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MATERNIDADE – Relato do Parto

Dia 25/02 surgiu, definitivamente, a tal “marca”. Alguns dias atrás tinha surgido “algo” meio castanho que eu achava que era o tal “sinal”, mas nao era e nao me pergunte o que era aquilo (rs). Essa agora era uma “gosma” transparente misturada com tracos de sangue: exatamente como algumas maes me descreveram. Entao desta última vez nao havia dúvida: o trabalho de parto estava para comecar.

Continuei minhas atividades normalmente, só um pouco mais ansiosa que o normal. No dia 26/02 aprox. às 3:30am comecaram contracoes fracas, porém mais fortes do que as dos dias anteriores e em intervalos menores. Procurei ficar tranquila, apesar de saber que o trabalho de parto já estava efetivamente acontecendo. Pra tirar “a prova” fui tomar um banho quente, pois as contracoes verdadeiras costumam ficar mais fortes e doer mais nessa situacao, enquanto as chamadas contracoes de exercício enfraquecem. Dito e feito: entrei no chuveiro e as contracoes ficaram mais fortes. Deitei novamente e fui observando os intervalos e intensidade. Até as 3:00pm estavam, digamos, leves e tranquilas. Mas depois das três da tarde o bicho comecou a pegar e ai comecei a sentir contracoes cada vez mais fortes e uma dor nas costas do outro planeta a cada uma delas. Eu achava que a dor maior seria na barriga, mas o pior mesmo é a sensacao de que suas costas estao abrindo. Continuamos acompanhando, esperando que as contracoes acontececem de 10 em 10 minutos no período de uma hora para “correr” para a maternidade. Mas quem disse que isso aconteceu? Elas aconteciam em intervalos totalmente irregulares e quando já era dez da noite comecaram a acontecer a cada 5 minutos e cada vez mais fortes. Nao tive dúvida: pedi pro Rô e pra minha mae pra a gente arrumar as coisas e ir pra maternidade. Intuicao de mae. :-D

Chegamos na maternidade e já fomos direto para a sala onde sao feitos os partos normais. Chegando lá explicamos “o quadro”, entregamos a guia que o médico nos deu na última consulta, meus documentos da gravidez e do seguro de saúde e esperamos um pouco. Uma das parteiras nos chamou, mas só o Rô pode me acompanhar no comeco e minha mae ficou aguardando do lado de fora. Chegando lá me encaminharam para uma médica que fez um ultrassom para ver a posicao do bebê e também me “apalpou” para ver se já havia dilatacao. Segundo ela, o Rafa já estava na posicao quando cheguei no hospital e eu já tinha algo em torno de 3-4cm de dilatacao. Disse que para uma primeira gestacao minha dilatacao estava ótima e isso me deixou animada, esperando por um parto mais rápido e, talvez, menos dolorido. Ilusoes de mae. :-D

Depois de fazer algumas checagens, a parteira que nos acompanhou nos levou para a sala do parto. Um espetáculo! Uma sala com tudo que uma grávida querendo parto normal precisa e muito mais: uma cama deliciosa, uma poltrona fantástica, uma banheira que infelizmente nao deu tempo de provar, um rádio que eu poderia ter colocado um CD meu (nem pensei nisso), uma daquelas bolas de pilates e nada daqueles equipamentos típicos de quarto de hospital. Um verdadeiro hotel 5 estrelas antes das contracoes e 10 durante elas. :-D

Depois dos exames a parteira me ofereceu gentilmente um SUPER-supositório. Aaaahhh vai falar que nunca usou um (rs)? Ela disse que eu nao era obrigada a usar, mas que psicologicamente ajuda, pois na hora de fazer forca nao precisaria me preocupar em, acidentalmente, passar vergonha. O problema foi a hora que vi o supositório. O “caninho” era tranquilo, mas a quantidade do líquido que seria introduzido foi o que me assustou. Devia ter uns 250mL naquele troco. Mas, o que a gente nao faz pra manter a classe até mesmo na hora de “tentar” parir. :-D

Chegando nesta sala é partir pro trabalho literalmente. Minhas contracoes foram ficando cada vez mais intensas e, pra aliviar, fomos testando tudo que tinha no quarto. Percebi que de pé doía menos no comeco, mas no final nao tinha posicao que diminuísse aquela dor. Acho que a única coisa que realmente me ajudou no meio daquele oásis foi a presenca e participacao efetiva do Rô. Ah! E a calca dele também, porque a cada contracao era nela que eu me agarrava pra aguentar a dor. Nao vou me estender muito falando do Rô aqui, pois ele merece um post especial nao só pelo que representou neste momento, mas pelo o que vem representando também agora como pai e marido. AMO!

As contracoes foram aumentando e os intervalos ficando cada vez mais curtos. Eu já estava exausta e o coracaozinho do Rafa dava sinais de que ele também já estava chegando no limite (o normal seria algo em torno de 120 e ele estava apresentando aprox. 180). Chegou um ponto, aprox. 24hs depois das primeiras contracoes, que elas comecaram a acontecer uma atrás da outra e em uma intensidade absurda. A parteira me perguntou se eu nao queria nenhum medicamento pra diminuir a dor. Pois é, até este ponto eu estava ainda insistindo e acreditando em um parto natural como eu queria. Mas eu já estava no meu limite e perguntei sobre algo homeopático. Ela me trouxe umas bolinhas e disse que aquilo nao diminuiria a dor, mas ia aumentar o intervalo entre uma contracao e outra. No comeco parece que ajudou, mas nao demorou muito percebi que aquilo também nao estava adiantando, eu precisava virar um pote inteiro daquilo (rs). Esperamos mais um pouco e ela me examinou para ver a dilatacao e a posicao do Rafa. Sobre a dilatacao estava ótimo, pois já tinha chegado nos 7cm, mas o Rafa, bem o GPS dele parece ter quebrado e ele tinha comecado a querer ir na direcao oposta à saída. A parteira entao me aconselhou a tomar uma PDA pra que ela tentasse empurrar ele e ver se ajudava no encaixe. Aceitei, pois eu já estava esgotada. Fiquei esperando alguns minutos até que a equipe de anestesistas e uma médica chegassem pra fazer o “servico”. Nao senti nada. Afinal, pra quem já sentiu contracoes fortes sem intervalo um dia, o conceito de “dor” muda radicalmente (rs). Aplicaram a tal PDA fraquinha e em pouco tempo a dor sumiu. Naquela hora eu agradeci o cara que inventou a PDA. Sério! Essa nao imobiliza as pernas, ou seja, continuei me movimentando e tal. A única diferenca é que nao sentia mais dores, apesar das contracoes continuarem. Fiquei deitada de lado, esperando que o Rafa encontrasse o caminho de novo, quando de repente “ploft”: estourou a bolsa. Eu estava tao grógui que só senti mesmo quando fiquei enxarcada, mas o Rô conseguiu ouvir quando ela estourou. A sensacao é de uma bexiga de água estourando.

Depois que a bolsa estourou o tempo comeca a ser um fator importante, pois sem o líquido o meio nao fica mais tao “amigável” para o Rafa e o risco de infeccao também aumenta. Resumindo, a partir deste momento, nao dava mais pra esperar muito. A médica esperou aprox. uma hora e voltou pra me examinar e ver em que pé estava. Disse que a dilatacao nao tinha aumentado (continuava em 7cm) e que o Rafa, pasmem, tinha subido mais um pouquinho ao invés de descer. Além disso, me alertou sobre os batimentos cardíacos dele, que estavam muito acima do normal e que, caso o parto normal fosse realizado, a tendência na hora do “vamô vê” é que o batimento da crianca suba ainda mais e isso poderia ser arriscado, considerando que ele já estava no limite. Me disse que eu tinha sim a opcao de esperar mais, só que ela estimou que demoraria, no mínimo, mais umas 6 horas para eu alcancar 10cm de dilatacao. Dentro deste quadro ela, com todo jeito do mundo, me aconselhou a optar pela cesárea. Na hora lembro de ter ficado um pouco triste, mas já estava tao esgotada e com tanto receio do Rafa ter sequelas por causa do batimento cardíaco dele que nao pensei duas vezes após ela explicar detalhadamente o por quê daquele conselho: eu disse sim. Naquele momento nenhum desejo meu era maior do que o desejo de ter o Rafa, enfim, nos meus bracos com saúde.

Primeiro a médica veio com um formulário cheio de informacoes assustadoras sobre os riscos em uma cesárea. Ela lendo e eu pensando: CORTAAAA!!! :-D Nao lembro de nada do que ela disse. Sério.

E eles voltaram. Os anestesistas. Dessa vez pra aplicar “A PDA”, ou seja, uma dose de respeito que tirou minha sensibilidade da cintura pra baixo. Depois o anestesista chefe ficou me observando. Só lembro que meu coracao disparou durante a aplicacao e também lembro de tremer muito durante alguns minutos, mas nao era de frio. Segundo os médicos, isso é normal acontecer. Logo chegou a maca pra me levar para a sala de cirurgia e o Rô acompanhou alguém para colocar a roupa para me fazer compania durante a cesárea. Chegamos na sala de cirurgia e lembro do meu coracao disparando de novo. Dessa vez por causa do medo de que algo desse errado e também porque NUNCA entrei numa sala cirúrgica, muito menos para ser operada. O máximo que tive de cirurgia foi a retirada da metade da minha unha do dedao por causa de uma unha incravada. Só!

Fiquei lá deitada vendo aquele monte de gente (entre 8 e 10) pra lá e pra cá, enquanto eu esperava pelo “ato final” com os olhos quase fechando, afinal já fazia mais de 24hs que eu nao dormia. O anestesista ficou o tempo todo atrás de mim, acompanhando meu quadro. Alguns minutos depois deles terem colocado aquele pano tampando minha visao em relacao à minha barriga, entrou o Rô e sentou ao meu lado. Lembro que demorei a reconhecê-lo. Sei lá, com aquela roupa ficou difícil e acho que também estava meio lesada. Só o reconheci quando ele sentou, pegou na minha mao e disse que estava ali, pra eu ficar tranquila – pausa para chorar – e foi o que aconteceu. Vê-lo ali ao meu lado me deu uma paz deliciosa e na hora lembro de ter pensado em como fui abencoada de poder ter o pai do meu filho e o homem que eu amo ao meu lado neste momento. Ficamos nos olhando enquanto os médicos faziam “o servico” e juro que nem vi o tempo passar. Apesar de nao sentir dor, sentia os movimentos e “meio” que sabia o que eles estavam fazendo ou em que parte do processo estavam. Senti quando comecaram a fazer forca para tirar o Rafa e o Rô ficou assustado com a maca chacoalhando neste momento. Eu lembro de ter imaginado um médico empurrando e o outro com o pé em cima da maca pra ajudar a puxar o Rafa (rs). Sério! É essa sensacao que tive pelos movimentos que senti. Depois de alguns minutos…o choro. O choro de “cheguei!” do Rafa e o nosso de “seja bem-vindo à vida filho!”. Foi, sem dúvida, um ou “O” momento mais feliz das nossas vidas – outra pausa longa para chorar.

A enfermeira passou com ele do nosso lado e parou uns 10 segundos nos mostrando aquele serzinho lindo e nos desejando parabéns. O anestesista, que estava encostado atrás da minha cabeca, também nos parabenizou, dizendo que tinha corrido tudo bem. Eu e o Rô ficamos lá chorando juntos enquanto a equipe terminava o procedimento. Depois a enfermeira chamou o Rô para acompanhar os primeiros exames no Rafa e lembro da carinha dele (do Rô) sem saber se ia ou se ficava comigo. Disse pra ele ficar tranquilo e ir ver nosso pequeno. Depois disso só lembro de fechar os olhos e ter dado uma cochilada. Estava aliviada, realizada e literalmente anestesiada de tanta felicidade.

É isso. O parto nao foi do jeito que eu desejei, mas foi como tinha que ser. E o que me conforto é que, apesar de ter sido cesárea, vivi quase todos os sentimentos de uma parto normal e o Rafa veio ao mundo no dia que escolheu. Nem um dia a mais, nem um dia a menos. Talvez por isso ele tenha nascido tao prontinho e até com cara de hominho. :-D

Próximo post: PÓS-PARTO. Aguardem! É no pós-parto que vocês vao entender porque cesárea NAO é DE LONGE a melhor opcao quando se tem tudo para ter um parto normal. Aliás, vai ver que foi por isso que acabei tendo cesárea: pra poder dizer que nao vale a pena usá-la quando esta nao é uma necessidade.

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6 Comentários para "MATERNIDADE – Relato do Parto"

  1. Natália Mesquita disse:

    Sem palavras… ao final me vi em lágrimas. :) Beijos e parabéns pelo Rafael e por sua determinação nesse dia.

  2. Mary disse:

    Quanta emocao, ate chorei de felicidade. Parabens aos tres :)

  3. Ana Masson disse:

    Oi, Maira!!! Parabéns, que felicidade…
    Isso mesmo, concordo plenamente com vc: seu parto foi como tinha que ser! Só de não ter sido uma cesárea marcada, vc respeitou o Rafa, esperou o sinal de que ELE estava prontinho pra vir! E ainda bem que tem esse recurso qdo as coisas saem um pouquinho do caminho imaginado… Ele é lindo, perfeito, uma fofura…
    Um grande beijo!!!
    Ana e Teresa (35 semanas…)

  4. Shanya disse:

    Emocionante, Ma. Parabéns pela garra de vocês neste dia tao especial; o Rafa chegou com saúde, voce está aí cheia de forca e a família está formada, o mundo é dos três. Curtam tudo o que é de mais valor nessa vida, muita saúde.. beijos com carinho.

  5. Lucimara Ganhito Lambert disse:

    Ma, eu entendo muito bem este seu dilema entre parto normal e cesárea. Quando estava grávida sonhava com um parto normal, todos diziam que seria fácil pois eu tenho quadril largo. Só que, aos seis meses o meu bebêzinho se tornou um bebezão e simplesmente não tinha virado e não viraria mais pois não tinha espaço. Em prantos falei com meu médico e ele me disse: “Lucimara, parto bom é aquele em que dá tudo certo! Não importando se é cesárea ou normal”. Diante disso a gente se conforta e relembra da máxima: “Querer não é poder” e que Deus sabe muito bem o que faz! Beijinhos Lu

  6. Margarete disse:

    Parabéns mãezona, pois é otimo esta sua consciência de deixar bem claro para todas as mulheres que o Parto normal(natural) é a melhor opção e se acontecer uma cesariana é consequencia.
    Parabéns + uma vez pela sua coragem!!
    O meu nenem esta à caminho e seja o que Deus quizer + como ja tive um parto normal à 12anos, espero que se repita.
    Beijos Margarete

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