Quem nunca desejou tocar nas nuvens? Pular da janela do avião, acreditando que aquele mar de nuvens é tão fofinho que vai amortecer a queda, como se fosse um monte de algodão? Quem nunca quis morder as nuvens? Guardar as nuvens em uma garrafa? Não! Só eu tenho ainda esse desejo? Não pode ser!
Pois é, voltando de Sampa hoje via Rodovia Bandeirantes não pude deixar de lembrar desse velho sonho, pois o céu de Sampa hoje estava repleto daquelas nuvens “gostosas”. Sabe aquelas bem gordinhas e cheias de pom-pom no contorno? Como são irresistíveis! Principalmente quando contrastam com um azul celeste tão raro e especial na capital. ADORO!
E, no meio da minha abstração, no meio da rodovia (olha o perigo! rs), lembrei que esse desejo vem se repetindo nos últimos dias, principalmente depois que, acidentalmente, tirei a foto abaixo no último final-de-semana. Quando tirei a foto, fiquei olhando por aquele ângulo e pensei: “Cara, já imaginou se a gente pudesse colher nuvens?” Que fosse só uma vez na vida, eu já seria a “mulher-criança” mais feliz do cosmos. E, mais, é uma das poucas coisas pela qual pagaria com o maior prazer!
Quem sabe… um dia… Sério! Afinal, se qualquer um (com muita grana) já pode até passear na lua, porque ainda é tão difícil pegar só um pedacinho de uma nuvem fofinha e inofensiva! Mundo estranho esse em que vivemos… enfim… keep dreaming…
Piraí do Sul foi a cidade que escolhemos para relaxar no último feriado. Teoricamente, durante a pesquisa na internet, não tinha nada de tão especial, era só uma pousada simples que ficava em uma região bonita e já no caminho de volta para nossa casa. Simples e prático assim.
Mas quando chegamos lá… “Wow!”. Depois de um longo período longe das trilhas e de novos lugares, aquela terra sem fim me deu uma vontade absurda de sair correndo e pulando. Bem, vontade deu, mas com o Rafa no colo as coisas não são mais tão simples assim. Então fomos andando lentamente na mata virgem dos Campos Gerais e olhando aquele horizonte sem fim, sem concreto nenhum para bloquear nossa visão e nossos pensamentos. Uma sensação deliciosa de um mundo sem fim, mas com uma finalidade muito bem definida: viver sem limites.
Todos esses pensamentos e sentimentos aconteceram logo no momento em que chegamos. E isso, bem isso era só o começo do feriado filosófico e inesquecível.
Ficamos hospedados em uma pousada com o quintal mais lindo e extenso do mundo! O nome da pousada é “Pousada Serra do Pirahy” e, na verdade, poderia dizer que não é só uma pousada, é uma “Pousada Fazenda Familiar”. O proprietário é um cara SENSACIONAL que tem um papo delicioso e uma sabedoria invejável. Uma pessoa extremamente simples, formado em filosofia e psicologia, foi empregado durante muitos anos, já morou e rodou por muitos lugares dentro do Brasil e, no fim, decidiu largar tudo e investir na pousada e nos seus sonhos. Ele aparece no vídeo da cachoeira e de costas nessa foto abaixo. Ah! Tinha esse vizinho (camisa listrada) com o cavalo que estava sempre lá na casa com a gente e sempre aparecia nas trilhas. Inclusive, o Rafinha deu até uma voltinha no cavalo do moço, mas como eu estava segurando o Rafa e o moço estava guiando o cavalo, não rolou fotinho, mas já valeu pelo momento e pela experiência que o Rafa adorou! Nem preciso dizer que na hora imaginei nós dois cavalgando juntos um dia na nossa fazenda, né!? Vida perfeita!
O emerson mora na pousada com sua mãe e sua irmã que fazem comidinhas daquelas de vó mesmo. Delícia! Huuummm… só de pensar já dá saudades. Ah! E além deles 3 não seria justo esquecer outros 3 serzinhos deliciosos: Jau Jau, Picumã e Tupã. Três labradores lindos e que sempre acompanham os visitantes nas trilhas e, inclusive, nos mergulhos.
A pousada oferece pensão completa. Mas não é uma pensão completa qualquer não, viu!? É muita comida! Nós nos sentimos realmente em casa, principalmente o Rô, pois parecia casa de mineiro onde você passa o dia comendo e conversando. Além da gente, tinha mais dois casais hospedados lá. Pessoas incríveis! Foi como um feriado em família, pois a sinergia estava simplesmente PERFEITA. Tão sensacional que foi só eu vacilar, que estava lá o Rafinha sentado no colo de uma das meninas faturando a banana dela. Isso depois de ter tirado todas as cebolas da fruteira, de ter arrastado todas cadeiras da cozinha e de ter sido todo lambido pelo Tupã, o labrador filhote.
A única coisa não tão legal assim foi o frio que estava. Jésuis! O Rafinha ficou parecendo um teletubie com a jaquetinha dele, mas pelo menos deu pra segurar um pouco a friaca. O problema é que a mãe-jacu aqui não lembrou que o frio queima nossa pele e adivinha? Ele ficou parecendo um lord inglês e eu uma lady queimada, com as bochechas e a ponta do nariz vermelhinhos. O dó!
Aproveitando o nosso “quintal”, o Rafinha teve suas primeira aulas de direção. O difícil foi o Rô conseguir mudar a marcha com ele tirando a mão do pai como que dizendo: “Deixa comigo, pô!”
Mas voltando ao lugar e deixando um pouco de lado as experiências radicais do Rafinha, tenho que dizer que a paisagem daquele lugar nos transmitia muita paz. É uma paisagem, a princípio, plana, linear, limpa, nua, infinita. Mas conforme você vai se afastando da pousada, vai começando a perceber que aquilo que você vê é apenas a superfície do que existe ali. Quando estava lá, refletindo sobre aquele lugar, me peguei pensando que tudo na vida é como aquela paisagem. Na superfície tudo parece mais fácil, mais linear, mais cômodo, mais previsível.
Por outro lado, quando saímos da superfície das coisas ou das pessoas tudo se torna mais instável, mais perigoso, mais irregular, mais turbulento, mais arriscado.
É por isso que a maioria prefere a superfície, a superficialidade. E é por isso que eu amo regiões como essa, onde você tem a possibilidade de ir mais fundo e de se surpreender com o que a profundidade te oferece. Lá no topo você sente o vento e se prestar bem atenção já ouve o barulho das cachoeiras e corredeiras escondidas no vale. Elas te chamam. São irresistíveis. O caminho até lá é úmido, é sujo, é escorregadio. Mas o que se vê quando está lá no fundo do vale, faz valer muito a pena se arriscar. Você vivencia sensações que só a profundidade te dá. Meu Deus! Tudo que está lá em cima, se torna tão pequeno quando você está lá embaixo. Ir mais ao fundo é a melhor forma de entender que tudo na vida é, de verdade, relativo.
E olha que nem fomos tão “fundo” assim, pois não queríamos abusar muito no primeiro trekking do Rafinha. Quem lê pensa que ele foi andando, né!? Calma, AINDA não. Levamos ele no canguru, mas não é o ideal, o ideal mesmo é um equipamento próprio pra levar as crianças nessas aventuras que vamos comprar logo logo. E também queríamos ver se o pequeno ficava de boa e tal. Aconteceu o esperado: ele não só ficou de boa, como já queria até dar um mergulho básico.
Foi uma experiência deliciosa ter botado o Rafinha pra “trekkinar” com a gente. Quem conhece o figurinha sabe que ele é muuuuuito “easy going”. Não tem tempo ruim. A única coisa que ele não gosta (e ALELUIA nisso ele puxou a mãe!) é de ficar parado. Pois é, olha o Rafinha trekkineiro ai gente! Agora o “Mundo é dos 3″ mesmo!
Como ainda vamos ter muita caminhada pela frente, fizemos questão de comprar pra ele a “primeira botinha de trekking”. Cara, no caso do Rafinha, esse item é um investimento e, principalmente, é irresistível! Tá, mas mais irresistível é o ver tentando calçar a botinha. Figura demais! Mas dá um desconto no “não é dois num pé só…”. Pois é, uma mãe babona também esquece do bom português.
Pois é, nessa viagem eu realmente fiquei meio “abobalhada” de tanta alegria em estar ali, agora não somente como “Maira” ou como “Maira e Rô”. Essa foi a primeira “aventura” da minha família: eu, meu marido e meu filho. Vendo o Rafinha ali no meio daquela natureza linda, compartilhando com a gente mais uma das nossas aventuras e vendo ele curtindo aquilo tudo tanto quanto a gente não pude pensar em outra coisa a não ser Nele: em Deus. Pra mim, aquele momento, aquela experiência foi o batismo do Rafinha. Olhei pra ele e mentalmente disse: “Filho, não existe nada e nem ninguém nesse mundo capaz de te explicar o que é Deus. Deus a gente sente. Agora mesmo ele está aqui com a gente, nos abençoando com este lugar maravilhoso e com seres humanos tão puros e amados que estão aqui perto de nós. Isso é Deus. Então sempre que sentir um vazio, sentir que te falta algo, busque a natureza, busque as pessoas de bem e ali estará Deus. Mas também quando estiver feliz e sentir que precisa dividir ou agradecer, chame por Ele e agradeça sempre. Ele vai gostar de te encontrar também quando estiver feliz.”
E, falando em Deus, um feriado tão maravilhoso só poderia terminar com um pôr-do-Sol espetacular! Obrigada meu Deus! Obrigada Emerson pela hospitalidade e pela inspiração. Só o Rô sabe como essa viagem e as conversas com o Emerson mexeram comigo. Voltei com a corda toda! Me aguardem!
O Emerson nos falando sobre como construiu a pousada: “Bem eu tinha pouco dinheiro e muito tempo, então gastei bastante tempo e investi o dinheiro pouco a pouco.” Reflita.
PLANOS: voltaremos no futuro pra explorar mais a região tão linda e matar as saudades da nossa família da pousada. Promessa!
Graças à um convite para um casamento muito especial fomos parar em uma região repleta de boas surpresas paranaenses.
Pra começar que tal irmos direto pra Holanda? Que na verdade não é Holanda, mas sim Países Baixos. Mas enfim, seja lá como devemos chamar esse país, para sentí-lo só um pouquinho nem precisamos ir tão longe. Pois é, basta ir pra Castro, ou melhor, pra Colônia Castrolanda que fica em Castro no Paraná.
Castro é uma cidade com uma história interessante, rodeada de colônias holandesas e alemãs. O único lugar que tivemos oportunidade de conhecer foi o centro de informações turísticas que é muuuuito fofo, com um sapato holandês gigante logo na entrada. Coisa bem turística, mas que rende umas fotos muito fofas com os pequenos.
Mas o que mais nos chamou a atenção não foi nem a cidade, mas sim a Colônia Holandesa que fica dentro da cidade, a Castrolanda. O nome já é uma homenagem aos colonos “holandeses”, ou seja, uma mistura de Castro com Holanda. Mas a diferença entre a colônia e a cidade é gritante. Aliás, a diferença entre a colônia e o Brasil é gritante. A sensação que tínhamos lá é de que realmente estávamos na Holanda, na Europa.
A colônia e toda sua riqueza aconteceu graças à união das famílias holandesas que chegaram no local em 1951. Eles se uniram e fundaram uma cooperativa, a Cooperativa Castrolanda. Essa cooperativa atua em diversos ramos e um deles é a produção de leite que é, inclusive, consumido aqui em casa. Os caras construíram um verdadeiro império holandês! Fora que a colônia é uma graça! Você custa a acreditar que está no Brasil. Casas lindas, sem muros, sem portões, pracinhas charmosas, ruas limpas e, pra fechar o cenário, holandeses falando holandês pelas ruas da colônia (bem, eu acho que era holandês…rs), plaquinhas das ruas com os nomes em holandês, árvore daquelas européias e um dos maiores moinhos de vento em operação no mundo que é operado pelo único “moleiro” certificado do Brasil. Ó!
Só sei que, tirando o frio, até deu saudades da Alemanha. Mas, foi só seguir viagem rumo à próxima parada que as saudades deram lugar à alegria imensa de estar no Brasil, mais exatamente em Piraí do Sul. Aguarde o próximo post e conheça um dos paraísos Paranaenses!
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