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SENTIMENTOS – Fazendo amizades em outro país/lugar

Eu esperava escrever sobre isso só quando eu fosse embora da Alemanha para o Brasil, mas não aguentei depois que li um post da La falando sobre esse sentimento. Quando li o post dela chorei. E choro sempre que penso nas pessoas que um dia vou “deixar” pra trás aqui na Alemanha e na europa em geral.

E, além desse motivo, tem outro. Um dia fizemos um festao aqui em casa com quase toda brasileirada, um italiano e um alemao, e outro dia fizemos outra festa mas só com alemaes. Ver todo mundo junto já nos encheu de saudades de quando nao for mais assim. )))-:

É estranho, pois quando deixamos nossos amigos do Brasil dói muito. Dói demais. Mas não é só porque eles são brasileiros, mas sim porque são queridos. E então chegamos aqui e acontece o mesmo, tanto com brasileiros que conhecemos aqui, quanto com estrangeiros e alemães, pois eles também se tornam queridos e importantes nas nossas vidas. E, o mais importante, eles se tornam mais próximos do que aqueles que “deixamos” no Brasil. O que é normal geograficamente falando. (((-:

Quando cheguei fiz amizades com muitos estrangeiros, com os quais mantenho contato até hoje, nem que seja por email. Aprendi a admirar outras culturas e aprendi a descobrir o melhor das pessoas mais do que nunca, pois conseguir amigos estando fora do seu “mundo” é MUITO mais difícil. É difícil, pois as culturas são diferentes e você não sabe como “chegar”. Você fica com medo de ser mal compreendida, mal interpretada por causa da barreira da língua e com isso você, às vezes, fica cansada de tentar encontrar amigos. E muitos dos que você, num primeiro momento, julga potenciais amigos, se mostram com um pouco mais de tempo diferentes do que você gostaria e isso te deixa confusa e triste. Você percebe que não tem “tato” ainda e lidar com isso é difícil, pois no seu país você, normalmente e teoricamente, tem. Mas isso também acontece (pasmem) com brasileiros que conhecemos aqui, ou seja, somos frutos da mesma cultura, mas mesmo assim existem barreiras a serem ultrapassadas ou simplesmente aceitas.

No comeco eu era muito mais comedida, pois percebi que eu precisava dar espaco para as pessoas “se mostrarem” e ai sim eu poderia identificar potenciais amigos. Mas muitos dos que vieram, sumiram mais tarde. Cada um foi cuidar da sua própria vida e nunca mais nos falamos. Outros ficaram, mas nosso contato se tornou mais superficial. Não sei. É estranho explicar. Às vezes falta assunto, talvez por não termos uma história juntos, tanto na nossa vida pessoal aqui, quanto na nossa vida como um todo. É estranho, mas é também normal. Acho que quando somos mais novos, somos mais “flexíveis” e “abertos” para novas amizades e ai conforme vamos ficando mais velhos, vamos ficando mais criteriosos e exigentes (pra nao dizer chatos e enjoados pra caramba!). Me vejo pisando em ovos quando converso com pessoas assim e isso me dá um sentimento de “perda de identidade”. Não sou eu. Eu ODEIO ter que ficar pisando em ovos pra falar com pessoas próximas a mim. Odeio! Tá, sou meio alemã nisso mesmo. Admito 100%.

Gosto de olho no olho, gosto da verdade, gosto de discutir com gente que tem opinião própria e não opinioes que se ajustam, gosto de brigar com quem amo se for preciso, gosto de abracar quem amo a hora que dá vontade, gosto de pessoas que me digam a verdade mesmo sabendo que num primeiro momento eu vou fechar a cara, mas que depois eu vou amar essa pessoa mais ainda por ela ter sido verdadeira comigo. E esse tipo de pessoas são raras. As pessoas normalmente se escondem no comeco e isso me dá a sensacão de estar sendo enganada. As pessoas fazem de tudo pra agradar e não é só por educacão, mas por falsidade mesmo. Todo mundo que chega em outro país, chega e fica carente. Precisa de amigos, custe o que custar, inclusive sua própria identidade. Isso é triste e são dessas pessoas que quero distância sempre. Aqui ou lá.

Mas o mais engracado é que fiz pouquissímas amizades com brasileiros no comeco e não foi porque evitei. Simplesmente eles não apareceram ou não se fixaram na minha vida naquela época. Os primeiros que conheci foram a Letícia e o Rogério. Uns amores, mas a amizade demorou a crescer e a se concretizar. Tanto porque somos diferentes em muitos aspectos, quanto porque, acredito eu, cheguei aqui meio desconfiada de brasileiros (e motivos não nos faltam) e tomei uma postura de pisar com cuidado. Hoje tenho menos contato com o Rogério, que voltou para o Brasil e de vez em quando manda um email contando as novidades, mas a Lê está cada dia mais presente na minha vida. E ela foi a primeira “vítima” da minha postura de “abrir a guarda”, pois ela é muito diferente das amigas que eu tinha feito na minha vida toda até então. Temos muitas diferencas em nossas opinioes e modo de vida, mas descobri nela uma bondade tão intensa e uma vontade de querer nos ver bem tão sincera que não resisti, adotei ela como uma daquelas amigas que a gente não quer mais perder. E ai depois dela vieram outras pessoas maravilhosas que conheci justamente através dela: a Mi e a Paty.

Depois disso comecaram a surgir e estao surgindo novas amizades com mulheres brasileiras que conheci através desse blog. A Lá e a Lu (aliás, estou ficando louca com tanto “L”).  Pessoas MUITO especiais com as quais mantive contato por um bom tempo virtualmente e que hoje chegaram pra ficar na minha realidade. Nos ajudamos muito: eu ajudei elas antes de chegarem na Alemanha e agora e elas me ajudaram a ter mais um motivo pra ficar mais um bucadinho. Além delas, conheci também através da “Blogosfera” a Sandra (vive já há 15 anos na Alemanha), uma mineira que me ajudou muito nos meus passos iniciais para conseguir uma vaga no MBA e que sempre dá uma passadinha por aqui pra corrigir as coisas erradas que escrevo e também pra complementar de forma enriquecedora vários posts mais “profundos”. E como se nao bastasse ainda conheci mais uma brasuca de tabela: Monica. Essa está em fase de análise curricular, mas demonstra até agora um potencial incrível. (((-:

E, é lógico, que a empresa onde o Rô trabalha também fez a sua parte, trazendo o Silas, a Glau e a Débora pra ficar pertinho da gente nos fazendo rir muuuuuuuuuuuito! Tem também os cachos, mais conhecidos como maridos ou namoridos. Os que conheci até agora, nem preciso dizer o quanto sao importantes na nossa vida, né!? Sao eles: Augusto, Hugo, André, Marcos, Sudário, Fabrizio e Léo.

E o mais engracado é que só depois que eu terminei meu curso de alemao, é que comecaram a chover brasileiros maravilhosos na minha horta. Chega a ser assustador, no entanto que até  já conversei com o Rô que talvez vamos precisar alugar uma casa maior pra caber todo mundo. (((-:

Mas, como se nao bastasse, tem minhas amigas estrangeiras que AMO e que dói quando penso que um dia vamos estar loooooooooonge pra daná. Um dia eu e mais 3 desabamos na choradeira só de pensar nesse dia, pois chegamos nesse barco chamado “Alemanha” juntas e vivemos bons e maus bocados juntas também. Já sao 2 anos que vivemos (e sobrevivemos) a essa situacao e tenho certeza que sem elas tudo teria sido mais difícil.

Agora imagina a hora que chegar a hora de ir embora ou de ver indo embora. Nao gosto nem de pensar. Vivemos e estamos vivendo tantos momentos mágicos juntos. Estamos nos aquecendo literalmente nas épocas gélidas de outono e inverno. Estamos nos ajudando na adaptacao e aceitacao da cultura local. Estamos também xingando juntos tudo aquilo que agride a nossa cultura, nossos valores e nossa inteligência por aqui. Estamos dividindo gestacoes e nascimentos. Casamentos e crises amorosas. É tanta coisa e numa situacao tao ímpar. Nao há como esquecer essas pessoas. Mas vamos ter que aceitar novamente a distância. Nao tem jeito.

Por isso meu maior esforco tem sido aceitar as pessoas como elas sao e aproveitar o máximo tudo de bom que elas tem e aprender ao máximo sobre tudo que elas podem me ensinar. Em muitas identifico meu sonhos e em outras identifico meus defeitos que me incomodam. Entao pego esses dois lados e uso na minha vida, ou seja, realizo meus sonhos e corrijo os meus defeitos me baseando nos meus sentimentos em relacao às características dessas pessoas. Nada e nem ninguém “acontece” por um acaso na nossa vida. Disso eu sempre tive e tenho certeza.

Entao aproveitem sempre cada minuto próximos às pessoas com quem vocês se identificam, seja pelas qualidades, seja pelos defeitos. Viva. Discuta. Brigue. Abrace. Beije. Mas nao desista das pessoas, principalmente quando elas forem difíceis, pois sao essas as mais preciosas na sua vida. (sim! eu sou uma jóia vendo por esse ângulo! hahaha)

Seja sincero e tolerante, pois assim nunca lhe faltará amigos de verdade seja onde for.

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6 Comentários para "SENTIMENTOS – Fazendo amizades em outro país/lugar"

  1. La disse:

    Aiiii Maaaaaaaaaa….foi dificil segurar as lagrimas ate a ultima frase…voce se tornou uma pessoa mtooo importante! Obrigada por me ajudar, obrigada por me ensinar a falar o que penso! Obrigada por tudo, voce eh mtoooo querida! Com certeza vai ser muitooo triste o dia que voce tiver que ir..mas que nao seja o ultimo dia, e sim, so um comeco de novos encontros em outros lugares do mundo!! te adoro mto! bjaooo

  2. Liza disse:

    Amei o post.
    Beijos,
    Liza

  3. Ola tdo bem,li um pouco sobre vc e sua luta ai tambem…
    pois estou longe da minha terra natal,e as experiencias aqui tambem foram muitas,e as decepcoes tambem,mas nda disso fez com que eu mudasse meu geito de ser,somente fiz alguns ajustes melhores nas partes que precisei.Sofri choreimas tabem ri muito de mim mesmo em certas situaçoes do dia a dia,tdo bem diferentes mas tdo serviu como aprendizado na minha vida,e se for possivelvou partilhar com outras pessoas.
    Eacabei aqui por acaso,procurando uma receita de coxinha rsss.
    Mas e isso temos que tirar proveito de tdo nessa vida,a gente sempre aprende novas coisas c situaçoes diferentes…
    Que as vezes pensamos nao suportar,mas pose ter certeza que somos fortes o suficientes p aguentar,nossa vida e um desfio constante…
    Principalmente qdo queremos ver um mundo novo,pessoas mais felizes e nao podemos nunca desistir sempre lutar pois nuncaestamos so,por mais longe que estejamos de nossa casa… pois onde ou em qualquer lugar que estejamos tdo depende de nos mesmo ser ou nao ser feliz…
    Depende de como a gente ve as coisas…Nem sei se vc vai chegar ate vc essas palavras mas me deu vontade escrever p vc,pois vivo situaçoes parecida.
    Algo que me identifiquei c vc que a gente perto ou longe de casa nos nao deixamos de amar as pessoas,mesmo sendo tao diferentes de nos,mas a essencia do ser humano e a mesma interessane…vou ficando por aqui abracos e gambate,japao okasaki-shi.

  4. Maristela disse:

    adorei essa imagem!!! e a mens tabm!! bjoka

  5. Herilson disse:

    confesso que me supreendi aqui neste site..maravilhoso..me identifiquei muito..bjs

  6. deborah disse:

    Oii estou lendo seu blog inteirinho. Me casei com um alemão e estou indo morar me Stuttgart em junho. Estive lá por esses dias e confesso que amo aquele lugar. Que limpeza, que educação…Estou super ansiosa pois também vou para a escola de integração, morrendo de medo, achando que nunca vou aprender! Você conseguiu arrumar trabalho com facilidade por ai? Vou morar em Ditzingen conhece?

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