jan
19
MBA na Alemanha – Tese de Mestrado entregue!

Texto escrito ontem (18/01/11) às 9 horas no campus da Universidade de Reutlingen, Alemanha

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“Caminhante, são teus rastros
o caminho, e nada mais;
caminhante, não há caminho,
faz-se caminho ao andar.
Ao andar faz-se o caminho,
e ao olhar-se para trás
vê-se a senda que jamais
se há de voltar a pisar.
Caminhante, não há caminho,
somente sulcos no mar.”

(Antonio Machado)

Estou anestesiada. Completamente anestesiada. Sentada na “Mensa” (Refeitório) da Uni, rodeada de estudantes, tomando o café com leite que só nao é mais saboroso que o da minha avó materna e pensando: “Acabou. Eu consegui”. Isso mesmo! Consegui entregar a versao final da minha tese de mestrado e solicitar oficialmente meu diploma. Eu estava tao acelerada que meu orientador pediu para que eu sentasse. Ele parecia interessado em conversar mais comigo sobre a tese e também sobre a empresa com a qual escrevi a tese, mas eu só pensava em ir embora. Foi muito estranho. Eu estava tao cansada que nao via a hora de sair dali, pra talvez poder digerir o que estava acontecendo. Depois de conversar um pouco, fomos juntos até a secretaria solicitar meu diploma e ficamos lá mais um pouco conversando com a secretária que é um amor. Mas eu continuava com pressa e eles se divertindo com a minha situacao, pois o nascimento do Rafa está previsto para dia 23/2 e minha festa de formatura é dia 18/2. Disse pra eles que já comprei os tickets e que agora é só torcer para o Rafa segurar as pontas. Pois é, ai tive que ouvir que eles já tinham percebido que brasileiro, em geral, é muito otimista, mas que eu já entro na categoria dos super-otimistas. -D

Bom, mas falando nos sentimentos, vocês devem estar estranhando que nao estou, como de costume, escrevendo “gritando”, né!? Tipo: “Conseguiiiiii!!!!”. Pois é, também estou achando estranho, mas no momento só consigo pensar lentamente. Parece que, de repente, estou me permitindo assumir meu esgotamento mental. Aliás, deve ser isso mesmo, pois só de escrever a última frase comecei a chorar. Pois é, “mestres” também choram. -D

Enfim, após 2 anos fecho mais este ciclo na minha vida, na Alemanha. Mais uma vez me superei. Mais uma vez acreditei em mim e segui em frente, apesar de todos os muros que surgiram dentro e fora de mim. Nunca acreditei que seria fácil (e, acreditem, nao foi mesmo), mas minha intuicao sempre me disse que seria possível e que valeria a pena.

A minha maior conquista, ao contrário do que muitos pensam, nao foi adquirir um título de mestre em MBA na área de Marketing Internacional. Minha maior conquista foi ter superado as dificuldades que iam surgindo no meio do caminho. A minha maior conquista foi nao ter desistido. A minha maior conquista foi ter conseguido chegar ao fim, mesmo me sentindo muitas vezes “inferior”, pois foi assim que me senti muitas vezes, principalmente quando era preciso formar grupos de trabalho e os estrangeiros eram sempre os últimos a serem escolhidos, sendo que alguns tinham, inclusive, que “implorar” para serem aceitos. Mas com muita persistência, paciência, orgulho e humildade, consegui. Com isso eu RE-conquistei uma coisa fundamental que havia “perdido” quando cheguei na Alemanha: minha auto-estima. Hoje, após quase quatro anos aqui, voltei a realmente acreditar em mim e, principalmente, voltei a ter orgulho de TUDO que conquistei até hoje na minha vida. Aliás, nao só reconquistei tudo que havia “perdido”, como me tornei mais forte e mais auto-confiante. Esse auto-conhecimento e a orgulho pela superacao foram minhas maiores conquistas e nao o título acadêmico.

Pois é, como disse no comeco deste post, ainda estou anestesiada. Estou me sentindo leve, mas ao mesmo tempo “sem rumo”. Toda vez que termino algum ciclo me sinto assim por alguns dias. É só o tempo de encontrar um novo desafio que me mova. E, desta vez, o próximo desafio é gigante e vai me acompanhar (se Deus quiser) por muito tempo: meu próximo grande desafio é, sem dúvida, a maternidade. Aliás, agora sim vou poder me dedicar à este acontecimento, pois até entao estava muito mais envolvida com a tese. Nao porque ela é mais importante que o Rafa. De jeito nenhum! Mas porque eu sabia que se nao a terminasse logo, nao poderia me dedicar à ele como gostaria. Eu sabia que precisava terminar este ciclo para poder viver a maternidade da forma mais plena absoluta. E o Rafinha, mesmo sem saber e mesmo sem ter nascido, foi crucial para que eu conseguisse chegar até aqui. A gravidez até agora foi perfeita! E toda vez que eu perdia o pique, pensava que queria estar livre disso tudo quando o Rafa chegasse. Foi isso que mais me moveu até aqui. Antes eu dizia que escrever uma tese de mestrado grávida nao tinha sido um bom planejamento, mas agora eu digo o contrário: foi a melhor coisa que me aconteceu. -D

É isso. Acabou! Finito! Agora só falta pegar o canudo e correr pros bracos daquela pessoa que foi fundamental para que eu chegasse até aqui: meu amor, meu amigo, o pai do meu filho, meu marido. Ele sabe que sem ele tudo seria mais difícil e menos divertido. AMO!

E, nao posso deixar de agradecer à todos vocês que estiveram esse tempo todo me apoiando, acreditando em mim, me mandando mensagens super carinhosas e sempre me levantando quando eu mais precisei. Isso, pra mim, foi extremamente importante, pois quem me conhece sabe, muito mais do que qualquer coisa no mundo eu preciso de vocês, eu preciso de PESSOAS, eu preciso dividir. Obrigada por existirem!!!! E, lembrem-se: a partir da metade de 2011 quero voltar ao mercado de trabalho, entao aguardem meu CV tá!? -D

Agora me dá licenca que eu tenho muitas lembrancinhas de maternidade pra fazer e um quartinho pra enfeitar. -D



nov
24
AVISO – Blog temporariamente em segundo plano

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Pessoal, só dei uma passadinha porque sempre que vejo novos comentários ou recebo novos emails dos leitores deste humilde blog fico com peso na consciência por estar tao relapsa com ele e com vocês.

Nao sou uma verdadeira “blogueira”, daquela que visita todos que a visitam, que deixa recadinhos, que passa selinho, que evita conflitos pra ter mais visitantes felizes e etc. Enfim, tenho um blog porque gosto de escrever, de me expressar, de conhecer gente nova, de dividir conhecimento e/opinioes pessoais e também porque adoro aprender com muitos que passam por aqui deixando também um pouquinho dos seus conhecimentos e opinioes. A-DO-RO!!!

Mas agora estou num momento ótimo, mas conturbado da minha vidinha, logo nao consigo pensar em outra coisa que nao seja meu filho (hoje entramos no 7° mês!), no meu marido, na minha tese de mestrado que tenho que entregar prontinha até dia 20/01/2011 e na nossa volta para o Brasil na metade de 2011. Pouca coisa, né!? -D

Entao por isso vou ficar devendo atencao ao “Retratos e Relatos” pelo menos até entregar a tese, que é o que mais está me tirando o sono ultimamente (além de uma gripe chata que, se Deus quiser, me deixa em paz até sexta). Maaaaas, enquanto isso na sala de justica, vocês podem nos acompanhar no blog do nenê (http://omundoedostres.wordpress.com). Nao tinha divulgado, pois preferi esperar um “cadinho” pra publicar assim pra todo mundo. Mas agora tá liberado! Afinal só faltam mais 3 meses e o que relato ali também pode ajudar algumas futuras maes, né!? Apesar que também nao ando escrevendo muito por lá, mas pelo menos uma vez por mês tem novidades e quilos a mais. -D

É isso. Agora vou voltar pra minha “amada” tese que só tá andando gracas à Nora Jones. Pois é, a coisa só rende se eu botar as músicas dela pra tocar bem baixinho no fundo. Tô até pensando em colocar um agradecimento especial pra ela na tese. Justo, nao!? -D

Fuuuuuiiiiii!!! Ops… Fomooooooooooooooosss!!!



nov
20
TRABALHAR NA ALEMANHA – Questionário sobre condicoes de trabalho

Essa semana, chegando na minha mesa do trabalho tinha um papel. Quando li, na hora lembrei do meu primeiro emprego que durou uns 8 anos. Por quê? Vou explicar.

Era um questionário super completo fazendo perguntas sobre as nossas condicoes de trabalho. Lógico que nao precisava botar o seu na reta, ops, o seu nome. Perguntas do tipo:

- Sua cadeira é confortável?

- Você tem pelo menos dois intervalos por dia para fazer pausa (+ o horario do almoco)?

- Você tem que fazer horas extras? Quantas vezes por semana? Quantas horas a mais? Se sente adequadamente remunerado por isso?

- É bem tratado pelos seus colegas e superiores? Sente que é valorizado como profissional? Seus superiores lhe dao oportunidade de dar feedbacks?

- A temperatura do ambiente de trabalho é agradável?

- Você é obrigado a executar tarefas que nao estao descritas no seu contrato de trabalho? Sente que isso atrapalha seu desenvolvimento profissional?

Bom, quando comecei a ler, comecei a rir. Fiquei imaginando um questionário desse no Brasil. Esses alemaes tao bem pra caramba e mal sabem eles. Ou vocês acham que eles responderam que estao no paraíso? Fala sério, viu!? E eu enquanto trabalhava no Brasil, fazia muito mais do que minha obrigacao todos os dias e ainda achava bom, pelo simples fato de ter um emprego e também pelo fato maravilhoso de ter conhecido alguns dos meus melhores amigos justamente ali, na labuta. Quer coisa melhor do que trabalhar com quem a gente ama e, surpresa, isso inclui a minha cheficha. -D

Enfim, quando vi o questionário achei uma iniciativa legal e justa (coisa de país desenvolvido mesmo), mas quando tento humildemente comparar as condicoes dos trabalhadores alemaes com nossos desbravadores brasileiros, tenho que achar graca e sentir orgulho pela nossa forca e, muitas vezes, resignacao. Me lembrei que por mais que nao me sentisse bem remunerada por tudo o que fazia ou até mesmo valorizada, me sentia feliz por estar ali. Voltava quase todos os dias sorrindo pra casa e cheia de novidades sobre tudo que estava acontecendo no mundo e na vida dos meus amigos. Aqui as condicoes de trabalho sao ótimas, mas como o povo “só trabalha” me faltam novidades quando volto pra casa. Só tenho assuntos do trabalho e acho isso um saco. Sinto falta dos conhecimentos inúteis adquiridos no meus outros empregos no Brasil. Podia nao me ajudar a ser promovida, mas pelo menos fazia mais amigos. -D

Tá ai eu deveria ter escrito que nao estou satisfeita, pois após 3 meses ainda nao fiz nenhum amigo ali. Como será que eles iriam resolver o meu problema? -D

Mas que seja bom enquanto dure. Sem muitos motivos pra sorrir (embora esteja feliz pela oportunidade tao almejada), sem novos amigos (apenas colegas de trabalho), mas bem remunerada (pra quem nao recebia nada há quase 4 anos) e com tempo flexível pra acabar de escrever a minha tese de mestrado e para resolver os assuntos relacionados à minha gravidez e futura maternidade. Perfeito para o meu momento atual, mas acredito que nao resistiria a longo prazo. Como diria meu guru virtual: “Seriedade demais faz mal à saúde”. -D

PS: as jocas das figuras nao ficam mais como antigamente, com o texto logo do lado…saco…alguém me ajuda? Diz q siiiiimmm!

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