Reflexões

RAPIDINHA – Rastros da guerra

Hoje voltando da Uni, peguei o ônibus como de costume para ir até a estacao de trem. Foi quando o ônibus parou em um dos pontos no meio do caminho e subiu um senhor bem doido. Me pareceu que ele é daquelas pessoas que ficam perambulando por ai e subindo e descendo de ônibus. Entrou resmugando sozinho e mal conseguia andar. Nao parecia bêbado, mas bem perturbado em tempo integral.

Todos no ônibus ficaram observando enquanto ele procurava um lugar pra sentar e, adivinhem, ele decidiu sentar do meu lado. Na verdade ele se jogou no assento ao meu lado e continuou resmugando um monte de coisas que eu nao conseguia entender. Foi quando ele no meio do “resmungamento” disse: “Heil Hitler!” e depois repetiu isso mais umas três vezes até descer.

Fiquei chocada e, diga-se de passagem, até com medo. Chocada nao por ele ter dito isso, sem se preocupar com as consequências, mas por ter visto ao meu lado uma pessoa que pode ter vivido coisas horríveis no período onde o Hitler esteve no poder e o medo também por isso, afinal tá na minha cara que sou estrangeira e ser uma estrangeira sentado ao lado de alguém que diz isso nao é nada confortável. Quando ele disse o que disse, me arrepiei completamente. É como se eu, que nao vivi isso, tivesse vivido, pois aquilo me levou para os campos de concentracao que já visitei e, pior, me veio as faces dos prisioneiros que vi em fotos nesses campos e em Berlim.

Até agora aquele senhor volta na minha cabeca. Sinto dó. Sei lá. Talvez ele tenha sido um dos adeptos de Hitler, mas MUITOS foram e MUITOS ficaram como ele, loucos. Talvez pelo sentimento de culpa ou até mesmo pelo sentimento de terem se enganado apenas ou por terem sido enganados. Outros porque talvez perderam tudo que tinham e à todos, inclusive filhos e amores. Muitos perderam a coragem de olhar pra cima, por vergonha de terem participado de um dos piores capítulos da história da humanidade.

Pois é, é tudo tao recente. Muitos dos sobreviventes ainda sofrem. Muitos estao mortos em vida. Muitos preferiam ter morrido. E muitos desses muitos ainda sao encontrados diariamente nas ruas e nas nossas vidas, trazendo com sua presenca uma história, uma história que nos leva a refletir e à orar para que histórias como essa nao se repitam jamais.

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5 Comentários para "RAPIDINHA – Rastros da guerra"

  1. Silas disse:

    Imaginei a situacao!!…, pelo menos vc ja pode dizer que teve uma experiencia bem “Louca” na Alemanha!!….rs….

  2. clo disse:

    Nossa! Daqui dá um não-sei-o-que no estômago.
    Que loucura! A minha mestra de Reiki, a Ursula, é polonesa e ela me contava da sua adolescência neste pedíodo. Ela tinha uns 13 aninhos.
    Guerra é sempre uma estupidez; ninguém ganha uma guerra, nenhum dos lados.
    beijinho no coração assustado

  3. juana disse:

    É minha querida na Russia também encontrei povo assim, sofreram muito, e em 1977 ainda fazia uns 20 e poucos anos do fim da guerra, hoje já há poucos, mais isto me leva a pensar e me preocupar a vida de Jader, neste momento está no Afganistão, claro que como enfermeiro militar, mais é mutio preocupante, liga todos os dias, até agora está tudo bem, porém escuto a voz como cansado, lhe pergunto e res´ponde que não pode falar muito, só para me avisar que o dia foi tranquilo e está bem…beijos, se cuida, ainda bem que existe hoje o celular e a internet…

  4. Maria Cristina Mingardi disse:

    Maira, essa sua história nos leva a refletir sobre a importância da conduta e pensamentos de uma pessoa, quando ocupa um cargo público e de tamanho poder! A influência sobre o grupo ou nação à qual se dirige, pode fazê-los progredir ou despedaçar-se.

  5. Maira disse:

    Silas – Pois é, já tive várias pra falar a verdade, só me falta tempo e memória em tempo hábil pra registrar tudo por aqui. O país pra ter doido, viu!? ((((-:

    Clo – é assustador mesmo, principalmente porque muitos de nós desconhecem esse tipo de realidade e fica até difícil entender ou julgar. Fico triste por quem viveu em períodos de guerra.

    Juana – pois é, imagino que na Rússia deva ter encontrado muito disso também, mas sobre o Jader, pensamento positivo, pois logo logo ele estará em casa. Tenho certeza! Eita minino q nao para também. (((-:

    Maria Cristina – é, geralmente as pessoas nao tem nocao do qto podem ser responsáveis por resultados definitivos na história de um povo ou até mesmo do mundo e esse eh o maior perigo no contexto mundial. Triste, mas o mundo está no mundo de seres des-humanos também. )))-:

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