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MBA – Nada como uma prova pra desabafar

Hoje fiz uma prova daquelas no MBA: microeconomia, macroeconomia e política econômica. Beleza, né!? E sabe quanto tempo precisamos para saber “tudo” isso e já estarmos preparados para a prova? 3 SEMANAS. Sim! Mas ok, sobrevivi pra contar essa história, entao tá valendo.

Já fiz 3 provas até agora, mas nenhuma foi tao engracada quanto essa. Por quê? Porque sem querer eu usei a prova pra desabafar e estou impressionada de nao ter ficado depressiva após isso. As questoes estavam na parte sobre política econômica e lá ele nos perguntava sobre quais conflitos existem no nosso país em relacao à políticas relacionadas à seguranca social dos cidadaos. Naquela hora que li “seguranca social” e “conflito”, pensei imediatamente no nosso sistema de aposentadoria e de seguro desemprego. Pois é, nao consegui, tive que desabafar.

Expliquei o que ele queria ouvir, ou seja, que os conflitos existem por causa de diferentes interesses que dividem a sociedade em diferentes grupos de interessados e ganham os mais fortes, ou seja, o governo (isso eu nao escrevi…hehehe). Expliquei que na nossa sociedade contribuímos obrigatoriamente quando trabalhamos registrados com o sistema de saúde social e contribuindo garantimos nossa pobre aposentadoria pública, mas que esse sistema social de saúde é uma &%*% e, (leia nos comentários sobre isso, pois descobri após publicar esse post INSS e SUS sao duas coisas que funcionam separadas), por isso, quando se tem um pouco mais de dinheiro, o cidadao paga esse seguro mais um seguro privado carissímo pra garantir uma velhice mais feliz e saudável. Mas muita gente que nao tem trabalho, deixa de pagar e mesmo assim recebe o benefício por idade. É justo? É ai que entra o conflito de uma divisao de riquezas ideal entre os cidadaos. Enfim.

Depois veio a história do seguro desemprego. Expliquei que no Brasil nao é descontado do nosso salário uma cota para garantir o seguro desemprego no país e quando ficamos desempregados só temos direito a receber uma ajuda para sobreviver durante 3 meses (info completa sobre esse item nos comentários), o que nos obriga a correr atrás do prejuízo. E se o governo obrigasse a todos trabalhadores darem uma porcentagem do salário para financiar o desemprego no país? Conflito à vista. Você acredita que o dinheiro que pagássemos ia realmente ser utilizado para essa finalidade na sua totalidade? Você acha mesmo que isso ia solucionar o problema de desemprego no Brasil? Olha em volta e pensa se com um bom seguro desemprego você ia querer voltar a procurar trabalho. Eu nao. (((-:

Mas pior que o desabafo, foi a “gafe” intercultural. Em um dos exercícios eu tinha que dar um exemplo de como um fator externo pode interferir negativamente em um processo na sociedade. Na aula discutimos sobre isso tomando como exemplo um caso onde na ponta de um rio tem uma serralheria que joga resíduos da madeira no fluxo do rio e na outra ponto do rio tem um criador de peixes. Como eu nao lembrava como era serralheria exatamente em alemao (Schlosserei), decidi fechar a serralheria e abrir uma indústria química que produz efluentes tóxicos. Ai falei que a indústria despejando resíduos tóxicos no rio, estava fazendo com que muitos peixes do criador de peixes ficassem doentes e com isso ele estava tomando prejuízo, enquanto a indústria continuava garantindo seu lucro às custas da saúde dos pobres peixes. E ai? E ai que um alemao vai demorar a processar que no mundo lá fora tem muito país, onde indústrias químicas (apesar de proibido) ainda jogam resíduos químicos nos leitos dos rios. E aqui isso é, acredito eu, IMPOSSÍVEL. Pois bem, escrevi toda essa longa história e só me dei conta da coisa quando terminei o raciocínio. Entao, só por seguranca, escrevi no final que no Brasil ainda existe essa situacao, apesar de ser proibida por lei, mas que ele poderia substituir “efluente tóxico” por “água aquecida”, ou seja, o habitat dos peixinhos estava sendo alterado com o aumento da temperatura média daquele rio. Se faz sentido? Sei lá, só sei que é difícil explicar o que é “jaca” pra alemao. ((((-:

P.S.1: aposentadoria na Alemanha é uma beleza, mas também tem muita gente que critica (como sempre e em qualquer lugar), pois tem MUITO MAIS velho aqui do que gente no mercado pra garantir que o sistema de aposentadoria continue funcionando como esta. Segundo meu professor já tem muito projeto sendo votado pra mudar o sistema, pra tentar torná-lo mais justo, pois hoje uma boa cota da contribuicao vem de expatriados que estao temporariamente vivendo aqui (foi uma das solucoes que o governo encontrou para tampar o buraco temporariamente, já que segundo a Arlete me informou abaixo, quando o empregado volta pode requerer sua contribuicao de volta – leia mais nos comentários). Já a vida de desempregado aqui ERA um paraíso, mas esse ano mudou muita coisa e os caras vao ter que comecar a se mexer se quiserem manter o mercedes na garagem. Tá rindo? O negócio era bom demais, no entanto que muita gente ficava desempregada de propósito, pois viviam melhor com a ajuda do governo do que se matando durante a semana.

P.S.2: nao estou comparando. Falei de um sistema e de outro, coisa boa e coisa ruim pro alemao e só coisa ruim pro brasileiro. )))-:

P.S.3: o melhor sistema é o sistema de Darwin, ou seja, o sistema da selecao natural. Tá ai, vou montar um partido político quando voltar. Logo, logo escrevo minha proposta de governo pra vocês aqui. (((-:

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5 Comentários para "MBA – Nada como uma prova pra desabafar"

  1. arlete disse:

    Ola Maira,

    Tenho alguns esclarecimentos a fazer. Talvez voce esteja certa, mas pelo que sei, a quantidade de meses para recebimento de seguro desemprego no Brasil depende do numero de meses trabalhados nos ultimos 36 meses anteriores à data da dispensa, na forma a seguir:

    De 6 a 11 meses: 3 parcelas;
    De 12 a 23 meses: 4 parcelas;
    De 24 a 36 meses: 5 parcelas.
    A quantidade de parcelas, de três a cinco meses, poderá ser excepcionalmente prolongada em até dois meses, para grupos específicos e segurados.
    Quando contribuimos com o INSS, nao estamos contribuindo para o SUS. São duas instituições completamente diferentes. Dê uma olhada no site:
    http://www.abifcc.org.br/oldnews/noti23012006.html
    Meu marido, como expat, recebeu a informação que, ao retornar ao país de origem, pode requerer a devolução dos valores pagos a titulo de aposentadoria e seguro desemprego. Esta foi uma informação dada pelo RH, mas nao sei se procede. Mas como na empresa dele quem paga este tipo de contribuição é a propria empresa e nao o empregado expatriado, então quem requer é a propria empresa.
    Em fevereiro deste ano foi firmado um acordo entre a Alemanha e o Brasil para contagem de tempo de servico para aposentadoria:
    http://www.previdencia.gov.br/vejaNoticia.php?id=32817
    Um abraço

    • Maira disse:

      Oi Arlete,

      obrigada pelos esclarecimentos! Sobre a info de poder requerer a aposentadoria paga aqui, funciona assim: se você trabalhar menos do que um certo período aqui, você pode sim requerer 100% do valor pago e irá receber após 2 anos após requerimento. Mas se trabalhar aqui mais do que um determinado período (que eu acho que é de 8 anos), ai nao pode mais requerer o valor e ai é obrigado a entrar no sistema de aposentadoria por idade, recebendo sua aposentadoria através desse caixa a partir da idade para aposentadoria do sistema alemao. Em contrapartida, todo o resto das contribuicoes (taxa de solidariedade, taxa de desemprego, taxa de “pflegeversicherung” (o que é isso?) e etc nao sao reembolsadas e podem corresponder até 30% do salário do indivíduo (depende se o cara é solteiro, casado, com filhos e etc).

      Bom, como o post nao é sobre isso (só coloquei como info adicional para agucar a curiosidade alheia), vou deixar pra falar sobre isso em outro post e ai você será bem-vinda pra contribuir como sempre, ok!? (((-:

      Pra escrever vou perguntar para meus professores e ai eles podem me ajudar a encontrar os esclarecimentos corretos e completos. Essa é a parte boa de ter aula com “os caras”! (((-:

      Bjks!

    • Maira disse:

      Mais uma coisa Arlete, adoro seus “adendos” por aqui! Blogando e aprendendo… (((-: Bjks!

  2. arlete disse:

    Oi, Maira,
    Voce tambem é bem vinda em meu blog.
    Meu marido acha que é depois de 5 anos, pois ele pode extender o contrato como expatriado ate completar 5. Depois, obrigatoriamente, ou a gente volta pro Brasil, vai pra outro lugar ( que não seja pra pqp hahaha) ou temos que assinar um contrato local. Voce teria alguma ideia de onde posso encontrar info sobre os encargos de um empregado com contrato local/sistema alemao?
    Bjs e obrigada.

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