Refletindo

Penso, logo penso e penso muito. É tanto pensamento, tantas análises, tantas reflexões que é preciso transbordar e eu transbordo em palavras. Esse é aquele espaço onde você poderá encontrar respostas, novos questionamentos, similaridades ou simplesmente algo que te diga nas entrelinhas: você merece ser feliz!

O que faz a vida valer a pena…

Demorei muitos anos para viver uma situação de morte na família. Foi então que há aprox. 2 anos perdi uma de minhas avós, minha Vó “Landa”. Não foi uma morte repentina, nem tampouco inesperada. Ela já sofria há muito tempo com várias enfermidades e andava com muita dificuldade há muitos anos.

Quando recebi a notícia fiquei em desespero, sem chão, sem teto, sem respirar. Devido à distância e à rotina maluca que levamos não nos víamos mais com tanta frequência quanto eu gostaria, mas era minha vozinha. Fez parte de forma intensa da minha infância e da infância de meus irmãos. Era da “Dona Landa”, a mulher que mesmo enferma não largava seu paninho que deixava a casa sempre brilhando. Era a mulher que ficava toda vaidosa ao mostrar sua placa que recebeu da prefeitura de Ribeirão Pires pelos serviços prestados durante muitos anos como uma das merendeiras mais queridas de uma das escolas públicas da cidade.

Desde sua morte, há dois anos atrás, nunca mais eu tinha voltado à casa onde ela morava com minha mãe e meu avô. Então, neste último domingo, fomos até lá para visitar minha mãe e meu avô. Na hora que saímos da estrada e entramos no bairro, meu coração já começou a apertar. Lembrava que a última vez que fizemos aquele caminho foi no dia em que voltamos do velório com minha mãe e meu avô e com todo aquele sofrimento que uma despedida dessas carrega. Quando chegamos, fomos recepcionados pela minha mãe, o que sempre acontecia, já que minha avó estava quase sempre deitada quando chegávamos. Mas quando entrei, senti uma tristeza, uma saudade ao ver uma casa que não tinha mais a energia dela, uma energia sempre tão presente, já que era ali que ela passava 99% do seu tempo nos vários anos em que esteve doente.

Ao chegar na cozinha, a saudade apertou de vez! Olhei o relógio de parede e lembrei do dia que rimos muito juntos, pois o Rodrigo (meu marido) tinha colocado o relógio torto de propósito pra irritar a “velhinha” que tinha um toc absurdo. Olhei a cadeira onde ela sempre sentava pra tomar lanche com a gente e vi vazia. Olhei para a porta do quarto e estava fechado, pois meu avô – desde que ela se foi – passa a maior parte do seu tempo dormindo ali. E, de repente, fiquei ali com a minha mãe conversando e ao mesmo tempo sentindo falta da minha avó atormentando o meu avô para ele ir à padaria comprar pão fresco pra mim, porque ela sabia que eu adorava. Senti falta dela pedindo para ele fazer café e esquentar o leite, porque ela sabia que – pra mim – não existe café com leite mais saboroso do que aquele que eu tomava ao lado dela. Lembrei da casa onde eles moravam, quando éramos criança. Da casa que tremia toda vez que o trem passava logo atrás dela. Da casa onde, antes de dormirmos todos juntos na sala, ela aparecia com um prato fundo de feijão pra gente comer, porque tinha medo que a gente sentisse fome à noite. Da casa da goiabeira e de seus galhos que nos abraçavam, que abraçavam nossa infância vivida tão plenamente ali naquela casa de três comodos e banheiro do lado de fora. Simples, aconchegante, única.

Voltei reflexiva de lá. Com saudades. Pensando na busca das pessoas pelas coisas. Pensando que muitas pessoas passam a vida inteira se preocupando com o que possuem, com o que adquirem, com o que podem comprar, com o que podem acumular, com o presente que vão comprar. Pra quê? Minha avó sempre foi simples, não me lembro de UM BRINQUEDO que ela tenha me dado na minha vida. Mas NINGUÉM nesse mundo me deu a lembrança do sabor do café com leite que ela sempre tinha pra me oferecer na sua casinha! Ninguém.

Não importa o que você tem, importa o que você dá de você. Não importa o preço do que se dá, importa o sentimento que vem de você. As melhores coisas da vida não são coisas, são pessoas, são momentos. Perdi minha vozinha, mas vou lembrar dela toda vez que tomar um café com leite gostoso ou que me ouvir gritando pros meus filhos: “Coloca a blusa! Você vai ficar doente menino!” Saudades vó! E obrigada por me ensinar, mesmo que de outro plano! O amor e a infância que você me deu foram, sem dúvida, os seus melhores presentes pra mim! Pra sempre! <3

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Um Comentário para "O que faz a vida valer a pena…"

  1. Meire Marques disse:

    Oi!!

    Que saudade heim. Sei muito bem o que é isso. A minha mãe se foi a 9 anos. Quando volto de Ubatuba nos feriados, férias me pego olhando para o celular querendo ligar para ela, avisando que estou voltando. Que saudade da comida dela. Que saudade de tudo….como dói.

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