Tô aqui atoladinha de coisas pra ler para amanha e mais um monte de coisas secundárias e importantes pra fazer, mas precisei fazer esse “pit stop” pra dividir algo bem rapidinho.
Hoje comecou minha 3a matéria do 3o semestre do MBA e como essa matéria também é cheia de “blablabla”, o professor decidiu pedir pra gente se apresentar, dizendo quem somos, de onde viemos, quais sao nossos objetivos aqui e quais sao nossos planos para o futuro. Aliás, diga-se de passagem, essas apresentacoes estao comecando a ficar muito complexas, pois lembro que na 1a aula do curso de alemao, bastava dizer seu nome e de onde era e ficava todo mundo feliz. (-:
Enfim, quando chegou minha vez falei: “Meu nome é Maira (a aula é em inglês e, de forma curiosa, quando a aula é em inglês eles nao querem nem saber do seu sobrenome e quando é em alemao eles nao querem nem saber do seu nome…aff…tô ficando “cafusa”), sou brasileira (com muito orgulho e muito amor! rs), me formei em Enga Química e trabalhei quase 10 anos na área química (papo de velho, sei…rs) e estou fazendo esse MBA, pois decidi mudar a direcao da minha carreira para a área de Marketing. Sendo assim, pretendo somar algumas experiências nessa nova área e quando voltar para o Brasil pretendo ter meu próprio negócio (seja lá o que eu inventar…rs).
Pois mal terminei a última frase sobre voltar para o Brasil e o professor emendou rapidamente: “Se eu fosse você eu voltaria o mais rápido possível, pois a economia brasileira está explodindo e o momento é agora!”
Eu já estava voltando de qualquer jeito, imagina agora sabendo que o cara praticamente arrumou as malas pra mim. (-:
Vai Brasiiiiiilllll !!!! ((((-:
PS: esse post nao tem anti-spam, mas tem um sistema altamente preciso “anti-pessimismo”.
Esse post é uma homenagem à todas mulheres que conheci aqui na Alemanha e em outros países fora do Brasil que decidiram sair de “casa” para enfrentar de tudo em outras terras.
Sim, mulheres como eu e talvez como você que está lendo esse post agora. Desde que cheguei na Alemanha (Jesus! Isso fez 3 anos dia 25 de marco!), conheci muitas mulheres brasileiras e estrangeiras que largaram tudo no seu país de origem para vir pra cá muitas vezes só com uma certeza: queriam ser felizes. A maioria tinha uma vida até que boa no Brasil, ou seja, nao decidiram vir pra Alemanha pra “melhorar de vida”. Muitas dizem que vieram buscando “qualidade de vida” no sentido social mesmo, mas nao que eram infelizes. Outras vieram por amor de verdade e outras por outros motivos, mas nunca por desespero.
Sim, existem outras histórias, protagonizadas por outros tipos de mulheres, mas este tipo de mulheres eu ainda nao conheci (apesar de já ter visto muitas) por aqui e também nao evitei. Elas simplesmente estao em uma sintonia beeeem diferente da minha e se passa perto da minha antena dá curto, entendeu? (((-:
Nao, esse post nao contempla essa segunda categoria (talvez um dia eu escreva um post sobre estas só pra sacudir o blog com um tema picante e conflitante…rs). Esse post é especial e exclusivo para aquelas mulheres que sonham em ser felizes sem ter que abrir mao dos próprios valores e sem ter que vender à alma a quem quer que seja. Sao mulheres fortes, mas NAO SAO DE PEDRA, SAO DE MASSINHA.
Sim, sao de MASSINHA. Isso pra nao dizer que sao “filés de alcatra” (rs). Sao mulheres que se moldam, adaptando-se às circunstâncias. A cada dia ganham uma curva nova ou perdem outras, sempre buscando a melhor aerodinâmica pra enfrentar o dia-a-dia numa cultura avessa à nossa (ou quem sabe talvez até mesmo complementar). Exatamente como aquelas massinhas que brincamos quando somos criancas. Essas mulheres sao feitas de um material flexível, mas nao mole. Se adaptam, mas independente da forma que tomam, a composicao continua inalterada, seus valores continuam intactos e preservados dentro da sua essência indestrutível e incorruptível.
Sim, esse post é para lembrá-las de que nao sao e nao tem que ser de pedra. Quem acha que é de pedra, nao pode ser alguém sabio. Ser de pedra é ser rígido, é ser inflexível, é ser frio, é imóvel, é passivo. Nao, se você é uma dessas mulheres fantásticas que a cada dia aprende algo novo, que a cada dia se descobre de novo, que a cada dia se permite fazer e ser algo diferente ee ainda se diverte no meio de tudo isso, você é, sem dúvida, de MASSINHA. Aquela mulher que todo o dia leva uns apertos da vida, chora, ora, reclama, xinga, mas que no final consegue ter sabedoria pra entender que aquele “aperto” até que foi gostoso (rs) e entende que precisava dele pra passar para a próxima etapa. Entende que a vida te molda pra que você se encaixe perfeitamente a cada nova situacao, afinal novos cenários exigem novos figurinos (aposto que gostaram dessa parte…rs).
Morando aqui na Alemanha e, principalmente, através deste blog, tenho tinho contato frequente e pessoalmente com essas “Sras. Massinhas”. Sim, é impressionante como existem tantas brasileiras e estrangeiras incríveis que superam muitas vezes completamente sozinhas dificuldades simultâneas e extremas por aqui. Mas o mais triste é perceber que pouco se fala ou se escreve sobre elas. Sim, nós mulheres brasileiras temos MUITOS motivos pra termos orgulho de dizermos onde quer que seja que somos brasileiras, pois muitas de nós estamos “fazendo bonito” aqui nas “Zoropa”. Mas infelizmente qualidades e estereotipos sao duas coisas que nao parecem combinar. Infelizmente.
Digo isso, pois eu também sou uma dessas mulheres de massinha. Continuo me moldando diariamente, continuo deixando alguns pequenos pedacos espalhados por ai, também continuo resistindo à novas e inevitáveis curvas, continuo mantendo minha flexibilidade e maciez me regando com lágrimas (e cerveja..rs), continuo me “auto-apertando” quando a vida tá ocupada demais pra fazer isso por mim e continuo me divertindo muito no final dessa brincadeira toda (rs).
Ser de massinha nao é ser volúvel, é ser flexível. Ser de massinha nao é vergonhoso, é admirável. E é por isso que eu me admiro e admiro à todas vocês que me fizeram e me fazem enxergar o quanto somos poderosas e o quanto tomar uns apertoes de vez em quando é bom pra ajudar no encaixe. (((-:
Parabéns mulherada e obrigada simplesmente por existerem e resistirem!
Como não poderia deixar de ser, eu e o Rô prestigiamos mais essa iniciativa do Círculo Cultural Brasileiro e.V. e, como também não poderia deixar de ser, foi mais um evento daqueles que se faz inesquecível pela forma tão peculiar que foi organizado: com paixao e competência.
Esse foi o primeiro Festival Brasileiro “Filme explica Música” apresentado em Stuttgart e Colônia (Alemanha), organizado pelo clube brasileiro Círculo Cultural Brasileiro e.V.. Um festival onde música e cinema se juntaram, trazendo assim um pouco mais sobre o Brasil para o exterior, trazendo uma das coisas que temos de melhor: a musicalidade brasileira, sua história e suas melodias.
Participei da emocionante abertura. Vocês precisavam ver a brasileiridade da Nancy (coordenadora do projeto) transbordando em palavras, que logo tiveram que vir em português, pois como ela mesma disse, às vezes tanto sentimento só pode ser devidamente expresso na nossa língua materna e eu entendo-a perfeitamente.
Nao tirei muitas fotos, porque nao dava tempo pra pensar nisso. Juro! Eu só queria viver todos os momentos ali de forma extrema e parar pra tirar foto nao era o mais importante, até porque tinha fotógrafo oficial do show pra todo lado e vi vários flashs na nossa direcao, entao é aguardar pra ver o que aparece na mídia. Pra dar uma canja, fiz uns filminhos estilo “Maira”, ou seja, pulando, dancando, rindo e perdendo o foco constantemente. (((-:
Chorei e ri com o filme “Os desafinados”. Assistir à um filme brasileiro, em português, com um público por vezes gargalhando juntos, me trouxe por alguns momentos o sentimento de realmente estar no Brasil. Chorei ouvindo as músicas, principalmente “Carinhoso”. Tá, também chorei à toa vendo aqueles amigos falando a mesma língua, buscando seus sonhos juntos, dividindo dificuldades juntos, fazendo uma história juntos e lembrei de todos os “meus” que seguem agora em outros caminhos, assim como eu. Voltei ao tempo e chorei de saudades. Mas também ri horrores com várias passagens absurdamente brasileiras no filme, piadas que sao difíceis de explicar pra qualquer gringo. Quer um exemplo? Em uma das passagens do filme, o grupo de músicos que sao protagonistas no filme vao para Nova York buscando a fama. Chegando lá um deles (Rodrigo Santoro) conhece uma brasileira que mora lá (Cláudia Abreu) e descola a oportunidade de hospedar o grupo todo no apê dela. Ela tem uma vizinha francesa que fica caidinha por um dos integrantes do grupo (Jairzinho – quem nao ficaria? rs). Um dia essa francesa leva uma torta ou sei lá o que de presente para todos no apê e comeca a falar em francês com os meninos que nao entendem bulhufas, mas como todo bom brasileiro, sempre dao um jeito de se comunicar. Chegando ela diz “Savá?” (Como vai?) e eles todos empolgados com a simpatia da moca, respondem rachando o bico ”Ah Saravá”. Nisso a platéia brasileira no cinema se mata de rir (só vendo pra rir também) e eu cai na minha sutil gargalhada (imagina!). Eis que uma alema sentada ao meu lado me cutuca e me pergunta em alemao: “Was bedeutet Saravá?” (O que significa Saravá?). Putz, eu ainda rindo, disse francamente: “Entschuldigung aber leider gibt es wahrscheinlich keine Übersetzung auf Deutsch” (Desculpe, mas infelizmente provavelmente nao existe nenhuma traducao pra isso em alemao). Tá, eu podia ter tentado explicar em que contexto engracado usamos essa expressao, sua origem e blablabla, mas fala sério, eu ia precisar de uns 10 minutos pra isso, ou seja, perder 10 minutos daquele filme de jeito nenhum! Enfim, um filme ÓTIMO, muito bem estruturado, divertido, às vezes dramático, rico musicalmente e, principalmente, um filme que realmente representa o Brasil no que diz respeito à Bossa Nova e vontade de vencer e de viver.
No mesmo dia, mais tarde foi a vez de sermos presenteados com a presenca de Naná Vasconcelos, o melhor percussionista do mundo. Será possível descrevê-lo e descrever seu trabalho em palavras? Duvido. Nao é humano. É angelical. É transcendental. Eu praticamente entrei em transe com aqueles sons que ele tira de qualquer coisa, inclusive de um simples pinico. E a simpatia, meu Deus! Ele é daqueles artistas que são o que são em qquer lugar e não se deixa intimidar por estar aqui ou lá. Ele transformou o palco em um terreiro, depois em uma selva e muitas vezes em um picadeiro com seu humor delicioso, que nos obriga a participar. Trouxe o público para todos esses cenários, ou seja, dividiu seu palco humildemente com cada um dos que estavam presentes. Foi MÁGICO! Sem palavras.
Outro filme que assistimos foi “O milagre de Sta Luzia”. No filme nosso mestre do Forró, Dominguinhos, percorre o Brasil de norte à sul usando a história da sanfona no contexto Brasil para contar também sobre a sua trajetória, semelhante à trajetória de muitos nordestinos desse nosso gigante país. É um filme que nos faz rir muito, mas que também nos faz chorar (tá, tô de TPM e isso pode ter interferido…rs) e refletir sobre quem sao esses nordestinos no contexto Brasil. Eu, como paulistana, posso dizer que o filme toca lá dentro, assim como a sanfona de Dominguinhos e de todos artistas da sanfona que nos sao apresentados no decorrer do filme. Sao histórias de luta, de coragem, de falta de oportunidade, de esperanca, de fé. O filme mostra também como somos diversos, passando pelo nordeste, pelo centro-oeste, pelo sudeste e pelo sul. É riquissímo! E, vale a pena salientar, que o retrato mostrado de SP nao é muito agradável de se ver para quem é de lá, mas é preciso entender que ali o que se quis mostrar é para onde vao geralmente os nordestinos que lá chegam sem nada e se ninguém e, quem ver, verá que nada ali foi inventado. É triste, mas é real. Mas, sem dúvida, o sentimento que fica depois do filme nao é a tristeza, afinal estamos falando de nordestino, estamos falando de música, estamos falando de Brasil, ou seja, a única coisa que fica só pode ser alegria e saudade.
Quinta foi a vez de nos deliciar (ui!) com o show de ninguém mais, ninguém menos do que Jair Oliveira (nosso conhecido e querido Jairzinho). Foi interessante perceber que poucos brasileiros por aqui conheciam os trabalhos dele depois que deixou de ser o “Jairzinho”. O trabalho dele é simplesmente super-fantástico (juro que nao era pra ser um trocadilho besta…rs)! AMO! A voz, os arranjos musicais, as letras das músicas, a simpatia, a humildade, o sorriso (ahhh o sorriso..jesus!), a energia positiva que ele emana, a alegria, a calma, a brasileiridade do Jair Oliveira ou Jairzinho, ou seja lá que nome artístico ele assuma, é simplesmente mágica e inesquecível. O público pegou fogo, a mulherada ficou indócil, os estrangeiros com certeza se encantaram e eu nao vejo a hora de ir no próximo show dele aqui ou em qualquer lugar. E a hora que ele nos presenteou tocando “Superfantástico” estilo MPB! A galera foi à loucura! Nao, eu jamais poderia imaginar viver aquele sentimento de novo, enquanto ele cantava tenho certeza que passou um filme na cabeca dos véinhos por ali. Na minha passou um seriado inteiro! (((-:
Olha o Jair ali no fundo, pertinho da gente
Estar em casa é... encontrar velhas e novas amigas ao mais puro acaso... AMO!
Sexta chegou o último dia do festival 2009 e, com ele, chegou também a hora de botar pra quebrar literalmente. Dancamos sem (quase) parar com Max de Castro e Wilson Simoninha (filhos do grande Simonal). Foi difícil deixá-los ir embora, principalmente depois que chamaram o Jair Oliveira pra subir no palco. Ai é que ninguém queria mais ir embora mesmo! Foi mais um show digno de Brasil, mostrando nossa riqueza e toda nossa ginga, “of course”. (((-:
Fim só do primeiro Festival de Cinema Brasil e o comeco de uma nova e rica imagem brasileira no exterior. Pois, que a música brasileira é uma (ou a mais) rica e diversificada do mundo, todos já ouviram falar, mas ter a chance de ver isso é beeem diferente. Mas as músicas nao foram somente ouvidas, suas raízes foram expostas através dos filmes mostrados paralelamente. Impossível esquecer tal festival. Impossível nao sonhar com o próximo. Impossível nao continuar sorrindo todos os dias após cada show e cada filme.
Todos os dias que estive presente foram MARAVILHOSOS e só ouvi coisas maravilhosas sobre os dias que nao pude estar lá (sou apaixonada pelo Brasil e fa do Círculo Cultural Brasileiro e.V. aqui em Stuttgart, mas ainda sou estudante, poxa! rs).
Ontem foi o fechamento, um fechamento que na verdade nao tem nada a ver com o nome, pois pra mim ali ficou uma porta escancarada, cheia de sonhos e oportunidades para esse festival que nasce agora.
Parabéns Círculo e obrigada por trazerem um pouquinho de Brasil pra todos nós e pra todos àqueles que queriam saber o que é que o Brasil tem “de-mais”.
Links relacionados (conforme for aparecendo alguma coisa na mídia, vou colocando os links aqui):
"Be my guest!" ou pra ser menos metida a besta "Seja meu convidado!"
Isso mesmo, estou te convidando para escrever aqui no "Retratos & Relatos" como meu convidado(a). Que tal? E a boa notícia é que você pode ter seu texto publicado, mesmo nao sendo blogueiro. Isso mesmo! É sua chance de comecar a dividir suas experiências sem ter que possuir um domínio na internet. Basta um editor de texto (como word, por ex.), histórias pra contar e uma conta de email para me enviar sua contribuicao.
Entre em contato através do nosso formulário na sub-página "Contato" e seja bem-vindo(a)!
Comentários Recentes