MBA

MBA – Final do 1o semestre

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Sexta-feira (10.07.09) foi minha última prova do primeiro semestre do MBA e meu último dia também. Eu estava absolutamente inebriada de alegria, até mesmo antes de fazer a prova. Na verdade, eu já estava feliz pelo que tinha alcancado até ali e nada e nem ninguém conseguiria me derrubar naquele momento. Maaaas TUDO nessa vida pode ser melhor, ou seja, hoje acabo de receber as notas da última prova e…. tchan tchan tchan tchan… PASSEI EM TUUUUUUUUDO!!!!!!!!!!!!!!!!!! ((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((-:

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Bom, mesmo antes de saber disso já providenciei muitas comemoracoes que pelo jeito só vao terminar em outubro. A primeira foi na Uni. Eu parecia uma boba alegre, mas fiquei feliz por ter botado pilha na galera e ter visto que todos precisavam daquilo. Pois é, 2 semanas antes do final NINGUÉM tinha agitado absolutamente nada para o último dia, nem ao menos se falou em foto do grupo, mas é pra isso que serve brasileiro: pra fazer a festa! Mandei um email pra turma e, apesar de quase ninguém ter respondido (percebi que alemao nao gosta muito de responder emails..hehehe), no último dia percebi que todos concordaram com a idéia e resolveram festejar e, além disso, pra minha surpresa estavam todos (de repente) empolgadissímos com as fotos. Foi o dia mais gostoso do semestre, onde eu senti o nosso grupo pela primeira vez como um grupo. Por isso insisto em dizer que vale a pena sempre tentar algo que seja para promover felicidade, mesmo que você corra o risco de ser ignorada ou até mesmo xingada. Dessa vez nao foi diferente, botei a cara pra bater e a vida mais uma vez me acariciou. (((-:

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Agora vou falar um pouco (se é que possível) desse primeiro semestre e de tudo que observei e que vivenciei até aqui no quesito intercultural. O post é gigante, mas JURO que vale a pena ir até o final. Vem comigo! ((((-:

Bem, como muitos sabem, estudei apenas um ano alemao na escola e no outro ano estudei em casa para fazer o tal teste de proficiência (TestDaf). Fora isso, a única coisa que fiz (e a mais importante) foi fazer amizade com alemaes e estrangeiros, pois assim pude praticar o alemao me comunicando com essas pessoas (sim, quase nao tinha colegas brasileiros), com quem mantenho contato até hoje. Mas o vocabulário que eu tinha era apenas pra fazer amigos (que pra mim é o mais importante..ahaha), mas nao era apropriado ou suficiente pra discutir economia, política, administracao de empresas, contabilidade e etc.

Pois é, mas no MBA meu vocabulário pra fazer amigos também foi muito útil, justamente pra ter alguém pra quem perguntar TUDO que eu nao entendia, sem parecer interesseira, afinal nao conversávamos somente sobre coisas do MBA, mas sim sobre tudo relacionado às nossas vidas pessoais. E isso ajudou um bocado a ganhar aproximacao e apoio de muitos dos meus colegas. Foi mágico poder conhecer pessoas abertas à fazer amizade de verdade, pois isso é cada vez mais raro e odeio amizades superficiais, onde as pessoas só falam de banalidades o tempo todo, mas nao se preocupam de verdade com o outro. Por isso digo que fui mais uma vez abencoada com os serzinhos que pintaram no meu caminho. (((-:

Nos primeiros dia me senti um pouco perdida, afinal era tudo novo e nao é fácil saber com quem se pode contar. Fiquei na minha e logo meus anjinhos comecaram a me apresentar pessoas maravilhosas, que se aproximaram de mim espontaneamente e logo se tornariam essenciais. Com o tempo fui reconhecendo em outros colegas potenciais amigos e nao esperei muito para fazer a aproximacao sempre recompensadora. Tive decepcoes também, mas essas nao contam, pois sempre acontecem e nao podemos dar peso à elas. Sai zica! (((-:

A minha sorte é que esse curso é um mesclado de estrangeiros e alemaes, ou seja, estou convivendo (como queria) diariamente dentro da cultura alema, mas, por outro lado, também estou (como sempre quis) convivendo com gente do mundo todo. Olha só os países presentes até agora: Alemanha, Brasil, Equador, Bulgária, Ucrânia, Bielo Rússia, Rússia, Índia, China, Korea, Grécia, Camaroes, Romênia, Albânia, Egito, Laos e Cazaquistao. Nao é o máximo!? AMO!

A presenca de estrangeiros é ótima, pois nós nos entendemos por estarmos vivendo a mesma situacao. E a importância de ter estrangeiros já fica clara logo no primeiro dia de aula, pois tivemos uma separacao instantânea entre alemaes e estrangeiros logo no comeco. É triste, mas é natural. No comeco eu era meio crítica em relacao à essa segregacao, mas com o tempo você percebe que ela é natural e comeca a aceitá-la, mesmo nao concordando que as coisas tenham que ser assim. É natural, pois em cada continente existe uma cultura diferenciada, logo o modo de pensar e analisar é também diferente. Aos poucos, você vai descobrindo que é diferente, mas que também existem semelhancas e só entao é que alguém de um continente se torna amigo de uma pessoa de outro continente: por causa das semelhancas. Eu mesma estou vivendo isso, pois conheci muita gente bacana, mas minha “melhor amiga” no curso é a Raquel, uma equatoriana. AMO conversar com ela, pois ela me entende 100% e vice-versa. Mas sei que ela só me entende, pois temos os mesmos pontos de referência, ou seja, conseguimos olhar para o mesmo lado e quando conversamos nao é preciso explicar muito sobre o que estamos falando ou interpretar, simplesmente absorvemos e respondemos espontaneamente. A conversa dessa forma é deliciosa e isso nao acontece com os demais. Dentro das culturas presentes no meu grupo, as que achei o modo de pensar mais próximo do nosso veio de um chinês e de uma egípcia do Cairo (bem moderninha) muito doida. Eles sao realmente ótimos e a cada conversa, descubro mais semelhancas e fico mais apaixonada pela cultura deles e vice-versa.

Mas, sem dúvida, o mais interessante é estar convivendo com os alemaes todo santo dia. Sim, existem muitos alemaes bacanas e que te ajudam, mas nada vem tao fácil. Sao 12 alemaes e a aproximacao foi difícil com todos eles e ainda é com alguns deles. Sao pessoas, NO GERAL, muito reservadas e demora até te darem um voto de confianca. No comeco teve umas duas que pareciam ser SUPER bacanas e abertas, mas com o tempo descobrimos que sao duas cobrinhas criadas. Nao fiz nenhum super-amigo-alemao, mas fiz alguns colegas que sao pessoas bem bacanas e que me ajudaram sempre que eu pedia e, pasmem, até mesmo sem eu pedir. Mas essa aproximacao nao foi à toa, ou seja, só ganhei “pontos” porque eles perceberam através de trabalhos em grupo que fizemos que eu nao brinco em servico. Viram que me dediquei 100% ao trabalho, inclusive deixando de dormir pra finalizar o que faltava. Isso foi muito claro pra mim, pois até entao nao tinha muita esperanca que eles se aproximassem, mas depois desses trabalhos a comunicacao ficou muito melhor e isso me soou como “recompensa”. ((((-:

É como eu sempre digo, a cultura alema pode nos ensinar muito, mas eu ainda tenho certeza que eu nao faco parte “disso”, pois sou MUITO MAIS brasileira. Aliás, uma vez minha colega Karuna (Laos) me mandou um email dizendo: “Maira, du erfüllst wirklich das Klischee einer brasilianerin” (Maira, você preenche de verdade o clichê de uma brasileira). E é a mais pura verdade! Mas, mesmo assim, tenho que dizer que já mudei um pouco por causa da convivência com a cultura alema e isso eu nao tenho como fugir. Vou citar alguns pontos abaixo sobre o que identifiquei nessa cultura nesse semestre e ai já digo o que “peguei” e o que nao “pegou”:

- Plaquinhas de identificacao: primeiro dia de aula, o professor pediu para escrevermos nosso nome em um papel e posicionar na mesa para que ele e nós fossemos nos acostumando com o nome dos colegas. Eu peguei o papel e escrevi simplesmente meu nome, ou seja, “Maira”. Já os alemaes escreveram ou apenas o sobrenome ou o nome inteiro de trás pra frente, ou seja, primeiro o sobrenome e depois o nome. Eu nao faria e nao farei isso. (((-:

- Garrafa d´água: desde a época em que fiz cursinho peguei a mania de sempre levar uma garrafinha de água sem ser gaseificada de 500/600mL pra todo lugar e agora na Uni nao é diferente, ou seja, sempre estou com a minha garrafINHA “dabei” (junto de mim). Mas se quer diferenciar um alemao de um brasileiro (por exemplo), é só olhar a garrafa de um e de outro. Os alemaes TODOS (pelo menos na minha sala) levam garrafas de 1 litro de água COM GÁS e TODOS compram da mesma marca. Nao me pergunte por quê. (((-:

- Bater na mesa: ao final de TODA aula, meus colegas “batem palmas em alemao”. Hein? Pois é. Já contei sobre esse costume alemao em um dos posts, mas vou explicar de novo. Ao final de reunioes, aulas ou apresentacoes os alemaes costumam bater na mesa, como forma de “bater palmas”. Sim, é aquele bater na mesa tipo “isola” pra gente. Estranho? Naaada, eu diria sinixxxxxxxxxxtro. Odeio essa mania, pois toda vez que faco uma apresentacao e eles fazem isso no final eu ainda tenho a sensacao de que a apresentacao foi a pior da minha vida. (((-:

- Intolerância: parece ser uma mania cultural reclamar de TUDO por aqui. É impressionante, sério! Eles reclamam o tempo todo e de tudo e pra todos. Tudo que tínhamos que chegar à um acordo, demorávamos horas, pois nunca ninguém está contente e ao invés de partir pra um sorteio ou votacao, nao, eles gostam de discutir até algum estrangeiro propor algo prático (o que é irônico, pois nao existe povo mais prático que alemao). Eu já estava pegando essa mania, mas quando percebi avisei minhas colegas da “Legiao Estrangeira” e decidimos juntas combater esse mal, ou seja, sempre que a gente observa que uma ou outra está sendo contagiada, a gente chama a pessoa pro mundo real e diz: “Ei, você nao é alemao!”

- Síndrome da Participacao: as situacoes mais engracadas aconteciam durante as discussoes fervorosas na aula. Se um falasse alguma coisa, o resto também TINHA que falar alguma coisa, ou seja, podia ser exatamente a mesma coisa que o primeiro falou, mas com palavras diferentes. E ai virava um ciclo vicioso, pois TODOS queriam ter a última palavra e, sim, só os alemaes queriam participar da discussao e enquanto isso os estrangeiros saiam da sala e só voltavam alguns minutos mais tarde. E a mesma coisa acontecia por email. Eu ficava aqui sentadinha, lendo e rindo, pois eu tinha certeza que eles nao iam chegar a conclusao nenhuma e, realmente nunca chegaram. No fim, o representante de sala fazia o que era melhor PRA ELE e o resto passou o resto do curso xingando o cara. (((-:

- Fofoca e falsidade: quando cheguei, acreditava que alemao era o povo mais sincero do mundo. Mas na verdade eu confundi “sinceridade” com “ser direto”. Diretos eles sao e isso é indiscutível, mas sinceros nao necessariamente. Aliás, na minha sala o que “reconheci” gente falsa nao tá escrito no gibi. E como fofocam, meu Deus! Eu sento no fundao, pois AMO ver o que “está rolando” sempre. Fico lá só observando as fofoquinhas, os papeizinhos com recadinhos rolando, as caras e bocas e por ai vai. Tem horas que eu me sinto realmente no jardim de infância vendo as picuinhas. E falam mal de um do outro que é uma coisa. ODEIO! Sim, odeio gente vazia que por ter uma vida desinteressante, fica falando mal dos outros. Isola!

- Melhores que o professor: eu nao sei vocês, mas eu nunca em vi em uma única sala de aula, 5 alunos querendo ser melhor que o professor. Esse item eu ainda tenho dúvida se tem a ver com a cultura ou se isso também existe no Brasil. Sério! Eu fiquei assustada, pois tinha 5 moleques na minha sala (todos alemaes) que interrompiam o professor toda hora e ai explicavam o que o professor tinha acabado de explicar em outras palavras e com tom de pergunta, mas ficava claro pra todo mundo que eles na verdade estavam dizendo “Por que o sr. nao explica melhor essa joca?”. Faziam com quase todos professores, mas dois professores deram uma invertida neles que a galera vibrou, faltando só rolar uma ”ola”.

- Minha vida é nota: tem uma expressao em alemao que traduz o que nota de prova significa pra mim “Das ist mir wurst” (Isso pra mim é línguica!). Mas como pra alemao línguica é algo sagrado, com a nota de prova nao é diferente. É impressionante! A nota máxima é 1 e a mínima pra passar é 4, mas vi vários chorando e se lamentando porque tiraram 1,3 , enquanto eu sorria e pulava com meus 3,8. ((((((((-: Tá bom, pra mim 3,8 é uma glória considerando minha situacao, mas mesmo se fosse em português e eu tirasse 2,5 eu já estaria feliz da vida. Agora chorar com 1,3?????? Pior foi uma colega minha a Aksana (Bielo Rússia) que tirou 3,6 e as alemas falaram pra ela que pra passar com essa nota, elas preferiam nao passar e fariam a matéria de novo. E minha colega caiu no choro se sentindo um lixo, mas a “Super-Mairavilhosa” estava lá pra trazer ela pro mundo real e salvá-la do mundo das línguicas. ((((-:

- Roupas: pra mim show de horrores. Bom, já falei sobre isso, mas vamos lá. O que eu já percebi aqui na Alemanha é que eles nao se preocupam (definitivamente) com a combinacao das roupas e acessórios, ou seja, pra eles o importante é que eles se sintam bem e confortáveis. Sério! Sim, tem um lado bom nisso, mas eu prefiro continuar me preocupando em ficar gatinha, mesmo que isso me custe bolhas no pé no final. (((-:

- Trabalho em grupo: difícil. O problema é que eu sempre me diverti fazendo trabalho em grupo e os grupos com quem eu trabalhei procuravam sempre fazer um trabalho realmente EM GRUPO, mas senti que aqui a coisa é um pouco diferente. O alemao é MUITO prático (e individualista) e percebi que muitas vezes eles nao estao preocupados em aprender todo mundo sobre um tema, mas sim em terminar o trabalho o mais rápido possível. Isso significa, que eles gostam de trabalhar sozinhos e ai pegam o trabalho dividem o grupo por responsabilidades e só alguns dias antes de entregar é que decidem se reunir pra juntar as pecas. Eu odiei isso. Sim, assim é realmente possível terminar o trabalho mais rápido, pois cada um foca na sua parte e pimba, mas você também só aprende a sua parte e muitas vezes teria sido mais fácil se todos logo no comeco tivessem primeiro visto o trabalho como um todo (o que é) e depois sim ter separado. Eu dei muita dor de cabeca para meus grupos, pois eu sou ótima pra achar pontos falhos e estava sempre mandando emails ou falando com eles sobre esses “buracos” e eles ficavam putos. Diziam: “Isso nao é importante”. Mas no final viam que fazia sentido, ou pelo menos eu os convencia disso. ((((-:

- Objetividade: como tudo na vida, trabalhar com alemaes também seu lado ótimo. Eles sao extremamente objetivos na arte do planejamento ou raciocínio e isso é o máximo. Eu me sinto uma lesma tentando acompanhar a explicacao deles às vezes. Sério! Primeiro porque a construcao das frases em alemao sao bem complicadinhas e segundo porque nós temos uma forma de raciocínio meio “diferente”. Nao acho que é melhor ou pior, mas é bem diferente e no comeco do curso foi difícil me acostumar com uma linha reta de raciocínio, mas agora estou amando isso e pretendo levar pra sempre comigo. (((-:

- Segregacao por QI: pois é, logo que comecei a estudar lá percebi que rola uma segregacao baseada em “inteligência aparente”, ou seja, se você é visto como alguém com limitacoes de raciocínio, você está fora dos grupos dos “vencedores”. É estranho, pois eu sempre fui alguém que procurei amigos na escola e nao “Einstens”, mas pelo menos nesse curso o jogo é outro. Eles até podem conversar com você nos intervalos, mas na hora de estudar junto ou fazer trabalho junto, você corre o risco de ser colocado de canto sem a menor cerimônia. Eu dei sorte, mas acho que é porque sou simpática. Sério! Eu sou inteligente também, tá bom, mas nao sou “cabecao” e lá tem um monte desses, mas sao MUITO CHATOS. No comeco rolaram várias indisposicoes por causa de grupo, mas nos últimos dias deu pra perceber que a galera já encontrou cada um seu grupo e, provavelmente, vai continuar assim. Eles dizem que nao tem interesse em mudar de grupo pra conhecer outras pessoas melhor, pois o objetivo deles ali nao é fazer amizades, mas sim serem os melhores e conseguirem as melhores notas e, pra isso, eles tem que estar nos melhores grupos. Sim, lei da selva. E eu? Eu gosto de trabalhar com pessoas de inteligência mediana que saibam trabalhar em grupo e que, principalmente, se divirtam enquanto trabalham, ou seja, os estrangeiros. ((((-:

- Seriedade: ai…ai…ai… como sofri. O povo é sério demais que eu até chego a me sentir uma boba da corte enquanto me mato de rir de nada. ((((-: Tá, já tenho 30 anos e talvez esteja na hora de levar a vida mais a sério, mas eu nao consigo. AMO ser assim. AMO ser palhaca. AMO dar risada sem precisar de motivos. AMO fazer os outros rirem. AMO ajudar a vida ficar mais leve, através da alegria de simplesmente estar viva. Mas durante esse curso, demorei a encontrar pessoas pra rir comigo, ou seja, estava virando uma louca solitária na arte de rir. Gracas à Deus acabei me aproximando mais da Raquel (Equador), do Jun (China) e da Noha (Egito) e quando nos juntamos a gente se mata de rir à toa. Pra vocês terem uma nocao do nível da coisa, um dia eu e uma amiga que AMO (Karuna-Laos), mas que nasceu e cresceu na Alemanha, estávamos conversando sobre isso e eu estava me sentindo muito triste, justamente por perceber que nao estava rindo mais como antigamente. Disse pra ela que isso nao é normal e que eu nao quero ser assim. Foi quando ele soltou uma pérola: “Maira, rir do quê? A verdade é que no momento nós nao temos nenhum motivo pra rir.” Quaaaaaaaaase morri de rir depois dessa! Fala sério. Depois dessa, me afastei um pouco dela, apesar de ter um carinho muito especial por essa garota. Maaas sai pra lá jacaré! ((((-:

- Festa de aniversário: aqui quando você faz aniversário, é você quem traz bolo e SEMPRE um “Sekt”. Esse “Sekt” é a denominação alemã para a bebida alcoólica espumante feito com uvas brancas e com um teor alcoólico no mínimo de dez por cento. Mas o mais engracado é que TODAS as vezes eles cantaram “Feliz Aniversário” em inglês e brindaram dizendo “Cheers”, que também é o tin-tin inglês. Na primeira vez eu virei o centro das atencoes, pois na hora de brindar soltei um solitário e um pouco alto “Prost”. Pois é, fiquei roxa de vergonha e perguntei porque eles nao falam “Prost”, uma vez que estamos na Alemanha e ai ficaram também sem graca e disseram que é costume. Afff…

- Almoco: todos os dia eu comia (pelo menos tentava) no refeitório da Uni. A comida? Muuuuuuuuuuuito variada: batata assada, batata frita, salada de batata, torta de batata, sopa de batata, carne de porco com molho doce, carne de porco com molho salgado, carne de porco recheada, carne de porco com batata e etc. O meu prato preferido? Salada, sopa e pao. (((((-:

- Biblioteca: olha nunca vi um povo estudar tanto. JESUS! Eu ia na biblioteca pegar no máx. dois livros, mas lá logo na entrada tinham umas cestinhas de supermercado e a galera enchia aquelas cestinhas de livro pra levar pra casa. A primeira vez que vi, surtei. E nao duvido nada que eles realmente usem aqueles livros. O povo da minha sala pelo menos estudava o tempo todo, até mesmo nos intervalos. Eu me senti até mal (até parece), pois eu lá ferrada por causa da dificuldade de entender o mais simples, rindo que nem uma doida nos intervalos, enquanto os alemaes estavam estudando. Mas isso ninguém pode negar, sao SUPER aplicados.

- Cola: você também acha que alemao nao cola? Entao acorda bela-adormecida. Eu também nao acreditava que eles colassem, sei lá porque, mas SIM, eles colam e MUITO (inclusive no MBA). Eu nao iria saber, se nao fosse minha colega me contar, pois eu sempre sento na primeira carteira de cara para o professor. Ela também colou e me contou que a galera estava com papelzinho e tudo pra colar. Quaaase cai de costas.

- Bate-boca: muitos. O povo briga e briga feio, mas tem um ponto positivo pra alemaozada nesse quesito: eles nao sao tao emocionais. Isso mesmo. A gente no Brasil briga e sai todo ressentido, guardando mágoa até a nossa próxima geracao. Os alemaes brigam feio, mas saindo da briga parece que NADA aconteceu. Eles SEPARAM muito bem as coisas e isso eu AMO aqui. Mas ver as brigas é ótimo, pois eles sao toscos DEMAIS. Nao sao aqueles barracos, onde o povo nem sabe mais do que estao falando, ou seja, sao brigas inteligentes e com raciocínio lógico a seguir. AMO! ((((-:

Bom, se eu for lembrando mais alguma coisa, vou acrescentando, mas acho que o principal está ai. Eu resumiria dizendo que a maior riqueza de se fazer um curso desses é entender que TODOS somos seres humanos e que apesar das diferencas culturais, estamos sujeitos à obstáculos iguais ou podemos até mesmo conquistar as mesmas coisas. Isso é o máximo! Estou ali convivendo com eles e vendo muitos deles sofrendo, lutando, falhando, chorando (só os estrangeiros choram..hahaha), sorrindo, como eu. Lógico que nessa situacao nao estamos 100% em pé de igualdade, mas como seres humanos estamos sim. Todos estao ali buscando a mesma coisa, tendo que superar (cada um com suas ferramentas) os mesmos obstáculos, se desafiando, deixando de dormir, deixando de se divertir para estudar e sonhando com a recompensa por tudo isso. Ninguém ali é mais ou menos. Ninguém ali é como ser humano melhor ou pior. Isso é mágico! Uma experiência que nos mostra o quanto ignoramos nossas semelhancas, sempre focados em procurar nossas diferencas e tentar provar através dessas que somos melhores. Isso se chama ignorância, no sentido de ignorar a verdade e a verdade é que todos somos, na nossa essência, IGUAIS.

Além disso, estou superando a mim mesma dia após dia. Estou fazendo melhor do que acreditava que podia, estou superando mais coisas do que imaginava que teria que superar, estou amadurecendo muito mais do que achava que seria possível e estou me realizando muito mais do que tinha desejado. Estou quebrando pré-conceitos e criando conceitos verdadeiros. É uma experiência única, pois é uma situacao onde você tem que vencer algo com limitacao na capacidade de comunicacao. É uma situacao difícil, pois a gente acaba tentando justificar o fracasso nessa dificuldade e usa o nao domínio da língua como desculpa para desistir ou por nao ter vencido e isso nao está certo. A dificuldade EXISTE, mas a nossa forca de vontade TEM que ser maior. O nosso otimismo e desejo de vencer é capaz de fazer com que a língua seja o fator menos importante na conquista. Isso é TAO VERDADE que hoje quando leio os materiais das minhas aulas, me pergunto como pude entender tudo aquilo. NAO TEM OUTRA EXPLICACAO, a nao ser o fato de que eu queria tanto conseguir, que criei sem perceber todas as ferramentas necessárias para isso. Qualquer conquista só vem quando acreditamos nela e nao o inverso. Ela é o resultado e nao o ponto de partida.

Foi apenas o primeiro passo. Foi perfeito. Foi mágico. Foi difícil. Foi intenso. Foi rico. Foi extremamente gratificante e foi, sem dúvida, apenas o primeiro passo de uma jornada incrível e inesquecível chamada AMADURECIMENTO e SUPERACAO.

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8 Comentários para "MBA – Final do 1o semestre"

  1. Valéria disse:

    Olá Maira! Tudo bem com vc? Já começou a curtir as férias?!

    Mulher; acabei de ler seu post. Meu Deus, viver ai não é nada fácil. Na verdade não é “viver” propriamente dito; mas conviver…rsrsrs. Entretanto, como vc mesmo disse; tudo tem seu lado bom e seu lado ruim. Ainda bem que vc não perde sua essência!! Isso fica nítido em seus relatos; extremamente ricos em todos os sentidos. Vc fala dos sentimentos da alma; da esperança que clama e dos sonhos que não morrem. Bem, é assim que te vejo. Melhor, é o que sinto quando “viajo” com você. Vou ser modesta….rsrsrs; atribuo minha visão a citação de Leonardo Da Vinci de que “os olhos são a janela da alma e o espelho do mundo”.

    Mocinha, não pense que estou te bajulando; não faço esse tipo. Os elogios são sinceros. Acredite.

    Mas voltando ao seu post, percebi que brasileiro é um povo que amaaaa falar com todo mundo; talvez por ser simpático, alegre, acolhedor, não sei…mas isso, também, não vem ao caso. O que quero dizer é que se não dá pra falar com um monte de gente sobre algo diferente que nos acontece; então escrevemos e cá entre nós, como escrevemos….hahaha. Na verdade gostamos de escrever tudo, não deixamos passar nenhum detalhe; o que é bom porque torna a leitura mais real, como se estivéssemos conversando mesmo. Sabe?! Tête-à-Tête.

    Bom, todos me dizem que eu falo muito..rsrs. Conseqüentemente, se não tem como falar com vc, escrevo muittooooooooo. Se tiver te cansando me avisa que não quero ser chata, tá?!

    Lendo sobre sua difícil, diferente e ao mesmo tempo divertida experiência no MBA recordei-me de um e-mail que recebi de um querido e velho amigo e achei legal te enviar. Não sei se já leu, em todo caso segue:

    O HOMEM DE CABEÇA DE PAPELÃO
    João do Rio

    No País que chamavam de Sol, apesar de chover, às vezes, semanas inteiras, vivia um homem de nome Antenor. Não era príncipe. Nem deputado. Nem rico. Nem jornalista. Absolutamente sem importância social.

    O País do Sol, como em geral todos os países lendários, era o mais comum, o menos surpreendente em idéias e práticas. Os habitantes afluíam todos para a capital, composta de praças, ruas, jardins e avenidas, e tomavam todos os lugares e todas as possibilidades da vida dos que, por desventura, eram da capital. De modo que estes eram mendigos e parasitas, únicos meios de vida sem concorrência, isso mesmo com muitas restrições quanto ao parasitismo. Os prédios da capital, no centro elevavam aos ares alguns andares e a fortuna dos proprietários, nos subúrbios não passavam de um andar sem que por isso não enriquecessem os proprietários também. Havia milhares de automóveis à disparada pelas artérias matando gente para matar o tempo, cabarets fatigados, jornais, tramways, partidos nacionalistas, ausência de conservadores, a Bolsa, o Governo, a Moda, e um aborrecimento integral. Enfim tudo quanto a cidade de fantasia pode almejar para ser igual a uma grande cidade com pretensões da América. E o povo que a habitava julgava-se, além de inteligente, possuidor de imenso bom senso. Bom senso! Se não fosse a capital do País do Sol, a cidade seria a capital do Bom Senso!

    Precisamente por isso, Antenor, apesar de não ter importância alguma, era exceção mal vista. Esse rapaz, filho de boa família (tão boa que até tinha sentimentos), agira sempre em desacordo com a norma dos seus concidadãos.

    Desde menino, a sua respeitável progenitora descobriu-lhe um defeito horrível: Antenor só dizia a verdade. Não a sua verdade, a verdade útil, mas a verdade verdadeira. Alarmada, a digna senhora pensou em tomar providências. Foi-lhe impossível. Antenor era diverso no modo de comer, na maneira de vestir, no jeito de andar, na expressão com que se dirigia aos outros. Enquanto usara calções, os amigos da família consideravam-no um enfant terrible, porque no País do Sol todos falavam francês com convicção, mesmo falando mal. Rapaz, entretanto, Antenor tornou-se alarmante. Entre outras coisas, Antenor pensava livremente por conta própria. Assim, a família via chegar Antenor como a própria revolução; os mestres indignavam-se porque ele aprendia ao contrario do que ensinavam; os amigos odiavam-no; os transeuntes, vendo-o passar, sorriam.

    Uma só coisa descobriu a mãe de Antenor para não ser forçada a mandá-lo embora: Antenor nada do que fazia, fazia por mal. Ao contrário. Era escandalosamente, incompreensivelmente bom. Aliás, só para ela, para os olhos maternos. Porque quando Antenor resolveu arranjar trabalho para os mendigos e corria a bengala os parasitas na rua, ficou provado que Antenor era apenas doido furioso. Não só para as vítimas da sua bondade como para a esclarecida inteligência dos delegados de polícia a quem teve de explicar a sua caridade.

    Com o fim de convencer Antenor de que devia seguir os tramitas legais de um jovem solar, isto é: ser bacharel e depois empregado público nacionalista, deixando à atividade da canalha estrangeira o resto, os interesses congregados da família em nome dos princípios organizaram vários meetings como aqueles que se fazem na inexistente democracia americana para provar que a chave abre portas e a faca serve para cortar o que é nosso para nós e o que é dos outros também para nós. Antenor, diante da evidência, negou-se.

    — Ouça! bradava o tio. Bacharel é o princípio de tudo. Não estude. Pouco importa! Mas seja bacharel! Bacharel você tem tudo nas mãos. Ao lado de um político-chefe, sabendo lisonjear, é a ascensão: deputado, ministro.

    — Mas não quero ser nada disso.

    — Então quer ser vagabundo?

    — Quero trabalhar.

    — Vem dar na mesma coisa. Vagabundo é um sujeito a quem faltam três coisas: dinheiro, prestígio e posição. Desde que você não as tem, mesmo trabalhando — é vagabundo.

    — Eu não acho.

    — É pior. É um tipo sem bom senso. É bolchevique. Depois, trabalhar para os outros é uma ilusão. Você está inteiramente doido.

    Antenor foi trabalhar, entretanto. E teve uma grande dificuldade para trabalhar. Pode-se dizer que a originalidade da sua vida era trabalhar para trabalhar. Acedendo ao pedido da respeitável senhora que era mãe de Antenor, Antenor passeou a sua má cabeça por várias casas de comércio, várias empresas industriais. Ao cabo de um ano, dois meses, estava na rua. Por que mandavam embora Antenor? Ele não tinha exigências, era honesto como a água, trabalhador, sincero, verdadeiro, cheio de idéias. Até alegre — qualidade raríssima no país onde o sol, a cerveja e a inveja faziam batalhões de biliosos tristes. Mas companheiros e patrões prevenidos, se a princípio declinavam hostilidades, dentro em pouco não o aturavam. Quando um companheiro não atura o outro, intriga-o. Quando um patrão não atura o empregado, despede-o. É a norma do País do Sol. Com Antenor depois de despedido, companheiros e patrões ainda por cima tomavam-lhe birra. Por que? É tão difícil saber a verdadeira razão por que um homem não suporta outro homem!

    Um dos seus ex-companheiros explicou certa vez:

    — É doido. Tem a mania de fazer mais que os outros. Estraga a norma do serviço e acaba não sendo tolerado. Mau companheiro. E depois com ares…

    O patrão do último estabelecimento de que saíra o rapaz respondeu à mãe de Antenor:

    — A perigosa mania de seu filho é por em prática idéias que julga próprias.

    — Prejudicou-lhe, Sr. Praxedes?

    Não. Mas podia prejudicar. Sempre altera o bom senso. Depois, mesmo que seu filho fosse águia, quem manda na minha casa sou eu.

    No País do Sol o comércio ë uma maçonaria. Antenor, com fama de perigoso, insuportável, desobediente, não pôde em breve obter emprego algum. Os patrões que mais tinham lucrado com as suas idéias eram os que mais falavam. Os companheiros que mais o haviam aproveitado tinham-lhe raiva. E se Antenor sentia a triste experiência do erro econômico no trabalho sem a norma, a praxe, no convívio social compreendia o desastre da verdade. Não o toleravam. Era-lhe impossível ter amigos, por muito tempo, porque esses só o eram enquanto. não o tinham explorado.

    Antenor ria. Antenor tinha saúde. Todas aquelas desditas eram para ele brincadeira. Estava convencido de estar com a razão, de vencer. Mas, a razão sua, sem interesse chocava-se à razão dos outros ou com interesses ou presa à sugestão dos alheios. Ele via os erros, as hipocrisias, as vaidades, e dizia o que via. Ele ia fazer o bem, mas mostrava o que ia fazer. Como tolerar tal miserável? Antenor tentou tudo, juvenilmente, na cidade. A digníssima sua progenitora desculpava-o ainda.

    — É doido, mas bom.

    Os parentes, porém, não o cumprimentavam mais. Antenor exercera o comércio, a indústria, o professorado, o proletariado. Ensinara geografia num colégio, de onde foi expulso pelo diretor; estivera numa fábrica de tecidos, forçado a retirar-se pelos operários e pelos patrões; oscilara entre revisor de jornal e condutor de bonde. Em todas as profissões vira os círculos estreitos das classes, a defesa hostil dos outros homens, o ódio com que o repeliam, porque ele pensava, sentia, dizia outra coisa diversa.

    — Mas, Deus, eu sou honesto, bom, inteligente, incapaz de fazer mal…

    — É da tua má cabeça, meu filho.

    — Qual?

    — A tua cabeça não regula.

    — Quem sabe?

    Antenor começava a pensar na sua má cabeça, quando o seu coração apaixonou-se. Era uma rapariga chamada Maria Antônia, filha da nova lavadeira de sua mãe. Antenor achava perfeitamente justo casar com a Maria Antônia. Todos viram nisso mais uma prova do desarranjo cerebral de Antenor. Apenas, com pasmo geral, a resposta de Maria Antônia foi condicional.

    — Só caso se o senhor tomar juízo.

    — Mas que chama você juízo?

    — Ser como os mais.

    — Então você gosta de mim?

    — E por isso é que só caso depois.

    Como tomar juízo? Como regular a cabeça? O amor leva aos maiores desatinos. Antenor pensava em arranjar a má cabeça, estava convencido.

    Nessas disposições, Antenor caminhava por uma rua no centro da cidade, quando os seus olhos descobriram a tabuleta de uma “relojoaria e outros maquinismos delicados de precisão”. Achou graça e entrou. Um cavalheiro grave veio servi-lo.

    — Traz algum relógio?

    — Trago a minha cabeça.

    — Ah! Desarranjada?

    — Dizem-no, pelo menos.

    — Em todo o caso, há tempo?

    — Desde que nasci.

    — Talvez imprevisão na montagem das peças. Não lhe posso dizer nada sem observação de trinta dias e a desmontagem geral. As cabeças como os relógios para regular bem…

    Antenor atalhou:

    — E o senhor fica com a minha cabeça?

    — Se a deixar.

    — Pois aqui a tem. Conserte-a. O diabo é que eu não posso andar sem cabeça…

    — Claro. Mas, enquanto a arranjo, empresto-lhe uma de papelão.

    — Regula?

    — É de papelão! explicou o honesto negociante. Antenor recebeu o número de sua cabeça, enfiou a de papelão, e saiu para a rua.

    Dois meses depois, Antenor tinha uma porção de amigos, jogava o pôquer com o Ministro da Agricultura, ganhava uma pequena fortuna vendendo feijão bichado para os exércitos aliados. A respeitável mãe de Antenor via-o mentir, fazer mal, trapacear e ostentar tudo o que não era. Os parentes, porem, estimavam-no, e os companheiros tinham garbo em recordar o tempo em que Antenor era maluco.

    Antenor não pensava. Antenor agia como os outros. Queria ganhar. Explorava, adulava, falsificava. Maria Antônia tremia de contentamento vendo Antenor com juízo. Mas Antenor, logicamente, desprezou-a propondo um concubinato que o não desmoralizasse a ele. Outras Marias ricas, de posição, eram de opinião da primeira Maria. Ele só tinha de escolher. No centro operário, a sua fama crescia, querido dos patrões burgueses e dos operários irmãos dos spartakistas da Alemanha. Foi eleito deputado por todos, e, especialmente, pelo presidente da República — a quem atacou logo, pois para a futura eleição o presidente seria outro. A sua ascensão só podia ser comparada à dos balões. Antenor esquecia o passado, amava a sua terra. Era o modelo da felicidade. Regulava admiravelmente.

    Passaram-se assim anos. Todos os chefes políticos do País do Sol estavam na dificuldade de concordar no nome do novo senador, que fosse o expoente da norma, do bom senso. O nome de Antenor era cotado. Então Antenor passeava de automóvel pelas ruas centrais, para tomar pulso à opinião, quando os seus olhos deram na tabuleta do relojoeiro e lhe veio a memória.

    — Bolas! E eu que esqueci! A minha cabeça está ali há tempo… Que acharia o relojoeiro? É capaz de tê-la vendido para o interior. Não posso ficar toda vida com uma cabeça de papelão!

    Saltou. Entrou na casa do negociante. Era o mesmo que o servira.

    — Há tempos deixei aqui uma cabeça.

    — Não precisa dizer mais. Espero-o ansioso e admirado da sua ausência, desde que ia desmontar a sua cabeça.

    — Ah! fez Antenor.

    — Tem-se dado bem com a de papelão? — Assim…

    — As cabeças de papelão não são más de todo. Fabricações por séries. Vendem-se muito.

    — Mas a minha cabeça?

    — Vou buscá-la.

    Foi ao interior e trouxe um embrulho com respeitoso cuidado.

    — Consertou-a?

    — Não.

    — Então, desarranjo grande?

    O homem recuou.

    — Senhor, na minha longa vida profissional jamais encontrei um aparelho igual, como perfeição, como acabamento, como precisão. Nenhuma cabeça regulará no mundo melhor do que a sua. É a placa sensível do tempo, das idéias, é o equilíbrio de todas as vibrações. O senhor não tem uma cabeça qualquer. Tem uma cabeça de exposição, uma cabeça de gênio, hors-concours.

    Antenor ia entregar a cabeça de papelão. Mas conteve-se.

    — Faça o obséquio de embrulhá-la.

    — Não a coloca?

    — Não.

    — V.EX. faz bem. Quem possui uma cabeça assim não a usa todos os dias. Fatalmente dá na vista.

    Mas Antenor era prudente, respeitador da harmonia social.

    — Diga-me cá. Mesmo parada em casa, sem corda, numa redoma, talvez prejudique.

    — Qual! V.EX. terá a primeira cabeça.

    Antenor ficou seco.

    — Pode ser que V., profissionalmente, tenha razão. Mas, para mim, a verdade é a dos outros, que sempre a julgaram desarranjada e não regulando bem. Cabeças e relógios querem-se conforme o clima e a moral de cada terra. Fique V. com ela. Eu continuo com a de papelão.

    E, em vez de viver no País do Sol um rapaz chamado Antenor, que não conseguia ser nada tendo a cabeça mais admirável — um dos elementos mais ilustres do País do Sol foi Antenor, que conseguiu tudo com uma cabeça de papelão.

    João do Rio foi o pseudônimo mais constante de João Paulo Emílio Coelho Barreto, escritor e jornalista carioca, que também usou como disfarce os nomes de Godofredo de Alencar, José Antônio José, Joe, Claude, etc., nada ou quase nada escrevendo e publicando sob o seu próprio nome. Foi redator de jornais importantes, como “O País” e “Gazeta de Notícias”, fundando depois um diário que dirigiu até o dia de sua morte, “A Pátria”. Contista romancista, autor teatral (condição em que exerceu a presidência da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais, tradutor de Oscar Wilde, foi membro da Academia Brasileira de Letras, eleito na vaga de Guimarães Passos. Entre outros livros deixou “Dentro da Noite”, “A Mulher e os Espelhos”, “Crônicas e Frases de Godofredo de Alencar”, “A Alma Encantadora das Ruas”, “Vida Vertiginosa”, “Os Dias Passam”, “As religiões no Rio” e “Rosário da Ilusão”, que contém como primeiro conto a admirável sátira “O homem da cabeça de papelão”. Nascido no Rio de Janeiro a 05 de agosto de 1881, faleceu repentinamente na mesma cidade a 23 de junho de 1921.

    O texto acima foi extraído do livro “Antologia de Humorismo e Sátira”, organizada por R. Magalhães Júnior, Editora Civilização Brasileira — Rio de Janeiro, 1957, pág. 196.
    http://www.releituras.com/joaodorio_homem.asp

    Maira, seu encantamento está na sua cabeça. Por isso, vive cercada de anjos. Se precisar, devido “a política da sobrevivência”, use a cabeça de papelão alemã; mas só em último caso e raríssimas vezes. Visto que você não precisa dela porque é Gente Fina!! Em outras palavras:

    Gente fina é aquela que é tão especial que a gente nem percebe se é gorda, magra, velha, moça, loira, morena, alta ou baixa.

    Ela é gente fina, ou seja, está acima de qualquer classificação. Todos a querem por perto.

    Tem um astral leve, mas sabe aprofundar as questões quando necessário.
    É simpática, mas não bobalhona.
    É uma pessoa direita, mas não escravizada pelos certos e errados: sabe transgredir sem agredir.
    Gente fina é aquela que é generosa, mas não banana. Te ajuda, mas permite que você cresça sozinho.

    Gente fina diz mais sim do que não, e faz isso naturalmente, não é para agradar.
    Gente fina se sente confortável em qualquer ambiente: num boteco de beira de estrada e num castelo no interior da Escócia. Gente fina não julga ninguém – tem opinião, apenas.
    Um novo começo de era, com gente fina, elegante e sincera.
    O que mais se pode querer? Gente fina não esnoba, não humilha, não trapaceia, não compete e, como o próprio nome diz, não engrossa.

    Não veio ao mundo pra colocar areia no projeto dos outros.
    Ela não pesa, mesmo sendo gorda, e não é leviana, mesmo sendo magra.
    Gente fina é que tinha que virar tendência.
    Porque, colocando na balança, é quem faz a diferença.

    GENTE FINA, DE MARTHA MEDEIROS.

    Por isso, nem pense em amadurecer demais. Continue mantendo viva em vc essa sutileza de criança; isso faz bem pra alma e não nos deixa envelhecer. Sorte, e fica com Deus!!

    Bjs,

    Valéria

  2. Valéria disse:

    Ah! tava esquecendo de te dizer….

    ….ninguém é perfeito, né?! Então, apesar dos meus elogios a sua pessoa, tenho que ser sincera….

    ….é dificil falar, sabe?!…..não quero magoar seus sentimentos…mas é necessário…kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.

    Vc tem o pior defeito do mundo: VC É CORINTIANA………………………………………que horror Maira; tantas imperfeições por aí, vc optou justo por essa?! Que tristeza…

    ….espero q minha honestidade não faça vc se afastar de mim…..kkkkkkkk; mas essa eu não podia deixar passar..rsrsrsrs.

    Bjs;

  3. Sandra disse:

    Parabéns, parabéns pra vc que vc merece!!! :) Vivendo, convivendo e aprendendo, assim vamos sempre pra frente! Os comentátrios finais foram os que eu mais gostei, tirando isso e aquilo que nao gostamos em outra cultura, podemos aprender muito com ela e crescer juntos, pois afinal somos todos seres humanos em busca das mesmas coisas. Achei interessante vc tocar no assunto da estrutura de raciocínio, pois estranhamente eu sempre tive esse tipo de estrutura direta e lógica e foi isso que usei pra te ajudar na sua carta de apresentacao, lembra? Precisamos falar como eles, para sermos entendidos. :) E precisamos acreditar sempre em nós mesmos, pois marketing pessoal e auto estima é o que conta!
    Um super beijo pra vc e boas férias!!! Sandra

  4. Maira disse:

    Meninas AMEI os recadinhos. Inté chorei, saco! Acho q essas férias me deixaram emotiva…hahahaha… Brigadú pelo carinho e pelo apoio de sempre, pois PRECISO muito disso e vocês sabem! ((((-:

  5. Flávia disse:

    Nossa Maíra parabéns mesmo por ter conseguido, nunca vivenciei isso, mas dá pra imaginar um pouco todos os obstáculos até vc chegar aonde chegou, e isso é ótimo. Vc se mostrou capaz e não desanimou, nem desistiu apesar de tudo. :D
    Beijoos!

  6. Juana disse:

    Parabéns minha querida!!!!!!! Curte as férias…beijos!

  7. valeriaamoris disse:

    Oi Maira, muito obrigada pelo e-mail. Amei seu recado. Olha vc também me dá muito gás pra continuar estudando e acreditando em mim, tanto pra passar na prova do Mestrado, quanto pra ser aceita pela “banca do professores”….acho que trocar experiências é muito importante pra seguirmos em frente…ah! a cada relato seu, também, fico mais curiosa pra te conhecer. Olha, qdo virem pra Sampa, o Nê e eu já deixando o convite pra vcs virem em nossa casa. Moramos em São Bernardo do Campo, km 23 da via Anchieta, próximo da Volkswagen. Fácil, fácil…não tem erro..rsrs. Vem aproveitar as férias no Brasil e dá um pulo por aqui, o que acha?! bjs,

    Tava esquecendo de novo…..vc pediu o endereço do meu blog, segue Florzinha, me desculpa que sou meia doidinha e falo (escrevo) tanto que as vezes esqueço das coisas..hahaha: http://valeriaamoris.wordpress.com/

  8. Ana Paula Kryvyi disse:

    oi maíra, adorei seu blog, estou fazendo curso de alemão na faculdade e está d+ adoro a lingua alemã e tbém a maneira como eles se portam perante todos!!!

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