mai
11
Itupeva, São Paulo: Café Colonial no Sítio Sassafraz

O que fazer na manhã de um domingo de Sol em pleno outono? Ficar em casa que não dá, então resolvemos seguir a dica de uma aluna minha e fomos experimentar o famoso “Café Colonial” servido em um sítio pertinho aqui de casa: o “Sítio Sassafraz“. Fica à aprox. 74km de São Paulo, 22km de Jundiaí e apenas 11km partindo aqui de casa. Sonho!

Eu não sabia exatamente como era, mas imaginava que um café da manhã que custa R$23.00 devia ser “o café”. Mas, admito, nossas expectativas foram superadas. Não só pelo café, mas também pelo lugar, pelo atendimento e pelo tanto de comida que tinha ali. Ainda bem que fomos “sabidos” e deixamos pra ir bem tarde, já contando com o “café-almoço”. O único problema de fazer isso é que todo mundo pensou como a gente e ai, já sabe, né!? Fila! Mas quando chegamos não eram tantas pessoas na nossa frente e como fiquei de conversa com a mulher que estava chamando o povo da fila, conseguimos uma mesa rapidinha e na área VIP (no deck). Pois é, dependendo do estabelecimento e da situação nada e nem o foursquare supera a vantagem de ser simpática e de ter um bebê a tira colo. D

Segundo a atendente, aos sábados é MUITO mais tranquilo e no domingo o negócio é chegar antes das 10 horas pra não pegar fila. Nós chegamos lá umas 10:30 hs porque nos meus planos era chegar lá, dar a papinha do Rafa e ele já ia capotar pra gente poder comer. Maaaas quem tem filho pequeno, sabe que planos de mãe são meras abstrações com alto potencial de frustração. Pois é, sabe que horas que a pequena criatura foi resolver dormir? Quando já era quase 13 horas! Ainda bem que tinha uma melancia deliciosa que segurou a ferinha pra gente poder comer sem ter que ficar correndo atrás dele.

Então, falando em comida, dá só uma olhada na fartura que encaramos. Nóssinhora! (como diria meu sábio marido…rs)

E, de sobremesa: pé-de-moleque-safado! D

Antes de sair pra visitar a bicharada do sítio que tal um “pit stop” com a galinha pintadinha? Fofo!

Depois de comer MUITO (mas MUITO mesmo!), hora de queimar algumas calorias conhecendo melhor o sítio. Isso mesmo! O Café Colonial é só o começo da jornada por aqui. O sítio tem muita coisa interessante, muitos bichinhos pra criançada ver e curtir como galinhas, porcos, ovelhas, cabras, carneiros, cavalos e vários coelhinhos fofinhos.

O visitante pode passear a cavalo ou, se preferir, pode pegar carona no “trenzinho” que é puxado por um trator. Sensacional a idéia! Mas confesso que eu preferia dar uma volta de trator. Já andei na garupa de um, mas juro que queria dirigir. Quem sabe não negocio com o moço da próxima vez. Tá, fiquem tranquilos que aviso qual será o dia, pra vocês tomarem cuidado se estiverem por lá. D

Estimamos que os caras devem faturar uma graninha legal com o café da manhã, mas sabemos que para um negócio sobreviver às vezes é necessário comercializar produtos mais rentáveis, certo? Pois é, dá só uma olhada no que os caras plantam lá…

… MANDIOCA!!!! Bobinhos… D

Agora vem a sensação mais impressionante do sítio: o “Selbstpflück” !!! Esse sistema é super comum lá na Alemanha e, por aqui parece que é chamado “Colhe-Pague”. Na hora que vi achei sensacional, pois eu JURAVA que um sistema desses no Brasil seria IMPOSSÍVEL! Mas esse sítio, repito, superou todas minhas expectativas. Adorei e não vejo a hora de voltar lá pra colher umas laranjas bahia que estavam bem apetitosas. D

Como na maioria dos lugares “turísticos” tem que rolar uma lojinha para comercializar produtos e regalos. A lojinha é bem simples, bonitinha e lá você pode beber “de grátis” uma pinga deliciosa ou um licorzinho pra adoçar a vida.

O café rola somente aos finais-de-semana das 8 às 12 horas. Então é só ficar de olho na previsão do tempo e, num dia como este é só chegar e se esbaldar! Ah! Quem precisar de cia, é só chamar que se a gente estiver de bobeira, a gente vai junto com muito prazer! ADORO ESSA VIDA INTERIORANA! D



mai
6
Piraí do Sul, Paraná: horizonte sem fim…

Piraí do Sul foi a cidade que escolhemos para relaxar no último feriado. Teoricamente, durante a pesquisa na internet, não tinha nada de tão especial, era só uma pousada simples que ficava em uma região bonita e já no caminho de volta para nossa casa. Simples e prático assim.

Mas quando chegamos lá… “Wow!”. Depois de um longo período longe das trilhas e de novos lugares, aquela terra sem fim me deu uma vontade absurda de sair correndo e pulando. Bem, vontade deu, mas com o Rafa no colo as coisas não são mais tão simples assim. Então fomos andando lentamente na mata virgem dos Campos Gerais e olhando aquele horizonte sem fim, sem concreto nenhum para bloquear nossa visão e nossos pensamentos. Uma sensação deliciosa de um mundo sem fim, mas com uma finalidade muito bem definida: viver sem limites.

Todos esses pensamentos e sentimentos aconteceram logo no momento em que chegamos. E isso, bem isso era só o começo do feriado filosófico e inesquecível.

Ficamos hospedados em uma pousada com o quintal mais lindo e extenso do mundo! O nome da pousada é “Pousada Serra do Pirahy” e, na verdade, poderia dizer que não é só uma pousada, é uma “Pousada Fazenda Familiar”. O proprietário é um cara SENSACIONAL que tem um papo delicioso e uma sabedoria invejável. Uma pessoa extremamente simples, formado em filosofia e psicologia, foi empregado durante muitos anos, já morou e rodou por muitos lugares dentro do Brasil e, no fim, decidiu largar tudo e investir na pousada e nos seus sonhos. Ele aparece no vídeo da cachoeira e de costas nessa foto abaixo. Ah! Tinha esse vizinho (camisa listrada) com o cavalo que estava sempre lá na casa com a gente e sempre aparecia nas trilhas. Inclusive, o Rafinha deu até uma voltinha no cavalo do moço, mas como eu estava segurando o Rafa e o moço estava guiando o cavalo, não rolou fotinho, mas já valeu pelo momento e pela experiência que o Rafa adorou! Nem preciso dizer que na hora imaginei nós dois cavalgando juntos um dia na nossa fazenda, né!? Vida perfeita!

O emerson mora na pousada com sua mãe e sua irmã que fazem comidinhas daquelas de vó mesmo. Delícia! Huuummm… só de pensar já dá saudades. Ah! E além deles 3 não seria justo esquecer outros 3 serzinhos deliciosos: Jau Jau, Picumã e Tupã. Três labradores lindos e que sempre acompanham os visitantes nas trilhas e, inclusive, nos mergulhos. D

A pousada oferece pensão completa. Mas não é uma pensão completa qualquer não, viu!? É muita comida! Nós nos sentimos realmente em casa, principalmente o Rô, pois parecia casa de mineiro onde você passa o dia comendo e conversando. Além da gente, tinha mais dois casais hospedados lá. Pessoas incríveis! Foi como um feriado em família, pois a sinergia estava simplesmente PERFEITA. Tão sensacional que foi só eu vacilar, que estava lá o Rafinha sentado no colo de uma das meninas faturando a banana dela. Isso depois de ter tirado todas as cebolas da fruteira, de ter arrastado todas cadeiras da cozinha e de ter sido todo lambido pelo Tupã, o labrador filhote. D

A única coisa não tão legal assim foi o frio que estava. Jésuis! O Rafinha ficou parecendo um teletubie com a jaquetinha dele, mas pelo menos deu pra segurar um pouco a friaca. O problema é que a mãe-jacu aqui não lembrou que o frio queima nossa pele e adivinha? Ele ficou parecendo um lord inglês e eu uma lady queimada, com as bochechas e a ponta do nariz vermelhinhos. O dó!

Aproveitando o nosso “quintal”, o Rafinha teve suas primeira aulas de direção. O difícil foi o Rô conseguir mudar a marcha com ele tirando a mão do pai como que dizendo: “Deixa comigo, pô!”

Mas voltando ao lugar e deixando um pouco de lado as experiências radicais do Rafinha, tenho que dizer que a paisagem daquele lugar nos transmitia muita paz. É uma paisagem, a princípio, plana, linear, limpa, nua, infinita. Mas conforme você vai se afastando da pousada, vai começando a perceber que aquilo que você vê é apenas a superfície do que existe ali. Quando estava lá, refletindo sobre aquele lugar, me peguei pensando que tudo na vida é como aquela paisagem. Na superfície tudo parece mais fácil, mais linear, mais cômodo, mais previsível.

Por outro lado, quando saímos da superfície das coisas ou das pessoas tudo se torna mais instável, mais perigoso, mais irregular, mais turbulento, mais arriscado.

É por isso que a maioria prefere a superfície, a superficialidade. E é por isso que eu amo regiões como essa, onde você tem a possibilidade de ir mais fundo e de se surpreender com o que a profundidade te oferece. Lá no topo você sente o vento e se prestar bem atenção já ouve o barulho das cachoeiras e corredeiras escondidas no vale. Elas te chamam. São irresistíveis. O caminho até lá é úmido, é sujo, é escorregadio. Mas o que se vê quando está lá no fundo do vale, faz valer muito a pena se arriscar. Você vivencia sensações que só a profundidade te dá. Meu Deus! Tudo que está lá em cima, se torna tão pequeno quando você está lá embaixo. Ir mais ao fundo é a melhor forma de entender que tudo na vida é, de verdade, relativo.

E olha que nem fomos tão “fundo” assim, pois não queríamos abusar muito no primeiro trekking do Rafinha. Quem lê pensa que ele foi andando, né!? Calma, AINDA não. Levamos ele no canguru, mas não é o ideal, o ideal mesmo é um equipamento próprio pra levar as crianças nessas aventuras que vamos comprar logo logo. E também queríamos ver se o pequeno ficava de boa e tal. Aconteceu o esperado: ele não só ficou de boa, como já queria até dar um mergulho básico.

Foi uma experiência deliciosa ter botado o Rafinha pra “trekkinar” com a gente. Quem conhece o figurinha sabe que ele é muuuuuito “easy going”. Não tem tempo ruim. A única coisa que ele não gosta (e ALELUIA nisso ele puxou a mãe!) é de ficar parado. Pois é, olha o Rafinha trekkineiro ai gente! Agora o “Mundo é dos 3″ mesmo!

Como ainda vamos ter muita caminhada pela frente, fizemos questão de comprar pra ele a “primeira botinha de trekking”. Cara, no caso do Rafinha, esse item é um investimento e, principalmente, é irresistível! Tá, mas mais irresistível é o ver tentando calçar a botinha. Figura demais! Mas dá um desconto no “não é dois num pé só…”. Pois é, uma mãe babona também esquece do bom português. D

Pois é, nessa viagem eu realmente fiquei meio “abobalhada” de tanta alegria em estar ali, agora não somente como “Maira” ou como “Maira e Rô”. Essa foi a primeira “aventura” da minha família: eu, meu marido e meu filho. Vendo o Rafinha ali no meio daquela natureza linda, compartilhando com a gente mais uma das nossas aventuras e vendo ele curtindo aquilo tudo tanto quanto a gente não pude pensar em outra coisa a não ser Nele: em Deus. Pra mim, aquele momento, aquela experiência foi o batismo do Rafinha. Olhei pra ele e mentalmente disse: “Filho, não existe nada e nem ninguém nesse mundo capaz de te explicar o que é Deus. Deus a gente sente. Agora mesmo ele está aqui com a gente, nos abençoando com este lugar maravilhoso e com seres humanos tão puros e amados que estão aqui perto de nós. Isso é Deus. Então sempre que sentir um vazio, sentir que te falta algo, busque a natureza, busque as pessoas de bem e ali estará Deus. Mas também quando estiver feliz e sentir que precisa dividir ou agradecer, chame por Ele e agradeça sempre. Ele vai gostar de te encontrar também quando estiver feliz.”

E, falando em Deus, um feriado tão maravilhoso só poderia terminar com um pôr-do-Sol espetacular! Obrigada meu Deus! Obrigada Emerson pela hospitalidade e pela inspiração. Só o Rô sabe como essa viagem e as conversas com o Emerson mexeram comigo. Voltei com a corda toda! Me aguardem! D

O Emerson nos falando sobre como construiu a pousada: “Bem eu tinha pouco dinheiro e muito tempo, então gastei bastante tempo e investi o dinheiro pouco a pouco.” Reflita.

PLANOS: voltaremos no futuro pra explorar mais a região tão linda e matar as saudades da nossa família da pousada. Promessa!



dez
3
Recalibrando minhas lentes paulistanas…

Desde que voltei da Alemanha não cheguei a escrever sobre minhas sensações, sentimentos e cia. Não foi por falta de inspiração, podem ter certeza. Aliás, acho que é o excesso que me atrapalha. Excesso de idéias, excesso de insights, excesso de momentos, excesso de tarefas e excesso de devaneios.

Mas hoje, voltando de Sampa e conversando com o Rô sobre o que eu sentia/percebia/via toda vez que visito esta cidade percebi que chegou a hora de escrever sobre minhas lentes paulistanas. Lentes de quem nasceu e cresceu nesta cidade tão confusa que horas desperta amor e horas desperta ira. Enquanto eu não sabia o que era morar em outro lugar, São Paulo era pra mim um lugar perfeito pra se morar. Sim, era perfeito para uma menina solteira, bagunceira, que adorava badalar, que ama dançar, ficar de papo pro ar com amigos no boteco, que podia assistir até 22 vezes a mesma peça de teatro no teatro do SESI na Paulista (AMO Teatro!), que amava percorrer a pé essa mesma avenida encantada quando ouvia estrangeiros conversando e não conseguia entender patavinas, que adorava conhecer bares e restaurantes originalmente exóticos, que ama a diversidade de fenotipos, que ama a mistura cultural presente em cada esquina desta cidade. A minha São Paulo era perfeita sim! Vivi, durante 28 anos, momentos mágicos nesta cidade.

Hoje, após 4 anos morando na Alemanha e agora morando em Jundiaí, minha Sampa já não é mais tão perfeita. Não, não foi a cidade que mudou, fui eu. Logo que voltei, já me dei conta de que eu não pertencia mais àquela cidade. Primeiro foi o choque com o gigantismo. Passando de carro na marginal eu me sentia uma formiga sendo observada por olhos de concreto que vinham de todos os lados e alturas em minha direção. Aquele aglomerado de prédios, juro, me assustou. Cheguei a questionar a existência deles ali quando ainda morava em São Paulo, pois não me lembrava deles. Sei lá, é como se eu nunca tivesse visto aquele lugar. A cegueira típica daqueles que tem poucas (ou apenas uma) referências.

No trânsito tive a impressão de estar naquelas pistas de “Carrinho Bate-Bate”. Pois é, tudo nessa vida depende do seu referencial. Eu, apesar de não ter dirigido na Alemanha, estava acostumada com o trânsito e motoristas de lá, mesmo estando na posição de “Zequinha”. Os alemães, apesar de serem pessoas/motoristas muito intolerantes e impacientes, são extremamente civilizados e dirigem de forma coletiva. Aqui senti os motoristas muito agressivos, vaidosos e individualistas. Para muitos moradores de São Paulo o carro é uma forma de mostrar e praticar poder. De repente o funcionário se transforma em presidente, é ele quem está na direção, é ele quem manda. De uma hora pra outra parece que todo mundo ali tem um “Bat-Móvel”. Triste.

Mas sabemos que existem lugares em São Paulo capazes de nos fazer esquecer daquilo que nos afasta dessa gigante única. São Paulo tem bairros deliciosamente escondidos e arborizados. São interiores metropolitanos, onde ainda se respira um ar não tão nocivo quanto àquele que encontramos na maior parte desta cidade. Isso não é exagero! Basta observar a diferença do céu aqui no interior do céu de Sampa assim que entramos na nuvem cinza pela Rodovia Bandeirantes. Assusta. Existem ilhas de paz no meio do caos paulistano, mas para viver na metrópole é preciso “navegar” de uma ilha para outra e é ai que essas ilhas deixam de ser tão sedutoras pra mim.

São Paulo é um tapa na cara dos brasileiros. É um choque de realidade, principalmente quando o assunto é desigualdade social. É uma cidade que nos apresenta o tempo todo esse problema social que diz respeito à todos nós. Ela não te dá escolha de ver ou não ver. É tudo escancarado. Sim, São Paulo é sem-vergonha. Talvez por isso muitos poetas afirmem que é uma cidade que inspira. Ela inspira porque não se camufla. Ela é o que a gente vê. E são tantos contrastes que é impossível não se inspirar.

Enfim, apesar de ter recalibrado minhas lentes paulistanas e, por isso, estar enxergando as coisas de forma tão diferente, ainda amo esta cidade! A diferença é que hoje temos uma “relação” mais sincera e verdadeira. Uma relação como a daqueles casais que decidem morar em casas separadas pra manter a relação “acesa”. É uma relação complexa, pois ao mesmo tempo que São Paulo hoje me assusta, às vezes preciso justamente daquilo que mais me incomoda. Amo o caos de São Paulo, preciso daquela atmosfera congestionada de energia e partículados, admiro toda gente que trabalha duro pra fazer nosso país melhor pra todo mundo, invejo àqueles que moram perto da Avenida Paulista que é minha grande e absoluta paixão em Sampa, respeito àqueles que trabalham duro ganhando pouco e ainda passam o dia sorrindo e agradecendo à Deus pelo o que possuem e pela benção de poderem morar e viver em São Paulo. São Paulo é de todos. Daqueles que a querem todos os dias e daqueles que só precisam dela (principalmente dos seus restaurantes de comida japonesa…rs) de vez em quando. D

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