Brasil

Depois de passar um tempo morando fora, decidi sempre dar um lugar de destaque à minha pátria amada e aqui está ele. Nesta página você poderá (junto comigo) desbravar nosso Brasil, desde os destinos fantásticos da nossa terrinha até mesmo as coisas simples do dia-a-dia. Ah! E aqui tem até post pra gringo que tá chegando na área, afinal ninguém é melhor pra falar da nossa cultura do que nós mesmos, certo?

Inhotim é MARAVILHOSO e é do Brasil-il-il-il!

SURTANTE! É assim que defino Inhotim. Fica em Brumadinho, MG, pertim de “Belzonte”. Não é SÓ um museu de arte contemporânea, não é SÓ um jardim botânico com espécies do mundo todo, não é só um lugar com uma paisagem única e alucinante, não é só um instituto que mudou e vem mudando a vida dos moradores de Brumadinho em Minas Gerais. O Instituto Inhotim, seu acervo e atividades são tão diversos e ricos que não dá pra querer definir como isso ou aquilo. É um paraíso recheado de natureza e arte em uma combinação totalmente equilibrada. É, sem dúvida, um lugar que deixa a gente com aquele sentimento gostoso ao pensar baixinho: “É do Brasil! É nosso! ” :D

Esse foi o único lugar do mundo que conseguiu me fazer ter mil sensações, menos o tédio. Um lugar perfeito pra iniciar um novo ciclo, já que ali é impossível não refletir a cada espaço percorrido, a cada galeria visitada, a cada fragância natural percebida, a cada obra observada, a cada móvel de madeira maciça que encontramos por toda trajetória dentro de sua paisagem.

Será que dá pra levar as crianças? DEVE! As menorzinhas até 2 anos não acho que seja “viável”, mas acima de 2 anos acho um passeio fantástico! O Rafa está com quase 3 e surtou em todas as atrações. Lógico que tem aquelas que são as queridinhas de toda criançada e dos adultos “não crescidos” também. :D

O mais legal de levar as crianças é que elas te fazem ver tudo com outros olhos. Esse toco gigante de madeira, por exemplo. Quando vi de longe lembrei do monstro do lago Ness (Escócia) que fica ao lado do lago. O Rafa, no entanto, de longe viu e saiu correndo e gritando: “Cachorro! Cachorro!”. Sozinha eu JAMAIS teria visto um cachorro ai, mas depois que ele falou vi claramente o Snoopy. Meio torto, mas era ele sim! :P

A infra-estrutura faz tudo parecer coisa de primeiro mundo mesmo! Banheiros por todos os lados, relativamente limpos no dia em que estivemos lá, restaurantes chiquerrérrimos pra quem tá podendo, lanchonete que serve um omelete divino e para se locomover tem aqueles carrinhos elétricos de golf que fazem caminhos fixos mostrados no mapa do instituto. Pra utilizar os carrinhos custa hoje R$20 por cabeça, mas crianças até 5 anos não pagam. Se vale a pena? É VITAL pra quem está com criança e quer ver tudo em um único dia. Vi alguns relatos que sempre dizem que você precisa de mais de um dia pra visitar o parque. Depende. Acho que usando os carrinhos dá pra ver tudo tranquilamente em um único dia com crianças, menos alguns filmes que demoram horas (mas com criança pequena, filme não rola mesmo). Acho que vale a pena visitar duas vezes sim, uma com criança e uma sem criança pra poder ficar mais “relaxada” e clicar mais e melhor. Mas para fazer tudo em apenas um dia, é preciso que esse dia seja quarta, quinta ou sexta-feira. Sim, porque de terça, por ex., a entrada é gratuita e ai o negócio ferve! Segundo algumas pessoas que conversamos, nesse dia tem fila pra tudo e ai, na boa, não dá pra curtir de verdade esse lugar incrível! Então já anote ai: terça-feira nem a pau! Pra quem quiser levar carrinho de bebê, é melhor sim, porque tem muito trecho que os carrinhos não passam e ai é “osso”. Nós fomos sem carrinho de bebê e ao final do dia não tínhamos mais braço e nem costas. :D

As esculturas e móveis de madeira maciça são, além de um espetáculo à parte, uma ótima pedida para paradas estratégicas. Acho que deitamos em todas que encontramos pelo caminho. Olha o tamanho dessas toras! INCRÍVEL! Nem o Rafinha resistiu e se esbaldou. :P

Para se informar sobre as galerias, os artistas e até mesmo as espécies de plantas e flores sempre vai ter uma plaquinha por perto. Eu não sou do tipo que fica lendo tudo, mas o Rafa adorou ficar suuuuper informado. Não, ele ainda não lê, mas adora uma plaquinha que só vendo. :D

Uma das paisagens que mais chama a atenção é a dessas vigas de ferro velho fincadas no meio da natureza com algumas colinas ao fundo. De longe o que chama a atenção é o contraste das cores, da matéria, da paisagem natural com aquele ferro velho relativamente organizado ali no meio do “nada”. Já quando você chega perto das vigas, a paisagem fica realmente em segundo plano e a gente se encanta com o tamanho das vigas que “brotam” do chão e parecem querer alcançar o céu azul. Sim, é uma viagem!


Mas a maior viagem de Inhotim – pra mim – foram as salas da Cosmococa. Uma galeria que traz consigo todos os sentidos e que ao mesmo tempo te faz perdê-los em alguns instantes. Segundo um moço que estava dirigindo o carrinho, o nome vem da junção das palavras cosmos + coca (de cocaína). Quando ele explicou isso, a gente nem precisou questionar, já que o lugar realmente “dá um barato” louco! É alucinante! É uma galeria escura e cada sala mexe com alguns sentidos na escuridão ou na quase-escuridão. Em uma das salas fica uma piscina que dá pra entrar. Em outra você encontra redes penduradas em uma sala escura, onde pode deitar e curtir um show de imagens e de puro Rock n´Roll ao som de Jimi Hendrix. Alucina demais! Uma sala que registrei escondida, mas que não sai nada na foto foi uma sala com o chão todo irregular, coberto com uma lona dando aspecto de mar e cheio de bexigas pra deixar o Rafa doidão da silva. Maaas a sala queridinha das crianças e da gente também é a sala das espumas. A criançada já entra lá pulando, enquanto você observa alguns pais deitados querendo cochilar e outros já preferem aproveitar o jogo de luzes, sombras e mais rock n´roll pra brincar com os filhotes. <3

Algumas galerias são mais afastadas e geralmente só quem está com tempo ou com carrinho é que vai até elas. Uma deles é o ”Pavilhão Sônico”, onde fotografei escondida o Rafinha – é proibido fotografar dentro das galerias. Quando ele entrou soltou um “uauuuu!” e depois só queria saber o que tinha no buraco, enquanto eu pensava em toda história da existência terrena e no seu futuro. E olha que eu estava sóbria! O pai? Esse só pensava que aquele lugar era perfeito pra construir uma casa dos sonhos. :P Neste pavilhão o artista perfurou um poço tubular com 202 metros de profundidade em uma das colinas do parque e inseriu seis microfones. Conectou-os então a aparelhos de amplificação sonora, que foram colocados, já na superfície, dentro de uma construção feita com aço de vidro. Dizem que quando rolam implosões nas minas da região o som é muito louco lá dentro!

Mas nem tudo em Inhotim é o que parece ser, tá? Essa água verdinha, por exemplo. Descobrimos lá que na verdade jogaram um pozinho de pirlimpimpim lá e teoricamente era pra resultar em um lago azul, mas por causa da mistura com minérios e tals ficou verdim verdim e lindo igual um lago com água de degelo. :D

Depois que passar ao lado desse lago lindo, verde e cheio de carpas imensas, eis que surge mais uma obra que as crianças amam: o Penetrável Magic Square. O Rafa não queria sair dali de jeito nenhum! Também imagina um lugar cheio de paredes coloridas, com espaço para correr entra elas e até mesmo através delas e um chão repleto de pedrinhas naturalmente lapidadas. Simplesmente o paraíso pra pessoinha.

Ele amou tanto esse lugar que eu decidi que nossa “foto família” do passeio seria ali mesmo. Mas quem disse que ele queria parar para tirar foto? Ai saiu isso ai embaixo, mas valeu pela lembrança. :P

Parada para fotos e ai é hora de continuar encontrando tesouros no meio daquele imenso jardim. Esse barco vira sua cabeça e seus conceitos de ponta cabeça. O cérebro parece ficar confuso. Na hora você pensa em inversão e a idéia do artista era essa mesma. “The Mahogany Pavillion” é uma espécie de protesto do artista. Ele usa um veleiro que é produzido na Escócia, mas com o mogno da América do Sul. Traz o veleiro de volta ao seu lugar de origem e o expõe invertido, transformando-o numa estrutura arquitetônica cuja forma faz referência a uma árvore, estágio anterior da madeira. Ele faz o repatriamento da madeira que nos foi “roubada” e ainda a transforma em obra de arte. Uma obra que não tem como esquecer.

Sai do barco, mas a natureza e as obras “perdidas” estão sempre ali, nos impressionando, nos encantando, nos fazendo refletir e outras vezes nos fazendo simplesmente admirar. Algumas não dá nem vontade de ler a plaquinha, pra acreditar que o que achamos que é, é e pronto. É a nossa visão da arte e ninguém poderá dizer que estamos certos ou errados. Cada um tem sua bagagem é ela que define como vemos as coisas. Isso é fato! Então, embora cada obra tenha sua história, aproveite cada obra para você mesmo fazer a história dela na sua vida. NINGUÉM poderá dizer o que é certo ou errado, nem mesmo o próprio criador desta.

Mas ai você continua caminhando e pega mais um carrinho que te leva pra um lugar, um lugar que te leva à uma curta trilha, uma trilha que te leva pra essa arquitetura intrigantemente espelhada exatamente no meio da mata aberta só pra ela: De Lama Lâmina, de Matthew Barney. Aberta para ela. Devastada. Ao entrar você encontra um trator gigante erguendo uma árvore branca de plástico também gigante. E, de repente, ao olhar em volta percebe aquela imagem e a sua própria imagem multiplicada em todos espelhos daquela estrutura. Eu, sem pensar duas vezes, quando vi a imagem do trator refletindo centenas de vezes, lado a lado, só pensei em uma coisa: devastação desenfreada. Mas o que era para ser dramático, se transforma em diversão quando você percebe que as imagens da sua família também são multiplicadas e começa a se divertir fazendo seu filho observar aquela “mágica”. E, pra ele não querer mais sair da galeria, descobre-se o ar saindo do chão e começa a brincadeira a la “Marilyn Monroe”. Ao invés do vestido, é a camiseta dele subindo que faz a visita se estender deliciosamente.

Depois mais trenzinho. Em um dos caminhos passamos por essa árvore suspensa. Ela está suspensa por hastes metálicas entre cinco plantas de verdade num descampado de terra vermelha. A idéia do artista Giuseppe Penone é que as copas das árvores reais em torno da artificial de bronze acabem engolindo a escultura e fundindo as formas naturais às pensadas pelo homem, numa espécie de arquitetura ao contrário. ”Usei a árvore como matéria que se plasma no tempo”, diz o artista italiano. “É um material fluido.” Surreal!

E mais natureza, mais espécies raras de vegetação do mundo inteiro, mais espetáculo a cada curva, a cada suspiro…

Bem, nem toda arte nos traz sentimentos bons. Nessa galeria imensa – Pavilhão Tunga – eu senti um vazio, uma angústia estranha, uma curiosidade confusa. Não conseguia sair, apesar de me sentir incomodada, ao mesmo tempo que fascinada. Vi uma rampa e decidi descer sozinha. Chegando lá embaixo tinha uma sala escura, com uma projeção de um filme na parede frontal. Era um filme de um túnel sendo percorrido. Fiquei ali para “me observar”, saber onde aquele túnel me “levaria”. De repente fui invadida por uma angústia muito forte, a ponto de ver meu coração disparar. Acho que tive medo do túnel, tive medo de estar ali sozinha com ele, tive medo de onde ele poderia me levar. Eu não queria ir. Então subi a rampa angustiada e de repente tudo o que estava ali naquele pavilhão ficou “normal”, interessante e sempre intrigante. Foi sem dúvida um dos pavilhões que mais mexeu com meu “eu” medroso e só hoje fui ler mais sobre ele e o artista responsável. Agora toda minha angústia virou admiração. Não canso de ler sobre suas obras! Essa fonte é bem legal: http://goo.gl/OVs5KE.

Saindo de lá, pegamos mais uma vez o super trenzinho e seguimos já nos preparando para a despedida, já que o pequeno estava esgotado e nós também. No caminho de volta encontramos essa galeria com esse lago de uma azul hipnotizante, mas como estávamos cansados nem entramos. Já valeu a paisagem, a arquitetura e o azul!

Além do pouco que consegui registrar, ainda lembro de quatro outras “atrações” que achei sensacional. A primeira foi a obra de Cildo Meireles: “Desvio para o vermelho: Impregnação, Entorno, Desvio”. Na recepção do instituto achei “interessante” quando perguntei à moça que nos vendeu os ingressos, onde estavam as principais atrações interativas pensando no Rafa e ela ao falar desta sala disse que pra ele talvez não fosse interessante porque era tudo vermelho de menina. Como eu evolui muito nos últimos anos ignorei o comentário machista e sem sentido e o Rafa ADOROU o lugar! Pra ele, a cor não foi o chamariz, mas sim os 3 ambientes, as surpresas, as descobertas, os sentidos despertos. A primeira sala é cheia de apetrechos em diferentes tons de vermelho. A aglomeração me chamou a atenção, a cor não. O mais interessante foi quando visualizei uma garrafa pequena de onde “escoava” de forma estática um líquido vermelho como se fosse uma tinta e essa mancha escoava infinitamente até um ponto onde tudo se tornava escuro e a única coisa possível de se enxergar era uma pia branca de banheiro colocada de forma torta, com a torneira aberta, da qual saía um líquido vermelho. Ali a sensação foi de continuidade. Não sei explicar. E a mancha nos levando à total escuridão apenas com a luz sob a pia foi uma sensação muito louca. Sério! Muito louca mesmo! Rafinha pirou demais com a escuridão e as surpresas reveladas no percurso. Sério!

Uma que todo mundo fala é a obra onde você pode andar sobre cacos de vidro. Aconselho a segurar na mão da criançada, já que os cacos deslizam uns sobre os outros e numa dessa deslizada já sabe, né? A pequena pessoa cai com tudo em cima de um “mar de cacos”. Não acho que vai ser muito grave, afinal todos são “lapidados” no contorno, mas é melhor evitar. O ponto mais interessante nessa experiência é que essa é uma obra que muda o tempo todo, já que ao permitir aos visitantes que pisem nos cacos, o artista permite que as pessoas alterem sua obra. Gostei do conceito, mas a sensação não achei boa não. Prefiro pisar no piso mesmo. :P

Outra galeria interessante foi a obra de Rivane Neuenschwander. Continente/Nuvem (2008) é uma obra cinética que ocupa totalmente o teto da casa mais antiga do instituto. Quando você entra, custa a perceber o que é que tem naquela casa e de repente percebe sutilmente um movimento sobre a sua cabeça. A obra consiste em pequenas bolas de isopor que se movem aleatoriamente sobre um forro transparente, ativadas por circuladores de ar. Esse estímulo cria formas abstratas monocromáticas que aludem ao mesmo tempo a mapas e ao movimento das nuvens no céu. O Rafa adorou ficar observando o movimento delas e tentando entender o que era aquilo e porque se movimentavam.

E uma terceira obra não registrada através de imagens, foi uma das mais sensacionais do ponto de vista acústico. A obra “The Murder of Crows” de George Bures Miller e Janet Cardiff te deixa em transe no meio de dezenas de caixas acústicas espalhadas de forma organizada pelo pavilhão acusticamente isolado. Imagina você no meio de uma orquestra, onde cada músico, cada instrumento é substituído INDIVIDUALMENTE por uma caixa acústica. É isso. Quando você está ali sentado no centro, ouve uma coisa só, uma orquestra. Quando se aproxima de cada caixa percebe que de cada uma sai um som diferente, único. Eu só não consegui ficar ali muito tempo porque os pernilongos estavam insanos, mas a visita e a exploração valem super a pena. :D

E aqui acabou nosso primeiro passeio nesse lugar fantástico. Acabou o passeio e exatamente no caminho para o estacionamento acabou também a pilha duracell do Rafinha. Agora temos certeza que ele será um ótimo acompanhante em nossos passeios cult por ai. :D

Não visite Inhotim, SINTA Inhotim! <3

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8 Comentários para "Inhotim é MARAVILHOSO e é do Brasil-il-il-il!"

  1. Ana Cunha-Busch disse:

    Uau, que Lugar! E como seu menino tá grande! Um tempao nao passava por aqui, bela surpresa!

  2. Vera Maria disse:

    Querida Maira, vc é sempre demais … e escreve divinamente …. adoro … muito grata por me apresentar Inhotim, quero muito conhecer e com todos os seus comentários a vontade só aumenta. Super hiper mega abraços e beijos pra vocês … agora o mundo é dos três … lindo … muito lindo … Gratidão gratidão gratidão … Beijinhos de bem viver e alegria!!!!

  3. Verônica R disse:

    Adorei o post! Tenho muita vontade de conhecer este lugar. Será que vc pode me indicar lugar para me hospedar e como ir de ônibus até o museu? Será que só de carro é que dá para ir? bjss

  4. Alessandra disse:

    Má, com esta descrição maravilhosa, deu vontade de pegar o carro e sair agora para visitar este lugar fantástico e mágico…
    Muito agradecida por compartilhar lugares, momentos incríveis como este, que talvez jamais saberia existir no nosso Brasil.

    Simplesmente amei Inhotim sem conhecer…
    Beijinhos
    Alê

  5. evangelina oliveira silva disse:

    Boa noite,Maira!!!!!!!!! Estou com nó na garganta…Que emoção!! Inhotim é de fato maravilhoso! Já estivemos lá,(meu esposo, o Rei Arthurzinho e eu)registramos várias atrações, mas sei que tinha mto mais para ser visto. Sou mineira, mas vivo em São Paulo. Voltarei à Inhotim nas próximas férias, tá decidido!

    *Conheci seu blog por acaso… me apaixonei…

    • Oi Evangelina! Que delícia ter uma mineirinha por aqui sô! :D Lá é lindo e vale a pena demais voltar SIIIMMM! Eu mesma quero ir de novo. ;) Bjks e obrigada pelo carinho! Má

  6. Juca Pikamole disse:

    Inho…inho ví inhotim eita lugazinho bonito ta dimais de bão

    Juca de Formiga/MG

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