentimentos de outras pessoas. Mas decidido: NY aqui vou eu! E foi um ótimo destino para viajar solo, já que inglês e caos de cidade grande não seriam problemas para a paulistana aqui.

Meu primeiro dia foi horrível. Cheguei e o dia estava cinza, com cara de chuva, depois com chuva e eu, bem eu estava me sentindo a pior mãe do mundo! Não parava de pensar no Rafa e achava que ia chover todos os dias só pra me castigar por ter “deixado” meu filho pra minha “auto-realização consumista”. Ser mãe nestas horas é $*#*! Quando chegou ao final do dia entrei no Skype pra conversar com “meus homens” e, adivinha? Chorei horrores e fiquei muito pior do que estava! Enfim, falei que ia escrever sobre isso em outro post, mas não tem jeito, me empolguei. :D

Segundo dia. Quando dormi prometi pra mim mesma que era hora de mudar a energia pra que tudo melhorasse, afinal eu com meu sentimento de culpa estava fazendo tudo ficar cinza mesmo. Acordei e o dia estava LINDO. Fui tomar café no hostel e até o donuts duro que a tia ticana dava pra gente estava uma delícia! Sentei na área externa com a galerinha e de cara já conheci um português e duas norueguesas super bacanas. Ali já percebi que a coisa estava melhorando e já fui me sentindo “perdoada” pelo cosmos (rs). Meus novos colegas iam ficar um mês lá, então estavam de boa e já tinham conhecido os lugares que eu queria ir no dia, então fui “solo” fazer meu primeiro passeio “oficial” em Nova York.

No dia anterior (o dia do terror) já tinha “conhecido” a região do Empire State Building e do Flatiron e não tinha ficado nem um pouco empolgada com aquele monte de concreto, principalmente porque sem céu azul qualquer lugar urbano perde a graça. Decidi então ir pra região balada do East Village e Lower East Side. Fui toda feliz, saltitante e otimista.  Depois de ter explorado Chinatown e Little Italy estava também, por sorte, meio perdidinha. Pois é, perder-se às vezes é a deixa pra vida te surpreender. Estava eu cansada e feliz tentando entender pelo mapa como chegar ao Lower East Side, pois estava difícil de identificar onde começava esta parte da cidade. Então estava eu e o mapa, o mapa e eu e uma multidão de gente esperando para atravessar um avenida quando de repente vem uma voz láááá do alto que diz: “Are you lost?” (Está perdida?). Não, não era Deus, era um negão de 2 metros de altura por 1 de largura com um sorriso e olhos enormes e uma super vibe. Era o Arnold, meu “amigo” nova yorquino e guia por uma tarde. Arnold é músico, professor de guitarra/baixo e tem acho que 3-4 bandas de jazz. Um bohemio super de bem com a vida, com um sorriso enorme e um carisma incrível que encantava à todos durante nosso passeio por NY. Um anjo!

Mas então…eu perdida? Imagiiiina. Olhei pra ele (láááá no alto) e disse que não estava muito perdida, só precisava entender pra que lado era o tal do Lower East Side. Ele então me perguntou: “Qual rua?”. Então eu, humildemente respondi: “Tá, eu tô perdida. Help meeeeee!”. Então ele me perguntou se eu queria que ele me levasse lá. Por 2 segundos fiquei insegura, mas ele tinha um brilho nos olhos que me deram segurança dele ser uma pessoa do bem (isso não dá pra explicar, é assim). Perguntei se não ia atrapalhar e ele disse que ele estava “à toa” e não custava nada, que ia adorar me apresentar “sua cidade”. Cara, na hora eu achei que estava sonhando! Ia ser guiada por um local em Nova York! “Just amazing dude!”. Tá, na hora também pensei que talvez meu marido não curtisse muito quando eu contasse, mas também não me preocupei tanto assim, pois sei que ele me conhece e sabe que não teria porque desconfiar de nada. Bom, pelo menos foi acreditando nisso que me “entreguei à experiência” de ser guiada por um nativo e guarda-costas de 2 metros de altura. :D

Fomos passeando meio sem rumo e o Arnold foi falando sobre cada bar legal, cada restaurante, enfim cada esquina tinha uma história que eu, adivinhem, já esqueci. Foi “too much information” pra uma tarde só! Algumas das coisas legais que ele me mostrou vou escrever depois em vários posts sobre essa viagem inesquecível. Andamos muito, paramos pra comer uma pizza de 1 dólar na Union Square, para assistir a galera jogando xadrez e depois de andar mais um pouco foi hora de ir para um “happy hour” às 17h, aproveitando os preços dos drinks que passam de 4 dólares para 8-12 dólares após as 20h. Pois é, só NY para me fazer tomar uma marguerita às 17h e ter a sensação de estar na balada, já que o bar estava lotado! Detalhe: isso não foi em um final-de-semana. Pois é: Welcome to NY! Cheers!

No outro dia foi o dia de conhecer mais um portuga e 3 brasileiras no hostel. Foram meus companheiros de NY até o último dia. Na noite em que decidimos ir pra “balada” foi a deixa pra eu conhecer mais dois nativos fofos! Saímos pra ir no BB King, mas chegando lá ficamos meio “sei lá” com a vibe do lugar. Estava meio caidinha e parecia ter gente de mais idade e tal. Não era a nossa. Comprei uma camisa pro meu marido lindo e saímos meio sem rumo. No fim eu falei pra galera que o quente eram os pubs do East Side. Sei que andamos, andamos e nada de decidir sobre a direção. Paramos em uma Starbucks pra acessar a net e pesquisar pra onde ir. Eu, já meio cansada de ficar sem rumo, decidi sair do Starbucks e procurar alguém na rua pra perguntar “qual era a boa” ali perto pra quem queria curtir música ao vivo de ótima qualidade por um preço bacana. Sai “a la loca” e encontrei um casal muuuuuito style. Não deu outra, parei os dois e perguntei se eram locais. ERAM!!! Na hora dei pulos de alegria e rezei pra eles não chamarem a polícia (rs). Perguntei e eles ficaram tentando lembrar o nome do lugar que disseram que era muito legal. Não conseguiam. Então entraram na net e começaram a pesquisar pra me dar o endereço. Desacreditei! De repente apareceu meu amigo portuga e aproveitei, claro, pra pedir uma foto com aquele casal SENSACIONAL!

Tive outros contatos inesquecíveis com locais que não registrei com fotos, mas o brilho nos olhos de todos eles é inesquecível. Um deles foi quando eu estava no meio da muvuca esperando pra pegar o ferry que passa “próximo” à Estátua da Liberdade. Eu já tinha pesquisado que o ferry era gratuito, mas, por via das dúvidas, decidi perguntar para uma senhora negra que estava na minha frente e ela foi super simpática. Disse que era gratuito e perguntou se era minha primeira vez e tal, o famoso “small talk” que eles adoram (eu gosto do “large talk”…hehehe). Ah! Citei que ela era negra, pois quando eu procurava algum nativo, apostava nos negros, já que os nova yorquinos brancos não são tão fáceis de reconhecer (na verdade, acho que não dá pra distinguí-los do monte de estrangeiro que tem lá) e os negros não são como os “negros” brasileiros, lá eles são realmente negros como os africanos (talvez um tom mais claro). Andando na rua também troquei “frases” com algumas pessoas e uma delas foi também uma negra que parou atrás de mim no farol e disse SUPER empolgada (adoro!): “Men, I just love your tatoo!”. Olhei pra trás, vi aquele sorriso enorme, agradeci e nos despedimos. E um outro contato que tive foi com um senhor que nos ajudou a achar a estação de metrô certa para ir para onde queríamos. O cara era tipo um “mendigo” que estava dentro da estação de metrô, oferecendo uns cartões para umas pessoas lá. Quando estávamos descendo a escada e vi o cara, já pensei: “Xiii, lá vem…”. Quando chegamos lá embaixo, começamos a conversar sobre aquela ser a direção certa ou não e o cara ficou olhando. Chegou perto e perguntou se precisávamos de ajuda. Eu, mais uma vez senti que o cara era do bem e disse que precisávamos ir “downtown” e não estávamos encontrando a estação certa. Ele então disse que a estação era do outro lado, foi subindo as escadas e nos chamou para seguí-lo. O pessoal ficou meio inseguro e eu tive tipo uns 5 segundos de insegurança, afinal já estava noite e estávamos seguindo um mendigo. No caminho puxei papo e ele disse que morava no Bronx (roooots) e a família em Boston. Perguntei se ele tinha nascido em Boston e ele me respondeu: “Não infelizmente nasci aqui em NY”. Perguntei o por quê do infelizmente, mas ele explicou de um jeito bem confuso dizendo que eu não iria entender, mas que não tinha orgulho de ser nova yorquino. Enfim, seja lá de onde ele for, nos levou até a estação certa (que não era tão perto de onde estávamos), agradecemos e senti que ele ficou super feliz de ter nos ajudado a troco de nada. Outro anjo.

E estes foram meus momentos com nativos que (também) fizeram dessa trip algo deliciosamente INESQUECÍVEL!  Estes momentos, mesmo que muito curtos, me mostraram que NY é muito mais do que uma apelação ao consumismo. Principalmente depois de conhecer um cara tão simples como o Arnold que me falou muito sobre NY, sobre quem vive ali, sobre a paixão que ele tem por esta cidade que ferve, sobre a multiculturalidade que ele ama e sobre o estilo de vida perfeito para quem curte a bohemia. É uma cidade que me surpreendeu e que eu voltaria sim, pois uma coisa eu digo, uma semana é MUITO POUCO, principalmente quando você tem a sorte de encontrar os nativos “certos”, aqueles que te fazem ver NY além do concreto, além do Central Park, além da Brodway. São estas pessoas que te fazem perceber que NY é muito mais interessante na base dos seus arranha-céus, com as pessoas e suas histórias nova yorkinas. Então vá (ironicamente) sem pressa e, “guess what?”: ENJOY NEW YORK CITY AS THE LOCALS DO!!!

[pinit count="vertical"]

6 Comentários para "Faça diferente em Nova York: conheça nativos!"

  1. Seu post está excelente. Gostei muito. Mas devo dizer que você “deu sorte”, e acho que até que você entende isso, principalmente porque no seu texto você fala muito que “a princípio ficou insegura em seguir” e também “encontrar os nativos certos” … ou seja, eu não quero nem pensar se algum desses que você encontrou fosse um errado.

    Hoje Nova York é muito segura, principalmente Manhattan. Da para contar nota de cem às três da manhã no meio da rua como me disseram uma vez, mas nem sempre foi assim, tem muita gente pronta para se aproveitar dos outros, principalmente turistas e outro dia mesmo teve tiroteio perto do Empire States e um outro morreu na Times Square e muito mais.

  2. JFR disse:

    Sem dúvida! Eu durante as minhas viagens eu sempre faço amizades com nativos do país pq sempre viajo ao exterior fazendo um programa de intercâmbio para aprender o idioma do país. Meu último intercâmbio eu fiz com a escola de idiomas Sprachcaffe fazendo um curso de inglês em Nova Iorque e adorei pq fiz novas amizades e aperfeiçoei meu inglês. Fica aqui a dica e experiência de melhorar a sua viagem. Passo aki o link da escola em Nova Iorque.

    http://www.sprachcaffe.com/portuguese/study_abroad/language_schools/new_york/main.htm

  3. Que perfeito, adorei a história, o post, tudo. Parabéns!

  4. Esto es realmente genial, eres un blogger muy profesional. Me he unido a tu RSS y deseo leer más cosas en este gran blog. Además, !he compartido tu sitio en mis redes sociales!

    Saludos

  5. Meire Bagoli disse:

    Amei este post.
    Sempre viajo ao exterior. Adoro conhecer cada pedacinho do lugar.
    Adoro comer bem. Vamos em 4 pessoas e voltamos com 3 malas. As pessoas acham estranho. Eu respondo, eu fui lá para conhecer as cidades, as pessoas e tudo mais. Não fui para fazer compras.

Deixe seu Comentário





* Campos de preenchimento obrigatório